por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 19 de agosto de 2016

PRESIDENTA, SIM SENHORA - José Nílton Mariano Saraiva

Na grotesca (e infrutífera) tentativa de “gozar” com a cara da Presidenta Dilma Rousseff, a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, ao ser consultada como gostaria de ser tratada quando assumir a presidência daquela corte (se presidente ou presidenta), afirmou: “eu fui estudante e eu sou amante da Língua Portuguesa; acho que o cargo é de presidente, né ???”.

A despreparada ministra bem que poderia ter consultado a página 2292, do Dicionário Houaiss, a fim de não proferir asneiras e babaquices do tipo. Confiram abaixo o que consta na referida página:

Presidenta s.f.
1 - mulher que se elege para a presidência de um país;
2 - mulher que exerce o cargo de presidente de uma instituição;
3 - mulher que preside (algo).

Portanto, Dilma foi (e continua sendo) PRESIDENTA do Brasil (e quem não gostar que vá reclamar ao Papa Chico).

Babacas.



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"CRATO... É FINAL DE LINHA" - José Nílton Mariano Saraiva

Condição “sine qua non” de todo administrador público que se preze, a probidade administrativa encontra bons e imprescindíveis aliados na transparência, bom senso, equilíbrio e/ou, principalmente, ponderação na hora da tomada de decisões ou no simples ato de expressar-se perante os munícipes.

Em sentido contrário, sob pena de inviabilizar suas ações, obstando-lhe o acalentado caminho em busca de voos políticos mais altos, a improbidade administrativa, possessividade, pessimismo e afobação não devem constar do dicionário de referida autoridade, por mais pressionada que se encontre.

As reflexões acima têm a ver com um determinado “encontro”, que vivenciamos aqui em Fortaleza (2009), quando o então prefeito do Crato (Samuel Araripe), atendendo convite da Associação dos Filhos e Amigos do Crato (AFAC), compareceu ao auditório da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), a fim de discorrer sobre sua gestão à frente da municipalidade.

Depois de muita rasgação de seda nas preliminares e da exibição de belos slides da cidade, lá pras tantas e aí já visivelmente incomodado com as interrupções da sua fala e os recorrentes questionamentos a respeito do “marasmo” da sua administração ou do “porque” do Crato não conseguir acompanhar o pool desenvolvimentista da cidade vizinha, Sua Excelência literalmente perdeu as estribeiras e foi incisivo e contundente (ipsis litteris): “PESSOAL, VOCÊS TÊM DE ENTENDER QUE O CRATO É FINAL DE LINHA; SÓ VAI AO CRATO QUEM TEM NEGÓCIOS LÁ”.

Ou seja, não mais que de repente, a posição geográfica do Crato (em relação à capital ou a Brasília ???) foi usada e responsabilizada como justificativa primeira e única para a sua visível estagnação, seu progressivo esvaziamento, sua parada no tempo, sua inexorável caminhada rumo a tornar-se uma “cidade-dormitório” da urbe vizinha.

não nos foi explicitado como é que a cidade vizinha, que dista apenas 12 quilômetros da nossa, tudo consegue, o tempo todo e com relativa facilidade, daí o acirramento da rivalidade (e aí, querendo ser engraçado num momento que exigia seriedade, o prefeito referiu-se a um certo cratense que teria plantado em seu quintal um coqueiro enorme, objetivando não enxergar a estátua de Cícero Romão, lá na serra do horto; desnecessário dizer que não deu Ibope algum).

Pelo contrário, estupefatos, os componentes da plateia se entreolharam abismados e pasmos, num misto de espanto e decepção, à procura de entender aquele testemunho patético sublinhado de capitulação, acomodação ou simples descaso para com o destino da cidade.

Definitivamente, não estávamos ali para ouvir aquilo, mas a verdade é que, ao vivo, perante todos nós, aquele que deveria representar a esperança e o porvir de novos tempos, se nos mostrava, sim, a impotência em forma de gente, o pessimismo em estado latente, a desesperança em sua mais completa acepção, a incapacidade de alinhavar palavras minimamente confortadoras aos seus munícipes.

E então, lembramo-nos do “testemunho-narrativa” que pessoalmente ouvimos de um dos integrantes da comitiva que esteve em Fortaleza quando da reunião com o então reitor da UFC (Renê Barreira), onde definitivamente se bateria o martelo na definição da localização do “Campus Cariri” da UFC (embrião da UFCA): segundo ele, o prefeito do Crato (Samuel Araripe) estava, sim, naquele dia em Fortaleza (onde tem residência fixa à beira mar), mas teria se negado terminantemente a comparecer àquele importante e decisivo evento para o futuro da cidade do Crato, sob a justificativa de que a decisão já houvera sido tomada e, pois, a sua presença, não alteraria em nada o desenrolar do processo. Que os “bois de piranha” (Jurandir Temóteo, Nezim Patrício e outros) representassem a cidade e galhardamente enfrentassem a travessia do rio, sozinhos.

Fato é que, nessa balada, por preguiça, inaptidão para a função pública da sua autoridade maior e/ou reconhecido isolamento político (apesar de apoiado pelo mesmo Tasso Jereissati, de agora), o Crato perdeu o Sesi, o Sebrae, a Universidade Federal do Cariri, a Delegacia da Polícia Federal, o Hospital Regional do Cariri, o Aeroporto da Região, a Procuradoria da República, o Centec, a Justiça do Trabalho, o Centro Cultural do BNB e por aí vai (não esquecer o criminoso fechamento de diversas escolas municipais, mormente nos distritos e zona rural).

Por essa razão, hoje nos invade um sentimento de enorme desesperança, pesar e decepção, quando tomamos conhecimento que o PSDB, coligado com partidos “barriga-de-aluguel” de matizes ideológico-progmático os mais díspares possível, oficializou a candidatura da mesma figura (Samuel Araripe) para concorrer à prefeitura da cidade, e com um adendo pra lá de desestimulante: terá como candidato a vice-prefeito um jovem cratense que passou boa parte da vida curtindo as praias cariocas (Thales Macedo), espécie de genérico do “playboy do Leblon” (Aécio Neves), que não mais que de repente descobriu que o Crato existe.

A pergunta que se impõe, então, é: se “o Crato é final de linha” porquanto “só vai ao Crato quem tem negócios lá” (como publicamente declarou em 2009 o senhor Samuel Araripe), como pensar em reconduzi-lo ao trono, já que o atraso e a inoperância político-administrativa caracterizaram seus 8 anos à frente do município ??? Acharam pouco ???


Será que Sigmund Freud explica ???

domingo, 31 de julho de 2016

DEUS É BOM PAI

Deus é Bom Pai

                             (Demóstenes Ribeiro – Médico Cardiologista)

          Não sei quando vou terminar esse rodízio de pizza. O último funeral me deixou esfomeada, jazz-singer não tem que ter cara de fome e o excesso de peso combina com a minha cor.

          Pra uma filha da rua, fui bem longe, pois nem sei onde nasci e é um milagre ter chegado aqui. A velha com quem andava pelo mundo, foi o que mais parecido eu tive como mãe e pai. Vagávamos de cidade em cidade, não tínhamos o que comer, dormíamos ao relento e ela sempre a repetir que Deus era bom pai.

          Depois, ela me deixou com uma senhora bondosa e não tive mais notícias, desapareceu pra sempre, certamente morreu. Essa dona parecia gostar de mim. Teve muitos filhos, mas vivia quase sozinha, eles estudavam longe. Acho que eu aliviava a sua saudade. Passei a chamá-la de mãe, ela me deu nome e carinho, farda e colégio, era bem diferente do marido. Pra ele e a família, sempre fui negra e saco de pancada.

          Quase habituada a um resto de vida, eu sofria muito em silêncio, mas não transparecia. Tinha planos, sonhava em ser artista, achava que tinha algum talento, cedo ou tarde, o mundo e a fama sorririam para mim. E quando o Michael Jackson começou, eu logo aprendi o moonwalk.

          Um dia, cansei de ser escrava e me mandei. De carona em carona, motorista a motorista, cidade em cidade, cheguei a Fortaleza. Perdida no centro, entrei numa igreja evangélica. Um velho se aproximou de mim e começamos a conversar. Ele se comoveu com a minha história e fui morar no seu barraco. Virei faxineira, doméstica, entrei pra igreja e me convidaram para o coro quando me viram cantar.

          Certa vez, cantei no velório de um irmão e a viúva disse que iria me ajudar. Tempos depois, não lembro agora, morreu o pai do pastor. No final da cerimônia, sem que ninguém esperasse, ataquei de “Meu Querido, meu Velho, meu Amigo.” Cantei num ritmo mais lento, alternei graves e agudos e fiz todo o mundo chorar.

          Um agente funerário assistiu e me convidou pra trabalhar na sua empresa. Ele assinou minha carteira e virei a atração dos funerais. Nunca mais me faltou trabalho.
Já comecei a estudar inglês e estou me sofisticando. No futuro só cantarei “spirituals  and blues.”

           Ontem mesmo, uma adolescente, filha única, voltando pra casa mais cedo, ouviu gemidos na penumbra e flagrou a mãe com a vizinha sapatão, inteiramente peladas, fodendo uma a outra, com um caralho de plástico, na cobertura da Beira-Mar. A mocinha não suportou o pesadelo, saltou do vigésimo andar e se estatelou no asfalto. Foi um belo salto e o céu recebeu a sua alma. O pai está arrasado. Hoje, vou cantar no velório. Ensaiei “Tears in Heaven” e será uma consagração. Ninguém vai ficar sem chorar.

           O garçom não está gostando, mas tão cedo eu não saio. Diva não tem que ser esbelta.  Espero morrer antes de ficar velha e se exagerar na comida o sono vem mais fácil. Outro dia, depois de um rodízio desses, dormi profundamente no meio das minhas bonecas e sonhei legal. Fui até o Mississipi. Fazia um luar bonito e participei de uma jazz-session. Quando cantei Summertime, Ella Fitzgerald, sem que ninguém percebesse, falou no meu ouvido que eu era a sua continuação. Deus realmente é bom pai.














segunda-feira, 4 de julho de 2016

Quase uma vez, o Japão - (Demóstenes Ribeiro – Médico Cardiologista)

Na cadeira de balanço, iniciando a sesta e de olhos semicerrados, um riso silencioso invadiu o rosto do meu avô.
- “Rindo do que, vovô?
- Das mulheres, sempre as mulheres.
- Mas não há mulher nenhuma aqui.
- Como nenhuma, elas estão sempre presentes!
- Mas eu continuo sem enxergá-las, o senhor enlouqueceu?
- O espírito feminino é onipresente.
- Onipresente, só Deus.
- Ora, Deus e as mulheres, não percebe?
- O senhor não está legal, tomou seus remédios direito?
- Estou ótimo e lembrei de uma delas. Foi engraçado e assustador.
- Uma delas... O senhor e sua mania de grandeza.
- Mais respeito com o velho. Ainda vai aprender muito se tiver a humildade em me escutar.
- Qual é a história de hoje?
- Muitos lugares, muitas mulheres, o mistério feminino a desvendar. Naveguei
muitos mares... Fossem calmos ou revoltos, desbravei!
- Mentiroso!
- Mais respeito com o seu avô, eu nunca faltei com o meu dever!
- Fala então, garanhão!
- Atravessei o mundo inteiro, mas faltava completar uma missão.
- Faltava o quê, vovô?
- O Oriente, o extremo Oriente, a terra do sol nascente... Quando cheguei a São
Paulo, não saía da minha cabeça o inacessível Japão.
- E daí?
- Daí, a espera paciente, não forcei a natureza das coisas. No entanto, nem o mais
sincero e esperançoso amor escapa ao sobrenatural.
- Como assim?
- Era uma sansei delicada. Nariz afilado, traços ligeiramente ocidentais. A alma-
gêmea. Quem sabe em vidas passadas eu não fora um samurai. De origem humilde, alguma semelhança havia entre o drama nordestino e a saga dos seus avós. E, sem sair de São Paulo, fui lhe mostrando o sertão. No Cantinho do Nordeste, ela riu com as emboladas e os versos de cordel. Dançou xaxado e forró. Queria saber de histórias, Padre Cícero, Lampião... Apaixonados, meu filho, até haver o pior.
- O que aconteceu, vovô?
- Num feriado, tivemos o dia inteiro e, após uma manhã no Ibirapuera, fomos ao
Restaurante Oxumaré. Comida baiana, ela nunca havia provado. Cansada de sushis e sashimis, foi ao self-service e ficou deslumbrada. Iniciou com uma batida de pitanga, comeu um acarajé, outra batida de cajá. Moqueca de peixe, bobó de
camarão, adorou sarapatel, repetiu o vatapá. Carne-seca com purê de aipim.
Avançou no caruru. Serviu-se de tudo um pouco. Findou com baba-de-moça e
cocada de mamão. Já era tardinha, quando saímos pra casa, e um orixá esfomeado, ela parecia incorporar.
- Qual a tragédia, afinal?
- À noite, iniciando o amor, conhaque, calabresa e amendoim. Eu fiquei desconfiado, pois ela queria sempre mais e a seguir veio o desastre.
- Conta logo, vovô!
- De repente, a japonesinha saltou na cama, deitou de bruços e gritou feito uma
louca: agora, cabra da peste, vais conhecer o Japão! Seguiu-se uma explosão fétida e furiosa, um pum atômico, mais de mil megatons, Hiroshima e Nagasaki. Quase pedindo socorro, abri portas e janelas, sacudi os lençóis e esvaziei o bom-ar até que aquele Exu presepeiro fosse embora.
- Uma hecatombe, vovô!
- Cabeça baixa e olhos úmidos, ela repetia desculpe. Sayonara, sayonara, com a
timidez ancestral. Foi um adeus definitivo. Maldita comida baiana! Nem conheci o Oriente e casei com a sua avó!”
Tudo verdade. Vovô nunca mentiu pra mim.



















sábado, 18 de junho de 2016

FILHOS SÃO COMO NAVIOS (Içami Tiba)

Ao olhar um navio no porto, imaginamos que ele esteja em seu lugar mais seguro, protegido por uma firme e indestrutível âncora. Mal sabemos que ali está em preparação, abastecimento e provisão para se lançar ao mar, ao destino para o qual foi criado, indo de encontro das próprias aventuras e riscos. Dependendo do que a força da natureza lhe reserve, poderá ter que desviar de rota, traçar outros caminhos ou procurar outros portos alternativos. Certamente retornará fortalecido pelo aprendizado adquirido e mais enriquecido pelas diferentes culturas percorridas. E haverá muita gente no porto à sua espera.

ASSIM SÃO OS FILHOS. 
Estes têm nos pais o seu porto seguro, até que se tornem independentes. Mas, por mais segurança, sentimentos de preservação e de manutenção que possam sentir juntos aos seus pais, eles nasceram para singrar os mares da vida, correr seus próprios riscos, viver suas próprias aventuras, traçar o próprio destino.
Certo que levarão consigo o exemplo dos pais, o que eles aprenderam e os transmitiram, bem como os conhecimentos da escola; mas a principal provisão, além das materiais, estará no interior de cada um: a capacidade de ser feliz. Sabemos, no entanto, que não existe felicidade pronta, algo que se guarda num esconderijo para ser doada, transmitida a alguém. O lugar mais seguro que o navio pode estar é no porto. Mas ele não foi feito para permanecer ali.
Os pais também pensam ser o porto seguro dos filhos. Mas não podem esquecer do dever de prepará-los para navegar mar adentro e encontrar o seu próprio lugar, onde se sintam seguros, certos de que deverão ser, em outro tempo, este porto para outros seres. Ninguém pode traçar o destino dos filhos, mas deve estar consciente de que na bagagem devem levar VALORES herdados, como: humildade, respeito, humanidade, disciplina, honestidade, gratidão e generosidade.
Filhos nascem dos pais, mas devem se tornar CIDADÃOS DO MUNDO.
Os pais podem querer o sorriso dos filhos, mas não podem sorrir por eles; podem desejar e contribuir para a felicidade dos filhos, mas não podem ser felizes por eles. A felicidade consiste em ter um ideal a buscar e ter a certeza de se estar dando passos firmes no caminho da busca.
Os pais não devem seguir os passos dos filhos e nem devem estes descansar no que os pais conquistaram. Devem os filhos seguir de onde os pais chegaram, de seu porto e, como os navios, partirem para as próprias conquistas e aventuras. Hão de singrar “mares calmos e tormentosos” e saberão vencê-los pelas valiosas lições recebidas dos pais. Mas, para isso, precisam ser preparados e amados, na certeza de que, quem ama educa.

COMO É DIFÍCIL SOLTAR AS AMARRAS."

terça-feira, 7 de junho de 2016

PHODEU !!! E AGORA, JOSE ???

DESDE 2001, PEDRO PARENTE É RÉU EM AÇÃO SOBRE PREJUÍZO À PETROBRAS


Jornal GGN - Pedro Parente, novo presidente da Petrobras, é réu em ação popular civil desde 2001, juntamente com outros diretores e conselheiros da estatal, incluindo Maria Silva Bastos, nova presidente do BNDES. A ação foi movida por petroleiros em razão de uma operação na qual a Petrobras trocou ativos desvalorizados da Repsol-YPF na Argentina por ativos brasileiros valorizados, causando um prejuízo de R$ 790 milhões, oficialmente registrado no balanço da empresa de 2001. Corrigido, esse prejuízo chega a mais de R$ 2 bilhões.
Além de Parente e Maria Silva, também são réus na ação popular José Jorge de Vasconcelos Lima, que foi senador, ministro de FHC e também do TCU - e relator do caso Pasadena), Delcídio do Amaral, ex-senador e ex-diretor da Petrobras no governo FHC, entre outros. 
Na época, Pedro Parente era ministro da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso e fazia parte do Conselho de Administração da Petrobras. Em 2002, foi promovido a presidente do Conselho, quando a empresa realizou a compra da Perez Companc, negociação que foi alvo de ao menos duas delações premiadas na operação Lava Jato. Segundo Nestor Cerveró,  o negócio rendeu US$ 100 milhões em propinas para integrantes do governo FHC. 
Leia mais abaixo, em matéria de Helena Sthephanowitz para a Rede Brasil Atual:
Da Rede Brasil Atual

Helena Sthephanowitz

O novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, tem pelo menos um esqueleto no armário do "petrolão" tucano ainda escondido. É réu em ação popular civil desde 2001, em plena era FHC, junto com vários outros diretores e conselheiros da Petrobras, entre eles a nova presidenta do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques.
Mas, mesmo sendo réu e aguardando julgamento pela Ação Popular Nº 2001.71.12.002583-5 (leia abaixo), foi escolhido pelo governo interino de Michel Temer para presidir a empresa a maior e mais importante empresa pública do país.
A ação, que corre na 2ª Vara Federal de Canoas (RS), do Tribunal Regional Federal da 4ª região, foi movida por petroleiros contra um mau negócio feito pela Petrobras, quando a empresa trocou ativos desvalorizados da multinacional Repsol-YPF na Argentina por ativos brasileiros valorizados. A operação causou um prejuízo – oficialmente registrado no balanço de 2001 – de R$ 790 milhões da subsidiária criada para realizar o negócio, conforme já abordamos aqui na Rede Brasil Atual. Corrigido para valores de hoje, esse prejuízo atinge a casa dos R$ 2,3 bilhões.
O valor da causa na ação popular é de R$ 5 bilhões e são réus, além de Pedro Parente e Maria Silvia, José Jorge de Vasconcelos Lima (ex-senador pelo PFL, ex-ministro de FHC, ex-ministro do TCU – ironicamente relator do caso Pasadena), Delcídio do Amaral (ex-diretor da Petrobras no governo FHC, ex-senador pelo PT), Henri Philippe Reichtsul, Luiz Antônio Correa Nunes Viana de Oliveira, Hildo Francisco Henz, Moacir Megiolaro, Hamilton Romanato Ribeiro, Roberto Nagão, Peter Brenner, Albano de Souza Gonçalves, Jorge Marques Toledo de Carmargo, José Coutinho Barbosa, Ronnie Vaz Moreira, Francisco Roberto Andre Gross, Gerald Dinu Reiss, Jaime Rotstein, Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena. Além das pessoas jurídicas envolvidas.
À época do negócio, Pedro Parente era ministro da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso e compunha o Conselho de Administração da Petrobras. Conselheiros nem sempre podem ser responsabilizados, pois decidem de acordo com o plano de investimento, pareceres e com recomendações da diretoria executiva. O problema desse negócio é que nem leigos trocariam o risco menor no Brasil pelo risco maior na Argentina naquele ano de 2001, quando o país vizinho vivia uma profunda crise cambial, com moratória e fuga de capitais. O prejuízo era anunciado para qualquer um que lesse o noticiário econômico, e pouco meses depois estava consumado no balanço.
O negócio ficou tão mal explicado que o TRF-4 pediu à Petrobras uma perícia para avaliar os ativos trocados. Os réus recorreram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para não ter de apresentar a perícia requerida. Depois de cinco anos de tramitação, só do recurso, este foi julgado e negado. A sentença determinando a realização de perícia finalmente foi publicada no último dia 15 de fevereiro.
Em março de 2002, ao mesmo tempo em que o balanço registrava o prejuízo na Argentina, Parente foi promovido a presidente do Conselho de Administração da Petrobras. E outro negócio ruinoso foi feito no país vizinho. Foi a compra da Perez Companc, alvo de pelo menos duas delações premiadas na operação Lava Jato. Ainda em março de 2014, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse: “Essa compra foi tão desastrada quanto a compra (da refinaria) de Pasadena (Estados Unidos)”. Na verdade, foi muito pior.
O ambiente econômico na Argentina tinha se deteriorado mais ainda em 2002 e o próprio mercado financeiro reprovou a compra na época, fazendo as ações da Petrobras caírem 7% na Bolsa de Valores. No caso de Pasadena, não houve reação negativa do mercado. O negócio foi considerado normal na época e somente anos depois veio a trazer prejuízos por causa de disputas judiciais e da crise do subprime nos Estados Unidos, a partir de 2008.
Mas o mais grave foi a recente delação de Nestor Cerveró. Segundo ele, o negócio rendeu US$ 100 milhões (cerca de R$ 360 milhões) em propinas para integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Se a presidenta Dilma Rousseff, por ser presidenta do Conselho de Administração da Petrobras na época da compra de Pasadena, teve de provar sua inocência exibindo os documentos que omitiram informações, por que Pedro Parente não deve ser cobrado a fazer o mesmo no caso da compra da Perez Companc, se ocupava cargo similar?





Assim, Parente e Maria Sílvia Bastos são mais dois que engrossam o complicado time de nomeados por Michel Temer com processos na Justiça e esqueletos no armário de escândalos do passado.