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por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
sábado, 2 de fevereiro de 2013
MAIS UM MOTIVO DE ORGULHO PARA D. ALMINA - 2
Thais Pinheiro Callou, filha de José Lívio Callou e Mª Benigna Arraes (Bida), neta de D. Almina Arraes, voltou a brilhar no universo acadêmico. Acaba de ser aprovada no concurso de especialista do Conselho Brasileiro de Oftomologia - CBO. Com o título, a jovem médica cratense está apta a exercer sua profissão em qualquer ponto do território brasileiro. Dra. Thais pretende prestar serviços no Cariri mas antes concluirá curso de pós-graduação na USP, em São Paulo.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
SAUDEMOS FEVEREIRO - UM MÊS TÃO BRASILEIRO
ZODÍACO – Fevereiro – por Daniel Lima
E ao chegar fevereiro
ainda serás imortal
da trágica imortalidade dos palhaços,
das colombinas e dos arlequins.
Fevereiro é o Brasil,
Já vem gingando.
(E o que é gingar?
Não perguntes,
não se diz,
não se explica:
só se vendo (ou fazendo).
Fevereiro desfila
Gosta de ser fevereiro.
Ele se adora.
E porque se adora,
fevereiro samba e ri
e se cobre todo de miçangas.
Há borboletas que não vejo
no jardim de rosas que não tenho.
Mas fevereiro cria
as rosas e o jardim
e as borboletas.
Fevereiro não gosta de Scarlatti
mas gosta de escarlate
e azul
e cores misturadas.
Fevereiro é ligeiro,
um voo de pássaro encantado,
um relâmpago no céu inesperado
(o relâmpago e o céu),
o céu de fevereiro,
a luz fugaz de um fósforo aceso.
A alegria que levas de reserva
colheste-a por certo em fevereiro,
para queimá-la talvez a vida inteira.
Mês leviano, essencial
Eterno e contingente.
No dia em que o perderes
com ele perderás a tua mocidade
e terás assinado antes da hora
um pacto de morte com a tristeza
e seus horrores.
Fevereiro é riso puro.
Um riso puro
é um riso sem rosto
um riso sem figura
a rir
no espaço tempo do riso
sem olhos e sem boca,
um riso absoluto
e em si,
não riso de alguém,
senão que um simples riso puro, riso
sem boca, sem nariz
riso em rosto nenhum
(volto a dizê-lo),
riso que só Kant talvez entenderia
riso só, transcendental,
só riso
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Papagaios & Araras
Acredito que terá sido Pero de Magalhães Gândavo , na sua “História da Província Santa Cruz a que vulgarmente chamamos de Brasil”,
publicado em 1576, que já alertava : os indígenas costumam pintar papagaios
para vender como araras aos viajantes menos atilados. E assim tem sido
historicamente, amigos , desde nossas mais remotas origens : nossas leis mais
rigorosas simplesmente não pegam; as normas mais pétreas sempre têm uma
escapadinha possível; os ritos mais
sagrados banham-se rapidamente em águas profanas; nossas guerras e revoluções
mais sangrentas não pingam uma gotinha de sangue sequer. Culturalmente sempre
há um “jeitinho” para se resolver tudo. Indignamo-nos,
facilmente, com as tragédias que nós mesmos produzimos, seja na vida pública,
na esfera privada, na política, na economia. Entupimos a cidade de lixo e nos
queixamos da sujeira; desmatamos nossas encostas e reclamamos das enchentes;
elegemos políticos corruptos e, depois,
nos revoltamos com os desmandos e os desvios de verbas.
Dias
desses, um amigo tomou uma Topic para Nova Olinda. Ao passar no Colégio
Agrícola, o motorista alertou os passageiros : “Pessoal, coloque o cinto de
segurança que vamos passar no Posto da Polícia Rodoviária!”. Ultrapassada a
vigilância, na altura das Guaribas, ele voltou a informar : “Pessoal, já
passamos do Posto, podem desafivelar os cintos !”. Existe uma conduta mais brasileira
que esta ? Na Expô/Crato e na Festa do Pau de Santo Antonio os políticos locais
providenciam para que se evitem blitz, para que se afastem os bafômetros:
fiscalização demais, eles alegam, pode prejudicar a festa. Dane-se o Código
Nacional de Trânsito! Seque a Lei Seca !
Esta
semana convivemos com a tragédia indizível da Buate de Santa Maria, onde mais
de duzentos jovens perderam a vida. Impossível imaginar tantos ninhos
desfeitos, tantos sonhos prematuramente esmagados, tantas mães e pais à deriva,
sem um profundo sentimento de comoção nacional. E esta, também, é uma
característica bem brasileira: somos solidários e emotivos. Gostamos de nos ajudar
mutuamente. Claro que carregamos conosco preconceitos atávicos. A dor e o
sofrimento no Sul e Sudeste têm um peso bem maior que nos grotões do Norte e
Nordeste. A Seca no Piauí não tem a mesma importância da enchente em
Teresópolis. Constatada a tragédia como em Santa Maria, estabelece-se a corrida
desenfreada em busca dos culpados. “Queremos Justiça!” “Essa calamidade não
pode se repetir !” Rapidamente, posto o excremento no ventilador, muitos sairão
pouco perfumados. De quem é a culpa afinal? Do dono do ventilador? De quem
colocou o excremento nas suas aspas? De quem ligou o eletrodoméstico? De quem
não verificou a funcionalidade do bicho ? Possivelmente, pelas proporções
gigantescas do holocausto de Santa Maria, todos os atores sairão mais ou menos calabreados.
Mas
, no fundo, a mesma história tende a se repetir. Brasileiro não trabalha com
prevenção do fogo, só como bombeiro. No dias que se seguiram ao incêndio, o
Brasil todo começou a fiscalizar as Casa Noturnas e encontraram inúmeras
irregularidades. Todas estavam perfeitamente aptas a refazer a calamidade
gaúcha: esperavam apenas um estopim. Por que não vinham sendo vistas com a
regularidade necessária ? Por que o problema não tinha sido detectado antes e
sanado antes do sacrifício de incontáveis vidas ?
E pior,
amigos, escrevam aí : passados os primeiros momentos da tragédia, sepultada a
notícia por outra mais cabeluda, tudo volta a ser “Como Dantes no Quartel de Abrantes”. Depois do grande incêndio no Grand Circo
Norte-Americano em Niterói , em 1961, o que melhorou na segurança destes
espetáculos ? Quem fiscaliza os Circos, quando chegam nas cidades e quem
verifica a segurança a fim de liberar o
alvará de funcionamento? Após as
enchentes de Teresópolis e Nova Friburgo em 2011, que se fez para que novas
catástrofes não venham a acontecer ? Você se sente seguro em mandar seu filho a
um parque de diversões após as medidas tomadas depois do Acidente no Parque
Hopi Hari em São Paulo , no ano passado ?
Culpados
serão apontados em Santa Maria, processos se arrastarão na justiça, mas a
centenária instituição do “jeitinho” providenciará para que
os responsáveis saiam sapecados, mas ilesos. Só não há “jeitinho” para a
imponderável dor das famílias diante da perda incalculável dos seus filhos
queridos; nem para que essa tragédia anunciada não se repita. Enquanto isso , vamos dando nosso
jeitinho para que os papagaios continuem sendo negociados a preço de araras,
exatamente como há cinco séculos atrás.
J. Flávio Vieira
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
LIXO É LIXO.
quarta-feira,
30 de janeiro de 2013
05:48
O
assunto do lixo é um tema que merece ser bem discutido. Considerando que não
existe quase nada que seja produzido pelo ser humano que não traga consigo uma
proporção de lixo bem importante em quantidade e qualidade, devemos pensar e
conversar bastante sobre o assunto. Quanto mais avançada e materialmente
desenvolvida uma sociedade, maior é a quantidade de lixo que ela produz.
Vivemos sob um sistema econômico onde quanto mais se produz e se comercializa
objetos, melhor para a economia. Então a produção e o consumo são estimulados
de todas as formas. Uma delas é a ideia,
já bem antiga, da "obsolescência programada", onde um objeto, seja
ele qual for, é produzido de maneira a durar um tempo determinado e quebrar
para em seguida ser substituído por outro novo, que terá sua duração também
determinada. Os produtos são testados para saber qual será o seu tempo de uso
e, caso seja necessário, um ou outro de
seus componentes será redesenhado para determinar um tempo menor de utilidade.
As "utilidades" que produzimos e consumimos, para usar
um termo bem interessante e contraditório, são na verdade,
"inutilidades" de todos os tipos. E viram lixo.
Outra ideia que predomina na
produção e comercialização de objetos, que alguns chamam de "bens", é
a de que a embalagem é quase tão importante ou mais importante que o conteúdo.
Assim, grande parte do que o consumidor paga num produto, refere-se à
embalagem, ao seu invólucro e se transformará em lixo imediatamente. Não quero
entrar em detalhes que indicariam que, o próprio conteúdo, muitas vezes, se
constitua em lixo; principalmente alguns comestíveis muito utilizados e que,
com o tempo, serão causa de doenças e estímulo para o consumo de remédios. E
pra onde vão todos estes resíduos, ou subprodutos?
Papel, papelão, garrafas de vidro ou plástico, sacos plásticos de todos
os tipos e tamanhos, caixas, arames, cordões, madeira, e uma infinidade de
materiais são jogados como lixo, mas não são lixo. São materiais reutilizáveis,
é possível transformá-los em outros
objetos. São na verdade dinheiro. Então estamos jogando dinheiro no lixo? Mas quem seria louco de rasgar dinheiro? De
jogar dinheiro no lixo?
Existe também o lixo molhado, ou
orgânico, que se constitui de restos de cozinha (cascas de frutas e legumes,
restos de alimentos) galhos e folhas que resultam de podas e mesmo a grande
quantidade de alimentos que se perdem em feiras
e centrais de abastecimento. Mas será que isso tudo é lixo? Também não!
Todo esse material pode ser utilizado na composição de humus, terra
vegetal, fertilizantes orgânicos e naturais que transformarão qualquer terra
pobre para o plantio em terra fértil e rica para a produção de novos alimentos.
È um processo simples e barato que pode ser utilizado na cidade e no campo
aumentando e enriquecendo a produção de alimentos saudáveis.
Então o que é lixo? Fico algum
tempo pensando e concluo que lixo, lixo mesmo é filtro de cigarro, que não permite
reutilização, e chiclete mascado, que também não serve pra nada. Mesmo os
dejetos humanos e animais, em alguns países, são utilizados como fertilizantes
e na produção de gás combustível. Não falo
em lixo industrial e lixo hospitalar , que são temas que merecem um
estudo à parte.
Vejamos. Se lixo, lixo mesmo, é
filtro de cigarro e chiclete mascado, por que as cidades têm que construir
"lixões" e "aterros sanitários" que poderão se transformar
em focos de doenças, poluir e envenenar lençóis freáticos, causar futuros
desmoronamentos de que estão repletos os noticiários?
Penso que campanhas de educação e
esclarecimento da população sobre a questão do lixo; um bom programa de coleta
seletiva, que inclua a organização de catadores e recicladores; o financiamento
de pequenas empresas recicladoras, demandariam um pouco mais de tempo e muito
menos dinheiro, além de produzir efeitos profundamente benéficos na economia,
na participação popular, na cidadania, na autoestima, e na saúde das cidades e
suas populações.
João
Nicodemos de A. Neto
(jotanikos@yahoo.com.br)
Racismo ou preconceito? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Conceitos
são idéias formuladas sobre determinados assuntos, objetos e entes
reais ou imaginário. Geralmente os conceitos podem ser definidos por
meio de palavras ou outros conceitos já devidamente conhecidos. Nas
ciências que se orientam pelo raciocínio lógico, existem alguns
conceitos que não possuem definição, tidos então por conceitos
primitivos. Já o preconceito é um juízo preconcebido e arraigado no
íntimo das pessoas, de forma discriminatória contra grupos de pessoas
julgadas como inferiores, ou contra seus costumes, regiões ou países.
Quando o preconceito se verifica de forma generalizado, com determinados grupos de pessoas se julgando melhores e mais importantes do que outros, temos uma das formas de racismo.
Acredito que o racismo no Brasil é como fogo de monturo, muito disfarçado, que queima internamente. Avistamos apenas sua fumaça. Mas ele nos atinge quando o pisamos descalços. É difícil de ser apagado, a não ser quando chove torrencialmente, coisa não muito comum por essas épocas de muita seca no coração humano. É claro que não possuímos um racismo de segregação como anteriormente ocorrido na Europa, nos Estados Unidos e África do Sul. Mas alguns exemplos nos dão conta da existência de muitos preconceitos contra grupos de pessoas e lugares.
Há poucos dias tivemos noticias pela imprensa de um casal da alta sociedade carioca, branco, que foi a uma concessionária de automóveis BMW com um filho adotivo de sete anos, negro. Enquanto conversava com o gerente da loja, o menino ficou assistindo televisão na sala dos clientes. Quando então, um dos vendedores expulsou a criança da sala, enxotando-o para a rua. Seus pais ficaram indignados, mas resolveram não formular queixa na polícia em atenção ao gerente, e lançou seu protesto através dos meios de comunicação social.
Outro exemplo com cheiro racista, foi notificado timidamente pela imprensa na última semana. Um capitão da policia de uma cidade do interior paulista orientou sua tropa a revistar todos os negros e pardos que encontrassem pelas ruas, como se pessoas com essas características fossem todas marginais.
No inicio dos anos da década de 1960, um grupo de moças de um colégio do interior cearense excursionou a Salvador. Extasiadas com a beleza da cidade e a quantidade de lojas com riquezas de produtos não encontrados na terra natal, entraram para compras em um grande magazine, como se denominava naquela época. Um dos vendedores negro, muito simpático, encantado com a brejeirice das adolescentes, ao saber que elas eram cearenses, resolveu brincar de forma discriminatória. Foi até a uma seção nos fundos da loja e voltou trazendo uma bacia, uma peneira e uma caneca cheia d'água. Despejou a água sobre a peneira e perguntou às garotas:
- Vocês conhecem o que é isso? Isso aqui é chuva!
Quando o preconceito se verifica de forma generalizado, com determinados grupos de pessoas se julgando melhores e mais importantes do que outros, temos uma das formas de racismo.
Acredito que o racismo no Brasil é como fogo de monturo, muito disfarçado, que queima internamente. Avistamos apenas sua fumaça. Mas ele nos atinge quando o pisamos descalços. É difícil de ser apagado, a não ser quando chove torrencialmente, coisa não muito comum por essas épocas de muita seca no coração humano. É claro que não possuímos um racismo de segregação como anteriormente ocorrido na Europa, nos Estados Unidos e África do Sul. Mas alguns exemplos nos dão conta da existência de muitos preconceitos contra grupos de pessoas e lugares.
Há poucos dias tivemos noticias pela imprensa de um casal da alta sociedade carioca, branco, que foi a uma concessionária de automóveis BMW com um filho adotivo de sete anos, negro. Enquanto conversava com o gerente da loja, o menino ficou assistindo televisão na sala dos clientes. Quando então, um dos vendedores expulsou a criança da sala, enxotando-o para a rua. Seus pais ficaram indignados, mas resolveram não formular queixa na polícia em atenção ao gerente, e lançou seu protesto através dos meios de comunicação social.
Outro exemplo com cheiro racista, foi notificado timidamente pela imprensa na última semana. Um capitão da policia de uma cidade do interior paulista orientou sua tropa a revistar todos os negros e pardos que encontrassem pelas ruas, como se pessoas com essas características fossem todas marginais.
No inicio dos anos da década de 1960, um grupo de moças de um colégio do interior cearense excursionou a Salvador. Extasiadas com a beleza da cidade e a quantidade de lojas com riquezas de produtos não encontrados na terra natal, entraram para compras em um grande magazine, como se denominava naquela época. Um dos vendedores negro, muito simpático, encantado com a brejeirice das adolescentes, ao saber que elas eram cearenses, resolveu brincar de forma discriminatória. Foi até a uma seção nos fundos da loja e voltou trazendo uma bacia, uma peneira e uma caneca cheia d'água. Despejou a água sobre a peneira e perguntou às garotas:
- Vocês conhecem o que é isso? Isso aqui é chuva!
E recebeu o devido troco de uma das excursionistas bastante atrevida, com resposta de conteúdo mais preconceituoso ainda:
- Chuva a gente já conhece, mas negro lá não existe, estamos conhecendo agora.
Não resta nenhuma duvida que temos alguma forma de preconceito racial, herdado desde os tempos da escravatura e que é um cancro difícil de ser extirpado, mesmo com a legislação punitiva que se tem atualmente. O remédio para tais males, contudo não se encontra nas leis. Está no coração do homem. Somente com educação poderemos ter um povo consciente de que todos somos iguais, sem distinção de cor, raça, religião, sexo ou preferências políticas e sociais. O problema maior é que para educar um povo como o brasileiro é uma tarefa árdua, cujos frutos provavelmente serão colhidas daqui a cinqüenta anos. Nos últimos anos temos alguns avanços, embora tímidos, mas muito tempo já foi perdido, desde quando Dom Pedro II deu o grito do Ipiranga.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
- Chuva a gente já conhece, mas negro lá não existe, estamos conhecendo agora.
Não resta nenhuma duvida que temos alguma forma de preconceito racial, herdado desde os tempos da escravatura e que é um cancro difícil de ser extirpado, mesmo com a legislação punitiva que se tem atualmente. O remédio para tais males, contudo não se encontra nas leis. Está no coração do homem. Somente com educação poderemos ter um povo consciente de que todos somos iguais, sem distinção de cor, raça, religião, sexo ou preferências políticas e sociais. O problema maior é que para educar um povo como o brasileiro é uma tarefa árdua, cujos frutos provavelmente serão colhidas daqui a cinqüenta anos. Nos últimos anos temos alguns avanços, embora tímidos, mas muito tempo já foi perdido, desde quando Dom Pedro II deu o grito do Ipiranga.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Tragédia
em Santa Maria: O cinismo da mídia
por Aurélio Munhoz* (CARTA
CAPITAL)
Passadas as primeiras 24 horas após o incêndio que destruiu 231
jovens em uma casa de shows em Santa Maria (RS), o Brasil foca suas atenções
agora na identificação dos culpados por mais esta inominável tragédia urbana.
Natural que seja assim. O que aconteceu neste domingo na cidade
gaúcha foi fruto de uma coleção de indefiníveis aberrações que, por sua extrema
gravidade, causam indignação e merecem punição rigorosíssima.
Ocorre que não são apenas os donos ou os seguranças da casa de
shows, tampouco a Prefeitura de Santa Maria e o Corpo de Bombeiros, que merecem
condenação. O papel que grande parte da mídia está exercendo diante deste drama
humano de proporções colossais, a exemplo do que tem feito em relação a tantos
outros, também se revela abjeto e passível de duríssimas críticas.
A mídia tem todo o direito – e, mais que isto, o dever – de
noticiar tragédias como a que estamos acompanhando, ao vivo e em cores.
Fornecer informações de interesse público é uma das suas atribuições. A morte
de 233 seres humanos, ainda mais nas circunstâncias verificadas na casa de
shows é, obviamente, digna de uma extensa cobertura porque interessa a um
expressivo segmento da sociedade.
As escolas de jornalismo sérias ensinam, porém, que o tratamento
de assuntos desta natureza pressupõe cuidado extremo. Não por acaso. É tênue,
muito tênue, o limite que separa a informação de interesse público da notícia
convertida em espetáculo com objetivos escusos.
Infelizmente, muitos colegas da imprensa (deliberadamente,
inclusive) romperam este limite no caso em análise. Boa parte da mídia está
fazendo a cobertura da tragédia de Santa Maria não com o nobre propósito que
deveria motivá-la – garantir que aberrações como esta não se repitam, algo
possível por meio da divulgação permanente de informações corretas e isentas,
fruto de pesquisa e investigação sérias, revelando seu compromisso com a
sociedade.
Seu propósito é outro – absolutamente vil, porque imoral e oculto:
converter a tragédia dos meninos de Santa Maria em um grande espetáculo
midiático com o objetivo de garantir audiência cativa. De preferência, às
custas das lágrimas do público. É o que se chama, em Teoria da Comunicação, de
“espetacularização” da notícia, ou seja, a sua conversão em um agente não do
bom jornalismo, mas do entretenimento e do cinismo, porque dá a falsa impressão
de que o compromisso primeiro desta mídia é com o público, quando o é de fato,
acima de tudo, com seus patrocinadores.
É um Big Brother de verdade, formado não por beldades vulgares e
sem cérebro, do tipo que costumam freqüentar os realities shows, mas por
cidadãos respeitosos vítimas da irresponsabilidade humana. Sensacionalismo, em
uma palavra, como nos tempos do programa Aqui
Agora, extinto em 1997. Mais brando, é verdade, mas uma forma de
sensacionalismo, de todo modo.
Foi o que aconteceu durante todo o dia da tragédia, quando, por
exemplo, até programas dominicais exclusivamente de entretenimento – inclusive
os conduzidos por não jornalistas – consumiram horas a fio tratando do tema,
mas em tom predominantemente emocional e policialesco, e não informativo.
Tampouco estes veículos sinalizaram o interesse de incluir este tema (a
segurança em casas de shows) em uma agenda permanente de debates.
É claro que não se pode descartar o componente fortemente
emocional que permeia uma tragédia como esta, mas quando se exagera na ênfase
deste aspecto – sobretudo quando esta iniciativa parte de programas
exclusivamente de entretenimento, aos quais não cabe o perfil de noticiosos – e
quando se aborda este tema de maneira superficial gera-se desconfiança sobre os
reais propósitos que margeiam a divulgação do fato.
Não se trata de uma novidade. O histórico de grande parte da mídia
é profícuo neste gênero de cinismo, no âmbito das tragédias humanas. Cito
apenas um caso, já clássico na cronologia de aberrações da mídia: o terremoto
no Haiti, que completou três anos em 12 de janeiro e matou 316 mil pessoas,
convertendo-se em um das maiores tragédias provocadas por causas naturais da
humanidade. Entre elas, Zilda Arns, médica gaúcha fundadora da Pastoral da
Criança.
Fontes ligadas à própria Pastoral da Criança, que continua atuando
na região, informam que pouca coisa mudou de lá para cá. O portal IAI
(International Alliance of Inhabitants) vai além. Comunica que, três anos após
o terremoto, depois do bombardeio inicial de notícias sobre o desastre, o Haiti
foi praticamente esquecido pela grande mídia e pelos organismos de ajuda
internacionais. Mais de 370 mil pessoas continuam vivendo em abrigos temporários,
em péssimas condições. E, o que é quase tão grave, 78 mil (21% do total)
ameaçam ser despejadas. Não bastasse tudo isto, apenas 1/3 da ajuda prometida,
inclusive pela ONU (Organização das Nações Unidas), chegou às mãos do
presidente Michel Martelly.
Não é a grande mídia a culpada por isto, evidentemente, mas é de
se perguntar por que um problema desta gravidade é solenemente ignorado pela
imprensa, que, por sinal, só trata do Haiti ultimamente para criticar a
presença dos militares brasileiros no país, algo plenamente justificável pela
necessidade de combater os roubos, estupros, a violência e demais atos
criminosos nos acampamentos.
Perdoem-me os colegas jornalistas que levam sua profissão a sério,
mas não há como não deduzir, do exposto, que o que realmente move a engrenagem
de boa parte da imprensa neste tipo de situação não é exatamente o interesse
público, ou o sentimento de justiça e de solidariedade às vítimas.
O que se deseja é, tão somente, vampirizar as vítimas das
tragédias. Nesta lógica cínica, importa não garantir espaço permanente às
famílias das vítimas das tragédias, mas oferecer generosa cobertura aos seus
dramas apenas durante o curto tempo em que os corpos dos mortos continuarem
rendendo manchetes e as atenções do público. Até, portanto, o surgimento de uma
nova tragédia que abasteça com sangue fresco a sede por dramas humanos novos
dos que chamam isso de jornalismo.
Os meninos que perderam suas vidas neste domingo, bem como suas
famílias, merecem um tratamento bem mais respeitoso – e não serem citados como
vítimas de uma tragédia dantesca para, depois, serem praticamente esquecidos
pela poeira do tempo, o que fatalmente irá acontecer. Cobrem-me isso, aliás,
daqui a alguns meses. Todas as vítimas de todas as tragédias merecem, aliás,
pelo simples fato de que são seres humanos – e não objetos descartáveis a
serviço de empresários e jornalistas que lançam um olho sob os locais das
tragédias e o outro sob os números da audiência. Triste que seja assim.
*Aurélio
Munhoz é
jornalista, sociólogo, presidente da ONG Pense Bicho e secretário do Comupa
(Conselho Municipal de Proteção Ambiental de Curitiba).
Festival Cordas Ágio, por Pachelly Jamacaru
Belíssimo Concerto para "todas as idades", aconteceu ontem no Teatro Municipal com os Alunos-Mestres do Pe. Ágio a quem fora prestada a devida homenagem! Um desfile de talentos Clássicos e Populares. O que de mais importancia ressaltar... A valorização do repertório dando ênfase às músicas dos artistas do Cariri. Bravôoooo!
A vida é uma tômbola- por socorro moreira
Ninguém prevê, ninguém decide, ninguém escolhe...Não existe livre arbítrio.
Ao mesmo tempo, fazemos escolhas aleatórias, ditadas pela intuição ou sensatez.
Melhor deixar o coração falar, sem esquecer a lógica. Melhor é muito não
pensar, ou pensar bastante, e desistir!
Não existe fórmula. Existe destino!
A dor do mundo se mistura às nossas dores. Difícil deixar o coração tranquilo.
A mesma insegurança que nos faz perder é a mesma que nos protege, nos fortalece,
prevenindo resultados adversos. A gente com o passar dos tempos vai ficando
mais frio, chorando menos, e transformando a doçura em amargura.
Como não perder a ternura?
Como não perder a ternura?
Ela nos salva da infelicidade. Ela nos transforma em generosidade.
Noutros planos, imateriais, perdemos a identidade física. A dor do mundo é a dor da alma. Inferno é não poder fazer nada. Céu é alterar o curso da dor.
É fazer o milagre. É estabelecer a paz, nas perdas, e a plenitude nos ganhos... Sejam grandes ou pequenos.
Viver é lutar a cada dia por passos no caminho que é nosso, mas reúne
outros, infinitos outros.
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