por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 12 de janeiro de 2013

Por João Nicodemos


COISA COM COISA.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
12:33
     Dia  destes estive conversando com uma criança, atividade de que gosto muito. É um menino inteligente e muito perspicaz. Depois de algumas brincadeiras linguísticas, utilizando rimas, ritmo, e um pouco do imaginário infantil, no meio da conversa ele parou, pensou um pouco e disse num tom entre sério e debochado: "Ele não diz coisa com coisa!" Outro adulto que estava presente repetiu a frase como quem confirma e aprova a expressão. Fiquei triste e bastante preocupado. Um adulto pensar assim, é até natural, mas uma criança de cinco anos com sintomas dessa natureza?
      Tudo bem que um gato seja um gato e um passarinho seja um passarinho... Mas com um pouco de imaginação, um gato pode querer voar e cantar como um passarinho, ou um passarinho aprender a miar e conversar com o gato. Como diria um amigo meu, o mundo das fábulas é fabuloso!
      Enquanto poeta, transito livremente entre o estreito universo da razão e as infinitas possibilidades da transcendência. Afinal, poesia é transcendência.
      Uma criança de tão pouca idade, olha e vê o mundo com espanto, onde tudo é novidade. Um caramujo no jardim, uma borboleta sobre a flor, uma fileira de formigas... Tudo isso é ao mesmo tempo real e fantástico. Partes de um mundo a descobrir e reinventar. A lógica binária dos computadores não chega nem a arranhar o verniz destas realidades tão profundas e, por isso mesmo tão simples, quando tenta explicá-las.
      Sou irmão umbilical das metáforas, das metonímias, enfim da metalinguagem. Assim, acredito e tenho fé, que a Verdade - com "v" maiúsculo e a Beleza -idem- só podem ser alcançadas por esta via. Entenda-se como metalinguagem todas as formas de linguagem que transcendam aos estreitos limites racionais, incluindo as não verbais.
      Não que eu despreze a Razão e o conhecimento que dela decorre. Afinal toda esta conversa (para muitos, chata) está firmada em argumentos plenamente razoáveis. Prefiro considerar que a razão e suas ferramentas sejam como pedras num caminho pantanoso, onde devamos pisar com segurança para dar um próximo passo. E ainda que nos arrisquemos pisando no desconhecido, as pedras da razão devem ser nossas referências, nosso porto seguro entre um e outro movimento.
      Vejam que não posso abrir mão da metáfora, mesmo pra pensar a razão. Então vamos imaginar que a casca do ovo, em sua pequena espessura, contenha o universo racional. Toda a razão e todo o conhecimento racional ali estão contidos. Com este conhecimento é possível abarcar todas as realidades racionais. Tudo que existe no universo racional, contido na espessura da casca de um ovo.
      Admito que isso seja suficiente, para a maioria das pessoas. Acontece que no interior desta casca imaginária, no interior deste ovo-metáfora, existe mais um universo de fenômenos e possibilidades, totalmente desconhecido e inatingível pelas ferramentas do mundo racional. E como não bastasse, existe ainda o exterior deste ovo imaginário, que não compreende nem sua casca (o mundo racional) nem o seu interior.
     Ao descobrir-formular este pensamento tenho um susto imenso, quase um surto, e percebo que a Verdade e a Beleza são muito maiores e mais plurais do que poderiam supor nossos parcos recursos racionais.
     Penso com Leonardo (Boff) que a transcendência seja uma das necessidades humanas; assim como o alimento, o abrigo, a procriação; e se não fosse esta necessidade de transcender nossa condição humana, de buscarmos o além-de-Nietzsche, não teríamos supra-humanos como Leonardo (o Da Vinci); a Terra teria a forma de uma bolacha e seria o centro do universo; o espaço seria plano e Einstein e Deus estariam errados, e...
     Sinto muito pelos meninos inteligentes que são forçados a dizer coisa com coisa. Sinto por eles e por toda a humanidade.


                                                                                                                                                            
João Nicodemos .

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Zé Menezes !




 Violonista. Compositor. Multiinstrumentista, toca violão de seis e sete cordas, violão tenor, bandolim, banjo, cavaquinho, viola de dez cordas, guitarra amplificada, guitarra portuguesa e contrabaixo. Seu gosto musical foi despertado quando aos seis anos de idade ouviu a banda de música de sua cidade natal(Jardim-Ce). Começou a tocar requinta e depois cavaquinho ainda criança
Iniciou a carreira artística com apenas oito anos de idade quando foi convidado pelo maestro Arlindo Cruz para se apresentar profissionalmente em um cinema na cidade cearense de Juazeiro. Atuou posteriormente na orquestra do maestro Arlindo Cruz em apresentações na cidade de Crato, CE. Aos 11 anos de idade já era membro da Banda Municipal de Juazeiro. 
Incrível como desconhecemos os nossos valores.
Aplausos para este músico, internacionalmente conhecido,  com raízes no nosso Cariri.

Um "pequeno grande gesto" - José Nilton Mariano Saraiva

E de repente, de uma área não muita afeita a manifestações da espécie, porquanto povoada por “machões sarados”, aparentemente embrutecidos, e ainda por cima praticantes de um esporte onde o contato físico forte e ríspido é uma constante, uma atitude inusitada, um laivo de ternura e afeto, um “pequeno grande gesto”, que parece ter passado despercebido pela maioria dos que o vivenciaram, ao vivo ou via telinha (pelo menos não se ouviu ou se leu nada, a respeito).
Deu-se na frienta noite londrina, no novo e monumental estádio de Wembley, por ocasião de uma partida final da Copa dos Campeões da Europa, quando se enfrentaram as tradicionais e caras esquadras do Barcelona (Espanha) e Manchester United (Inglaterra), dois dos maiores expoentes do mundo futebolístico da atualidade.
Aos fatos.
Quase ao final (aos 43 minutos do segundo tempo) do aguardado confronto que mobilizou adeptos do futebol em todo o mundo, com o jogo já definido e o título assegurado em favor da excepcional esquadra do Barcelona (3 x 1), o técnico Guardiola (ex-jogador do próprio clube), numa atitude de grandeza e desprendimento, resolve prestar uma justa homenagem ao seu correto “capitão”, o marrento e aguerrido zagueiro Puyol, que, lesionado, não tivera condição de adentrar ao gramado, de início; então, faltando dois minutos para o término da pugna, convoca-o a substituir um companheiro, com o claro intuito de, naquele momento maior, no ápice daquela gloriosa jornada, braçadeira de capitão, fazê-lo erguer o troféu de campeão e, consequentemente, aparecer para a posteridade nas TVs de todo o mundo, ao vivo e a cores, e na primeira página dos principais jornais do mundo, dia seguinte.
Providenciada a substituição, daí a pouco o juiz determina o término do confronto. E foi então, no momento da premiação, ante um batalhão de fotógrafos e centenas de canais de televisão de todo o mundo, que se deu o inusitado, o imprevisível, aquilo que denominamos um “pequeno grande gesto”, pela espontaneidade e nobreza do ato: o guerreiro Puyol, evidentemente que fugindo do script armado pelo técnico-amigo Guardiola, mostra toda a sua humildade e excelência de caráter, ao abdicar de tamanha honraria e delegar ao discreto companheiro Abidal (lateral esquerdo), o privilégio de erguer o troféu, como se fora o verdadeiro “capitão” da equipe catalã.
Explica-se: meses atrás, Abidal fora desenganado pelos médicos, em razão da descoberta de uma grave e normalmente letal enfermidade (“câncer” no fígado) e fora afastado sumariamente das atividades esportivas; agora, após um tratamento pra lá de penoso, ali, ante um estádio ocupado por 80 mil pessoas e com a partida sendo transmitida pra bilhões de telespectadores em todo o mundo, além da confiança do técnico Guardiola em escalá-lo e mantê-lo durante toda a partida, agora, Puyol, o “capitão” de todos eles, que entrara ao final do jogo unicamente pra “exercitar o que lhe conferia a patente”, humilde e simbolicamente transferia pra ele, Abidal, o privilégio de erguer o troféu de campeão.
Uma cena de cortar corações e levar qualquer um às lágrimas (embora alguns teimem em afirmar que “homem que é homem não chora”). Pois, acreditem, “abrimos o berreiro”.

Tostões de memória- socorro moreira




Na década de 50 tínhamos o Rádio, o Cinema, as revistas ( Cruzeiro, Cinelândia...), e oxalá, algum jornal,  nos mantinham em contato com as notícias da Capital, do Brasil e do Mundo.
Guaraná, passas (caixinhas minúsculas), chocolates, biscoito Champanhe, ameixas, amêndoas, castanha do Pará e avelãs eram artigos de luxo. Tudo era artesanal, e primitivo: café torrado e pilado em casa, geladeira a querosene, fogão de lenha, filtros de barro, cascas de laranja penduradas no teto da cozinha, meizinhas  e latrinas no quintal, pinicos dentro do quarto, e até no corredor...Quartos apinhados de rede, família numerosa, feiras diárias, ou no máximo semanais: pra comprar secos e molhados.Mercearias , quase únicas, substituíam os supermercados atuais.O povo do Crato já tinha a mania de fazer compras no Juazeiro. Lá tudo era mais barato e fácil de achar. Lá,  novidades, em primeiro lugar.
Na década de 60 as famílias começaram a usar papel higiênico, e as garotas substituíram os “guardanapos” por “Modess”. Chegou luz de Paulo Afonso pra apagar velas e candeeiros, rodas nas calçadas e desabitar as salas de cinema. As modistas ainda tinham todo espaço, e as revistas em quadrinhos começaram a enfeitar as bancas de revista. Não faltava uma radiola nas salas, cristaleiras nas salas de jantar, e penteadeiras nos quartos.
Leite Moça e Creme de leite começaram a constituir a base dos nossos quitutes e doces.
Em 70 as casas que  cobriam botões, fivelas , lojas de tecido, entraram em crise com o advento das primeiras e definitivas boutiques.
Em 80  dançávamos em “boates”, e curtíamos músicas internacionais.Os eletrônicos , carros, quartos com suítes, pisos de cerâmica eram o sonho de consumo de todos os lares.Manaus e Paraguai eram muito visitados.
Nos anos 90 as atenções foram voltadas para uma política inflacionária. Desativaram o curso “Normal”, que formava professoras primárias, e a corrida saudável por um curso profissionalizante ou Superior motivavam, definitivamente, a população do Crato.
Nos anos 2000 deixamos de conhecer TODOS os moradores da nossa cidade. Gente de fora: professores, alunos, comerciantes, políticos e industriais assumiram uma nossa nova vida.
Todo o passado ficou para trás, menos as nossas lembranças que permanecem vivas.Hoje,na terceira idade,vivemos o cotidiano de esperanças mescladas de muitas saudades.
Envelhecemos e ganhamos um jeito novo de vida. Mais doenças, cujos tratamentos esticam o fim.
Péssimos programas de TV, gosto musical suspeito, contas de celular, luz, planos de saúde, prestação de carro, aluguel de casa, educação dos filhos e material escolar, alimentação, engolindo sem piedade o nosso parco salário. Tempos de conforto bastante oneroso!
O interessante é que a paixão, o amor, a poesia, os sonhos encantados nos enchem de alegria como um “PI”, em todos os tempos.
Nunca mais terei um pijama de flanela feito por minha mãe para enfrentar as noites frias de junho; nunca mais escutarei as histórias da minha avó Dadinha com cantigas e detalhes surpreendentes; nunca mais um tijolo de Joaquim Patrício; nunca mais um jogo clássico de futebol de salão: AAB X Votoran; nunca mais um corte de cabelo por Baysa; nunca mais um corso no carnaval; nunca mais a farda do colégio e os livros suados, debaixo dos braços.;nunca mais uma sessão de cinema no Cassino,nunca mais uma aula de Vieirinha, Alderico, Zé do Vale...Nunca mais quase tudo, quando justamente tudo parece estar ao nosso alcance.
Sejamos satisfeitos com novas realidades. Todo tempo tem a sua graça!
Um abraço aos amigos do meu tempo: Magali, Carlos, Henrique Cruz, Zé Flávio, Bastinha, Joaquim, Dona Almina, Abidoral, Walda, Zé do Vale,mariano, Stella, e todos os rostinhos carinhosos dos quais me recordo,ou encontro em meu caminho.
Nossa geração sobrevive pra contar histórias. Conte a sua!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


Destino do leitor - Rejane Gonçalves


Destino do leitor
Rejane Gonçalves
Que ao leitor jamais seja permitido curar-se. As palavras devem abrir uma ferida permanente na carne do leitor e tu cuidarás para que ela não sare. Há meios eficazes para isto. Pega-se um estilete de ponta muito fina, remove-se um pequeno pedaço da casca que se sobrepôs à pele e fechou o corte, criando um empecilho: a pedra na porta do túmulo. Não tenhas piedade, só um pouco de delicadeza, assim, mansamente, arranharás a superfície rosada que aparecerá por baixo daquela diminuta porção de casca que levantaste; daí espera-se que o sangue aflore, aperta-se um pouco a carne, se preciso, para que o sangue escorra, estanca-se com um chumaço de algodão o sangue, pois não é bom que o leitor fique debilitado e sob hipótese alguma que ele morra.


* Rejane Gonçalves - Grande contista do nosso Cariri,Pernambuco, Brasil, Mundo!!!

Velho Livro - por Rosa Guerrera


COMPARO A MINHA VIDA

A UM VELHO LIVRO

DE CONTABILIDADE ...

ONDE TODOS OS PREJUÍZOS QUE TIVE

FORAM MOTIVADOS POR UM ERRO DE CÁLCULO :

ANTECIPEI O CORAÇÃO À RAZÃO ...

E SEM PRESSENTIR

TROPECEI NA MINHA PRÓPRIA SOMBRA .

Por João Nicodemos


POEMA DE GELO

O MAR
VIRÁ
SERTÃO
 


..........

O que hoje dói em mim
Sei já fiz doer alguém
Dor que num gesto vai
Gira volta e um dia vem
Sente quem o bem recebe
Sendo assim também percebe
Que o bem que vai
Vem.


 .......

quando Nada e Tudo
era ainda Um
trovejou uma luz
no profundo vazio
então teve início
o princípio
e o precipício


.......


hoje acordei
com rimas
nos olhos. . .


 ........
se a vida é
uma viagem:
do berço à cova
da fralda à mortalha
bom mesmo é estar viajando
por mais que pese a cangalha.

Bolo de Macaxeira



Ingredientes


- 1 kg de macaxeira (descascada e picada)
- 2 colheres (sopa) de margarina
- 3 ovos inteiros
- 2 xícaras de açúcar
- 1 lata de leite condensado
- 1 pacote de côco ralado
- 1 garrafa de leite de côco de 200ml
- 2 xícaras de leite de vaca
- 1 pacote de queijo ralado de 50gr
- 1 colher (chá) de sal


Modo de Preparo


Misture todos os ingredientes no liquidificador, juntamente com a macaxeira picadinha e bata aos poucos.
Unte uma forma e despeje a mistura. Leve ao fogo até dourar todo por igual. Está pronto!
Pulo do Gato

Use a macaxeira descascada e bem picadinha

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

"Tição" - José Nilton Mariano Saraiva

Definitivamente, é a inadmissível frouxidão da Justiça que contribui para que a desfaçatez e a cara de pau imperem na arena política brasileira, desde tempos imemoriais. Se não testemunhássemos a impunidade latente há séculos, se os maus feitos fossem punidos célere e exemplarmente, e se a cadeia fosse uma realidade e o destino compulsório para os que transgridem a lei, certamente que as coisas seriam bem diferentes por essas bandas.
Mas, o “lero” é o seguinte: como sabemos, dentre as 184 prefeituras do Ceará, a do Crato é uma das que consta de um relatório onde estão reunidas as 39 em que o Tribunal de Contas dos Municípios constatou a existência de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA e, ainda, foi enquadrada entre as 14 em que deverá ser realizada uma TOMADA DE CONTAS ESPECIAL” (processo no qual a administração pública exige a restituição de recursos ao patrimônio público ou que os envolvidos apresentem sua defesa), em razão do desvio de significativas verbas públicas em atividades outras, não identificadas pelos auditores daquele egrégio colegiado. Segundo afirmação do promotor Eloilson Landim, do Ministério Público Estadual... “Há improbidade administrativa e crime em todos os 39 (municípios) e acho que em todos a Tomada de Contas Especial vai ser determinada” (jornal O POVO).
Portanto, o novo gestor da cidade, que certamente já ouvira falar, mas que oficialmente tomou conhecimento do fato depois de eleito, tinha como prioritária providência, após tomar posse, imediatamente contratar uma auditoria independente a fim de constatar (ou reafirmar) o óbvio ululante (aquilo que o próprio TCM já anunciara); portanto, pisou feio na bola não o fazendo e, só agora, candidamente, vem a público afirmar que...  "Encontramos uma prefeitura sem estrutura nenhuma. Uma prefeitura que não pode ainda atender às demandas da população. Fechamos, sim, para balanço” (novo prefeito de Crato, Ronaldo Gomes de Matos, do PMDB, segundo o jornal O POVO).
Pois não é que, apesar de acusado pelo TCM, das evidências palpáveis de irregularidades cabeludas encontradas na contabilidade da prefeitura e de sequer ter comparecido à solenidade de transmissão do cargo (saiu pelas portas dos fundos, talvez com receio de ser vaiado pela população) ao ser questionado pela imprensa o ex-prefeito da cidade literalmente sugeriu que os auditores do Tribunal de Contas dos Municípios são uns incompetentes, já que... "Deixei um governo limpo, que inclusive passou pela fiscalização do Tribunal de Contas da União" (Samuel Araripe, ex-prefeito de Crato, segundo ainda o jornal O POVO). É ou não muita desfaçatez ???
No mais, o ex-mandatário deve ter decepcionado certos áulicos, capazes não só de por a mão no fogo por Sua Excelência, mas, ainda, de partirem até para o confronto físico se alguém ousasse criticar sua administração; a esta hora devem andar à procura de atendimento urgente em algum hospital de alta complexidade, especializado em queimaduras graves; as mãos devem ter virado um “tição” só.  
Agora, é de se estranhar – e muito – e bem que o novo mandatário poderia oferecer uma explicação convincente aos seus munícipes, do “porque” de manter na principal secretaria do organograma da prefeitura, naquela por onde teoricamente passa todos os grandes projetos e as polpudas dotações respectivas (a de Infra-estrutura) o mesmo secretário que dava as cartas na administração passada (um parente do atual prefeito, segundo informações).
Como justificar isso ???

terça-feira, 8 de janeiro de 2013


Falando sozinha- por socorro moreira


Domingo não é fantástico. Um cansaço crônico lembra-nos cuidados. Os sinos badalam. Esqueço os chamados. Ligo pra todos os santos e eles silenciam. Alguns anjos de plantão respondem e se aproximam. Tocam harpa, quando desejo um violão vadio. Corrijo a ansiedade na ponta do lápis. Apago falas ditas por impulso, mas elas gritam irritadas, que estraguei tudo.
Os astros enlouquecem com meus dados. O I Ching insiste numa mesma resposta: insensatez juvenil. O Taro é brabo: não responde, e ponto!
Se a felicidade chegar pela porta da rua, expresso sorrindo: não saia de mim!

flashes de uma vida- por socorro moreira


Dona Júlia gritou da calçada:
Comadre Cida, Bianca quebrou a boneca de Sofia.
Choros, castigo, confinamento na nesga da casa( lugar dos morcegos, culpas e medos).
Começou a chuva e o chiado do rádio. Seu Tonho acompanha a voz de Orlando Silva, no banho de cuia.
- “... Foi a Camélia que caiu do jarro/ Deu dois suspiros, e depois morreu...”
Zoada do cepo. Carne batida com jerimum verde, arroz com piqui é o prato do dia. Comer pegando fogo, e rapar o pegado da panela, o doce do tacho.
Ranger do armador. Balanço pra quebrar clavícula.
Gata pariu seis gatos. Modesta ninhada! Eles são pardos com olhos cor de jabuticaba, céu e mar..Haja miado, e leite derramado.Em pouco tempo estarão quebrando telhados..Haja goteira nos dias de chuva.Bacias de alumínio amparando as águas.
De noitinha, sentada na calçada, Donana conta histórias pros meninos comportados. Poliana criança- Jogo do feliz!
É proibido ficar triste?
Chorar faz parte da alma. Depois vem o sono reparando estragos. Depois vem o sol clareando o dia... E assim a vida passa como o leiteiro, padeiro, lenhador, e o menino do pirulito. Passa também a velha das macaúbas (matéria prima do nosso jogo de xibio).
-Batente das casas e calçada – animada Rua da Pedra Lavrada!
No fim do quintal portal para o Rio Granjeiro. Barcos de papel buscando um destino. Desmancham-se. Viram argamassas- papel machê dos sonhos infantis.
Acordou dez anos depois, nos braços de Deodato. Bolsa vazia. Tédio da vida enganada.
Um moleque chuta nas paredes do ventre. Três meses depois, ele nasce. Moreno bonito, cor da canela do mingau de milho. Noites insones. Cega e muda, ela dança um samba. Ajoelhou e rezou.
Pra sustentar desatinos, tempos árduos. Comprar chinela de borracha pro menino que tem gilete nos  pés.
 Bola no campo. Cuca bolada. Virou homem, e casou com a loura dos seus sonhos.
Cá e lá, encontros em torno de uma mesa pequena com panelas grandes.
_Tremedeira atrapalha o traço do lápis que nos deixa feliz?
-Alô, alô Dr. Fábio. Avie nossa  receita, Queremos escrever no teclado.