por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 15 de maio de 2011

Compromisso com o desconhecido - por Socorro Moreira







Essa liberdade

da qual não abro mão

Me depara contigo

sempre que me afasto.


Essa alma que nunca foi tua

É vadia, mas vive cega

tateando a tua ...


Lágrimas não vertidas

Ficam invertidas no fundo do nada

Fertilizam canteiros

em qualquer das praças

- Flores que alimentam formigas ...

Nos olhos do meu canto.


O perdão ,se foi feito pra gente pedir ,

nunca aprendi ...

Leio em todas as placas do invisível...

Que o amor resiste !

A vida tem jeito...- socorro moreira





Ando sentindo uma nuvem de tristeza espalhada pelos cantos , e altos. Não enxergo a desgraça, apenas aflição e descontentamento generalizado . Hora de reprogramar a vida , eu acho ! Reprogramar a partir dos sonhos , objetivos , quereres , e limitações. A propósito , meu amigo Cosme passou por aqui com seu sorriso de anjo-de-guarda , que ele joga fora , e disse-me : rico é quem vive bem , dentro das suas limitações. Claro que perguntei de imediato : quem te ensinou isso , menino ?
- Achei por aí...Não sei quando , nem onde.
- Grande verdade !
Dizia pro meu filho Victor ( meu sábio médico): a partir de amanhã não fumo cigarros ; troco leite de vaca por " Soya"; vou abolir lactínios , refrigerantes , biscoitos , doces e enlatados . Assumo de vez o arroz integral , a fruta com seus bagaços , e farinha de aveia... Porque "veia" tem mesmo é que se cuidar, senão a vaca vai para o brejo, e fica por lá.
Prometi-me também fazer caminhadas diárias , hidratar a pele , fazer hidro-ginástica, assistir por aí o por-do-sol , a cada dois dias, inventar estórias , e deixar de falar tanto das minhas.
Minha vida foi animada demais nas estradas.Mudanças e amores...- tantos !
A vida amorosa , sempre está em movimento. Quase uma paixão , um encanto inteiro, amor sublimado , e de brincadeira, amor que chega , amor que passa, amor que fica , e amor fantasma !
Tristeza é pensar que a vida é sempre do mesmo jeito, e que ela não tem jeito !


O Livro do Azul Sonhado- Coletânea em prosa e verso







ExpoCrato (10 a 17.07.2011).


Neste período, acontecerão nas paralelas, as festividades de lançamento do nosso livro.
Alem de encontros musicais e performances poéticas , acontecerá o dia "D" com o lançamento oficial.
As pessoas que moram noutras localidades já podem desde já se programar e participar dos diversos encontros que marcarão este evento- fruto da nossa arte!


Quem desejar hospedagem , se manifestem porque tentaremos acomodá-los.


Quaisquer dúvidas, usem o e-mail: sauska_8@hotmail.com

Amor unilateral ?- por socorro moreira




Acho sincero o silêncio do amor não declarado.Por mais sutil que seja a sentença, ele considera o imponderável.
O amor decantado vive da própria essência e prolifera num habitat especial , paralelo à realidade.
Ele é incerto, sendo unilateral.
Ele é completo no percurso das heras.Ele não vive na espreita, sabe a falta do encalço.Não posso condena-lo, se o campo é imaginário.Meu juízo perdoa a falta de reciprocidade.Levianamente extrapolo em palavras, e deito no rio dos sentimentos as pedras que nos separam. Permeia águas correntes, que deslizam, nos mares dos prazeres.Unificar o amor é objetivo perene.Objetivo maior é deixa-lo livre, corrente que circunda os fios interiores.
Quando um dia passar, vou entender que foi vivido, no fórum da eternidade.
Macacos me mordam, corujas guardem os meu segredo...Meu amor é crédito, sem cartão de saque.
É previdência , na providência do vazio, quando se instala.
Nada trágico. Tudo dentro do previsto mensal. E assim os anos e ânimos se sucedem. Começou  em janeiro de um ano infindo.

Hilda Hilst- ( 21.04.1930 a 04.02.2004)





"Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."



Loucuras - Rosa Guerrera



Já fiz coisas incríveis !
Já escorreguei num arco íris
e caí lentamente nos braços de um grande amor.

Já enxerguei o meu perfil
num olhar cheio de desejo
e mergulhei despida
em mares tempestuosos e lagos serenos ...

Já parei na contra mão da vida,
e sem me importar com os semaforos do destino
plantei flores nas mais altas montanhas .

Já senti até estrelas no céu da minha boca!

Já pintei brancas nuvens ...
num céu vermelho de paixão !
E sujei o meu corpo de chocolate
para que fosse provado em mim
o delírio da entrega ...

Já falei tolices !
Repeti versos!
Reprisei desejos!
Tive o mundo preso nas minhas mãos
nos claros caminhos do escuro...

E nessa complexidade
de coisas incríveis,
já conheci e vivenciei as maiores loucuras do amor .

por rosa guerrera 





A poesia de Artur Gomes (a Ana Augusta Rodrigues)


Aqui
onde rio e mar
se beijam
aqui no fim do mundo
onde terra e céu
se abraçam
num ato sexual.

Aqui
no fim do dia
um barco preso na corda
um peixe preso no anzol
a terra varrida ao vento
casas varridas ao temporal…

Aqui
no mesmo teto
pássaros sobre os calcanhares
homens sobre os girassóis
onde rio e mar se beijam
re-nascem nossos filhos
quando terra e céu se abraçam
sem ter nem mães nem pais

Onde o seu refúgio
é nu / meu peito aflito
e a minha solidão
nu / teu corpo é
paz.


arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

Erotismo em Branco - Márcia Denser




A porta se abrirá lentamente e eu verei o que tem detrás.

Branca de Neve: O Conto de Fadas

Quando se fala em conto de fadas, fala-se, automaticamente, sobre crianças, sobre o espaço infantil. Segundo Noemi Paz:

O conto de fadas é uma alegoria da passagem iniciática na qual o herói representa a alma perdida no mundo a lutar contra os poderes inferiores de sua própria natureza e contra os enigmas que a vida lhe propõe, até encontrar, após aceitar e realizar as provas, os meios para a sua própria redenção. 1

Sabe-se que o conto de fadas provém do conto maravilhoso e, além de se constituir da literatura popular, manteve-se vivo e se propagou devido à tradição oral. "Branca de Neve"é um dos contos de fadas mais conhecidos e faz parte do imaginário infantil. Como todo conto de fadas, sofre variações conforme o tempo e o espaço.

Neste trabalho, utiliza-se, porém, apenas uma versão: a de Jacob e Wihlelm Grimm. Nessa versão, Branca de Neve é a concretização do desejo de sua mãe em ter uma criança bela. O conto inicia-se assim:


Era uma vez uma rainha. Um dia, no meio do inverno, quando flocos de neve grandes como plumas caíam do céu, ela estava sentada a costurar, junto de uma janela com uma moldura de ébano. Enquanto costurava, olhou para a neve e espetou o dedo com a agulha. Três gotas de sangue caíram sobre a neve. O vermelho pareceu tão bonito contra a neve branca que ela pensou: "Ah, se eu tivesse um filhinho branco como a neve, vermelho como o sangue e tão negro como a madeira da moldura da janela." Pouco tempo depois, deu à luz uma menininha que era branca como a neve, vermelha como o sangue e negra como o ébano. Chamaram-na Branca de Neve. A rainha morreu depois do nascimento da criança.2
Branca de Neve nasce conforme sua mãe desejou: com a tez alva, com as bochechas vermelhas tais qual a cor de uma maçã - fruto proibido, elemento simbólico do prazer, da perdição - e com os cabelos negros. Agrega em si um cromatismo sugestivo, pois o branco faz lembrar a pureza, a inocência; o vermelho, a paixão, a sexualidade e suas madeixas escuras remetem à noite, à escuridão, ao sofrimento.

Segundo Bruno Bettelheim, a história de Branca de Neve, aparentemente inocente e infantil, está carregada de símbolos relacionados à sexualidade, à sensualidade e ao erotismo. Diz ele sobre o referido conto:


Aqui a estória propõe os problemas a resolver: inocência sexual, brancura, contrastada com o desejo sexual, simbolizado pelo sangue vermelho. Os contos de fadas preparam a criança para aceitar um acontecimento que seria conturbador: o sangramento sexual, como na menstruação, e posteriormente na relação sexual quando o hímen é rompido. Ouvindo as primeiras frases de Branca de Neve a criança aprende que uma quantidade pequena de sangue - três gotas (sendo o número três o mais associado no inconsciente com o sexo). - é uma pré-condição para a concepção, porque a criança só nasce depois do sangramento. Aqui, então, o sangramento (sexual) está intimamente ligado ao acontecimento "feliz"; sem explicações detalhadas a criança aprende que nenhuma criança - nem mesmo ela - poderia nascer sem sangramento.3
Por intermédio do espelho - metáfora do voz da consciência feminina, narcísica, invejosa e vulgar - a madrasta da bela moça fica ciente da beleza insuperável da enteada e exige que um caçador mate-a, na floresta, e leve para ela seus pulmões e seu fígado, como prova de que a matou. O caçador, diante da beleza de Branca de Neve, em vez de cumprir as ordens dadas, deixa a moça fugir livre pela floresta julgando que essa não fosse resistir, por muito tempo, sozinha num lugar que mantém tantas ameaças.

A fim de enganar a mandante do crime, o caçador mata um javali que cruzou o seu caminho, arranca-lhe os pulmões e o fígado e os leva ao seu destino. A mulher come as peças, acreditando estar comendo a filha de seu marido. Esse ato canibalesco alude à sabedoria popular que a faz acreditar que, ingerindo partes de Branca de Neve, pode adquirir sua beleza, tornando-se, enfim, a mais bela das mulheres.

Ao contrário do esperado, Branca de Neve resiste e chega à casa dos sete anões. Ao avistarem a moça, a reação é de surpresa e contentamento: "Ó céus, ó céus!" todos exclamaram. ‘Que bela menina!’Os anões ficam tão encantados com aquela visão que resolveram não acordá-la, deixá-la continuar dormindo em sua caminha." (2004: 96). Diante de tamanha beleza, a acolhem sob a condição de ser responsável pelas tarefas domésticas. Os anões lhe dizem: "Se quiser cuidar da casa para nós, cozinhar, fazer as camas, lavar, costurar, tricotar e manter tudo limpo e arrumadinho, pode ficar conosco, e nada lhe faltará." (2004: 91).

Vale lembrar as próprias palavras do conto para observar o estado dos diminutos homens frente à imagem de Branca de Neve. Nesse primeiro momento, o campo lexical acolhe os vocábulos: "bela" e "encantados". Por ser a moça "bela", é capaz de deixar os homens à sua volta "encantados". Sobre esse natural poder de sedução da personagem da história infantil, Francesco Alberoni, em seu livro O Erotismo comenta:


Existem mesmo duas imagens arquetípicas da sedução feminina. A Bela Adormecida, Branca de Neve, Cinderela, onde o homem é atraído pela beleza. Apaixona-se e a mulher parte com ele. A segunda é a da feiticeira (Circe, Alcina) que prende o homem com um encanto. O mito nos diz que Branca de Neve ou a Bela Adormecida estão enamoradas do príncipe.4
Na verdade, na história infantil, os anões não "partem com ela". Esses homens, por serem pequenos, não representam perigo sexual tampouco despertam algum tipo de desejo na bela jovem. Eles a mantém "cativa" da forma que podem e ela responde à pergunta dos anfitriões: " ‘Sim quero ficar, não desejo outra coisa’, Branca de neve respondeu e ficou com eles." (2004: 97).

O enunciado ambíguo sugere algumas interpretações distintas daquelas pueris. Esse "desejo" de ficar pode, aqui e ali, comparar-se à vontade de ser mulher, adulta, objeto de desejo daqueles seres que a acolhem num momento tão difícil. Recorrendo a Bettelheim, pode-se perceber uma visão menos infantil dos anões:


Estes ‘homenzinhos’ de corpos atarracados e trabalhando na mineração - penetram habilidosamente em cavidades escuras - sugerem conotações fálicas. De certo não são homens em qualquer sentido sexual - seu modo de vida e o interesse em bens materiais sugerem uma existência pré-edípica.5
Bruno Bettelheim aponta também, ainda a respeito dos anões, que os conselhos que são dados à Branca de Neve para que não deixe ninguém entrar em casa, quando estiver sozinha, simbolizam, na verdade, o alerta de não deixar ninguém entrar, inclusive, nela. No entanto, tais conselhos são negligenciados, já que a jovem se deixa enganar três vezes pela madrasta disfarçada que bate à porta e anuncia: "Mercadorias bonitas a precinho camarada." (2004: 92).

Curiosamente, em todas as vezes é oferecido a jovem algo que mexa com sua vaidade ou com seu desejo mais secreto. Na primeira vez, a velha ofereceu cadarços multicoloridos, a velha colocou o cadarço tão apertado no pé da moça que ela ficou sem ar e caiu no chão como se estivesse morta; da segunda vez, o "obscuro objeto de desejo" da jovem foi um pente envenenado e - mesmo sendo advertida, outra vez, para não atender a ninguém - sob a fala da velha: "Agora vou pentear seu cabelo como ele merece." - deixou-se enganar, novamente, e, assim que o pente tocou seus cabelos, o veneno fez efeito e a moça caiu no chão. Nessas duas vezes, os anões retornam e conseguem ajudar Branca de Neve. Em contrapartida, na última investida da madrasta, o objeto oferecido foi uma maçã - elemento que faz parte do imaginário coletivo como símbolo do desejo, da paixão, mas também da perdição.

Como se vê, a jovem se deixa levar por seus impulsos e, num misto de ingenuidade e cobiça, cai em tentação. A partir desse último argumento simbólico (a maçã), a madrasta consegue deixar Branca de Neve semi-morta por um longo tempo, pois essa, envenenada, fica atravessada em sua garganta.

Um momento que instiga a imaginação do leitor "adulto" ocorre quando os anões chegam e encontram, pela terceira vez, a mocinha caída no chão. A fim de procurar algo que pudesse ser venenoso, os anões desatam seu corpete, penteiam seu cabelo e banham-na com água e vinho. Nossa! Se essa cena for narrada fora de contexto, pode, perfeitamente, sugerir uma bacanal feita por necrófilos: sete homens, intimamente, em volta de uma mulher morta que conserva ainda a beleza da vida.

Supondo estar a bela moça morta, os homenzinhos colocam-na num caixão de vidro e levam-na para o alto da montanha onde poderá ser sua beleza admirada e cobiçada para sempre, uma vez que, mesmo, aparentemente morta, exibe as bochechas vermelhas como se estivesse viva. Essa "exibição" e o fato de estarem ainda vermelhas as bochechas da moça evocam, mais uma vez, a cor da paixão, a cor da maçã, a cor das gotas de sangue. Não se pode perder de vista que a rainha dividiu a maçã com a Branca de Neve antes de ela morrer, aludindo assim à própria divisão da libido, da sensualidade.

Ao final, como a maioria dos contos de fadas, maniqueísta, o bem vence o mal. Branca de Neve é achada por um príncipe que por ela enamorou-se. Com o consentimento dos anões, resolve levá-la e num descuido de seus criados, ao transportar o caixão de Branca, um solavanco solta o pedaço de maçã envenenada que estava entalado na garganta da bela moça.

É certo que a madrasta recebe seu castigo. Ela é convidada para ir ao casamento da enteada e, mesmo com toda sua inveja e ciúme vai. Ao chegar lá:


Sapatos de ferro já haviam sido aquecidos para ela sobre um fogo de carvões. Foram levados com tenazes e postos bem na sua frente. Ela teve de calçar os sapatos de ferro incandescentes e dançar com eles até cair morta no chão.6
Sobre essa passagem Bettelheim aponta:


O ciúme de sexual incontrolável, que tenta arruinar os outros, se destrói a si mesmo - simbolizado não só pelos sapatos de ferro em brasa mas pela morte que causam, dançando com eles. Simbolicamente, a estória diz que a paixão descontrolada deve ser refreada ou será a ruína da própria pessoa. Só a morte da rainha ciumenta (a eliminação de toda turbulência interna e externa) pode contribuir para um mundo feliz.7
Dessa forma, percebe-se que, até um conto universalmente conhecido e, superficialmente, inocente, apresenta em seus implícitos uma série de sugestões sensuais e eróticas. É possível reconhecer, numa leitura mais ampla e direcionada, os vestígios de uma sociedade cristã, repressora e manipuladora da libido alheia.



Como lidar com a rejeição amorosa


"Não! Definitivamente não é fácil se sentir rejeitado(a) por alguém que se ama. Pior é viver na expectativa de mudança, preso a um fio desgastado de nylon, na beira do precipício. É mais ou menos isso! Você sabe que não há o que mudar, mas se mantém por perto caso haja um sinal de fumaça vindo em sua direção.
Mas diante de tanto desprezo, por que ainda alimenta esperança? Onde está o seu amor próprio? Sim, você vai dizer: - É fácil falar! É claro que é fácil dissertar teses de autoajuda quando o sentimento não nos toca. Sentir-se rejeitado(a) faz da pessoa alguém menor, em segundo plano, com a sensação de derrota frente a uma situação em que nada se pode fazer. Cabe ao outro a decisão, o veredicto, o "fique" ou o "vá embora". É cruel demais sentir-se impotente. Você se pergunta: - Onde foi que eu errei?
Não houve erro, mas equívoco por parte da outra pessoa. É provável que só agora ela tenha se tocado de que você não é exatamente aquilo que ela esperava, ou era mais do que ela esperava. Quem pode saber o que o outro sente de fato? Na verdade, tateamos as emoções aos poucos, no decorrer dos dias, à medida que vamos conhecendo aquele ser que ali está, com diferenças e singularidades, com características convergentes e dessemelhanças insuportáveis. Mas como se apaixona por alguém errado? Não é uma escolha, é questão de química, de pele, de emoção, de atração, não há explicação lógica para as nossas escolhas sentimentais.
O que fazer então? O caldo já entornou e você está arrasado, olhando para o teto para ver se ele desaba. Não! Não vai adiantar ensimesmar-se, compadecer-se de si mesmo. É preciso, primeiramente, fazer cair a ficha, aceitar o fim do relacionamento e não esperar mais nenhum capítulo dessa história. Feito isso, é começar a se desfazer de cada detalhe que o coloque para baixo, que lhe traga lembranças ruins. Tudo bem, eu entendo, demora um pouco para assimilar o fato. Eu espero! Mas lembre-se: o fato é que você se apaixonou por alguém que não lhe quer mais, fantasiou demais, envolveu-se demais, entregou-se de corpo e alma.
E ele(a)? Sim, até lhe deu uma bolinha, mas VOCÊ não é o tipo de recheio que ele(a) mais aprecia, o perfume que lhe agrada, tampouco a música que mais gosta de ouvir... Então, o que lhe resta? Chorar alguns litros de lágrimas? Nem choro nem vela! Quem lhe disse que as coisas mudam? É pura perda de tempo ficar esperando que ele(a) se compadeça das suas lágrimas sofridas e venha correndo para os seus braços chamando-o(a) de "amor da minha vida". Ele(a) não fará isso. O tempo corre, voa, as coisas acontecem em fração de segundos e não espera por você na esquina até que alcance o bonde.
Rejeição! Que palavra feia! Tire isso da sua mente, olhe-se no espelho, veja quem você é. Está vendo? Uma pessoa que merece sorrir, sair para o mundo, rodopiar no parque de diversões e até ostentar um "quezinho" de arrogância, tipo "eu sou mais eu" quando o vir passar. Deixe livre o seu caminho, quem sabe para um outro envolvimento. Veja: enquanto você lê esse texto, o mundo está acontecendo, e, se esse filme não teve um final feliz; pegue outro na locadora, preferivelmente de comédia, pois se a paixão é ilusória e dói o peito, o humor dói a barriga, mas é de tanto rir, não é mesmo? "

Luciana P.

LIEBESTOD - morte de amor - por José do Vale Pinheiro Feitosa



Tristão e Isolda de Wagner apresenta uma das mais belas canções dos dois últimos séculos que reverencia o amor erótico no limite entre a permanência e a morte.

Vozes da tristeza,
continente no baú.
costurado: flores de rebites,
tampa: ecos dos tempos,
força dúbia: penetrante e evasiva,
que das frestas surge,
envolvendo genitálias,
fisgando ermos insulares,
em multiplicidade continental.

Revolvendo brisas matinais,
inocências virgens,
arrebatando a castidade,
voluptuosa canção,
poderosa, sucessiva, impreterível,
surgindo,
ocupando,
esgueirando-se,
afirmando-se.

Traços e pautas,
impregnações de ondas emocionais,
mágica revelação,
repuxos e avanços,
suave e permanente,
fugaz promitente,
rápida feito raio,
espalhafatoso trovão,
se tenta e esvai-se rápido.

Novamente é o mesmo,
veio e imergiu,
película lacustre de nuvens refletidas,
pausa breve,
sucedida dos pingos circulares,
indeciso e efêmeros,
tanto é silêncio,
quantos decibéis,
quase retirante,
gritos de chegança.

Surge como golfinhos,
silvando e, lindo, mergulhando,
deixando espumas translúcidas,
agora não mais indefinidas,
todas majestades,
em dourado de explosões,
chocalhando úvulas palatinas,
e cordoalhas ventriculares,
apaixonando cada fragmento
desta vida explodida.

A cauda submerge,
total como o corpo dos cetáceos,
jato forte da respiração,
inundando céus de aerossóis,
arco-íris sobre a cabeça,
num segundo de arranque,
minha vida inteira,
conjugando-se em verbo regular.

Caudais intransponíveis,
desta balsa louca dos vendavais,
ao mesmo que revolução
também costa verdejante,
cheia de flores multicores,
quase grito,
afinal grito
e minha voz se mistura ao redemoinho de fogo.

No auge que distrai,
das entranhas revoltas que reconstroem,
todo o drama da humanidade
e seus desejos loucos de permanência,
acima da morte,
fazendo filhos
numa paixão de corpos,
convulsas copulações.

E lá chegas
Isolda?


A fraqueza dos meus olhos não viram,
a voz do ciúme traidor
abriu a vela negra,
no barco que tua ausência presumiu-se
quando a vida em momento pós-ejaculado,
minha respiração acalmando-se,
pálpebras em sombra,
os olhos sonhando,
com o filho
que nossa morte de amor gerou.

por José do Vale Pinheiro Feitosa

Tiramisú


Ingredientes:

200ml natas

200g mascarpone (ou queijo creme tipo philadelfia)

400ml café forte

50ml rum

200g palitos de champagne

3 ovos grandes

Cacau em pó para decorar

100g Açúcar



Preparação:

Em primeiro lugar vamos fazer o café, juntar o rum e reservar. Bata as gemas com o açúcar até obter uma mistura esbranquiçada. Com a batedeira bata as natas até montarem, junte o queijo e bata mais um pouco, apenas para ficarem bem envolvidos. Junte as gemas a este preparado. Bata as claras em castelo e junte também. Neste momento o café já deve estar frio. Num pirex, coloque uma camada de palitos de champagne molhados no café. Por cima deite uma camada de creme. Repita a camada de palitos molhados no café com rum e termine com o creme. Reserve no frigorífico. Quando estiver frio pode servir. Antes de levar para a mesa cobrir com cacau em pó utilizando, para isso, um coador fino.

Sei que não é uma receita nada original, o que não falta são receitas de tiramisú por essa blogosfera fora, li muitas receitas, incluindo esta e criei o meu que aqui partilho.

Usei mascarpone, mas se não tiver pode utilizar mais 200ml de natas ou 200g de queijo creme tipo philadelfia. O queijo fica bem, mas as natas são a opção mais adequada para substituir o mascarpone, isto porque o mascarpone é feito de natas coalhadas e coadas!

Sete pecados



Tiramisù


Receita indicada pelo chef Luciano Boseggia.

Ingredientes

60 gr de açúcar de confeiteiro
4 unidade(s) de gema de ovo
500 gr de mascarpone
1 pacote(s) de biscoito champagne
1 cálice(s) de vinho marsala
200 ml de café forte
quanto baste de chocolate em pó
quanto baste de café torrado em grãos
Redução de Café

6 colher(es) (sopa) de açúcar
120 ml de água
200 ml de café forte

Modo de preparo
1º - Tire as películas das gemas. e bata vigorosamente junto com o açúcar de confeiteiro até formar um creme espumante, junte aos poucos o queijo tipo Mascarpone sem parar de bate até obter um creme firme (tipo chantilly). Reserve.

2º - Junte o café com o vinho Marsalla.Numa travessa, coloque o creme firme reservado suficiente para cobrir, formando uma camada de cerca de 1 cm de espessura, polvilhe chocolate em pó.

3º - Umedeça as bolachas na calda (café com vinho) e disponha sobre o creme firme polvilhado. Repita todo processo. Finalize com creme polvilhado com chocolate e leite gelar por cerca de 3 horas. Corte em oito porções iguais.

Redução de Café
Leve ao fogo a água com o açúcar até criar uma calda mole, junte o café e reserve.

Montagem
Em pratos individuais, coloque uma Panacotta, decorando com a calda de fruta e ao lado uma porção de Tiramisu, decorando com a calda de café e grãos de café.


*O mascarpone pode ser substituído de duas formas. Uma delas é misturar cream cheese com creme de leite em lata, na proporção de dois para um, ou ainda misturar partes iguais de ricota e creme de leite.

Nada- por Lupeu Lacerda




É no nada

que mora a idéia

É do nada

que surge a paixão

É de nada,

que fiz por gosto

É o nada

o que sobra

Da revolução

na evolução

do nada que fui

ao homem que quero ser

ação

( lupeu lacerda)

Apenas um jogo de futebol - Por José de Arimatéa dos Santos

Ultimamente o futebol brasileiro anda muito violento. Não vou falar da violência dentro de campo e sim fora dele. Time nenhum pode ser desclassificado do campeonato que disputar e logo alguns torcedores picham os muros do clube. Quando não esperam os jogadores no aeroporto para xingar e às vezes querer agredir seus ídolos. Parece que os torcedores valentões  ganharam esse jogo e o exemplo mais contundente é que a final do campeonato mineiro entre Cruzeiro e Atlético na cidade de Sete Lagoas só terá torcedores do Cruzeiro. Isso simplesmente desvirtua o sentido do esporte que é o congraçamento entre seres humanos, enfim uma festa.
Na europa os casos de violência foram praticamente banidos dos estádios por atitudes em coibir esses torcedores violentos. Brigou ou fez alguma baderna, simplesmente o indivíduo tem que se apresentar a uma delegacia de polícia na hora do jogo do seu time. A lei é cumprida na risca para quem vai a um estádio de futebol para arrumar encrenca. Está mais do que na hora de aplicar penas desse tipo aqui no Brasil e jogos como o clássico mineiro possa ter atleticanos e cruzeirenses em um mesmo espaço torcendo, vibrando e fazendo tudo que um torcedor faz em uma praça esportiva.
O brasileiro é o indivíduo que entende de futebol e a discussão e a paxão pelo seu clube não devem extrapolar e chegar a violência. Já chega a violência que está nas ruas de praticamente todas as cidades brasileiras e o jogo de futebol é apenas um jogo de futebol. Um esporte e que é normal a vitória ou a derrota. Meu time pode perder ou ganhar e minha vida segue sem problemas. Aliás, o problema é aguentar as brincadeiras dos colegas no outro dia quando o time que a gente torce perde. Mas isso é normal. Tudo bem.
Acredito que o ser humano tem que ver seu semelhante como um irmão que tem sua preferência e que pode pensar diferente. Esse é um direito inalienável de qualquer cidadão poder torcer em paz por seu clube, usar com orgulho a camisa do time ou ainda ir para as arquibancadas dos estádios para se divertir. A Constituição Federal assegura a liberdade do ir e vir. O amor entre os seres humanos deve ser o principal golaço que a torcida brasileira deve marcar e cenas de selvageria e violência nos estádios ou fora dele têm que acabar. Assim penso.

sábado, 14 de maio de 2011

Sucesso de uma época ...


Trinidad Lopez III, de nome artístico Trini Lopez (Dallas, 15 de maio de 1937) é um cantor e ator nascido em Dallas, estado do Texas, EUA.

Aos 12 anos, ganhou uma guitarra de seu pai, aos quinze anos tocava em uma boate chamada Cipango. Fez sucesso com diversos hits, tais como, If I Had A Hammer, La Bamba, Lemon Tree, Corazón de Melón, entre outros.

Participou também de filmes, como "Os Doze Condenados" (The Dirty Dozen) em companhia de, entre outros, Lee Marvin e Telly Savallas.

Lopez ganhou diversos prêmios dentre eles o "Lenda Viva" do ano de 2007. Até hoje Trini Lopez canta e recentemente lançou um novo álbum, chamado Ramblin Man, provando que o tempo só fez melhorar sua qualidade e seu encanto com a música.

ÂNGELA MARIA- por Norma Hauer


Hoje comemoramos o 83º aniversário de uma das rainhas do rádio: ÂNGELA MARIA, cujo verdaeiro nome é Abelim Maria da Cunha.
Começou a freqüentar programas de calouros nas rádios antes dos 20 anos. Participou de diversos programas com o pseudônimo Ângela Maria para que a família não descobrisse.
Depois de uma rápida temporada como crooner do Dancing Avenida, foi descoberta e levada para a Rádio Mayrink Veiga.
Em 1952, um ano depois de seu primeiro disco, sua gravação de "Não Tenho Você" (P. Marques e A. Monteiro) bateu recordes de venda e iniciou sua carreira de sucesso.

Foi a cantora mais popular do Brasil na década de 50, sendo conhecida como Rainha do Rádio pela sua legião de admiradores, por ter ganho o concurso quatro anos seguidos, entre 52 e 56.
Na Rádio Nacional do Rio de Janeiro teve um programa só seu intitulado ÂNGELA MARIA CANTA. Entre seus maiores sucessos estão "Nem Eu" (Dorival Caymmi), "Orgulho" (Waldir Rocha e Nelson Wederkind), "Lábios de Mel" (Waldir Rocha), "Vida de Bailarina" (Américo Seixas e Chocolate), "Abandono", "Babalu" (Margarita Lecuona), "Fósforo Queimado" (Paulo Marques, Milton Legey e Roberto Lamego) e "Garota Solitária" (Adelino Moreira).

Ângela Maria (a Sapoti) nome que lhe foi dado pelo ex-Presidente Getúlio Vargas, que a admirava , embora afastada do meio musical, é sempre lembrada quando se fala no tempo áureo do rádio.

Afinal, são 83 anos de vida.
Parabéns a ela.


Norma

Amostras.Por Liduina Belchior.

Dos amores passados
não sinto nostalgia
o que não existe mais,
é porque não houve magia.
Amigos é que não passam,
apenas os laços estremecem
o coração se abala,
mas no tempo seguinte
os laços se fortalecem.

Do baú de Stela Siebra Brito





Metafísica é para isso?

Sei mais falar do que me fere
daquilo que me atormenta
me amedronta
me encurrala me açoita me violenta

Sei mais falar do silêncio
das palavras malditas
incontidas
encurtadas
invertidas

Sei mais falar do meu avesso
atravessado na garganta
sei mais falar do que me cala
e me mata.

No entanto vem o vento
e ultrapasso o desvão da memória humana:

um homem passa de bicicleta
escuto o barulho do mar
cai uma chuvinha fina fria
encharca minha alma
me lava.

Renasço.


Stela Siebra

Xico Sá - Modos de Macho


xicosa@brpress.net

A capanga e a vida

Ao me deparar esta semana, em um banheiro de um moderno restaurante de São Paulo, com dois homens, aparentemente héteros, discutindo sobre técnicas depilatórias e cremes básicos para uma nécessaire masculina, me veio ao cocoruto, imediatamente, a velha imagem da capanga e o kit máximo permitido por um macho-jurubeba.

Como bem sabemos, amigo, o macho-jurubeba é o macho-roots, a criatura de raiz, o sujeito tradicional e quase em extinção nos tempos modernos. Um personagem que nos parece nostálgico e, de algum modo, folclórico, mas perfeito para nos revelar o universo dos marmanjos até meados nos anos 1990 - quando Deus fez, de uma costela do David Beckham, o ser doravante conhecido como metrossexual.

Vasculhemos, pois, a capanga, usos, costumes higiênicos e os arredores antropológicos deste predador do nosso paleolítico. Era, sim, naturalmente vaidoso o macho popular brasileiro. Aqui encontramos os vestígios: um espelhinho oval com o escudo do seu time ou uma diva em trajes sumários, um pente nas marcas Flamengo ou Carioca, um corta-unhas Trim ou Unhex, um tubo de brilhantina, um frasco de leite de colônia, uma latinha de Minâncora e outra de banha de peixe-boi da Amazônia em caso de eventuais ferimentos, calos ou cabruncos.

Em viagens mais longas, barbeador, gillette, pedra-hume -o seu pós-barba naturalíssimo, nada melhor para refrescar a pele e fechar os poros. Alguns pré-modernos e distintos se antecipavam aos novos tempos usando também Aqua Velva, a loção para o rosto utilizada pelos "homens de maior distinção em todo o mundo".

Vemos aqui também, no kit do macho-jurubeba, emplasto poroso Sabiá, pedras de isqueiro com a marca Colibri e um item atual até nossos dias, o polvilho antisséptico Granado, afinal de contas a praga do chulé é atemporal e indisfarçável. O lenço de pano nem se comenta, não podia faltar nunca.

Ainda no capítulo do asseio corporal e dos bons tratos, façamos justiça às moças. Elas adoravam tirar nossos cravos e espinhas, atitude hoje cada vez mais rara - se alguma o fizer, amigo, a tenha na mais alta conta, a abençoada filha de Eva te ama mesmo.

Objeto de investigação e estudo do caboclo pré-metrossexualismo, a capanga dos mais espertos continha ainda um canivete e, para eventuais dores de macho, cachetes de Cibazol.

Aí, porém, já saímos um pouco dos cuidados estéticos e vasculhamos outros armarinhos de miudezas do vasto museu deste homem que - para o bem ou para o mal - já era.

& Modinhas de Fêmea

Ainda sobre amor e novas tecnologias, fica aí uma sábia reflexão das minhas amigas do 02 Neurônio: "O que nos assusta no momento é o iPhone 4, em que você fala enquanto vê a pessoa. Não seremos hipócritas: claro que vamos ter um desses! Pior: o mundo todo vai ter! Pronto, acabaram aqueles telefonemas que você dava para um pretê nervosa. Agora, além de falar, você vai ter que estar bem na foto. Medo! E se a gente ligar para um ex e ele estiver com a atual, a gente vai ter que ver a cara dela? E se a gente estiver com aquele amigo lindo de quem o namorado morre de ciúme, teremos de agüentar um ataque depois? Não sabemos como o amor vai sobreviver ao iPhone 4."


por Xico Sá

Entre o caos e ordem, reluz a beleza - Por : José do Vale Pinheiro Feitosa





Quando só, grito a efervescência do caos. Repito o ato em face da ordem. Entre um e outro respiro, digiro, me igualo em caos e ordem. Isso por que vivo com um pé na medida certa e no justo limite e outro na exata noção que a “harmonia do mundo se evidencia na casual desordem”. Já dizia Heráclito e penso que os gregos eram muito superiores à emergência da unidade, pois desde sempre compreendia a antítese na Beleza e na arte ocidental.

Algo como o topo da serra e o rés do vale. As raízes e a copa, a sobrevivência e a transcendência. Não abuso do estático, da aparência, pois a dignidade além da alma é também do corpo. Por isso mesmo, não se torna nem bom ou mau, nem bem ou imoral, a arte da escultura. Pode ser parte da antítese da vida como é, mas “aqui Apolo supera o sofrimento do indivíduo com a luminosa glorificação da eternidade da aparência, aqui a Beleza vence o sofrimento inerente à vida; a dor é, em certo sentido, removido dos traços da natureza”. Quando Nietzsche escreveu “O nascimento da tragédia” bem se ambientava no caldo da modernidade.

Não me convém o resguardo em parte da antítese. Move-se como matéria de qualquer noção no tempo e no espaço. O que se capta já é corpo em transformação. Os gregos também sabiam de Dionísio, conheciam a Beleza Dionisíaca. Que vai além das aparências, portando das medidas e dos limites; alegre e perigosa, luta com a razão, possuidora de possessões e loucura. A beleza soturna e perturbadora.

O filósofo alemão traduzia o que lhe dizia a natureza da beleza dionisíaca: “Sede como eu sou! Na mudança incessante das aparências, a mãe primigênia, eternamente criadora, que obriga eternamente à existência, que eternamente se regozija com essa instabilidade da aparência.” Em síntese a noção de estética ocidental mais antiga, a primeira noção possuidora de cânones e normas, contempla a antítese em torno da aparência, como permanência e ou transformação.

É possível que desta dialética sobre a Beleza a história se deite numa ou noutra das partes em luta para extrair tendências estéticas. No classicismo uma beleza mais Apolínea (de medidas e limites) na modernidade como diz Umberto Eco: “Essa beleza noturna e conturbadora permanecerá escondida até a idade moderna, para configurar-se depois como reservatório secreto e vital das expressões contemporâneas da Beleza, realizando a sua desforra contra a bela harmonia clássica.”


por José do Vale Pinheiro Feitosa

Amanhecendo no Crato...


"Meu Cariri"- Essa é pra você...




Meu Cariri

Composição : Dilu Melo e Rosil Cavalcanti

No meu Cariri
Quando a chuva não vem
Não fica lá ninguém
Somente Deus ajuda
Se não vier do céu
Chuva que nos acuda
Macambira morre
Xique-xique seca
Juriti se muda

Se meu Deus der um jeito
De chover todo ano
Se acaba desengano
O meu viver lá é certo
No meu Cariri
Pode se ver de perto
Tanta boniteza
Pois a natureza
É um paraíso aberto

Marinês



Marinês, nome artístico de Inês Caetano de Oliveira (São Vicente Férrer, 16 de novembro de 1935 — Recife, 14 de maio de 2007) foi uma cantora brasileira de forró, baião e xaxado, entre outros ritmos.

Filha de pai seresteiro, iniciou a carreira na banda Patrulha de Choque do Rei do Baião, que formou com o marido Abdias e o zabumbeiro Cacau para se apresentar na abertura dos shows de Luiz Gonzaga.

Gravou o primeiro disco em 1956, já à frente do grupo Marinês e sua Gente, com o qual se consagrou.

Marinês tivera um AVC em 5 de maio, em Recife, e estava se recuperando no Real Hospital Português de Beneficência, no Recife, quando morreu.

wikipédia



Frank Sinatra




Frank Sinatra


Francis Albert Sinatra (Hoboken, 12 de dezembro de 1915 — Los Angeles, 14 de maio de 1998) foi um cantor e ator estadunidense, considerado uma das maiores vozes da década de 1950 e com mais de 50 anos de carreira. Iniciou sua carreira durante a Swing Era e lançou centenas de canções imortalizadas em sua voz, como Killing Me Softly, Strangers in the Night, New York, New York, My Way, Fly Me to the Moon, entre outras.


wikipédia

Rita Hayworth



Rita Hayworth (nome artístico de Margarita Carmen Cansino; Nova Iorque, 17 de outubro de 1918 — Nova Iorque, 14 de maio de 1987) foi uma atriz norte-americana de ascendência hispano-irlandesa, que atingiu o auge na década de 1940 e tornou-se um mito eterno do cinema.


Feliz aniversário, Luís Eduardo !

Grande abraço !

CORDEL DE DESPEDIDA DE DIDI E IZAIRA - por Ulisses Germano

 
Izaira Silvino e Didi Moraes irão se mudar para Fortaleza, deixo em versos o meu
CORDEL DA DESPEDIDA DE DIDI E IZAIRA


Dona Izaira Silvino
Esposa de seu Didi
Formam um casal divino
  Gente igual eu nunca vi
Todos dois celebram o canto
Do som que descobre o manto
Das coisas que já vivi

Quando esta terra esquecida

Se lembrar de quem perdeu
A injustiça ensandecida
Lembrará do que esqueceu
Cariri perdeu dois vultos
Que indiferente aos insultos
Tem na mala o que aprendeu

Cavaquinho e bandolim

Violão pandeiro e voz
Estiquei meu alfinim
Num andamento veloz
O amor nasce da graça
Nesta vida tudo passa
Mesmo quando estamos sós

Não vou falar da saudade

Que vai arder no futuro
Nem deixar que a soledade
No banzo em mim faço um furo
Encontros e despedidas
Jamais serão esquecidas
Posso afirmar e até juro

Quando o indizível falar

Na pausa do som parado
Zé Limeira irá cantar
A lingua do abirobado
Que esqueceu que essa gente
Faz de conta que não sente
O sofrer de ser calado

Não quero morar aqui

Sendo sempre o inquilino
Eu já vi que o Cariri
Será sempre um menino
Brincando da brincadeira
De puxar sempre a cadeira
De quem "vê" o desatino

Ulisses Germano




A UM INFELIZ FLAMENGUISTA PRECONCEITUOSO
LI, estarrecido, um texto postado num desses blogs que pululam na internet, cujo teor é de um irascível preconceito contra os nordestinos, mais especificamente contra os cearenses, ali representados pelos torcedores do Ceará Sporting Club.
Antes de tudo, quero dizer que não sou torcedor do alvinegro de nossa capital, tampouco do rubro negro do Rio de Janeiro. Sou sim, acima de tudo, nordestino e essencialmente cearense, com direito ao orgulho natural de sê-lo, de cultuá-lo e de ufanar-me, onde quer que eu esteja, por essa sublime condição.
O preconceito contra nordestinos é algo que denigre um país que se diz democrático, laico e desarmado de quaisquer afrontas a raças, credos e naturalidades. Ao longo dos anos, constatamos correntes cíclicas, movidas por paixões as mais diversas, que visam diminuir os nordestinos, dando-lhes uma condição inferior aos nascidos no eixo sul/sudeste em todos os segmentos sociais.
Pergunto-me, sempre que leio ou escuto tais sandices: onde reside, precisamente, a raiz desse preconceito? O que move esses grupos racistas e baseados em quê se colocam superiores aos nordestinos? Fatores econômicos? Culturais? Políticos? Sociais? Qual a história do Brasil que aprenderam e quais as páginas que arrancaram?
O texto a que me refiro, postado no globoesporte.com, por Arthur Muhlemberg, sob o título de Fundamental é Mesmo o Amor: É Impossível Ser Mengão Sozinho (a correção gramatical foi feita por mim, um dos “analfabetos” citados pelo autor), está eivado de expressões racistas, preconceituosas contra a torcida do CSC, extensivas aos cearenses, que são, para ele, analfabetos e que lhe incomodam pelo fato de se utilizar da internet para expor seus pontos de vista. ”Maldita inclusão digital” é o termo do qual o autor se apropria para destilar sua peçonha contra os cearenses. Coloca o Clube de Regatas Flamengo como o justiceiro, que está acima de todos os povos, os torcedores  tão  superiores a ponto de não perderem seu tempo alfabetizando os noiados ( expressão chula, comum aos maconheiros )aficionados do ceará e cearenses e o grande vencedor do embate que aconteceria naquela noite .O seu time, pela simples condição de ser carioca, seria o virtual campeão do torneio, e aquele embate um desafio menor, posto que contra um timezinho do Ceará.
Pois muito bem, Arthur, para sua desventura, a tal carroça segue em frente. O seu time, que foi recebido por alguns poucos torcedores, conheceu o gosto da verdade, da união, da humildade (virtude que só os grandes têm). Capitulou em terras alencarinas como dantes o fizera em sua cidade e diante de sua quixotesca torcida. Rendeu-se ao mais forte, mais sólido e menos mentiroso. Tombou diante daquele defenestrado pela Rede Globo, fazendo-a calar-se , assim como os medíocres, como VOCÊ, que só enxergam no preconceito a confirmação de sua inferioridade. Saiba que os nordestinos são superiores a vocês em tudo e não precisam da sua “maldita inclusão digital” para provar. Em todos os campos, temos representantes ilustres.
Sabe, Arthur, eu bem poderia responder-lhe chamando-o de idiota, analfabeto ( leia o seu texto), ridículo, hipócrita, mentiroso, beócio, perrengue ( não no sentido que você utilizou em seu texto), enfim, gastando todos os adjetivos que lhe pudessem mostrar a sua inferioridade humana., Para quê? Essa verdade já lhe é inerente e os vermes morrem queimados pela sua própria gosma.
Ao contrário, convido-lhe para um passeio pelo nosso Estado, se você tiver condições financeiras para tal. Venha conhecer nossas belezas, nossa cultura, nosso povo e a verdadeira civilização humana. Aqui os flamenguistas são iguais a você : biltres. Aqui os torcedores do Ceará, Fortaleza e demais clubes são homens, são honestos, dignos. Aqui, os cearenses trabalhamos e temos orgulho de nossa condição de fortes, inteligentes, empreendedores, cultos, verdadeiros seres humanos. Aqui não temos preconceitos e não nos propomos a ser os mestres. Já o somos por natureza.
Venha, Arthur, venha nos conhecer. Venha saber o que é uma peixeira no bucho de um “Fí” duma égua; um bofete no meio dos cornos, o que é  espichar uma tripa, o que é ter uma caganeira braba por medo. Venha, Arthur, venha encarar um cearense cabra macho, uma cabra escroto e se pelar de medo. Venha, aqui o sol lhe espera com ansiedade e nossos olhos querem saber qual a cor do seu sangue, se é que você tem. Venha, Arthur, quem sabe aqui no Ceará, após uns dez ou doze séculos de existência, você, todos os preconceituosos do sul e sudeste e torcedores do flamengo aprenderão a ser HOMENS.
Por fim, devemos nos unir, nordestinos, termos um pingo de vergonha na cara e colocar esses miseráveis sulistas nos seus devidos lugares. Se eles querem prosseguir com essa ridícula campanha racista, explicitemos nosso nojo e repúdio a todos eles. Não precisamos de ação da OAB e afins, precisamos de coragem e propor a separação de fato e tratar esses imbecis como bandidos, bucéfalos, tralhas humanas, gozando festivamente a morte diária de cada um deles. Façamos com que esses medrosos se calem diante da ponta de um punhal e lavem a boca antes de pronunciar a palavra NORDESTE.
Realmente, “fundamental é mesmo o amor: é impossível ser mengão sozinho”. Imbecil, também. Com licença, Tom.