por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
segunda-feira, 16 de abril de 2012
FELIZ ANIVERSÁRIO HUGO LINARD!
De música e de festas
Ouço a música e uma festa fala ao meu coração: lembranças
arrebatam-me a alma no momento preciso em que as notas musicais explodem e me
sacodem por inteiro, para, em seguida, impor um silenciar de sensações, como se
apenas o completo silêncio fosse a única música a ser ouvida.
Depois o silêncio vai abrindo caminho para cheiros,
gostos, cores, movimentos, gestos e palavras. E a lembrança da dança, e do
sabor do beijo roubado, se mistura ao cheiro da chuva, a gosto de cajarana
madura, voo de borboletas em manhãs de abril, badalar de sinos, carrossel
girando em festa da padroeira.
Os tons azuis do céu de setembro, as noites escuras de
quarto minguante, as noites claras de lua cheia, a música da banda cabaçal e da
banda de Azul. Azes do Ritmo. Hugo Linard.
Um dia Hugo chegou na nossa turma do Colégio com sua
música. Cantávamos todos as mesmas canções que ondulavam os sonhos dos
adolescentes nos anos sessenta. Mas Hugo era o músico da turma, o sabedor dos
segredos do dedilhar das teclas, da harmonia das notas musicais, dos acordes
sonoros, do domínio e encanto que a música produz.
Então, foi assim: Hugo construiu sua vida com a música,
levando-a ao coração das pessoas, alegrando suas festas, suas vidas. Porque a
música tem essa função de provocar um encontro com nós mesmos, compondo
memórias de encontros e desencontros, festas e despedidas, alegrias e
desencantos. Porque assim é a vida.
Stela Siebra Brito
NADA ACONTECE POR ACASO- Rosa Guerrera
Nada acontece por acaso . Tudo tem o seu momento, lugar e hora exata para acontecer..Ninguém pode colocar a virgula ou o ponto na frase que já foi escrita por um mestre que sabe bem melhor que nós o processo de todas as coisas.
Somos nesse redemoinho de fatos inexplicáveis , apenas os peões de uma breve ou longa partida de xadrez..
O xeque mate não depende da nossa vontade! A vitória é muitas vezes o prenuncio da derrota , e vice versa.
Amores acontecem e partem , saudades nascem , ficam e morrem .
São muitas as madrugadas nas nossas vidas ,mas nenhuma delas possui um traço em comum..
Quantas vezes não julgamos viver uma verdade , quando ela é sombreada de mentiras .
Outras vezes saímos antes do show acabar , não por nossa vontade , mas porque era o momento da partida .
Nada acontece por acaso , e tudo está fincado em seu devido lugar , sempre a espreita do nosso encontro. O infinito não nos pertence , mas o momento esse sim é o presente que temos nas mãos todos os dias .E esse momento que pode durar um dia , um mês , um ano quando acontece é porque precisamos vivenciá-lo sem buscarmos a sua origem , e sem analisarmos os seus porquês .
Aí está a verdadeira sabedoria de viver , a certeza dos nossos valores , e a aceitação da nossa liberdade, do nosso poder de sonhar, amar , sofrer , chorar, sorrir e entender que nada , absolutamente NADA acontece por acaso .Tudo foi escrito por mãos sábias e cabe unicamente a nós aprimorar , construir ou destruir esse livro que por certo tem como título , a palavra : DESTINO.
Rosa Guerrera
Primários - Socorro Moreira
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| foto de luis carlos américo |
A vida cobra caro:
o ócio, o amor,
a saúde, a morte ...
Se nada temos a perder
a vida oferece tudo
o que acreditamos ser
O cansaço é ouro derramado
A vitalidade gera a felicidade
A paz é conquista inexorável
A inquietação chama o fim,
o desfecho , e ensaia a cena final...
É noite madrugada
O sono às vezes some
e vadia como lua
num céu insólito
Eu já nem busco, nem chamo
o que de mim se afasta
Eu apenas canto como cigarra
embriagada.
Amanhã ou daqui a pouco
as horas acordarão meus sonhos
e o dia me obrigará a viver,
até o último tango !
O Gado- por José Newton Alves de Sousa
Passa o gado.Tarde e sol.
Desperta, e vem comigo cantar, a chapada.
Os ramos, os verdes ramos do morro me acenam
entre o rubro e o azul.
Altas nuvens, bailarinas do céu, me coroam.
Tu, coração, põe-te em salmo e poema.
Tarde e sol. Passa o gado.
Nos olhos, a tristeza erradia.
Na tarde, e em minha alma em conflito,
a saudade vadia.
Maurício Einhorn Gravando a Vida - por José do Vale Pinheiro Feitosa
O som de uma harmônica de boca ecoou entre as palmeiras da praça, desde os espigões do topo delas, passando pela folhagem dos pés de benjamim, carregados de sementes e Lacerdinhas. Como um cosmo, respirava em cada poro da existência até mesmo naquelas bolinhas pretas e duras que são as sementes das palmeiras. Foi quando uma voz, acompanhada pela harmônica, encantou o ambiente:
Alguém como tu,
Assim como tu, eu preciso encontrar
Alguém sempre meu
De olhar como o teu
Que me faça sonhar...
E, na madrugada solitário, num banco da Praça Siqueira Campos, tive saudades de mim mesmo. Saudades de todas aquelas meninas, com seus olhares dissimulados, que me deixavam queimando de dúvidas. Saudades da minha intensidade, mesmo que sob incertezas, com que as amavas e ainda as amo.
Sob efeito da abertura do “show” de gravação do disco “Maurício Einhorn e Convidados”, na noite de ontem, 30 de abril de 2010, na Sala Cecília Meireles. A platéia de amigos e músicos da carreira deste extraordinário instrumentista. À exceção de Billy Blanco, apoiando seu passo trôpego numa bengala, a maioria não faz parte do écran da televisão. São músicos verdadeiros, do cerne da música, do fundo do palco, mas que constroem a maravilha de arranjos que parecem naturais quando são pura criação, aqui e, eternamente, humanas. Naquele estágio em que, efetivamente, se revela o quanto Deus é criatura deles.
Não poderia estar mais bem acompanhado. Uma turma de engenheiros, físicos e matemáticos, todos, músicos instrumentistas. Vivem de suas profissões, mas tocam em seus apartamentos, nos bares da cidade, sem o peso terrível com que os músicos têm que matar o leão da sobrevivência todos os dias. E foi, neste clima, que falávamos das agruras do músico instrumentista: Maurício Einhorn, um símbolo da cultura musical internacional, entre os melhores junto a Jean “Toots” Thielemans, por vezes não tem grana para fechar o pagamento do condomínio do prédio em que mora e o atrasa.
Quando aquele homem alto veio ao palco, com sua roupa do cotidiano das ruas do Leme, alto, dominando a cena, era de uma gentileza pura como os carbonos brilhantes de um diamante. Um carinho com os amigos e a platéia em geral só comparado ao seu gesto, quando, no meio da gravação, abre uma garrafa de litro e meio de água mineral, levanta em oferta para o seu público e bebe um gole. Um gesto de educação, tão distante, destes jovens nervosos no palco que parecem o centro do mundo.
É preciso ver. Maurício Einhorn quebrando a vulgaridade dos “shows” de absoluta coreografia, destas bandas caídas, destes artistas de palco, destas embalagens de consumo fugaz, como uma barra de chocolate. Ele tocava, como um ferreiro na oficina, olhava para um músico e outro, se afastava, simples assim, como se caminha na rua, apenas para melhor ouvir e visualizar os sons que aqueles gênios da música extraiam. Da mais pura e intensa fonte humana: Alberto Chimelli, Luiz Alves, João Cortez, Roberto Sion,Dario Galante, Augusto Mattoso e Rafael Barata. Isso acrescido de um dos melhore regionais de chorinho da atualidade aqui no Rio de Janeiro.
O disco é uma comemoração especial na vida de Maurício Einhorn. No próximo dia 20 de maio ele completa 78 anos, sendo 73 anos dedicados ao instrumento – ganhou sua primeira gaita em 1937, quando tinha 5 anos. A Sala Cecília Meireles cheia, ainda pediu um bis e ele assim se confraternizou, com todos cantando parabéns. Ele abraçado a todos os artistas. Incluindo seu diretor e produtor Danilo Bossa Nova. E aqui uma variante aos músicos de todo o nosso país, na periferia do mercado de sucessos.
Maurício Einhorn foi a Ubá, terra de Ary Barroso em Minas Gerais para um evento musical e lá encontrou, vendendo livros, o seu produtor atual. Danilo Bossa Nova tivera sucesso como cantor no inicio da Bossa Nova, recebeu o apelido de Altamiro Carrilho. Depois de ter viajado pela América do Sul, acompanhando Dilu Mello, Danilo se apresentou na TV Excelsior, TV Tupi, TV Rio, Boite Plaza, onde começou a bossa nova, na Boite Cangaceiro, cantando com Elizete Cardoso e Rildo Hora. Foi ajudado por Roberto Carlos na divulgação do seu disco nas rádios.
No final da gravação do CD, fomos para o Bar do Ernesto com a turma de músicos. Entre ouvir um conjunto que tocava na casa, dançar um pouco, beber e comer, um bom papo sobre música. Ora, vocês não precisam mais arrancar o feijão da terra. O que fazer do tempo? A resposta: o que Maurício Einhorn faz. Uma intensa procura de regiões inalcançáveis de cada um, através do instrumento musical que mais gosta, como se escala o estreito do cume do Everest.
Aliás, na altura rarefeita do Everest, se encontra metros abaixo, os pulmões de Maurício Einhorn, sobre o fechamento de um enfisema, adquirido como fumante passivo nas casas de shows em que os músicos instrumentistas, especialmente os jazzísticos, exerciam sua profissão. Aquela mistura entre o espaço fechado, o esfumaçado dos cigarros e o sopro em suas gaitas.
Na volta para deitar-me e dormir, tinha a certeza que assistira a algo muito singular. Em todos os sentidos, especialmente o programa musical, a expressão de arte, mas, também, a possibilidade de que aquilo não se repita tão facilmente. Um evento como aquele, uma gravação, um público e uma divulgação, é algo extremamente difícil e, economicamente, caro. Como o caro em economia só envolve moeda, não diz sobre arte, está aí a dificuldade, não na escassez de oportunidades.
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