por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Excentricidade ou Frescura ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Recorrente - mas ainda assim impressionante - como aqueles que atingem certo destaque em alguma profissão, principalmente os que lidam diretamente com o público, se transmutam da noite pra o dia, tanto em comportamento como em termos visuais. Dentre estes se sobressaem, justamente pelo contato mais próximo com o povo, jogadores de futebol e cantores dos mais diversos estilos (sejam nacionais ou internacionais).
Os primeiros (jogadores de futebol) normalmente oriundos de famílias paupérrimas, quando finalmente “chegam lá” fazem questão de ostentar, de exibir, de ser “diferente”, como a querer mostrar que não são inferiores a ninguém, compensando de certa forma a “vida-de-cão” que levaram no passado. Assim, visando mandar para o espaço o complexo de inferioridade enrustido durante tanto tempo, além dos carrões, roupas de grife, jóias caras e mansões luxuosas, adotam os mais esquisitos e ridículos cortes de cabelo, que de pronto passam a ser adotados por seguidores fanáticos (que o diga o tal do Neymar e seu estilo moicano ou aquele horroroso corte exibido pelo tal Ronaldo Nazário, no final da Copa do Mundo do Japão, onde o Brasil foi vencedor).
Já no tocante aos cantores que se destacam, a “coisa” é mais “seleta, refinada e eclética”, a saber: uns, embora teimem em falar e pregar a “humildade”, nos seus shows exigem dos patrocinadores uma determinada marca de água mineral importada (preferencialmente de um país distante); frutas, preferencialmente aquelas oriundas dos cafundós do planeta Terra; também não dispensam um bebida de primeira qualidade, evidentemente que também de outras plagas; um outro só faz o show se o camarim for decorado unicamente na cor azul, com móveis confeccionados de uma madeira tal e outras extravagâncias.
Agora, entretanto, um deles nos aparece com uma exigência que, muito mais que excentricidade, poderia ser confundida com “frescura pura” (e não é pelo fato de ser um homossexual assumido); fato é que o renomado (e bom) cantor britânico Elton John exigiu para a turnê Follow the Yellow Brick Road, que empreenderá no Brasil, mimos que chegam às raias do absurdo.
Assim, além do cachê altíssimo que receberá, exigiu dos patrocinadores do seu show ( aqui em Fortaleza, no próximo dia 26.02.14 ), dentre outros itens: 01) que, toda a Arena Castelão, onde será realizado o evento, seja climatizada a 19 °C; (assim, embora normalmente a temperatura ambiente da Arena Castelão seja de 35 °C, em todas as áreas por onde ele for circular a temperatura não poderá passar dos 19 graus e PT saudações); 02) que, no seu camarim seja instalado um telão de alta definição, a fim que possa assistir a canais esportivos; 03) que, seja criado o “Espaço Elton John Hospitality” (espécie de sala de visitas) com ornamentação de plantas naturais com pelo menos 1,80 metro cada e que elas sejam exclusivamente palmeiras e fícus; e 04) que, para comer, estejam disponíveis saladas de frutas, de legumes e sopas vegetarianas (aqui, até que não foi muito exigente). Descartou, entretanto, qualquer proteína animal.
Será que os patrocinadores do evento conseguirão atender a todas as exigências do já decadente cantor ??? E se o não o fizer, será que o mesmo recusar-se-á a cantar pra os cearenses  ???
No mais, para os que se dispuserem a ir ao show foram colocados à venda 40 mil ingressos (a “preços de banana” em fim de feira, como se verá), a saber: gramado cadeira ouro (R$ 600) e platéia inferior direita (R$ 140), já esgotados. Há ingressos ainda para gramado cadeira prata (R$ 460), gramado cadeira bronze (R$ 360), camarote vip open bar (R$ 500), camarote privativo (R$ 800), platéia inferior esquerda (R$ 140), platéia superior especial (R$ 300), platéia superior esquerda (R$ 110) e platéia superior direita (R$ 110).

E aí, quem se habilita ???

autor desconhecido



As Pedras Se Cruzam
Paulo César Pinheiro

Apesar!
Da vida nos separar
A gente vai se encontrar
Em qualquer canto de rua
De manhã
Numa esquina de algum lugar
De tardinha num vão de bar
Ou numa noite de lua

àguas passadas não moverão moinho
Acho que a gente até pode se beijar
Mesmo que já não se tenha mais carinho
As pedras se cruzam no caminho
Que a vida foi feita pra rolar

Rolou, vida rolou, rolou a vida
Eu lhe dei casa e comida
Dei-lhe um nome e coração
Pra mim o que rolou na despedida
Foi só lágrima sentida
Mas inda lhe estendo a mão...

A CAMPANHA ELEITORAL JÁ ESTÁ NAS MANCHETES E CHAMADAS DA MÍDIA - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Ministro Gilmar Mendes, a repórteres, põe em dúvida a lisura das doação de pessoas físicas para cobrir as multas de Delúbio Soares, Genoino e Dirceu. Ele acuso, sem citar evidências. A evidência, para ele, é o ato. Os jornais já vinham nesta linha e o líder do PSDB entra com um pedido de investigação sobre o mesmo assunto.

Enquanto isso o UOL, Universo Online, provedor de notícias e internet da Folha de São Paulo pega um fato (a divulgação do IBGE do crescimento da Indústria Brasileira em dezembro de 2013) e recria a manchete sobre ele ao longo do dia segundo a vontade política dos donos.

A manchete teve a seguinte evolução: primeiro foi PRODUÇÃO INDUSTRIAL DO BRASIL CRESCE 1,2% EM 2013, SEGUNDO IBGE. Alguém não gosto e reescreveu a manchete: COM FORTE QUEDA EM DEZEMBRO, INDÚSTRIA CRESCE 1,2%, DIZ IBGE. Mas era pouco para embate eleitoral da empresa e aí veio aquela que o satisfazia: INDÚSTRIA BRASILEIRA TEM O PIOR DESEMPENHO DESDE O GOVERNO COLLOR.

Isso quer dizer embate eleitoral. E em todos os embates os atores vão se mexer. Espera-se que nos limites legais. Considerando que até a lei será usada para acusar o outro. Mas aí é preciso saber que o uso do bem maior (Lei, Deus, o Pai, a Mãe ou outro bem maior da nossa sociedade) pode sempre ser uma artimanha da luta.

Em outras palavras o que não se pode é deixar de fazer a defesa e de participar do embate. É assim que funciona a democracia. Portanto nada a estranhar que os petistas e simpatizantes lutem em defesa, politicamente, por suas teses e patrimônios políticos e que nele estejam Gilmar Mendes, Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo além de uma récua de jornalismo familiar pelas províncias dependentes desse eixo em termos de jornalismo.


Sim, ontem houve uma apagão e os jornais lutam por colocar a culpa no governo. Isso independente do clima e do debate sobre meio ambiente com as fontes geradoras de energia. É propaganda eleitoral. Mas é um bom debate e deve ser exposto por todos os lados. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A CORRUPÇÃO GENERALIZADA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Essa vai dar uma roda no pessoal que vive o complexo de vira-latas. Ou seja o narciso ao contrário. E não apenas isso. Vai deixá-los sem referência em relação ao país mais corrupto do mundo que naturalmente para eles é o Brasil e os petistas que estão Papuda.

É deprimente o que o pessoal vai saber. Três em cada Quatro Europeus acredita que a corrupção está generalizada. É o resultado de uma pesquisa feita com os cidadãos da comunidade pela Comissão Europeia e li este resultado no Jornal El País da Espanha.

Na Grécia, Itália e Espanha esta opinião é praticamente e de todos (mais de 95% acha isso). Até no símbolo da Comunidade Europeia que é a Alemanha o índice atinge 59%. Mas tem mais. Os alemães se encontram no divisor mínimo que acham isso pois na imensa maioria dos demais países estes índices estão acima de 60%. Somente nos países escandinavos essa opinião foi menor que a Alemanha: Suécia com 44% (assim é alto para o que esperamos daquela sociedade), Finlândia (29%) e Dinamarca (20%).

Mas não isso que os analfabetos políticos brasileiros querem: fazer da corrupção uma bandeira para construir um povo. O “Lacerdismo” só vai desaparecer da cultura brasileira quando a geração que cresceu sob a ditadura desapareça. Essa é primeira observação a ser feita.

A segunda é óbvia. Isso é sistêmico e como coisa sistêmica se origina de um sistema e esse é o capitalismo. Portanto a percepção do povo europeu é a natureza da observação que irá se tornar crítica de certo liberalismo econômico (dando origem a propostas autoritárias, como o fascismo) e em segundo lugar, com algo mais aprofundado, a criação das bases de uma sociedade mais igualitária e menos movida apenas a negócios de corporações econômicas. Uma sociedade mais solidária já tem nome na história é só estudar suas bases teóricas e algumas práticas.


Em qualquer circunstância se não foi esse o resultado de uma resiliência fatalista, estamos diante de algo crítico do qual emergirá forças mais autoritárias em contraponto com forças democráticas. 

EU VOU CONTAR A DEUS! - José do Vale Pinheiro Feitosa

A ameaça que dá título a esta postagem teria sido feita por uma criança morrendo em decorrência da guerra na Síria. De tão revoltada com as malvadezas daqueles humanos em fúria destrutiva de si e dos outros, a criança disse que iria enredar a Deus sobre aqueles crimes todos. Disse isso enquanto morria.

E contar a Deus é contar para a história. Toda malvadeza se escuda no rompante e na finitude do contexto onde pratica o mal. Assim como o senso de impunidade. Tudo passa. Tem a possibilidade de adiar a culpa e assim, entre trancos e barrancos ir levando.

Sem contar que a malvadeza tem como justificativa a perenidade do mal entre todos. Se alguns as praticam então, como dado da realidade, a que este pratica se equivale a daquele. Afinal ninguém inventa a maldade em seu ato. Ele não inaugura a maldade. Ele se justifica pela agressividade sobre a dignidade do outro e se esconde no cipoal da maldade geral.

Mas contar a Deus, como já disse, é contar para a história. Aquela criança estaria contando para a história o horror que perdura contra pobres, crianças, idosos, etnias e tantos outros grupos vítimas de genocídios.

E esta denúncia me veio a respeito do premiado Humorista Danilo Gentili, que foi alçado ao SBT para continuar com um humorismo nascido junto com as redes sociais e todo tipo de neo-conservadorismo que empunha espadas, família e propriedade contra direitos humanos, sociais, solidariedade, políticas corretas e de compensações entre outras bandeiras dessa época.

Danilo, meio no estilo da perseguição da direita paulista aos nordestinos, fez piada com a pernambucana Michel Maximino que foi a maior doadora de leite materno do Brasil. Ela entregava todo o excedente para um banco de leite há 80 quilômetros de sua casa.

Os bancos de leite nasceram exatamente desse espírito de solidariedade. Do mesmo modo que os bancos de sangue. E Danilo Gentili atacou exatamente este esforço fazendo comparações de mau gosto com um ator pornô. Isso tudo pela Bandeirantes em rede nacional. A moça virou piada e foi hostilizada pelas redes sociais e pelas ruas da pequena cidade onde mora.

Tiveram que abandonar tudo, mudar de cidade e irem morar na capital para se esconder das bombas assassinas da rede de televisão em sua ação impune de praticar o mal.


DANILO EU VOU CONTAR PARA DEUS

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O MÚSICO QUE EXPRESSOU A MÚSICA DE PROTESTO - José do Vale Pinheiro Feitosa

“Onde todas as flores foram, tanto tempo que passou?
Onde todas as flores foram, há muito tempo atrás?
Onde todas as flores foram?
As garotas as colheram todas.
Oh, quando é que elas vão aprender?
Oh, quando é que elas vão aprender?”

Quando alguém amou a música de Bob Dylan, curtia Joan Baez, Leonard Cohen, Harry Belafonte, a sul-africana Miriam Makeba do Pata Pata e tanta gente que engajou sua música na luta social por direitos humanos e qualidade de vida, tinha como projeção de grandeza Pete Seeger.

Goodnight, Irene - na voz de Pete Seeger

“Onde todas as garotas foram, tanto tempo que passou?
Onde todas as garotas foram, há muito tempo atrás?
Onde todas as garotas foram?
Foram todas para seus maridos.
Oh, quando é que elas vão aprender?
Oh, quando é que elas vão aprender?”

Pete Seeger, a grande luz da protest folksong faleceu na última semana de janeiro de 2014 aos 94 anos. Ele teve influência nas canções de protesto contra a ditadura aqui no Brasil e por justiça social em vários países da América do Sul e incluindo os valores revolucionários cubanos. E a lista de grandes figuras influenciadas por Pete Seeger é grande incluindo, George Moustaki na França e os cubanos como Pablo Milanes e Silvio Rodriguez e os chilenos como Violeta Parra e Victor Jara.

If I Had a Hammer - Pete Seeger em 1956

“Onde todos os maridos foram, tanto tempo que passou?
Onde todos os maridos foram, há muito tempo atrás?
Onde todos os maridos foram?
Foram todos se engajar nas forças armadas.
Oh, quando é que eles vão aprender?
Oh, quando é que eles vão aprender?”

Pete Seeger participou dos movimentos de esquerda nos Estados Unidos desde os anos 30. E não pensem que ser de esquerda além da fronteira liberal, junto à causa operária, seja mais ameno do que o contrário na União Soviética naqueles idos. Ele esteve nos movimentos antifascistas e pacifistas, lutou contra o marcatismo nos anos 50, juntou-se ao movimento pelos direitos civis, junto com Luther King pelos direitos dos negros, contra a guerra do Vietnã e denunciou todas as invasões imperialistas dos EUA pelo mundo todo.

We Shall Overcome - se tornou o Hino do movimento pelos direitos civis e contra o racismo

“Onde todos os soldados foram, tanto tempo que passou?
Onde todos os soldados foram, há muito tempo atrás?
Onde todos os soldados foram?
Foram todos para o cemitério.
Oh, quando é que eles vão aprender?
Oh, quando é que eles vão aprender?”

Poucos ícones da cultura americana foram tão perseguidos quanto Pete Seeger. A mídia o pôs no ostracismo. A indústria de difusão cultural igualmente. Foi preso por desacato ao Congresso ao se negar depor numa comissão de atividades anti-americanas, propondo ao invés disso cantar as músicas que representavam sua participação na cultura mundial.

Guantanamera - para realçar a Cuba revolucionária 

“Onde todos os cemitérios foram, tanto tempo que passou?
Onde todos os cemitérios foram, há muito tempo atrás?
Onde todos os cemitérios foram?
Foram todos para as flores.
Oh, quando é que eles vão aprender?
Oh, quando é que eles vão aprender?”

Nos últimos anos ele se engajou na luta em defesa do meio ambiente, participou de grandes concertos em defesa de direitos humanos. À margem do showbusiness, Pete Seeger viveu a plenitude do ser humano sem as concessões do dinheiro e do poder que envelopa a dignidade humana com a chamada indústria cultural.

Where Have Al The Flowers Gone? - uma das músicas mais conhecidas de Pete Seeger. O poema que acompanha esta postagem é a tradução da letra dela. Ela se tornou o hino do movimento pacifista internacional. Aqui um versão do famoso trio Pete, Paul and Mary.

“Onde todas as flores foram, tanto tempo que passou?
Onde todas as flores foram, há muito tempo atrás?
Onde todas as flores foram?
As garotas as colheram todas.
Oh, quando é que elas vão aprender?
Oh, quando é que elas vão aprender?”


Where Have Al Flowers Gone? Na voz de Marlene Dietrich. Marlene cantou esta música em versão em alemão e a apresentou em Israel. Foi a primeira vez que alguém se apresentou em público usando alemão. Escolhi esta versão em inglês porque de fato ela é muito bonita.


Quem gosta da humanidade e de pesquisar busque Pete Seeger e suas músicas que muito bem lhes fará.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

ACORDA! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Zé Flávio acaba de publicar uma bem humorada crítica a certo discurso oposicionista que não constrói alternativa e tem medo das mudanças sociais de um país das nossas dimensões (por isso mesmo: são mudanças macros que atinge grande número de pessoas). Esse discurso não se restringe aos blogs do Cariri, mas ele é repercutido com muita frequência por quem posta neles. Aliás, o Zé faz uma boa referência regional ao lembrar de algumas bandeiras que são típicas destas postagens.

Uma das características desse discurso é o anticomunismo febril e neurastênico, um horror a Cuba e à Venezuela e um apego aos modelos de “sucesso” como o experimento neoliberal do Chile. Aliás um discurso malandro, pois personaliza a contrariedade ao atacar Fidel, Hugo Chávez, Evo Morales, mas nunca falam em Pinochet.

Na semana que passou, com a mídia das velhas e endinheiradas famílias conservadoras do eixo Rio-São Paulo criando uma cortina de fumaça sobre a reunião da CELAC em Cuba com a história da escala de Presidente Dilma em Portugal, tivemos maiores mágoas naquele discurso que o Zé Flávio alfinetou. É o protagonismo do Brasil em Cuba, numa escala que aquele discurso desconhecia.

Segundo Tomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações Exteriores e de Comércio da FIESP, o Brasil já emprestou a Cuba um Um Bilhão e Seiscentos Milhões de Dólares. Incluindo créditos alimentícios para comprar de alimentos aqui no mercado brasileiro. E agora o maior anacronismo do discurso que O Zé levantou: isso tudo vem desde o Governo Fernando Henrique Cardoso e se manteve com Lula e Dilma.

A verdade é que hoje já existem trezentas empresas brasileiras operando em Cuba. O Governo Brasileiro fará uma série de associações com empresas de biotecnologia com o país e só no porto de Mariel o Brasil está investindo 1 bilhão e duzentos mil dólares. As obras são tocadas por um empresa brasileira, 80% das compras são feitas no Brasil e as receitas que pagarão o empréstimo serão do próprio porto.

Cuba vai se aproveitar do modelo chinês a partir dos ganhos de sua própria revolução. População bem educada e um bom sistema de saúde pública. Segundo o diretor da FIESP as empresas brasileiras instaladas em Cuba apontam a excelente qualidade técnica do trabalhador cubano.

E olhe que vai ocorrer a ampliação do Canal do Panamá e aí é uma porta para o Pacífico, é uma escala para a produção brasileira além da proximidade dos Estados Unidos da América. Se o embargo cair, o porto de Mariel é fundamental.


Enfim: é preciso usar o bem humorado argumento do Zé Flávio para que esse discurso se preocupe com a realidade que nos envolve. Que muda muita coisa em volta, numa velocidade enorme e com elementos inteiramente distintos de trinta anos passados.    

Lugares... Momentos... Decisões... - José Nilton Mariano Saraiva

01) em Brasília, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Marcos Aurélio de Melo, em pleno gozo do justo lazer do final de semana, resolve abruptamente suspende-lo para determinar que a masculinizada governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarline (Democratas) volte ao cargo, de onde houvera sido cassada e tornada inelegível por 08 anos, pelo Tribunal Regional Eleitoral (mais de uma vez), por, comprovadamente, transgredir a lei (abuso de poder econômico); pois bem, voltou e fez festa para comemorar.

02) em Fortaleza, o Desembargador Paulo Camelo Timbó, do Tribunal de Justiça do Ceará, determina que o bandido de alta periculosidade, Francisco das Chagas Rodrigues (vulgo Zito), condenado “APENAS” por: latrocínio, porte ilegal de armas, assalto à mão armada, seqüestro, tráfico de drogas, formação de quadrilha e fuga da cadeia (em diversas oportunidades e que lhe renderam 06 condenações, 16 processos e 42 anos de prisão), seja transferido da penitenciária federal de segurança máxima, de Catanduvas-PR, para um desses presídios chinfrins da periferia de Fortaleza, sob o argumento de que precisa comparecer a uma audiência na Vara de Execução Penal da capital cearense (Por qual razão não vir e depois voltar para a segurança máxima, como recorrentemente acontece com o tal Fernandinho Beira Mar ??? Alguém tem alguma dúvida que em pouco tempo ele dará um jeito de escapulir e voltar a matar nas ruas ???); pois bem, a “fera” já chegou por aqui.

03) no Crato, o Bispo Diocesano, Dom Fernando Panico, que passara pelo indizível  constrangimento de comparecer à Delegacia de Polícia a fim de prestar depoimento sobre denúncia de estelionato; que houvera aparecido na TV e de viva voz confirmado que realmente vendera imóveis da diocese (pediu inclusive desculpas aos inquilinos por não lhes ter dado o “direito de preferência”); que houvera confirmado que mesmo após a venda continuava a receber os aluguéis dos citados imóveis e, por fim, que (admissão de culpa ???) já houvera “recomprado” parte dos imóveis, restituindo-os ao patrimônio da Diocese (como se, ao voltar atrás desfazendo o malfeito, nada houvesse acontecido); pois bem, apesar de tudo isso, e após 6 meses de investigação, a autoridade policial do Crato resolveu pelo arquivamento do processo, sob a alegativa de falta de provas.


Certamente que, por tomar medidas como essas, que vão de encontro ao bom senso, à moralidade, à razoabilidade e à própria lei, o nosso Poder Judiciário, que deveria constituir-se no guardião da legalidade e dos bons costumes, de há muito vem sendo avaliado como uma das piores instituições da república (a dúvida é: será que tudo isso tem um preço ???).  

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Ai que saudades que sinto !

Não é preciso ser nenhum Nostradamus para perceber que o Brasil está à beira do caos.  A inflação está estável,  mas descontrolada. O desemprego se diz o menor de toda a história do país,  mas basta  se olhar para se sentir que o povo anda descontente, trabalhando, mas descontente. O salário mínimo  já atinge mais de 300 dólares, mas é fácil ver que tem menos poder aquisitivo do que no tempo de FHC. Ah aqueles sim é que eram os bons tempos! Tirante a época da Monarquia , claro ,onde tudo era um paraíso: a elite e os escravos conheciam o seu lugar !  Até a loucura cometida pela tal da Princesa Isabel : é no que dar colocar nas mãos de mulher   poder de decisão !  O povo poupa cada vez mais dinheiro , temendo, certamente,  a hecatombe. O rombo na balança comercial deve-se, principalmente , às pessoas viajando pelo mundo e gastando lá fora, mas não é turismo não, meus amigos, tão é se mudando deste paizinho de merda !
                        Também, não é prá menos, né ? O governo fica viciando o povo com essa Bolsa Miséria e ninguém mais quer trabalhar no campo. A gente oferece dia de trabalho de até sete reais e não aparece ninguém. Tudo um bando de preguiçoso ! Também, o  que se esperaria de uma racinha de mestiços de índio com negro ? E o governo ainda patrocina esta  tramóia ! Babá e empregada doméstica  anda mais difícil que enterro de anão !E também, se aparecer, quem pode pagar ?  Culpa do governo que deu direito trabalhista pra esse povo ! Pagar salário mínimo para esse povo que nem qualificação tem ? Tá doido ? Ah que saudades da senzala, meu Deus !  É mordomia demais ! Ainda acharam pouco e criaram as tais de cotas para pobre e negro nas Universidades ! Já pensou ? Qualquer mendigo hoje se forma ! Isso já é um preconceito embutido ! Tão querendo dizer que pobre e negro não tem capacidade, é ? Precisa é melhorar  a escola pública, meus amigos ! A gente não vinha fazendo isso, pouco a pouco, desde Deodoro ? Era só esperar !  E ainda dando bolsa de estudo para esse bando de analfabeto ? Acharam pouco e já tão criando cota até para concurso ? Para botar um monte de gentinha trabalhando no lugar de gente fina e educada ?  Pior : caíram na irresponsabilidade de melhorar o poder aquisitivo de todo mundo e agora já não se pode andar nas cidades, todas entupidas de carro ! Todo pé-rapado hoje tem um carro !  O desmantelo chegou a tal ponto que já mandaram buscar médico estrangeiro para atender os pobres. O pior é que ninguém nem sabe se têm qualificação. Porque não pagam muito bem aos médicos brasileiros para fazer o serviço ? Nem precisa ver se são bem formados , não, nós brasileiros nos entendemos, né ? Se os médicos brasileiros não quiserem sair da beira da praia, é um direito deles, ora !  A solução é transferir todos os pobres e miseráveis para o litoral ! Podiam se aumentar as favelas para acondicionar todo mundo.Criar muro para separá-los dos cidadãos de bem!  Claro que a violência poderia aumentar, aí instituiríamos a  Pena de Morte para julgar  estes bandoleiros e diminuiríamos a Maioridade Penal  , porque Menor Bandido , não é Menor , mas  Bandido e como bandido deve ser  tratado!  E acabaríamos de vez com esses vermes dos Direitos Humanos que só acham que existem direitos humanos para bandidos.
                        E agora, já se não bastasse tanto desmantelo, vocês não viram na televisão ? os pobres resolveram não mais reconhecer seu lugar e estão fazendo uns tais de rolezinhos nos shoppings. Vão dar corda a eles! Dão a mão e eles querem os pés ! É mandar a polícia baixar o sarrafo. O shopping é a única ilha de tranquilidade dos bacanas desse país !
                        A corrupção no Brasil, nunca esteve tão insuportável. Os políticos brasileiros, principalmente dos partidos  contrários a nós, roubam descaradamente. Quem foi que elegeu esses ladrões miseráveis ? É preciso fechar  o Congresso e acabar com essa baderna!  Bons tempos eram aqueles da Ditadura Militar! Precisamos é de um General para governar essa nação  ! Gente de moral e respeito ! E essa tal de Comissão da Verdade? Tão ficando doido, é ? Combater comunista e subversivo agora é crime ? Se não se tortura como é que se descobre toda a rede de comparsas ? Guerra é guerra, meu filho !

                        Vou-me embora  ler minha “VEJA”. Mais tarde cuidar da empresa que apesar da terrível crise econômica do Brasil, por conta do nosso desempenho empresarial, mesmo com os juros escorchantes, tem andado de vento em popa e nunca lucramos tanto apesar desse governozinho miserável !  Nas férias até pensava em passear na Europa. Aquilo sim é que é primeiro mundo ! Mas já não tem graça ! Antes só íamos apenas eu e a Danuza Leão para lá, agora há farofeiro brasileiro ,por tudo quanto é lado, dando seus rolezinhos no exterior !  Ainda bem que tudo vai mudar no próximo ano! As pesquisas não estão com nada! O governo comprou todos os institutos!  Haja paciência ! Aí que saudade que sinto  ! Xô gentalha !

J. Flávio Vieira

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

LUIZ GONZAGA EM PARIS, DURANTE A DITADURA, VISITA VIOLETA ARRAES - José do Vale Pinheiro Feitosa

A ditadura mais duradoura do Brasil, com maior número de vítimas fatais e grande número de torturados e desaparecidos foi engendrada como uma luta contra o comunismo. Este pintado com todos os ingredientes semióticos da visão negativa da cultura brasileira de então. Ser comunista no Brasil, era igual à prisão, tortura e até morte. Era como ser acusado de bruxa pela Inquisição Medieval.

Como os comunistas brasileiros não eram tantos, o suficiente para fazer face ao arbítrio, o linguajar da ditadora, inclusive em atos institucionais e notas de imprensa ameaçadoras, adotou um estilo do tipo chocolate sonho de valsa. Usaram a palavra subversivo contra todos os opositores (inclusive liberais e ex-aliados como Lacerda) subentendendo que no núcleo duro estava o comunismo.

Entendido que ser comunista no Brasil era ser usurpado de todos os direitos humanos e políticos.

Ai vem a história que me contou ontem José Almino, o filho mais velho do grande político Miguel Arraes, uma vítima de destaque da perseguição do golpe militar de 64. A história aconteceu com Violeta Arraes e Luiz Gonzaga.

Seu Luiz era um sertaneja muito esperto, nunca foi de muita leitura, enquanto serviu no Exército, por mais de 10 anos, nunca prestou sequer um concurso para cabo. Foi soldado a vida inteira e ligado aos músicos dos quartéis. Mas isso não impediu de ser um dos homens mais reconhecedores da própria situação, que tinha um criatividade sem igual e que sozinho criou o estilo de música nordestina que pontuou nas cidades e ocupou as mídias fonográficas, o rádio e os shows.

Seu Luiz inventou o regional nordestino com uma oportunidade sensacional. Não podia correr as estradas carregando um bando de músicos. Inventou a formação da sanfona, o bumbo e o triângulo. Este último sendo um músico achável em qualquer canto do nordeste. Era a formação que poderia levar num automóvel de passeio.

Um gaúcho se apresentou, com sucesso, a caráter, num programa de auditório. Seu Luiz mandou comprar no Juazeiro a roupa de couro mais enfeitada que tivesse. Daquelas que os vaqueiros não usam. Fernando Lobo (pai do Edu Lobo) que tinha programa de auditório até proibiu seu Luiz de usá-la. Mas assim ele criou o estilo.

Seu Luiz se juntou à melhor safra de poetas com temática nordestina, com aquele estilo matuto, assim como já fizera Catulo da Paixão Cearense. Eram letristas da cidade e educados, mas criaram o estilo de qualidade. Um Patativa do Assaré seria mais autêntico que estes doutores da letra nordestina? Difícil dizer, tal foi a dimensão que a música de Luiz Gonzaga cobriu a cultura nacional.

A verdade é que seu Luiz sempre esteve junto aos políticos e os adulava mesmo. Como vinha da terra dos coronéis, ao político da linha ideológica de direita ele era mais próximo. Elogiou o golpe de 64 e os militares por trás dele. E participou de campanhas eleitorais contra Miguel Arraes, inclusive tirando frases da própria lavra.

Aí vem a história com Violeta Arraes. Gonzaguinha foi para a Europa e levou seu Luiz a tiracolo. Em Paris, na companhia de outro músico amigo da Violeta, quis visita-la. E foram os três, incluindo seu Luiz até a casa de Violeta. Quando chegaram a Violeta os recebeu com agrado mas pontuou que antes de tudo gostaria de lembrar a seu Luiz a campanha dele contra Miguel Arraes que era um político que representava os interesses do camponês nordestino. A mesma origem de Seu Luiz.

Seu Luiz com muita calma. Disse mais ou menos assim: Dona Violeta, eu sou um matuto pobre, de família pobre, nasci num lugar perdido do mundo chamado Exu, toco um instrumento que pouco valor tem no meio dos ricos e a senhora ainda quer eu seja comunista?

Ou seja, levar porrada da ditadura!

Todos riram da tirada de seu Luiz.


Naqueles idos Gonzaguinha fazia parte da música de protesto, à esquerda do regime, com o Movimento Artístico Universitário (MAU) e seu Luiz foi seu padrinho em alguns festivais. Acontece que seu Luiz tinha caído num ostracismo artístico tremendo nos anos 60 e quem os recuperou foram os músicos da geração de Gonzaguinha como Caetano, Chico, Gil, Alceu entre outros.   

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Nunca mais ouvi uma seresta...!



Hoje tem show de Luis Melodia no SESC Juazeiro.Muito bom!



Músico/Banda
Luiz Carlos dos Santos (Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1951), mais conhecido como Luiz Melodia, é um cantor e compositor brasileiro de MPB, rock, blues, soul e samba. Filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, cresceu no morro de São Carlos no bairro do Estácio.
Luiz Melodia foi muito influenciado pela Jovem Guarda, sobretudo Roberto Carlos.
Começou sua carreira musical em 1963 com o cantor Mizinho, ao mesmo tempo em que trabalhava como tipógrafo, vendedor, caixeiro e músico em bares noturnos. Em 1964 formou o conjunto musical Os Instantâneos, com Manoel, Nazareno e Mizinho. Lança seu primeiro LP em 1973, Pérola Negra. No "Festival Abertura", competição musical da Rede Globo, consegue chegar à final com sua canção "Ébano".
Nas décadas seguintes Melodia lança diversos álbuns e realiza shows, inclusive internacionais. Em 1987 apresenta-se em Chateauvallon, na França e em Berna, Suíça, além de participar em 1992 do "III Festival de Música de Folcalquier" na França e em 2004 do Festival de Jazz de Montreux à beira do Lago Lemán, onde se apresentou no Auditorium Stravinski, palco principal do festival.
É um ilustre torcedor do Vasco da Gama, tendo participado do Megashow comemorativo dos 113 anos do clube, onde apresentou as músicas "Estácio, Eu e Você" e "Congênito".


Memórias de chuvas, sertão, rio e mar, silêncios, poesia - por Stela Siebra




Essa imagem (que encontrei na internet) me comove, me traz memórias de chuvas, de águas, de sentimentos, de cumplicidade, de amizades. Irmãs, primas, amigas. Poesia.
Uma memória mais remota me leva à Ponta da Serra:
Noite de trovões e relâmpagos: chuva farta.
Manhã inundada de luz:
cheia no rio Carás
terreiros inundados com poças d’ água
ou então, nas margens dos caminhos,
riachinhos que corriam entre pedras
e iam do terreiro da nossa casa ao terreiro da casa de vovô Valdevino.
Eram nossos pequenos rios pessoais.
Outra memória, quase que bem recente, pois é do final dos anos 97 ou 98, é de uma certa tarde de chuva fina na praia de Ponta de Mangue. Eu e minha amiga Cris Aragão protegemos nossas cabeças com um plástico e fomos andar na beira mar.
A maré estava baixa, havia uma quietude na natureza, quase silêncio, quase felicidade.
                         Compartilhar silêncio é entender-se numa linguagem maior.
                        - Stela Siebra -

LAMPIÃO FEZ PROPAGANDA DA ASPIRINA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma das gerações mais ricas culturalmente do Cariri foi aquela que envolveu entre outros o Rosemberg Cariry, o Luiz Carlos Salatiel, Zé Flávio, o Jackson Bantim, apenas para localizar esta geração pois a lista de nomes de igual peso não é pequena. Inclusive o Ronaldo Brito e o artista Plástico Bruno Pedrosa, um pouco antes, também se incluem nesta riqueza.

Riqueza em quê? No soerguimento e na releitura quase mítica (próximo ao místico) da cultura do interior nordestino. Aquele com base econômica na pecuária, na agricultura de sobrevivência e no algodão (o “ouro branco”). A cultura que arrastava consigo um catolicismo quase primitivo junto com elementos indígenas. Aliás a proliferação de “pastores neo e pentecostais” não é outra coisa que não a mesma base não institucional da religião popular, embora muito vista como mera exploração como era visto o catolicismo popular nordestino.

Valores icônicos dessa geração: a família patriarcal e da fazenda sertaneja, os poetas populares (Patativa, Zé de Matos), as danças de raiz (reizados, coco etc.), beatos e a dinâmica religiosa acumulada em Juazeiro, o cangaço e a música popular nordestina. Isso incluindo mitos, músicas e textos que pessoas com o nível de educação desta geração tão bem soube levantar. Incluindo aí a história regional do interior nordestino (não praiano e não cana de açúcar).

Mas eles tiveram uma grande vantagem comparativamente aos tradicionalistas que realizaram grandes pesquisas sobre o passado do interior nordestino. Aqueles seguiam a esteira ideológica dos Instituto de Geografia e História, em seu tradicionalismo se tornaram, assim, conversadores com tendência ao refúgio no passado. Já a geração que cito deu novo significado à história interiorana nos termos da modernidade. Da transformação de natureza crítica, significando refazer um campo mítico que substancie o deserto pragmático burguês com sua individualidade consumista.

O Luiz Carlos Maciel mantém um blog (ou mantinha acho que chamava-se Cariri Encantado) como evidência do que digo. De vez em quando ele e o Carlos Rafael dão significado territorial ao “movimento” desta geração (esqueci o nome exato). A filmografia do Rosemberg é uma prova eloquente do que digo. Os livros do Zé Flávio. Os espetáculos de teatro anunciados pelos blogs representam este momentum da nossa cultura.

Agora ao título não é? Isso encontrei no livro “Benjamin Abrahão Entre Anjos e Cangaceiros” de Frederico Pernambucano de Mello. As filmagens feitas por Benjamim não teriam sido financiadas apenas pela Aba Film, mas pelo esforço do governo Nazista Alemão em sua aproximação com a América Latina. E esse esforço traduzido pela empresa alemã Bayern fabricante da famosa Aspirina.
Lembram do filme Cinema, Aspirina e Urubus? Acho que de cineastas pernambucanos. Ele mostrava exatamente o esforço da Bayern em divulgar seu principal produto com uma camionete nos anos 30 pelas estradas precárias do sertão, levando filmes e um projetor de cinema que ia de pequena em pequena cidade carregando nela um pequeno gerador movido pela camionete.

De modo que a proeza de Benjamin Abrahão ao filmar e fotografar Lampião teria sido financiada, também, pela Bayern. Inclusive todo o equipamento cinematográfico e fotográfico era da Zeiss alemã. As provas de Frederico são imagens de Lampião apontando para um cartaz de propaganda da Aspirina de falando palavras e outra imagem dele distribuindo sachês de aspirina para o seu bando.

Não quero com isso apenas dizer que a pesquisa histórica do interior nordestino, empreendida pelos tradicionalista, ressaltando grandes figuras patriarcais e da igreja católica, não tenham grande importância para nosso autoconhecimento. O que pretendo apenas é apresentar que mesmo Lampião já não era aquele cangaceiro medieval que tantos pintam. Assim como a geração que soube dialogar com a história entre o passado e o presente.

Mesmo quando o diálogo desta geração, numa ou noutra obra, por vezes se congele de modo não dialético, a verdade é que esta geração deu movimento e criou uma ponte icônica que nos valoriza frente ao “estrangeiro”. Aliás, lembro muito bem do cronista e poeta Airton Monte espinafrando na sua coluna em jornal de Fortaleza o tratamento “mítico” dado a Patativa do Assaré (conheci muito bem a vaidade de Airton e isso pode ter sido a manifestação de algum ciúme com Rosemberg que passou a influir na Capital). Em que pese que a poesia é um coletivo além de Patativa, o que se passava com Airton era um certo mal-estar com os valores do sertão em relação ao suposto universalismo do litoral.

Ou seja, a velha luta entre Franco Rabelo (Litoral) e o Padre Cícero (Sertão). O que o pessoal da cultura litorânea nunca compreendeu é que o lugar no mundo atual é aquele da recriação do nosso próprio mundo. Por isso meu abraço a esta geração do mundo caririense. 

Um poema de Socorro Moreira (de quem estamos com muitas saudades!



Nos tempos do verbo

        Socorro Moreira

Sensível
a qualquer tipo de carinho
sorriso, mimo...
Rostos distantes
parecem contas
de colares partidos
olhares, bocas...
pérolas escapadas de mim
Sem adereços
esqueço endereços
acendo velas
ilumino lembranças
fragmentos visíveis
O vento traz
o vento leva
a onda traga
espuma de amor
...saturada!
Entreguei os pontos
sem checar os trunfos
meus ases, meus ais...
num jogo comum
E se todos chegassem,
num apelo coletivo?
- Eu ficaria contigo!
Se o tempo voltasse
eu dançaria a valsa dos meus 15 anos
Pediria uma bicicleta no Natal
Nadaria nos rios poluídos
Do Crato até Ingazeiras...
E naquele trem, naquele dia
Teria te visto primeiro
E naquela festa, naquela dança
Me apertaria em teu peito
E naquela noite, naquela praça
te entregaria os meus olhos.
Donzelas de saltos finos e meias desfiadas
se avermelhavam
quando a brisa do amor passava
Guardavam cadeiras no cinema
pro moço que não chegava
Choravam em convulsão
por Francisco e Santa Clara.
Tremores nas mãos, em dias de prova
Disparos no coração, quando recebiam nota
A chatice
de provar o vestido novo
que ficara torto
A vergonha de vestir
o traje antigo
com mancha de caju
na altura do colo
A barra da saia desmanchada
O sapato de sola desgastada
as meias de algodão afolozadas
E o coração na boca
todo atrapalhado
As cartas de amor nunca postadas
promessas tímidas
desejos contidos
orelhas pegando fogo
retrato em 3 x 4
na bolsa ou no livro
um trevo de 4 folhas
pra garantir o destino
Queríamos correr no tempo
e o tempo nos pegou
Deixou-nos
aonde estou!
Senhora - vó
Querendo comer maçã
Pecar contra o que não fez
Ser feliz sendo o que quis!