por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Um desejo de Paz - José do Vale Pinheiro Feitosa

Amanhã estarei longe desta tela. Até o próximo carnaval terei poucas oportunidades de retornar a ela. Mesmo tendo o privilégio das velas, em Paracuru tenho tarefas a cumprir e alguns olhares de esguelha para espairecer de papo para o ar. Os conteúdos de tempo ociosos sempre os há.

Aproveito para desejar a todos um bom resultado pelas festas deste mês, desde aquela que festeja o nascer quanto a que se alegra pela passagem. Mesmo que as mensagens se repitam a força da idéia é esta: renascer-se, este movimento, esta passagem para a inovação.
Quem passar por Paracuru e quiser beber um copo de água bem gelada e um cafezinho estarei por lá. Gosto de conversar. Trocar idéias e ter contato com vocês. Esta é a natureza do restante do ano: mover-se na decência da boa convivência.

Por último algumas considerações por esta fase da história. O ano termina sob maus agouros. Todos os dias se reúnem governantes em alguma parte do mundo. As cúpulas se sucedem. As notas conseqüentes destas reuniões apontam coisas graves. O povo está rebelado em várias partes do mundo.

Não podemos cair nesta sonolência que o quadro a quadro do noticiário nos provoca. Esta relativa insensibilidade para captar que algo diferente há. Efetivamente algo diferente há além da crise econômica, há uma crise política e sintomas de guerra com fumaça no horizonte.

Sem querer turvar a mensagem da inovação, o ano de 2011 termina como um barril de pólvora e uma chama que se aproxima transportada por um corredor de maratona. Há nesta visão uma sensação de iminência. As revoltas, as tomadas de ativos, as quebradeiras de ativos em papéis, o assassinato de velhos líderes, ditadores ou não.

A ansiedade dos povos e dos governos se encontra alguns tons acima do último dezembro de 2010. Há uma gritaria histérica que nos remete a insônias e a temer pelos próximos anos. Esta geração pode se encontrar diante de algo que viveram aqueles da infância, juventude e velhice dos anos 30 a 40 do século XX.

Mas como sempre a mensagem é que se o sol fica rubro ao anoitecer, o sereno acompanha as estrelas, os galos anunciam as matinas e o sol ainda sangrando sai para se tornar claro e límpido como sempre pensamos e agimos para a construção da paz. Que prevaleça a paz.

RIMA TRONCHA

a linguagem do olhar
é perfeita e sutil
mas precisa que o falar
por isso é assim tão util

Ulicis







REALIDADE DOLOROSA (Frei Ambrósio Bezerra Lôbo)

Passei pelo jardim
Em manhã de primavera
Um encanto, uma beleza
Aquilo que vi ali
Rosas, cravos, jasmins
Tudo em profusão,
A embelezar a vida.
Veio o verão
Um sol de fogo
A queimar tudo.
Passei pelo jardim
Uma desolação
Foi o que vi ali
Malgrado o esforço
De alguém dedicado
A cuidar só dele.
Em tudo que vi
Logo descobri
Certa semelhança
Com minha vida
Minhas amizades,
Minha felicidade
De outrora
Hoje se acham
Parecidas ao jardim.
Que doloroso pensar
Que triste sentir
Esta realidade
Que arrasa a gente.
Esperava frutos
Que dessem vida,
Entusiasmo à luta,
Encontro apenas
Dentro de mim
A triste lembrança
Do tempo passado
Que fora tão feliz.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Não é possível ignorar o ovo da serpente. José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando escrevi um texto criticando o comportamento de certos blogs do Crato ao publicarem a ordem de serviço de um subcomandante do exército de um quartel de interior negando o golpe político e defendendo a ação da ditadura militar não era ao sub que me queixava. Queixava-me das pessoas que conheço com as quais convivi de perto ou distante por texto. Com alguns tive o prazer de conversar na minha última estada na cidade.

Estas pessoas estavam atropelando o senso humano e resvalando num estado histérico em que vale tomar à mão qualquer troço que esteja por perto para atingir ao outro. Neste momento estou num projeto difícil de, após ouvir, degravar longas entrevistas com um dos políticos importantes do país. Nele é dramático o que se passou com sua família num momento de pura perversidade dos agentes da ditadura.

Quando vi estas pessoas postando uma aberração daquela, por mero prazer de provocar ou como um troll igual falou alguém num dos comentários, fiquei preocupado com elas. É justamente dos nossos vizinhos, dos nossos entes próximos, de quem convivemos que surge a patologia da perseguição e se tornam partes da perversão humana como mero exercício do ódio que cultivaram ao longo de algum tempo.

Quando pensamos que o debate nos ilumina, nestes amigos, nestes conhecidos, nesta gente com as quais costumamos dialogar, surge um rancor que se avoluma até o extremo da denúncia e entrega na fogueira. A história formal e literária está cheia de denúncias sem causa apenas pela inveja e pelo ódio acumulados em pequenos atropelos do passado.

O que esclareço com mais vigor agora é que não posso conviver com pessoas que resvalam para o temeroso comportamento anti-humano sem ao menos alertá-las sobre isso. Seria uma traição minha às pessoas se não lhes dissesse aquilo que percebo irá redundar numa raiva extrema que nunca deu bons frutos e deixam uma herança maldita como se houvesse uma miséria no viver humano.

Agora retorno com uma postagem de Mouzar Benedito que foi repercutida em vários blogs ao falar do recente livro do Bernardo Kucinski intitulado K. O livro do Bernardo é importante por que cresce no Brasil e no mundo toda uma raiva direitista que se aproxima perigosamente de uma farsa: a farsa nazista. E a farsa nazista não era perversa nas grandes concentrações de Hitler, mas na família comum, vigiando seus vizinhos, denunciando judeus, comunistas, homossexuais, ciganos e todos aqueles que o regime perseguia.

No livro do Bernardo, K um judeu sobrevivente do holocausto nazista, onde deixara muitos mortos de sua família, toma consciência do desaparecimento da filha que era professora da Faculdade de Química da USP. E sai em busca de ajuda para encontrá-la e o que dizem as pessoas: “Mas ela não era comunista?” Como ser comunista justificasse tudo que fizessem com ela. Especialmente quando as organizações que combatiam com armas a ditadura estavam destroçadas. O regime estava nos seus estertores finais e Geisel já articulava a abertura política.

No entanto o aparelho de tortura estava vigoroso em 1974 prendendo, torturando, matando pessoas suspeitas ou mesmo quem em algum momento fora ligada às organizações. Era demonstração de poder para segurar na unha a tal abertura ou sandice paranóica dos agentes fora de controle?

O velho pai passa por martírio que não acaba mais, dura anos, um jogo de desinformação manejado pela repressão que prendeu e matou na tortura não só a filha, mas o marido dela. Comparando a situação vivida no Brasil com a perseguição nazista, ele reflete que pelo menos na Alemanha eles informavam à família que prenderam e mataram as pessoas.

O livro do Bernardo é tão real e de tal força que a historiadora Maria Victoria Benevides na orelha do livro escreve: De todos os livros que já li sobre esse período de horror, este é o que mais me emocionou. Um libelo contra a desumanidade e a vilania do regime de opressão. Avraham Milgram do Museu do Holocausto de Jerusalém considera que “os relatos de B. Kucinski refletem maldade, indiferença, cumplicidade, oportunismo e prostração moral manifestadas num ambiente aparentemente simpático e dócil de uma sociedade sob ditadura militar.

Por isso eu não posso seguir o bom conselho do Darlan Reis quando deveria não repercutir isso para não dar asas ao troll. Infelizmente são pessoas com nomes, nossos vizinhos e com responsabilidade perante todos.

Anda-Já


É difícil nossos olhos avistarem além da fronteira do nosso quintal. O mais comum é que terminemos por ter uma visão bem compartimentada do mundo. Para os paulistas o universo se resume à Avenida Paulista; para os habitantes de Salitre o planeta se encerra antes de Campos Sales. Costumes, hábitos, preceitos morais terminam por ser balizados por essas estreitas fronteiras e é com olhos que mal avistam o nosso pomar que pretendemos depreender toda a complexidade do universo à nossa volta. Essa visão limitada atinge todos os segmentos sociais e termina por se transformar quase numa religião que tem a burocracia como bíblia e o burocrata no papel de sacerdote. Com esse filtro , essa viseira, perdemos a possibilidade de entender holisticamente as nuances infinitas da aquarela universal. Como um menino dentro do quadrado, julgamos tudo dentro dos limites opressivos que nós próprios nos impusemos. Através das grades, o mundo se resume a uma sala, alguns móveis, os brinquedos, a chupeta : só ! Do outro lado da parede, no entanto, sem que ao menos percebamos, fulge um sol brilhante, resplandece uma lua ao anoitecer e a vida tem possibilidades infinitas e inimaginadas.

Há alguns anos, perdemos um juiz exemplar : Dr. Nirson Monteiro. Cratense, trabalhador abnegado, simples, ele não carregava consigo aquele ar de superioridade quase divina que contagia tantos membros do Poder Judiciário. Dr. Nirson tinha ainda uma especial atenção para com os crimes perpetrados contra crianças e adolescentes. Pois bem, contava-me ele que um dia soube de uma prostituta da cidade que criava a filha pré-púbere, no próprio lugar de trabalho: uma Boate ali nas cercanias do Gesso. O juiz achou aquilo um absurdo , um visível risco à integridade física e moral da criança e intimou a mãe a comparecer ao Fórum. Pretendia subtrair-lhe a guarda, protegendo assim a menina. Contou-me ele, no entanto, que, na audiência, terminou por receber uma aula de humanismo e dignidade da prostituta. Quando o magistrado contou-lhe das suas preocupações e seu intuito de afastar a adolescente daquele ambiente pérfido, ela ouviu com atenção e respeito. Depois, calmamente, emitiu uma opinião contrária . Disse ao juiz que tivera outras duas filhas e que as afastara ainda meninotas e as pusera a trabalhar como domésticas em casas de família ricas da cidade. Imaginava que assim, convivendo em melhores ciclos, terminariam adquirindo uma educação mais refinada e teriam maior possibilidade de se tornar gente. Sabia terrível, mais que ninguém, a vida que ela própria levava, mas não tivera outra opção. Miserável , negociava com a única mercadoria que tinha em mãos: seu corpo . Pois bem, as duas meninas tinham se perdido com patrões e filhos de papai aqui do Crato . Assim, seu juiz, ela fica comigo, tem muito mais condições de ser alguém na vida, o ambiente no Gesso é muito mais sadio do que o do resto da cidade! Dr. Nirson, cumprimentou-a e desculpou-se, e agradeceu pela ajuda : acabara de olhar por cima do muro do quintal do seu universo particular.

Há uns dois anos, em uma Escola em Juazeiro do Norte, procedia-se a uma reunião do Grupo Gestor. De repente, entra a merendeira, interrompendo o evento e informa à Diretora: Aquele aluno da oitava série que a mais de dois meses gazeava a aula, na hora da merenda escolar, saltava o muro e vinha lanchar e ainda queria levar um pouco para casa. A diretora proibiu e, mais, mandou chamar o segurança do estabelecimento para pegar o menino. Queria conversar com ele pessoalmente e proibir a irregularidade. Até já tentara antes, mas sempre que avisado o danadinho saltava o muro de volta e fugia em desabalada carreira. Naquele dia, mediante a ajuda do segurança, não teve jeito. A diretora, então, repreendeu o menino e disse , claramente que não era possível. Se ele quisesse merendar que voltasse para as aulas. E, por fim, fez-se categórica : diga a sua mãe e a seu pai que venham aqui que quero falar com eles ! O menino cabisbaixo enxugou algumas lágrimas que escorriam lentamente no rosto e entre soluços informou que o pai não ia poder comparecer. Por quê ? --Argüiu a mestra ç Ele está preso, fessora, já faz uns três meses! A diretora, tomada de supetão , tentou ainda arrematar: peça então a sua mãe prá vir, menino! O rapazinho respirou fundo e, novamente, informou que não seria possível. Por quê? O aluno, envergonhado, concluiu: Ela fugiu com outro homem já faz uns dois meses! Em casa ficamos apenas eu e um outro irmãozinho de cinco anos, não temos ninguém mais nesse mundo, era por isso que eu pulava o muro: para matar a fome e levar um pouquinho para meu mano, fessora ! Impressionante a aula de vida que um pirralho de oito anos terminou por ministrar à diretora que não conseguia enxergar o mundo adiante dos muros da escola.

Se quisermos crescer temos que compreender a velocidade estonteante da vida que acontece como um filme e não se consegue revelar numa fotografia instantânea e estática. E mais: existe um universo fervilhante além das grades opressivas do nosso quadrado e muitos e muitos caminhos a trilhar além do limitado espaço que percorremos com nosso Anda-já.


J. Flávio Vieira

Perguntas de um egoeugoista:

ESTANDO BEM EU E MEU CAVALO ALAZÃO
O QUE IMPORTA SE O MUNDO EXISTE OU NÃO?
POIS SE SEM MIM NADA NO MUNDO EXISTE MAIS
QUE IMPORTA QUE A OUTRA PESSOA SENTE OU FAZ?

Fortaleza Anos 70 - A primeira viagem comercial à lua - José do Vale Pinheiro Feitosa

Hoje já não me lembro de todos os jornais de Fortaleza nos anos 70 por isso busquei uma lista que imagino histórica: Tribuna do Ceará, Correio do Ceará, Gazeta de Notícias, O Povo, O Unitário, O Democrata, O Estado, O Nordeste, O Jornal. O jornalista Giacomo Mastroianni, que é veterano na imprensa de Fortaleza, talvez precise mais quem estava ativo naqueles idos entre 1969 e 1971.

Aconteceu assim. O almoço fazíamos no restaurante da Faculdade de Medicina, como já citei, ficava distante do campus da Gentilândia, onde ficava o CEU que era o restaurante de toda a estudantada da universidade. Mas de vez em quando saíamos para um almoço no CEU para encontrar quadros de outras faculdades e tramarmos as ações para o futuro.

Convenhamos eram muito mais se mexer no estreito espaço do AI5 e do Decreto 477, do que uma ação de causar dano ao ditador da ocasião. Então a literatura de vanguarda era uma opção revolucionária. Como os textos que precisavam ser lidos no reservado de quatro paredes. Ou as grandes discussões sobre um filme de Claude Lelouch ou a estética estranha de Blow up de Micheangelo Antonioni.

Costumava jantar no CEU. Terminava as aulas na medicina, jantava rápido, não tinha tempo de costurar mais algumas tramas, tinha que ir para as aulas na Faculdade de Economia. Pois é, para compreender melhor a sociedade que desejava transformar entendi por bem estudar economia. Mas convenhamos graduação é dedicação e eu não tinha gás e tempo para as duas faculdades simultaneamente. Além do mais era um estudante de restaurante universitário, morando na casa de uma tia e andando de ônibus.

Mas estou detalhando muito, volto ao fato. Num daqueles almoços coletivos entre estudantes de várias faculdades, o Leite, estudante de jornalismo, uma grande figura que morreu precocemente, propôs uma reportagem. Ele estava estagiando num daqueles jornais da lista lá de cima e tinha por pauta fazer uma reportagem do anúncio da primeira viagem comercial à lua.

Qual era a do Leite? Levar alguns de nós para nos inscrevermos como pioneiros das viagens espaciais, de natureza comercial, à lua, naquele clima festivo da sociedade americana com o pouso no satélite. E fomos: eu, o Tarcísio Baturité, José Jackson Sampaio e Júlio César Penaforte. Iríamos nos inscrever para viajar à lua.

E chegamos ao local da inscrição. Era a representação da PANAM (grande companhia aérea americana que faliu nos anos 90) e o homem de Marketing da empresa já nos recebeu de cenho franzido. Ele teve que fazer cena, pois o Leite fazia anotações e resolveu fotografar a cena da inscrição.

Mas não havia inscrição alguma. Era apenas uma jogada de Marketing da PANAM naquela altura atolada até o umbigo com a BOEING na aquisição e lançamento do JUMBO. A matéria era sobre o Jumbo. Vimos folhetos, maquetes, assentos, a primeira classe e tome Jumbo por propaganda e o Leite anotando.

Naquela altura eu soltava gargalhadas “in pectori”. Nunca tinha viajado nem num teco teco e meu máximo de imaginação de Ícaro era ser como os urubus a planar nos céu azul do sítio onde vivia no Crato. Ria ainda mais pelo marqueteiro ter que nos explicar aquilo tudo como se tivesses diante de um grupo de investidores e companhias de turismo carreando levas de passageiros para o interior do seu Jumbo.

O Leite nos fotografou: o americano em pé apontando os folhetos e os quatro viajantes da lua em volta dele. Todos com risos irônicos. No dia seguinte quando chegamos à Faculdade foi uma festa. Pegaram uma tábua e colaram a primeira página do jornal com a foto extraída da cena acima e a manchete em letras garrafais: Estudantes Cearenses se Inscrevem para a Primeira Viagem Comercial à Lua.

No dia seguinte às gargalhadas enquanto almoçávamos o Leite quase chorando de rir nos contou que o homem de marketing, em estado de pura agonia, avisara que a inscrição não valera. Mas é claro, e nem as viagens comerciais à lua. Tudo era blefe.

Mas nunca ri tanto mesmo com a exoneração da promissora vida de astronauta. Mas foi uma bela gozação com uma grande corporação do império.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

UMA FRASE. UMA ORAÇÃO. UMA CONSTATAÇÃO?

"Eis uma verdade profunda e imbecil: todos vigiam e controlam todos para que ninguém faça aquilo que todos querem fazer" Gaiarsa

E Cuba continua uma Referência - José do Vale Pinheiro Feitosa

Outro dia, bem no espírito fl x flu interiorano, recebi um e-mail sobre a miséria da saúde em Cuba. Pretendia ser outra versão do que dizem os relatórios dos organismos mundiais sobre o bom desempenho da gestão de saúde e seus resultados naquele pequeno país. O texto fora produzido e divulgado pelo virulento movimento anticastrista de Miami que convenhamos não tem isenção alguma para construir honestamente outra versão dos fatos.

A verdade deste debate se encontra em organismos multilaterais, representantes das nações, onde todas as versões são importantes e os indicadores são universais e comparáveis. Não existe outro modo de se debater e é necessária uma rápida evolução da cata de lixo na internet para enfrentar o debate de modo qualificado.

Se Cuba não chegou ao céu da bonança, não dispense os pecadores de alhear-se do que ocorre no Chile, nos EUA, Canadá ou Alemanha. Alhear-se deste modo é se tornar prisioneiro de uma ideologia de almanaque, que todo os dias repete o mesmo mantra e se torna obtusa como uma cegueira de compreensão do que se enxerga.

A UFPA (United Nations Population Fund) das Nações Unidas acaba de publicar informe sobre o Estado da População Mundial em 2011, com o subtítulo emblemático: 7 bilhões de pessoas: seu mundo, suas possibilidades. A essência é mudar a pergunta estratégica para o futuro, ao invés de perguntar-se: Somos demasiados numerosos? A pergunta a ser feita é: O que posso fazer para que o nosso mundo seja melhor?

Se tomarmos alguns indicadores sobre mortalidade precoce, esperança de vida ao nascer, escolaridade e saneamento básico entre sete países, alguns que estão no topo do desenvolvimento - Canadá, EUA e Alemanha – incluindo Cuba e Chile por serem o modelo ideológico, acrescentei a Costa Rica por sempre ter sido referência de boas políticas humanas e, claro, o Brasil.

Cuba está muito bem em níveis comparáveis com maior grau de desenvolvimento humano, à exceção da Mortalidade Materna onde seu comportamento diverge muito dos países de maior desenvolvimento igualmente ocorre com o Brasil, Costa Rica e numa escala menor o Chile. Cuba atinge as melhores posições, mas é preciso dizer que o conjunto dos sete países já estão num patamar muito acima do que foram no século XX.

A feição pavorosa contra Cuba não se sustenta, mas diferentemente do Chile cujos indicadores também são bons, Cuba enfrenta um bloqueio econômico da nação mais poderosa do mundo. Como uma pequena nação o Chile nunca deixou de perder o apoio dos EUA, mas Cuba foi largada ao vento com o fim da União Soviética. Os fluxos de capitais e financiamento são completamente diferentes do que as demais nações se sujeitam. Cuba continua a provar que é possível viver fora da ditadura do capital financeiro. E isso não é pouco.

Se alguém pode ser diferente, todos também podem fugir da “cortina de ferro” dos juros do sistema financeiro que controlam os países.

Um Cariri cinzento - Emerson Monteiro



Neste término de mês, novembro de 2011, após madrugada chuvosa, manhã mostra cara cinza qual quem quer inverno a tornear as encostas lá de longe no horizonte azul balançando orvalhos luminosos nas cercas e folhas de árvores e arbustos. Espécie de paisagem própria para refletir movimentações do lado de fora, os dramas financeiros, as bolsas em constante oscilação que sujeitam envolver gentes e bichos nos motivos eletrônicos do tempo, e querendo ou descontente com o clima que espreme sentimento nas perguntas sem resposta, roupas mofadas no fundo da alma sem jeito de olhar a neblina brejeira de qualquer direção.

Repassassem dizeres dos jornais, achariam nisso um futebol que mexeu com as pessoas que buscaram futebol no final de semana, e alimentavam sonhos de sucesso no esporte coletivo em nosso Cariri. As notas, no entanto, pelos cantos perdidos de páginas apressadas, falavam solteiras que dormiram cedo na solidão a dois das multidões alvoroçadas no estádio. E horas do expediente ganharam só dinheiro de sobrevivência na educação dos filhos, bilhetes de loteria, folhas de pagamento, impostos e taxas, esforçados nas horas do expediente do pão, suor, rosto, etc.

Ando pouco mais e encontro as histórias dos valores nas questões políticas estrangeiras, parlamentos convulsos, praças cheias, câmbios de países europeus atolados nas dívidas ilusórias... O desejo antigo de falar nas flores que iluminam casas e pessoas, belezas de gerações ensaiando gritos de vitória travados no ar. Jovens, ruas e monumentos perto das férias dos oceanos agitados... Alegres janelas iluminadas... Vozes cheias de possibilidades nascidas em forma de viver feliz da multidão de chances, no Céu daqui da Terra.

Bom, isso de admitir clima novo de inverno, corações e presentes... Crer nas letras e nos vocábulos que falam de transformação, e animar o mundo pelas folhas arrancadas dos sempre calendários mil que viajam na eterna Felicidade.

A NOTA


No velho livro, uma data e a nota:
“Trocaram o nosso gato.”




Exposto à luz
Inspira o anverso sem registro
A poesia é um sentimento
invisível
Nas entrelinhas ela caminha e treme
Só para
Quando sai do círculo.

socorro moreira

Carta ao Tom 2010 - José do Vale Pinheiro Feitosa

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Pois bem, confesso. É um amor mais longínquo que minha própria vida. Pode ser ouvida uma modinha, o casco dos cavalos nas pedras de tuas ruas curvas, tuas ladeiras, as montanhas que se espremem logo na borda para demarcar os limites da planície do mar. Pode acontecer entre o século XVIII e XXI que sempre sentirei saudades.

Quantas vezes, após alguns copos de cerveja, desci o morro cantando, atravessei o túnel da Rua Alice e tive a alegria de estar vivo com os olhos abertos para a Baia da Guanabara. O Corcovado feito manta entre outros morros, uma floresta que vem lá dos confins e se entranha bem aqui no meu peito.

O samba. É preciso ter vivido para compreendê-lo. Numa quadra de bloco, com um panelão de feijoada num sábado e no outro um mocotó com pimenta malagueta, para fazer fogo com a pinga que canta feito um tamborim, um reco-reco de ritmo ou um poema de cavaquinho.

E teus mitos. Paulinho da Viola, João do Vale (mesmo maranhense), João Nogueira, Monarco, tantos mitos que nenhuma quadra de Escola tem o dom de definir. Eles estão muito além do piso, mesmo quando ecoam na cobertura de zinco, é na abóbada do céu que os sons se entremeiam nos vales. Tantos e vários tamanhos que nem sei quantos.

O Angu do Gomes, um lenço na mão para tocar com veludo a palma da dama na Estudantina. Os tempos de arrebenta balão da lona do Circo Voador, a Lapa renascendo como a velha Itália compreendendo que era muito maior que suas ruínas imperiais.

As longas horas da música popular brasileira na Rádio JB. As meninas ousadas como Angêla Rorô, os encantos de novidades em tantas canções que nem Eduardo Dussek conseguiu domar toda a ironia. Mas não esqueça que por aqui passava a onda globalizada do Rock e a Rádio Fluminense, lá do outro lado da Baía, em Niterói dizia muito mais que muitos ouvidos para ouvi-la. E a Mundial, quem não lembra do precoce Big Boy falando do Bem, um restaurante de São Conrado onde um dia dançamos o Charleston com uma big band de primeira.

A praia, o Pier, Copacabana e as asas deltas de São Conrado. Os meninos nascendo, Cabo Frio, Búzios, Arraial do Cabo e o Pontal do Atalaia para um Por de Sol tão panorâmico ao qual até o sol estava embaixo. Eu realmente amo esta terra.

Mesmo quando falo em alma, não a imagino no etéreo mundo dos espíritos. Sempre atravessando estas serras, estes montes, as ruas irregulares, este modo de amar maior que tudo que tem fim. Não se pode amar como finalidade. O amor é o meio pelo qual a vida se realiza como chama que acende por natureza.

O Rio de Janeiro, esta terra que não empresto, não dou e nem troco. Não é mercadoria e nem objeto. È um tudo de vida e andar. Um muito que conclui o quanto se pode amar tantas outras mais chamas diferentes. Inclusive meu vale de origem e as dunas brancas do Ceará.

Figurante - Por Rejane Gonçalves



Comecei a rejeitar Emanuel ao perceber que ele se dava bem com a solidão. Dividi a casa ao meio e cada um tomou um pedaço. A mim coube o menor, quis ser justa, erguer a parede fora uma idéia minha. Ele não reclamou, ficava parado, vendo a casa pouco a pouco transformar-se em duas.
Aos oito anos, para que eu me curasse do hábito de comer terra, obrigaram-me a mascar folhas de fumo. Desde sempre, fumo cachimbo e como barro; minha língua acostumou-se ao roçar dos grãos arenosos e, quando o barro é colhido depois de uma breve chuva, um sumo marrom me escorre pelos cantos da boca, igual me escapa dos lábios o sumo transparente da pêra aguacenta. Sou dessas pessoas de quem dificilmente se consegue tirar alguma coisa, antes acrescentam outras. Engordei muito, talvez devesse mesmo ter dividido a casa. Desse lado eu só, do outro, ela e Emanuel.
Sobre mim o vidro embaçado, o avesso da roupa, a camada de tinta, apenas a lembrança turva dessas coisas que acabo de contar, se bem que falei mais para dentro do que para fora, como se fosse um treinamento, um jogo de desesquecer. Desabituei-me das pessoas, só lhe atendi pela curiosidade de saber se, num corpo, continua tudo igual. Agora você pode ir, a casa de Emanuel é a outra, colada em mim. Não, é impossível que você tenha vindo à minha procura, queira me entrevistar, sim, você tem razão quando afirma que a escritora sou eu, era, faz tempo que houve uma inversão. O que posso lhe adiantar é que depois das muitas histórias, do fazer e refazer criaturas, das incontáveis camadas de tinta a encobrir o mundo real, a atenção tem que ser redobrada, um pequeno descuido e os papéis se invertem. Eu achei que estava no comando, até o dia em que me percebi capturada no início de uma história, presa num espaço exíguo, poucas linhas, todas retas, nenhuma possibilidade de curvas, de tropeções em uma pedra qualquer, parágrafos previamente estabelecidos, hora certa de acabar, justificativa frágil para o corte do argumento, a mesquinhez do ponto, ponto final; até que senti o pincel cobrir-me com uma tinta amarela, bem pálida; até que mal enxerguei Emanuel que se preparava para outra demão e desistiu, como se temesse me avivar as cores. Não teve o amor, a consideração que eu sempre dispensei a ele, nem passou dias e noites a escolher os tons certos, a morrer engasgado com a bolha de ar que, dependendo da posição do pincel, tende a formar-se na textura da tinta. Fez-me um personagem esmaecido, aqueles que nas histórias não têm importância alguma. Bata à porta de Emanuel, ele é quem me inventa, quem sabe tudo sobre mim, quem coloca as palavras na minha boca, quem tem medo de trocar a cor da tinta. Que eu me lembre, ele nunca chegou aos pés do que eu fui. Ele é cauteloso, ciente dos perigos, protetor feito um cão de guarda, não é que não nos deixe sair à rua, deixa, mas se debruça na janela e mantém a porta escancarada, para que possa sair rápido e alcançar num tempo bem curto a criatura que, em busca de um distanciamento, tome um gole maior de fôlego.
Se eu me arrependo? Não, não. Por quê? Ora, por quê? Escreva aí, Emanuel, embora seja capaz, não enxerga claridade na sombra, não teria, pois, a coragem de se permitir criar um Emanuel.


(obs. Enviei este conto para o 5º Prêmio Maximiano Campos de Literatura- em 28 de julho de 2009 – Postei no site às 2l.57. (pseudônimo: pão-ázimo)

Rejane Gonçalves

QUERO SER O TEU POEMA- por Rosa Guerrera



Hoje eu quero escrever o verso nunca escrito..

E sonhar o sonho nunca imaginado!


Hoje quero ser página aveludada

para que componhas em beijos

todas as fantasias que nunca vivi

e todos os delírios que nunca apeteci!


Quero que fiquem marcadas no meu coração

as interrogações do silêncio...

as verdades das exclamações

E as reticências das surpresas !


Para que amanhã em tatuagens eu sinta
no nascer de outro dia

a certeza de que ficou dentro de mim

o mais belo poema que o teu corpo...

escreveu sobre o meu corpo!

DOUTOR GERALDO MONTEDÔNIO – MEMÓRIA PRESERVADA


Meu pai, César Pinheiro Teles, tinha pouco mais de 20 anos quando um tabelião do Crato lhe entregou uma carta, remetida por um promotor do Estado do Rio de Janeiro, solicitando dados sobre os Bezerra de Menezes. Papai mandou as informações e junto enviou publicações locais sobre a história do Cariri.
A partir daí nasceu um vínculo, que se estendeu por mais de 50 anos, entre meu pai e o Dr. Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes. Era raro um mês sem contatos. Houve intensa troca de publicações, remessas de livros, recortes de jornais, tudo enfim que um acreditava ser de interesse do outro. Assim, o Dr. Geraldo Montedônio virou “expert” em assuntos do Cariri. Conhecia a história da região e a genealogia dos Pinheiro e dos Bezerra de Menezes como poucos cratenses.
Com o passar dos anos, Dr. Geraldo Montedônio foi promovido a Juiz de Direito, Desembargador, Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, chegando a ocupar a Presidência do TST em vários mandatos. Além disto, foi catedrático da Universidade Federal do RJ e Diretor da Faculdade de Direito. Intelectual renomado, Membro da Academia Fluminense de Letras, exerceu vários cargos honrosos, detentor de inúmeras condecorações, inclusive comenda concedida pelo Papa Paulo VI pelos serviços prestados à Religião Católica. O governo do Rio de Janeiro o homenageou dando seu nome à Biblioteca Pública de Niterói.
Apesar da ascensão social e profissional, o Dr. Geraldo não reduziu o ritmo da correspondência com meu pai.
Curiosamente, só se viram uma única vez, em 1977. Convidado pelo então Governador Adauto Bezerra para a inauguração de um prédio da Justiça do Trabalho em Fortaleza, Dr. Geraldo condicionou sua vinda a uma viagem ao Crato para visitar meu pai. Compareceu acompanhado pelo General Raimundo Teles Pinheiro, primo com quem meu pai tinha grande afinidade e também trocava correspondência frequente. Na ocasião eu morava em Brasília e a visita me rendeu uma carta, mais parecida com relatório, detalhada em cinco páginas. Foi uma das grandes alegrias que a vida concedeu a meu pai.
Dr. Geraldo Montedônio era filho de José Geraldo Bezerra de Menezes e neto de Leandro Bezerra Monteiro. Seu avô, eleito deputado federal pelo Ceará, exerceu o mandato no Rio de Janeiro e fixou residência na então capital do império, dando origem ao ramo dos Bezerra de Menezes no Estado do RJ. O parlamentar cratense destacou-se na defesa do bispo de Olinda, D. Vital, e o do bispo do Pará, D. Antônio da Costa Macedo, presos por ordem do Governo Imperial na briga entre a Maçonaria e a Igreja Católica. Sua biografia foi publicada este ano pelo historiador cratense Armando Rafael registrando o centenário do seu falecimento.
Recentemente tomei conhecimento pela net da tentativa de mudança do nome da Biblioteca Pública de Niterói, que homenageava Dr. Geraldo, pelo de um outro professor fluminense falecido há pouco tempo. Fiquei surpreso. Acreditava não haver mais ambiente para comportamentos esdrúxulos como este. Felizmente a família agiu a tempo e a agressão a memória do Dr. Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes não se concretizou.

Percurso Livre. Por Liduina Belchior.


Ficar enamorada sem amarras, sem grades, é uma vantagem sobre as outras paixões comuns.
Porque não existe cobrança e não tem dia nem hora regularmente marcados. Acontece sem compromisso, sem vínculo "apaixonatício" e o amor sobrevive sem cercas. Quando os dois não querem que exista vínculos, e esse fator é bem trabalhado emocionalmente, o amor vai tramitar por um templo onde se contempla e se medita a liberdade e todas as suas vantagens. Todavia, as pessoas que experienciam esse tipo de relação, necessitam administrar a lacuna da inexistência da regularidade nos encontros em dias tidos como nobres, comemorativos e tal. Caso esse fator fique bem resolvido, a provisão e a qualidade do processo relacional serão maravilhosos e o sentimento fluirá livremente, tranquilamente. Portanto não implicará em sofrimento existencial. E para que o máximo de liberdade não implique em máximo de tédio, é necessário que se faça uma análise e avaliação de valores, da formação, dos conceitos e das preferências. Aonde quer que exista a paixão e o amor; e na circunstância em que ocorrer, o mundo seja mais agraciado por estes sentimentos especiais. (Transcendentais).

Pensamento para o Dia 30/11/2011


“O que existe é apenas aquele que percebe tanto o sonho como o estado de vigília - o "Eu". Conheçam tal "Eu" e reconheçam que "Eu" é o mesmo que "Ele" (Deus). Você pode saber isso apenas por intensa disciplina espiritual, que não é maculada por raiva, inveja e ganância - os vícios que brotam do ego. Você deve observar cuidadosamente e controlar esses vícios. Quando você fica com raiva, você age como se estivesse possuído por um espírito do mal; seu rosto torna-se feio e assustador. Como a lâmpada vermelha piscando quando o perigo se aproxima, os olhos e o rosto ficam vermelhos e agem como um aviso para você. Preste atenção a esse sinal e silenciosamente fuja para um lugar solitário. Não dê vazão livre a palavras maliciosas. Uma vez que você cresce em sabedoria, o ego irá naturalmente cair. Portanto, desenvolva sabedoria e diferencie a natureza efêmera de todas as coisas objetivas. Então, o ego terá uma morte natural no campo do seu coração e você alcançará a salvação.”
Sathya Sai Baba

Romantik und das ewige Selbst*

O Romantismo por excelência (Clássico) entende-se do movimento ocorrido na Alemanha na metade do século XVIII, onde a idéia ‘contra a crença iluminista do império darazão e do progresso’ é substituída pelo conceito da razão subjetiva (metafísica). Onde o olhar sobre o homem é voltado para si, isto é, para a razão de seus sentimentos. Pois o Romantismo alemão teria sido o único dos movimentos que fora capaz de assumir-se como filosofia de vida, garantindo assim seu destaque diante dos demais movimentos românticos.

O filosofo francês Rousseau, a partir das publicações de seus livros: Confissões e Os Devaneios do Caminhante Solitário, ele contrapunha toda a realidade racional da época do Iluminismo. Investigou de forma subjetiva, uma perspectiva antes abandonada por variados filósofos, à concentração e apuração do Eu.

A natureza (entende-se por razão dos sentimentos) era o ponto de partida para a fortificação do movimento romancista alemão. Acreditava Rousseau, que ao voltar-se para si, o homem construiria a sua base de conhecimento de sua realidade intrínseca perante o mundo exterior e seus conflitos:

‘Deixei, pois, de lado a razão, e consultei a natureza, isto é, o sentimento interior, que se dirige a minha crença, independentemente da razão. ’ (GUINSBURG. J, p.80, O Romantismo (.) ROUSSEAU, Carta de 1758 a Vernes)

Sendo assim o sentimento se constituiria como a razão do individuo. Já que esta necessitaria primeiramente do sentimento para existir, ou seja, é preciso o homem sentir primeiramente para depois racionalizar. Acreditando assim que o desenvolvimento do homem se daria a partir do conhecimento interior.

O grande dilema do Romantismo seria as idéias filosóficas de Johan Gottlieb Fichte, no livro intitulado, Fundamentos de toda Teoria da Ciência. Onde a explicação para a realidade tinha um viés metafísico, não podendo ser considerado um fato estático, mas dinâmico capaz de induzir o individuo a uma ação concreta. O que Fichte denominava de ‘Eu, uma autoconsciência pura. ’

Este Eu se tratava, da pura subjetividade do homem, em especial da época romântica. Considerado como divino, infinito e absoluto, já que partia da pura criação interior sem influências extramentais. Ele acreditava que a realidade de cada ser era singular e individual.

O que nos permite dizer que se tratava de um princípio, no qual permitia compreender a realidade do eu (intrínseca) ao do mundo (exterior) a partir do esforço de conhecer a si mesmo internamente.

*O romantismo e o seu eu eterno

Texto produzido pelo estudante do 5º período de Letras da Universidade de Pernambuco, Wagner Bezerra Pontes
http://cronicascp.blogspot.com