por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 4 de fevereiro de 2012

ALDO CABRAL - CENTENÁRIO- Norma Hauer



Foi aqui no Rio de Janeiro que veio ao mundo, no dia 3 de fevereiro de 1912, Antônio Guimarães Cabral.

E quem foi ele? Nada mais que ALDO CABRAL, jornalista, produtor de rádio, de teatro e, principalmente compositor
Fez dupla com Benedito Lacerda e compõs uma série de sambas, valsas, canções...
Conheceu seu primeiro sucesso com a valsa "Boneca", gravação de Sílvio Caldas.

Esta valsa teve uma história, contada por Carlos Galhardo: Aldo Cabral prometeu a Galhardo que ele a gravaria, mas Benedito a entregou a Sílvio Caldas.

Que fez Aldo Cabral ? Propôs a Ataúlfo Alves que ambos fariam uma valsa para Galhardo gravar.

Eu?, uma valsa? Perguntou Ataúlfo.
- E porque não?...

Assim, ambos compuseram a valsa belíssima gravada por Carlos Galhardo na Odeon: " A Você". E fizeram sucesso.

Em você tudo é encantamwento

Em você tudo é deslumbramento

Você traduz

Sonhos de luz

Anjo divino

Mais uma dádiva no céu

Do meu destino..."


Anos mais tarde, em um LP Galhardo gravou a valsa "Boneca".

A dupla Aldo Cabral e Benedito Lacerda conheceu vários sucessos, como "Amigo Leal" e sua resposta "Amigo Infiel"; "Espelho do Destino"; "Voz do Dever" (todos gravados por Orlando Silva); Chico Alves gravou da dupla "Carnaval de Minha Visa", a música para a quarta feira de cinzas:
.
"Quarta feira de cinzas amanhece,
Na cidade há um silêncio que parece,
Que o próprio mundo se descarrilou...
É a máscara que a vida jogou fora,
mostrando que a alegria foi-se embora
No som do carnaval que já passou..."


O maior sucesso de Isaurinha Garcia foi da autoria de Aldo Cabral e Cícero Nunes:
"Mensagem"
"Quando o carteiro chegou
E meu nome chamou,
Com uma carta na mão

Ante surpresa tão rude

Não sei como pude

Chegar ao portão...”

Muito mais Aldo Cabral compôs e quase tudo foi sucesso.

Como todos os compositores de sua época, Aldo Cabral afastou-se depois que surgiu a bossa nova. Era um ritmo diferente e não adiantava mais lutar.

Aldo Cabral faleceu em 5 de junho de 1994, aos 82 anos.


Norma Hauer

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Versos amorosos - por Domingos Barroso


Se não há amor
entre dois pares
de olhos

nem adianta o flerte,
a pantomima de sempre.

Perceber quando
o amor encanta
é simples:

o coração fala,
os ouvidos da alma
escutam e gracejam.

Se os cílios não tremem
nem as faces coram

seu moço,
dê o fora.

Eu não fugi,
perdi um olho
de saudade.

Sabe, seu moço
por isso sou caolho.

LUIZ PEIXOTO- por Norma Hauer



Ele nasceu no dia 2 de fevereiro de 1889 em Niterói, recebendo o nome de Luiz Carlos Peixoto de Castro. Ficou conhecido como LUIZ PEIXOTO.
Dentro da arte de seu tempo, Luiz Peixoto foi completo: caricaturista, teatrólogo, diretor de teatro, poeta, pintor escultor, letrista de nossa música popular..
Como caricaturista trabalhou nos órgãos mais importante de sua época, como “O Malho”; “Revista da Semana”, “Fon-Fon”...e mais tarde no Jornal do Brasil.
Também montou cenários no Theatro Municipal e eram suas as alegorias da Avenida Rio Branco feitas para os desfiles carnavalescos.
Era uma personalidade eclética.
Nem todos sabem, mas todos conhecemos a valsa “Lua Branca” de Chiquinha Gonzaga, Foi exatamente Luiz Peixoto quem colocou a letra permitindo a cantores e não apenas instrumentistas executarem tão famosa composição.
Quem disse que “numa casa de caboclo, um é pouco, dois é bom, três é demais?.Foi exatamente Luiz Peixoto, pela voz de Gastão Formenti., assim como descreveu uma casa na colina e a sempre lembrada “Ai, Ioiô, eu nasci p’ra sofrer ou Linda Flor... Essa música de Henrique Vogler recebeu duas letras diferentes. Uma foi de Luiz Peixoto. A primeira gravação foi na voz de Aracy Cortes.
Com o compositor Ary Barroso, Luiz Peixoto compôs “Na Batucada da Vida”,”Por Causa desta Cabocla” e a sempre recordada “Maria, o teu nome principia na palma da minha mão. e cabe bem direitinho dentro do meu coração..."..
Quando Carmen Miranda,depois de uma temporada nos Estados Unidos, aqui esteve em 1940, não foi bem recebida no rádio nem no Cassino da Urca porque diziam que voltara “americanizada”...
Foi então que com Vicente Paiva Luiz Peixoto compôs

“Disseram que eu voltei americanizada,

Com o burro do dinheiro

Que estou muito rica”...

Parece que, de fato, ela voltou “americanizada, tanto que retornou aos Estados Unidos, onde morreu em 1955.
Luiz Peixoto também fez parte do “cast” do Cassino da Urca, nos anos 30 e 40, até 1946, quando os cassinos foram fechados.
Luiz Peixoto faleceu em 14 de novembro de 1973, aos 84 anos.


Norma


Por Aloísio

"Música,

Quando a música
chega aos meus ouvidos
Trazendo alegrias ou tristezas
não duvido
Minha alma cala,
geralmente paro a fala
para escutar o  que diz a canção."

Saiu quase no clima de "Ai quem me dera" de Tom Jobim e Marino Pinto.

Grande abraço
Aloísio

C...A...R...M...A...


ACABOU 
COMO ACABAM
AS COISAS
QUE O TEMPO 
ABANDONOU?

Ulicis

Corrente - por Socorro Moreira



A cidade era bonita,  numa vida bem pacata. Eu vivia com a  família de gênio muito abrandado, e quase sempre feliz !
Papai pintava os carros, a minha mãe ensinava, e costurava uns vestidos, além de cuidar da casa. Na sua moderna "Singer", escutava a zoadinha, que a tal máquina fazia, pra costurar meus vestidos.
Ainda  quase menina, cumpria alguns recados:
"Menina, me compre já, linha corrente-laranja, na cor branca  e rosa chá"!
Mas a corrente  da rede, que  a vó me balançava, namorava o armador, ora pra lá e pra cá. Enquanto cantarolava, ela bem  devagarzinho, com seus pés  bem pequeninos, saía silenciosa, e me deixava a sonhar.
A correntinha de ouro, que  perdi no mês  de Agosto, foi presente do meu tio, quando completei 10 anos. Ela tinha uma medalhinha, só não sei qual era o santo.
Depois entrei na corrente do rio no Maranhão, cantava com o barqueiro, aquela velha canção:

" eu vi
as águas do rio correr
 e a canoa do negro passar..."

lembro a expressão feliz,
do sol, naquela manhã
achava que todo canto
era na sua intenção.

correntes nunca me atam,
não me escravizam , nem matam
não as tenho em sentimentos
nem tão pouco em pensamentos...

" acorrentados ninguém pode
amar..."
 diz o refrão de uma música
 que eu já não sei mais cantar.

mas deixo um tolo conselho
não siga, se não gostar
não acorrente alguém
pensando que vai  ganhar
um amor  pra vida inteira
 sem deixar ele voar

amor é contra-corrente
é livre e gostador
pródigo em carinhos e beijos
mas precisa respirar
no jardim da sua dor.

finalizando a palavra
vejo que falei demais
pois então complete agora
o  jeito de versejar
use a palavra " primeiro"
senão a loa não para
nem com a luz do luar.

O sono viajou. São assim quase todas as noites. Os dias ficam mais longos, e a vida aumenta as suas possibilidades: surpresas, encontros e desencontros.
Como somos crédulos, buscando tesouros, nos terrenos minados... ! Queria tanto entender a alma humana, e a minha própria alma! Busco respostas sobre isso, até nos astros!
Generalizo, a princípio, qualidades e defeitos comportamentais. Depois reflito sobre as particularidades. Mania de análise, padrão virginiano, a despeito da vontade de viver com intensidade, mesmo respeitando os meus limites.
Hoje conversávamos sobre Astrologia: eu (inegavelmente leiga, mas curiosa), e um doutor no assunto.
Escutei explicações interessantes, de forma didática , sobre os signos de elemento água : Peixes, Câncer e Escorpião. Dizia-me:
- As águas são as nossas emoções.
Quais são os estados físicos da água?
-Sólido líquido e gasoso.
-Pois bem, o estado sólido representa as águas dos escorpianos. O gelo. Eles conseguem ser extremamente frios, na administração das suas emoções.
O estado líquido refere-se às pessoas de Câncer. A dramaticidade, na expressão do emocional.
O estado gasoso está associado às pessoas de Peixes. Porisso a dispersão, a vulnerabilidade.
Comentamos sobre os outros elementos: fogo, ar e terra.
O ariano, fogo relâmpago; o leonino integralmente solar; o sagitariano o fogo alimentado por ele mesmo, por puro idealismo.
Sobre os terráqueos: Virgem, Touro e Capricórnio, também ouvi rápidas considerações .
Os taurinos são os mais terra. Vivem em função do mundo material, mas as artes os desmontam. Como referências foram citados grandes pintores, que nasceram sobre esse signo, como Leonardo da Vinci; os virginianos são práticos ; os capricornianos exigentes.
A verdade é que somos uma mistura de todos esses elementos. O percentual que existe em cada um, a concentração dos Planetas, em determinadas casas, estabelecem as grandes e pequenas diferenças.
Esse estudo instiga um aprofundamento.. Todos os signos possuem prós e contras; o lado luminoso e o lado obscuro. A compreensão da matéria representa um instrumento valioso, no processo do autoconhecimento.
"Conhece-te a ti mesmo”.
- A grande chave para os nossos próprios mistérios. O descortinar para uma vida mais próspera, e feliz. O caminho evolutivo da alma. Quanto a isso, eu tenho pressa, embora tropece, sempre que entro na energia da superficialidade. Quero pique pra fazer a manutenção de forma paulatina e sábia. É possível?
- A Ioga tem algumas respostas; a maturidade, outras; o morrer e renascer, um dia completará o seu ciclo definitivo...!
Socorro Moreira


conheci o amor
quando sentia na madrugada
a mão zelosa de mãe
trocando os lençóis mijados
as colheradas de mel
a flanela na garganta
pra acalmar minha tosse
das poeiras e das artes
que eu trazia comigo
do quintal e da calçada.

conheci o amor
quando aprendi com os mestres
as lições pra toda vida,
inclusive o catecismo...

agora tenho um o caminho
já marcado com meus meus passos
aprendo o amor com o Victor
que é puro e devotado
às vezes nos desligamos
tomamos sustos danados
ao confirmar que o amor
é presa do nosso lado.

porisso Amar é inerente
ao ser humano e divino
quem não adota esse verbo
e pratica desatinos
tem que voltar pro abc
e aprender de novo a ler
a grande lei que é divina :
amar a todas as coisas
amar ao próximo mais próximo
e também ao mais distante
amar o desconhecido
e aquele que é no sangue
o nosso elo mais forte

o pecado no amar
inexiste, está provado ...
mas é bom que se defina
que o amor que se procura
é solução do destino.
dissolve o medo,
a tensão ,
cura até desilusão
sana o corpo e alma
cura tudo feito erva
que Deus jogou lá na serra,
pra espantar nossos males.

Amar é palavra-verbo
a mais doce
a mais completa
mas pra amar de verdade
é preciso que se tenha
por nós o desejo interno
de amar com liberdade !

Agora deixo o meu mote
no amar de toda gente
escolha o merecedor
do seu amor
num repente
E diga àquela "PESSOA"
que a ama para sempre !

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tá na hora do improviso...Acordem, gente da rima!

Aloísio, Nicodemos
Germano, Ângela, Bastinha...
Tá faltando uma rodada
do produto que é a rima

Pro mode falar de "Música"
Eu arrisco meus versinhos:

 
A verdade é que sou Música
De alma e de  coração...
Pois um amigo me disse:
"é a linguagem da emoção"!


Despedindo-me por hoje
 Deixo  a minha sugestão
 Que o mote  seja forte
 Como o vento e o tufão
 Que  seja da cor do céu
  Com nuances de outra cor
Que seja verde  mulato
Os olhos  daquele amor


(socorro moreira)


Sopa e Mel na Tigela do Tempo


Dona Escolástica até tinha o direito de implicar com a sonoridade do seu nome . Ele terminava por lhe imprimir um ar de austeridade monástica . Pronunciado , mesmo carinhosamente, já soava como uma ordem do general para o samango. Aquilo era epíteto pesado demais para uma pessoa só, devia ser carregado, não por ela, mas por toda uma escola filosófica, pensava consigo mesma. A opinião de Escolástica, no entanto, não era compartilhada por seus conhecidos. Havia um consenso entre todos os amigos : mais que um nome , aquilo tinha sido quase que uma premonição do velho Patápio Brandão Peixoto, o pai dela. Escolástica, desde nova, mostrara-se de uma determinação e um vigor impressionantes. Despachada, nunca levou desaforo para casa e jamais precisou de ajuda de quem quer que fosse para resolver suas questões. Menina, já detinha o título de terror da rua e os meninos tinham mais medo dela do que da palmatória dependurada no armador da sala. Cresceu com a mesma impulsividade da infância e levou para a adolescência e a vida adulta aquela independência invejável. Fez-se professora primária e os alunos temiam mais a mestra do que os pais.
Toda intrepidez já precoce de Escolástica fez com que os homens dela se afastassem, como o capeta de água benta. Quase não teve namorados e casou coroa, já engatilhando os últimos cartuchos da macaca. O marido , Serginaldo, era barbeiro e um barriga-branca convicto. Diante da esposa, era autorizado a pronunciar apenas algumas palavras básicas : Sim , senhora ! Já vou ! Apois tá certo ! Você é quem sabe ! O casal teve apenas um filho que , para manter a tradição, envergou o pomposo nome bíblico de Absalão. A escolha do nome do filho transparecia uma outra faceta da nossa professora: beata piedosa , fazia do debulhamento de terço e mergulho em pia de água benta seus esportes prediletos. As más línguas até comentavam que o motivo de Absalão ser filho único, vinha da necessidade de fornicação para fazer menino: Escolástica não podia aceitar um escandelo desse tamanho e deve ter ficado aguardando o Anjo Gabriel anunciador da segunda gravidez -- essa sim totalmente livre das impurezas do coito.
A regra da mão e a luva quebrou-se , totalmente, já na segunda geração do velho Patápio Peixoto. Absalão, rapidamente, fugiu à regra. Desde cedo apresentava uns trejeitos estranhos e, já adolescente, assumiu, totalmente sua sexualidade. Só duas pessoas não percebiam ou fingiam não perceber a sensibilidade aguçada e as roupas e adereços extravagantes do menino : os pais. Absalão, rápido, entendeu a barra que era, viver aquilo que a vida lhe escolheu, numa cidade pequena. Cedo, resolveu ir estudar na capital. Desde pequeno demonstrava grande sensibilidade musical e ainda pivete começou a tocar violão intuitivamente, arte que deve ter herdado dos Brandões.
Na capital, fez-se músico de formação e não demorou a ser conhecido em todo o estado por suas habilidades nas cordas da guitarra. Tinha uma grande legião de amigos mulheres, amigas homens e fãs das mais variadas orientações. Pessoas que não tinham qualquer receio em viver os sabores da vida conforme eles lhe haviam sido servidos à mesa. Com o nome na mídia, Absalão fez-se o orgulho da mãe que dava notícias da visibilidade do filho por onde passava. No fundo, aquilo era uma maneira, à Escolástica, de passar na cara a vitória do rebento, frente aos reiterados comentários maldosos e úmidos de preconceito dos vizinhos e amigos.
No fim do ano, Absalão ligou para a mãe informando que estava indo passar alguns dias com ela. E mais: ia levando a banda e um grupo de amigos. Quando o filho chegou, foi aquela alegria danada: como pinto em beneficiadora de arroz. À medida que o dia foi passando, no entanto a genitora de Absalão não tardou, pouco a pouco, a transformar-se em novamente em Escolástica. Torceu o nariz para os amigos do filho que usavam roupas esquisitas, mesmo sem perceber, com aquela cegueira de mãe, que os homens eram afeminados demais e as mulheres másculas usavam coturno. À noite, na hora de dormir, em casa pequena, uma Escolástica tradicional saltou de dentro da mãe do músico e ordenou:
--- Ei, pessoal ! Tudo bem que vocês estão aqui e nós estamos felizes com a visita, mas vou logo avisando: aqui não tem regras ! Não tem modernismo , não ! Nada de safadeza! As mulheres dormem num quarto e os homens no outro !
Mal percebera Escolástica que o mundo dera muitas voltas e que a sopa, derramando-se na tigela do tempo, caíra no mel. Enquanto se agasalhavam, par com par, os homens com homens e mulheres com mulheres, uma das meninas sussurrou para um Absalão já em plena lua de mel, no outro lado:
--- Absalão, Absalão ! Mas tua mãe é muito avançadinha, menino ! Benza-te Deus !

J. Flávio Vieira

O poeta

‎'O poeta, independentemente de educação, idade, sexo e preferências, permanece no seu coração como o herdeiro espiritual da humanidade dos primórdios. Explicações científicas sobre o mundo não o impressionam muito. Ele é um animista, um fetichista, que acredita nos poderes secretos adormecidos em todas as coisas, e está convencido de poder mexer com essas forças com a ajuda de um punhado de palav...ras bem escolhidas. O poeta pode até ter recebido um ou outro título com distinção e louvor, mas no momento em que se senta para escrever um poema, seu uniforme da escola racionalista começa a pinicar sob os braços. Ele se retorce, bufando, abre primeiro um botão, depois outro, até arrancar a roupa de uma vez, expondo-se diante de todo mundo como um selvagem que leva uma argola no nariz. Isso mesmo, um selvagem. Do que mais se pode chamar uma pessoa que fala em versos com os mortos e os não-nascidos, com as árvores, os pássaros, e até mesmo com abajures e pernas de mesa?' Da polonesa Wisława Szymborska, que partiu neste primeiro de fevereiro

ADEUS A WISLAWA SZYMBORSKA


 Há tempos eu queria fazer um poema a Wislawa Szymborska.
Agora ela morreu.
... Wislawa Szymborska morreu e eu não fiz o meu poema.
Fiquei sem graça.
Com cara de tacho.


Não sei por que não escrevi.
Certamente porque não ficaria à altura dela.
Mas eu tinha o poema todo na cabeça.
Eu iria falar de um gato.
Seria um gato comum, sem nenhuma particularidade especial.
Um dia ele subiria na mesa,
Se espreguiçaria como os gatos fazem,
Dormiria numa almofada, num canto da sala,
E Wislawa Szymborska diria: Isto é a poesia.


Não era preciso nada de extraordinário.
Ninguém veria que o gato tinha um olho verde e outro azul,
Que era branco com o rabo xadrez (ou rajado).
Era apenas um gato.


Hoje penso em Wislawa Szymborska subindo uma escada.
Falta pouco para chegar ao topo.
Falta tão pouco
Que, de repente, Wislawa Szymborska está no topo da escada.
Cheguei, diz.
E agora?
A morte é como um poema: você não sabe como,
Mas sabe que precisa escrever.
Depois de escrito, não é surpresa nenhuma.
A vida continua.
Com suas pedras no meio do caminho,
Alguma borboleta – a leveza da borboleta,
Algum gato – que pisa leve, muito leve,
Gente que reclama,
Gente que segue em frente.
A poesia não é um prato de sopa.
Se fosse, seria um prato de sopa de pedras.
Adeus, Wislawa Szymborska.


1-2-2012 - J. C. M. Brandão

Ai quem me dera – Tom Jobim / Marino Pinto

Ai quem me dera ser poeta
Pra cantar em seu louvor
Belas canções, lindos poemas,
Doces frases de amor
Infelizmente, como eu
Não aprendi o A-B-C
Eu faço sambas de ouvido pra você

Depois de muitas frases lapidares, eu percebi
Que as rimas que eu preciso,
Essas rimas esqueci
E que o verbo amar não se conjuga sem você
Eu faço sambas de ouvido pra você


um repente...- por socorro moreira




Eu já vivi por aí
já andei por muita estrada
do mar até o sertão
cruzei com gente encantada
cansei de arrumar a mala
voltei pro sertão do Crato.


Sou sertaneja, e me orgulho
embora eu goste do mar
mas o mar verde da flora
vejo do lado de cá
avisto a minha chapada
e tento me acomodar.




sertão tem a sua gloria
coisas boas de provar
cheiro de mato
açude,
a chuva que cai do ar
molha mangueira e caju
pois o sertão é um mar !


Mar de luar bonito
de gente singela, calejada
que passa o dia na roça
mas de noitinha ela dorme
com a cabeça no lugar.


Me despeço nesse verso
do povo do Cariri
quem quiser nos visitar
pode chegar e roer
um caroço de pequi !


PEDRO CAETANO- por Norma Hauer




Estou aqui para relembrar um grande compositor, que nasceu no dia primeiro de fevereiro de 1911.

Trata-se de PEDRO CAETANO , nascido no interior de São Paulo, em uma fazenda na cidade de Bananal, de uma família de 12 filhos

.
Ainda criança, perdeu seus 4 irmãos(homens) sendo criado ao lado de suas 7 irmãs. Estas, chegando à adolescência pediram aos pais que saíssem do interior e

procurassem uma cidade maior.



Assim sua família veio para Niterói, aqui no Rio de Janeiro.

Tendo aprendido as primeiras letras com sua mãe (professora) já aos 12 anos largou os estudos e foi trabalhar em uma loja de calçados e, nas horas de folga, brincava de cantar e fazer músicas, descobrindo sua verdadeira vocação: compor, embora se mantivesse no comércio de calçados, até o fim de sua vida. Essa loja funcionou em um sobrado da Rua Sete de Setembro, recebendo o nome de Casa Pedro.


Descobrindo sua principal vocação, passou a freqüentar as proximidades do Largo do Marananã onde travou conhecimento com um primo de Sílvio Caldas, que lhe facilitou o ingresso no meio dos bambas da música de então. Isso em 1934.
Sílvio não fez fé em seu primeiro samba ("Juramento Falso"). Como já havia uma música com esse nome (gravada por Orlando Silva) Pedro Caetano o mudou para "Foi Uma Pedra que Rolou", cantada, mas não gravada.
De qualquer forma,estavam abertas as portas que levaram Pedro Caetano ao sucesso.Sua música o fez conhecer Claudionor Cruz,que se tornou seu parceiro em inúmeras composições.
Em 1935 um samba de nome "Tocador de Violão" foi sua primeira gravação. Não aconteceu, mas Pedro, ao lado de Claudionor, não esmoreceu e, na voz de Orlando Silva conheceu seu primeiro sucesso:a valsa "Caprichos do Destino". Estourou!
A partir daí, foram muitos seus parceiros e as músicas foram desfilando.
Compôs , dentre outras, Nova Ilusão", "Sandália de Prata", "Botões de Laranjeira", "Duas Vidas", "Eu Brinco", "Disse Me Disse", "Onde Estão Os Tamborins?", "É Com Esse Que Eu Vou" - esta foi sucesso em uma novela das oito na Rede Globo e recentemente deu nome a uma peça teatral.
Com "Disse Me Disse", gravação original de Carlos Galhardo, aconteceu algo que o deixou muito aborrecido. Visitando Madri, uma cantora portuguesa cantou esse samba como se fosse de sua autoria e, algum tempo depois, vindo ao Brasil, atuou na Rádio Tupi, voltando a cantá-la.
Pedro apresentou-se como autor e a tal cantora simplesmente sumiu.
A morte de Pedro Caetano, no dia 27 de julho de 1991, foi trágica: atravessando, à noite, a Avenida Marechal Rondon, foi atropelado, ficando seu corpo durante três dias no IML, como indigente. Estava sem documentos.
Foi reconhecido por um amigo, que providenciou seu sepultamento.
E assim, mais um grande nome de nossa música partiu para a viagem sem volta.

Norma

Maravilhoso!


Gene Kelly



Eugene "Gene" Curran Kelly (Pittsburgh, 23 de agosto de 1912 — Beverly Hills, 2 de fevereiro de 1996) foi um dançarino, ator, cantor, diretor, produtor e coreógrafo norte-americano.

Iniciou bem cedo sua carreira na Broadway, com uma aparição no espetáculo "Leave It To Me", de Cole Porter, fazendo o papel de um esquimó, ao lado de Mary Martin.

Stan Getz



Stan Getz, de seu nome Stanley Gayetsky (Filadélfia, 2 de fevereiro de 1927 — Malibu, Califórnia, 6 de junho de 1991) foi um saxofonista norte-americano de jazz. Fez parcerias com João Gilberto e Antonio Carlos Jobim, tornando-se um dos principais responsáveis em difundir o movimento musical brasileiro conhecido como bossa nova pelo mundo.

Festa de Iemanjá



No ano de 1923 houve uma diminuição no pescado da vila de pescadores do Rio Vermelho. Tentando buscar ajuda na Mãe D'Água, Iemanjá, saíram a dois de fevereiro para ofertar presentes à deusa. Ano após ano os pescadores repetiram essa cerimônia. A princípio era feita em conjunto com a Paróquia do Rio Vermelho, devido ao sincretismo entre a rainha do mar e Nossa Senhora da Conceição. Nos anos 60 houve uma reação da Igreja Católica contra o culto pagão, fazendo com que a festa perdesse, oficialmente, a devoção à santa católica. A Igreja de Santana, localizada no mesmo local da festa, sempre mantem as portas fechadas no dia 2 de fevereiro. Hoje em dia as homenagens a essa orixá começam de madrugada, com devotos do candomblé, da umbanda e do catolicismo colocam as ofertas e bilhetes com pedidos em balaios que serão atirados ao mar. Esses balaios são levados por cerca de 300 embarcações, com o saveiro levando a oferenda dos pescadores sempre a frente do cortejo. Essa festa é comemorada somente por catolicos.As pessoas comemoram do mesmo jeito,mas tem gente que nunca ouviu falar da lenda da Iemanjá.


wikipédia

A tênue fibra do desejo- por José Flávio


Deve ter sido aquela vocação evangelizadora tão própria das mulheres. Sabia que o noivo gostava de uma farra, apreciava um carteado e aquela conversa interminável com os amigos. Imaginou, no entanto, que com a força do amor alinharia aquela árvore torta. Terminaria por domesticar aquele animal selvagem com a ração diária, com os agrados de fêmea, com a hipnose cotidiana. Imaginou que o lar com seus pesados atributos : filhos, contas e o magnetismo da TV apreenderiam aquele ave inconstante, sem que ao menos ela percebesse as tariscas da gaiola. O tempo, no entanto, acabou por mostrar a D. Gertrudes que não existe coisa mais difícil de moldar neste mundo que a delicada fibra óptica do desejo. Ludugero mostrou-se sempre um pai carinhoso e um marido exemplar. Trabalhava duro numa pequena panificadora que adquirira. Ofício árduo de despertar madrugadino , onde diariamente rivalizava com o alvorescente canto dos galos e com a sangria dos primeiros raios do sol.Entre uma bolacha e um pão de ló, entre um passa-raiva e um manzape, ia Ludugero tocando a vida. Os arraigados hábitos antigos, no entanto, permaneceram indeléveis, imunes às pregações de D. Gertrudes. Nas sextas e sábados saía para um barzinho com os amigos e viravam a noite num carteado interminável regado a cerveja , a reminiscências e fofocas. A última válvula de escape de Ludugero, uma espécie de prozac natural que usava para escapar da doideira do dia a dia. Gertrudes, no entanto não se conformava: vivia a implicar com a vida noturna do marido. Fazia-o insidiosamente, uma vez que entendia : os antecedentes criminais do marido precediam ao matrimônio. Ludugero já por mais de uma vez lhe havia jogado na cara: --Meu bem, você sabia que eu gostava de um joguinho, por que diabos casou comigo, não procurou um cardeal , um monge, um santo... ? Havia , no entanto, uma outra razão para a implicância da mulher: ela temia que, varando as noites entre uma birita e outra, em meio aos ases, aos valetes, terminaria por aparecer algumas damas ou uma rainha de paus. Por trás de tudo, sobrenadava o ciúme e a desconfiança de D. Gertrudes.
A água mole bateu na pedra dura, mas não a furou. Todo final de semana , para o crescente desespero da esposa, Ludugero escapava lépido para o jogo. Um dia, por fim, encheu-se até a tampa da caçarola da paciência D. Gertrudes. Antes de ver o marido vestir-se, numa sexta-feira, para as funções lúdico-etílicas do final de semana, articulou o plano meticulosamente preparado durante o mês. Deixou os filhos na casa da sogra e arrumou-se toda, com um vestido tubinho preto. Quando o marido pensou em despedir-se, como de costume, ela saltou de lá e o surpreendeu:
--- Amor, hoje eu vou com você. Estou doidinha para ver um jogo de cartas!
Gertrudes disse isto, sem tirar os olhos do semblante do marido, esperando o protesto, a popa. Ludugero, no entanto, para sua surpresa, não se alterou, apenas lembrou que o programa podia ser chato e cansativo para ela, mas que ficava feliz, não tinha nenhum problema.
Como era de se esperar, a programação não podia ser mais pesada. A esposa sentou a um canto, numa cadeira desconfortável, no Bar do Giba. A conversa varou a noite, regada a cerveja e baralho. Futebol, política, fofocas . À medida que as horas se iam escorrendo, para o terror de Gertrudes, os circunstantes iam ficando mais animados, falando mais alto , discutindo com muito mais fervor. Lá pras cinco horas da manhã a esposa compreendeu que eles tinham ainda fogo na caldeira para mais uns dois dias. Estava já escornada, cansada, com todos os músculos doendo. Chamou então Ludugero e o suplicou:
--- Pelo amor de Deus, me leve para casa que eu já não agüento mais, estou morta de cansada e já não consigo nem ficar em pé...
Ludugero, então, solícito, pediu um tempinho aos amigos , tomou a mulher pelo braço e a levou para o aconchego do lar. Não sem antes lembrar:
--- Ta vendo, mulher, você vem uma veizinha e fica assim parecendo que caiu de um avião. Isto é para você ter uma idéia do meu sofrimento que passo por este suplício todo fim de semana...

J. Flávio Vieira

A poesia de João Nicodemos


Vício

Sua fraqueza
É mais forte
Que você ?

" esqueça o silêncio das plantinhas na varanda ..."
As minhas são conversadeiras,
espiadeiras
pegam carona no vento
pra falar o que não vejo,
e até explicar o que sinto
e nem percebo !
.
Socorro Moreira




Boca no copo

Água na fonte

Amor corrente

Flor de laranja

Madrugada chuvosa

Quarta solitária

Liberdade na tela

Escritos no ar

Portal da saudade !


 por socorro moreira

Por Socorro Moreira



As meninas do meu tempo usavam

saias plissadas e mini-saias.

Faziam touca no cabelo,

e revelavam ao "diário" os seus segredos.

Cursavam o normal, e viviam no essencial.

Morriam de todas as curiosidades.

Esperavam o namorado no portão .

Choravam  tristezas, no travesseiro.

Escancaravam as janelas do coração...

O tempo de amar chegou

O tempo de casar passou

O tempo de viver ainda corre,

num ritual de buscas,

entre o amor e a saudade.


Por Socorro Moreira

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012




Versos Madrugados- Socorro Moreira


Abro aquela janela tantas vezes

E as laranjas olham pra mim agradecidas ...

Não as desejo !
.

Olho a minha calçada

Imóvel e receptiva

Descansa ,

no silêncio da madrugada.


Acordo de sonhos do passado

" ...and i love her..."

- Teus olhos azul-piscina

E a gente dançava Elvis !


Faço do-in nas minhas pernas

Sinto as fisgadas do tempo

Sinto a falta das lágrimas

Minha dor é seca,

cheia de calos.

Espero o amanhecer

aqui por esses lados

Preciso da rotina,

que me escapa ...

Mais uma vez acendo,

apago a luz ...

E viajo nas minhas serenatas.


por socorro moreira



Amor antigo
querendo ganhar cores
querendo viver
a matura tranquilidade
de um amor legítimo !

Amor antigo, recauchutado,
mudo, desesperado ...
Disperso no desejo novo
Lacrimoso na tristeza doce
de saber que o amor não foi.

Esteve no estio romântico das horas
Nas madrugadas vazias ,
quando buscou o esquecimento
No clarão das estrelas que se acendiam
No dia ensolarado da consciência tardia...
Amor bandido, antigo, e ainda vivo !

socorro moreira




JouJoux e Balangandãs
Marchinhas de Carnaval

.
Joujoux, joujoux? Que é meu balagandã?
Aqui estou eu Aí estás tu
Minha joujoux Meu balagandã
Nós dois Depois
O sol do amor que manhãs
De braços dados Dois namorados
Já sei Joujoux Balagandãs

Seja em Paris Ou nos Brasis
Mesmo distantes Somos constantes
Tudo nos une Que coisa rara
No amor nada nos separa

Por Socorro Moreira



Nos embebedamos no branco da paz.

No meu juízo,

risos, vinhos e rios,

se harmonizam.

Hoje nos declaramos passarinhos ...

É assim o amor mais lindo:

livre, (e)ternamente !

O que dói é a posse.

Se ela inexiste ,

os encontros

amiudados ou não,

são gritos de carnaval !













Por Marcos Barreto de Melo

ACABA FESTA





eu ontem fui convidado

pra festa de casamento

da filha de Chico Bento

com o Zeca de Conrado



festa boa e animada

de tudo na mesa tinha

pato, peru e galinha

sarapatel e buchada



numa quadra de latada

a sanfoninha chorava

e a moçada animada

ao som do fole dançava



foi quando chegou Mororó

e mandou parar o rojão

com o tacho cheio de goró

vazando pelo ladrão



falou bem alto e zangado

e o povo ouviu assustado

quando ele disse, hoje eu mato

furo, sangro e tiro o fato



chamo o doutor de safado

xingo a mãe do delegado

dou tapa até em soldado

mas, não vou ficar parado



eu deixo o noivo amarrado

pra brincar mais sossegado

e com a mulher dele abraçado

vou dançar esse xaxado

grudado sem farrapar

até o dia clarear

Marcos Barreto de Melo


Glenn Miller


Alton Glenn Miller (Clarinda, 1 de Março de 1904 — 15 de Dezembro de 1944) foi um músico de jazz estadunidense e bandleader na era do swing. Ele foi um dos artistas de mais vendas entre 1939 e 1942, liderando uma das mais famosas big bands.

COSTA CONCORDIA

 


                                                                Foto Gregorio Borgia - AP

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                
Vada a bordo, cazzo!

(Não preciso de nenhuma palavra mais
Para o meu poema.)
 
                       J. C. M. Brandão