por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Por Adélia Prado


Moça na cama

Papai tosse, dando aviso de si,
vem examinar as tramelas, uma a uma.
A cumeeira da casa é de peroba do campo,
posso dormir sossegada. Mamãe vem me cobrir,
tomo a bênção e fujo atrás dos homens,
me contendo por usura, fazendo render o bom
. Se me tocar, desencadeio as chusmas,
os peixinhos cardumes.
Os topázios me ardem onde mamãe sabe,
por isso ela me diz com ciúmes:
dorme logo, que é tarde.
Sim, mamãe, já vou:
passear na praça em ninguém me ralhar.
Adeus, que me cuido, vou campear nos becos,
moa de moços no bar, violão e olhos
difíceis de sair de mim.
Quando esta nossa cidade ressonar em neblina,
os moços marianos vão me esperar na matriz.
O céu é aqui, mamãe.
Que bom não ser livro inspirado
o catecismo da doutrina cristã,
posso adiar meus escrúpulos
e cavalgar no topor
dos monsenhores podados.
Posso sofrer amanhã
a linda nódoa de vinho
das flores murchas no chão.
As fábricas têm os seus pátios,
os muros tem seu atrás.
No quartel são gentis comigo.
Não quero chá, minha mãe,
quero a mão do frei Crisóstomo
me ungindo com óleo santo.
Da vida quero a paixão.
E quero escravos, sou lassa.
Com amor de zanga e momo
quero minha cama de catre,
o santo anjo do Senhor,
meu zeloso guardador.
Mas descansa, que ele é eunuco, mamãe.

Os versos acima, publicados inicialmente no livro "O Coração Disparado", foram extraídos de "Adélia Prado - Poesia Reunida", Editora Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 175.


Adélia Prado




Adélia Luzia Prado Freitas (Divinópolis, 13 de dezembro de 1935) é uma escritora brasileira. Os textos retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características o estilo único.

Segundo Carlos Drummond de Andrade, "Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis". A escritora também é referência constante na obra de Rubem Alves.

Professora por formação, exerceu o magistério durante 24 anos, até que a carreira de escritora tornou-se a atividade central.

Em termos de literatura brasileira, o surgimento da escritora representou a revalorização do feminino nas letras e da mulher como ser pensante, tendo-se em conta que Adélia incorpora os papéis de intelectual e de mãe, esposa e dona-de-casa; por isso sendo considerada como a que encontrou um equilíbrio entre o feminino e o feminismo, movimento cujos conflitos não aparecem nos textos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Recado para um afeto amigo de tempos distantes- Por Socorro Moreira



Hoje cruzei no mundo virtual com um afeto amigo de muitas décadas atrás. Meu reconhecimento foi imediato. Ele não perdeu em elegância e sutileza... Só não sei é se ainda dedilha umas bossas no piano.
O tempo passa mas deixa um rastro de luz , em todos os nossos encontros. Porisso o reencontro em qualquer dia do futuro pode acontecer.
Se você nos visitar, menino ariano, seja muito bem-vindo !
Adotei você como meu amigo secreto.
Se não me falha a memória és fluminense, torcedor do Salgueiro e Beija-Flor, amante da boa música e da gastronomia.
Que tal uma bacalhoada, arroz com brócolis ?
Um vinho branco, português ...
A massa pode ser nhoque,
ao molho de espinafre ou bertalha
A mesa pode ser posta ? !
E por falar em saudades, "Onde anda você ?"

Nossos sentidos além de absorver a filigrana de milhões de coisas é o maior centro da síntese humana. Nenhuma referência é mais forte do que um perfume, um gosto, uma audição, um olhar ou um toque. Apenas a insinuação de qualquer um se torna um quantum, um momentum sintético de enredos completos ou de um discurso inteiro.

(José do Vale Pinheiro Feitosa)

Luiz Gonzaga - Por Norma Hauer


Ele nasceu em 13 de dezembro de 1912 na cidade de Exu, interior de Pernambuco. Recebeu o nome de Luiz Gonzaga do Nascimento e se tornou conhecido em todo o Brasil como LUIZ GONZAGA, o "Rei do Baião".

Por que recebeu esse nome ? seria por ser o mesmo de seu pai?

Não, seu nome foi decorrente de fatos que "se ligaram" nessa data:

1° - por ser o dia de Santa Luzia (daí Luiz)
2°- Se São Luiz era Gonzaga, ele também o seria
3° - Nascimento, por ser o mês de Natal.

Essas coisas só aconteciam no interior e em épocas lá para trás.

Caso semelhante ocorreu com Ataúlfo Alves, que sempre dizia não saber de onde teria vindo o Alves de seu nome.

Bom, Luiz era filho de Ana Batista, conhecida por Santana e de um sanfoneiro, que tocava sanfona de oito baixos.
Luiz, já famoso, compôs o "xote" :"Respeita Januário"..."respeita os oito baixos de seu pai" .
Assim, nasceu e cresceu no meio de música. Portanto, natural que também vivesse de música.

Veio para o Rio de Janeiro em 1940 e passou a se apresentar em botecos e bares da Lapa e do Mangue, ao mesmo tempo que "enfrentava" Ari Barroso em seu programa de calouros e Renato Murce em "Papel Carbono".

Depois de gravar alguns "xotes" conheceu Humberto Teixeira e, juntos, compuseram o primeiro baião que se tornou conhecido aqui: "Baião", gravado pelos "Quatro Ases e Um Coringa" .

Depois vieram "Lorota Boa", "No Meu Pé de Serra", "Mangaratiba" , Paraíba" e o que mais consagrou a dupla "Asa Branca", seguida de " Assum Preto".

Vê-se que os maiores sucessos de Luiz Gonzaga foram os que fez com Humberto Teixeira, que se tornou conhecido como o "Doutor do Baião".

Luiz sempre dizia que sua sorte foi ter conhecido Humberto Teixeira, autor das letras de suas composições.
Ouvi, dirtetamente dele, essa "confissão".
Hoje, Luiz Gonzaga é nome do centro de nordestinos em São Cristóvão enquanto de seu parceiro, Humberto Teixeira, quase não se fala.

Luiz Gonzaga , um nome respeitado, foi certa vez a sua terra natal : (Exu) para acabar com uma briga tradicional entre famílias rivais. Teria conseguido? Parece que sim.

No dia 2 de agosto de 1989, aos 76 anos, Luiz Gonzaga faleceu em Recife-Pernambuco..

Norma

Olhar castanho - por Socorro Moreira


Olhar que aperta o céu,
e faz chover em mim ...
.
atiça, pergunta ,
sorri ...
.
olhar sempiterno
penetra e fica,
na menina dos meus...

Brincando com fogo - por Socorro Moreira


Delicadeza

O vento barulha
nas folhas secas da serra
nos telhados e janelas
canta rouco, canta fino
sibilante como cobra
irritante como o grilo

Adoro a zoada que a natureza orquestra
Fico calma, delicada,
e penso numa orquídea, enfeitando
a minha casa!



Casamento poético

Namoro tudo que eu quero
Sem pensar, no juntar dos trapos
Penso apenas, no cruzar de versos...
Enxoval sem lençóis bordados !


Viola calada

Na boca da noite tem vinho
No vento da madrugada, poesia
Nas cordas do violão... Paixão!

Foi muita lua
Mas o sol sempre impõe
o clarão da razão!

Para Sauska - do amigo secreto


sinto que

me acendes uma chama

no mais subterrâneo recôndito

luz, calor , desejo

e enquanto escrevo

está sendo eterno

depois que voar daqui

eu findo


Doce mulher

nascida

brusca

sauska

há resquícios de vida

ao longe

João e Maria - para os amigos secretos - do amigo secreto




Não sou a fonte para a sede
nem a palha pro repouso
Doer ..." já finjo que é dor
a dor que deveras sinto"
Sangrar ...
Já finjo que não sinto
Tive tremeliques
quado recebi pontinhos
cheios de silêncio...
e ainda hoje os espero.
São como milho
ou o miolo de pão
do Joãzinho e Maria
marcando um caminho...
Mas
se sou bruxo
tenho o direito de oferecer
a gaiola/prisão
água fervente/caldeirão

O caminho
é uma busca incessante...
"Só peço a Deus que vos guarde
na palma da sua mão"!

Espera , no fim da linha - por Socorro Moreira




Leio silêncios
Esqueço
até por momentos ...
E fio,
dias a fio...
Desafio !


A relação se perde,
e fica na espera
do constante ressurgir


Amor que não azucrina
ultrapassa a linha,
os limites do entender.

Flores brotam
estrelas brilham
sol cintila
vozes gritam ...
Amor sem fim !

Na Rádio Azul


O DEUS DE CLARICE LISPECTOR

                                                                      Clarice Lispector no Vesúvio en 1945



O DEUS DE CLARICE LISPECTOR

Há trinta anos morria Clarice Lispector, a escritora que abalou a literatura brasileira pela contundência de sua linguagem que tentava desvendar o mistério da existência com palavras claras e obscuras a um tempo, de grande beleza poética, de inquietação, de perturbação, espanto e maravilhamento. Com dezessete anos de idade escreveu “Perto do Coração Selvagem”, e era como se estivesse surgindo uma obra de gênio. Era como se valesse o adágio: “O gênio nasce feito.” Mas Clarice trabalha incansavelmente. A sua genialidade era uma busca contínua da palavra certa, que clarificasse os escaninhos obscuros do ser.
Comecei o meu conhecimento de Clarice com “A Paixão Segundo G. H.”: é o começo mais difícil, intrincado, um labirinto de luzes que se acendem umas sobre as outras e cegam o leitor. É muita claridade, e claridade entrando-se num mundo de trevas, alcançada com o estupor, com o nojo. É a epifania do ser diante do nojo, o ser se encontra, se descobre diante de outro ser, asqueroso, repulsivo, representado pela barata. Eu sou um mistério para mim mesma, dizia Clarice, e vivia desvendando os véus desse mistério, ofertando-nos a claridade que dele advinha. 
Foi no conto que Clarice mais se realizou, nessa arte da síntese que a levou e que ela levou ao âmago da problemática do homem, que se interroga, perplexo, à busca do que ele é em si. “Feliz Aniversário” é o melhor que ela criou, um triste retrato da solidão familiar, no tempo em que ainda havia grandes famílias, no entanto já mal estruturadas. Criou algumas peças notáveis, extraordinárias, mas vou hoje me deter sobre uma quase insignificante, de tão esquecida: “Perdoando Deus”. É bom lembrar esse encontro de Clarice com Deus, ela que, depois de tanto investigar o mistério, já penetrou no Mistério.
É a história de uma personagem que olhava distraída o mar e de repente se sente a mãe de Deus. Como o homem é o que ele escreve, vou dizer sem medo de errar que aquela personagem era Clarice. Quem se sentiu com o carinho de uma mãe pelo filho era Clarice. O interessante, o totalmente novo é que esse filho era Deus. Sabia que se ama a Deus com respeito, medo, solenidade. Mas o carinho maternal por Deus era absolutamente estranho. Assim como o carinho por um filho não o reduz, mas o alarga, diz, assim era maior o seu amor.
Foi quando quase pisou num rato morto. E entrou em pânico, controlando como podia o seu mais profundo grito. Desde o início do mundo sentia um pavor dos ratos, que a devoravam. E era como se Deus lhe lançasse na cara um rato. Ela amando-O com amor maternal, Ele insultando-a com brutalidade. Decidiu, então, vingar-se. Mas descobre que o rato é o mundo. Ela se julgava forte, porque, compreendendo, amava. Descobriu que se ama verdadeiramente somando as incompreensões, que amar não é fácil. É preciso amar primeiro a nossa própria natureza, depois o seu contrário, Deus.
Queremos amar a Deus só porque não nos amamos. É uma espécie de compensação. Conclui: “Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.” Dizem que o homem inventou Deus porque não consegue explicar o universo. Clarice aprende que isso está errado. Como Santo Agostinho, descobre que devemos procurar Deus dentro de nós.
O grande católico Alceu Amoroso Lima diz, dela, que a presença invisível de Deus não se expressa pela invocação do seu Nome, mas que o silêncio pode ser o sinal mais seguro de sua realidade. E conta que Clarice ofereceu-lhe o seu último livro com uma dedicatória, escrita um mês antes de morrer, terminando sua demonstração de afeto com estas palavras claras e decisivas: “Eu sei que Deus existe.”                                                                        (2007)





"Onde anda você, Maria de Fátima ???" - José Nilton Mariano Saraiva

Em Fortaleza, num desses ambientes onde se reúnem mulheres a serem cortejadas, ela era unanimidade e compreensivelmente pra ela convergiam os olhares, as fantasias e os corações daqueles alegres e falantes marmanjos, todos já “encharcados” de álcool até o gogó. Assim, presumindo que com o nosso estilo discreto e reflexivo dificilmente conseguiríamos algo ante tantas feras de porte atlético privilegiado e verborragia (teoricamente) envolvente, preferimos ficar na nossa, observando o ambiente, curtindo o som e “deglutindo” uma geladinha.
De repente, às nossas costas, aquele toque suave no ombro; e, ao virarmos pra conferir, deparamo-nos com o mais belo (embora discreto) sorriso que alguém possa imaginar, seguido da sussurrada e inolvidável indagação: “E você, não quer ficar comigo ???”.
Foi assim que conhecemos a meiga Maria de Fátima.
Altura mediana, clara, cabelos castanhos, olhos discretamente ao estilo japonês, nariz perfeito, dentes impecavelmente alvos, lábios carnudos e... “cheinha”. Já no quarto, ao desnudar-se, uma visão deslumbrante, arrebatadora, digna de ser retratada por um desses pintores clássicos e posta num pedestal pra ser admirada por gregos e troianos: seios medianos e rijos, cintura fina, coxas firmes e pra lá de torneadas. Enfim, tudo no lugar. Uma deusa da perfeição.
Super-carinhosa, fala mansa, conversa aprumada, de pronto bateu aquela sinergia entre nós. A ponto de, ainda na cama, lhe indagarmos (com sinceridade d’alma) a “razão” ou o “por que” de uma mulher tão bela e educada freqüentar um local daqueles; de onde ela era; de qual família e por aí vai. Surpresa, ela afirmou que era a primeira vez que alguém fazia tais tipos de perguntas pra ela, que nunca alguém procurara saber da sua intimidade, que, enfim, encontrara alguém “diferente”.
Pra encurtar a conversa: na segunda vez que a procuramos ela simplesmente largou tudo, sob protestos da cafetina, e fomos curtir a vida em pleno dia, terminando por encontrar abrigo em nosso apartamento de solteiro (onde ela aprendeu, a partir de então e durante meses, a dormir “empacotada” em nossas camisas de seda – de mangas longas - que achava... ”gostosas”).
Em represália, fomos proibidos de adentrar o tal ambiente, já que os “seguranças” tinham ordem expressa de “baixar a cacete”, se fosse necessário; então, conjuntamente, arquitetamos que bastavam dois toques na buzina pra que ela “se mandasse” dali. E assim foi feito, a partir dali.
Foram meses de felicidade plena, durante os quais freqüentávamos, de mãos dadas e sorriso no rosto, qualquer lugar que “desse na telha”, sem nenhum constrangimento de encontrar algum desses barões que com ela houvesse se relacionado.
Mas...
De repente, a meiga Maria de Fátima sumiu, evaporou-se, tomou Doril, escafedeu-se, deixando-nos literalmente na orfandade (deve ter havido algo de sério e grave, que jamais saberemos).
Hoje, apesar de casado (em processo de separação) e com dois belos filhos já adultos, tal qual os William Bonner da vida não cansamos de (mentalmente) perguntar: onde anda você, Maria de Fátima ???
Quantas saudades...

Vixe !

  1. 12/12/2011 09h35 - Atualizado em 12/12/2011 09h39

    Igreja das Filipinas envia fiéis para site pornográfico por engano

    Link seria para acompanhar ao vivo posse de novo arcebispo.
    Igreja percebeu equivoco e mudou chamada para endereço certo.

    Da EFE

    Igreja das Filipinas colocou link errado para acompanhar posse de novo arcebispo (Foto: Reprodução)Igreja colocou link errado para acompanhar
    posse de novo arcebispo (Foto: Reprodução)

    A Igreja Católica das Filipinas enviou seus fiéis nesta segunda-feira (12) para um site pornográfico ao se equivocar com o link, que, teoricamente, seria para acompanhar ao vivo a cerimônia de posse do novo arcebispo de Manila.

    Em seu portal na internet, a arquidiocese anunciou na manhã desta segunda-feira (12) que a nomeação do arcebispo Luis Antonio Tagle poderia ser acompanhada por meio da página "tvmaria.com". No entanto, os fiéis que abriram o site encontraram a imagem de um travesti.

    Posteriormente, a Igreja, que achou que se tratava de um ataque hacker, percebeu seu equivoco e reenviou a chamada para o endereço "tvmaria.net". Mais de 80% dos 94 milhões de filipinos são católicos.

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A dor do Amor...

Se você não conhece a dor
E não deseja sofrer,
Amigo, não se permita
Experimentar o amor.

(Proponho a construção coletiva, quem se habilita?)

BALANÇA




não se pesa um poeta
por palavras, apenas.
não se mede um poema
por sentidos, em cenas.

pois um poeta é o peso
e a medida do poema
(ine)exato.

a luz e o rigor,
o tamanho de uma cor.

(Poeta paraibano, Bruno Gaudêncio escreve no blogue Acaso Caos: http://acasocaos.blogspot.com/)

Escolhas de uma vida- Colaboração de José Nilton Simões





A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".
Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.
Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.
Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!

Hoje é o dia DELA!




Feliz aniversário, Magali!
Desejos de felicidade plena com abraços dos amigos do AZUL SONHADO!
Obrigada por existir , e fazer parte afetiva do nosso coração.

domingo, 11 de dezembro de 2011

17 de janeiro de 2012- Lançamento do livro de Geraldo Ananias, no Crato- Aguardem maiores informações!


Meu Amor, Meu Bem, Me Ame




Zeca Baleiro



Meu Amor, Meu Bem, Me Ame
Não vá prá Miami
Meu amor, meu bem me queira
Tô solto na buraqueira
Tô num buraco
Fraco como galinha d'angola...


Meu amor, meu amor manda
Não vá prá Luanda
Não vá prá Aruba
Se eu descer
Você suba aqui no meu pescoço
Faça dele seu almoço
Roa o osso e deixe a carne...



Meu amor, meu bem
Repare no meu cabelo
No meu terno engomado
No meu sapato
Eu sou um dragão de pêlo
Eu cuspo fogo
Não me esconda o jogo
Ou berro no ato...


Meu amor, meu bem me leve
De ultraleve
De avião, de caminhão
De zepelim...(2x)



Meu amor, meu bem, sacie, mate
Minha fome de vampiro
Senão eu piro
Viro Hare-Krishna
Hare Hare Hare
Não me desampare
Ou eu desespero...


Meu amor, meu bem me espere
Até que o motor pare
Até que marte nos separe...(2x)


Meu amor ele é demais
Nunca de menos
Ele não precisa
De camisa-de-vênus
Ouça o que eu vou dizer
Meu bem me ouça
O que ele precisa
É de uma camisa-de-força...(2x)



Você é a minha cura
Se é que alguém tem cura
Você quer que eu
Cometa uma loucura
Se você me quer!
Cometa!...



EL CID GOVERNA A DOR DO TRABALHADOR - por Ulisses Germano


Tu não cursaste o Mobral
Meu caro governador!
Alem do bem e do mal  
Hoje governas a dor

Não seja atabalhoado
Também não seja malvado
Respeite o educador.

Enquanto isso um professor, daqueles assalariados, fudido e mal pago, sobe no palanque democrático e descasca a verve no meio da Praça do Ferreira:

A impunidade delega ao podre poder, 
poderes ilimitados de conchavos nos mais diferentes seres desavergonhados que carregam o slogan:
"Tudo para o bem do povo da minha família!"
!

Partido das Questões Pertinentes P.Q.P.



"Eu vou tirar você deste lugar" - José Nilton Mariano Saraiva

Qual o homem que nunca se apaixonou por uma mulher da "zona" (cabaré) ???
A ponto, sim, de prometer ... "tirar você desse lugar" (já passamos por isso - e foi uma paixão brabíssima - daí essa nossa homenagem àquelas "profissionais").
Por onde andará a meiga Maria de Fátima ???

Eu sempre repito a cena, cantando a mesma canção ....

Amor De Fato
João Nogueira

Vamos arrumar a casa
ó nega
Vamos recomeçar o amor
Vamos abrir a janela
Que um novo sol vai entrar
Vamos limpar a poeira
E as plantas regar
O nosso amor é de fato
ó nega
Não pode se acabar

Arrumei um lugarzinho
É pequenininho
Mas dá pra morrar
Pintei tudo de branquinho
Rezei os cantinho
Com água do mar
Você vai ver que barato
Tem sala e dois quartos
E um pé de cajá
Chega pra cá pro mulato
Que um amor de fato
Não pode acabar
ó nega

Dia do tango



Carlos Gardel (Tacuarembó ou Toulouse, 11 de dezembro de 1890 — Medellín, 24 de junho de 1935) foi o mais famoso dos cantores de tango argentino, país ao qual chegou aos dois anos de idade.

Seu lugar de nascimento constitui uma questão controversa. Alguns sustentam que Gardel teria nascido no interior do Uruguai no departamento de Tacuarembó baseando-se em alguns documentos e matérias jornalísticas de época. seria filho do líder político local Carlos Escayola e de Maria Lelia Oliva, que tinha 13 anos. Outros dizem que Gardel teria nascido na cidade francesa de Toulouse como Charles Romuald Gardès, filho de pai ignorado e de Berthe Gardès (1865-1943). Gardel era esquivo sobre o tema e quando indagado dizia: "Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio de idade".

Cantor e ator celebrado em toda a América Latina pela divulgação do tango. Inicia-se como cantor ainda jovem com o nome artístico de El Morocho, apresentando-se em cafés dos subúrbios da capital argentina. Sua primeira interpretação formal se dá no Teatro Nacional de Corrientes, no qual também se apresenta Don José Razzano, com quem forma uma parceria por vários anos. Pela sensualidade de sua voz, que se presta muito bem à interpretação da milonga – gênero precursor do tango – torna-se conhecido a partir de "Mi noche triste" 1917.

Foi uma das primordiais influências de Amália Rodrigues.

A imortal Clarice Lispector- por rosa guerrera



Se estivesse viva, a escritora ucraniana criada no Recife Clarice Lispector estaria completando 91 anos neste sábado, dia 10 de dezembro. A capital pernambucana, onde a autora viveu por alguns anos - na Praça Maciel Pinheiro, no bairro da Boa Vista, no centro da cidade - não poderia deixar a data passar em branco. Varias homenagens foram prestadas a grande escritora e como fã que sou incondicional da grande e imortal poetisa , deixo aqui no nosso blog um pouco do muito que Clarice escreveu, e que ficou marcado para todo um sempre.

“A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre."




Clarice Lispector

O direito de ser feliz - Emerson Monteiro


Em meio ao fogo cruzado de depressões e medos, nas jornadas diárias que representam o espaço individual das existências, há um território valioso a ser preenchido, no interior das pessoas, o que exige uma coragem bem maior do que para vencer o grande inimigo, nas suas maiores guerras. Essa providência, contudo, requer apenas disposição de lutar diante dos obstáculos naturais de todo momento, independente daquilo que achem os outros. Na casa das ideias e das emoções, surge, sem parar num só instante, a tela cinemascope da presença da gente na gente mesmo, projeção contínua, e o projeto disso nada mais é do que a nossa vontade e seus filmes, que nascem de dentro, esta projeção que quem primeiro assiste somos nós, depois o contexto externo, formado pelas inúmeras pessoas em volta, testemunhas das nossas ações. Quem sabe do clima que vai rolar no momento seguinte somos primeiro nós.
E esse mecanismo precisa da dominação, do pulso anterior, do agente principal das cenas em movimento, autores do argumento, diretores, atores e espectadores do cinema chamado vida, nós. Há que haver pulso para viver, por isso. Ninguém deverá, de caso pensado, entregar aos outros, ou às circunstâncias, este tamanho direito de compor os quadros constantes do estado de espírito que significa a representação de mundo e das mudanças das horas, fardo constante que carregamos desde o princípio da existência.
Mais à mão, no processo pessoal dessa determinação de si para consigo, no que podemos denominar casa das máquinas ou laboratório dessa ação de elaborar a ciência dos dias, ficam os elementos com os quais se irão produzir a película única vista a cada momento, na história individual das criaturas, trabalho particular delas próprias, estrada principal da sua caminhada. Isso com que trabalhar, pois, o filme da presença pessoal das criaturas recebe o nome de vontade, ou força do querer, elemento valioso e único, insubstituível.
Na sabedoria do tempo, ouvimos dizer que “assim é, se nos parecer”, o que, noutras palavras, resume o conceito por demais conhecido de sermos os autores, ou sujeitos, das ações do mundo. Os objetos existem, porém aqueles que dão existência aos objetos, os sujeitos, somos nós. “Quem ama o feio, bonito lhe parece”, a tal coisa dita de jeito um pouco diferente.
Portanto, simples quais todos os valores originais da vasta natureza onde habitamos, a equação da sonhada felicidade apenas reclama a atitude positiva de trocar o padrão mental sob o qual desenvolvemos o ato de viver, livre das complicações e entregas a vícios e fraquezas de perder batalhas antes de entrar no campo. Levantar o ânimo e olhar com gosto bom, estas sejam as providências que farão a difereça, para melhor, qualquer ocasião. Avalie bem, e não desista de ser feliz.


"moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia"


"Confira:
tudo que respira
conspira."
Paulo Leminski


Eu embaço à toa meus óculos.Sou chorona, sem soluços .Choro as minhas saudades, choro a expressão humana, quando ela ocorre. Estou ligada nos homens.
Meu pai dizia que a gente era de uma família de noveleiras.Daquelas que começaram no pé do rádio, leram romances açucarados, e hoje se compensam nas novelas globais. Não deixo de fazer a devoção, mas ocupo o meu ócio desobrigada de muitas rezas.
Entreguei minha história de vida aos altos, e senti-me animada a continuar espreitando a madrugada, esperando a chuva cair (dormindo ou acordada), e visitando o nosso blog para ler as postagens dos seus autores, e postar a minha cota diária.
O fato é que cantei Noel com muito gosto, e vi o dia findar com muitos gostos !
Esse Blog , independente do silêncio de alguns , e de fatais ou eventuais mudanças , merece ter vida longa. Os administradores são os seus colaboradores e leitores. Divulguem as suas idéias, mostrem-nos o que nos falta aprender, acrescentem-nos ! Agradecemos!
Desejo a todo momento um Natal especial para todos nós, e um próximo 2012 de paz e alegrias.

socorro moreira

Noel Rosa por Norma Hauer



ELE NASCEU COM O COMETA HALLEY
Era o ano de 1910.
Terminara a "Revolta da Chibata", mas chegara o cometa Halley. Podemos imaginar como as´pessoas, temerosas com o "castigo de Deus" deveriam estar apavoradas, enquanto outras admiravam um dos maiores fenômenos naturais do início do século XX.

Mas em uma casa modesta da Rua Teodoro da Silva um casal aguardava ansioso a chegada se seu "rebento".

Era o dia 11 de dezembro de 1910. E quam estava nascendo? Alguém que viveria apenas 26 anos, mas que enriqueceria de tal modo nossa música pópular, que hoje, 99 anos depois é lembrado e amado ´por todas as gerações que vieram depois dele.

Seu nome: NOEL DE MEDEIROS ROSA , ou simplemste NOEL ROSA.

Ele começou a ficar conhecido quando, juntamente com Henrique Fôreis, o Almirante, e o "Bando de Tangarás" fez suas primeiras apresentações em uma das emissoras de rádio pioneiras, a Rádio Clube do Brasil.

Isso em 1929. Apresentou, ao violão, um choro de sua autoria de nome "Baianinha", que nunca foi gravado, mas que lançou seu nome em um tempo que os poucos receptores de rádio existentes ainda eram criadoos de modo artezanal, com cristais de galena.

Nesse mesmo ano, seu nome despontou em uma gravação de um samba que marcou definitivamente sua presença no meio muisical: "Com Que Roupa?". Ali ele mostrou seu talento e sua "charge" que o acompanhou em muitas de suas composições, como "Gago Apaixonado"; "Cordiais Saudações"; "Conversa de Botequim"; "A.E.I.O.U", "Cem Mil Réis"; "De Babado"; "É Bom Parar";
"Tarzan, o Filho do Alfaite", "O Orvalho Vem Caindo" e dezenas de outras.

Noel também foi romântico, como em "P'ra Que Mentir?"; Último Desejo"; Feitio de Oração"; "Não Tem Tradução; "P'ra Esquecer"... e sua única canção "Meu Sofrer", cujo nome depois de sua morte foi mudado para "Queixumes".

E seus sambas, enaltecendo Vila Isabel, o bairro que ainda hoje (e será sempre) o bairro de Noel?
"Feitiço da Vila" e "Palpite Infeliz" são dois que nos vem à lembrança quando se pensa em Vila Isabel.
Em Vila Isabel estão um túnel, uma estátua, uma escola e várias casas comerciais lembrando seu nome, o que nem era preciso porque falar em Vila Isabel é falar em Noel Rosa.

Noel ainda participou dos filme "Alô, Alô Carnaval " e "Cidade Mulher"; neste apresentou um samba exatamente com o nome de "Cidade Mulher", referente ao Rio de Janeiro.

"Cidade de amor e de pecado
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu"

Noel participou também de várias peças teatrais, como "Deixa Essa Mulher Chorar";"Samba, Prontidão e Outras Coisas"; "O Barbeiro de Niterói";"O Poeta da Vila" e Seus Amores"...

Imaginar o que foi Noel Rosa em seus poucos anos de vida, tendo deixado mais de duzentas compósições (a maioria sucesso, como a sempre lembrada "Pastorinhas") é imaginar que tivemos um gênio entre nós que, como todos os gênios, viveu pouco e pouco cuidou de sua saúde.

Recentemente tivemos um filme sobre NOEL ROSA que o apresentou "rodando de bar em bar na Lapa" e nada falou sobre sua participação no rádio, principalmente no Programa Casé , o programa que o tornou conhecido em todo o Brasil.
Um boêmio da Lapa, jamais seria referenciado até hoje se não fosse lançado no rádio, o grande divulgador dos artistas de sua época. Cheguei a acompanhar os improvisos dele e de Marilía Batista com a música de "De Babado", no Programa Casé", na antiga Rádio Phiilips do Brasil (PRC-6).

NOEL ROSA faleceu em 4 de maio de 1937, há "apenas" 72 anos. Hoje é tão popular como se ainda vivesse.

Sobre NOEL existem dois livros que dizem tudo a seu respeito""Noel Rosa-Uma Biografia", de João Máximo e Carlos Didier e "No Tempo de Noel Rosa", de Almirante.

Prefiro este porque Almirante "viveu" NOEL ROSA.
Norma Hauer

HOJE EU SEI - Por: Rosa Guerrera




Que existe uma beleza muito mais marcante no outono da vida !

Hoje eu sei que toda alegria precisa ser prolongada quando o espaço é curto...

Hoje eu sei que em todo coração existe um canteiro vazio

a espera que sejam plantadas sementes de carinho ...

Hoje eu sei que a eternidade pode caber

perfeitamente num terno beijo dado com amor...

Hoje eu sei que só devemos guardar do passado

aquilo que realmente foi vivido e apetecido com verdades brilhantes ...

E mais que qualquer outra coisa .....

HOJE EU SEI ...QUE NÃO IMPORTA AS ESTAÇÕES DA VIDA ,

DESDE QUE O NOSSO CORAÇÃO PULSE

SEMPRE

NUMA ETERNA PRIMAVERA !!!!!


(E me permita o grande Oswaldo Montenegro, que eu conclua esse poema, com a frase mais linda que até hoje definiu a minha vida :

"QUE OS MEUS ERROS SEJAM PERDOADOS ..
POIS METADE DE MIM ...É AMOR !!!! ....
E A OUTRA METADE TAMBÉM ")

sábado, 10 de dezembro de 2011

Demis Roussos (en Italiano)

Olha ele aí de novo (praticamente no começo da carreira).
A voz é a mesma, mas a fisionomia... quanta diferença.

Valeu !!! - José Nilton Mariano Saraiva

Agora, que a poeira baixou, que a vida voltou à normalidade, que as nuvens negras no horizonte escafederam-se, que a quietude se faz presente, não poderíamos deixar de expressar de público o nosso comovido reconhecimento pela cadeia de solidariedade de que fomos alvo no decorrer de um momento difícil e conturbado do dia-a-dia (foram postagens, comentários, telefonemas, e-mail e por aí vai) .
É gratificante saber que, além de figuras já conhecidas, pessoas com as quais nunca trocamos uma só palavra pessoalmente (mas que vamos conhecer, sim) de repente manifestem preocupação com o nosso estado de espírito, com a nossa saúde, com o (não) evoluir do problema, apontando-nos alternativas, sugerindo rotas, identificando possíveis soluções.
Preferimos não citar nomes, porquanto poderíamos cometer algum lapso imperdoável, mas, independentemente, queremos que todos se sintam abraçados, que todos recebam a nossa palavra de agradecimento.
Valeu !!!
Estamos vivos !!!

Estou de volta!

Ainda arrumando o que desarrumei, mas voltando  à minha rotina cratense.

Saudades do convívio diário com vocês.

Abraços em todos os amigos!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Apenas a vida - Por José de Arimatéa dos Santos

Foto: José de Arimatéa dos Santos
Imagem bonita cheia de vida e de verde que encanta nossos olhos e escutamos o cantar dos pássaros e o barulho dos galhos das árvores. Para mim é prazeroso está na mata e no silêncio ensurdecedor da floresta escutar o quanto a vida pode ser bem diferente em que a paz é possível e o amor entre as pessoas palpável.
E aquele barulhinho dos pássaros e as folhas que caem no chão fazendo aquele balé da vida, pois o chão do mato se transforma diuturnamente no solo fértil de muita vida e doçura.
Tanta qualidade de vida em que a poluição ainda está longe e para quem vive da mata sabe dar valor a cada centímetro de mata. Sabe de seus perigos por que o homem invade sempre com a violência de assassino da natureza. Mata o bicho, derruba as árvores e polui o rio. Que santa ignorância!
É necessário um outro olhar para a mata. Olhar de curiosidade e de contemplação. Estudar todo o ciclo da natureza para que a exploração seja de forma sustentável. Posso está delirando, mas muita comunidade na amazônia ou outro bioma nos dá aula da boa convivência com a mãe natureza.
Respeito e carinho. A mata também merece. Por que devastar um sem número de área de floresta? A vida pulsa a todo vapor nas matas e aquele clima tão peculiar das florestas nos diz muito. É microcosmo tão perfeito em que tudo funciona tão maravilhosamente.
Vale a pena pensar e viver a floresta. E está a passar da hora de mudarmos nossos conceitos e tirar das matas a riqueza, mas de uma forma mais equilibrada biologicamente em que a vida se perpetue séculos, séculos, séculos...

OFÍCIO - por Ulisses Germano

O ofício de todo artista/
é levar contentamento/
tendo sempre, sempre em vista/
o mais puro sentimento/
De fazer do seu cantar/
Uma forma de abraçar/
a vida a cada momento!


(Didicado ao poeta-cantador Geraldo Júnior)

"Velhinho de programa" (humor)

Idoso charmoso, com lindos olhos meio verdes (cobertos com cataratas), loiro (só dos lados), corpo malhado (pelo Vitiligo) e sarado (das doenças que já tive, menos do enfarto, recente). Atendo em motéis, residências, elevadores panorâmicos etc. Só não atendo em drive-in por causa das dores na coluna. Alegro festa de Bodas de Ouro, convenções e excursões da Terceira Idade. Meço pressão, aplico injeções e troco fraldas geriátricas, tudo com o maior charme. Atendo no atacado e no varejo. Traga suas amigas. Maiores de sessenta e cinco, por força de lei, não pagam, mas só terão direito a horário recomendável para a saúde. Serão concedidos descontos para grupos: quanto mais nova, maior o desconto. Por questões de vaidade, não serão permitidas filmagens, pois operei recentemente uma hérnia inguinal, e que se mostra meio anti-estética. Na cama, dou sempre três. Três opções sexuais para a parceira: MOLE, DOBRADO OU ENROLADINHO. Como fetiche, posso usar touca de lã, pantufas e cachecóis coloridos. Outra GRAAAAAAANDE vantagem: já tenho Parkinson, o que ajuda muito nas preliminares. TOTAL DISCRIÇÃO, pois o Alzheimer me faz esquecer tudo que fiz na noite anterior.

"Passagem do tempo" -

Só pra voces constatarem a "evolução" provocada pela "passagem do tempo".
Dois momentos distintos, mas nem por isso exuberantes do Demis Roussos.
Deleitem-se....

**********************


Ribamar - Por Norma Hauer





Ele nasceu no dia 9 de dezembro de 1919, aqui no Rio de Janeiro, recebendo o nome de JOSÉ RIBAMAR PEREIRA DA SILVA.
Foi um dos principais parceiros de Dolores Duran.

Conheci-o quando não era ainda um nome famoso, como funcionário do Ministério da Educação.

Na época já tocava piano e era conhecido como pianista entre seus colegas de rapartição.

Iniciou sua carreira de músico profissional em 1950, acompanhando Dolores Duran. Ainda nesse ano, venceu o concurso para escolha de um pianista de música popular na Rádio Nacional.
Em 1952 teve sua primeira composição gravada: o bolero "Duas vidas", com Esdras Pereira da Silva (seu irmão), na voz de Fernando Barreto. Atuou como violinista de Fafá Lemos e com outros grupos, formando em 1953 seu próprio grupo.

Quando ele lançou, de sua autoria e Dolores Duran, o samba "Idéias Erradas ", na voz de Carlos Galhardo, ofereceu-me o disco "ainda tininho", recém-saído da gravadora.

"Ternura Antiga" letra de Dolores, ele musicou após a morte da autora, que confiava nele para musicar alguns de seus versos. Isso quando ela não fazia letra e música.

Da dupla, podemos ainda "apontar""Quem sou Eu"; "Pela Rua; "Se eu Tiver ", isso sem citar o mais bonito "Ternura Antiga", cujo sucesso ela não conheceu.

Ribamar faleceu em 6 de setembro de 1987, sem completar 68 anos.

Tocando em boates e outras casas noturnas, conheceu Marisa "Gata Mansa", que o acompanhou por toda sua vida artística.

Foi um dos principais parceiros de Dolores Duran.

Conheci-o quando não era ainda um nome famoso, como funcionário do Ministério da Educação.

Na época já tocava piano e era conhecido como pianista entre seus colegas de rapartição.

Iniciou sua carreira de músico profissional em 1950, acompanhando Dolores Duran. Ainda nesse ano, venceu o concurso para escolha de um pianista de música popular na Rádio Nacional.
Em 1952 teve sua primeira composição gravada: o bolero "Duas vidas", com Esdras Pereira da Silva (seu irmão), na voz de Fernando Barreto. Atuou como violinista de Fafá Lemos e com outros grupos, formando em 1953 seu próprio grupo.

Quando ele lançou, de sua autoria e Dolores Duran, o samba "Idéias Erradas ", na voz de Carlos Galhardo, ofereceu-me o disco "ainda tininho", recém-saído da gravadora.

"Ternura Antiga" letra de Dolores, ele musicou após a morte da autora, que confiava nele para musicar alguns de seus versos. Isso quando ela não fazia letra e música.

Da dupla, podemos ainda "apontar""Quem sou Eu"; "Pela Rua; "Se eu Tiver ", isso sem citar o mais bonito "Ternura Antiga", cujo sucesso ela não conheceu.

Tocando em boates e casas noturnas,conheceu Marisa "Gata Mansa", passando a acompanhá-la ao piano, até sua morte em 6 de setembro de 1987, sem completar 68 anos.

Norma

Pelo amor de Manoel - Rejane Gonçalves



Pedro já chegara à eternidade velho. Incomodava-se, talvez por isto, ter que ficar quase sempre sozinho, ele e as mil e tantas chaves tilintando no bolso de seu camisolão, desassossegadas, por terem, elas e Pedro que se desdobrar entre aquele mundo de casa, o cuidado com as almas moradoras e ainda a prestimosa recepção às almas recém libertas do corpo. Não era fácil entender os sumiços, as saídas noturnas do Senhor e muito menos as desculpas, os motivos escusos de que se valia para abandoná-lo ali. Só. Imerso na estúpida brancura desse mar de nuvens.
Hoje, mais do que nunca, lhe parecera pouco convincente, poderia dizer até inacreditável o teor da explicação recebida, tanto que por não ser capaz de ultrajar o respeito encaliçado em sua mente de servo, fez que sim com a cabeça, quando Ele contara com voz mansa, igual se quisesse acalmar uma criança inconsolável, que àquela noite teria de mais uma vez se ausentar.
Moveria seu Espírito feito asas de uma imensa águia sobre a face de todas as águas. Era preciso, dissera, para satisfazer ao amor de uma criatura, na qual, num tempo muito mais distante do que seja qualquer tempo atrás, havia plantado um desejo, uma semente da criação de uma mulher, a mesma que Ele, com a barba por fazer e toda sua competência de Criador, não conseguira terminar. Da primeira vez por causa de uma estúpida preguiça. Da segunda, por tédio, fastio, sei lá. Da terceira vez por não suportar que os olhos, escolhidos para ela, fitassem o Eterno com a intimidade de um irmão gêmeo. Não achava justo olhar para dentro de uma velhice mais velha que a Dele. Era ameaçador. E que portanto ele, Pedro, entendesse. Precisava ir. Estar presente na hora exata de colher o poema na palma da mão.
Zangado, Pedro abriu o pesado portão de ferro, aquele que sempre fora reservado ao Senhor. Viu a túnica branca esvoejante se transmutar em alvas penugens de um pássaro descomunal. Seus olhos já acostumados à repetição desta cena, nela não mais se fixavam. Seu coração – mesmo que ordenasse cala-te, o que vês é puro artifício, magia primária apenas – nunca conseguiu se acostumar. Jamais obedeceria a ordem de Pedro e de novo bateu desgovernado ante a grandiosidade do espetáculo. Cada vez mais descontente Pedro desejou que o poema não ficasse pronto, e se ficasse que o poeta, zeloso de sua criação, conseguisse escondê-la do Criador.
Com o alvorecer, ele ouviria bochichos, veladas notícias das águas da Terra. Aquela foi a noite em que todas serenaram. Adejando sobre elas, o leve tremular das asas de Deus assemelhava-se a um pano translúcido que sobreposto à face das águas, controlasse suas ondulações, regendo o ritmo, suavizando o movimento. Era uma Bandeira hasteada, entregando-se e resistindo ao vento.


(texto escrito após a leitura do poema “Teresa” de Manuel Bandeira)
por Rejane Gonçalves

Soneto das Definições - Carlos Pena Filho


Não falarei de coisas, mas de inventos

e de pacientes buscas no esquisito.

Em breve, chegarei à cor do grito,

à música das cores e do vento.

Multiplicar-me-ei em mil cinzentos

(desta maneira, lúcido, me evito)

e a estes pés cansados de granito

saberei transformar em cataventos.


Daí, o meu desprezo a jogos claros

e nunca comparados ou medidos

como estes meus, ilógicos, mas raros.


Daí também, a enorme divergência

entre os dias e os jogos, divertidos

e feitos de beleza e improcedência.


Poema extraído do livro A Vertigem Lúcida

Poema sem "T"er - Socorro Moreira



Perdi o olhar que piscava estrelas
A boca que mordia a lua
O coração ardendo de luz!

Miro a noite, miro a vida
Vivo a sorte, conto os dias
No meu hoje você vai voltar.

Eu vou passar ... - por Rosa Guerrera


Eu vou passar na sua vida
Como por tantas outras já passei!
.
Vou passar como o rio que corre
Como o sol que brilha
Como um céu estrelado
Numa noite quente de verão ...
.
Vou passar como os pingos da chuva
Como o pássaro que voa
Em Direção ao infinito
Como as nuvens dispersas que
Velejam um abóbada Celeste ...
.
Vou passar ... mas não vou poder sair!
Porque, onde quer que você vá
Haverá um rio a correr
Um brilhar um sol
Um Céu um piscar estrelas
E um pássaro a voar
Em Direção ao infinito ...
.
E em todas essas coisas
Você me sentirá presa
Pertinho de você ...
Bem dentro do seu coração!
.
Mesmo que ...
Eu já tenha passado na sua vida ...

rosa guerrera

Versos Particulares -De Nicodemos para Normando




Esse moço, de quem falo,
ven travestido nos traços
que traço a nankim,
nas tontas notas que toco,
nos tortos versos que faço...

Esse moço, de quem falas,
eu encontro nos becos por onde passo
no silêncio das casas desabitadas...
nas cordas tangidas, nas notas levadas ao vento...

Na madeira que corto, buscando a forma, desnutrida de perfeição.
Nas invenções inventadas para cruzar a vida... esta longa jornada
tão curta e doída.
Nas cartas seladas, lidas e relidas, em silente saudade...

Não sei onde anda esse moço,
talvez aqui ao meu lado agora...
talvez agora a seu lado sorrindo...

Esse moço, de quem o Tempo nos privou,

Restam umas fotos, restam uns dezenhos...
Não há paredes que possam recebê-los...

e como dói!

por João Nicodemos

Nem morta - Alcione