por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Hoje tem show de Luis Melodia no SESC Juazeiro.Muito bom!
Músico/Banda
Luiz Melodia foi muito influenciado pela Jovem Guarda, sobretudo Roberto Carlos.
Começou sua carreira musical em 1963 com o cantor Mizinho, ao mesmo tempo em que trabalhava como tipógrafo, vendedor, caixeiro e músico em bares noturnos. Em 1964 formou o conjunto musical Os Instantâneos, com Manoel, Nazareno e Mizinho. Lança seu primeiro LP em 1973, Pérola Negra. No "Festival Abertura", competição musical da Rede Globo, consegue chegar à final com sua canção "Ébano".
Nas décadas seguintes Melodia lança diversos álbuns e realiza shows, inclusive internacionais. Em 1987 apresenta-se em Chateauvallon, na França e em Berna, Suíça, além de participar em 1992 do "III Festival de Música de Folcalquier" na França e em 2004 do Festival de Jazz de Montreux à beira do Lago Lemán, onde se apresentou no Auditorium Stravinski, palco principal do festival.
É um ilustre torcedor do Vasco da Gama, tendo participado do Megashow comemorativo dos 113 anos do clube, onde apresentou as músicas "Estácio, Eu e Você" e "Congênito".
Memórias de chuvas, sertão, rio e mar, silêncios, poesia - por Stela Siebra
Essa imagem (que encontrei na internet) me comove, me traz memórias
de chuvas, de águas, de sentimentos, de cumplicidade, de amizades. Irmãs,
primas, amigas. Poesia.
Uma memória mais remota me leva à Ponta da Serra:
Noite de trovões e relâmpagos: chuva farta.
Manhã inundada de luz:
cheia no rio Carás
terreiros inundados com poças d’ água
ou então, nas margens dos caminhos,
riachinhos que corriam entre pedras
e iam do terreiro da nossa casa ao terreiro da casa de vovô
Valdevino.
Eram nossos pequenos rios pessoais.
Outra memória, quase que bem recente, pois é do final dos
anos 97 ou 98, é de uma certa tarde de chuva fina na praia de Ponta de Mangue.
Eu e minha amiga Cris Aragão protegemos nossas cabeças com um plástico e fomos
andar na beira mar.
A maré estava baixa, havia uma quietude na natureza,
quase silêncio, quase felicidade.
Compartilhar silêncio é entender-se numa linguagem maior.
- Stela Siebra -
LAMPIÃO FEZ PROPAGANDA DA ASPIRINA - José do Vale Pinheiro Feitosa
Uma das gerações mais ricas culturalmente do Cariri foi
aquela que envolveu entre outros o Rosemberg Cariry, o Luiz Carlos Salatiel, Zé
Flávio, o Jackson Bantim, apenas para localizar esta geração pois a lista de
nomes de igual peso não é pequena. Inclusive o Ronaldo Brito e o artista
Plástico Bruno Pedrosa, um pouco antes, também se incluem nesta riqueza.
Riqueza em quê? No soerguimento e na releitura quase mítica
(próximo ao místico) da cultura do interior nordestino. Aquele com base
econômica na pecuária, na agricultura de sobrevivência e no algodão (o “ouro
branco”). A cultura que arrastava consigo um catolicismo quase primitivo junto
com elementos indígenas. Aliás a proliferação de “pastores neo e pentecostais” não
é outra coisa que não a mesma base não institucional da religião popular,
embora muito vista como mera exploração como era visto o catolicismo popular nordestino.
Valores icônicos dessa geração: a família patriarcal e da fazenda
sertaneja, os poetas populares (Patativa, Zé de Matos), as danças de raiz
(reizados, coco etc.), beatos e a dinâmica religiosa acumulada em Juazeiro, o
cangaço e a música popular nordestina. Isso incluindo mitos, músicas e textos que
pessoas com o nível de educação desta geração tão bem soube levantar. Incluindo
aí a história regional do interior nordestino (não praiano e não cana de
açúcar).
Mas eles tiveram uma grande vantagem comparativamente aos
tradicionalistas que realizaram grandes pesquisas sobre o passado do interior
nordestino. Aqueles seguiam a esteira ideológica dos Instituto de Geografia e
História, em seu tradicionalismo se tornaram, assim, conversadores com
tendência ao refúgio no passado. Já a geração que cito deu novo significado à
história interiorana nos termos da modernidade. Da transformação de natureza
crítica, significando refazer um campo mítico que substancie o deserto pragmático
burguês com sua individualidade consumista.
O Luiz Carlos Maciel mantém um blog (ou mantinha acho que
chamava-se Cariri Encantado) como evidência do que digo. De vez em quando ele e
o Carlos Rafael dão significado territorial ao “movimento” desta geração (esqueci
o nome exato). A filmografia do Rosemberg é uma prova eloquente do que digo. Os
livros do Zé Flávio. Os espetáculos de teatro anunciados pelos blogs
representam este momentum da nossa cultura.
Agora ao título não é? Isso encontrei no livro “Benjamin
Abrahão Entre Anjos e Cangaceiros” de Frederico Pernambucano de Mello. As
filmagens feitas por Benjamim não teriam sido financiadas apenas pela Aba Film,
mas pelo esforço do governo Nazista Alemão em sua aproximação com a América
Latina. E esse esforço traduzido pela empresa alemã Bayern fabricante da famosa
Aspirina.
Lembram do filme Cinema, Aspirina e Urubus? Acho que de cineastas
pernambucanos. Ele mostrava exatamente o esforço da Bayern em divulgar seu
principal produto com uma camionete nos anos 30 pelas estradas precárias do
sertão, levando filmes e um projetor de cinema que ia de pequena em pequena
cidade carregando nela um pequeno gerador movido pela camionete.
De modo que a proeza de Benjamin Abrahão ao filmar e
fotografar Lampião teria sido financiada, também, pela Bayern. Inclusive todo o
equipamento cinematográfico e fotográfico era da Zeiss alemã. As provas de
Frederico são imagens de Lampião apontando para um cartaz de propaganda da
Aspirina de falando palavras e outra imagem dele distribuindo sachês de
aspirina para o seu bando.
Não quero com isso apenas dizer que a pesquisa histórica do
interior nordestino, empreendida pelos tradicionalista, ressaltando grandes
figuras patriarcais e da igreja católica, não tenham grande importância para
nosso autoconhecimento. O que pretendo apenas é apresentar que mesmo Lampião já
não era aquele cangaceiro medieval que tantos pintam. Assim como a geração que
soube dialogar com a história entre o passado e o presente.
Mesmo quando o diálogo desta geração, numa ou noutra obra,
por vezes se congele de modo não dialético, a verdade é que esta geração deu
movimento e criou uma ponte icônica que nos valoriza frente ao “estrangeiro”.
Aliás, lembro muito bem do cronista e poeta Airton Monte espinafrando na sua
coluna em jornal de Fortaleza o tratamento “mítico” dado a Patativa do Assaré
(conheci muito bem a vaidade de Airton e isso pode ter sido a manifestação de
algum ciúme com Rosemberg que passou a influir na Capital). Em que pese que a
poesia é um coletivo além de Patativa, o que se passava com Airton era um certo
mal-estar com os valores do sertão em relação ao suposto universalismo do
litoral.
Ou seja, a velha luta
entre Franco Rabelo (Litoral) e o Padre Cícero (Sertão). O que o pessoal da
cultura litorânea nunca compreendeu é que o lugar no mundo atual é aquele da
recriação do nosso próprio mundo. Por isso meu abraço a esta geração do mundo
caririense.
Um poema de Socorro Moreira (de quem estamos com muitas saudades!
Nos tempos do verbo
Socorro Moreira
Sensível
a qualquer tipo de carinho
sorriso, mimo...
Rostos distantes
parecem contas
de colares partidos
olhares, bocas...
pérolas escapadas de mim
Sem adereços
esqueço endereços
acendo velas
ilumino lembranças
fragmentos visíveis
O vento traz
o vento leva
a onda traga
espuma de amor
...saturada!
Entreguei os pontos
sem checar os trunfos
meus ases, meus ais...
num jogo comum
E se todos chegassem,
num apelo coletivo?
- Eu ficaria contigo!
Se o tempo voltasse
eu dançaria a valsa dos meus 15 anos
Pediria uma bicicleta no Natal
Nadaria nos rios poluídos
Do Crato até Ingazeiras...
E naquele trem, naquele dia
Teria te visto primeiro
E naquela festa, naquela dança
Me apertaria em teu peito
E naquela noite, naquela praça
te entregaria os meus olhos.
Donzelas de saltos finos e meias desfiadas
se avermelhavam
quando a brisa do amor passava
Guardavam cadeiras no cinema
pro moço que não chegava
Choravam em convulsão
por Francisco e Santa Clara.
Tremores nas mãos, em dias de prova
Disparos no coração, quando recebiam nota
A chatice
de provar o vestido novo
que ficara torto
A vergonha de vestir
o traje antigo
com mancha de caju
na altura do colo
A barra da saia desmanchada
O sapato de sola desgastada
as meias de algodão afolozadas
E o coração na boca
todo atrapalhado
As cartas de amor nunca postadas
promessas tímidas
desejos contidos
orelhas pegando fogo
retrato em 3 x 4
na bolsa ou no livro
um trevo de 4 folhas
pra garantir o destino
Queríamos correr no tempo
e o tempo nos pegou
Deixou-nos
aonde estou!
Senhora - vó
Querendo comer maçã
Pecar contra o que não fez
Ser feliz sendo o que quis!
a qualquer tipo de carinho
sorriso, mimo...
Rostos distantes
parecem contas
de colares partidos
olhares, bocas...
pérolas escapadas de mim
Sem adereços
esqueço endereços
acendo velas
ilumino lembranças
fragmentos visíveis
O vento traz
o vento leva
a onda traga
espuma de amor
...saturada!
Entreguei os pontos
sem checar os trunfos
meus ases, meus ais...
num jogo comum
E se todos chegassem,
num apelo coletivo?
- Eu ficaria contigo!
Se o tempo voltasse
eu dançaria a valsa dos meus 15 anos
Pediria uma bicicleta no Natal
Nadaria nos rios poluídos
Do Crato até Ingazeiras...
E naquele trem, naquele dia
Teria te visto primeiro
E naquela festa, naquela dança
Me apertaria em teu peito
E naquela noite, naquela praça
te entregaria os meus olhos.
Donzelas de saltos finos e meias desfiadas
se avermelhavam
quando a brisa do amor passava
Guardavam cadeiras no cinema
pro moço que não chegava
Choravam em convulsão
por Francisco e Santa Clara.
Tremores nas mãos, em dias de prova
Disparos no coração, quando recebiam nota
A chatice
de provar o vestido novo
que ficara torto
A vergonha de vestir
o traje antigo
com mancha de caju
na altura do colo
A barra da saia desmanchada
O sapato de sola desgastada
as meias de algodão afolozadas
E o coração na boca
todo atrapalhado
As cartas de amor nunca postadas
promessas tímidas
desejos contidos
orelhas pegando fogo
retrato em 3 x 4
na bolsa ou no livro
um trevo de 4 folhas
pra garantir o destino
Queríamos correr no tempo
e o tempo nos pegou
Deixou-nos
aonde estou!
Senhora - vó
Querendo comer maçã
Pecar contra o que não fez
Ser feliz sendo o que quis!
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
"GEORREFERENCIAMENTO" - José Nilton Mariano Saraiva
Você, refestelado na
poltrona aí do outro lado da telinha, por acaso já ouviu falar em GEORREFERENCIAMENTO
??? Não ??? Despreocupe-se, a palavra parece não constar em nenhum dicionário.
No entanto, saiba que além de complicada, aqui traduz e traz embutida mais uma
grande sacanagem que querem perpetrar contra o Crato e o sue povo, tendo, como
não poderia deixar de ser, Juazeiro do Norte como principal, “inocente” e
privilegiado beneficiário (como o foi com a tal Região Metropolitana do Cariri,
lembram ???).
Agora, entretanto, há
que se atentar para a gravidade do problema que, embora de uma cretinice sem
tamanho, materializar-se-á em curto espaço de tempo se a população e as
diversas autoridades constituídas do município (Prefeitura, Câmara de
Vereadores, Associações Comunitárias, Clubes de Serviço e por aí vai) não
tomarem desde já uma providência enérgica, séria e urgente (mesmo ao custo de
sublevar-se contra a ordem estabelecida).
Fato é que, como já não
têm nada para nos tomar (porquanto através de manobras políticas pra lá de
desonestas – vide a relacionada ao campus da Universidade Federal do Ceará - conseguiram nos tirar tudo), agora a cambada
de Juazeiro do Norte resolveu ser chegada a hora de nos tomar, simplesmente...
parte do nosso território. Sim, senhores, é vero, acreditem e façam fé: um
pedaço do nosso município, com tudo que lhe estiver sobre, poderá ser agregado
a Juazeiro do Norte (via componente político).
Evidente que
inconfessos interesses permearam tal situação. Assim, aproveitando que as
nossas fronteiras municipais são imaginárias (assim como o são as estaduais),
deu-se a articulação política via Secretaria de Planejamento do Estado do
Ceará, Assembléia Legislativa, Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará, Associação
de Prefeitos do Ceará e União dos Vereadores do Ceará, e tendo como cabeça o
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), chegou-se ao plano de
se partir para uma tal “redefinição das fronteiras municipais” (objetivando o
quê, mesmo ???).
Que, no caso
específico, nada mais será do que “fatiar”, “dividir” ou “repartir” o nosso
município entre Juazeiro do Norte, Barbalha, Farias Brito e Caririaçu. Claro
que o maior quinhão – o distrito Santa Rosa, - onde futuramente seria instalado
o nosso parque industrial, será destinado a Juazeiro do Norte.
A conseqüência disso
tudo ??? A se concretizar tamanho golpe, nossa população decairá, os eleitores
do município decrescerão e, por via de conseqüência, a nossa cota do Fundo de
Participação dos Municípios será reduzida (pois é, além de queda...coice).
Assim, clamando para
que as nossas autoridades acordem, saiam do marasmo, não se acovardem e atentem
para a gravidade e o perigo que corremos (mesmo que tenham que botar a boca no
mundo), e dada à similitude das situações, tomamos a liberdade de anexar o
oportuno...
No caminho
com Maiakóvski
“Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso
jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso
cão, E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada”.
Senhor prefeito, senhores vereadores, povo do Crato: vergonha na cara e vamos à
luta.
A CRISE VEM PELA CORRIDA DA MOEDA - José do Vale Pinheiro Feitosa
O mundo é assim. Já foi diferente. Será outro.
A SERASA EXPERIAN como é da natureza do seu negócio fez uma
pesquisa com um recorte sociológico com base na capacidade de consumo. Desprezou
o território e seu processo socioeconômico. Vamos tomar este caminho.
Antes uma explicação. Os limites do território processo é o
espaço e a atividade humana (política e cultura). Os limites do recorte de consumo
não é a produção e nem a circulação da mercadoria, mas o seu consumo. E no caso
a capacidade de consumo.
Esta capacidade de consumo é controlada por outros fatores
que não apenas a base econômica, por exemplo o poder do Estado, as máfias, as
corporações, as multinacionais, os grupos de interesses ou as elites
organizadas e mais outras organizações culturais como igrejas e tantas outras. Temos
aí o efeito da concentração de poder de poucos repercutindo sobre todos.
Na verdade tal concentração tende a criar uma organização
geral confluente no interesse do poder concentrado e marcar a vida das pessoas
desde as opções de gravidez, passando pelo parto, os cuidados com a criança, a
escolaridade, a inserção no mercado de trabalho e por último a capacidade de
consumo.
Eis que o mundo todo funciona como este todo concentrado.
Por isso vamos sofrer aperto no que se chama crise cambial. O desequilíbrio
geral das moedas, especialmente dos países emergentes. A Argentina e Venezuela,
por exemplo. O big brother americano vai elevar os juros e os dólares
especulativo que faziam a festa dos emergentes vão fugir deles.
A estimativa é que esta corrida vá cair na jugular,
extravasando os dólares que irrigavam as economias emergentes. Com a crise do
país concentrador de riquezas estes dólares estavam na especulação de
commodities e corriam para as economias emergentes para tirar melhores lucros
do que na estagnação econômica americana.
Eles estariam retornando ao leito seguro do poder imperial e
os emergentes em crise cambial. Todo mundo. Inclusive o Brasil, Chile e México
aqui na América Latina. Segundo estimativa o país com menor vulnerabilidade
seria e própria Argentina que já dar cambalhotas.
A crise cambial, se acontecer com a força que se imagina,
será a grande bandeira dos candidatos de oposição: Aécio Neves e Eduardo
Campos. Este é o cenário.
Como todo cenário vejamos as cenas que nele se desenrolarão
pois certamente na história não existe um escritor que defina o enredo todo.
Muito é da percepção social e política. E aí na hora da onça beber vale a
política, as alianças, os sacrifícios aceitáveis, a capacidade de luta e assim
por diante.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
A ESTÉTICA NAZISTA NA MÚSICA - José do Vale Pinheiro Feitosa
O domínio do partido nazista no governo da Alemanha durou 12
anos. Mussolini governou a Itália com o regime fascista por 21 anos. Ambos os
regimes foram derrotados pelas hostilidades externas com guerras entre nações.
Mussolini perdeu o governo com a invasão dos Exércitos
aliados e depois foi fuzilado pelos partisans tentando fugir com a mulher numa
localidade perto de Como. Seu corpo, da mulher e outros membros da hierarquia
fascista ficaram expostos por vários dias em Milão. Hitler teria se suicidaria
num banker militar já com Berlim tomada pelos exércitos soviéticos.
O Estado Novo de Getúlio Vargas durou 8 anos. Foram estas as
ditaduras que nasceram na esteira das crises do liberalismo econômico na
primeira parte do século XX. Na segunda parte as ditaduras tiveram caráter
imperial em função do domínio bipolar do mundo entre os Estados Unidos e a
União Soviética que foram as verdadeiras forças vencedoras da segunda guerra mundial.
Aliás no continente Europeu o grande vencedor foram os russos.
Estes intervalos de ditadura têm tempo para montar uma
estética? Fazer tal pergunta até parece primário, pois é claro que toda
ditadura precisa de símbolos e estes são melhor entendíveis pelos rituais e
pelas artes. E no caso do Nazismo, de tão curta duração, mas tão nefasto a
ponto de se tornar mais evidente do que seu tempo de história de governo, o
centro foi a música.
Mas nenhum governo, mesmo que violento, mesmo que agressivo
é capaz de criar uma estética (ou toda a simbologia) que necessariamente cresce
nos mitos lentos e ardentes do povo. Por isso, além das canções tipicamente
compostas para as instituições nazistas tantas outras foram apanhadas do gosto
popular histórico do povo alemão.
A canção mais marcante da estética nazista é o próprio hino
do partido composta por Horst Hessel, membro ativo da SA e que foi assassinado
por um militante do partido comunista e assim transformado em herói por Goebbels.
Hino do Partido Alemão - Die Fahne Hoch – numa gravação de 1933 (ela também é conhecida por Horst Hessel Lied em homenagem ao compositor.
Outra canção tipicamente nazista é esta Sieg Heil Viktoria
que era a canção da SS.
Outra típica é uma canção militar chamada de Alte Kamaraden
Marsch.
Mas aí temos o que falamos. Canções vindas do século XIX e
mesmo do Século XX que nada tinham com a guerra nem com o partido nazista, mas se
prestavam à exaltação. É o caso do Wester Wald Lied, que foi composta por
Joseph Neushäuser, que se referia a uma cadeia de montanha que fica na região oeste
da Alemanha. O compositor inclusive chegou a ser perseguido pelos nazistas.
Estas canções servem para levantar o papel da música e das
artes na relação humana e em sua organização política e social. Isso é muito
importante pois nem sempre quando ouvimos uma melodia e ela nos remete ao
passado isso seja apenas reflexão da memória entre ela e o momento. Na verdade
ela representa a estética de uma época.
A estética é uma forma de entendermos, também, de onde
viemos e para onde vamos.
Olha quem está falando! - Por Carlos Eduardo Esmeraldo
João
Viana era um tipo popular cratense que viveu aí pelos idos dos anos de
1920 trabalhando nos engenhos de rapadura dos pés de serra do Crato,
principalmente nos Sítios Belmonte, Bebida Nova e Guaribas. Além de
boêmio era um exímio mentiroso. Quando o patrão reclamava por haver
faltado a um dia de trabalho, ele respondia que tinha ido à São Paulo
visitar um irmão doente. Mas como ir à São Paulo e voltar no mesmo dia?
Coisa impossível, naquela época, quando nem automóveis existia no Crato.
E ele, na maior cara de pau, respondia: "Descobri um caminhozinho por
trás do Seminário do Crato, que saí de manhã cedo e voltei à tardinha".
Nos dias atuais, com o desenvolvimento das modernas tecnologias, histórias como as de João Viana podem ser verossímeis. Recentemente, eu li numa reportagem da Revista Carta Capital do último dia 22, enviada de Las Vegas, nos Estados Unidos, pelo jornalista Felipe Marra Mendonça, que aconteceu naquela cidade no início deste mês ainda em curso, a Feira Internacional de Tecnologia. E a grande novidade dessa feira é que as gigantes coreanas Samsung e LG lançaram produtos eletrodomésticos que se comunicam entre si e também com seus usuários. Tanto eles falam para o dono, como entendem o que lhe dizemos.
Já imaginaram avisar à nossa geladeira: "hei, vou hoje ao Crato, passarei uma semana fora." E a geladeira responder: "Boa viagem! Vou baixar o nível de refrigeração para economizar energia". E o aparelho de televisão, além de receber ordens para mudar de canal, gravar nosso programa favorito ou ligar no inicio de um telejornal, também poderá gravar tudo que está à sua frente na sala.
Já imaginaram os estudantes mandando o computador resolver o "dever de casa?" Pois agora tudo isso poderá ser verdade. Não precisamos duvidar mais do João Viana!
Nos dias atuais, com o desenvolvimento das modernas tecnologias, histórias como as de João Viana podem ser verossímeis. Recentemente, eu li numa reportagem da Revista Carta Capital do último dia 22, enviada de Las Vegas, nos Estados Unidos, pelo jornalista Felipe Marra Mendonça, que aconteceu naquela cidade no início deste mês ainda em curso, a Feira Internacional de Tecnologia. E a grande novidade dessa feira é que as gigantes coreanas Samsung e LG lançaram produtos eletrodomésticos que se comunicam entre si e também com seus usuários. Tanto eles falam para o dono, como entendem o que lhe dizemos.
Já imaginaram avisar à nossa geladeira: "hei, vou hoje ao Crato, passarei uma semana fora." E a geladeira responder: "Boa viagem! Vou baixar o nível de refrigeração para economizar energia". E o aparelho de televisão, além de receber ordens para mudar de canal, gravar nosso programa favorito ou ligar no inicio de um telejornal, também poderá gravar tudo que está à sua frente na sala.
Já imaginaram os estudantes mandando o computador resolver o "dever de casa?" Pois agora tudo isso poderá ser verdade. Não precisamos duvidar mais do João Viana!
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
O CAOS DA MÍDIA - José do Vale Pinheiro Feitosa
Em 29 de setembro de 2006 um Boeing 737-800 SFP da Gol
Transportes Aéreos, num voo entre Brasília e Manaus, foi praticamente jugulado
caindo feito uma pedra após receber o choque de uma aeronave bem menor. Era o
voo 1907 e nele morreram 154 pessoas.
O acidente gerou uma insegurança geral a respeito da
qualidade do controle aéreo brasileiro. A grande mídia partiu para cima e fez o
diagnóstico de um caos aéreo no país, com má fé, misturando então os frequentes
atrasos decorrentes do boom de passageiros que antes não haviam subido numa
avião e agora embarcavam em passagens mais baratas e financiadas.
A mídia criou um clima de desestabilização política quando
em 17 de julho de 2007 um Airbus A320-233 da TAM, pousando em Guarulhos, que
não conseguiu parar e foi terminar em tragédia matando todos a bordo. Na época
o repórter da Globo Rodrigo Bocardi (atualmente na bancada do Bom Dia Brasil) foi
até a pista de Guarulhos para mostras que não existiriam nela as tais ranhuras
que serviriam para frenar o avião.
Era uma tese descida como um julgamento político. O
Movimento Cansei pegou carona carregando na passeata senhorzinhos e madames globais
na ação política. Mas aí a avaliação técnica mostrou outra coisa e quando houve
o desmentido, a Televisão Globo manipulou uma imagem de uma janela do Palácio
do Planalto quando um Assessor do Governo fez um gesto de alívio com o
problema, então, politizado pela própria Globo.
Não se tratava de notícia. Tudo era a velha técnica do
marketing político, era a velha forma de atacar os inimigos com as técnicas
inovadoras da mídia. Ai nós que não somos idiotas, mas que fomos soterrados por
uma avalanche que mostrava o caos no controle aéreo brasileiros estamos
defronte de uma nova notícia negando todo o clima.
A Civil Air Navigation Service Organization (CANSO), sediada
na Holanda publicou em sua revista Airspace Magazine uma matéria de capa sobre
o bem sucedido controle do espaço aéreo do Brasil durante a RIO +20, a Copa das
Federações e a Jornada da Juventude. Todas são ocasiões em que o controle
brasileiro estava preparado para uma elevação no tráfego aéreo em até 30%. No
entanto o crescimento foi de 18%.
Importante, a Rio +20 aconteceu em Junho de 2012, portanto
entre cinco e seis anos após os referidos acidentes. Se houvesse um caos no
controle aéreo esse necessariamente seria de infraestrutura e de recursos
humanos e nesse intervalo não haveria mudanças entre o caos e um controle sobre
stress de aumento de voos.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Veronika, a Primavera Chegou! - José do Vale Pinheiro Feitosa
Todos temos disto. Fiquei amarrado numa canção que ouvi na
trilha sonora do filme Lili Marlene do diretor alemão Reiner Werner Fassbinder.
Não me contive enquanto não encontrei seu nome e a ouvi. Chama-se Veronika, der
lenz dar is.
Veronika, der lenz dar is - Max Raabe & Palast Orchester
Veronika, der lenz dar is, que se traduz por “Verônica, a
primavera chegou”, é uma canção dos anos 20 de Walter Jumann e letra de Walter
Borchert.
Walter Jumann, nasceu na Áustria, abandonou o estudo de
medicina para se dedicar à música, sendo um dos grandes compositores alemães.
Recebeu enorme influência da música americana e nos anos 20 e bem no início dos
30 viveu em Berlim onde o seu maior sucesso foi Veronika, der lenz dar is.
Com a ascensão do nazismo e início da guerra, vai para Paris
e depois para os Estados Unidos onde compõe para vários filmes. Uma das mais
marcantes foi San Francisco do filme do mesmo nome de 1936.
Veronika, der lenz dar is, é um foxtrot e teve muito sucesso
na Alemanha com o conjunto vocal Comedian Harmonist que era um conjunto vocal
alemão que também sofreu perseguição nazista em razão de três membros serem
descendentes de judeus. Terminou por se dissolver, com parte do grupo indo
viver nos Estados Unidos.
Veronika, der lenz das is - Het Fluitekruidt
O mais interessante é que o radicalismo do nacionalismo
nazista não conseguiu impor integralmente seu novo estilo. Especialmente o
marcial. O exemplo clássico é o Lili Marlene gravado por Lale Andersen que era
uma canção suave e amorosa na contramão da marcha de guerra.
Goebbles em uma das suas famosas idiotices (era genial em
propaganda mas curto em sabedoria) chegou a proibir Lili Marlene e pôs Lale
Andersen na geladeira. Mas os soldados queriam Lili Marlene e na voz dela e ele teve que dar vida à
cantora e até mandou fazer uma nova gravação com cornetas e tambores.
Enfim, o que quero dizer é que mesmo com o clima do nazismo,
se misturou o mundo nele e no filme Lili Marlene de Fassibinder com trilha
sonora de Peer Raben, apareceu esta bela Veroniza, der lenz dar is. Vejam que
as cenas e acompanhem um pot-pourri formado por Polestädtchen, Westerwadlied duas músicas realmente militares e
finalmente Veronika.
Mesmo que só orquestrada, a primavera sempre vem com o verde
e a esperança que se multiplica em vida.
Polestädtchen, Westerwallied e Veronika - cenas do filme Lili Marlene trilha de Peer Raben
A partir da tradução para o inglês da letra original em Alemão cheguei a esta em português que segue de Veronika, a primavera chegou:
Verônica, a
primavera chegou,
As meninas
estão cantando trá lá lá
Todo o mundo
está enfeitiçado
Verônica, o
aspargo cresce,
Oh, minha
Verônica, o mundo é verde.
Então vamos
nos soltar nas florestas,
Mesmo o avô
diz para vovó,
Verônica, a
primavera chegou.
As moças
riem, os rapazes falam,
Mocinha,
você quer ou não sabe
Lá fora
temos primavera,
O poeta Otto
Licht,
Diz que é
seu dever,
Escrever
este poema.
Verônica,....
Eles se regozijarão,
a primavera chegou,
Todo mundo
foi enfeitiçado,
Veronika, o
aspargo cresce,
Oh minha
Veronika, o mundo é verde
Então vamos
andar na floresta,
Meu caro,
bom, o grande vovô,
Diz à minha
querida, boa, avó
Veronika, a
primavera chegou.
Veronika, der lenz is da - Comedian Harmonist - versão que deu sucesso à melodia
sábado, 25 de janeiro de 2014
A BOMBA DEMOGRÁFICA DE BILHÕES DE MEGATONS - José do Vale Pinheiro Feitosa
Pronto! A
demografia voltou aos calos dos conservadores. Lembram das famosas previsões de
Thomas Malthus? “As bombas demográficas” estão de volta. A catástrofe que
assusta aos bens estabelecidos do Império (então o Inglês) e hoje das
Multinacionais (que formam um todo orgânico a dirigir a humanidade).
As ditaduras
são regimes que procuram eternizar os privilégios de classe. Ou quando nascidas
no corpo de uma revolução, para estabelecer os privilégios da classe que a fez.
As multinacionais (o organismo do 1% que carrega o desastre humano) têm horror
a mudanças demográficas.
O que
significarão para o consumo, o investimento e a acumulação subsequentes?
Olhem estes
dados: daqui a cinco anos existirão 1 bilhão de pessoas com 60 anos e mais. Uma
marca central do século XXI: o envelhecimento da população.
Enquanto no
atual século a população mundial duplicará (passando de 6 para 11 bilhões) a população
com 60 anos e mais aumentará 5 vezes, passando de 610 milhões para 3 bilhões.
Isso quer dizer que em 2100 um quatro da população estará nessa faixa etária.
Três coisas
contribuem para a velocidade e o resultado desses números: no passado recente
houve uma alta taxa de fecundidade (exatamente por razões opostas a Malthus ou
seja, por aumento da produtividade na produção de alimentos), agora houve uma
redução drástica nas taxas de fecundidade e um aumento da esperança de vida ao
nascer (a probabilidade da maioria das pessoas atingir uma certa idade).
Para se ter uma
ideia do que significa o aumento da esperança de vida: no ano 1000 DC ela era
de 24 anos, em 1820 na Europa Ocidental e nos EUA ela era de 26 anos.
Atualmente no Japão e Coreia essa taxa é de 81 anos, a dos EUA 79 e a América
Latina atingirá 75 anos. A África nestes termos tem o mais baixos resultados.
A manutenção do
quadro econômico de privilégios e sob a tutela de jogo capitalista das
multinacionais e do sistema financeiro se torna instável. Muitos velhos
significa menor produtividade por redução de atividade e aumento de gastos com
cuidados de saúde e gerais. Isso desvia o jogo completamente.
Poderia haver
uma face otimista. Sim. Mas com uma revolução histórica, com sistemas mais
igualitários, onde conquistas científicas não sejam negócios exclusivos e
mediados apenas por renda e salários, onde a solidariedade, o amor e humanismo
prevaleçam sobre os individualismo do grande acumulador de grana.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
O Grande Forró - Aloísio
O Grande Forró
O céu todo estrelado
De balão está bordado
Pois hoje vai ter festa
Desculpe não é modesta
Os artistas preparados
Vem gente de todo lado
De Bodocondó a Caicó
Pra dançar nesse forró
Sem ter beijado a lua
Zé do Norte desceu a escada
Com uma nova namorada
Pra da festa participar
Encontrou-se com Abdias
e sua sanfona de 8 baixos
Também já indo pra lá
Pra festa poder animar
Chegando lá da Saúde,
Um bairro de Salvador
Gordurinha, sim senhor
Na festa ele adentrou
Lembrou Belém do Pará
Trouxe Ary Lobo de lá
Que descansava na lua
Pra do forró participar
De São Vicente Férrer
Chegou a grande Marinês,
Jacinto veio das Palmeiras
dos Índios das Alagoas
Com todas as tribuzanas
Sivuca de Itabaiana
De Pedreiras, Maranhão,
do Vale, que é João
De Alagoa Grande
Nas terras da Paraíba
Chegou Jackson do Pandeiro
Com seu ritmo por inteiro.
Do alto do seu reinado
De Exu bem preparado
Luiz Gonzaga chegou
Mas uma ausência notou
Então ele foi falando
Com sua voz de trovão
– Vamos
até Garanhuns
Pois está faltando um
Pra esta festa completar
Aproxime Dominguinhos!
Com a sanfona direitinho
Que o forró vai começar.
Então nessa grande folia
Sem hora para acabar
Juntos tocaram e cantaram
Xaxado, coco e baião
E eu, que pude participar
Do sonho fui despertando
E o coro entoando inteiro:
– Desperta este brasileiro.
ESTRELA SIEBRA - José do Vale Pinheiro Feitosa
As estrelas são
luzes. Por luzes são tempo. São mudanças.
Há muito tempo os Astures, 22 tribos dos clãs Pésicos viviam
na Galícia, no noroeste da Península Ibérica.
As estrelas
impressionam pela humildade de esconder-se às luzes da cidade.
Os Romanos dominaram e a Astúria se fez Hispânia e sua
capital Urbs Senabrie.
Estrelas em
constelações, em nebulosas tão imensas que a imensidão se torna minúscula.
Os tempos bordam novas imagens e os bárbaros engoliram o
império Romano, o Catolicismo dominou os bárbaros e tudo se tornou Paróquia de
Sanabria ou Povo de Sanabria.
Estrelas que assustam
e este cego pelas luzes da cidade, qual formiga no nos ductos do formigueiro,
nunca enxergam o universo além dos restritos fardos da civilização.
Mem Rodriguez de Sanabria, herdou estas terras, tentou
salvar um rei e foi traído por outro e se aliou ao reino de Portugal para
retomar suas terras.
Estrelas que fluem no
ser como aquelas ladainha ao pé do oratório, à luz de vela a dizer: stella
matutina, ora pro nobis.
Na Vila da Feira, na cidade do Porto, a família Sanabria
começa sua saga na colonização do Brasil. Especialmente no nordeste. E nesta
história se tornaram Seabra. Se tornaram SIEBRA.
Estrelas do feto,
estrelas do nascimento, estrelas do filho e da mãe, estrelas da infância, da
adolescência, do avô, do avô, do avô das estrelas.
Avô das Stelas.
O SOFRIMENTO QUE DENUNCIA - José do Vale Pinheiro Feitosa
Temos, simultaneamente, em nossa estrutura humana a
mortalidade e a imortalidade. Ou seja, o tempo que se acaba e ao mesmo tempo a
eternidade. Isso decorre de alguns atributos humanos: a memória, a
racionalidade, a capacidade de fazer arte, portanto, de transcendência e o
conjunto de ações compreendidas como cultura e política. Sujeitos da ação que
somos, mesmo que mortais, nos expandimos além do corpo e do tempo
(transcendência).
Vivemos o desastre de um ambiente formado numa civilização populosa,
quando a consciência do território é o próprio planeta e não mais um pequeno
trecho de terra. Todo orientado por concentração de decisões em poucas mãos
(daí se origina a palavra imanente) funcionando em “jogos econômicos” que
transpõem os atributos humanos. Daí e importância da democracia popular.
A decorrência das decisões dos “barões do dinheiro” e de
seus “jogos econômicos” é a brutal urbanização aliada a enormes privações
sociais que atingem sobretudo migrantes e mulheres. Assim a cidade de São
Paulo, o maior símbolo do desenvolvimento capitalista brasileiro, aquele que
mais se aproxima do modelo dos Estados Unidos, tem alto índice de transtornos
mentais. É a segunda cidade do mundo em relação a esses problemas, só perdendo
para uma cidade americana.
São Paulo e sua região metropolitana segundo o Instituto de
Psiquiatria do Hospital das Clínicas poderia ter 29,6% da sua população com
transtornos mentais tais como ansiedade, mudanças comportamentais e abuso de
substâncias químicas.
Estudo da Organização Mundial de Saúde estima que 700
milhões de pessoas sofrem algum tipo de transtorno mental, sendo a segunda
causa de invalidez. A depressão é a principal de transtorno mental. A
estimativa é que 300 milhões de pessoas sofrerão depressão e 90 milhões terão
problemas por abuso com substâncias químicas.
Os transtornos mentais são a terceira causa de longos
afastamentos do trabalho por doença. E mais nítidas são as evidências do jogo do
capitalismo nessa origem segundo estudo da Faculdade de Saúde Pública de São
Paulo. “Ambiente de trabalho com pouco apoio social, excessivas demandas e
baixo controle sobre tarefas, recompensa inadequadas comparada ao esforço de
trabalho e comportamento individual excessivo.”
A conclusão mais próxima é que o componente de eternidade
humana não suporta a permanente exploração e decisões que apenas respondem a um
jogo de interesses restritos. Tudo leva a crer que os transtornos mentais não
apenas são consequências do desastre desta situação como inclusive seja uma
resposta de negação a ele.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Só Um Pensamento.
Bendito é o tempo que ruge
que urge, que busca, que traz
que surge, que abafa, que rebusca
e mostra para nós, que somos o destino
e que a vida tem jeito, que o amor
não necessita ser infinito, porque ele acontece
na linha do mundo, sem elaborar finitude
nos abarca e nos laça no melhor ritmo da existência.
Beijos, mil beijos, Socorro e todos do Azul Sonhado.
Um "adendo" necessário - José Nilton Mariano Saraiva
Lendariamente, “milagres” são fenômenos que não acontecem todos os dias.
E mais: tal qual um raio, não caem (ou ocorrem) num mesmo local. E exatamente
por isso, por serem raros, esporádicos, estanques e solitários, guardam certa
curiosidade.
A reflexão é para lembrar que o jornal O POVO (deste 19.01.14, página
38) nos informa que quando do (suposto) “milagre da hóstia”, nada menos que 93 (noventa
e três) “encenações” ocorreram no interstício de 02 anos, e todas na “capela-teatro”
do Socorro, em Juazeiro do Norte. Com data e hora previamente marcadas pra
acontecer.
Assim, em vista da “previsibilidade” e da atuação de “multiplicadores”, de
pronto deu-se a adesão de glebas de paupérrimos fanáticos de outros estados do
Nordeste. E o script era sempre o mesmo: o padre esperto, a beata inocente e,
vapt-vupt, fiat-lux: o (suposto) “milagre” se materializava. Sem maiores
delongas. Precisão de um relógio suíço. E assim, face à incessante difusão,
exponencialmente as platéias cresceram, daí terem sido necessárias a repetência
de incríveis 93 (noventa e três) “encenações” do (suposto) “milagre da hóstia”.
Resultado: física e organicamente debilitado, o “instrumento” provocador
do tal (suposto) milagre (Maria de Araújo) entrou em acelerado processo de
“saturação”. E como continuou sendo irresponsavelmente usado sem maiores
cuidados, o “instrumento” (Maria de Araújo) faliu. Porque explorada à exaustão.
De forma desumana e insensível.
Assim, quando tardiamente a Igreja acordou para o tal “fenômeno”, o
(suposto) “milagre” já atingira o objetivo colimado: beneficiar Cícero Romão
Batista. Que só então foi “descredenciado” pela hierarquia da Igreja Católica e
expulso das suas hostes, acusado de “charlatanismo”. O resto da história
todo mundo já sabe: ingressou na política e ficou rico.
Portanto, este é um “adendo” que se faz necessário à nossa postagem
anterior (“Os 100 anos de Maria de Araújo”) vez que objetiva mostrar que,
contrariando a lenda, em um mesmo local (“capela-teatro” do Socorro, em
Juazeiro do Norte), foram 93 (noventa e três) as “encenações” na tentativa de
“viabilizar” o tal (suposto) “milagre da hóstia”. Na realidade, uma fraude
grotesca, engodo sem tamanho, forçação de barra sem precedentes. Tanto que o
Vaticano, por assim considerar, até os dias atuais não o reconheceu (mas o fará
algum dia, por imposições político-mercantis, disso não tenham dúvidas).
Agora, aqui pra nós: “milagres” aos borbotões, produzidos como se fora
em “escala industrial” merecem mesmo alguma credibilidade ??? Onde já se viu algo
tão anômalo, excêntrico e extravagante ???
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