por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


inspiração
é chumbo,

trocado
não dói.

 por Nicodemos

Desejos de fim de ano - por rosa guerrera


Chegamos finalmente ao ultimo mês do ano .E na verdade , parece que foi ontem que brindamos o Natal de 2010. É curioso como o tempo voa a medida que a gente vai envelhecendo.É como se já conhecessemos um por um os efeitos de cada sentimento dentro de nós .
Sinceramente , o que tenho a dizer do ano que se finda ? .Foi ingrato ? Foi . Levou consigo muita gente que eu amava e que hoje trago pra sempre no coração.Tive alegrias ? Também as tive . Conheci pessoas maravilhosas , vivi momentos de ternura , recebi abraços sinceros , dividi sorrisos , enfim : um eterno continuar nos passos da própria vida.

Refletindo direitinho , aceitemos ou não a gente vive num constante circulo vicioso , onde perdas e ganhos , vão fazendo parte do nosso dia a dia . Se por vezes mergulhamos em saudades , rapidamente entendemos que ( como costumo sempre dizer ) a “ fila anda” e temos que continuar nessa fila que a qualquer momento pode ser partida , ou ainda ter o seu prolongamento por muito mais tempo.
Caminhar pela cidade nessa época é um verdadeiro “round’. Vitrines de grandes magazines e praças com vendas a varejo aumentam o comercio com enfeites e presentes de natal. Tudo igualzinho a todos os outros meses de dezembro.
Mas algo muito mais importante eu sei que existe dentro do coração de todos nós quando o Natal se aproxima ..
É aquele desejo que sejam diminuídos os relatos de violência contra as mulheres , que infelizmente este ano atingiu o numero de 58.510 casos , que o Brasil não ocupe mais o terceiro lugar em casos de pedofilia , e que o índice de atropelamentos não chegue ao numero de 50 mil pessoas , vítimas durante este ano.
Que a nossa Justiça seja mais justa, e as nossas Leis sejam modificadas para o progresso do nosso país .
Se tudo isto acontecer , e a impunidade realmente for destruída , tenho certeza absoluta que em dezembro de 2012 , todos nós estaremos brindando no Natal a vitória da paz e o verdadeiro significado da palavra Fraternidade .
por socorro moreira

Mensagem para Normando Rodrigues - meu amigo invisível ! -Por Socorro Moreira

Desenho de Normando

Eu sinto falta daquele moço.
Não é falta solitária...
É solidária!
(Comigo também sentem
muitos outros...)
Chega sempre por um fio invisível
num gestual decifrável
Hoje, ontem...
Às vezes ele chega vestido de Elmano.
Noutras como Nicodemos...

Nos sonhos dos nossos encontros,
Somos felizes!

Histórias de Patativa do Assaré - por Joaquim Pinheiro



01 – Dr. Francisco Valdemiro Nascimento, odontólogo, irmão do conhecido jornalista Antº Vicelmo, “mancava” numa rua do Crato, com uma perna engessada em conseqüência de um jogo de futebol, parou para cumprimentar seu grande amigo Patativa do Assaré, perdeu o equilíbrio e, para não cair, apoiou-se no ombro do grande poeta. No mesmo momento ouviu a seguinte quadra: Nessa vida já caipora nesse mundo desgraçado um aleijado se escora no ombro d'outro aleijado.

02 – Quando completou 80 anos, Patativa foi homenageado em Fortaleza. Dia de agenda cheia, terminou com sessão solene em auditório. Após o evento, o poeta cercado por admiradores, respondendo inúmeras perguntas, se deparou com um chato que disparou a fazer perguntas, sem deixar ninguém mais falar. O pior é que passou a provocá-lo com questões irrelevantes, fora do contexto, chegando ao cúmulo de perguntar se, aos 80 anos, ainda tinha tesão para fazer sexo. Em cima da bucha, como se diz, o poeta respondeu: “Tenho tesão sim, mas estou cansado, vá dar a outro.

”Obs: A primeira história foi contada pelo próprio Dr. Valdemiro. Quanto a 2º, ouvi de terceiros, e não consegui confirmá-la.
Joaquim Pinheiro

Quebrando o relógio do tempo - por Socorro Moreira


Tarde, Dezembro!
Não chegue, Natal...
Mas essas referências são insubmissas
- Como são fracos, os meus apelos ao tempo...!

Ah, mas lembrei que quero logo um janeiro
Quero que o tempo faça cambalhotas, e me divirta
Quero anoitecer e amanhecer
Sem o sono e as despedidas na madrugada
Quero as manhãs compridas, preguiçosas
As tardes claras e ventiladas

Quero que o relógio corra, e pare
em bons pensamentos .
Quero que chegue a fogueira de junho
E que julho seja um companheiro
Não, não quero apressar a vida
Quero degustá-la como se ela  fosse
a primeira lambida num pirulito.
Quanto tempo ainda terei para trocar tanto olhar?
Quero o teu carinho em mim, até nunca mais findar.

Reflexão - por Socorro Moreira



O artista diz:
Enchi a tua casa de poesia e canções
Cantei o mar, suas praias...
E ajudei com encantamentos
O saber amar

O homem precisa entender o caos
(Reflexo de si mesmo)
E nele achar as soluções
Que harmonizam e equilibram

Hilda Hilst


CANÇÃO V

Quando Beatriz e Caiana te perguntarem, Dionísio
Se me amas, podes dizer que não.
Pouco me importa ser nada à tua volta, sombra, coisa esgarçada
No entendimento de tua mãe e irmã.

A mim me importa,
Dionísio, o que dizes deitado, ao meu ouvido
E o que tu dizes nem pode ser cantado
Porque é palavra de luta e despudor.

E no meu verso se faria injúria
E no meu quarto se faz verbo de amor


Hilda Hilst

MOSTRA CARIRI EM NITEROI - RIO DE JANEIRO - COMPARTILHANDO - ULISSES GERMANO


 



O Natal – por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Desde a segunda quinzena de novembro que a cidade de Fortaleza está repleta de luzes, com muitas propagandas. O comércio usa todos os artifícios para atrair o consumidor, a fim de que este gaste seu décimo terceiro salário em compras. É bom presentear as pessoas nessa época, pois demonstramos amor àqueles que nos são caros. No sistema capitalista em que vivemos, poucas pessoas acumulam riquezas, gerando exclusão social. É importante que lembremos também dessas vítimas das injustiças, partilhando também do nosso alimento. O ideal seria que todos os brasileiros tivessem o direito a uma vida digna, durante o ano todo. Entretanto, podemos fazer a nossa pequena parte, pondo em prática a virtude da caridade para com os mais necessitados. Caridade é amor e foi para pregar o amor, a fraternidade, a paz e a justiça que Deus, na sua infinita bondade, mandou o seu Filho Jesus Cristo, para salvação da humanidade.

O milagre da multiplicação dos pães, que é o milagre da partilha é narrado pelos quatro Evangelistas. Nele Jesus nos mostra que havendo partilha, os alimentos serão suficientes para todos e ainda sobrará. O Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus, 14,13-21, relata o seguinte: “Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu, e foi de barca para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões ficaram sabendo disso, saíram das cidades, e o seguiram a pé. Ao sair da barca, Jesus viu grande multidão. Teve compaixão deles, e curou os que estavam doentes. Ao entardecer, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto, e a hora já vai adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar alguma coisa para comer.” Mas Jesus lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Vocês é que têm de lhes dar de comer.” Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes.” Jesus disse: “tragam isso aqui.” Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Depois pegou os cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães, e os deu aos discípulos; os discípulos distribuíram às multidões. Todos comeram, ficaram satisfeitos, e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços que sobraram. O número dos que comeram era mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.” Jesus, com o milagre da partilha dos pães e dos peixes, quis nos mostrar que essa proposta era para construção de uma nova sociedade, fundamentada na partilha igualitária dos bens da vida, que Deus nos deu. Jesus continua fiel à missão de reunir e servir ao seu povo, principalmente a multidões de sofredores. Com essa atitude, Jesus está realizando os sinais de uma nova maneira de viver e de anunciar o Reino de Deus.

Refletindo esse Evangelho da multiplicação dos pães, chegaremos à conclusão, que nós, seguidores de Jesus não deveremos ficar insensíveis nesse Natal, nem no restante do ano, para os mais necessitados. Assim como Jesus, vamos servir ao nosso irmão carente.

O sentido do Natal foi desvirtuado. Demonstrar o nosso amor na troca de presentes, no espírito voltado para os mais pobres, é muito bom. No entanto, ultimamente a festa natalina foi se afastando do que é mais importante, a nossa preparação para a vinda de Jesus, o nosso Salvador. O Natal é a festa de aniversário de Jesus. Como é nosso costume presentear os aniversariantes, devemos dar a Jesus nosso compromisso de mudança de vida e adesão ao seu projeto. Festas, luzes, compras, encontros com os amigos, nada disso deve ofuscar o verdadeiro sentido do Natal.

Estamos vivendo o advento que é tempo de preparação, de alegria, de expectativa para a chegada de Jesus Cristo. É um momento propício ao arrependimento e a promoção da fraternidade e da paz. O verdadeiro cristão aproveita esse tempo para avaliar o que construiu de bom e de ruim durante o ano e, procurar colocar-se diante de si mesmo e de Deus, assumindo o compromisso de trabalhar não só pelo sucesso material, mas também pelo crescimento espiritual.

O ideal é que todos, cristãos e não cristãos irmanados na mesma fé em Deus, de mãos dadas e de coração aberto ao amor, pratiquemos a fraternidade.

Feliz Natal e um Ano Novo cheio de felicidades e paz é o que eu desejo a todos os leitores.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

domingo, 4 de dezembro de 2011

4 de Dezembro- Dia de Sta Bárbara




Santa Bárbara sofreu o martírio provavelmente no Egito ou na Antioquia, por volta dos anos 235 ou 313. Sua vida foi escrita em diversos idiomas: grego, siríaco, armênio e latim. Conforme a lenda, Santa Bárbara era uma jovem belíssima. Dióscoro, seu pai, era um pagão ciumento. A todo custo desejava resguardar a filha dos pretendentes que a queriam em casamento.
Por isso encerrou-a numa torre. Na torre havia duas janelas, mas Santa Bárbara mandou contruir uma terceira, em honra à Santíssima Trindade. Um dia, entretanto, Dióscoro viajou. Santa Bárbara se fez então batizar, atraindo a ira do próprio pai. Fugindo de seu perseguidor, os rochedos abriam-se para que ela passasse.

Descoberta e denunciada por um pastor, foi capturada pelo pai e levada perante o tribunal. Santa Bárbara foi condenada a ser exibida nua por todo o país. Deus, porém, se compadeceu de sua sorte, vestindo-a miraculosamente com um suntuoso manto. Padeceu toda sorte de suplícios: foi queimada com grandes tochas e teve os seios cortados. Foi executada pelo próprio pai, que lhe cortou a cabeça com uma espada. Logo após sua morte, um raio fulmonou seu assassino.

É por isso que Santa Bárbara é invocada, nas tempestades, contra o raio. O seu culto espalhou-se rapidamente pelo Oriente e pelo Ocidente, inclusive no Brasil.

* Sincretismo da Santa Bárbara: Yansan ou Oyá
* Devoção da Santa Bárbara: Protetora contra raios e tempestades. Santa Bárbara é também venerada pelos militares.
* Data Comemorativa: 4 de Dezembro.
http://minhaprece.com/santa-barbara/histria-da-santa-brbara/

Por Socorro Moreira



Nos sonhos
o relógio não marca

Não se faz perguntas
indefinidas
As respostas são disparatosas

Esse lugar
Tem caminho ?
É no mesmo plano?
Jogo de sinuca?
Física quântica ?

O canto dele
não é musical
É geometria analítica
ou espacial?

Ah...
De repente ,
Se o lugar existe
muitos passarinhos
Já pousaram lá.

Complexidade nas perguntas
Respostas evasivas...

E o coração faz a conta !
E a alma faz de conta
Que encontrou alguém por lá
"Nesse mesmo lugar."

Por Socorro Moreira



Batom
Adoro batom
Com ele
Mancho meus espelhos
Abraso fantasias
Vejo-te noutro lago
Imagem fugidia
Quando esse caso
(só meu)
Impacienta-me
Passo o meu batom
Imprenso a boca
No papel que leio
E seguro a calma
Pra te ver no novo
Ano se anuncia.

Ele nunca esteve
Mas a porta
Na molhada espera
Continua Beta.
Estio de esperanças
Chega novo Junho
E a fogueira cresce
Se nas entrelinhas
Descubro-me tanto
Fecho esse parêntese...
Abro meus colchetes
E me entrego em pontos.


Inspiro tua ausência
Suspiros na distância
Não dá pra expirar-te
Posso fazer arte...

Paulo Barbosa - Por Norma Hauer


PAULO BARBOSA
Foi em 4 de dezembro que faleceu um dos mais importantews com,positores de valsas e canções de nosso repertório popular.

Seu nome: PAULO BARBOSA, irmão de mais dois artistas: Barbosa Júnior ,comediante e produtor do programa "Picolino",na Rádio Mayrink Veiga e Luiz Barbosa, cantor falecido precocemente, mas que deixou algumas gravações e atuações no cinema nacional.

Paulo Barbosa foi, principalmente ,autor de valsas (comuns em sua época) e responsável pelo primeiro grande sucesso de Carlos Galhardo no ritmo em que este foi "rei": "Cortina de Veludo".

Compôs ainda, "Salão Grenat", "Italiana", "Colar de Pérolas","Madame Pompadour","Lenda Árabe","Salambô" e muitos outros que foram sucessos, ainda com Carlos Galhardo.

Mas Paulo não compôs só para Galhardo, embora tenha sido um dos responsáveis pelos maiores sucessos do cantor. E foi quem incentivou Galhardo a cantar valsas, quando até então só gravara sambas, marchas e frevos.

Mas de Paulo Barbosa tivemos com Carmen Miranda "Casaquinho de Tricot e "Dona Gueixa"; com Castro Barbosa "Lig, Lig, Lé " e " Marchinha do Grande Galo"; com Gastão Formenti "Jóia Falsa"...

Enfim, Paulo Barbosa marcou a fase áurea do rádio com suas mais de 100 composições, a maioria ao lado de Oswaldo Santiago.

Paulo Barbosa, que nascera em 30 de abril de 1900, faleceu aos 55 anos, em 4 de dezembro de 1955.

Norma

Candura - espelho poético Por Socorro Moreira




Não dura o deboche
Nem faz parte da face

O olhar que exprime a calma
É fruto da alma

Pégaso
-Transporte coletivo da poesia
Pasta de sonhos
Versos bastam-lhe
Antepasto nas estrelas
-Lombra sideral

Sorriso doce
Margarida(n) no coração?

De volta às calçadas?
Pare em certa casa
Tem água do pote
Café coado no pano ...

Aquiete as botas voadoras
A paz é o prato principal
Momento amoroso
É sobremesa na boca.

As formigas não se escondem em seus buracos,
quando existem folham que carregam vida.

Ética e moral - Leonardo Boff




Publicado no jornal O POVO, dia 04 de julho de 2003



Que é ética, que é moral? É a mesma coisa ou há distinções a serem feitas? Há muita confusão acerca disso.

Tentemos um esclarecimento. Na linguagem comum e mesmo culta, ética e moral são sinônimos. Assim dizemos: Aqui há um problema ético ou um problema moral . Com isso emitimos um juízo de valor sobre alguma prática pessoal ou social, se boa, se má ou duvidosa.

Mas, aprofundando a questão, percebemos que ética e moral não são sinônimos. A ética é parte da filosofia. Considera concepções de fundo, princípios e valores que orientam pessoas e sociedades. Uma pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções. Dizemos, então, que tem caráter e boa índole. A moral é parte da vida concreta. Trata da prática real das pessoas que se expressam por costumes, hábitos e valores aceitos. Uma pessoa é moral quando age em conformidade com os costumes e valores estabelecidos que podem ser, eventualmente, questionados pela ética. Uma pessoa pode ser moral (segue costumes) mas não necessariamente ética (obedece a princípios).

Embora úteis, estas definições são abstratas porque não mostram o processo como a ética e a moral, efetivamente, surgem. E aqui os gregos nos podem ajudar.

Eles partem de uma experiência de base, sempre válida, a da morada entendida existencialmente como o conjunto das relações entre o meio físico e as pessoas. Chamam à morada de ethos (em grego com a letra e pronunciada de forma longa). Para que a morada seja morada, precisa-se organizar o espaço físico (quartos, sala, cozinha) e o espaço humano (relações entre os moradores entre si e com seus vizinhos), segundo critérios, valores e princípios para que tudo flua e esteja a contento.

Isso confere caráter à casa e às pessoas. Os gregos chamam a isso também de ethos. Nós diríamos ética e caráter ético das pessoas. Ademais, na morada, os moradores têm costumes, maneiras de organizar as refeições, os encontros, estilos de relacionamento, tensos e competitivos ou harmoniosos e cooperativos. A isso os gregos chamavam também de ethos (com a letra e pronunciada de forma curta). Nós diríamos moral e a postura moral de uma pessoa.

Ocorre que esses costumes (moral) formam o caráter (ética) das pessoas. Winnicot, prolongando Freud, estudou a importância das relações familiares para estabelecer o caráter das pessoas. Elas serão éticas (terão princípios e valores) se tiverem tido uma boa moral (relações harmoniosas e inclusivas) em casa.

Os medievais não tinham as sutilezas dos gregos. Usavam a palavra moral (vem de mos/mores) tanto para os costumes quanto para o caráter. Distingüiam a moral teórica (filosofia moral) que estuda os princípios e as atitudes que iluminam as práticas, e a moral prática que analisa os atos à luz das atitudes e estuda a aplicação dos princípios à vida.

Qual é ética e a moral vigentes hoje? É a capitalista. Sua ética diz: bom é o que permite acumular mais com menos investimento e em menos tempo possível. Sua moral concreta reza: empregar menos gente possível, pagar menos salários e impostos e explorar melhor a natureza. Imaginemos como seria uma casa e sociedade (ethos) que tivessem tais costumes (moral/ethos) e produzisse caracteres (ethos/moral) assim conflitivos? Seria ainda humana e benfazeja à vida? Eis a razão da grave crise atual.

Com meta - por socorro moreira



Tudo às pressas
Correndo para não perder
Um possível gran finale
Adiamos o desencontro
O beijo incompleto
Viajou em busca de flor
Rosa amarela tem na casa dela
Meu amor
Por que não voltou?
Fecho a porta devagar
Que os astros não descubram
O que deixei passar

Quem vem para a beira do mar - José do Vale Pinheiro Feitosa

video

LIGUE O SOM E LEIA O TEXTO

Vó dava uma bicada na sua tigela de café e com um olho de luz das galáxias transfixava toda a existência. Café torrado com rapadura no caco de um tacho de barro. Café moído na força muscular. E Vó tomava o caldo preto daquela semente de chão. Os grãos de Kafa, no planalto da Etiópia, chegaram até a tigela de Vó e ela dizia:

Não vá para a beira do mar.
Não vá.

E num descuido de trilho, subi num comboio nas altas madrugadas enquanto Vó dormia. E o bicho foi torando os pilares das montanhas, atravessou os vales, serpenteou rios, riachos e levadas. Fui me largando pelo mundo, as manchas doces deixadas pela garapa que caiu pelos cantos da boca no meu bucho sumiram no tempo. E, Vó, nunca mais ouvi teu estalo de beiço sugando o café, a cada intervalo entre o sabor e a voz tão imensa quanto tudo que a Ibéria se espalhou nos sertões desta América.

Não vá para a beira do mar.
Não vá.

Mas vim Vó. Eu vim. Eu estou aqui na beira do mar. Na beira do mar com as ondas e as sereias nas pedras. Na posse de liras prisionais.

Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar, ai
Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar

E quando a madrugada rompe aqui na beira do mar, estou tão amplo como os horizontes ininterruptos. Se pego um rumo para me afastar eu vou, muito longe eu vou, mas como uma onda eu volto à beira do mar. E pego a andar na areia do mar.

Andei por andar, andei
E todo caminho deu no mar
Andei pelo mar, andei
Nas águas de Dona Janaína

Vó e tua tigela era branca ou creme? Era creme ou marrom. Qual era a cor da tigela de barro de Vó? Era de barro, como eu era de barro. E nem sei a minha cor neste levante de dia e nem as ausências de poente das ondas.

A onda do mar leva
A onda do mar traz
Quem vem pra beira da praia, meu bem
Não volta nunca mais

Vó! Será que tu já foi? Já voltou? Ainda está naquela porta de casebre? Eu espero que os filhos de Maria, tua neta, já não se assentem na porta de um casebre. Como tu, Vó, na porta do casebre, tua tigela de café de Kafa. E não fui mesmo para a beira do mar prá nunca mais voltar?


O mar
das suas profundezas
nos traz belezas.
Perto ou longe eu avisto
a partida sem despedida
e o voltar de surpresas.
Minha caixa de Pandora
às vezes vazia
fica cheinha de novo
na chegada e na saída.

socorro moreira


Rainer Maria Rilke




- Hora Grave

Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.


Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.

Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.

Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim.


(Tradução: Paulo Plínio Abreu)