por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Tinha um "russo" no caminho - José Nilton Mariano Saraiva
Por mais inverossímil,
parece ainda existir determinadas figuras que imaginam ser a cabeça “apenas” um
apêndice do corpo humano que serve tão única e exclusivamente pra separar as
duas orelhas. Fingem desconhecer que há os “ANORMAIS”, (nós, a maioria), portadores
indesejáveis de uma tal “massa cinzenta”,
capaz de nos propiciar o ver, ouvir, discernir e, enfim, deduzir racionalmente.
A reflexão acima é para
lembrar que ontem, durante a manifestação ocorrida no Rio de Janeiro, um
cinegrafista da TV Bandeirantes foi ferido gravemente por uma bomba quando
tentava registrar a ocorrência, o que ensejou e foi motivo suficiente e
bastante para que à noite, no jornal das 10, da Globo News, um repórter das
Organizações Globo, presente àquele ato, asseverar de forma peremptória e
definitiva que o artefato que atingira o colega da Band houvera partido do
Batalhão de Choque da polícia.
Mas...
Mas, eis que tinha uma
televisão russa filmando o movimento. E, num momento de rara felicidade, o cinegrafista
soviético conseguiu captar toda a seqüência do drama que vitimou o funcionário
da Band, já a partir do momento em que o artefato é deixado aceso no chão por
um manifestante, seu arranco em várias direções, até explodir à altura da
cabeça do profissional que cumpria com sua obrigação. E como restou comprovado se
tratar de fogo de artifício, não era armada usada pela polícia. Assim o
profissional da Globo News se equivocara (???) redondamente.
A propósito, até o mais
empedernido dos radicais sabe que, desde a primeira eleição de Lula da Silva
para a Presidência da República, a Rede Globo move uma campanha sistemática
visando tirar do poder um legítimo representante do povo, substituindo-o por um
seu capacho qualquer. Pois bem, Lula da Silva foi reeleito, elegeu Dilma Roussef
e a campanha difamatória da Globo não pára. E, principalmente agora, quando a
presidenta vai tentar a reeleição, qualquer anormalidade que venha a ocorrer no
dia a dia, a culpa é do Governo, ou o Governo omitiu-se, ou o Governo está
perdido. E haja torcida (e deslealdades) para que o pior aconteça.
Mas, voltando ao
registro feito pela TV russa, quando foi divulgada a seqüência das imagens, o
tal repórter da Globo News, que houvera jurado de pés juntos que o artefato
fora lançado pela polícia, não teve outra saída que não admitir que errara, que
no calor da emoção se enganara e outras baboseiras mais.
Tanto é que, no “Jornal
Hoje”, da tarde desta sexta-feira, a apresentadora Sandra Annenberg mostrou a seqüência
de imagens da TV Russa e, um tanto quanto contrariada, asseverou que o próprio repórter
global admitira o erro e, portanto, tanto ele como a emissora se desculpavam
ante a população (será que no Jornal Nacional também será feito o pedido de
desculpas???).
Agora, aqui para nós, tirante
essa novidade (a poderosa Globo publicamente admitir que errou) de uma coisa tenhamos
certeza: as manifestações de junho passado serão “café-pequeno” ou “coisa de
amadores” se o Governo não adotar desde já sérias medidas preventivas capazes
de obstar as que estão por vir, já que além da Copa do Mundo teremos as
próprias eleições presidenciais. Eles até já pregaram aviso, há muito tempo: “Não
vai ter Copa nem Olimpíadas”.
Não por parte da
população (que comprovadamente melhorou de vida), mas de uma oposição raivosa e
de radicais (desocupados, vadios, mascarados e, enfim, os apologistas do quanto
pior melhor) com poderes de insuflar a manada e fazê-la massa de manobra.
Alguém tem dúvida ???
SÓ PORQUE VESTIU BERMUDA - José do Vale Pinheiro Feitosa
“Moro num país
tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas que beleza!”
Os espaços formam territórios quando abençoados pelos
humanos. E os territórios se compõem de gente que abraça o tempo e o espaço e de
gente que pretende parar o tempo e prender o espaço.
Nesta semana, aqui no Rio de Janeiro, um funcionário
público, que trabalha numa repartição da Prefeitura da cidade, sob os efeitos
do intenso calor que superlativa este verão. André Amaral de 41 anos de idade,
casado, dirigiu-se ao trabalho no traje adequado ao calor e ao gênero: bermudas
e camisa leve.
Há quatro anos sua sala de trabalho não tem ar condicionado,
os funcionários fizeram uma vaquinha, compraram ventiladores, mas os ditos
foram roubados. André, então, foi barrado pela portaria de sua repartição. De
bermuda não pode.
Bom. Ele foi em casa, vestiu uma saia da mulher e retornou
ao expediente. Na portaria foi aquela saia justa. Mas o que dizer? Se as saias
são aceitas, por que não em homens? Pronto.
André virou notícia. Se deixou fotografar de saias em sua
sala de trabalho. A rede social espalhou o fato. E que fato?
A imbecilidade de um país tropical que ainda guarda hábitos
públicos inadequados ao povo e ao tempo no sentido meteorológico. Ontem o
prefeito permitiu o trabalho usando bermudas.
Só agora o fórum da
cidade permitiu que os advogados pudessem participar das audiência frente ao
Juiz usando camisa social, sem o detestável paletó e gravata.
Ontem, por volta de 15 horas (horário de verão), 40ºC de
temperatura, a italiana Sanda Biondo foi visitar a Academia Brasileira de
Letras, mas foi barrada na porta da biblioteca. Motivo: ela usava uma
comportada bermuda. De tão constrangida, escreveu para a coluna do Ancelmo Góis
do Globo e o assunto veio a público.
Acontece simplesmente que Sandra Biondo é a tradutora de
Raquel de Queiroz para o Italiano. Raquel foi a primeira mulher a receber o
fardão da Academia. Hoje saiu que, um constrangido Presidente, fez uma carta
convidando a senhora e que poderia vir de bermudas.
Pelo menos os conservadores precisam passar na alfândega da
história e pousar na realidade do território que pretendem habitar.
A palavra de LOURENÇO FILHO (transcrição ipsis litteris)
“Os diferentes períodos
da vida do Padre Cícero Romão parecem demonstrar o desenvolvimento de uma
psicose, revelada desde a adolescência. É assim que, quando aluno do Seminário
em Fortaleza, já demonstrava sinais tão evidentes de “mitomania” (tendência
para mentir), que o reitor do estabelecimento, padre Pedro Chevalier, opôs dúvidas
à sua ordenação. Mas o bispo D. Luis dos Santos não achou que o exagerado
misticismo do “formigão” apresentasse perigo à ação do futuro missionário.
Achou que devia ser ordenado, e assim se fez”.
.....................................................
“Se o chefe de Juazeiro tivesse podido
acumular e manter, naquele meio, um sólido e brilhante cultivo do espírito,
este, sim, seria o seu maior e mais legítimo milagre. Vivendo, há mais de meio
século, em contato apenas com o sertanejo bruto, e ademais, num ambiente de
delírio; não dispondo sequer de tempo para ler e meditar, pois que suas horas
não bastam para atender a peregrinos e beatos; sem recursos de renovação de
idéias, por livros e jornais, que até sua casa só raramente chegam; sem necessidade
alguma que o leve a exercitar o espírito, para sadio objetivo cultural – é óbvio
que só se possa encontrar nele, no termo de oitenta anos de vida, uma
inteligência medíocre e fatigada, adstrita aos mesmos abusões, preconceitos e
desvios mentais do sertanejo...
À vista de tudo isso,
já seria inadmissível uma elevada cultura em qualquer indivíduo sujeito à sua
vida especialíssima. E os fatos o comprovam, com toda a crueza. Em toda sua
longa vida sacerdotal e política, jamais pronunciou um discurso memorável, uma
conferencia ou série de pregações que tivesse produzido eco; jamais escreveu um
artigo de propaganda ou defesa; uma obra modesta que fosse de doutrina ou
combate.
Por que, por exemplo,
não explicou, num livro, que seria fácil compor, se tivesse cultura, a sombria questão
religiosa em que se envolveu ? Por que não consagrou sua vida à propaganda dos meios científicos
de combate à seca, não fez o estudo da história ou das necessidade atuais da
região ? Por que não impulsionou, por meios eficazes, a evolução social do
burgo que sempre dominou ? Por que não tem permitido que se desenvolva a
instrução pública de Juazeiro ? Por que se deixou dominar, de modo absoluto,
sem um reclamo ou desabafo, por meia dúzia de indivíduos que o têm manejado, e
que o manejam, no próprio proveito deles ?
Necessariamente,
porque, sobre a hipótese de uma psicose que o desadapta a elevada função
social, falece-lhe, por inteiro, a cultura do espírito. A maneira pela qual o
Padre Cícero se dirige aos romeiros e ouve lamentações e queixas, recebe
dinheiro e outras dádivas, aconselha e receita, não é só a de uma pessoa que
tivesse escapado à normalidade: é a de um homem manifestamente inculto”
(Lourenço Filho – que conviveu
e foi recebido pelo próprio).
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
OS NOVOS JAGUNÇOS – por José Almino Pinheiro
Quando
alguns homens começaram a armazenar os excedentes agrícolas oriundos da recém
descoberta agricultura, tornou-se necessário a proteção desses estoques, que é
a origem de um novo poder, não mais baseado na força física ou em habilidade
manual ou mental. A consequência
imediata foi o aumento do poder individual dos donos desses estoques que agora
podiam manter alguns guerreiros da tribo para sua proteção, surgindo, então, o pré-histórico
jagunço. Com o aprimoramento das técnicas agrícolas e aumento dos estoques,
crescia também o poder do pré-histórico “coronel”. Este logo descobriu que esse
poder poderia ser utilizado não só para proteção mas também para saquear
vizinhos. Na história da humanidade, guerras e saques sempre existiram mas, nem
sempre com a finalidade de aumentar estoques e poder, isso agora é novidade.
Com a expansão patrimonial, esses “coronéis” logo descobriram que, para sua
própria segurança, os membros do seu clã ou tribo deveriam ser mantidos sob
rígido controle e com as mínimas condições de sobrevivência e segurança.
Essa
já grande sociedade, controlada pelos “coronéis”, necessita de uma administração mais elaborada para atender
seus interesses. O Pajé agora vira rei, o qual não é necessariamente o dono real dos “estoques”. O poder do rei é
consensual, raramente era um dos verdadeiros “coronéis”. Os reis subsequentes, apesar
de eventualmente ricos, não passam de uma espécie de gerente simbólico (jagunço
moderno) das agora chamadas elites. Existem muitos exemplos de degolas de reis,
bastava que um deles tentasse se desviar do traçado dos “coronéis” que logo
começavam as intrigas, assassinatos, etc. Para organizar melhor a tribo, agora
reino, se forma o esqueleto administrativo, onde o rei e a corte controlam o judiciário,
o exército, a religião, a polícia, cujos efetivos são todos herdeiros funcionais
diretos do nosso pré-histórico jagunço.
Nas
monarquias absolutistas a responsabilidade por algum evento que
desestabilizasse o agora país, era logo identificado na figura do rei, tivesse
ele culpa ou não, o que acarretaria instabilidade. Daí surgiram as monarquias
parlamentaristas que preserva o modelo e não perturba o rei. Esse modelo, com suas
leis não totalmente cegas, conta com a vantagem de que a responsabilidade por
qualquer crise pode ser diluída ou, dependendo das circunstâncias, atribuída a
alguém ou algo. Esse modelo de governo surge com intensidade durante o
renascimento, época das grandes navegações e conquistas europeias. Além de
limitar caprichos reais, surgem as ideias de nação, de país moderno, como
também do nacionalismo geográfico. A ideia dessas elites em melhorar a vida das
populações locais, para terem em troca lealdade e sua própria sobrevivência, é
mais antiga só que agora mais fáceis de implementar. O custo dessas novidades deveria ser pago
pelos novos vassalos e escravos, longe das metrópoles. Para o modelo funcionar e justificar o escândalo,
foi preciso impor uma administração que atendesse aos interesses dos herdeiros
dos pré-históricos “coronéis”. Alguns
países que tentam sair da área de influencia política dessas elites sofrem
represálias. Com o crescimento econômico dos países e consequente aumento da
poupança foi preciso modernizar a jagunçada, agora transformados,
principalmente, em exércitos. Só como curiosidade vale a pena citar o Diário do ator Richard Burton, que na pagina
referente ao dia 3 de dezembro de 1971 escreveu: "O Presidente Pompidou
foi empregado de Guy de Rothschild antes e depois de ser primeiro-ministro e o
novo primeiro ministro era para ter vindo ontem à noite, mas não pôde. (...)
Então não admira que Guy possa requisitar toda a força policial de Paris se
assim desejar. (Alusão a uma festa na qual, sua esposa a atriz Elizabeth Taylor
compareceu com mais de 3 milhões de dólares do pescoço para cima).
A antiga poupança, hoje transformada em PIBs, não mais
necessita estar fisicamente dentro das fronteiras oficiais de seus donos, basta
apenas ter o controle efetivo sobre essas “poupanças” por meio econômico como é
o caso das commodities, ou das armas, como no caso do petróleo, ou ambos.
Olhando a relação dos mais ricos do mundo da revista Forbes, nenhum ou muito
poucos da lista são políticos, eles preferem o anonimato, pois para o serviço
sujo dispõem dos novos jagunços, presidentes, ministros, senadores, deputados,
etc.
TUDO QUE EU PRECISO É VOCÊ - José do Vale Pinheiro Feitosa
“Às vezes quando estou triste e sozinho,
Sinto-me como uma criança fora de casa
O amor que você me dar preenche-me, querida
Tudo que eu preciso é você.”
All i ever need is you, de Jimmy Holiday and Eddie Reeves foi
gravada a primeira vez por Ray Charles em 1971 no album The Volcanic Action of
my Soul. Um dos maiores sucesso da música foi com Sonny e Cher e também a
gravaram Ray Sanders e a dupla Kenny Rogers e Dottie West.
É inevitável que o título da música no remeta a uma canção
muito famosa dos Beatles, de 1967, que intitulou-se All You Need is Love.
All You Need is Love - The Beatles que se inicia assim: amor, amor, amor,/não há nada que você possa fazer que não possa ser feito/ nada que possa ser cantado que não possa ser cantado/ nada que você possa dizer, mas você pode aprender o jogo/ é fácil.
“Você que é meu primeiro amor, você é meu
derradeiro,
Você é o meu futuro, é o meu passado
Oh! Amar-te é tudo que peço, querida,
Tudo que eu preciso é você”
As canções restritas ao amor de dois, costumam falar de
particularidades, de privacidades e têm dificuldade de alargar este mesmo amor
para a humanidade inteira. São os sintomas de uma sociedade de bens privado, de
muros a separar pessoas, do "meu" ao exagero do sucesso e do realce.
Mas não deixam de ser um ensaio sobre o amor sem trocas, sem
esperar uma moeda de paga, uma compensação pelo próprio e espontâneo sentimento
de amar. Não é incomum que uma vez abalado pelas intempéries dos dias, pelos
ânimos que arrefecem, o amor seja traído ou até soterrado numa desculpa de que
os elementos que o despertaram deixaram de existir.
É quando todas as condicionalidades, as particularidades e
privacidades despencam como um grande muro naquele que deveria ser um amor sem
concessões e trocas.
“Os invernos virão e depois passarão
E veremos o derretimento das neves,
Pronto o verão virá da primavera, tudo que
você faz,
Dê-me razões para construir meu mundo ao seu
redor.”
“Meu mundo girar ao
teu sol”.
All i ever need is you - Ray Charles a primeira gravação da canção.
Nas estações do ano, mesmo quando não as há, as efemérides
que os anos marcam, bicam as migalhas de pão que o amor deixou para marcar a
rota de sua causa primeira. E uma das mais difíceis tarefas de quem se encontra
nas rotas perdidas, é reencontrar as causas primeiras. Confessam-se frágeis
diante do passar, acusam as mudanças externas, as conquistas de novos desejos,
uma vez que o desejo é gêmeo da felicidade: sempre é a busca daquilo que lhes falta.
Como diz Eduardo Galeano: um horizonte sempre a se afastar.
“Algumas pessoas seguem o arco-íris,
disseram-me
Outras procuram prata, alguns o ouro,
Mas encontrei meus tesouros em minha alma
Tudo que eu preciso é você”.
All i ever need is you - Jerry Reeve e Chat Atkins uma das guitarras mais belas dos Estado Unidos.
Como encontrar a minha alma se a promessa é um mundo de
sofrimento e a felicidade só após morte? Esta praga cristã transfere o amor
integral, incondicional, para um limbo atemporal. Mas todas as chagas que minam
meu sangue, todas as lepras que apodrecem minha carne, todas grades que impedem
meus passos, não são suficientes para anular meus passos em busca do amor como o
sujeito que ama o sujeito para que todos prediquem a vida. Com seus verbos e
complementos.
“Sem o amor nunca encontrarei o caminho
Pelos de altos e baixos de cada dia
E ficarei insone por toda noite até que você
diga
Querido(a), tudo que eu sempre preciso é
você”
Lá, Lá, Lá, Lá, Lá,
O teu amor me mantém por sobre o tempo
Querida, tudo que realmente preciso é você
Lá, Lá, Lá, Lá, Lá
Afinal encontrei os tesouros de minha alma
Querida, tudo que realmente preciso é você
Lá, Lá, Lá, Lá,"
All i ever neede is your - Sonny e Cher - a gravação de maior sucesso desta canção.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Excentricidade ou Frescura ??? - José Nilton Mariano Saraiva
Recorrente - mas ainda assim
impressionante - como aqueles que atingem certo destaque em alguma profissão,
principalmente os que lidam diretamente com o público, se transmutam da
noite pra o dia, tanto em comportamento como em termos visuais. Dentre estes se
sobressaem, justamente pelo contato mais próximo com o povo, jogadores de
futebol e cantores dos mais diversos estilos (sejam nacionais ou
internacionais).
Os primeiros (jogadores de futebol)
normalmente oriundos de famílias paupérrimas, quando finalmente “chegam lá” fazem
questão de ostentar, de exibir, de ser “diferente”, como a querer mostrar que
não são inferiores a ninguém, compensando de certa forma a “vida-de-cão” que
levaram no passado. Assim, visando mandar para o espaço o complexo de
inferioridade enrustido durante tanto tempo, além dos carrões, roupas de grife,
jóias caras e mansões luxuosas, adotam os mais esquisitos e ridículos cortes de
cabelo, que de pronto passam a ser adotados por seguidores fanáticos (que o
diga o tal do Neymar e seu estilo moicano ou aquele horroroso corte exibido
pelo tal Ronaldo Nazário, no final da Copa do Mundo do Japão, onde o Brasil foi
vencedor).
Já no tocante aos cantores que se
destacam, a “coisa” é mais “seleta, refinada e eclética”, a saber: uns, embora
teimem em falar e pregar a “humildade”, nos seus shows exigem dos
patrocinadores uma determinada marca de água mineral importada
(preferencialmente de um país distante); frutas, preferencialmente aquelas
oriundas dos cafundós do planeta Terra; também não dispensam um bebida de
primeira qualidade, evidentemente que também de outras plagas; um outro só faz
o show se o camarim for decorado unicamente na cor azul, com móveis
confeccionados de uma madeira tal e outras extravagâncias.
Agora, entretanto, um deles nos aparece
com uma exigência que, muito mais que excentricidade, poderia ser confundida com
“frescura pura” (e não é pelo fato de ser um homossexual assumido); fato é que o
renomado (e bom) cantor britânico Elton John exigiu para a turnê Follow the Yellow Brick Road, que empreenderá no Brasil, mimos que chegam
às raias do absurdo.
Assim, além do cachê altíssimo que receberá, exigiu dos patrocinadores do seu
show ( aqui em Fortaleza, no próximo dia 26.02.14 ), dentre outros itens: 01)
que, toda a Arena Castelão, onde será realizado o evento, seja climatizada a 19
°C; (assim, embora normalmente a temperatura ambiente da Arena Castelão seja de
35 °C, em todas as áreas por onde ele for circular a temperatura não poderá
passar dos 19 graus e PT saudações); 02) que, no seu camarim seja instalado um
telão de alta definição, a fim que possa assistir a canais esportivos; 03) que,
seja criado o “Espaço Elton John Hospitality” (espécie de sala de visitas) com
ornamentação de plantas naturais com pelo menos 1,80 metro cada e que elas
sejam exclusivamente palmeiras e fícus; e 04) que, para comer, estejam
disponíveis saladas de frutas, de legumes e sopas vegetarianas (aqui, até que não
foi muito exigente). Descartou, entretanto, qualquer proteína animal.
Será que os patrocinadores do evento conseguirão atender a todas as
exigências do já decadente cantor ??? E se o não o fizer, será que o mesmo
recusar-se-á a cantar pra os cearenses
???
No mais, para os que se dispuserem a ir ao show foram colocados à venda
40 mil ingressos (a “preços de banana” em fim de feira, como se verá), a saber:
gramado cadeira ouro (R$ 600) e platéia inferior direita (R$ 140), já esgotados.
Há ingressos ainda para gramado cadeira prata (R$ 460), gramado cadeira bronze
(R$ 360), camarote vip open bar (R$ 500), camarote privativo (R$ 800), platéia
inferior esquerda (R$ 140), platéia superior especial (R$ 300), platéia
superior esquerda (R$ 110) e platéia superior direita (R$ 110).
E aí, quem se habilita ???
As Pedras Se Cruzam
Paulo César Pinheiro
Apesar!
Da vida nos separar
A gente vai se encontrar
Em qualquer canto de rua
De manhã
Numa esquina de algum lugar
De tardinha num vão de bar
Ou numa noite de lua
àguas passadas não moverão moinho
Acho que a gente até pode se beijar
Mesmo que já não se tenha mais carinho
As pedras se cruzam no caminho
Que a vida foi feita pra rolar
Rolou, vida rolou, rolou a vida
Eu lhe dei casa e comida
Dei-lhe um nome e coração
Pra mim o que rolou na despedida
Foi só lágrima sentida
Mas inda lhe estendo a mão...
Paulo César Pinheiro
Apesar!
Da vida nos separar
A gente vai se encontrar
Em qualquer canto de rua
De manhã
Numa esquina de algum lugar
De tardinha num vão de bar
Ou numa noite de lua
àguas passadas não moverão moinho
Acho que a gente até pode se beijar
Mesmo que já não se tenha mais carinho
As pedras se cruzam no caminho
Que a vida foi feita pra rolar
Rolou, vida rolou, rolou a vida
Eu lhe dei casa e comida
Dei-lhe um nome e coração
Pra mim o que rolou na despedida
Foi só lágrima sentida
Mas inda lhe estendo a mão...
A CAMPANHA ELEITORAL JÁ ESTÁ NAS MANCHETES E CHAMADAS DA MÍDIA - José do Vale Pinheiro Feitosa
O Ministro Gilmar Mendes, a repórteres, põe em dúvida a lisura
das doação de pessoas físicas para cobrir as multas de Delúbio Soares, Genoino
e Dirceu. Ele acuso, sem citar evidências. A evidência, para ele, é o ato. Os
jornais já vinham nesta linha e o líder do PSDB entra com um pedido de
investigação sobre o mesmo assunto.
Enquanto isso o UOL, Universo Online, provedor de notícias e
internet da Folha de São Paulo pega um fato (a divulgação do IBGE do
crescimento da Indústria Brasileira em dezembro de 2013) e recria a manchete
sobre ele ao longo do dia segundo a vontade política dos donos.
A manchete teve a seguinte evolução: primeiro foi PRODUÇÃO
INDUSTRIAL DO BRASIL CRESCE 1,2% EM 2013, SEGUNDO IBGE. Alguém não gosto e
reescreveu a manchete: COM FORTE QUEDA EM DEZEMBRO, INDÚSTRIA CRESCE 1,2%, DIZ
IBGE. Mas era pouco para embate eleitoral da empresa e aí veio aquela que o satisfazia:
INDÚSTRIA BRASILEIRA TEM O PIOR DESEMPENHO DESDE O GOVERNO COLLOR.
Isso quer dizer embate eleitoral. E em todos os embates os
atores vão se mexer. Espera-se que nos limites legais. Considerando que até a
lei será usada para acusar o outro. Mas aí é preciso saber que o uso do bem
maior (Lei, Deus, o Pai, a Mãe ou outro bem maior da nossa sociedade) pode
sempre ser uma artimanha da luta.
Em outras palavras o que não se pode é deixar de fazer a
defesa e de participar do embate. É assim que funciona a democracia. Portanto
nada a estranhar que os petistas e simpatizantes lutem em defesa, politicamente,
por suas teses e patrimônios políticos e que nele estejam Gilmar Mendes, Globo,
Folha de São Paulo e Estado de São Paulo além de uma récua de jornalismo
familiar pelas províncias dependentes desse eixo em termos de jornalismo.
Sim, ontem houve uma apagão e os jornais lutam por colocar a
culpa no governo. Isso independente do clima e do debate sobre meio ambiente
com as fontes geradoras de energia. É propaganda eleitoral. Mas é um bom debate
e deve ser exposto por todos os lados.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
A CORRUPÇÃO GENERALIZADA - José do Vale Pinheiro Feitosa
Essa vai dar uma roda no pessoal que vive o complexo de
vira-latas. Ou seja o narciso ao contrário. E não apenas isso. Vai deixá-los
sem referência em relação ao país mais corrupto do mundo que naturalmente para
eles é o Brasil e os petistas que estão Papuda.
É deprimente o que o pessoal vai saber. Três em cada Quatro Europeus acredita que a corrupção está generalizada. É o resultado de uma pesquisa feita
com os cidadãos da comunidade pela Comissão Europeia e li este resultado no
Jornal El País da Espanha.
Na Grécia, Itália e Espanha esta opinião é praticamente e de
todos (mais de 95% acha isso). Até no símbolo da Comunidade Europeia que é a
Alemanha o índice atinge 59%. Mas tem mais. Os alemães se encontram no divisor mínimo
que acham isso pois na imensa maioria dos demais países estes índices estão
acima de 60%. Somente nos países escandinavos essa opinião foi menor que a
Alemanha: Suécia com 44% (assim é alto para o que esperamos daquela sociedade),
Finlândia (29%) e Dinamarca (20%).
Mas não isso que os analfabetos políticos brasileiros querem:
fazer da corrupção uma bandeira para construir um povo. O “Lacerdismo” só vai
desaparecer da cultura brasileira quando a geração que cresceu sob a ditadura
desapareça. Essa é primeira observação a ser feita.
A segunda é óbvia. Isso é sistêmico e como coisa sistêmica se
origina de um sistema e esse é o capitalismo. Portanto a percepção do povo
europeu é a natureza da observação que irá se tornar crítica de certo
liberalismo econômico (dando origem a propostas autoritárias, como o fascismo)
e em segundo lugar, com algo mais aprofundado, a criação das bases de uma
sociedade mais igualitária e menos movida apenas a negócios de corporações
econômicas. Uma sociedade mais solidária já tem nome na história é só estudar
suas bases teóricas e algumas práticas.
Em qualquer circunstância se não foi esse o resultado de uma
resiliência fatalista, estamos diante de algo crítico do qual emergirá forças
mais autoritárias em contraponto com forças democráticas.
EU VOU CONTAR A DEUS! - José do Vale Pinheiro Feitosa
A ameaça que dá título a esta postagem teria sido feita por
uma criança morrendo em decorrência da guerra na Síria. De tão revoltada com as
malvadezas daqueles humanos em fúria destrutiva de si e dos outros, a criança
disse que iria enredar a Deus sobre aqueles crimes todos. Disse isso enquanto
morria.
E contar a Deus é contar para a história. Toda malvadeza se
escuda no rompante e na finitude do contexto onde pratica o mal. Assim como o
senso de impunidade. Tudo passa. Tem a possibilidade de adiar a culpa e assim,
entre trancos e barrancos ir levando.
Sem contar que a malvadeza tem como justificativa a
perenidade do mal entre todos. Se alguns as praticam então, como dado da
realidade, a que este pratica se equivale a daquele. Afinal ninguém inventa a
maldade em seu ato. Ele não inaugura a maldade. Ele se justifica pela
agressividade sobre a dignidade do outro e se esconde no cipoal da maldade
geral.
Mas contar a Deus, como já disse, é contar para a história.
Aquela criança estaria contando para a história o horror que perdura contra
pobres, crianças, idosos, etnias e tantos outros grupos vítimas de genocídios.
E esta denúncia me veio a respeito do premiado Humorista
Danilo Gentili, que foi alçado ao SBT para continuar com um humorismo nascido
junto com as redes sociais e todo tipo de neo-conservadorismo que empunha
espadas, família e propriedade contra direitos humanos, sociais, solidariedade,
políticas corretas e de compensações entre outras bandeiras dessa época.
Danilo, meio no estilo da perseguição da direita paulista
aos nordestinos, fez piada com a pernambucana Michel Maximino que foi a maior
doadora de leite materno do Brasil. Ela entregava todo o excedente para um
banco de leite há 80 quilômetros de sua casa.
Os bancos de leite nasceram exatamente desse espírito de
solidariedade. Do mesmo modo que os bancos de sangue. E Danilo Gentili atacou
exatamente este esforço fazendo comparações de mau gosto com um ator pornô. Isso
tudo pela Bandeirantes em rede nacional. A moça virou piada e foi hostilizada
pelas redes sociais e pelas ruas da pequena cidade onde mora.
Tiveram que abandonar tudo, mudar de cidade e irem morar na
capital para se esconder das bombas assassinas da rede de televisão em sua ação
impune de praticar o mal.
DANILO EU VOU CONTAR PARA DEUS
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
O MÚSICO QUE EXPRESSOU A MÚSICA DE PROTESTO - José do Vale Pinheiro Feitosa
“Onde todas as flores foram, tanto tempo que
passou?
Onde todas as flores foram, há muito tempo
atrás?
Onde todas as flores foram?
As garotas as colheram todas.
Oh, quando é que elas vão aprender?
Oh, quando é que elas vão aprender?”
Quando alguém amou a música de Bob Dylan, curtia Joan Baez, Leonard
Cohen, Harry Belafonte, a sul-africana Miriam Makeba do Pata Pata e tanta gente
que engajou sua música na luta social por direitos humanos e qualidade de vida,
tinha como projeção de grandeza Pete Seeger.
Goodnight, Irene - na voz de Pete Seeger
“Onde todas as garotas foram, tanto tempo
que passou?
Onde todas as garotas foram, há muito tempo
atrás?
Onde todas as garotas foram?
Foram todas para seus maridos.
Oh, quando é que elas vão aprender?
Oh, quando é que elas vão aprender?”
Pete Seeger,
a grande luz da protest folksong faleceu na última semana de janeiro de 2014
aos 94 anos. Ele teve influência nas canções de protesto contra a ditadura aqui
no Brasil e por justiça social em vários países da América do Sul e incluindo
os valores revolucionários cubanos. E a lista de grandes figuras influenciadas
por Pete Seeger é grande incluindo, George Moustaki na França e os cubanos como
Pablo Milanes e Silvio Rodriguez e os chilenos como Violeta Parra e Victor Jara.
If I Had a Hammer - Pete Seeger em 1956
“Onde todos os maridos foram, tanto tempo
que passou?
Onde todos os maridos foram, há muito tempo
atrás?
Onde todos os maridos foram?
Foram todos se engajar nas forças armadas.
Oh, quando é que eles vão aprender?
Oh, quando é que eles vão aprender?”
Pete Seeger
participou dos movimentos de esquerda nos Estados Unidos desde os anos 30. E não
pensem que ser de esquerda além da fronteira liberal, junto à causa operária,
seja mais ameno do que o contrário na União Soviética naqueles idos. Ele esteve
nos movimentos antifascistas e pacifistas, lutou contra o marcatismo nos anos
50, juntou-se ao movimento pelos direitos civis, junto com Luther King pelos
direitos dos negros, contra a guerra do Vietnã e denunciou todas as invasões
imperialistas dos EUA pelo mundo todo.
We Shall Overcome - se tornou o Hino do movimento pelos direitos civis e contra o racismo
“Onde todos os soldados foram, tanto tempo
que passou?
Onde todos os soldados foram, há muito tempo
atrás?
Onde todos os soldados foram?
Foram todos para o cemitério.
Oh, quando é que eles vão aprender?
Oh, quando é que eles vão aprender?”
Poucos ícones da cultura americana foram tão perseguidos
quanto Pete Seeger. A mídia o pôs no ostracismo. A indústria de difusão
cultural igualmente. Foi preso por desacato ao Congresso ao se negar depor numa
comissão de atividades anti-americanas, propondo ao invés disso cantar as
músicas que representavam sua participação na cultura mundial.
Guantanamera - para realçar a Cuba revolucionária
“Onde todos os cemitérios foram, tanto tempo
que passou?
Onde todos os cemitérios foram, há muito tempo
atrás?
Onde todos os cemitérios foram?
Foram todos para as flores.
Oh, quando é que eles vão aprender?
Oh, quando é que eles vão aprender?”
Nos últimos anos ele se engajou na luta em defesa do meio
ambiente, participou de grandes concertos em defesa de direitos humanos. À
margem do showbusiness, Pete Seeger viveu a plenitude do ser humano sem as
concessões do dinheiro e do poder que envelopa a dignidade humana com a chamada indústria cultural.
Where Have Al The Flowers Gone? - uma das músicas mais conhecidas de Pete Seeger. O poema que acompanha esta postagem é a tradução da letra dela. Ela se tornou o hino do movimento pacifista internacional. Aqui um versão do famoso trio Pete, Paul and Mary.
“Onde todas as flores foram, tanto tempo que
passou?
Onde todas as flores foram, há muito tempo
atrás?
Onde todas as flores foram?
As garotas as colheram todas.
Oh, quando é que elas vão aprender?
Oh, quando é que elas vão aprender?”
Where Have Al Flowers Gone? Na voz de Marlene Dietrich. Marlene cantou esta música em versão em alemão e a apresentou em Israel. Foi a primeira vez que alguém se apresentou em público usando alemão. Escolhi esta versão em inglês porque de fato ela é muito bonita.
Quem gosta
da humanidade e de pesquisar busque Pete Seeger e suas músicas que muito bem
lhes fará.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
ACORDA! - José do Vale Pinheiro Feitosa
Zé Flávio acaba de publicar uma bem humorada crítica a certo
discurso oposicionista que não constrói alternativa e tem medo das mudanças
sociais de um país das nossas dimensões (por isso mesmo: são mudanças macros
que atinge grande número de pessoas). Esse discurso não se restringe aos blogs
do Cariri, mas ele é repercutido com muita frequência por quem posta neles.
Aliás, o Zé faz uma boa referência regional ao lembrar de algumas bandeiras que
são típicas destas postagens.
Uma das características desse discurso é o anticomunismo
febril e neurastênico, um horror a Cuba e à Venezuela e um apego aos modelos de
“sucesso” como o experimento neoliberal do Chile. Aliás um discurso malandro,
pois personaliza a contrariedade ao atacar Fidel, Hugo Chávez, Evo Morales, mas
nunca falam em Pinochet.
Na semana que passou, com a mídia das velhas e endinheiradas
famílias conservadoras do eixo Rio-São Paulo criando uma cortina de fumaça
sobre a reunião da CELAC em Cuba com a história da escala de Presidente Dilma
em Portugal, tivemos maiores mágoas naquele discurso que o Zé Flávio alfinetou.
É o protagonismo do Brasil em Cuba, numa escala que aquele discurso
desconhecia.
Segundo Tomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações
Exteriores e de Comércio da FIESP, o Brasil já emprestou a Cuba um Um Bilhão e
Seiscentos Milhões de Dólares. Incluindo créditos alimentícios para comprar de
alimentos aqui no mercado brasileiro. E agora o maior anacronismo do discurso
que O Zé levantou: isso tudo vem desde o Governo Fernando Henrique Cardoso e se
manteve com Lula e Dilma.
A verdade é que hoje já existem trezentas empresas
brasileiras operando em Cuba. O Governo Brasileiro fará uma série de
associações com empresas de biotecnologia com o país e só no porto de Mariel o
Brasil está investindo 1 bilhão e duzentos mil dólares. As obras são tocadas
por um empresa brasileira, 80% das compras são feitas no Brasil e as receitas
que pagarão o empréstimo serão do próprio porto.
Cuba vai se aproveitar do modelo chinês a partir dos ganhos
de sua própria revolução. População bem educada e um bom sistema de saúde
pública. Segundo o diretor da FIESP as empresas brasileiras instaladas em Cuba
apontam a excelente qualidade técnica do trabalhador cubano.
E olhe que vai ocorrer a ampliação do Canal do Panamá e aí é
uma porta para o Pacífico, é uma escala para a produção brasileira além da
proximidade dos Estados Unidos da América. Se o embargo cair, o porto de Mariel
é fundamental.
Enfim: é preciso usar o bem humorado argumento do Zé Flávio
para que esse discurso se preocupe com a realidade que nos envolve. Que muda
muita coisa em volta, numa velocidade enorme e com elementos inteiramente distintos
de trinta anos passados.
Lugares... Momentos... Decisões... - José Nilton Mariano Saraiva
01) em Brasília, o
ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Marcos Aurélio de Melo, em pleno gozo
do justo lazer do final de semana, resolve abruptamente suspende-lo para determinar
que a masculinizada governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarline (Democratas)
volte ao cargo, de onde houvera sido cassada e tornada inelegível por 08 anos, pelo
Tribunal Regional Eleitoral (mais de uma vez), por, comprovadamente, transgredir
a lei (abuso de poder econômico); pois bem, voltou e fez festa para comemorar.
02) em Fortaleza, o
Desembargador Paulo Camelo Timbó, do Tribunal de Justiça do Ceará, determina
que o bandido de alta periculosidade, Francisco das Chagas Rodrigues (vulgo Zito),
condenado “APENAS” por: latrocínio, porte ilegal de armas, assalto à mão armada,
seqüestro, tráfico de drogas, formação de quadrilha e fuga da cadeia (em
diversas oportunidades e que lhe renderam 06 condenações, 16 processos e 42
anos de prisão), seja transferido da penitenciária federal de segurança máxima,
de Catanduvas-PR, para um desses presídios chinfrins da periferia de Fortaleza,
sob o argumento de que precisa comparecer a uma audiência na Vara de Execução
Penal da capital cearense (Por qual razão não vir e depois voltar para a
segurança máxima, como recorrentemente acontece com o tal Fernandinho Beira Mar
??? Alguém tem alguma dúvida que em pouco tempo ele dará um jeito de escapulir
e voltar a matar nas ruas ???); pois bem, a “fera” já chegou por aqui.
03) no Crato, o Bispo
Diocesano, Dom Fernando Panico, que passara pelo indizível constrangimento de comparecer à Delegacia de
Polícia a fim de prestar depoimento sobre denúncia de estelionato; que houvera
aparecido na TV e de viva voz confirmado que realmente vendera imóveis da
diocese (pediu inclusive desculpas aos inquilinos por não lhes ter dado o “direito
de preferência”); que houvera confirmado que mesmo após a venda continuava a
receber os aluguéis dos citados imóveis e, por fim, que (admissão de culpa ???)
já houvera “recomprado” parte dos imóveis, restituindo-os ao patrimônio da Diocese
(como se, ao voltar atrás desfazendo o malfeito, nada houvesse acontecido);
pois bem, apesar de tudo isso, e após 6 meses de investigação, a autoridade
policial do Crato resolveu pelo arquivamento do processo, sob a alegativa de
falta de provas.
Certamente que, por
tomar medidas como essas, que vão de encontro ao bom senso, à moralidade, à
razoabilidade e à própria lei, o nosso Poder Judiciário, que deveria
constituir-se no guardião da legalidade e dos bons costumes, de há muito vem
sendo avaliado como uma das piores instituições da república (a dúvida é: será
que tudo isso tem um preço ???).
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Ai que saudades que sinto !
Não é preciso ser nenhum Nostradamus para perceber que o
Brasil está à beira do caos. A inflação
está estável, mas descontrolada. O
desemprego se diz o menor de toda a história do país, mas basta
se olhar para se sentir que o povo anda descontente, trabalhando, mas
descontente. O salário mínimo já atinge
mais de 300 dólares, mas é fácil ver que tem menos poder aquisitivo do que no
tempo de FHC. Ah aqueles sim é que eram os bons tempos! Tirante a época da Monarquia
, claro ,onde tudo era um paraíso: a elite e os escravos conheciam o seu lugar
! Até a loucura cometida pela tal da Princesa
Isabel : é no que dar colocar nas mãos de mulher poder
de decisão ! O povo poupa cada vez mais
dinheiro , temendo, certamente, a
hecatombe. O rombo na balança comercial deve-se, principalmente , às pessoas
viajando pelo mundo e gastando lá fora, mas não é turismo não, meus amigos, tão
é se mudando deste paizinho de merda !
Também,
não é prá menos, né ? O governo fica viciando o povo com essa Bolsa
Miséria e
ninguém mais quer trabalhar no campo. A gente oferece dia de trabalho de
até
sete reais e não aparece ninguém. Tudo um bando de preguiçoso ! Também,
o que se esperaria de uma racinha de mestiços
de índio com negro ? E o governo ainda patrocina esta tramóia ! Babá e
empregada doméstica anda mais difícil que enterro de anão !E
também, se aparecer, quem pode pagar ?
Culpa do governo que deu direito trabalhista pra esse povo ! Pagar
salário mínimo para esse povo que nem qualificação tem ? Tá doido ? Ah
que
saudades da senzala, meu Deus ! É
mordomia demais ! Ainda acharam pouco e criaram as tais de cotas para
pobre e
negro nas Universidades ! Já pensou ? Qualquer mendigo hoje se forma !
Isso já
é um preconceito embutido ! Tão querendo dizer que pobre e negro não tem
capacidade, é ? Precisa é melhorar a escola
pública, meus amigos ! A gente não vinha fazendo isso, pouco a pouco,
desde
Deodoro ? Era só esperar ! E ainda dando
bolsa de estudo para esse bando de analfabeto ? Acharam pouco e já tão
criando
cota até para concurso ? Para botar um monte de gentinha trabalhando no
lugar
de gente fina e educada ? Pior : caíram
na irresponsabilidade de melhorar o poder aquisitivo de todo mundo e
agora já
não se pode andar nas cidades, todas entupidas de carro ! Todo pé-rapado
hoje
tem um carro ! O desmantelo chegou a tal
ponto que já mandaram buscar médico estrangeiro para atender os pobres. O
pior
é que ninguém nem sabe se têm qualificação. Porque não pagam muito bem
aos
médicos brasileiros para fazer o serviço ? Nem precisa ver se são bem
formados
, não, nós brasileiros nos entendemos, né ? Se os médicos brasileiros
não
quiserem sair da beira da praia, é um direito deles, ora ! A solução é
transferir todos os pobres e
miseráveis para o litoral ! Podiam se aumentar as favelas para
acondicionar
todo mundo.Criar muro para separá-los dos cidadãos de bem! Claro que a
violência poderia aumentar, aí
instituiríamos a Pena de Morte para
julgar estes bandoleiros e diminuiríamos
a Maioridade Penal , porque Menor
Bandido , não é Menor , mas Bandido e
como bandido deve ser tratado! E acabaríamos de vez com esses vermes
dos
Direitos Humanos que só acham que existem direitos humanos para
bandidos.
E
agora, já se não bastasse tanto desmantelo, vocês não viram na televisão ? os
pobres resolveram não mais reconhecer seu lugar e estão fazendo uns tais de
rolezinhos nos shoppings. Vão dar corda a eles! Dão a mão e eles querem os pés
! É mandar a polícia baixar o sarrafo. O shopping é a única ilha de
tranquilidade dos bacanas desse país !
A
corrupção no Brasil, nunca esteve tão insuportável. Os políticos brasileiros,
principalmente dos partidos contrários a
nós, roubam descaradamente. Quem foi que elegeu esses ladrões miseráveis ? É
preciso fechar o Congresso e acabar com
essa baderna! Bons tempos eram aqueles
da Ditadura Militar! Precisamos é de um General para governar essa nação ! Gente de moral e respeito ! E essa tal de
Comissão da Verdade? Tão ficando doido, é ? Combater comunista e subversivo
agora é crime ? Se não se tortura como é que se descobre toda a rede de
comparsas ? Guerra é guerra, meu filho !
Vou-me embora ler minha “VEJA”. Mais tarde cuidar da empresa que apesar da terrível crise econômica do Brasil, por conta do nosso desempenho empresarial, mesmo com os juros escorchantes, tem andado de vento em popa e nunca lucramos tanto apesar desse governozinho miserável ! Nas férias até pensava em passear na Europa. Aquilo sim é que é primeiro mundo ! Mas já não tem graça ! Antes só íamos apenas eu e a Danuza Leão para lá, agora há farofeiro brasileiro ,por tudo quanto é lado, dando seus rolezinhos no exterior ! Ainda bem que tudo vai mudar no próximo ano! As pesquisas não estão com nada! O governo comprou todos os institutos! Haja paciência ! Aí que saudade que sinto ! Xô gentalha !
J. Flávio Vieira
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
LUIZ GONZAGA EM PARIS, DURANTE A DITADURA, VISITA VIOLETA ARRAES - José do Vale Pinheiro Feitosa
A ditadura mais duradoura do Brasil, com maior número de
vítimas fatais e grande número de torturados e desaparecidos foi engendrada
como uma luta contra o comunismo. Este pintado com todos os ingredientes
semióticos da visão negativa da cultura brasileira de então. Ser comunista no
Brasil, era igual à prisão, tortura e até morte. Era como ser acusado de bruxa
pela Inquisição Medieval.
Como os comunistas brasileiros não eram tantos, o suficiente
para fazer face ao arbítrio, o linguajar da ditadora, inclusive em atos
institucionais e notas de imprensa ameaçadoras, adotou um estilo do tipo
chocolate sonho de valsa. Usaram a palavra subversivo contra todos os
opositores (inclusive liberais e ex-aliados como Lacerda) subentendendo que no
núcleo duro estava o comunismo.
Entendido que ser comunista no Brasil era ser usurpado de
todos os direitos humanos e políticos.
Ai vem a história que me contou ontem José Almino, o filho
mais velho do grande político Miguel Arraes, uma vítima de destaque da
perseguição do golpe militar de 64. A história aconteceu com Violeta Arraes e
Luiz Gonzaga.
Seu Luiz era um sertaneja muito esperto, nunca foi de muita
leitura, enquanto serviu no Exército, por mais de 10 anos, nunca prestou sequer
um concurso para cabo. Foi soldado a vida inteira e ligado aos músicos dos
quartéis. Mas isso não impediu de ser um dos homens mais reconhecedores da
própria situação, que tinha um criatividade sem igual e que sozinho criou o
estilo de música nordestina que pontuou nas cidades e ocupou as mídias
fonográficas, o rádio e os shows.
Seu Luiz inventou o regional nordestino com uma oportunidade
sensacional. Não podia correr as estradas carregando um bando de músicos.
Inventou a formação da sanfona, o bumbo e o triângulo. Este último sendo um
músico achável em qualquer canto do nordeste. Era a formação que poderia levar
num automóvel de passeio.
Um gaúcho se apresentou, com sucesso, a caráter, num
programa de auditório. Seu Luiz mandou comprar no Juazeiro a roupa de couro
mais enfeitada que tivesse. Daquelas que os vaqueiros não usam. Fernando Lobo
(pai do Edu Lobo) que tinha programa de auditório até proibiu seu Luiz de usá-la.
Mas assim ele criou o estilo.
Seu Luiz se juntou à melhor safra de poetas com temática
nordestina, com aquele estilo matuto, assim como já fizera Catulo da Paixão
Cearense. Eram letristas da cidade e educados, mas criaram o estilo de
qualidade. Um Patativa do Assaré seria mais autêntico que estes doutores da
letra nordestina? Difícil dizer, tal foi a dimensão que a música de Luiz
Gonzaga cobriu a cultura nacional.
A verdade é que seu Luiz sempre esteve junto aos políticos e
os adulava mesmo. Como vinha da terra dos coronéis, ao político da linha
ideológica de direita ele era mais próximo. Elogiou o golpe de 64 e os
militares por trás dele. E participou de campanhas eleitorais contra Miguel
Arraes, inclusive tirando frases da própria lavra.
Aí vem a história com Violeta Arraes. Gonzaguinha foi para a
Europa e levou seu Luiz a tiracolo. Em Paris, na companhia de outro músico
amigo da Violeta, quis visita-la. E foram os três, incluindo seu Luiz até a
casa de Violeta. Quando chegaram a Violeta os recebeu com agrado mas pontuou
que antes de tudo gostaria de lembrar a seu Luiz a campanha dele contra Miguel
Arraes que era um político que representava os interesses do camponês
nordestino. A mesma origem de Seu Luiz.
Seu Luiz com muita calma. Disse mais ou menos assim: Dona
Violeta, eu sou um matuto pobre, de família pobre, nasci num lugar perdido do
mundo chamado Exu, toco um instrumento que pouco valor tem no meio dos ricos e
a senhora ainda quer eu seja comunista?
Ou seja, levar porrada da ditadura!
Todos riram da tirada de seu Luiz.
Naqueles idos Gonzaguinha fazia parte da música de protesto,
à esquerda do regime, com o Movimento Artístico Universitário (MAU) e seu Luiz
foi seu padrinho em alguns festivais. Acontece que seu Luiz tinha caído num
ostracismo artístico tremendo nos anos 60 e quem os recuperou foram os músicos
da geração de Gonzaguinha como Caetano, Chico, Gil, Alceu entre outros.
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