por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 23 de dezembro de 2012

O Papa e o Casamento entre Pessoas do Mesmo Sexo - José do Vale Pinheiro Feitosa


Os romanos absorveram a palavra “laikós” do grego que significava “do povo” e depois o Latim Vulgar evoluiu para “leigas” que derivou para o hoje leigo. E a palavra “leigo” se desdobra em dois significados principais: que não pertence ao clero ou aquele que é ignorante em relação a um determinado assunto ou profissão. Os sacerdotes como senhores do feudo espiritual, pretendentes a porteiros da eternidade, reduziram as almas aflitas ao estado da secularidade. Aquele que vive apenas no tempo, no século.

Tome-se na espiritualidade, na materialidade e na eternidade a trindade que une a carne frágil ao evoluir do cosmo e perceba o quanto a narrativa cristã original era mais ampla, livre, universal e igualitária. Cabia a todos neste mito do nascimento regular do “Natal” e na renovação da fertilidade no “Ano Novo” que restabelece o calendário do fim do tempo.

Esteja na leitura que contigo estou. O evoluir etimológico é um assunto por vezes árduo e enfadonho, igualmente parece o estudo da genealogia familiar. Mas como ocidentais, que somos desaguadouros da civilização greco-romana e da narrativa mesopotâmica dos semitas, perceba o quanto a tua ligação ao cosmo é germinação secular, do tic-tac dos segundos e do foguetório dos séculos. Do leito e da mesa do teu lar ao planeta com suas desigualdades territoriais.   
  
Por isso o leigo, a realidade do mundo, posto que humana e do povo, se contrapõe à elite sacerdotal, à igreja, à formação de feudos e de senhores. Enquanto o leigo amplia, a ordem eclesial recolhe-se entre muros de castelos ou burgos a restringir todos a regras seculares de ritos e mitos. A ordem feudal que abafa a circulação da difícil união entre a carne e o cosmo.

Entendo que nesta altura pergunte-se a respeito por que te ofereço estes parágrafos. O Papa em mensagem ao fieis resolveu fechar mais janelas na livre relação entre todos. Ao condenar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não apenas demonstra o quanto ausente se encontra a igreja da ordem laica do Estado como nada mais há que se opor ao espírito de mediação entre as pessoas e o cosmo. Mediação que se encontra nas leis que não apenas são removíveis como também se movem pela própria relação com o tempo e o espaço.

Ao chegar ao limite dos muros do Vaticano o Papa lança pedras de fogo sobre as ruas e praças urbi et orbi apinhada de gente. Praticamente o sacerdote máximo da Igreja Católica não defende os fieis, mas ao contrário, convoca os fieis a combaterem a oxigenação dos seres humanos, essa espécie tão dependente deste gás. Amanhã quando Irmandades Católicas se radicalizarem quais outras “irmandades” muçulmanas ou judaicas as ruas e praças estarão interrompidas para a relação entre o ser humano e o cosmo.

A radicalidade feudal das religiões, em pleno tempo da universalização e da igualdade, tem o dom da sufocação. Da tortura e do ódio. Da perseguição e da crucificação. Mesmo que católicos atentos aos seres e ao cosmo não façam essa leitura, é inegável que a história recente mostra tal radicalidade nas ruas do Cairo, na Líbia, na Síria, na Europa, enfim onde o humano existe por necessidade de ser no mundo.      



Bibi da Onça - Um Otimista no Natal - Por José do Vale Pinheiro Feitosa

O título carece explicação. Bibi por diminutivo de Beraldo e Onça por feito de coragem ao contrário. Madrugada de valentões: caçada de uma onça que dizimava as ovelhas lá no olho d´água da Serra do Quincuncá. A luta para arrumar a arriscada excursão na coragem de Bibi. Ele acompanhou, mas assim que o rastro da fera e tiquinhos de bosta verde no meio do mato apareceram, deu uma sede de deserto na alma de Bibi. As cabaças estavam secas. Alguém sugeriu que Bibi chupasse um taco de rapadura. Pronto Bibi bateu em retirada a busca de um pote de água dormida. A onça colou ao apelido de Bibi.

Bibi é otimista inveterado. A sentença do patrão das terras onde vive agregado são loas de obediência. Mas ele tem uma arrumação no olhar: o olho esquerdo fulmina o pessimismo dos que reclamam e o direito ilumina as glórias do patrão. O Patrão anda por aí na Hilux refrigerada, mora na cidade e de costuma provar o sal da terra nos mares bravios do Ceará. Bibi é outra coisa: casa com teto vazado feito arupemba e paredes com buracos de espia.

Neste natal o patrão mandou a Hilux na fazenda para pegar as carnes de um carneiro e um peru de primeira. Aproveitou a viagem e mandou uma “ceia de natal” para os agregados da sua fazenda. O olho direito de Bibi da Onça brilhou como uma super nova.

Os agregados que restavam na fazenda eram poucos e Bibi aproveitou para criticar:

- Viram no que dá? É esta tal de Bolsa Família e os homens se aposentando cedo demais. Tem muito caba bom de eito que foi morar na cidade com aquele dinheirão que ganha do governo não quer mais nada com o trabalho. Agora é isso aí! Uma festa desta tinha para mais de quarenta pessoa. Agora é só nós.

De fato os presentes à “ceia” não passavam muito de quinze pessoas. Entre eles uns três sobrinhos de Bibi, Mário e sua mulher Ana, Zé Chulé e a mulher, Tonho e Zefinha e mais outras pessoas que não adianta esticar a lista. E aí veio a ceia. Que decepção. Bibi, abriu a bolsa de plástico e tinha umas seis pet de tubaína. Mario olhou para Ana e estimulou o olho esquerdo de Bibi.

- Mas minino só mandou “espoca bucho”. Antigamente pelo menos tinha aluá. Agora é este bicho que faz nós soltar tanto traque que escangalha o buraco que rima com caju.

- Deixe de ser ingrato. Seu pessimista. Nunca vê as coisas boas que acontece. Tudo é ruim, não adianta dar as estrelas. O aluá é coisa ruim, da casca do abacaxi, suja, cheia de micróbio. Agora não, este refrigerante de primeira é sadio, a água é até pasteurizada.

Mario olha para Ana e comenta: e vai ter pastel?

- Qui nada. Ói lá em riba da mesa, só tem aquela bulacha dura da bodega de Mané da Rola.

Bibi ficou possesso com as palavras de Mario e Ana. Foi de porta a fora e fez uma oração de louvor ao seu patrão, com o chapéu na mão e o olho direito olhando para a casa grande adormecida no silêncio do natal, com tubaína, bolacha dura e sem a Missa do Galo.

Para Alfredo!



Feliz Aniversário!


Aniversaria hoje um dos homens da minha vida - O filho único dos meus pais: Alfredo Moreira Neto! Ninguém lembra esse menino melhor do que eu _ sua irmã mais velha. Doce no coração, amigo irmão. Desejo pra essa figurinha humana, toda felicidade do mundo.
Abraços, querido!




Suas primeiras palavras foram :"vou ser Pa...", que significava: vou ser padre. Bem ensinadas pela minha mãe.Mas ele é pai- um grande PAI! Os filhos que o confirmem!
Sem dúvidas, o filho preferido de Dona Valda., mas a gente( 5 irmãs) nunca sentimos ciúmes. Também era o nosso irmão preferido- sempre será!
Neste dia, sempre dizia - quero dois presentes: Natal e aniversário...E a minha mãe sorria.
Saudade imensa, mas serena, da minha família, quando éramos todos pequenos.

Zélia, Socorro, Verônica, Teresa e Catarina entregam-te corações amorosos. Que Deus abençõe a tua familía: esposa (Silvana), filhos, noras, e a neta que vai chegar - a  sua Marina!


AVE MARIA NO MORRO DE HERIVELTO MARTINS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Aos meus amigos músicos do Cariri: viver é preciso e navegar também. Ocupem-se com sua arte, não se aprisionem ao sucesso. Herivelto Martins quando compôs Ave Maria no Morro apenas escutava o canto dos pardais se recolhendo. Levou a música para Benedito Lacerda e este retrucou que aquilo era música de igreja, eles precisavam compor música para ganhar dinheiro.

Mas nem pela hierarquia da igreja foi compreendida: o taciturno e conservador Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme, num descompasso com a música e seu tempo disse que a música era um heresia e pediu a censura da mesma. Estávamos em 1942, no âmago da Ditadura do Estado Novo e Herivelto salvou a música por ser amigo dos censores do regime.

Dom Leme e Benedito estavam errados com Deus e com os homens. Quem escuta a letra e a compreende, observa o quanto Dom Leme se afastara do espírito original do cristianismo e demonstrava um elitismo anti-povo. A música é um dos maiores sucessos mundiais da cultura brasileira. Tem versões em Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Alemão e até em línguas eslavas. Os italianos trouxeram a letra para sua paisagem, nem referência fazem ao Rio e suas favelas. A versão mais reproduzida é a espanhola.

Numa rápida e incompleta pesquisa no Youtube consegui levantar mais de 30 apresentações de artistas estrangeiros. A música além de servir para a expressão da voz, como bem disse Benedito Lacerda é excelente para orquestras e festas religiosas. Ela foi gravada por cantores de ópera, cantores populares, orquestrada com instrumentos de sopros, guitarras, órgãos, corais, orquestras de tambores e assim por diante.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Niver de Zé Flávio- fotos de SAMUK







Parabéns, homi de Deus!

O grande escritor, cronista, poeta, contador de causos, dramaturgo que um dia simplesmente entendeu de ser um dos mais notáveis médicos do Cariri, comemorou ontem nas dependências do requintado Buffet, “Sergio Buffet”, entre amigos e admiradores, os seus quinze aninhos. O rapazote estava descontraído, moleque, cheio de vida e fez valer a data. O Mundo não acabou. Para nossa alegria 21 de dezembro de 2012, há de ser lembrado como o dia em que Zé Flávio Vieira deu uma festa de arromba celebrando 60 calendários Maia! E que o mundo acabe que acabe sempre assim... Na maior alegria, na maior festa! Parabéns, homi de Deus! Muitas felicidades, muitos anos de vida! E como diz sobrinho do capitão, Zé estava (Sex(agenário)! rs rs rs
Libério, um monstro sagrado e os Magistrais "Os Águias", fizeram a festa!
Pê Pererê pê pê pê pê, (Com uma perna só, olha aí!!!)
E como nos tempos da Polaróide... Oh! Poli minha amiga, assim não ó, assim menina ó, como nos tempo da brilhantina e das velhas e boas tertúlias!
Carnavalizando corações! Zonaram aê com o Zé hein! rs rs rs
Nós marcamos presença, dentre tantos artistas presente!
Ele nos fez Rir!
"Sergio Buffet", Show de detalhes!
Amor pra toda a vida!



Por uma noite a vida nos trouxe o baile. Dancing, e o movimento agitado. Corpo esqueceu a grande idade. Cabelos suados, olhos olhando o passado. A magia pintou de preto os cabelos, pôs nos corpos  remelexos - gotas de vida no copo.
 Sabem o que é fazer 60 anos, nos anos 60?
 Sabem o que é dançar “Beatles', no finalzinho de 2012, e encarar 2013 como um ano de sorte?
 Precisamos de festas. Festa é tenda de amigos. É leite mugido, na ordenha de novos sonhos e encantos. Presenças e ausências se misturaram numa emoção incontida.
 Brindemos a vida, sem olhar para trás, com pé no futuro- nosso infinito!
 Obrigada Zé Flavio e Fabiana por tantas alegrias, numa noite e (terna)!

Festa de Arromba!

Zé Flávio e Fabiana nos fizeram cantar e dançar ao som dos Águias de Barbalha.
Tudo lindo e perfeito!
Muitos clics, muito mel, muita amizade no abraço.
Bom reencontrar todo mundo no mesmo espaço, na mesma alegria.
Foi   o  niver  de Zé Flavio -Aquele Cara!
Agora é madrugada ,e a festa ainda está rolando.Celebramos a vida que está recomeçando.
Na casa de Nívia também existe festa.
E na casa de Zé do Vale - tão lembrado?
Tenham um noite de sonhos.Nosso azul matizado está crismado!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Tem gente que veio ao mundo
pra comprir uma missão
na alma e no coração
esse mister é profundo
e gera um prazer fecundo
bússola do itinerário;
nas letras, o relicário,
no bisturi, o fervor: 

Zé Flavio grande escritor
e médico humanitario.



 Bastinha Job

Dezembro- socorro moreira

Tenho muito gosto
De viver mais um dezembro
O mesmo ar de festa
Em toda porta

As ruas escancaram seus mistérios
Os perus morrem de véspera?
- Congela-se o  gosto da ceia

As árvores se enfeitam
A cidade se aclara 

Em tons de prata e dourado
Morre o dia

Noites quentes
Buscam o retrato da neve
Amigos se ocultam
Numa brincadeira gostosa...

Saudades antigas
- Crianças brincam!


Do outro lado da moeda...É  o fim do mundo!

Um ideal de felicidade: Carlos e Magali!

Se eu pudesse estaria lá...
Eles completam 40 anos de casados, e eu tenho certeza que ainda estão no começo, quando o amor é perfeito!

Parabéns, queridos!



"...nesta data querida...", e quase temida, ele celebra aniversário.


Ilustre filho do Crato... Tão distante tão presente... Nosso presente diário! 
Quando ele viaja, uma cadeira permanece vazia. O vazio é preenchido pela expectativa da sua volta.
Zé do Vale e Zé Flávio, entre outros, são pessoas que nos calam... E tem gente que não bota fé nos astros! Não existe festa virtual... Ou existe?
Não me conformo com presença espiritual, mas hoje ela fará falta... Ainda bem que existe Zé Flávio!
Um brinde ao aniversariante: José do Vale Pinheiro Feitosa!
Que a sua família encha de carinho e alegria, o dia deste querido camarada!
Zé do Vale, receba nosso grande abraço!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Fim do Mundo Decidido da Bocanha - José do Vale Pinheiro Feitosa


Quando a coluna de mercúrio subiu aos 35 graus, as pessoas derretiam perto das onze horas, nas sombras da Praça Siqueira Campos. E este tempo seco que licencia o sol a desidratar os corpos de água, promove a vontade por amenidades e copos de líquidos gelados.

Por isso Alguém que não digo quem aproximou-se do Outro que pingava em suores e comentou:

- Macho vai tudo se derreter. O melhor da noite não baixa a temperatura dos 23 graus e nuvem no céu só se for na desembestada. Até terça feira nem um frescor de pingos de chuva.   

- E nós aqui feito padeiro sem arredar o pé da boca do forno.

O calor evapora e dispersa em gases, mas também é a busca de soluções. Fulano viu Alguém e o Outro e chegou para eles com voz de rebeldia: olhe a primeira siriguela do pé lá de casa! Vamos tomar uma?

O Outro: só se for agora.

Alguém vai além: vamos chamar Sicrano que tem uma camionete de ar condicionado e vamos prá Zé Pajé refrescar a vida. Dito e feito: formaram uma guerrilha de cinco, pois incluíram Beltrano. A guerrilha:  Alguém, Outro, Fulano, Sicrano e Beltrano.

Na latada mesmo do bar na beira da estrada, muitos graus de temperatura a menos além duma brisa que se pensa nasçam nas palmas dos buritis. O primeiro foi Alguém que abriu a enxurrada aos borbotões de uma cerveja tão gelada que a barriga do homem quase congela. Só não congelou porque todos sabem que mulher, dinheiro, futebol e política são discursos gerados no chiado do gás escapado pelo abridor de garrafas.

E as garrafas vazias se deitam ao lado, na areia da latada do bar e o conteúdo deste precioso fermento se destila em grandes descobertas, teorias complexas, exaltações de enrubescer o objeto exaltado e críticas de derrubar a República. De Monarquia não se fala. Ali os cinco são reis. Ninguém é súdito, menos ainda da ordem estabelecida.

Linguiça frita vinda de Granito. Carne assada de bode de Serrita. Farinha da serra em parcimônia para não entupir a sede de cerveja. E imaginem o extremo do sabor na volúpia daquela bem geladinha: uma tripa de porco, crocante, com sal no ponto para virar o dia.

E quem disse que esse mundo é ruim? – abrindo os braços como um pastor aos fiéis, Beltrano sorria de um canto a outro das orelhas.

E foi aí, que a discussão do por do sol se abriu para as incertezas da escuridão da noite. Sicrano foi lembrar que amanhã é o fim do mundo. E as teorias da iminência da fatalidade se multiplicaram em radicalidade assim como o noticiário e os partidos políticos querendo por um aos outros na cadeia.  

Tinha de tudo. Piedosos querendo perdoar as safadezas dos outros se esquecendo de pedir o perdão para as próprias. Os justiceiros querendo o rito sumário para as condenações dos pecadores já imputando habeas corpus para as decisões contra si. E assim se atravessou o argumento dos amigos de Jesus já contando com o conhecimento do merecido respeito ao seu passaporte para o melhor. Naquela altura as garrafas vazias já eram material suficiente para materializar a torre de babel do desencontro temático.

Foi aí que Alguém, que ficara calado ao longo do profícuo debate, abriu a voz e vaticinou.
Eu sou é comunista!

Uma sentença inesperada emudeceu o zoadento debate. Todos esperaram a explicação do grito revolucionário.

Eu sou mesmo é a favor do fim do mundo. Só então toda essa canalha vai entender de igualdade.

Acabei de ouvir a sentença enquanto comprava um pacote de biscoito na bodega em que os cinco se reuniam e corri para relatar antes que a meia noite deste dia 20 de dezembro chegue.   
   

Por Rosa Guerrera

O RIO E O MAR


Você foi para mim como um rio
que contornando obstáculos desaguou
no mar dos meus braços...
E juntos velejamos por entre
ondas plácidas na mistura de águas tão diferentes...
Sentimos juntos o calor do sol nas auroras de paixão ,
e nos espelhamos na luz do luar em promessas de ternura.
Nos embalamos em espumas brancas de paz
após tempestades de loucuras
no cansaço das nossas mãos entrelaçadas .
E não vimos que o marchar das águas de um rio
é um continuo seguir sem olhar para trás .


Hoje ,daquele encontro de águas apenas ondas de lágrimas
espalhadas nas areias de uma praia deserta...

Feliz aniversário, Huberto!

Huberto Cabral – Por: Emerson Monteiro


Desde que me entendo de gente que, atento, observo a participação constante de Huberto Cabral nas movimentações sociais, culturais e patrióticas do Crato. Possuidor de um civismo a toda prova, Cabral faz do rádio sua praia de predileção, sem, no entanto, esquecer permanências pelos jornais, revistas, livros, cerimônias coletivas, etc. Organiza com maestria eventos públicos, dentro da absoluta correção. Incentiva e participa de reuniões destinadas aos interesses da municipalidade, em todos os âmbitos possíveis e imagináveis, sempre visando ampliação dos recursos progressistas e abertura das vias de transformação comunitária. Presta homenagens a personalidades destacadas do lugar e evidencia datas memoráveis deste núcleo urbano. Recebe visitantes ilustres, orienta pesquisas de estudiosos, repassa informações do seu rico acervo e de suas vivências; enfim, um homem talhado a preservar valores históricos e a memória social do Crato e de todo o Cariri como raros outros. Alimenta um acervo de gama incalculável no que tange aos dados relativos a esta parte de mundo e é considerado por muitos um testemunho vivo dos acontecimentos principais caririenses desde o início da segunda metade do século que passou.
Nas minhas primeiras incursões a eventos públicos, recém chegado ao Crato, avistava a presença de Huberto Cabral, o que se seguiu todo tempo até hoje. Radialista emérito, lançado ainda nos primórdios da radiofonia caririense, nas primitivas amplificadoras, associa-se à evolução desse meio de comunicação, exercendo funções de liderança em programas esportivos, noticiosos, reportagens inolvidáveis e solenidades importantes para o desenvolvimento econômico regional. Assessor do Executivo cratense em repetidas administrações, vem, à frente da sua época, convocando os cidadãos a segui-lo na altiva caminhada que exercita como rotina de existência. Nas campanhas fundamentais para a construção do Cariri nos moldes contemporâneos, ali está Huberto Cabral; desde a vinda triunfal da energia de Paulo Afonso à instalação definitiva da Universidade Regional do Cariri, por exemplo. Lembro das suas participações nas transmissões radiofônicas dos jogos do antigo campo do Sport, através da Rádio Educadora; depois, na quadra Bicentenário, em noites esportivas magnânimas; vejo suas ações audaciosas e vanguardeiras na cobertura jornalística da visita do presidente Castelo Branco, aos idos de 1964; sua determinação para, juntos, continuarmos a publicação do jornal A Ação, também na década de 60; suas providências na continuidade do Instituto Cultural do Cariri, inclusive na construção da sede própria; seu denodo para trazer valiosas instituições que ora estabelecem as características da nossa Região, em todo tempo de sua história; seu ativismo nas manutenções benfazejas desta civilização caririense, sendo ele também um descendente direto dos primeiros colonizadores aqui instados nas primeiras expedições.
O acendrado zelo que Huberto Cabral manifesta na profícua missão de ativador social ultrapassa as raias da paixão, digo sem arriscar uso de termos excessivos, porquanto os resultados das suas atitudes falam dos frutos essenciais no que desempenha e promove ao ímpeto do seu amor vocacional às nossas queridas tradições.



Feliz aniversário, Divani!

Divani Cabral



Nascida em Crato-Ce, forma da Filosofia e pós-graduada em Educação, na Faculdade de Filosofia do Crato.
Cursos:
* Curso de aperfeiçoamento em métodos e técnicas de Ensino – UFC
* Cursos de Especializados em música Instrumental – SCAC
* Cursos Especializados em Canto-coral, técnica vocal, regência, violino e história da música Pro-Arte-RJ.
* Curso de Técnicas audiovisuais em educação – ABE-RJ
* Curso especializado em teatro, artes plásticas e cinema – UFC
Atuou com professora de educação artística, psicologia da infância, sociologia metodologia do ensino canto coral e técnica vocal em colégios e entidades como o colégio Diocesano no Crato e Universidade Regional do Cariri. Também já desempenhou várias atividades administrativas como secretária, diretora, regente em várias entidades.
Atualmente:
* É diretora artística e executiva da Sociedade de Cultura Artística do Crato desde 1972.
* Diretora do Teatro Rachel de Queiroz – desde 1978.
* Diretora das Escolas de Arte da SCAC: música, teatro, dança, artes plásticas e casinha de cultura.
* Regente do Coral da SCAC – dês 1972.
* Regente do Pequeno Coral do Crato – desde 1967.
* Coordenadora da Equipe de Leitores – Pastoral Litúrgica da Paróquia N. Senhora da Penha – Crato.

Fonte: Arquivo FCC

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Hoje é o dia "D"ele- 20 .12.2013

Feliz aniversário,  Zé Flávio!



Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Laura no Natal - José do Vale Pinheiro Feitosa

Em 19.12.2010 

Laura nasceu neste domingo do dia 19 de dezembro de 2010, menos dois dias em que, há 62 anos, nascera o avô. Naquele final de década dos anos quarenta, o mundo era só esperança, mesmo com a Bomba Atômica e o veneno da Guerra Fria já sendo inoculado, uma era de progresso humano começava.

Laura sentiu a luz do mundo pela primeira vez vindo das fontes artificiais da maternidade, dos flashes da fotografia digital, foi para uma incubadora que lhe deu calor a partir da eletricidade. Ela está num mundo muito mais complexo, muito mais avançado e que se pergunta todo dia como resolver as dores dos incertos dias.

Laura e o mundo: o quanto Laura é o próprio mundo e ele é o quantum de Laura, não se precisa responder. A resposta já é da natureza mesma do nascer. Não se nasce por acaso, é uma necessidade, um impulso de futuro, uma mutação contínua, com a qual jamais se encontrará um ponto final na sentença do que seja o mundo e Laura.

Para contabilidade dos que já estavam no mundo antes de Laura, resta um haver por multiplicar, como acréscimo do cotidiano. Sempre que imagino o 25 tios que a herança nordestina do avô de Laura lhe deu, não me veio o amor dividido dos pais, mas a imensa capacidade de multiplicar que tem o amor que tantas vezes o tratamos com o meloso banal de algumas frases de algibeira.

Isso posto que Laura, irmã de Sofia, é uma frase que se basta e diz tudo, mas não diz o que comumente pensamos como natural. Não existe uma ordem entre Laura e Sofia, esta primeiro e Laura depois. Não é um ranking de preferências ou particularidades. Em outras palavras a ordem cronológica entre as duas é apenas isso, não leva a maiores diferenciações que não seja apenas que Laura e Sofia, como de restos todos, somos parte únicas do mundo.

Quando se explica o que foi dito no parágrafo anterior, se revela a preocupação da longa tradição ocidental e até mesmo oriental: o primogênito. A ordem de herança e poder não cabe mais no mundo de Laura e Sofia. A primogenitura foi ultrapassada há muito, resta em algumas mentalidades apenas como o comum dos retalhos de arcaísmo que se pregam no corpo do presente.

Laura, neste exato momento que escrevo completa 24 horas no pleno do ambiente, tem uma calma de transição que não parece “chocada” com o salto qualitativo em sua vida. Dorme, muito raro faz um breve choro e ainda não tem a volúpia oral, mas os olhos se abrem e examinam a luz desconhecida por alguns momentos. Um parecer para sua mente universal, uma breve impressão sobre uma nova realidade.

Laura não é uma tela em branco pronta para receber a escrita do mundo. Há muito que ela é algo de existência, de vida, de experiência, uma imensidão de novidades que já havia mesmo antes dos nossos olhares a vista nua. Pois é verdade que já a víramos por ultrassonografia, mas agora tudo parece o primeiro momento. É que ela está, bem ali, com seu breve respirar e ruídos orais que já denotam a voz do infinito mundo.

Laura completa hoje 2 anos de vida.

Por João Nicodemos


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Por João Nicodemos


Boas Festas/Parabéns!!!

Dezembro

Mês de João Marni, Zé do Vale, Zé Flávio, Magali, Nívia, Divani, Huberto Cabral, e outras figuras deste naipe.
Pra cada um em particular, nosso abraço, e orgulho de tê-los no azul do sonho, que virou realidade.
Amizades alicerçadas. Trocas de bens imateriais. Bagagem que 
não se extravia, com passagem para o mesmo destino. Celebremos os dias festivos... "Natalinos e natalícios!"
Zé do Vale nos presenteou com um vídeo belíssimo. Depois de ouvi-lo, silencio! 

Uma chuva de bênçãos fertilizará o ideal comum, na busca de um mundo mais justo, amoroso e feliz. 


12.12- Magali
19.12- João Marni
20.12- Zé Flávio, Divani, Huberto
21.12- Zé do Vale, Nívia
21.12- aniversário de casamento(40 anos) de Carlos e Magali
25.12-Rosa Guerrera

Por todos no nascedouro - José do Vale Pinheiro Feitosa


por socorro moreira


Somos prometidos
Desde o primeiro sol
Que eu chamo olhar

Desde o primeiro abraço
Eros, encantado

Desde o primeiro beijo
Pointes, areias

Cartas, confidências trocadas
Reencontros vertiginosos
Desencontros
Sem perder o fio da alma

Arco-íris da contemplação
Avisos descuidados
E a onda da volta
De um mar imaginário

Pé na estrada
Sem  saltos...
Estrada longa mais finita
Enfim somos prometidos
Tiro o chapéu pro destino

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


 

 

 

Receita: Bolo festivo

3 ovos
1 xícara de chá de açúcar mascavo
60g de manteiga sem sal derretida
1 colher (sobremesa) de canela em pó
1 colher (sopa) de raspas de laranja
1 pitada de sal
100g de passas pretas
100g de passas brancas
200g de frutas cristalizadas
100g de damasco
100g de ameixa pretas sem caroço
100g de castanhas trituradas
100g de nozes
Uma xícara e meia de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento
Meia colher (sopa) de bicarbonato de sódio
2 xícaras de açúcar de confeiteiro
Meia xícara de água
Frutas secas, nozes e castanhas para enfeitar
1- Na batedeira, bata os ovos, o açúcar e a manteiga durante 5 minutos.
2- Desligue a batedeira e misture as raspas de laranja, a canela e o sal. Reserve.
3- Em uma tigela, coloque as passas brancas e pretas, as frutas cristalizadas, o damasco e a ameixa previamente picados, as castanhas trituradas e as nozes quebradas. Acrescente a farinha de trigo e misture tudo, o fermento e o bicarbonato de sódio e misture bem. É importante que tudo esteja bem misturado para que as frutas não fiquem no fundo da forma.
4- Adicione a mistura da batedeira às frutas com a farinha. Misture bem até ficar uma massa homogênea.
5- Coloque a massa em uma forma com cone no meio previamente untada e enfarinhada. Leve ao forno preaquecido (180°) durante 50 minutos, em média.
6- Quando o bolo estiver morno, desenforme-o. Para enfeitar, faça um glacê misturando, aos poucos, a água e o açúcar de confeiteiro. Vá colocando a água em colheradas, até que fique em ponto de glacê. Cubra o bolo e, por cima, coloque frutas secas, nozes e castanhas. Está pronto! O bolo festivo é também uma ótima sugestão de presente.


Anonymus Gourmet

Padim Pedro - José do Vale Pinheiro Feitosa


Padim Pedro foi um vulcão com comportamento de cachoeira. Tinha uma força permanente de expressão telúrica e por ser permanente não era apenas um vulcão. Ainda na mocidade, nas quebradas de Cariutaba, fez seu próprio carrossel para ganhar dinheiro nas feiras e quermesses. Como todos tinha a ambição do plantio e da criação, mas na realidade tinha mesmo era espírito de gato de botas. Seu momento estático era romper léguas de distância a vender coisas. Pegar nas vizinhanças equatoriais e vender até aos trópicos.

Quando enviuvou, deixou meia dúzia de filhos no Ceará e mudou-se para o Rio de Janeiro no início dos anos 30 onde se casou pela segunda vez aumentando a densidade demográfica em mais oito vidas. Comprando ouro no Juazeiro e vendendo desde a calha do Amazonas até o Rio de Janeiro, Padim Pedro, se não fosse a injustiça nacional, já teria a patente de Almirante por tantas vezes que atravessou a costa brasileira.

Para compreender a personalidade de Padim Pedro além daquela corrida magmática, lembro dos sustos que nos deu. De repente lá chegava ele na porta de casa falando alto, contando coisas, pedindo água para matar a sede e abrindo mala para tirar os chinelos do repouso na cadeira espreguiçadeira. O mundo se desdobrava: Padim Pedro era avô de todos nós e já tinha mais de dúzia de bisnetos.

Sim é sobre os sustos que nos dava. De repente ele soltava um gemido de abalar a foice da morte e todo mundo vinha socorrê-lo com a fatalidade na ponta da pergunta sobre que mal lhe passava. E Padim Pedro respondia: nada! É que eu acho bom demais gemer. A paz reinava e se preparava a refeição antes do descanso do viajante.

Lembro como se estivesse acontecendo aqui na minha frente. Padim Pedro estava no céu do sabor, nas vizinhanças de sua alma cearense comendo a mais legítima culinária da terra. Satisfação maior só pode existir no outro mundo. Padim Pedro, sem cerimônia, enchia o gafo, levava à boca e logo estava com ele pegando mais outra porção. Eu só me lembrava dos trabalhadores enchendo um caminhão de areia no eito de sucessivas pás de material.

Tudo as mil maravilhas e para satisfazer mais ainda o meu querido avô Padim Pedro resolvi lhe ofertar a mais alvissareira das novidades. Padim Pedro na abordagem inicial queria mesmo era misturar sabor com boa conversa, de modo que o gafo não parou de viajar enquanto a mastigação triturava rápido e a faca cortava a carne na velocidade de uma máquina. Apenas o olhar de banda me dava certeza de ouvir as novidades.

O senhor vai ficar mais alegre ainda. Nasceu seu tetraneto!

Menino que susto mais veloz nunca tive. Padim Pedro largou o gafo e a faca sobre a mesa e desceu com os dois braços estrondando a mesa com tanta força que o prato dançou com comida e tudo e os talhares suspenderam-se no ar para retornar ao repouso da mesa fazendo uma cruz.  

Homem não me diga uma coisa dessas! – a voz de Padim Pedro era como um trovão de estalo.

E o que foi Padim Pedro?

Ô meu Deus do céu porque eu fui fazer um acordo desses? Agora danou-se tudo! Tô acabado! Mas que negócio mais mal feito eu fui fazer. – E repetia as lamúrias do acordo desvantajoso que fizera. Eu nem podia ligar uma coisa com a outra e perguntei que negócio fora esse.

O acordo que eu fiz com os santos que eu só morria quando nascesse o tetraneto. E ele nasceu. Eu agora vou morrer. Que acordo mais besta foi esse e eu não posso desmanchar.

E menos de 48 horas após lá saiu Padim Pedro passando pela casa de cada filho. Rodou vários cantos desse Ceará, foi encontrar mais outro que morava em Belém do Pará. Catou cada descendente que há nesse mundo para se despedir. Inclusive os outros filhos que moravam no Rio.

Quinze dias depois do retorno ao Rio, Padim Pedro tomava pouso na casa de Tio Gustavo, filho dele, e assim como os acordes finais de uma melodia fechou os olhos numa poltrona na qual descansava após o almoço. E desse modo aquela continuidade telúrica não mais manteve a erupção.

  

domingo, 16 de dezembro de 2012

Atos de Ofício com Vestimenta de Atos Falhos - José do Vale Pinheiro Feitosa


Quem escreve com frequência e é lido, tem alguns defeitos: fazer frases que mudam o sentido do que desejaria dizer, além dos atos falhos, ou frases mal construídas que levam o leitor, com razão, a concluir exatamente ao contrário do que ele queria dizer. Hoje o papa Bento XVI é autor de uma frase extremamente infeliz uma vez dita a uma multidão de fieis, se é que o erro não tenha sido da tradução. Vamos à frase: “fiquei profundamente entristecido pela violência sem sentido de sexta-feira, em Newtown, Connecticut.”

Então para o espírito cristão, que se acredita seja a Igreja Católica, é aceita a violência? Se é que existe violência sem sentido, alguma com sentido há de ter. Historicamente a nossa tendência é concluir que o Papa não tenha errado em sua frase, afinal a Igreja sempre aceitou a violência e até mesmo a praticou institucionalmente.

Meio bilhão de reais (R$ 518,6 milhões). Algo como 6% do gasto total com os dois braços da transposição do São Francisco e toda a infraestrutura desta transposição. Esse meio bilhão é quase a mesma coisa dos R$ 676 milhões de recursos extras para combate à seca nos municípios, aprovado recentemente pelo Senado com a Medida Provisória 583. Esse meio bilhão foi gasto no hoje inaugurado Castelão.

Desenvolver é criar infraestrutura e abrir oportunidades econômicas. Diante da soma gasta temos dois problemas centrais. Numa vulnerabilidade de seca como é o nordeste a prioridade é essa mesmo? E quais as oportunidades econômicas abertas com o novo Castelão? A resposta à segunda pergunta ajuda a argumentar sobre a primeira, uma vez que mesmo que gere oportunidades, continua em questão o quanto a subtração desses recursos subtraem oportunidades de proteção das cidades em situação de seca.    
  


Território, Saúde e Município - José do Vale Pinheiro Feitosa


Uma das características humanas mais marcantes é a territorialidade. É substancial na nossa identidade ser parte de um território e que vai muito além do ambiente geográfico, isso se compreendermos o geográfico como apenas espaço. Milton Santos foi mais além e elevou essa ciência à geografia humana e política e desse modo explicitando a relação humana com o espaço.  

Nenhuma análise séria sobre Políticas de Saúde pode desconsiderar que o substrato do chamado processo saúde-doença é o território. Quando falamos em progresso humano praticamente falamos em território. Nas sociedades mais rurais igualmente o homem vivia a sua territorialidade de um modo mais interdependente com o espaço em volta, mas nas sociedades urbanas essa interdependência adquire relações territoriais externas.

Viver na cidade é viver num território de atendimento integral das suas demandas, inclusive de emprego e renda, mais ou menos dependentes de outros territórios, por vezes até estrangeiros. Vou tomar o caso da atenção de saúde no município de Crato.

A quantidade de insumos, financeiros e formação de recursos humanos dependentes de multinacionais, recursos financeiros externos e estruturas de ensino a quilômetros de distância são imensos. Pegue esse aspecto da territorialidade urbana do Crato e memorize enquanto passo ao outro aspecto da territorialidade.

A integralidade do atendimento da demanda é o padrão ouro de sustentabilidade do território. E mais ainda a percepção desse padrão pelos cidadãos, embora uma construção local, é enormemente influenciado por esta vitrine de mídias e viagens que nos compara com outros territórios. A Constituição Federal trás o esqueleto desta tradução do necessário no território por meio do fundamento da República Federativa do Brasil, que é um Estado de Direito Democrático ao explicitar nos seus fundamentos a dignidade humana.

Atender a alguém num território é buscar a sua dignidade e isso é muito bem pautado pela própria constituição nos direitos e garantias essenciais; nos direitos sociais e políticos; nas ordens sociais e econômicas e na organização do Estado. Daí se vem que desenvolver uma política de governo é atender integralmente às demandas territoriais naquela pauta constitucional.

Por isso as questões ambientais, habitacionais, de saneamento, de uso do solo, de exploração econômica, de transportes, de renda, de combate à fome e à extrema pobreza, do trabalho e da educação têm tanto peso sobre o processo saúde-doença. Esse processo é um processo territorial. Ponta da Serra e Dom Quintino, por exemplo, são territórios cujos processos podem guardar certa semelhança de demandas, mas não são iguais dadas as diferenças que caracterizam cada um deles.    

Para buscar a equidade territorial no espaço de um município é preciso sustentar-se na pauta constitucional, manifestar a vontade dos territórios, fazer intermediação externa intensa e a mediação permanente com as contradições no interior do território. Vou pegar o exemplo da saúde pública com a qual tenho maior familiaridade.

A pauta constitucional é que todos têm direito à saúde e que esse direito é um dever do Estado mediante políticas sociais e econômicas que reduzam o risco de doenças e outros agravos e o acesso universal e igualitário a ações e serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde. E mais ainda esse dever do Estado é descentralizado e sua base é municipal. Nada mais próximo do território no sentido da mediação em senso exato com o espaço do que o município.

Como vemos a própria ciência da administração pública deveria ter dado um enorme salto organizativo para responder ao problema de saúde com ações matriciais que envolvam várias secretárias municipais de acordo com o desenho administrativo atual.  A própria estrutura orçamentária deveria se modificar para que o financiamento obtivesse o máximo resultado com recursos que são pulverizados em diversos projetos, programas e setores para os mesmos objetivos de atenção integral das demandas territoriais.

É impossível estabelecer uma atenção integral territorial sem construir uma vontade política própria. E a vontade política é como uma vontade eleitoral: há que se mobilizar, formular e construir uma bandeira de transformação que se deseja em sentido da pauta constitucional e da atenção integral ao território. Em certo sentido o controle social já é  reconhecido pelas normas do Estado e deve ser plenamente exercido  mas elevando o conceito de controle para o da construção de vontades. Considero que não é mera questão vocabular, a vontade é muito mais do que apenas criticar ou exigir soluções como sugere o controle. A vontade é a formação de um poder político mediado no território.

Quanto à questão da intensa intermediação externa. Os agentes do Estado, com sua instância política representativa, no caso do Prefeito e a Câmara de Vereadores, devem se preparar para a realidade da dura e intensa intermediação externa. Por exemplo, no caso da atenção às doenças, especialmente na média e alta complexidade: a demanda territorial expressa por sua vontade não pode se confundir com os interesses de uma tendência profundamente mercantilizada nestes setores. Esses setores não se estabelecem como causa em si, mesmo quando se trata de complexas e sofisticadas tecnologias, mas como consequência da atenção integral e promoção da saúde.  

O caso explicitado é apenas um no processo saúde-doença, outros mais também guardam muita importância como a questão do financiamento da saúde. Seja pela escassez de recursos de um lado ou pela profusão de ingerências burocráticas federais. Quem abrir o Orçamento de uma cidade como o Crato irá se admirar o quanto é grandemente constituído por repasses da União e do Estado. E nesse momento a intermediação externa tem que ser no sentido de garantir a vontade territorial, não transformando o governo municipal em apenas uma instância burocrática federal ou estadual de execução de programas definidos externamente.

A quarta e última ação para equidade territorial é a mediação das contradições no interior do território. Vivemos em uma sociedade de classes. Com alguma frequência o consenso até pode sair na fase de formular vontades, mas quando esta vontade se expressar como poder surgirão inúmeras contradições. Aí o poder Municipal tem que agir para mediar os problemas e avançar rapidamente para que as soluções aconteçam.       

Corinthians 1 x Chelsea 0

Jogo emocionante!