por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O Natal já vem...





Noite.Noite como qualquer outra.Especial como nunca, nenhuma outra,
Estou num tempo que parece passado, corre no presente, e aguarda futura paz.
As pessoas continuam sumindo... Vontade de reencontrá-las. Isso acontece no campo das lembranças ou sonhos.
Busco harmonia a despeito das perdas e desencantos (eles me acordam fora de hora).
Abro a janela pro céu, e vejo estrelas, mesmo quando escondidas, preparadas para um choro natureza. Grama do jardim goteja o pranto dos anos  idos. Umedece e refresca a aridez de todas as saudades.
O Cariri, graças à China, está iluminadíssimo! Cortinas de luzes piscantes, coloridas, transformam a paisagem, sempre linda!
Ainda espero o Natal  com imagens da Sagrada Família, e aquelas canções natalinas. A magia desta época começa na infância: missa do galo, peito de peru, castanhas, rabanadas, passas, biscoito champanhe, guaraná ...
Nossos brinquedos eram compartilhados nas calçadas, na manhã do dia 25.Papel de seda, laços de fita, caixas de todos os tamanhos expressavam a generosa economia das famílias.
O papel  finalmente invertido. Eles nos deixaram como herança  a missão da paternidade. Imitamos-lhes,internalizado, o olhar cristão de família, numa noite feliz!
Desejo a todos, dias de festa, com muita paz, saúde e amor!
Beijo com ternura os amigos do meu sonho azul!
Um abraço especial  nos aniversariantes do mês: Magali, João Marni,Zé Flávio, Zé do Vale...
-Gente do nosso coração!

Socorro Moreira

Natais



NATAIS
J. Flávio Vieira

                               A casa  , meio enterrada na depressão do terreno da fazenda, com sua  capela em vis à vis e seu pé de fícus  frondoso,   acolhendo a calçada alta e os longos bancos  de madeira, carregava um certo ar de magia e mistério.  Tingia os olhos deslumbrados do menino com tintas de acolhimento e medo. Durante o dia , o casarão quase nem sequer se delineava ante a imensidão do quintal, as delícias do pomar, a líquida lâmina da lagoa logo abaixo. À noite, no entanto, avolumava-se a casa, agora sem concorrência, embebida nas suas majestáticas sombras , só penetradas , aqui e ali, pelo fraco foco , em pino, dos candeeiros a querosene. As paredes  dir-se-iam mata-borrões prenhes de passado, de fantasmas, de sonhos , desejos e  (des)ilusões alimentados por muitas e muitas gerações.
                         Na salinha da frente , que se abria logo após à porta principal , a grande mesa com seus tamboretes parecia acolher anfitriões novos e pretéritos. A cozinha ,de um lado, com seu enorme fogão de lenha, com o teto negro de pucumãs , olhava desconfiada para o sótão, no alto, que avaro guardava o milho, o arroz e o feijão em palha,  da última safra. Do outro lado,  a casa se estendia num largo corredor que  se abria para vários quartos, como um rio que desaguasse em seus afluentes. O primeiro, à direita, era o do avô, com uma pequena cama de casal , um baú de pregaria e uma janelinha que se abria para a vista privilegiada  da calçada frontal , do fícus e da capela.Na parede , uma velha espada da Guarda Nacional.  O outro era a do tio padre que ali não morava,  mas que se guardava com desvelo quase arqueológico, intocável, esperando as cada vez mais raras visitas. Defronte , uma sala enorme, com uma infinidade de armadores  , postos frente a frente ,nas duas mais largas paredes, prontos a suportarem o peso de incontáveis redes. A cozinha e a sala maior possuíam portas que as ligavam ao vasto quintal da fazenda.                               Nas férias , a algazarra dos netos, como uma praga de gafanhotos,  tomava  conta  daquele vasto universo, para o desespero dos pássaros, das fruteiras, dos fantasmas, do avô e da avó. A gurizada vinha da cidade, de casas apertadas, onde as ruas já tinham sido engolidas pelos carros, sujeitos ao freio de mão dos pais e professores. Na fazenda eram como  graúnas sem as tariscas da gaiola.
                        Durante o dia, os meninos se espalhavam nos vastos horizontes da fazenda: o sítio, a lagoa, a caça, a pesca.  À noite, aquietavam-se ante o cansaço e o poder hipnotizador das sombras. Talvez, por isso mesmo, detentores dos mistérios da ressurreição, o Natal nunca lhes pareceu uma data especial. Carregavam consigo já a magia do renascer . Ademais, o Papai Noel  sempre se mostrara uma figura urbana e que não gostava das pequenas chaminés impregnadas de fuligem e pucumãs. Os meninos, por isso mesmo, nunca precisaram daquele velho distante e preconceituoso, aprenderam a se virar sozinhos, teciam seus próprios brinquedos : o pião , o triângulo, a peteca, a bola de meia, o carrinho de rolimã . Não bastasse aquela existência colorida que já era uma dádiva da natureza, se autopresenteavam.
                        Naquele ano, no entanto,  aquela regra imutável foi quebrada. O menino , na inocência dos seus seis anos, acordou, no Natal, com um presente colocado abaixo da rede em que dormira no grande corredor da casa de fazenda. Uma garrafinha de uma bebida sofisticada e nobre : um Guaraná Champanhe. Sobrenadava a garrafa num mar de urina : o menino ainda tinha aquela mania feia de urinar na cama. Rápido o guri lavou-a com a água do pote e ,com ajuda do avô, abriu-a. Degustou o refrigerante, em temperatura natural , como um sommelier que apreciasse um Bordeaux de ótima safra. 
                        Desde aquele dia que o meninozinho procura  o inefável gosto daquele guaraná nos outros muitos sabores que a vida lhe tem ofertado. Sem sucesso. Talvez porque as noites tenham pouco a pouco ficado mais longas e os dias mais curtos;  as sombras  agora já não flutuam , mas se balançam nas redes; os Natais vão tomando nuances de sexta-feira santa .  E o menino, ao contemplar-se no espelho, percebe que lhe cresceu, inexplicavelmente, uma grisalha barba como a do Papai Noel e tem ficado cada vez mais ranzinza e parecido com o avô.

Crato, 19/12/13

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Parabéns, Mons.Ágio Moreira!





Hoje, dia 18 de dezembro de 2013, o apóstolo Músico Ágio Augusto Moreira, completa 70 anos de sacerdócio.
Dia 08, próximo passado foi o jubileu de prata da Capela de  Nossa Sra das Graças, construída por Monsenhor Ágio.
Por tudo que este insigne religioso contribuiu e contribui  pela nossa cultura artística e religiosa, a sociedade cratense deve-lhe incondicional  gratidão!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A hora para reler Eliot

ESCRITO POR T. S. ELIOT | 13 DEZEMBRO 2013 
ARTIGOS - CULTURA

eliot
Nota de Rodrigo Gurgel:
Por que voltar aos ensaios de T. S. Eliot? Foi o que me perguntei quando selecionava os textos que pretendia analisar no curso “A Descoberta do Ensaio”. Os trechos abaixo, retirados de “O que é um clássico?” – originalmente escrito como um discurso à Virgil Society, proferido em 1944 –, respondem à pergunta; e também corroboram o que Russell Kirk disse a respeito de Eliot: “É possível que em uma distante época futura, quando a história do século XX parecer bárbara e desconcertante como as crônicas da Escócia medieval, a aguda perspicácia de Eliot deva ser lembrada como a luz mais clara que resistiu às trevas universais”. Pensamento que me leva a repetir o que afirmo a alguns amigos: esta é a hora para reler Eliot.


Evolução da língua e maturidade da literatura
A maturidade de uma literatura é um reflexo da sociedade dentro da qual ela se manifesta: um autor individual – especialmente Shakespeare e Virgílio – pode fazer muito para desenvolver sua língua, mas não pode conduzir essa língua à maturidade a menos que a obra de seus antecessores a tenha preparado para seu retoque final. Por conseguinte, uma literatura amadurecida tem uma história atrás de si – uma história que não é apenas uma crônica, um acúmulo de manuscritos e textos dessa espécie, mas uma ordenada, embora inconsciente, evolução de uma língua capaz de realizar suas próprias potencialidades dentro de suas próprias limitações.

Criatividade
A persistência da criatividade em qualquer povo consiste [...] na manutenção de um equilíbrio coletivo entre a tradição no sentido mais amplo – a personalidade coletiva, por assim dizer, consubstanciada na literatura do passado – e a originalidade da geração que se encontra viva.

Presente, passado e futuro
[...] Enquanto estivermos dentro de uma literatura, enquanto falarmos a mesma língua e tivermos fundamentalmente a mesma cultura que produziu a literatura do passado, desejaremos conservar duas coisas: o orgulho de que nossa literatura já se cumpriu e a crença de que pode ainda cumprir-se no futuro. Se deixássemos de acreditar no futuro, o passado deixaria de ser plenamente o nosso passado: tornar-se-ia o passado de uma civilização morta.

Nefasto provincianismo
Em nossa época, quando os homens parecem mais do que propensos a confundir sabedoria com conhecimento, e conhecimento com informação, e a tentar resolver problemas da vida em termos de engenharia, começa a emergir na existência uma nova espécie de provincianismo que talvez mereça um novo nome. É um provincianismo, não de espaço, mas de tempo, aquele para o qual a história é simplesmente a crônica dos projetos humanos que têm estado a serviço de suas reviravoltas e que foram reduzidos à sucata, aquele para o qual o mundo constitui a propriedade exclusiva dos vivos, a propriedade da qual os mortos não partilham.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Deu no "Estadão" (de 15.12.13)

Papa questiona contas de bispo do Ceará

D. Fernando, de Crato, já foi convocado pelo Vaticano para dar explicações sobre acusação de irregularidades em venda de imóveis (15 de dezembro de 2013 | 2h 06 - Jamil Chade, correspondente / Genebra - O Estado de S.Paulo)

Um bispo no Brasil está na mira do papa Francisco, que vem marcando seu pontificado com a luta contra a corrupção, a reforma da Cúria e a exigência de posturas exemplares por parte dos religiosos. O bispo da diocese de Crato, d. Fernando Panico, de 67 anos, entrou no radar do chefe da Igreja em Roma depois de inquérito aberto pela Polícia Civil em sua cidade por causa de uma polêmica em torno da venda de casas da diocese e até por acusações de estelionato.
Fontes no Vaticano confirmaram ao Estado que Francisco ainda não tomou uma decisão sobre o que será feito e espera a conclusão das investigações da Justiça. Mas Jorge Bergoglio não gostou do caso. O número de acusações contra d. Fernando Panico não é pequeno. Mas, acima de tudo, fontes no Vaticano revelam que é justamente a atuação de uma diocese como negociadora de imóveis que desagradou ao papa. As investigações foram abertas depois que o bispo foi acusado de ter continuado a cobrar aluguéis das casas de prioridade da diocese, mesmo depois de elas terem sido vendidas. Outra acusação era de que a venda dos imóveis ocorreu sem que os moradores tivessem a opção de compra. O bispo acabou sendo convocado para depor.
O caso chegou até Roma e, em outubro, Panico esteve reunido em duas ocasiões com o papa no Vaticano. Oficialmente, as audiências tinham como meta debater o processo de reabilitação canônica do padre Cícero (1844-1934) e sobre o processo de beatificação de Benigna Cardoso da Silva, mártir da castidade (1928-1941).
Mas um dos temas centrais da conversa foi justamente a cobrança do papa para que Panico desse explicações sobre as denúncias de estelionato e formação de quadrilha. Um primeiro encontro ocorreu com outros participantes, no dia 9 de outubro. Cinco dias depois, o bispo voltou a ser convocado, desta vez para uma audiência a portas fechadas.
D. Fernando, um italiano naturalizado brasileiro, ordenou-se padre em 1971, em Roma. Chegou ao Brasil em 1974 e está à frente da diocese do Crato desde maio de 2001.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Saber e Ação a Fórmula do Acontecer - José do Vale Pinheiro Feitosa

As noites de sábado são a conquista da cidade. Ultrapassar o vão da porta do domicílio e se diluir na solução das ruas. Mesmo que um espaço a mover-se entre a origem e as luzes da cidade afinal por certo que se é movido a tal. 

O sábado é o descanso em sua origem hebraica.

Mesmo que jejum, que recolhimento familiar ou a sinagoga, o sábado é o sujeito que subordina a atividade das obrigações na comunidade. Desse modo subordina a rotina a passos para fora dela mesma. Para os risos, o desejo de um pelo outro, o efeito inebriante dos fermentados e destilados nas noites de sábado (nem tão judaico assim).

O sétimo dia pode até na alçada ocidental não ser o descanso. Mas a sua noite já é domingo desde as primeiras horas. As horas podem se avançar pela madrugada sem que a latência das obrigações se anteponham ao horário do despertar. E tudo acontece porque neste exato dia, abandona-se o modo indicativo de ação e se cai num modo inteiramente subjuntivo.

E toma-se o rumo do encontro, da música, da poesia, dos bares e das estrelas que lá já estão como sempre, mas nesse dia se manifestam com a ousadia dos olhos que já não se congelam apenas no rito da obrigação.

E por ser sábado, houve essa fração de letras apenas para publicar esse maravilhoso ditado. Em tudo maravilhoso, especialmente pela sintética forma de expressar a máxima.


 Um ditado: “Se o velho pudesse e o jovem soubesse, nada há que não se fizesse”.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Procissão ao Siupé - José do Vale Pinheiro Feitosa



A segunda capela do Ceará foi construída na localidade do Siupé. Hoje Distrito de São Gonçalo do Amarante. Há mais de dez anos mais de mil pessoas se juntam em abandono da solidão da urbanidade individualista e rumam ao território de seus ancestrais. Vão como devotos de Nossa Senhora da Soledade e chegam como o manifesto de uma história. Retornam à sua verdadeira origem. Antes seu tipo não existia, eram apenas europeus ou ameríndios. E fazem isso no curso do mais intensa transformação globalizada o Complexo Portuário e Industrial do Pecém. 

Poleiro de Pato




J. Flávio Vieira

                                               Existe coisa , neste mundo, mais suja que folha corrida de político ? Só poleiro de pato ou cara de guri comendo chocolate. Imaginem, vocês, isso numa cidade como Matozinho , perdida no meio das brenhas, onde a única tênue ligação com o resto do planeta se fazia pelo fio telégrafo ? Ali político casava e batizava, totalmente imune ao Tribunal de Contas e à Responsabilidade Fiscal. Ajudava na blindagem uma razão óbvia: a Prefeitura era a grande empregadora da Vila : substituía o comércio pífio e as indústrias inexistentes. Matozinho , como na Divina Comédia, tinha seu céu( os correligionários do prefeito), seu purgatório ( os indecisos)   e  o inferno ( a oposição). Havia uma só arma de grosso calibre que furava a impenetrável blindagem política : a corrosiva língua do povaréu. Aquela sempre se consumara como a defesa única dos oprimidos e espoliados: a fofoca, a intriga, o disse-me-disse, o penicado eterno de oratórios. A maior parte das vezes, claro, as histórias eram verídicas , os escândalos reais, apenas acrescidos de um pouco de Fermento Royal nas praças e nas rodinhas de esquina. Em caso, no entanto, do jornalismo não ajudar, a ficção sacava-se  prontamente como recurso necessário e imprescindível e a cada conto se ia, claro, acrescentando um ponto, até que toda a trama estivesse urdida.  As fofocas eram sempre sussurradas  nos becos e bancos: Andaram me contando... Dizem as más línguas... Vendo o peixe pelo preço que comprei... Esta história tem que ficar aqui, é segredo , se disserem que eu disse eu nego mais que Pedro na Santa Ceia...Quem lá tinha coragem de enfrentar de peito a máquina forrageira da prefeitura ?
                                   As regras , no entanto, mudaram naquele dia em Matozinho, devido , se acha, a alguns fatores depois devidamente arrolados. Jojó Fubuia assistira no Rádio Cliper velho do Bar de Godô ao destempero  de um tal de Joaquim Barbosa que saíra , como um soldado de volante , na captura  dos cangaceiros do Mensalão. O homem cuspia fogo pelas narinas como dragão e aquilo impressionou Jojó que sempre teve nariz meio virado para direiteza demais, honestidade excessiva. O certo é que,  depois de umas meropéias, saiu ataiando frango do bar e investiu-se, imediatamente, de virulência judicial , de  super-poderes barbosianos. Na calçada,  já debulhou, com alarido,  todo o feijão com casca do prefeito Sinderval Bandeira:
                                   --- Sinderval, ladrão de galinha ! Devolve o dinheiro do povo que tu anda tomando emprestado, seu miserável ! Pensa que o cofre da prefeitura é teu bolso, é ? Vai pastorar tua mulher , pra ver se diminui teus chifres, seu infeliz ! Tu é como galo, desgraçado, tem chifre até nos pés !
                                   Enquanto, perigosamente, sem nenhum cuidado,  atirava no ventilador o que o povo de Matozinho comentava por debaixo dos panos, Jojó foi cambaleando em procura da Praça da Matriz. Sinderval, àquelas horas, já estava usufruindo aquele sono mais profundo do que o dos justos: o sono dos impunes. Num dos bancos da praça, no entanto, estava esparramado , com alguns amigos, o velho Pedro Cangati, um dos mais antigos chefes políticos da vila, agora na oposição, após a ascensão de Sinderval. O passado de Cangati não tinha sido menos devassado pelo povo que o do atual prefeito. Diziam-no larápio convicto, respondera processo por estupro de uma adolescente que emprenhara dele e, comentava-se , com cuidados mais que redobrados :  depois de velho começara a vazar corrente e deu para andar com rapazinhos  a quem presenteava  com tênis e bicicletas.
                                   O certo é que Jojó, no meio da sua imprecação contra Sinderval, topou num indigesto vis-à-vis com o ex-prefeito Cangati, aboletado no seu banco. Pedro preparou-se para a reação pronta e imediata, caqueando o vazio, em busca da jardineira de doze polegadas. Fubuia fitou-o com aqueles olhos de bêbado --melosos a meio pau-- ,  e, não perdeu a pose. Arrancou, embasado nos argumentos do Domínio do Fato e da Presunção de Inocência, os únicos elogiosos possíveis de se fazer a um político no Brasil:
                                   --- Sinderval, seu safado ! Você devia era se espelhar no exemplo do grande  Pedro Cangati ! Ele pelo menos é um ladrão honesto, um baiotola macho, um estuprador donzelo !

Crato, 13/12/13

"Gratificação" - José Nilton Mariano Saraiva

Todo mundo sabe que o atual prefeito de Fortaleza não passa de um fantoche da família Ferreira Gomes. Que ganhou a eleição em razão do jogo bruto e pesado do atual Governador do Estado, Cid Gomes, que gastou uma fortuna para viabilizá-lo no cargo. Então, agora tá tudo dominado, capital e interior.

Claro que isso teria que ter um preço mais à frente. E está sendo pago desde o dia em que o “afilhado” assumiu o trono da capital cearense. Agora mesmo, por exemplo, tomamos conhecimento que nesses onze meses de gestão os cargos comissionados da prefeitura de Fortaleza saltaram de 3.618 para 4.600; e que nesse mesmo período houve um aumento de 49 para 669 (ou 1.365%) do quantitativo daqueles que recebem da prefeitura gratificação extra mensal de até R$ 5.000,00 (atentem bem para o detalhe: R$ 5.000,00 é só a “GRATIFICAÇÃO” de cada um dos servidores municipais).


Enquanto isso, nesse mesmo período a taxa de homicídios em Fortaleza experimentou um avassalador crescimento geométrico, o povo pobre pena nas portas dos hospitais sem ter quem lhe dê guarida, enquanto os professores da rede municipal vivem em permanente estado de penúria e sofreguidão. 

A pergunta é: em termos de "custo-benefício", esses R$ 5.000,00 de gratificação pagos a um exército de servidores que nada fazem, não seriam melhor empregados se direcionados a uma das carentes áreas acima citadas.  

Tudo foi ilusão


Composição: Laert Santos/Arcilino Tavares


O sol que outrora brilhou em minha vida
Apagou-se, perdeu a luz, não brilha mais
Minha vida é uma noite sem lua e sem estrelas
Os meus sonhos foram somente sonhos e nada mais
E hoje cansado de tudo sigo os meus passos
Na esperança de um dia mais tarde te encontrar
E apertar-te amor em meus braços num abraço
E ver contigo o novo sol brilhar
Como as nuvens que passam vagando perdidas no espaço
Como a gota de orvalho caída perdida no chão
Eu também me perdi vou vagando passo a passo
Na esperança de um dia encontrar uma nova ilusão
E hoje cansado de tudo sigo os meus passos
Na esperança de um dia mais tarde te encontrar
E apertar-te amor em meus braços num abraço
E ver contigo o novo sol brilhar

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

"Fator de verticalização" - José Nilton Mariano Saraiva

A novidade em Fortaleza é que a Prefeitura já anunciou: a partir de janeiro/14 a planta do valor venal do imóvel será reajustada com índices variando entre 17,5% e 35,0%, dependendo da localização, tamanho e por aí vai. Feito o reajuste, aplicar-se-ão índices (de 0,6%, 0,8% e 1,5%) a fim de se calcular o valor do IPTU a ser pago pelo contribuinte.
  
Só que, como 2014 será um ano eleitoral, pra reforçar o “caixa” da prefeitura (e por tabela, o do Governo Estadual, seu aliado), os gênios do mal sacaram da cartola um tal “fator de verticalização” que tá dando o maior rebu e certamente irá provocar muitas demandas judiciais.

É que os técnicos do município já decretaram, compulsoriamente, partindo do pressuposto de que quem gosta de “trepar” (morar em andares superiores de um edifício qualquer) deve tem um maior poder aquisitivo, por via de conseqüência terá que ter seu IPTU bi-tributado, dependendo da altura (andar) em que mora.

Assim, progressivamente, a partir do segundo andar, a taxa de 35,0% será reforçada com mais 1.0%, por andar. Por exemplo: como moramos no 22º andar, vamos ter que pagar os 35,0% normais (aplicado sobre o valor do imóvel) + 21,0% referente ao “fator de verticalização”, totalizando 56,0%. Isso é ou não é bi-tributação ???

A coisa promete “feder” muito, só que os vereadores (“cordeirinhos”) aliados do prefeito e que lhe dão sustentação na Câmara Municipal, tendem a aprovar a proposta da prefeitura, independentemente na grita generalizada da população (em São Paulo, onde não existe o tal “fator de verticalização”, o simples reajuste do IPTU em 35.0% foi obstado pela Justiça).


Apelar pra quem ??? Pro pop-star papa “Chico” ???