por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Candidatos a Prefeito do Crato são convocados pelos artistas para assinarem "Carta Compromisso com a Cultura"



Artistas, produtores, pesquisadores, educadores, companhias de teatro e dança, coletivos e ativistas ligados a Rede Misturados convocam os candidatos a prefeito da cidade do Crato/CE para assinarem publicamente a Carta Compromisso com a Cultura proposta pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura. O documento que circula nacionalmente apresenta princípios e metas que norteiam as polític
as públicas para a Cultura com o objetivo de subsidiar a plataforma política e a discussão entre candidatos e movimentos sociais junto ao pleito eleitoral de 2012. 



O ato de assinatura ocorrerá nesta segunda-feira dia 27 de agosto, às 19h00, no Teatro Rachel de Queiroz.



Portanto estão convocados os senhores candidatos a prefeito Cícero França (PV), Marcos Cunha (PT), Ronaldo Gomes de Matos (PMDB) e Sineval Roque (PSB).
 


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ela

Pra Dona Maria

Ela sentou-se na cadeira em frente à janela.
Estava cansada, os olhos ardiam,
tanta paisagem se mexendo,
indo e vindo ao redor do corpo,
desejo por sete gramas
de vento no rosto,
vento do mar adiante,
de peixes infinitos,
diferentes dos que agora tem
contra proas transparentes
cortando o tempo,

Por esse mar, ele levou-lhe talvez
os melhores dias, a maciez da pele
de outrora na ponta dos dedos,
ou emaranhada nos pelos dos braços, tórax,
barba por fazer,
e nunca mais.

Quis levantar-se e caminhar
na praia, o cansaço,
peso nos ossos e o mais profundo dos sonos.
Ela dormiu ali mesmo,
e nunca mais.





HAICAI

Gargalha o riso
o siso grita
o grito eclode.

Programa Multimídia 10 08 12 Papo Musical Auci Ventura Parte 1



Raul Seixas



Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um famoso cantor e compositor brasileiro, frequentemente considerado um dos pioneiros do rock brasileiro. Também foi produtor musical da CBS durante sua estada no Rio de Janeiro, e por vezes é chamado de "Pai do Rock Brasileiro" e "Maluco Beleza".

POR kAIKA lUIZ


Um show realmente imperdível. Abidoral Jamacaru tocando e cantando Noel Rosa é inédito e um grande momento na carreira do artista, pois todos sabemos o quanto Abidoral e caprichoso e tem grande talento, além de ser um grande estudioso e dedicado os projetos que participa. Então, podem esperar esse grande dia. E o grupo Samba de Minuto, que vai continuar com a noitada, é um dos melhores grupos de samba do Cariri, com a deliciosa voz de Janinha Brito. Vamos nessa?
ABIDORAL JAMACARU CANTA NOEL ROSA
Sábado, 25 de Agosto às 20:00 em TERRAÇUS - Bar e Petiscaria

domingo, 19 de agosto de 2012

ENZO


                                                                   ENZO 

         Seu avô paterno tinha então 29 anos quando, nos braços, recebeu seu pai, Leonardo, nosso caçula. Lembro-me que o beijei tanto que quase o desboto __ como beijei também seus tios Monalissa e David. Você, Enzo, começou bem, pois tem um avô beijoqueiro! No momento em que você chegou  o recebi vindo do berço materno ,e acolhi-o em meus braços trêmulos. A emoção é bem maior mesmo, e senti novamente pela sétima vez na minha vida algo sobre os meus ombros, como o roçar da asa de um anjo... O sétimo anjo! Deixamos para Deus, in útero, João, nosso 3º filho.
 Meu bebê, irei fuçá -lo tanto, farei tantas cócegas e piruetas à  espera somente do seu sorriso...O incentivarei a engatinhar e a por -se de pé. Quando caminhar por si, melhor ainda se Deus me escolhesse para seguir você sempre, como mais um anjo, o oitavo. Você não sofreria injúrias de ordem nenhuma, pois eu as absorveria. Na escola, sussurraria ao seu ouvido que especial atenção desse  aos professores e que convivesse com os colegas na medida e na liberdade com que gostaria você que lhes dispensassem. No esporte, que reconhecesse o talento dos demais sem inveja, mas vendo-os como modelos. Na juventude e adultície, faria que com que  não se apegasse  a coisas do homem, mas às coisas de Deus. Finalmente, depenado, pois tarefas assim não são fáceis, tomaria um banho de satisfação, pois teria cuidado de um Homem. Pois é, os filhos são como “petiscos” de Deus para os pais e, na vida, às vezes, nem tão gostosos! Já os netos... ah, os netos são os presentes! É quando de fato começa a festa e a orquestra já afinou os instrumentos, deixando os avós com aquela sensação boa na dança, a pedir bis várias vezes para que nunca acabe. Querem saber, valeu e tem valido a pena. Nos grandes encontros, pode-se ouvir a gargalhada de d’ELE. Éramos só você e eu, Fátima, pouco depois já somos tantos! Queridos netos Breno, Maria Alice e Enzo, com vocês estou desaprendendo a ser grande. Estou bem melhor e mais feliz hoje.  Obrigado. Vô e vó.

João Marni de Figueiredo
Crato, 09.08.2012


Hoje tem bolo confeitado!

Catarina Moreira e João Alfredo, mãe e filho, minha irmã e sobrinho, aniversariam na data de hoje.
Abraços especiais e desejos de felicidades aos dois!

Colaboração de Eurípedes Reis



Pecado...é lhe deixar de molho

(Marisa Monte)



Falados os segredos calam
E as ondas devoram léguas
Vou lhe botar num altar
Na certeza de não apressar o mundo
Não vou divulgar
Só do meu coração para o seu

Pecado é lhe deixar de molho
E isso me deixa louco
Não, eu não vou me zangar
Eu não vou lhe xingar
Lhe mandar embora
Eu vou me curvar
Ao tamanho desse amor
Só o amor sabe os seus

Não, eu não vou me vingar
Se você fez questão
De vagar o mundo
Não vou descuidar
Vou lembrar como é bom
E ao amor me render

sábado, 18 de agosto de 2012



Rilke Rainer Maria

Do eco sem fim de tua dor
nasce o Verbo, aflora o espinho
de uma morte a recender suave rosal.
Vieste ao mundo para orquestrar
a fúria de um Deus selvagem.
Nasceste para pacificar a violência
de um silêncio indomável.
Do escombro de cada momento
eriges o teu rosto, o teu louvor,
suavizando na angústia extrema
a violência das feras famintas.
Em cada instante escreves
a fatalidade de um anjo áspero,
o fascínio de um peregrino
a caminhar pela luz de um poema
em que tudo é santificado.
Às margens do Adriático
uma epifania conclama-te
no existir fulminante,
na loucura dos profetas,
na morte jamais desfeita em cinzas.
E tudo em nós ressuscita o intacto
silêncio das sinfonias, tudo em nós
louva a sagração do vinho,
quando nos findamos
no pólen dos teus dons.

Relacionamentos - Rubem Alves



Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os relacionamentos são de dois tipos: há os do tipo 'tênis' e há os do tipo 'frescobol'. Os relacionamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico: para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: 'Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?

Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.' Scherazade sabia disso. Sabia que os relacionamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: 'Eu te amo...'. Barthes advertia: 'Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada.
É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: 'Erótica é a alma'.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é jogar pra sempre... E, o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.

Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos. A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá. Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.

O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor. Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja, então, que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim.
Rubem Alves

"Sinhá"- por socorro moreira


Estou em pleno inferno astral, suavizado pela compreensão das transições e conflitos existenciais. Mas o meu céu está quase descortinado. Aguardo dias melhores, embora saiba que a vida  tem percurso circular em movimento constante. Se tudo volta, tudo passa. Chances de acertar, viver alegrias e aprender com a dor e com o amor se alternam todo dia.
Tenho um interesse especial pela Astrologia... Inegável! Estou entrando num tempo, em que serei “geminiana” por um ano. O poder de comunicação fica mais forte, e a capacidade de tomar decisões, mais lenta. Para uma virginiana é mais Mercúrio influenciando a sua vida.
Haja discernimento de preço denso!
Na infância e adolescente vivia querendo descobrir um caminho para compartilhar o trabalho musical de quem tinha valor (Edite gosta de faxinar a casa ouvindo Danúbio Azul...).
Mais do que catadora do verso sou uma catadora de canções.
A música me faz viajar no tempo e me abstrai do tédio.
Convivo intimamente com a alma do poeta e de quem faz a melodia. È um encantamento que não se desfaz... Cristaliza-se!
Se a princípio não gostei em demasia do último disco de Chico, agora o escuto noite e dia. Tornou-se familiar, integrado nas minhas seleções musicais.
Aí lembro Nicodemos, Zé Nilton, Maryfran, Tuca, que adotam o repertório do Chico entre os preferidos. Ele é mesmo comovente em sensibilidade.
Na manhã deste sábado, escuto “Sinhá”...



sexta-feira, 17 de agosto de 2012



Colaboração de Ismênia Maia





Vende-se Tudo!!!
Martha Medeiros

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:

- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.

Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas.

Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu. No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.
Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material.

Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo.

Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida.

Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.

Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde.

Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza:

"só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir,"é melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ!

Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza, plenitude e felicidade.

São os momentos especiais que não tem preço, as pessoas que estão próximas da gente e que nos amam, a saúde, os amigos que escolhemos, a nossa paz de espírito.

Felicidade não é o destino e sim a viagem!



Foi show!


Teatro lotado. Presença de pessoas queridas prestigiaram o desempenho dos nossos músicos.
A platéia cantou junto.
Impressionante como um músico centenário permanece conhecido por sucessivas gerações. Canções imortais!
O que é bom fica!
Para a alma boêmia de muitos foi uma noite especial. Viva Abidoral!
Agradecimentos ao SESC, representado por Janaína e equipe. Agradecimento aos músicos que acompanharam Abidoral Jamacaru. Agradecimentos a todos que se fizeram presente, e participaram desta noitada, pensada e elaborada com carinho.
Dia 25 a festa será repetida no espaço de Kaika. Vamos ao Terraçus!
Aguardem fotos do evento!