por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
sábado, 16 de maio de 2015
Interrogação-por socorro moreira
A gente se ilude, quando se busca?
-Emoçao é combustível de vida
Sem brincadeira...
Como suportar o mundo
Sem artistas?
Sem artistas?
Minha inoperante arte
Busca no outro
Emocionante vida!
Busca no outro
Emocionante vida!
Poetas e músicos fragmentam
o gelo e a pedra...
o gelo e a pedra...
Desfragmentam o medo,
que em nós habita,
e conseguem trnsmutá-lo...
que em nós habita,
e conseguem trnsmutá-lo...
Sem leveza, como voar no pensamento,
e chegar, no ponto do suspiro?
e chegar, no ponto do suspiro?
(socorro moreira)
sexta-feira, 15 de maio de 2015
NADA ALÉM - José do Vale Pinheiro Feitosa
Um em Laranjeiras, outro na Lapa e o terceiro no Engenho de
Dentro. Três cariocas de origens sociais diferentes. Nasceram em anos próximos
e viveram o mundo desta civilização como ela é: necessária e ilusória.
E por primazia a necessidade se põe à frente das ilusões que
reconhecemos vãs. Porém quando se procura as coisas primeiras que são as essenciais,
imprescindíveis, indispensáveis ao final e ao cabo há um vazio preenchido pela
ilusão.
E ficamos em frente a écrans luminosos estimulados por
quimeras e devaneios. Uma maçã envenenada de doses sub-letais que me faz matar
por um mero objeto e me faz morrer pelo correr para pegar o bólido da
fugacidade.
Por isso o amor, mesmo reconhecido como uma grande ilusão me
faz querer a ilusão. Afinal Custódio Mesquita e Mário Lago, bem posicionados
socialmente, deram à voz de Orlando silva esta frase magistral: “Eu não quero e
não peço, para o meu coração, nada além de uma linda ilusão”.
"APROPRIAÇÃO INDÉBITA" - José Nilton Mariano Saraiva
Blog do Eliomar - Jornal O POVO - Prefeitura de Fortaleza reforma
Parque Parrreão I e tira placa que registrava obra de Juraci Magalhães
-15 de maio de 2015 às 9:37Ceará, Cidadania, Cidades, Desenvolvimento
sustentável, Política Deixe um
comentário
Com o título “Apropriação Indébita”,
eis artigo do economista José Nilton Mariano Saraiva. Ele critica decisão
da Prefeitura de Fortaleza que, na reforma feita no Parque Parreão I, situado
no bairro de Fátima, deu sumiço na placa que registrava o local como obra do
prefeito falecido Juraci Magalhães. Confira:
“Nas
administrações Juraci Magalhães e Antônio Cambraia a cidade de Fortaleza
experimentou um surto de desenvolvimento inquestionável; e para corroborar
isso, à época a muito bem bolada propaganda oficial anunciava que para se
constatar o progresso vigente na cidade bastava “abrir a janela”; lá estavam
viadutos, parques, novas ruas, praças, etc.
Uma
dessas obras e de grande utilidade foi o Parque Parreão I, localizado no Bairro
de Fátima (vizinho à Rodoviária, entre as avenidas Borges de Melo e Eduardo
Girão), porquanto um local destinado a pratica de caminhadas, atividades
físicas, reencontro de amigos e por aí vai; enfim, um agradável e aprazível
local sócio-recreativo-esportivo para onde acorriam os moradores de diversos
bairros, principalmente nas manhãs e finais do dia.
Compreensivelmente,
a fim de registrar para a posteridade sua marca, a administração de então
fincou numa das laterais do parque um modesto pedestal encimado por uma placa
onde registrado estavam os nomes do prefeito e secretário responsável
(Juraci/Cambraia), data da inauguração (03 de Setembro de 1993) e outras
informações básicas.
De
lá para cá, entretanto, o Parque Parreão I, por descaso e falta de manutenção,
enfrentou um desgastante e corrosivo processo de degradação, com o consequente
afastamento daqueles que o frequentavam, tendo em vista a “invasão da área” por
parte de desocupados e marginais de alta periculosidade.
Eis
que, na atual administração da cidade, houve a “recuperação” do Parque Parreão
I, só que com um detalhe ESTARRECEDOR e de uma DESONESTIDADE a toda prova:
mantido o pedestal original, a placa com os nomes de Juraci Magalhães e Antônio
Cambraia foi substituída por uma outra onde os frequentadores tomam conhecimento
que o Parque Parreão I foi “INAUGURADO” em 16.setembro.2014, na administração
do prefeito Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra, tendo como secretário da
prefeitura um tal Samuel Antônio Silva Dias e chefe da regional IV o senhor
Francisco Airton Morais Mourão.
Além
do desrespeito patente a um dos maiores prefeitos de Fortaleza (já falecido),
tal atitude simboliza uma irresponsável e abusada tentativa de APROPRIAÇÃO
INDÉBITA, porquanto os fortalezenses que usam o Parque Parreão I (já há
décadas) sabem que o próprio foi idealizado e inaugurado pela dupla Juraci
Magalhães/Antônio Cambraia (no dia 03 de Setembro de 1993, é necessário que se
repita).
Conclusão:
como do jeito que está temos configurada uma situação ilegal, imoral e amoral,
ou verdadeira excrescência, se restar uma nesga de honestidade ao atual
prefeito da cidade a placa original (com os dados corretos) será reposta e, ao
seu lado, aí sim, um outro pedestal e uma outra placa informarão da
REINAUGURAÇÃO (e não “INAUGURAÇÃO”) do Parque Parreão I, na atual
administração.
É o mínimo que se pode esperar de pessoas com um átimo de sensatez e
clarividência”.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
GUERRA - PORQUE TE QUERO MORTE! - José do Vale Pinheiro Feitosa
Atrasado. Reconheço. Refiro-me às comemorações pelos 70 anos
do fim da Segunda Guerra Mundial. Seus mitos, mentiras e verdades.
Os mitos. O mito da Alemanha Nazista invencível.
Surpreendente, vingativa e dominadora. O mito que a ferocidade com uma boa base
de tecnologia, organização e disciplina vence a ordem o do mundo. Um mito
vencedor.
O mito dos Deuses Caídos. Derrotados. Até o roer os ossos
que deuses não deveriam ter. A enorme derrota da Alemanha Nazista e da Itália
Fascista. Onde Hitler (o covarde supremo) suicidou-se logo após estimular seus
soldados morrerem lutando. Onde Mussolini foi preso e morto tentando fugir para
a Suíça.
Mentiras sob os raios luminosos de feiticeiros do cinema. Onde
os EUA, Inglaterra e França se tornam OS ALIADOS e sozinhos vencem a guerra.
Mentiras para esconder vergonhas do amor a Hitler.
Onde nos EUA Chaplin foi perseguido por ridicularizar o
líder nazista. Onde os chanceleres Ingleses e Franceses operaram francamente para
jogar Hitler para cima da União Soviética. E vergonhosamente cederam os sudetos
num no acordo de Munique.
Onde os EUA, a Inglaterra e outros aliados atacaram os
alemães na África, mas não na Europa e deixaram a União Soviética lutar sozinha
até quase chegar às fronteiras da Alemanha ao mesmo tempo que ocupava todo o
Leste Europeu. Onde já com a Alemanha quase batida em seu próprio território
finalmente chegaram as cenas da Normandia cuja gloria é cantada em filmes e no
resgate do Soldado Ryan que presta loas a uma família de vítimas da guerra.
Mas não falam de 20 a 27 milhões de russos mortos na guerra.
Enquanto na Alemanha morreram 8 milhões, onde ingleses morreram menos,
franceses numa divisão de cooperação à Alemanha e guerra no final. Onde
italianos, brasileiros, holandeses e tantos morreram.
Onde os EUA fizeram enorme economia de vida e materiais para
no final, no campo esgotado da guerra, levar o botim e consolidar-se como um
Império diferente de todos os outros. Todos os demais eram saqueadores, mas
também civilizadores. Os EUA não têm contribuição original nenhuma, com
frequência até aprendem, mas saqueiam até a medula.
A verdade se encontra nas imagens tiradas em 2 de maio de
1945 pelos russos na Berlim arrasada, quando empunharam a bandeira Soviética no
alto do prédio do Reichstag. Verdade porque brotada do maior sentimento de
vitória sobre o povo que tanto lhes fizera sofrer e morrer.
Verdade porque mostra a miséria da guerra. Quando se examina
o ato heroico dos soviéticos no cimo do prédio semidestruído embaixo é tudo
terra arrasada. Fumaça. Lama. Morte. Soldados se matando. O povo perdido em
ruas que não são mais cidades, sem linhas de abastecimento e sem redes de
proteção.
A guerra é isso: mitos, mentiras e verdades.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
QUEM CHORARÁ COM ELE? - José do Vale Pinheiro Feitosa
Com os olhos marejados, nariz vermelho, a face de sofrimento
um jovem, aqui em Paracuru, levantava uma questão central para o futuro do
país. Uma questão que machuca mais do que nunca pois praticamente exonera o
compromisso social com a demanda da família do rapaz.
A sogra, em franca insuficiência cardíaca, precisava de
urgente troca de uma das válvulas do coração. Antes que imagine tudo de ruim,
mire-se na explicação mais adiante. Ela demandava o direito dela à saúde dentro
do Sistema Único de Saúde, de acesso universal, gratuito, igualitário e com
participação social.
Depois de um périplo de empurra-empurra, incompatível com o
conceito de sistema, era jogada de um lugar para outro que não resolvia e nem
encaminhava a solução. Finalmente chegou a um hospital conveniado com o SUS na
capital cearense.
Para espanto familiar, não havia quem recepcionasse a
paciente, ninguém chamava um profissional e, finalmente, uma supervisora por
pressão familiar descobriu que no andar dos médicos, nenhum sinal deles havia.
E mais ainda, quando alguém apareceu não cuidou de encaminhar o caso.
Simplesmente enrolou a família no seu desespero.
Como se tratava de gente com prestígio social e político um
amigo foi acionado, telefonou para o “colega” no hospital que então partiu para
a ação que até então enrolara.
Continue comigo.
Uma das figuras mais populares de Paracuru, aposentado como
diretor da Universidade Federal, grande músico, detentor de enorme poder de
comunicação tem igual problema numa válvula cardíaca. Aí pelos, também
credenciados, Planos de Saúde.
O que aconteceu?
Um caso de estenose foi diagnostico há cinco anos e o médico
simplesmente não operou e deixou o estreitamente evoluir até um estágio
extremamente perigoso, com grande possibilidade de morte súbita. Em seguida não
atendeu mais ao paciente, a secretária passou a avisar que ele estava em
formação no exterior.
Na última revisão de imagem da lesão da válvula, ele ouviu o
tal doutor trabalhando normalmente. Quando foi a um cirurgião mais consciente,
este ficou perplexo com a atitude do “colega”. Francamente explicou que o plano
paga pouco pelo procedimento e o cara havia fugido do problema. Mas no extremo
da covardia e o espírito de ave de rapina jamais deixou claro para o paciente
que procurasse outro profissional. Simplesmente deixou que ele evoluísse até o
risco de morte.
Fique mais um pouco.
O sogro do rapaz que, então, revelou todo o desespero do seu
choro, aconteceu aqui mesmo em Paracuru. Um cirurgião que serve à cidade
simplesmente adiou a extração de um câncer de pele (o tipo mais agressivo o
espino-celular) para quarenta dias. E não adiantou o pedido de outro colega,
pai do rapaz.
Qual, então, o denominador comum das três histórias. O SUS e
Planos de Saúde foram tomados por um conjunto de abutres que no limite só pensa
em negócio. Em ganhar rios de dinheiro numa fragmentação de procedimentos que
reduzem a efetividade de qualquer tratamento e aumenta os danos à saúde.
Enfim, o modelo liberal e capitalista de exercício da
medicina tem se mostrado perverso, tolhendo a liberdade, a segurança e o futuro
da humanidade. Ou nos voltamos aos fundamentos do Controle Social verdadeiro,
não chapa branca, que bebe suas lutas nas demandas da sociedade e que jamais se
torna um capacho a serviço de prefeitos e vereadores, ou este modelo só produz
choro e desespero.
Não precisamos entrar numa caça às bruxas e nem no andar
meramente punitivo, mas precisamos antes de tudo colocar o interesse de todos à
frente da exploração comercial da saúde pública. Não se trata apenas de
desonestos profissionais de saúde, mas de um modelo que os estimula a isso. Já
vimos isso no tempo do INAMPS e estamos novamente na linha deste comportamento.
Talvez não explique tudo, mas parte da revolta desses
profissionais com o mais Médico venha desta antiética prática do negócio com a
doença. Negócio que se alimenta nos doentes reduz a efetiva do tratamento e
causa mais danos à saúde de mortalidade por causas evitáveis.
domingo, 10 de maio de 2015
LIBERDADE ÀS MÃES - José do Vale Pinheiro Feitosa
Mãe toda vez que busco tua definição, apesar da maternidade
que sou eu, encontro na raiz a mulher que me abriu a luz deste mundo. Mesmo
matéria da fusão com a matriz linguística pater,
sei que matriz é a mesma coisa que se manifesta em ti.
Tu mulher. Mesmo que minha voz seja feminina é a tua
condição de gênero, nesta divisão do trabalho, da renda, dos bens, do acesso
aos parâmetros desta civilização, que posso dizer: eis aí uma civilização
desgraçada. Aquela que discrimina a ti, mulher.
E não adiante toda esta ternura, por um dia apenas, se do meu
amor não surgir uma forte ação permanente para superar o rebaixamento das
mulheres em relação aos homens. É disso que falamos no dia das mães. Da condição
relativamente discriminada.
E quando canto o amor por ti mãe, preciso ouvir o
acompanhamento da melodia, entender os ruídos que a cercam. De outro modo o
encanto musical me aliena da tua condição. A tua condição de mulher.
O que do teu corpo fazem como mercadoria de consumo erótico.
Como suporte para o fetiche de roupas, joias, cremes e produtos gourmet. Do teu
útero que alugam para fazer crescer os delírios genético das classes
endinheiradas.
Tu mulher, quanto mais pobre, mais discriminada, usada e
descartada. Vítima de abusos. Atacada por uma moral que dizem religiosa e que
parecem retornar às pedras lançadas sobre o corpo frágil de Madalena.
E por ti, mãe, que medra até mesmo nas pedras, eu sei que tudo
isso nada tem a ver com qualquer fragilidade inerente. Jamais, em momento
algum, tive o menor indício de que esta discriminação tenha a ver contigo. Por
um mínimo traço que seja do teu ser de mulher a justificar o que esta
civilização desgraçada faz de ti.
E sei, mãe, é da tua coragem que a revolução onde se diz
igualdade às mulheres nascerá. Da tua luta. Da tua denúncia. Da tua liberdade.
Onde nenhum padrão de consumo, de negócio ou moral patriarcal irá tracejar o
teu destino.
sábado, 9 de maio de 2015
Belíssimo texto
As Profissões de Minha Mãe
Minha mãe foi, com certeza, a mulher que mais profissões exerceu em toda sua longa vida, sem ter sequer concluído o curso fundamental.
Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.
Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.
Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco.
Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.
Descobri que minha mãe era uma diplomata, formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu.
Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.
Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom, quando eu precisava colocar no papel as ideias desencontradas de minha cabecinha infantil.
Ela me fazia dizer em voz alta as minhas ideias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.
Descobri que minha mãe era enfermeira, com menção honrosa, toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos.
Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto.
Depois, passava o produto antisséptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo.
Descobri que minha mãe cursara a mais famosa Faculdade de Psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado.
E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.
Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.
Era também pós-graduada em Teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo de alguns livros existentes no mundo.
O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro, a presença de Deus.
Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: Deus vela. Não se preocupem.
Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que Ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.
Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: Não vamos recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário.
Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los.
Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos Seus cuidados: alimentando as Suas criaturinhas.
Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular. Não se cansava de ir e vir, várias vezes, de casa para a escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.
Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.
Como ela conseguia, eu não sei. Somente sei que agora ela está na Espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na Terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de anjo guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.
Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.
Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.
Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco.
Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.
Descobri que minha mãe era uma diplomata, formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu.
Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.
Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom, quando eu precisava colocar no papel as ideias desencontradas de minha cabecinha infantil.
Ela me fazia dizer em voz alta as minhas ideias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.
Descobri que minha mãe era enfermeira, com menção honrosa, toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos.
Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto.
Depois, passava o produto antisséptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo.
Descobri que minha mãe cursara a mais famosa Faculdade de Psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado.
E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.
Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.
Era também pós-graduada em Teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo de alguns livros existentes no mundo.
O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro, a presença de Deus.
Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: Deus vela. Não se preocupem.
Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que Ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.
Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: Não vamos recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário.
Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los.
Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos Seus cuidados: alimentando as Suas criaturinhas.
Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular. Não se cansava de ir e vir, várias vezes, de casa para a escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.
Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.
Como ela conseguia, eu não sei. Somente sei que agora ela está na Espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na Terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de anjo guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.
Redação do Momento Espírita
Autor: Momento Espíritak
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