por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A vida é uma tômbola- por socorro moreira




Ninguém prevê, ninguém decide, ninguém escolhe...Não existe livre arbítrio. Ao mesmo tempo, fazemos escolhas aleatórias, ditadas pela intuição ou sensatez. Melhor deixar o coração falar, sem esquecer a lógica. Melhor é muito não pensar, ou pensar bastante, e desistir!
Não existe fórmula. Existe destino!
A dor do mundo se mistura às nossas dores. Difícil deixar o coração tranquilo. A mesma insegurança que nos faz perder é a mesma que nos protege, nos fortalece, prevenindo resultados adversos. A gente com o passar dos tempos vai ficando mais frio, chorando menos, e transformando a doçura em amargura.
Como não perder a ternura?
Ela nos salva da infelicidade. Ela nos transforma em generosidade.
Noutros planos, imateriais, perdemos a identidade física. A dor do mundo  é a dor da alma. Inferno é não poder fazer nada. Céu é alterar o curso da dor. É fazer o milagre. É estabelecer a paz, nas perdas, e a plenitude  nos ganhos... Sejam grandes ou pequenos.
Viver é lutar a cada dia por passos no caminho que é nosso, mas reúne outros, infinitos outros.

domingo, 27 de janeiro de 2013

MAIS UM MOTIVO DE ORGULHO PARA D. ALMINA


Thais Pinheiro Callou, Filha do casal José Lívio Callou x Maria Benigna Arraes (Bida) e neta de D. Almina Arraes concluiu com distinção e louvor o mestrado em oftalmologia no Hospital Santa Luzia, em Recife. Dra. Thais Callou, mesmo sendo a laureada e oradora da turma, não se contentou com o título, vai fazer doutorado na Universidade de São Paulo. Ela foi uma das duas únicas brasileiras selecionadas pela USP, concorrendo com médicos de todos os países das Américas.

A MELANCOLIA DE DÜRER

Sob o universo de chumbo,
o anjo negro espera com o compasso na mão.
O menino dorme sob a escada.
O cão dorme e vigia enrolado aos pés.

Uma coluna com a balança e a ampulheta,
ao lado o sino com o quadrado mágico por baixo.
Uma pedra geométrica,
o martelo, os pregos, a plaina e a bola.

O sol da melancolia brilha no horizonte
sob um arco-íris de chumbo.

JCMBrandão

O Extermínio dos Ucranianos pelos comunistas

Lamentável as imagens do filme, mas vale a pena verificar.

sábado, 26 de janeiro de 2013




O Pio da Coruja

- Cortou as unhas ? Ainda bem !
Quanto aos anéís...
eles não são necessários.
O cavanhaque ... está fora de moda.

- Dentes amarelos?
É só escová-los três vezes ao dia
com um bom dentifrício,
e o hálito terá um aroma de flores.

- Está renovando o seu harém?
Ótimo!É bom sair da rotina !

- As lagartixas se foram ?
Que seja um besouro ...
"Quem não tem cão, caça com gato".

- Lá se foi o esquilo ?
Peça a ele para trazer de volta a sua "muda".
Diga-lhe que você se arrependeu,
e precisa dela.

- Deu a louca na floresta,
e é tarde na noite do poeta?
- Ouça o pio da coruja!

- Passe esmalte nas unhas ...
uma leve embriaguês, e elas ficarão mais bonitas.

Aí, então você verá
que a Mentira dará lugar à Fantasia.



por Corujinha Baiana

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Zózimo Bulbul (Rio de Janeiro, 1937 — Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2013) foi um ator, cineasta e roteirista brasileiro. Em 1969, se tornou o primeiro negro a ser protagonista de uma novela brasileira, Vidas em Conflito da TV Excelsior. Atuou em As Filhas do Vento e no premiado Pureza Proibida. Morreu em 24 de janeiro de 2013 em consequências de um câncer no colo do intestino.

Pterossauro




                            "Todas as coisas têm o seu mistério,
e a poesia é o mistério de todas as coisas."
  Lorca

Os Anos 70-80 , no Cariri, se caracterizaram principalmente, na área cultural, por um intenso movimento de  Contracultura, estudado, meticulosa e cientificamente, muitos anos depois, pelos olhos atilados do professor  Roberto Marques. Jovens estudantes, bafejados pelas ondas liberalizantes de Maio de 68; de Woodstock; dos Hippies;  da pílula e da disseminação das drogas; oprimidos, por outro lado, pela Ditadura Militar; sentiram-se tocados na sua criatividade, investindo contra a institucionalizada e centenária Cultura caririense. O Teatro investiu-se de novas linguagens, através dos movimentos estudantis, despertando nomes como Ronaldo Correia Lima, Francisco de Assis Souza Lima, Luiz Carlos Salatiel, José do Vale Filho,  Renato Dantas , Gil Grangeiro, encenando Brecht, Ariano Suassuna e peças de cunho mais autoral. O Cinema trouxe nomes , alguns ainda hoje fortíssimos no cenário nacional, como Rosemberg Cariri, Jéfferson Albuquerque, Hermano Penna, José Hélder Martins, Jackson Bantim. Nas Artes Plásticas brotaram :  Stênio Diniz, Luiz karimai, Normando, Edélson Diniz, Janjão e muitos outros. Na Música : Abidoral e Pachelly Jamacaru, Luiz Carlos Salatiel, Thiago Araripe, João do Crato, Luiz Fidelis, Zé Nilton Figueiredo, Heládio Figueiredo, Cleivan Paiva. A Literatura nos  brindou com : Ronaldo Brito, Francisco de Assis Souza Lima, Emérson Monteiro, J. Flávio Vieira, Roberto Jamacaru e Geraldo Urano. Todos estes artistas e tantos outros se conglomeraram em jornais como “Vanguarda” e “Flor de Pequi”; em publicações como “Cariri Jovem 68 e 69”; nas dez edições dos  “Festivais da Canção do Cariri”; nos “Salões de Outubro”, no “Grupo de Artes Por Exemplo” e no   “Xá de Flor”.  Todo este período áureo da Cultura Caririense, já estudado tecnicamente  e com tanto rigor pelo professor Roberto Marques, está a merecer um trabalho de cunho mais jornalístico , uma biografia lúdica destes lúdicos-loucos tempos.
                                   Este pequeno relato pode parecer irrelevante e enfadonho para quem não viveu esta época. Tende a parecer coisa de velho curuca contando para os seus netos : “Meninos, eu vi!”. Mas, paciência ! Ele surgiu, por conta de uma das mais sensacionais notícias dos últimos tempos. O “Instituto Caravelas” acaba de montar uma Exposição junto ao Centro Cultural Banco do Nordeste em homenagem a um poeta icônico da nossa região : Geraldo Urano. Durante toda uma semana convivemos com shows, performances poéticas, mesas redondas e uma Exposição cuidadosa, expondo a obra do nosso grande bardo. E o mais interessante de tudo : a iniciativa partiu do Instituto Caravelas  que tem no seu corpo amantes da arte da novíssima geração.
                                   A homenagem é mais que merecida. Geraldo Batista, Urano, Mérkur, Efe, multiplanetário,  foi o mais importante poeta caririense dos últimos quarenta anos. Mais que ninguém, Geraldo captou este multifacetado período histórico, pleno de enormes incongruências , de contrastes incontáveis, onde todas as chagas da civilização ficaram imediatamente expostas e era preciso mudar tudo e mudar rápido. Sua poética é única : sem data, sem fronteiras geográficas ou políticas, perpassada por uma fina e doce ironia. Os primeiros rudimentos do Tropicalismo em terras cearenses saíram de suas performances nos nossos primeiros Festivais.  Pronto a adentrar os sessenta anos, recluso, nosso bardo, mais que nunca prova que a Arte é capaz de quebrar os cadeados de qualquer cativeiro.  Suas letras foram musicadas por incontáveis parceiros : Abidoral, Pachelly, Luiz Carlos Salatiel, Cleivan Paiva, Calazans Callou. É dele a letra do principal hino deste período : “Lua de Oslo”.
                                   Em Arte, como nos fenômenos geológicos, os movimentos culturais vão se sobrepondo, como placas sedimentares. O novo nem percebe que está necessariamente montado no velho, no arcaico. O presente é, necessariamente, o passado remasterizado. Algumas vezes, o moderno faz prospecções e se encanta ao descobrir preciosas peças soterradas na história, mas sempre as vê com a curiosidade do arqueólogo, como fósseis. A descoberta de Geraldo Urano pelas novas gerações compara-se à descoberta, pela ciência, de um pterossauro vivo. Foi assim que o nosso poeta surgiu para os olhos brilhantes de inúmeros adolescentes nas performances poéticas. Levantou vôo , trazendo no bico o mistério de todas as coisas, vinha novamente de Urano, de Mercúrio, de Vênus , de Marte, do infinito :   lá onde os poetas tecem seus ninhos.

J. Flávio Vieira
 Leny Andrade, (Rio de Janeiro, 25 de janeiro 1943) é uma cantora brasileira . Começou a carreira cantando em boates, morou cinco anos no México e passou boa parte da vida morando nos Estados Unidos e Europa. Participou de programas de calouros em rádios e ganhou uma bolsa de estudos para o Conservatório Brasileiro de Música. Estreou profissionalmente como crooner da orquestra de Permínio Gonçalves passando mais tarde a cantar nas boates Bacará (com o trio de Sérgio Mendes) e Bottle's Bar, no Beco das garrafas, reduto de boêmios e músicos do movimento musical urbano carioca surgido em 1957, a bossa nova . Em 1965 alcançou grande sucesso com o espetáculo Gemini V atuando com Pery Ribeiro e o Bossa Três na boate Porão 73, lançado um disco gravado ao vivo. Leny, por muitos considerada a maior cantora brasileira de jazz 



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


Amedeo Clemente Modigliani (Livorno, 12 de julho de 1884 — Paris, 24 de janeiro de 1920) foi um artista plástico e escultor italiano que viveu em Paris. Artista principalmente figurativo, tornou-se célebre sobretudo por seus retratos femininos caracterizados por rostos e pescoços alongados, à maneira das máscaras africanas. Morreu aos trinta e cinco anos, em condições de extrema pobreza material, vítima de meningite tuberculosa, agravada pelo excesso de trabalho, álcool e drogas.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Aniversariante do dia: Simone de Carvalho Aguiar!

Felicidade permanente, em todos os dias de sua vida!

Nosso grande e carinhoso abraço!
 FABULETA

O SILÊNCIOSO E O SILENCIADO
SAIRAM PRA PASSEAR
O SILENCIOSO FICOU CALMO
MAS O SILENCIADO
DANOU-SE A TAGARELAR.
MORAL:
O SILÊNCIO MORA
NO VAZIO DO TAMBOR

Ulisses Germano
Crato - CE.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Saudades de Antonio Adolfo...



Santa internet, que nos faz resgatar músicas, filmes, amigos, e até montar o quebra-cabeça de nós mesmos. Ganhei este vinil em 1979.Escutei-o até avariá-lo. Depois o perdi, numa das minhas mudanças. Hoje lembrei de procurá-lo...Achei,e Compartilho com vocês!

Pérola da MPB



Maysa Figueira Monjardim, mais conhecida como Maysa Matarazzo ou simplesmente Maysa (São Paulo , 6 de junho de 1936 — Niterói, 22 de janeiro de 1977), foi uma cantora, compositora e atriz brasileira. Ao longo da sua carreira imortalizou uma discografia com mais de 25 títulos. Cristalizou uma das mais sensíveis obras da Música Popular Brasileira.



A palavra
nunca é só uma palavra
Nunca come quando diz que é fome
Nunca olha, quando o filme é mudo
Nunca morre, quando a bala é pra outro
A palavra,
nunca é só uma palavra
Nunca arde, quando é sem pimenta
Nunca afoga, quando diz que é choro
Nunca esquece, quando é flor dentro do livro
A palavra,
não morre quando quem fala morre
A palavra só morre
No silêncio do medo
Da primeira e
da última hora
 
 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O SOL JÁ ESTÁ NO SIGNO DE AQUÁRIO – por Stela Siebra

Como temos todos os signos no mapa astrológico, devemos ficar atentos para os sinais de todos eles. É preciso compreender o verdadeiro significado do signo e fazer brilhar (estrelar) seu sinal.  
Estrelar AQUÁRIO é sair de um quadro de referências essencialmente subjetivo e pessoal para olhar a vida com uma perspectiva objetiva, social, solidária e ampla, justa e igualitária. Os ideais aquarianos estimulam consciência e interações sociais. Não podemos ficar de braços cruzados quando as mudanças e revoluções estão acontecendo; devemos sim participar, cooperar e desenvolver nosso espírito de solidariedade.
Vamos estrelar Aquário buscando a matriz primordial das coisas. Quando sairmos de um tipo de vida comum – centrados na nossa autoimagem – para buscar o modelo original, estaremos nos repotencializando, nos libertando e oficializando nosso encontro com o Sagrado. Aí começamos a realizar e estrelar PEIXES.

NOTICIAS DO JORNAL "O POVO" NOS IDOS DE 1930

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A palavra de Lampeão, o monarcha selvagem dos sertões

Os dados e as informações sobre que escrevemos esta reportagem foram colhidos do próprio Lampeão pelo sr. José Alves Feitosa, que há semanas, no alto sertão, com elle conversou demoradamente.

Offerecendo à A Noite essas notas interessantíssimas, o sr. Feitosa, offertamo-la, nós, aos nossos gentilíssimos leitores, a quem não queremos mais poupar o prazer curioso de sentir um bocado da psychologia pittoresca e da vida romanesca do jaguar terrivel dos sertões.


NO PÉ DA SERRA

Cabia o crepusculo sobre o escampado arido e esbrazeado daquelle recanto sertanejo do Estado do Ceará, no pé da serra do Araripe: o engenho de rapadura Boa-Vista, a cinco léguas da cidade de Missão Velha, quando o sr. José Alves Feitosa ali chegou.

Um crepusculo doloroso, sertanejo, manchando a paisagem de sombras e difundindo uma melancolia por tudo...
Gentis e acolhedores, os senhores de engenho o receberam, prodigalisando-lhe o conforto de uma hospedagem, onde elle repousaria da viagem exaustiva.
Ahi, foi que se aproximou de Lampeão.
Este assomara à porta, desarmado, fitando o recem-chegado, que o interpellou logo:
- É o capitão Virgulino Ferreira?
- Às suas ordens.
- Já o conhecia através de photographias.
- Ah? Foram esses retratos, de que o sr. fala, que me inutilisaram. Si não tivesse deixado phopographar-me, seria desconhecido e já poderia ter desaparecido, sumindo-me no mundo, indo para longe, ganhar a vida tranquilamente, sem attribulação dessa angustia constante de ser perseguido.
- E o sr. é perseguido? Dizem na capital que a polícia...
- ... não persegue, porque sou amigo dos officiais. É verdade, mas, ainda assim, as trahições, o sr. comprehende.
No anno passado, Isaias Arruda, meu grande amigo, chefe politico cearense, surpreendeu-me numa localidade deste Estado com um cerco policial terrivel, de que me livrei não sei como.
Estas cousas são que magoam...
Uma trahição, o diabo!
Gosto dos officiaes e odeio os chefes de policia.
Não é verdade que eu haja emboscado, para matar ao dr. Eurico Souza Leão. Ignorava que esse chefe de policia viajava, naquelle tempo, pelo sertão...
Se soubesse, com franqueza, eu teria aventurado...
- Como foi assassinado seu irmão?
- É invenção. Elle não foi morto. Está são, vivo e bolindo.
Aquillo foi brincadeira "só para atrapalhar"...
- E Sabino?
- A mesma coisa.
Está vivo, no Riacho do Navio, à frente de alguns homens. Vou encontrar-me, agora, com elle.
- Disse-me, ha pouco, que se pudesse abandonaria o cangaço...
- Sim. Por porque eu não vivo a vida do cangaço, por maldade minha.
É pela maldade dos outros. Dos homens que não têm a coragem de lutar corpo a corpo como eu e vão matando a gente na sombra, nas tocaias covardes.
Tenho que vingar a morte dos meus paes. Era meninote quando os mataram. Bebi o sangue que jorrava da pelle de minha mãe, e beijando-lhe a boca fria e morta, jurei vinga-la...
É por isso, que de rifle de costas, cruzando as estradas do sertão, deixo um rastro sangrento a procura dos assassinos de meus paes.
(...)
É por isso que eu sou cangaceiro.
Não sei quando hei de deixar os horrores desta vida, onde o maior encanto, a maior belleza seria extinguir a maldade daquelles que roubaram a vida de minha mãe e de meu pae a de minhas irmãs.
Dizendo isto, Lampeão ergueu-se, tomando o chapéo.
Despediu-se do nosso informante.
À porta um seu companheiro o "arreou", isto é, entregou-lhe as cartucheiras e o mosquetão, um fuzil Mouser cortado na extremidade do cano.
Apertando as mãos hospitaleiras de Rosendo, o dono da rustica engenhosa, o monarcha sanguinolento dos sertões tomou a estrada poeirenta para as incertezas do seu destino.
Deante da maravilha da vida de Lampeão cheia de episodios romanescos e impressionantes como aquelle em que ha a scena commovente e soberba do juramento sobre a bocca hirta de uma mãe, quem ousará atirar a primeira pedra sobre o quadrilheiro immortalisado nas chronicas sangrentas do sertão?

http://luzdefifo.blogspot.com.br
http://afnneto.blogspot.com.br
http://blogdomendes

COPIADO DO BLOG CARIRICANGAÇO.BLOGSPOT.COM

Expedição Foto Crato


A CHUVA CAI
             A chuva cai no telhado do meu quarto,
             Eu contemplo o teu retrato,
             E me ponho a imaginar.
             Cada goteira o meu coração invade,
             Uma onda de Saudade,
              Que me faz acreditar.

             Que o próprio tempo,
             Solidário esta comigo,
             E faz questão de ser amigo,
             Quando eu sofro por alguém,
             A natureza também parece que chora,
             Só porque tu foste embora,
             Ao me ver chorar também.

             Chora a natureza a noite inteira
              Suas lágrimas em goteira
              Vem molhar meu barracão.
             Este barracão todo furado.
             Que chove por todo o lado,
             E tem lama pelo chão.

            Hoje tu moras num apartamento,
            Enquanto eu vivo ao relento,
            Onde sozinho fiquei.
            Pisas num tapete aos pés da cama,
           Enquanto eu piso na lama,
           Na lama onde te encontrei.


Essa canção é linda!
Não a encontrei na net.
Seria o intérprete Alcides Gerardi?
E o autor?
Alguém sabe?

por socorro moreira


Os últimos dias resolveram mudar o ritmo
Fizeram coreografia com um bando de tartarugas
Céu nublado,tardes quentes,tudo mudo


Agora  é 2013

E o vinho espera abril
O milho espera S.João...
Até dezembro voltar
Com cestas de intenções

Há uma possibilidade de felicidade no ar
Há uma possibilidade de alegria
No final do dia, quando o sol esfria...
Uma bola prateada que se chama lua
Enche de magia a nossa vida!

Por José Flávio Vieira



Crato & Creta


Crato é Creta
Creta é Crato
A lua que lambe Creta
Alua os doidos do Crato
No palácio de Cnossos
Crato guarda os seus destroços
Não pense que é desacato

E que é coisa de cretino
Mas o mar que enrosca Creta
Explode nas fontes do Crato
Largue o ar aristocrático
Repare bem no retrato
Crato e Creta ,Creta e Crato
Moram na mesma cratera
Pense de forma concreta
Que Minos mata no Crato
O Minotauro de Creta ?
Vai ser o maior barato
Quando a espada discreta
Dilacerar do Nó Górdio
Que ata o Crato a Creta
Quem sabe o fio de Ariadne
Marque a passagem secreta
Último ato do Teatro:
Teseu reinventa Creta
E o Tesão refaz o Crato .
J Flávio

Por Nicodemos




Tudo se transformou
da noite pro dia
Turva natureza
casa vazia
Meus sonoros pigarros
de repente ficaram mudos
Isso é vida ou utopia?


Vou viver no preto e branco
Mais uns anos...
Eu quero água  das nascentes
Pra lavar o que ficou guardado
Meu sonho adormecido
Embotado de fumaça
Agora se espreguiça
Apagado de saudade!



socorro moreira

domingo, 20 de janeiro de 2013


Detrás da janela - Everardo Norões

Detrás da janela,
uma lua qualquer.
Prefiro a borboleta girando,
movida a bateria solar:
luz com destino certo,
a marcar
o tom escuro do calendário.
Ele cantou:
‘A saudade não é um rosto que fica,
é trem na montanha’.
Um trem passa.
A montanha permanece
na sua imobilidade primeira.
Sem rosto ou disfarce.
E a borboleta volta a girar.
Enquanto desligam
os últimos tubos da vida
e os aviões procuram
vagos destroços
no mar...
.Para Armando Lessa (1955-2009), i.m.

Sensualidade - por Socorro Moreira


Sensualidade
Não combina com luxúria
Combina com o olhar
Com a delicadeza do toque
Com o bigode
Com o andar


Sensualidade combina
com suavidade...
Precisa não saber ser
Precisa saber reter - o carinho!


Sensualidade combina com cheiro
que o vento traga e distribui ...
cheiro de rosa esmagada
cheiro de alma limpa
cheiro de corpo
banhado nas cascatas


Sensualidade é vermelha-cetim
É um passo atrás de mim
que eu alcanço na saudade


Sensualidade é a maciez da neblina
A gota que brota
no poro que agita


Sensualidade é a nudez
coberta de pejo...
É a veste rasgando a nudez.


Sensualidade é o tom
É o som...
É um murmúrio inaudível
É o desconhecido mais próximo
Que nunca perdeu seu mistério!
foto de Pachelly Jamacaru

Por Rosa Guerrera


Cada um canta a sua terra ! Eu escolhí os versos do grande compositor J.Michiles ,que nessa marcha de bloco retrata tudo de lindo que Recife possui . ( Vale ressaltar que Betânia também gravou essa música )


RECIFE MANHÃ DE SOL (J. Michiles)


Vejo o Recife prateado

À luz da lua que surgiu

Há um poema aos namorados

No céu e nas águas dos rios

Um seresteiro, um violão

Anunciando o amanhecer

Um sino ao longe a badalar

Recife inteiro vai render

Ave Maria ao pé do altar


Bumba-meu-boi, Maracatu

Recife dos meus carnavais

Não vejo mais sinhá mocinha

Á luz de um lampião de gás

És primavera dos amores

Do horizonte és arrebol

Vai madrugada serena

Traz delirante poema

Recife manhã de sol

O sexto sentido das mulheres - Fernando Sabino





Certo dia, parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare para refletir sobre o sexto sentido. Alguém duvida que ele exista? E, como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você... Ou é a que você dá em cima? E, quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?
E, quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40ºC, você vai pegar um avião para São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala para você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
O sexto sentido não faz sentido! É a comunicação direta com Deus! Assim é muito fácil...As mulheres são mães! E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal? E não satisfeitas em ensinar a vida, elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"... Tudo isso é meio mágico... Talvez ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de seus filhos (que, aliás, foram criados à sua imagem e semelhança).
As mulheres choram, vazam ou extravasam? Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens... É choro feminino; é choro de mulher... Já viram como as mulheres conversam com os olhos? Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem?
Elas conhecem todos... Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens. En-fei-ti-çam!
O amor leva as mulheres para perto de Deus... já que ele é o próprio amor. Por isso, dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas. Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam... Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora.

( Fernando Sabino )

A DIFÍCIL ARTE DE SABER ESPERAR - por Rosa Guerrera


A vida da gente é mesmo muito curiosa .
Dialogamos, falamos tanto , e existem frases que jamais conseguimos dizer ,tamanha a pressa e a avidez em querermos construir rapidamente um poema.
Exatamente como aquela música que um dia resolvemos compor e misturamos tanto os bemóis aos sustenidos que a rapidez dos nossos dedos , termina por quebrar várias cordas do violão.
Dificilmente sabemos esperar !.
Plantamos hoje uma semente e já queremos que amanhã o nosso canteiro esteja repleto de flores.
Até quando compramos um novo livro, temos por habito olhar suas últimas páginas !.
Queremos apalpar os nossos sonhos como fossem brinquedos , sem analisarmos e vivermos lentamente o seu contexto e a sua beleza .! E assim tiramos o colorido de tudo , restando apenas em nossas mãos uma triste paisagem sem nuances e sem historias.
Assim acontece com o amor , esse sentimento que na ânsia muitas vezes de ser consumido rapidamente, se transforma em luxuria , em paixão ,deixando na pele apenas marcas de momentos, e no coração a espera de carinhos que não se concretizaram...
Sabemos que todo rio corre para a amplidão do mar , mas antes desse mergulho , dessa união, ele contorna pedras , desvios, rochedos,caminhos estreitos , obstáculos, sol , chuva , tempestade até o grande abraço final.
Assim deveria ser vivido , saboreado, e desfrutado o amor ! Manso como a mansidão das núvens, leve como uma folha que passeia no ar, terno como o canto de um roxinol ,sem gritos de explosões ,mudo e sentido nas veias e artérias ,e dedilhado em acordes apenas para dois corações ... navegador contínuo e lento nas águas de um rio , que inevitavelmente o levará ao total mergulho no mar que o espera .
Verdade única nessa difícil arte de saber esperar . 
 

Homenageada do dia: Bastinha Job!

 Hoje ela completa alguns anos, mas continua a mesma menininha: loira dos olhinhos azuis, semeando alegria , poesia e bom humor  na cidade, na rua, entre os amigos e conhecidos...Salve esta musa de todos nós!






Com o  vizinho , amigo e artista  Ulisses Germano. É muito bom morar perto desse povo! 
 Chic, chic.,chic ...E linda!



 Ela gosta de samba, de animais e da vida.
Viva Bastinha!

Com o seu marido "Branco". O cara que vive a felicidade de conviver com essa menina!

Bastinha,

Admiramos e  lhe queremos muitíssimo bem.

Receba um grande abraço, em nome de todos!