por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Sobre deuses, pássaros e gaiolas" (Rubem Alves)

EU NÃO TENHO RELIGIÃO. Não vou a igrejas, não participo de rituais, não acredito nos seus dogmas. Preciso não ter religião para amar a Deus sem medo, com alegria e, principalmente, sem nada pedir. Não tenho religião porque não concordo com as coisas que elas dizem de Deus. Deus é um Grande Mistério. Está além das palavras. Diante do Grande Mistério a gente emudece. Fica em silêncio. Discordo a partir do pronome “ele”. Deus “ele”, masculino? Onde foi que aprenderam sobre o sexo de Deus? Deus tem sexo? Se tem sexo, por que não ela, Deus mulher? Como a mulher do Cântico dos Cânticos? A Igreja Católica não conhece a mulher. Conhece apenas a “mãe” que foi mãe sem ter sido mulher. Deus: por que não uma flor, a mais perfumada? Por que não um mar sem fim onde a vida navega? Místicos houve que disseram que Deus é uma criança que nos convida a brincar... Mas pode ser também que Deus seja música, como pensaram os místicos pitagóricos.
Ter uma religião é falar as palavras sagradas daquela religião e acreditar nelas. AS RELIGIÕES SE DISTINGUEM E SE SEPARAM PELAS DIFERENÇAS DAS PALAVRAS QUE USAM PARA SE REFERIR AO SAGRADO. SE ELAS NADA FALASSEM, SE HOUVESSE APENAS O SILÊNCIO DIANTE DO GRANDE MISTÉRIO, A BABEL DAS RELIGIÕES NÃO EXISTIRIA. Diante do Grande Mistério apenas uma palavra é permitida, a palavra poética, porque a poesia não o diz, mas apenas aponta para ele. O Grande Mistério está além das palavras.
Se tenho uma religião e ela se chama poesia. Por isso, amo a Cecília Meireles, sacerdotisa profana, que quando queria se referir a Deus falava sobre um mar sem fim, misterioso e selvagem. Quem em silêncio contempla o mar sem fim ouve vozes em meio ao barulho das ondas. Também Fernando Pessoa sabia disso. Mas, prestando bem atenção, é possível ver, a voar sobre o mar sem fim, um pequeno pássaro que canta: “Leve é o pássaro: e a sua sombra voante, mais leve. E a cascata aérea de sua garganta, mais leve. E o que lembra, ouvindo-se deslizar seu canto, mais leve...”
Os poetas escrevem em transe: não sabem sobre que estão escrevendo. Faz muitos anos, escrevi um livro para minha filha. Ela tinha 4 anos. Eu iria fazer uma demorada viagem pelo exterior e ela ficou com medo de que eu morresse e não voltasse. Apareceu-me, então, uma estória, “A menina e o pássaro encantado”. Resumida, era assim: era uma vez uma menina que amava um pássaro encantado que sempre a visitava e lhe contava estórias; o pássaro a fazia imensamente feliz. Mas sempre chegava um momento quando o pássaro dizia: “Tenho de ir”. A menina chorava porque amava o pássaro e não queria que ele partisse. “Menina” - disse-lhe o pássaro - aprenda o que vou lhe ensinar: EU SÓ SOU ENCANTADO POR CAUSA DA AUSÊNCIA. É NA AUSÊNCIA QUE A SAUDADE VIVE. A SAUDADE É UM PERFUME QUE TORNA ENCANTADOS A TODOS OS QUE O SENTEM. QUEM TEM SAUDADES ESTÁ AMANDO. TENHO QUE PARTIR PARA QUE A SAUDADE EXISTA E PARA QUE EU CONTINUE A AMÁ-LA, E VOCÊ A ME AMAR..." E partia. A menina, sofrendo a dor da saudade, maquinou um plano: quando o pássaro voltou, lhe contou estórias e, quando ele foi dormir, ela o prendeu numa gaiola de prata dizendo: “Agora ele será meu para sempre”. Mas não foi isso que aconteceu. O pássaro, sem poder voar, perdeu as cores, perdeu o brilho, perdeu a alegria, não mais tinha estórias para contar. E o amor acabou. Levou tempo para que a menina percebesse que ela não amava aquele pássaro engaiolado. O pássaro que ela amava era o pássaro que voava livre e voltava quando queria. E ela soltou o pássaro que voou para longe. A estória termina na ausência do pássaro e a menina se enfeitando para a sua volta.
Minha intenção, ao escrever esta estória, era simples: consolar a minha filha. Mas quando foi publicada ganhou um sentido que não estava nas minhas intenções: começou a ser usada em terapia, com casais possuídos pela ilusão de que, engaiolado, o amor seria posse eterna...
Desde então, passei a presentear noivos com uma gaiola da qual eu arrancava a porta. Mas, passado algum tempo, uma pessoa me disse: “Que linda estória você escreveu sobre Deus!” “Sobre Deus ???”, eu perguntei sem entender. “Sim”, ela me respondeu.
“O PÁSSARO ENCANTADO NÂO É DEUS ??? E AS GAIOLAS NÃO SÃO AS RELIGIÕES NAS QUAIS OS HOMENS TENTAM APRISIONÁ-LO ??? Aprendi, então, da minha própria estória, algo que não sabia: Deus como um Pássaro Encantado que me conta estórias. Amo o Pássaro. Odeio as gaiolas. O Pássaro Encantado não pousa em galhos para cantar. Não é possível fotografá-lo. Canta enquanto voa. Dele, o que temos é apenas a sua leve sombra voante e a cascata aérea de sua garganta... Quando ouço o seu canto, ele já passou. Só é possível vê-lo em seu vôo, por trás. Vai-se o pássaro. Fica a memória do seu canto.
Um pássaro voando é um pássaro livre. Não serve para nada. Impossível manipulá-lo, usá-lo, controlá-lo. Pássaro inútil. E esse é, precisamente, o seu segredo: a sua inutilidade; ele está além das maquinações dos homens. Sua única dádiva é o seu canto. Só faz um milagre, um único milagre: quando, chorando, lhe peço “Passa de mim esse cálice”, ele canta e o seu canto transforma a minha tristeza em beleza. Por isso eu nada lhe peço. Sei que ele não atende a pedidos. O seu canto me basta: ao ouvi-lo transformo-me em pássaro. E vôo com ele...
MAS AÍ VÊM OS HOMENS COM AS SUAS ARAPUCAS E GAIOLAS CHAMADAS RELIGIÕES. E CADA UMA DELAS DIZ HAVER CONSEGUIDO PRENDER O "PÁSSARO ENCANTADO" EM GAIOLAS DE PALAVRAS, DE PEDRAS, DE RITOS E MAGIA. E CADA UMA DELAS AFIRMA QUE O SEU "PÁSSARO ENGAIOLADO" É O ÚNICO "PÁSSARO ENCANTADO" VERDADEIRO...
POR QUE PRENDERAM O PÁSSARO ??? PORQUE O SEU CANTO NÃO LHES BASTAVA. NÃO LHES BASTAVA A BELEZA. NA VERDADE, NÃO O AMAVAM. O QUE OS HOMENS DESEJAM NÃO É A BELEZA DE DEUS. O QUE ELES QUEREM É MANIPULAR O SEU PODER. O QUE ELES QUEREM É O MILAGRE.
O CANTO DO PÁSSARO PODERIA LHES DAR ASAS PARA VOAR. MAS NÃO É ISSO QUE QUEREM. O QUE DESEJAM É O PODER DO PÁSSARO PARA CONTINUAR A RASTEJAR; DEUS, TRANSFORMADO EM "FERRAMENTA". Ferramenta é um objeto que se usa para se atingir um fim desejado. Assim são os martelos, as tesouras, as panelas... O que as religiões desejam é transformar Deus em uma ferramenta a mais. A mais poderosa de todas. A ferramenta que realiza os desejos. Como o gênio da garrafa. POIS NÃO É ISSO QUE É O MILAGRE, A REALIZAÇÃO DE UM DESEJO POR MEIO DA MANIPULAÇÃO DO SAGRADO ??? SÓ É CANONIZADA SANTA UMA PESSOA QUE REALIZOU MILAGRES: O MILAGRE É O "ATESTADO" DO SEU PODER PARA MANIPULAR O DIVINO.
E é assim que as religiões se multiplicam, porque os desejos dos homens não têm fim, e os seus santuários se enchem de santos de todos os tipos, os santos milagreiros são nossos despachantes espirituais, todos eles a serviço dos nossos desejos, atenderão nossos desejos a preço módico, se rezarmos a reza certa e prometermos publicar o milagre em jornal, e pela televisão se anunciam fórmulas, sessões de descarrego, águas bentas milagrosas, exorcismo de demônios, os DJs de cada religião têm uma música na fala que lhes é própria...
Assim, a poesia do canto do "Pássaro Encantado" se transforma em manipulação do "pássaro engaiolado". E não percebem que aquele pássaro que têm dentro de suas gaiolas não é o Pássaro Encantado, que não se deixa engaiolar, porque é como o vento, e voa como quer, e tem uma única dádiva a oferecer aos homens: a beleza do seu canto.
À TRANSFORMAÇÃO DA POESIA EM "MANIPULAÇÃO MILAGREIRA" OS PROFETAS DERAM O NOME DE IDOLATRIA.

Feliz Natal!


Como fazer Rabanadas


Rabanadas de Natal

Ingredientes

- 200 ml de leite de coco (1 garrafa)
- 1 lata de leite condensado
- 1/2 xícara (chá) de leite
- 10 fatias de pão amanhecido

- 5 bolas de sorvete de creme

- 3 ovos bem batidos com canela em pó a gosto



Modo de Preparo

1º - Numa tigela, misture leite de coco, leite condensado e leite. Nesta mistura, umedeça 10 fatias de pão amanhecido (coloque de 2 em 2 fatias por vez).

2º - Coloque uma bola de sorvete de creme entre duas fatias de pão umedecido fazendo um "sanduíche". Aperte bem, fechando as laterais e passe o "sanduíche" em 3 ovos bem batidos com canela em pó a gosto. Embrulhe em papel filme. Repita este processo com as outras fatias de pão e o sorvete, formando mais 4 "sanduíches" e embrulhando-os. Leve-os para o freezer por 24 horas.

3º - Retire os "sanduíches" do freezer e passe no tempurá de guaraná (receita abaixo). Frite em óleo quente até dourar.

OBS: neste processo, o recheio permanece gelado e a crosta fica crocante por fora.

Tempurá de guaraná (para empanar)

Ingredientes: - 1 lata de guaraná gelado - 1 colher (chá) de fermento em pó - 200 g de farinha de trigo

Modo de Preparo:

1º - Numa tigela, misture guaraná gelado e farinha de trigo. Depois, adicione fermento em pó até obter uma mistura cremosa.

* Rendimento : 5 porções

http://receitas.maisvoce.globo.com/Receitas/Doces_Sobremesas

Decoração natalina de Recife - por Rosa Guerrera






Mais de 70 mil garrafas foram usadas para produzir a decoração de Natal de Recife. O trabalho foi realizado artesanalmente por cerca de 80 mulheres de comunidades carentes da capital pernambucana. As garrafas após lavadas e pintadas,foram cortadas em pequenas peças encaixadas e costuradas com braçadeiras de nylon, formando os enfeites.
O mesmo material reciclável foi utilizado também na árvore de Natal do Recife, que possui 38 metros de altura, equivalente a um edifício de 12 andares. Com 14 toneladas da estrutura metálica, a árvore flutua no Rio Capibaribe atraindo inúmeros admiradores do excelente trabalho. A preocupação ambiental também foi estendida ao tipo de iluminação, feita neste ano com lâmpadas LED, que consome muito menos energia, cerca de 10% de uma lâmpada comum, e ilumina cinco vezes mais.
Algumas fotos da decoração da capital de Pernambuco.



Suburbano Coração
Chico Buarque


Quem vem lá
Que horas são
Isso não são horas, que horas são
(.,..)
Blim blem blão
Isso não são horas, que horas são


A casa está bonita
A dona está demais
A última visita
Quanto tempo faz
Balançam os cabides
Lustres se acenderão
O amor vai pôr os pés
No conjugado coração
Será que o amor se sente em casa
Vai sentar no chão Será que vai deixar cair
A brasa no tapete coração


(...)
O amor está tocando
O suburbano coração
Será que o amor não tem programa
Ou ama com paixão
(...)
Que tanta cerimônia
Se a dona já não tem
Vergonha do seu coração






[Suburbano coração - Chico Buarque]

BEM MAIS ... por Rosa Guerrera



E eu não me cansarei de teus beijos
nem adormecerei com tuas carícias ...
Eu pedirei bem mais !

Pedirei toda a eternidade
em forma de abraços,
Todo o universo no contato
de tuas mãos ...
E ainda pedirei bem mais !

Pedirei uma vida
emoldurada com flores,
um poema todo ternura,
uma estrada iluminada de amor.

E não escutarei
o relógio
nem saberei do tempo...
Não verei o sol despontar ,
nem imaginarei
que existe um mundo lá fora.

Não mais rimas
Nem alento de poesias ...
Fecharei os olhos ,
e te darei bem mais !

Assim era o Natal ...- por Norma Hauer




A N O I T E C E U...

O rádio, que nos 30 estava nos despertando para muitas novidades, marcou o
NATAL de 1933 com uma melodia, que foi a primeira composta exatamente para as festas de fim de ano, até então pouco exploradas.

Anoiteceu...
O sino gemeu,
A gente ficou feliz e rezar.
Papai Noel vê se você tem
A felicidade p'ra você me dar.

Era, porém, uma melodia melancólica, porque melancólico estava seu autor (Assis Valente) quando a compôs. Apresentada no rádio e repetida em todas as emissoras levava uma novidade ao público, espalhando no éter a voz nova de Carlos Galhardo, representando seu primeiro sucesso.

Até então, o Natal era uma festa comemorada em família ou com alguns amigos.

Não havia a exploração por parte do comércio que só então viu a possibilidade de se expandir oferecendo produtos, através de anúncios no rádio, que os lançavam como "natalinos". Afinal,o rádio já estava penetrando em todas as casas e era a grande porta que se abria para a divulgação daqueles produtos.

Papai Noel era uma figura descrita, tal como hoje o conhecemos, mas não era “visto”; assim as crianças o imaginavam (e acreditavam) que ele poderia estar em todas as casas na noite de 24 de dezembro.

Lojas passaram a se expandir e anunciar seus produtos no rádio.
Principalmente, lojas de brinquedos, visto que naqueles anos, apenas as crianças recebiam presentes; adultos participavam das ceias e à meia-noite iam à Missa do Galo. Lembro-me de uma tia muito católica que não perdia essa Missa e não concordava com presentes e árvores de Natal, até então só montadas em poucas casas. A maioria "montava" presépios. Em minha casa, uma árvore pequena era enfeitada com algodão e em seus galhos colocavam-se velas que, muitas vezes, pegavam fogo e acabavam com a árvore.

Foi na primeira metade dos anos 30 que uma pequena loja foi aberta e, praticamente, dominou o comércio no Natal. Foi criada por um empreendedor francês e recebeu o nome de "Mestre et Blagé". Pouco tempo depois foi destruída por um incêndio de grandes proporções. Mas de suas cinzas renasceu a Fênix e seu nome foi abreviado para Mesbla. Que saudades da Mesbla !... São memórias de muitos "Natais. Não posso recordar-me da Mesbla, sem sentir uma grande emoção. Foram anos em que "meu Natal" se iniciava na Mesbla.

E hoje, com "Papais Noéis" espalhados por toda parte, dominando a televisão, os
"shoppings", a "Saara", com suas ruas estreitas, onde até caminhar é difícil, o espírito de Natal se transformou em um grande "mercado persa". E as pessoas, portando seus presentes, em uma grande árvore de Natal.


Norma Hauer

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Tudo pelo poder" - José Nilton Mariano Saraiva

Jovem, sólida formação acadêmica, com “fôlego” pra dar e vender, unanimemente reconhecido (até pelos adversários) como um profissional competente na função que exerce (assessoria de comunicação), mas um tanto quanto ingênuo e romântico para a intensidade e o tipo de desafio lhe anteposto, o vibrante idealista Gosling (Stephen Meyers) sofre um “choque de realidade e desencanto” ao bater de frente com a trapaça, a corrupção, o jogo sujo e a deslealdade do seu superior hierárquico, Hoffman (Philip Seymour), no decorrer da campanha política do governador Mike Morris (George Clooney), candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos.
Matreiro, experiente, passado na casca-do-alho e essencialmente um mau caráter, Hoffmam é aquele tipo desprovido de quaisquer escrúpulos, desconhecedor do que seja padrões morais e, até por isso mesmo considerado um gênio para aquela espécie de “sujeirada”, onde a palavra dita agora não vale no minuto seguinte e a “ética” mandou lembranças. O tal do “rolo compressor”, na completa acepção do termo, já que capaz de passar por cima da própria genitora, se necessário.
Sua influência é tamanha, que até o próprio governador-candidato a presidente (Clooney), aparentemente detentor de rígidos padrões morais e comportamentais, paulatinamente vê-se obrigado a passar por uma metamorfose impressionante, sob pena de não conseguir chegar lá. E haja concessões, e tome desdizer o que dissera antes, e haja benevolência e esquecimento pra aceitar aliar-se a figuras renegadas há pouco, tudo em nome da vitória final.
Pois bem, lá pras tantas (no auge da campanha), bastou que o idealista Gosling tivesse aceitado encontrar-se (sem maiores compromissos) com o coordenador do comitê do adversário, para que o mundo desabasse sobre ele, já que acusado por Hoffmam de ser um “traíra”, um entreguista e de se achar interessado em "ocupar o meu lugar”. Demissão sumária, sem choro nem vela.
Como houvera se envolvido com uma jovem e bela estagiária, atuante no comitê do candidato, quase que por acaso Gosling descobre a “fórmula mágica” de reverter tal situação; grávida... do governador-candidato a presidente e por ele desprezada, a jovem opta pelo suicídio, devidamente abafado pelo candidato e Hoffman.
Esta a senha para que, a partir de então, Gosling renuncie a toda sua ingenuidade e romantismo e, como bom aluno, passe a adotar o mesmo jogo sujo de que houvera sido vítima: exige do governador-candidato à presidência a demissão imediata de Hoffman (sob pena de “abrir o bocão” para a imprensa, acusando-o da gravidez indesejada e do suicídio da jovem), se auto-nomeia coordenador-chefe em seu lugar e assume as rédeas da campanha a partir dali.
Por essa razão, o bem ritmado e atualíssimo “Tudo pelo Poder”, recentemente lançado, é um desses filmes que marcam e, certamente, deverá ser laureado pela Academia. Se faz merecedor (George Clooney, Stephen Meyers e Philip Seymour têm atuação irrepreensíveis).
Vale a pena conferir.


Amanhã é o dia DELE!

Alfredo Moreira Neto  
Mano querido, exija dois presentes!

Grande abraço

NATAL DIFERENTE - Isabela Pinheiro

Houve um natal diferente
Onde ninguém ganhou presente
Não tinha enfeites para pendurar
Nem arvore de natal para enfeitar
Apenas um boneco de pano branco rasgado
Mas não tinha paredes para ele ficar pendurado
O dinheiro acabou
E fome foi o que minha família passou
O Papai Noel não veio nos visitar
Nem trouxe presentes para nos agradar,
Mas o sorriso não tiramos do rosto,
Pois é o nascimento de jesus
E quando ele nascer
Felicidade ele vai nos trazer,
Passou da meia noite
O que eu pensava era verdade,
Uma casa minha família ganhou,
Peru tinha em uma mesa
Em cima de uma toalha vermelha
E como grande troféu da noite
Uma linda arvore de natal
Com enfeites coloridos,
Para uma ceia chamamos nossos amigos,
Foi o natal mas feliz que a minha família já deu a mim.

Isabela Pinheiro
10 anos

Vovô Natalino e o Natal de Trevas em Matozinho


A notícia chegou em Matozinho ainda pela manhã, quando os burros dos leiteiros ainda cruzavam as ruas, enchendo os bules, de porta em porta. A cidade ficou consternada. Padre Andrelino falecera na capital. Fora pároco de Matozinho , por uns onze meses , em substituição ao Padre Arcelino que adoecera gravemente . A tristeza que se abateu sobre a Vila tinha muitas razões para se multiplicar. Andrelino mal varara os quarenta anos e, na sua passagem meteórica por Matozinho, tinha se irmanado tanto com a cidade que se tornara um matozense honorário, desses que nem precisam receber o título na Câmara Municipal. Por polêmicas ações do seu apostolado, terminara afastado da paróquia e, depois, tido por louco, soube-se ter sido interno em hospital psiquiátrico na capital. O povo nunca se conformou com o triste destino do nosso Arcelino , ainda mais agora quando se divulgou, por baixo dos panos , o motivo do falecimento : suicídio por enforcamento. Caiu, por sobre a cidade, um clima pesado, como todos se sentido atormentados por um novo pecado original. Parecia impensável o trágico fim do sacerdote. Logo ele? Tão alegre , sempre com um sorriso pendente dos lábios, tão repleto de esperanças e idéias novas ! Tão dinâmico e confiante na possibilidade de mudar o curso das coisas e tornar o mundo mais respirável! Por que desistiu de forma tão trágica e categórica?

As rodinhas de praça, as mesas do Bar do Giba e a assembléia da Botica de Janjão até que tentaram trazer uma resposta. As versões, no entanto, são desencontradas e múltiplas , passeiam pelo terreno do homicídio, da psiquiatria, da terapêutica errada e até de uma suposta trama envolvendo grupos de comerciantes e sacerdotes no sentido de por fim à vida dele. Quem sabe , o leitor, não poderia dar uma ajudazinha em desvendar o enigma?

Andrelino assumiu a paróquia de Santa Genoveva e, rapidamente, percebeu-se que era um padre diferente. Criou um Projeto chamado “A Deus o que é de Deus”, administrado pelos próprios diocesanos. Arrecadavam donativos e óbolos que eram doados aos mais carentes, sem qualquer interferência da Diocese. Os administradores descontavam apenas um pequeno valor para manutenção do sacerdote e da Igreja. Acabou com as procissões intermináveis, afastou as beatas do templo e pediu-as se envolverem em movimentos sociais sob pretexto de que ajudar aos mais desfavorecidos já era uma oração. Dispensou, ainda ,as confissões, pedindo aos fiéis que se confessassem diretamente com Deus e suas consciências. Proibiu o corte anual de árvore para montar a bandeira da Santa Genoveva na Festa do Pau da padroeira, aquilo era uma agressão à natureza: montem em cano de PVC! Acabou, também, com as regalias que tinham os matozenses mais ricos: missas domésticas, encomendações especiais, concelebrações em aniversários e solenidades. Vários imóveis doados para Santa Genoveva foram vendidos também , com fins de ajudar às vítimas da inundação do Rio Paranaporã. Cristo não faria isso, perguntou o sacerdote ? Ou ele preferiria ser latifundiário e assistir ao sofrimento e abandono do seu povo ?

No entanto, a gota d´água que entornou o copo do Pe Andrelino, veio no Natal. Taí um consenso , arrancado das rodinhas de bar, praça e botica. É que as mudanças propostas foram enormes, se comparadas aos Natais da tradição. Andrelino brigou com o prefeito Sinderval Bandeira, pois esse criara o que ele chamou de “Natal de Trevas”. Nenhuma iluminaçãozinha na cidade, para lembrar a data, era demais! Em plena época de luzes da China, aquilo era inadmissível! Depois, Andrelino pediu a todos que construíssem árvores de Natal com espécies da própria região : pau d´arco, faveiras, timbaúbas, coração de negro. Pinheiro e Cipreste não tem nada a ver com Matozinho , minha gente ! E mais, não cortassem as árvores que aquilo era uma afronta à vida e a Deus. Desbancou, também, a figura do Papai Noel, um velho broco e cego que só avista criança rica e mais: anda num trenó, puxado por umas tal de rena, no meio da neve. Quem já viu esse tipo de condução? Quem já viu neve? Quem conhece rena, meu povo ? Pode um desgraçado desse vir bater num lugar seco como Matozinho? Mandou buscar, então, uma figura em barro construída por Zé do Carmo, um artesão de Goiânia em Pernambuco, chamada de Vovô Natalino, com cara de nordestino e olhar afável e carinhoso: a partir de hoje, esse é nosso Papai Noel ! O padre, ainda, acabou com o tal de amigo secreto: a partir dali todos os amigos seriam visíveis e declarados. E mais: pediu ( para desespero dos comerciantes )para que a troca de presente cessasse, que aquilo não era coisa de Deus. Trocassem por alimentos e distribuíssem com os pobres, aquilo sim era bem mais condizente com o espírito de Natal. Andrelino lembrou ainda do falso clima de solidariedade quase compulsória desse período. Que as pessoas se tornassem caritativas, mas com espírito libertário: lutassem para que um dia a caridade já não fosse necessária e se substituísse por justiça social. Pediu ainda que a ceia fosse servida na Praça da Sé, numa mesa enorme, lembrando que todos somos irmãos e devemos dividir a mesma mesa. E mais: nada de Panetone, de uvas, de Passas , de Nozes, de vinhos. Vocês acham que foi isso que Cristo comeu na manjedoura? Tragam à nossa mesa o nosso maná do dia a dia : passa-raivas, sequilhos, quebra-queixos, muncunzá, macaúbas, araticum, siriguelas e aluá. É com esse maná que devemos regar o nosso Natal.

O Natal de Trevas , dizem todos, foi o mais iluminado de Matozinho. Logo depois, sabe-se lá porque, Andrelino foi afastado e depois interno no hospício. Aos que lamentaram o enforcamento de Andrelino, alguém lembrou que aquilo nada tinha de estranho: o próprio aniversariante , autor de tantas idéias parecidas, não fora crucificado ? Não era apenas a mesma história que se recontava?

J. Flávio Vieira

Campanha "Queremos seu Cacareco"

Você deve ter em casa aquele cabo velho de USB, o cartão de memória que não usa mais, aquela maquina de fotografar antigona, uma tesoura velha, um gravadozinho, uma extensão...e muitas outras coisas que nunca utiliza....já pensou em doar? Queremos todo os seus cacarecos para construimos o nosso Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte Contemporânea.

Sua doação...pode fazer a arte circular coletivamente.....


O amor é preguiçoso. Carece de sono, sonhos, e uma vontade misteriosa de persistir no ramo. Ramo de laranjeira, pés de vento, zero compromisso.

Que 2012 seja um ano amoroso para todo o mundo!

socorro moreira

O programa Anonymus Gourmet é apresentado pelo jornalista, advogado e escritor José Antonio Pinheiro Machado. O personagem Anonymus foi criado por ele em 1982, no livro "O Brasileiro que ganhou o Prêmio Nobel", que tinha como subtítulo "Uma Aventura de Anonymus Gourmet". O Anonymus Gourmet é apresentado desde 5 de abril de 2003 na RBS TV aos sábados pela manhã. O objetivo do programa é sempre apresentar receitas simples, fáceis, baratas e saborosas com um truque ou toque do Anonymus. Os programas fazem parte do Núcleo de Produção da RBS TV, que tem na gerência Alice Urbim. A produção dos programas é de Adam Scheffel e a direção de Vivian Cunha.

Aspectos sentimentais do signo Capricórnio :: Graziella Marraccini ::


Capricórnio é um signo de Terra, Cardeal, governado pelo planeta Saturno (Veja também em: Signos Astrológicos). Como os outros signos de Terra, Capricórnio é ligado aos bens materiais e a todas as coisas terrenas. Na terra ele simboliza a própria Terra, os lugares elevados, as montanhas, e os lugares isolados e inacessíveis. Sendo muito prático, como os outros signos do mesmo elementos, o capricorniano ‘não dá um ponto sem nó’, no sentido que ele ambiciona sempre alguma coisa em troca do que faz.

O símbolo do capricórnio é uma figura ‘meio bode e meio peixe’, o que mostra a ambivalência deste signo, que é a evolução da vida na Água (seu oposto é o signo de Câncer) para subir na Terra. No simbolismo antigo, a cauda do Capricórnio lembra também uma serpente, que é uma das mais antigas representações da sabedoria instintiva, sabedoria da própria terra. Ao mesmo tempo, o seu lado peixe, conhece as profundezas do mar, ou seja, as profundezas da psique e das emoções humanas. Este cabrito montês, trabalhador incansável, perseverante, astuto e ambicioso, é antes de tudo um grande caçador de mistério. Ele consegue controlar com astúcia os meandros da natureza humana, sejam eles interiores e exteriores.

Ele é sem dúvida mestre em guardar segredos. E isto diz respeito aos próprios sentimentos também. Talvez haja ali uma dificuldade de traduzir ‘em miúdos’ algo que não é facilmente controlável, de forma que ao falar de sentimentos, ele precisa saber bem onde põe os pés (ou as patas!).

Ele é muito realista e não fará nada por impulso. O objetivo do capricorniano é sempre o de colocar os pés sobre algo concreto, ‘muito concreto’, portanto fará escolhas razoáveis e seguras. O romance não é para ele. O mito do Deus Saturno nos diz algo sobre este signo. Saturno é um dos Titãs, os deuses da Terra, filhos de Gaia, a Grande Deusa Mãe. Saturno é Kronos na Mitologia Grega, Deus do Tempo, que veio aprisionar seus filhos na cadeia das reincarnações. Do mesmo modo o capricorniano aprisiona a si próprio dentro de muros de trabalho, dever e ambição e passa muito tempo de sua vida somente acumulando responsabilidades e... dinheiro. Em detrimento, as vezes da sua vida sentimental. Porém, ele também aspira o lado espiritual da vida, mas ele irá, também neste campo, tentar alcançar o topo e buscará o autocontrole, a vontade, a estabilidade interiores que o associam à figura do Pai.

O Homem de Capricórnio

Quando jovem, o homem de Capricórnio pode parecer um pequeno cabrito sem rumo, às vezes assoberbado por tantas responsabilidades e poderá parecer até bastante inseguro, especialmente do ponto de vista sentimental. Tendo uma meta terrena para atingir, ele deixa de lado os seus próprios sentimentos e vai seguindo firmemente o caminho traçado pela ‘tradição’. Ele segue o caminho dos antepassados, com passos firmes e tem uma maneira peculiar de demostrar o seu amor. Dificilmente ele dirá "Querida, eu te amo!", naquele tom romântico e meloso dos signos de água. Mas ele demostrará seu amor compartilhando com você seus projetos e construindo com você um futuro firme e garantido. Ele fará seu papel de pai e marido de forma firme e segura, o que é um comportamento tipicamente masculino. O papel da mulher de um capricorniano deverá portanto ser essencialmente feminino. Se ele é o Grande Pai ela deverá ser a Grande Mãe e deverá desempenhar seu papel, dando-lhe, principalmente, filhos... homens! Sim, porque para ele o mundo é masculino e, mesmo respeitando o lado feminino da vida, ele está convencido da supremacia que o universo masculino tem sobre o feminino. O mais difícil nestes relacionamentos, é que esta figura paterna acabe se tornando um pouco tirana, e neste caso a mulher que estará ao lado de um capricorniano não poderá se mostrar mais competente e forte do que ele, pois isto retiraria sua autoridade. A não ser que esta competência seja num campo ‘estritamente feminino’, é claro!

O capricorniano típico é seguro, e se compromete somente se é "para toda a vida". Porém não tente modificá-lo, aceite-o como ele é, e você terá um companheiro seguro e confiável para a vida toda.

A Mulher de Capricórnio

Apesar do mito do Capricórnio ser ligado à figura do Grande Pai, a mulher de Capricórnio não é masculinizada. Muitas vezes elas assumem muito cedo as rédeas de sua vida, e não raramente também aquelas de outros familiares. Mas esta mulher, apesar de forte e segura, possui uma certa dose de feminilidade, de sensibilidade, que tem dificuldade de se expressar abertamente. Sempre bem-vestida e bonita, ela nunca será espalhafatosa mas terá um certo charme, um certo ar de mistério, que consegue ser muito atraente para certos homens. Normalmente a mulher de Capricórnio dará muita importância à sua carreira, mas também poderá ser uma amante e uma esposa dedicada, que ajudará o marido em sua própria carreira, com seus conselhos e seu senso prático, manipulando-o de forma astuciosa para conseguir obter aquele resultado que ela deseja. Como mãe também ela pode ser manipuladora, porque é instintivo nela exercer o poder do comando e o seu desejo de realizar algo é tão forte que, se ela não trabalhar fora, se realizará através dos filhos e do marido.

Acredito que a mulher de Capricórnio deva tentar buscar dentro dela o seu lado feminino escondido, o seu lado Câncer, o seu lado Água. Desta forma ela se tornará mais feminina e terá menos decepções amorosas. Sim, porque a Capricorniana se decepciona facilmente e se queixa muito do fato que os homens não lhe oferecem a necessária ‘segurança’. Isto está ligado ao mito do ‘Pai’ que elas trazem dentro de si. E se esta figura paterna não for bem resolvida, terão problemas nos relacionamentos e se decepcionarão sempre com os homens que considerarão ‘mais fracos’. Com o tempo, elas poderão no entanto desenvolver o seu lado mais caloroso e acolhedor e se tornarem muito sábias.

Capricórnio e o amor

Como já falei, o capricorniano típico não lida bem com sentimentos, que ele considera ‘pouco seguros’. Como ele gosta de pisar em terra firme, buscará relacionamentos estáveis e bem do tipo ‘tradicional’, e aos poucos construirá os alicerces firmes para a sua ascensão social. Não existe pessoa mais segura para companheira do que uma pessoa de capricórnio! No entanto, se você busca emoções, novidades, surpresas, enfim, uma vida cheia de ‘fogo de artifícios’ fique longe dele. Ele lhe oferecerá segurança, conforto material, uma boa posição social, mas nunca grandes surpresas e noitadas loucas! O amor do capricorniano é demostrado no dia à dia, naquilo que ele oferece ao seu companheiro para dar-lhe estabilidade e firmeza. E isto não é pouco, não é?

A PARTÍCULA DE DEUS



Não sei se existe uma partícula de Deus
ou a primeira massa
depois do Big Bang.
Não preciso explicar a origem do universo.
Enquanto se procura o bóson de Higgs
com o Grande Colisor
de Hádrons
de Cern,
eu continuo a me extasiar com as panelas
da cozinha
ou com o infinito das estrelas.





Eu apresento a página branca.

Contra:

Burocratas travestidos de poetas
Sem-graças travestidos de sérios
Anões travestidos de crianças
Complacentes travestidos de justos
Jingles travestidos de rock
Estórias travestidas de cinema
Chatos travestidos de coitados
Passivos travestidos de pacatos
Medo travestido de senso
Censores travestidos de sensores
Palavras travestidas de sentido
Palavras caladas travestidas de silêncio
Obscuros travestidos de complexos
Bois travestidos de touros
Fraquezas travestidas de virtudes
Bagaços travestidos de polpa
Bagos travestidos de cérebros
Celas travestidas de lares
Paisanas travestidos de drogados
Lobos travestidos de cordeiros
Pedantes travestidos de cultos
Egos travestidos de eros
Lerdos travestidos de zen
Burrice travestida de citações
água travestida de chuva
aquário travestido de tevê
água travestida de vinho
água solta apagando o afago do fogo
água mole sem pedra dura
água parada onde estagnam os impulsos
água que turva as lentes e enferruja as lâminas
água morna do bom gosto, do bom senso e das boas intenções
insípida, amorfa, inodora, incolor
água que o comerciante esperto coloca na garrafa para diluir o whisky
água onde não há seca
água onde não há sede
água em abundância
água em excesso
água em palavras.

Eu apresento a página branca.

A árvore sem sementes.

O vidro sem nada na frente.

Contra a água.
Arnaldo Antunes