por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 4 de abril de 2012

NEWTON TEIXEIRA- Norma Hauer


A DEUSA DA MINHA RUA

Foi no dia 4 de Abril de 1916 que nasceu, aqui no Rio de Janeiro, o compositor, cantor e instrumentista (bandolim e violão) NEWTON TEIXEIRA .

Morando em Vila Isabel, naturalmente conviveu com Noel Rosa, sendo também amigo de Orlando Silva e Sílvio Caldas, que gravou seu maior sucesso “A Deusa da Minha Rua”, feito em parceria com Jorge Faraj...

“Na rua uma poça dágua,

Espelho de minha mágoa

Transporta o céu para o chão...

Tal qual o chão da minha vida

A minh’alma comovida

O meu pobre coração

Espelho de minha alma

Meus olhos são poças dágua

Sonhando com seu olhar

Ela é tão rica e eu tão pobre

Eu sou plebeu e ela é nobre

Não vale a pena sonhar.



. Em 1936, , Francisco Alves já gravara ,"Ela Disse Adeus" (com Cristóvão de Alencar). Como compositor, dividiu parceria com o referido Cristóvão de Alencar ("Mal-Me-Quer", "Não", "Vamos Cantar"), Ataulfo Alves ("Você Não Tem Palavra"); David Nasser ("Até o Amargo Fim") e Torres Homem (“Recordando”) entre outros. Também foi violonista de sucesso, acompanhou ases como Orlando, Silvio e Francisco Alves, e, como cantor, atuou nas rádios Guanabara e Tupi


. Interrompeu a carreira de cantor em 1943, por causa de um problema na garganta, mas continuou trabalhando em rádio, nas emissoras Jornal do Brasil e Nacional

. Seu derradeiro sucesso, deu-se em 1969, com o samba “Lágrimas de um coração", parceria com Brasinha, interpretado por Zé Kéti em um concurso promovido para o carnaval daquele ano.

NEWTON TEIXEIRA, como outros compositores de sua época, afastou-se quando a “Bossa Nova” tomou conta de nosso meio musical e as rádios perderam sua força, com o advento da televisão.

Colocarei aqui parte da letra de “Recordando”, de Newton Teixeira e Torres Homem, gravação de Carlos Galhardo:



...e deixo-me embalar nesta canção dolente

Que fala de esperança e sorrindo me diz:

Não chores o passado e viva do prersente

Porque ainda te quero, porque sempre te quis.

E tudo se transforma repentinamente

Como um raio de luz batendo a escuridão

Minh’alma que era triste canta alegremente

E o sol do meio-dia me abrasa o coração”.



Newton Teixeira faleceu em 7 de março de 1990 , sem completar 74 anos, em seu inferno zodiacal

Norma

terça-feira, 3 de abril de 2012

PATATIVA DO ASSARÉ


Texto de Zé do Vale Filho, postado aqui no Azul Sonhado, em que tece associações da temática nordestina no desfile de algumas Escolas de Samba do Rio de Janeiro com Patativa do Assaré, fez aflorar da minha memória a figura do poeta cearense.
Minha ligação com Patativa vem da infância. A casa da minha avó, na João Pessoa, 98,  era seu ponto de apoio no Crato. Chegava nas tardes dos domingos, jantava e ficava até 21/22h conversando no terraço. No dia seguinte, terminada a sua feira, era lá que aguardava transporte para retornar à sua cidade. Tinha o hábito de responder às perguntas de minha mãe sob a forma de poesia, de improviso. Assim, cresci vendo Antônio Gonçalves da Silva declamar no terraço da minha casa. Havia uma ligação de parentesco, pois a avó do poeta era irmã da avó de D. Benigna Arraes, minha avó. Além disto, ele era afilhado de batismo da D. Silvinha de Alencar Arraes, mãe de D. Benigna. Fato de que tinha orgulho.
Seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, saiu da transcrição de cadernos copiados por minha mãe, D. Almina Arraes. D. Almina insistia para Patativa escrever seus poemas, ele sempre prometia, mas não cumpria. Percebendo que a promessa não seria efetivada, minha mãe resolveu copiar em cadernos as declamações que ouvia.  A cena era estranhíssima para mim que achava que “ditado” era tarefa restrita de estudante na escola primária.
Um dia, meu tio avô, José de Alencar Arraes, Chefe da Consultoria Geral da Presidência do BB no Rio de Janeiro, de férias no Crato, leu os cadernos com os trabalhos de poeta. Achou tudo de tanta qualidade que foi à agência do BB em Crato e requisitou um funcionário para datilografar os poemas de Patativa. Por sinal, o Gerente era Moacir Mota, filho de Leonardo Mota, escritor, poeta e folclorista famoso. Tenho lembrança da cena, para mim inusitada, de um estranho engravatado, batendo na máquina o dia todo, com o meu tio sentado ao lado e minha mãe em pé, decifrando uma ou outra palavra.
O tio José Arraes, conhecido na família como Tio Dú, merece um capítulo à parte. Nascido em Araripe, ainda no século XIX, saiu de casa com 16 anos para ganhar a vida. Era o segundo dos sete filhos da madrinha de Patativa. O primeiro era Alexandre Arraes, prefeito do Crato nos anos 40. Tio Dú foi para o interior da Bahia com 16 anos. Trabalhou em um jornal e em um escritório de contabilidade para se manter e custear seus estudos. Aos 18 anos foi para Belém do Pará submeter-se a concurso do BB. Foi gerente em Belém, Manaus, Recife, entre outras cidades, até ser convocado para a Direção Geral. Poliglota, falava oito idiomas. Filólogo de renome, autor de dicionários, gramáticas, com várias obras publicadas.
Foi o tio Dú quem custeou a edição do primeiro livro de Patativa e manteve correspondência com o poeta ao longo de sua vida. O tio lhe remetia, do RJ, livros pelo correio e minha avó Benigna, leitora contumaz, também lhe fornecia muitos livros, pedindo aos parentes que fizessem o mesmo. Patativa apesar da aparência de camponês que de fato era, era leitor voraz, sobretudo de literatura, especialmente de poesia.
Das muitas lembranças que guardo de Patativa, um detalhe sempre me chamou a atenção: o fato dele sempre recusar um quarto que lhe era oferecido para dormir na nossa casa. Preferia pernoitar em uma pensão, na rua do Recreio, quase em frente ao Hospital Manoel de Abreu. A hospedaria, na verdade, era uma latada de uma casa de taipa, com uma porção de redes armadas, uma ao lado da outra. 
Passei mais de dez anos sem ver Patativa. De férias no Crato, resolvi me deslocar até Assaré e fazer-lhe uma visita. Fui acompanhado por minha mãe e minha amiga Lilinda. Ao entrar na sua casa, cumprimentei-o com um Boa Tarde e a pergunta de praxe, “Tudo bom, Patativa?”. Surpreendentemente respondeu com uma pergunta “É Joaquim, de Almina”?  Apesar do longo tempo sem contato, reconheceu minha voz. memória auditiva admirável. Uma curiosidade, embora detentor de memória privilegiadíssima, capaz de gravar mais de mil poemas, não sabia um só número, não conseguia gravar nem o número da casa dele.

Texto dedicado a José do Vale Pinheiro Feitosa.


As Escolhas da Mídia - José do Vale Pinheiro Feitosa

Os temas da mídia nestas duas semanas se galvanizaram entre dois: Demóstenes Torres e a Guerra das Malvinas. O primeiro tema é a exposição de um cacoete da mídia e ao mesmo tempo a crítica deste cacoete. A mídia adora um escândalo público, isso vende e estimula a prece moralista do nosso conservadorismo com a sina do privilégio. É o mesmo conservador que tem um bico público, sonega, gosta de uma vantagenzinha e de vez em quanto até suborna um agente público. Dirige bêbado e com um barato na cuca.

A crítica é a aliança da mídia com um submundo criminoso como a melhor prática de tomar partido contra o governo. Uma diretora da Folha de São Paulo até chegou a anunciar que a mídia fazia o papel que a oposição não tinha competência para fazer. Aí entra o Carlinhos Cachoeira e o Senador Demóstenes com os “artifícios” de buscar furos para uma verdadeira cadeia midiática formada por Veja, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e Rede Globo tocarem no mesmo diapasão. Uma cadeia intestina de repercussão simplesmente sem qualquer crítica aos fatos.

E a prova é o seguinte: o Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres são personagens de Goiás. E a capital de Goiás não é Goiana, é Brasília. Quem alimenta a vida política, econômica e trama as punhaladas nas costas no jogo do poder é uma mancha urbana que vai até Anápolis. Não é a toa que o “empresário” Cachoeira era dono de um poderoso laboratório de medicamentos genéricos. Como sabemos o genérico brasileiro é uma política pública formulada pelo Ex-Ministro da Saúde Jamil Haddad, mas implementada a toque de caixa pelo também ex-Ministro da Pasta, José Serra. A menor crítica que se tem aos genéricos brasileiros é a de que as medidas de bioequivalência não estão obrigatoriamente postas na cadeia de qualidade destes medicamentos.

A Guerra das Malvinas está no mesmo contexto dos conflitos guerreiros no mundo atual. A Inglaterra tem uma cabeça de ponte no Atlântico Sul e militariza a região contra os países localizados no Cone Sul. Os ingleses estão ali por eles e pelos EUA. Qualquer interesse estratégico destas nações torna as Malvinas numa base de ataque à Argentina, Uruguai e Brasil. Por isso tanto ontem como agora, os brasileiros e argentinos sentem a necessidade de afastarem a ameaça do continente. As Malvinas continuam um problema estratégico a requerer coordenação continental da América do Sul.

Duas notícias andaram na periferia da mídia, mas são uma explicitação exuberante da nossa pós-modernidade. Uma delas é de que homens do Zimbábue morrem de medo das mulheres que roubam sêmen. Usam sêmen em rituais e por isso sequestram homens, forçam relações sexuais e enchem várias camisinhas com sêmen para serem utilizados num ritual típico da cultura local. Os homens recusam carona de mulheres e isso é significativo, pois é costume naquele país o uso da carona.

A outra é de que farmacêuticos hospitalares italianos insatisfeitos com o governo lançaram uma campanha sui generis: Vida dura para nós, Nada de Viagra para vocês. E aí surgiu a janela de oportunidade para o pessoal da saúde fazer greve e boicotes a quem os ignora. É antiético reter quimioterápicos para o câncer, mas perfeitamente plausível deixar mole os desejos dos vetustos senhores do poder.

Esperem aí. Só mais uma: o tremendo ato falho do Senador Agripino Maia do DEM do Rio Grande do Norte ao anunciar a desfiliação de Demóstenes Torres. Aliás, o Jornal Nacional escondeu o ato. Diante de toda a imprensa no Senado ele diz: os democratas não convivem com a ética. Logo depois se corrige, mas vale recordar o que tem na internet a respeito dos atos falhos: Ato falho é um equívoco na fala, na memoria em uma atuação física, provocada hipoteticamente pelo inconsciente, isto é, através do ato falho o desejo do inconsciente é realizado. Isto explica o fato de que nenhum gesto, pensamento ou palavra acontece acidentalmente. Os atos falhos são diferentes do erro comum, pois este é resultado da ignorância ou conveniência.

O lugar


Se as poesias são tão frias não nos trazem alegrias
Se as coloco em um Abril
Quiçá as tornem febril
Se as coloco em um rio
Espero um desafio
Se as lançam ao mar
Certamente as verei navegar
Ou quem sabe naufragar
Se as direciono ao firmamento
Quem sabe aliviará o tormento de um breve pensamento
Se as escondo na imensidão
Seguramente as terei em outra dimensão
Rosemary Borges Xavier

segunda-feira, 2 de abril de 2012

MEMÓRIAS DA PANELA ABANDONADA, por António Barbosa Tavares




Num dia invernoso, com clarões de sol primaveril permeados por uns fios de vento, viagem ao Portugal-aldeão que alberga ternas e saudosas venturas da infância e também as constristadas memórias de um tempo irrecuperável. Fui com minha mãe e meus irmãos ao seu lugar de nascença visitar os dois únicos tios que ainda restam nas suas casas graníticas alcantiladas nas serranias de um ignoto lugarejo nas austeras serranias Sevenses.

De uma outrora farta casa de lavrador, com longos alpendres e criadagem, pertença de meus avôs-maternos, cujas pedras couberam em herança a um genro que as retirou uma a uma, restavam agora apenas a eira, um enorme lajedo recoberto de musgos com tufos de ervas e silvas que emergiam por entre as fissuras das pedras.
Minha mãe não conteve uma exclamação meia sussurada e pesarosa provinda das recordações da juventude: “ Eram aqui nesta eira os bailaricos do João do Esquiero com a sua concertina “, comovida desatou a nomear todas as moçoilas do lugar e do seu tempo e mais três que ocorriam ao local do bailarico de aldeolas vizinhas, donairosas nas suas roupas domingueiras com seus tamancos pretos lustrosos.
Eram a Celeste do Souto, a Aida de Riba, a Maria da Eira , a Leopoldina, a Deolinda do Esquieiro, a Maria do Andoreira e a Esmeralda da Cancela.
Os rapagões, calcorreavam a serra desde as margens do Rio Vouga com seus coletes perfilados a rigor, casaco sobre os ombros, por carreiros entre pinhais frondosos e carvalhais ao encontro das suas eleitas deusas.
Ocorreu-me que ali a três passos morava um casal de velhotes “orfãos de filhos”, octagenários nos tempos da minha infância, o ti António era um homem baixote, rosto de lua-cheia, bigode farfalhudo e unas exíguas franjas de cabelo a contornarem uma calvície rigorosamente circular, com seu chapéu puído de aba larga de fita negra imbuída de suor e pó, homem de poucas e mansas palavras, alma cerzida na agrura dos tojeiros do monte nas rudes fainas agrícolas do arado e charrua. A Ti Deolinda era uma mulher vivinha , de lenço amarrado da cabeça ao queixo e língua solta para pregar uma piada, esguia e conversadeira , porém de uma poupança que roçava a miséria.
*
Não resisti a espiolhar a casa em ruínas num estado de violenta degradação, Nem um único vidro ou memória deste nas janelas. Uns fiapos de madeira suspensos do caixilho apodrecido testemunhavam a voracidade to tempo e a incúria dos herdeiros.Entrei no casebre, avancei com cautela redobrada sobre o soalho ondulante a ranger pleno de frinchas, e deparei com uma panela de ferro bojuda de três pés, esquecida sobre um monte de cinzas, porventura ali abandonada há uns bons decénios.
O meu irmão sabendo do encanto que eu manifestara pela panela e que eu ao tentar tocar-lhe poderia o soalho ruir e eu acabar alcavalitado sobre o desmoronado curral dos porcos, avançou lesto e seguro pelos recanto da cozinha melhor escorada e colheu a dita.
Como sabia de fonte segura que os falecidos proprietários não possuem herdeiros, e ninguém me processaria pelo furto apoderei-me da panela e tenciono escrever-lhe as memórias se para tanto o engenho e a paciência me ajudarem a reconstituir os factos históricos daqueles arredios tempos nestes termos:
“Devo ter sido mercada em reis, não sei exactamente quantos por volta do ano de mil oitocentos e oitenta e três e fundida numa das poucas usinas existentes do Distrito de Aveiro. Dom Carlos era ainda um jovem monarca quando meu amo se consorciou e viveria apenas mais sete magros anos até ser violentamente despojado da realeza.
Como dizia , sou levada a crer ter sido mercadejada, porventura em Vale de Cambra, pois não constam que existissem lojas de ferragens e objectos similares em na pacatíssima vila de Server do Vouga.
Ainda me recordo da longa jornada empreendida a pé por carreirinhos entre as altaneiras serranias, vim às costas de meu amo num saco de serapilheira misturada com um podão uma foice e cordas avulsas enquanto a esposa de meu amo seguia atrás com dois bacorinhos que levaram toda a jornada a rosnar presos por um atilho aos artelhos, carinhosamente sacudidos pela folhagem de um ramo de eucalipto”...

Antonio B.Tavares- colaborador do Azul Sonhado

Cordel de Graça na Praça

Quem gosta de cordel? Os causos contados pelas poesias populares e impressos em livretos apresentam histórias possíveis e impossíveis de acontecerem. Mas também podem falar do Coletivo Camaradas, sobre a Arte ou sobre liberdade. Assim como também podem ser distribuídos na praça! E isto é o que vai acontecer no próximo dia 12 de abril, às 17 horas, na Praça Siqueira Campos, na cidade do Crato.

Os cordéis foram produzidos pelo Coletivo Camaradas, com o apoio do Ministério da Cultura, por meio do Prêmio de Literatura de Cordel - Edição Patativa do Assaré. Durante o lançamento haverá leituras musicadas e dramatizadas de poemas com Jean Alex, Mura Batista, Lilian Carvalho, Edival Dias e brincantes.

Você já pode ir pensando no que vai encontrar nos cordéis. Os títulos que serão lançados no dia 12 são os seguintes: Coletivo Camaradas (Mura Batista), Coletivo: Camaradas (Salete Maria), Quem são esses camaradas? (Nezite Alencar), A arte que humaniza (Adailton Ferreira), Quando a arte humaniza (Maercio Lopes), Libertando através da Arte (Mura Batista) e A brincadeira vai começar (Josenir Lacerda). Os dois primeiros são relançamentos de cordéis já publicados pelos autores.

Os livretos também serão distribuídos durante as ações do Coletivo Camaradas, nas escolas da região e em bibliotecas. Na segunda parte do projeto, a ser realizada em abril, estes sete títulos serão lançados em versão digital. Além dos já lançados em forma impressa, serão adicionados mais dois: A donzela e o cangaceiro (Cacá Araújo) e Auto do Caldeirão (Oswald Barroso).

Venha e conheça mais sobre o Coletivo Camaradas justamente em uma das expressões mais populares da arte: o cordel.

Nunca Mais

O Golpe militar ocorreu no dia da mentira. 01 de abril de 1964. O golpe nunca foi uma revolução, nunca transformou nada. Escuto histórias dos meus camaradas que viveram aquilo que não foi dita, mas uma dura realidade para o povo brasileiro. Enquanto, alguns querem celebrar as atrocidades nesta data....seguimos defendendo o direito a memória e à verdade e ecoando o estrondo – Brasil: Nunca Mais.

Mataram pela TV
Mataram sem ver
Mataram comendo pipoca
Mataram arrotando coca-cola
Coturnos, paletós e batinas
Costumes, propriedades e carnificinas
Bolos, máscaras e mentiras
Corpos, torturas e tiras
Super Homem, Capitão America, Homem Aranha
Entorpecentes e façanhas
Verde, branco, azul e amarelo
Iludiram o povo com e sem chinelo
Cobriram os
Medicis, Castelos, Costas e Joãos
Mas a dor que pariu
As mãos amputadas,
Banhadas de sangue
Fizeram-se vozes
Amplas e irrestritas em que ecoaram
O estrondo: Nunca Mais.

Alexandre Lucas

O menino (Chico Anysio)

Vou fazer um apelo. É o caso de um menino desaparecido.Ele tem 11 anos, mas parece menos; pesa 30 quilos, mas parece menos; é brasileiro, mas parece menos.É um menino normal, ou seja: subnutrido, desses milhares de meninos que não pediram pra nascer; ao contrário: nasceram pra pedir.Calado demais pra sua idade, sofrido demais pra sua idade, com idade demais pra sua idade. É, como a maioria, um desses meninos de 11 anos que ainda não tiveram infância.Parece ser menor carente, mas, se é, não sabe disso. Nunca esteve na Febem, portanto, não teve tempo de aprender a ser criança-problema. Anda descalço por amor à bola.Suas roupas são de segunda mão, seus livros são de segunda mão e tem a desconfiança de que a sua própria história alguém já viveu antes.Do amor não correspondido pela professora, descobriu que viver dói. Viveu cada verso de "Romeu e Julieta", sem nunca ter lido a história.Foi Dom Quixote sem precisar de Cervantes e sabe, por intuição, que o mundo pode ser um inferno ou uma badalação, dependendo se ele é visto pelo Nelson Rodrigues ou pelo Gilberto Braga.De seu, tinha uma árvore, um estilingue zero quilômetro e um pássaro preto que cantava no dedo e dormia em seu quarto.Tímido até a ousadia, seus silêncios gritam nos cantos da casa e seus prantos eram goteiras no telhado de sua alma.Trajava, na ocasião em que desapareceu, uns olhos pretos muito assustados e eu não digo isso pra ser original: é que a primeira coisa que chama a atenção no menino são os grandes olhos, desproporcionais ao tamanho do rosto.Mas usava calças curtas de caroá, suspensórios de elástico, camisa branca e um estranho boné que, embora seguro pelas orelhas, teimava em tombar pro nariz.Foi visto pela última vez com uma pipa na mão, mas é de todo improvável que a pipa o tenha empinado. Se bem que, sonhador de jeito que ele é, não duvido nada.Sequestrado, não foi, porque é um menino que nasceu sem resgate.Como vocês veem, é um menino comum, desses que desaparecem às dezenas todas os dias.Mas se alguém souber de alguma notícia, me procure, por favor, porque... ou eu encontro de novo esse menino que um dia eu fui, ou eu não sei o que vai ser de mim.

MOREIRA DA SILVA-Norma Hauer



ELE NASCEU NUM PRIMEIRO DE ABRIL


Ele gostava sempre de dizer que nascera em um primeiro de abril, mas que não era de mentira. Esse primeiro de abril foi no ano de 1902.

Assim, todos os anos, nessa data, desfilava em carro aberto pela Rua da Carioca comemorando seu aniversário, para mostrar que estava vivo.

Seu nome : Antônio Moreira da Silva, que se tornou conhecido como MOREIRA DA SILVA – O Tal, cognome que lhe deu César Ladeira ao levá-lo para a Rádio Mayrink Veiga, em 1937, depois de descobri-lo no Cassino Atlântico.

Antes de ingressar no rádio, cantava música romântica em bares e bailes, o que hoje parece impossível ter acontecido com o sambista que incentivou sua carreira cantando sambas de breque. Não foi o criador desse estilo de cantar (Luiz Barbosa, também da Mayrink, já o fazia, mas com pequenas frases.)

Foi no Teatro Méier, interpretando o samba “Jogo Proibido” que interrompeu a música e “desfilou” seus breques, entusiasmando a platéia e fazendo-o adotar o estilo até o fim de suas apresentações aos 96 anos , em 1998.

Não foi o cantor que mais gravou, mas foi o que cantou durante mais tempo. Afinal, viveu 98 anos , lúcido até o fim.

Sua primeira gravação foram dois pontos de macumba: “Ererê” e “Rei da Macumba”, em 1931, na Odeon. Mas seu primeiro sucesso foi o samba “Arrasta a Sandália”, em 1932.

Em 1935 outro grande sucesso:”Implorar”,de Kide Pepe e Germano Augusto.

Já sendo um nome conhecido, em 1938 foi a Portugal, ali tomando parte em um filme de nome “A Varanda dos Rouxinóis”, de Leitão de Barros.

Regressando ao Brasil no mesmo ano, voltou à Mayrink, indo depois para a Rádio Tupi.

Em 1940 e 1941 dois sambas “estouraram”:

“Etelvina, acertei no milhar

Ganhei quinhentos contos,

Não vou mais trabalhar... “

E

"Amigo Urso, saudações polares,

Ao leres esta, hás de te lembrares"

Ele a regravou, corrigindo o “português” assim:

"Amigo Urso,saudação polar

Ao leres esta, hás de te lembrar"

A primeira gravação foi recolhida e, quem a adquiriu, ficou com uma raridade.

Dois sambas foram sua marca em 1952: “Olhe o Padilha” e “Na Subida do Morro”.

Padilha era um delegado “durão” que não admitia certas “intimidades” na rua e mandava prender quem as cometesse.

Moringueira, brincalhão, gravou o samba que “estourou” como um dos maiores sucessos daquele ano.

Seu primeiro LP, já nos anos 60, recebeu o nome de “O Último dos Malandros” e em 1963 gravou uma série de composições de Miguel Gustavo, lançados em um LP, aberto com “O Último dos Moicanos”.

Em outros LPs gravou Noel Rosa com “Conversa de Botequim”; regravou “Acertei no Milhar”, alterando sua letra para “ 500 cruzeiros” ao invés de 500 contos e regravou, ainda, “Na Subida do Morro”.

Em 1979, convidado por Chico Buarque, fez parte de um LP com o nome de “A Ópera do Malandro” na qual, em dueto com Chico, gravou “Meus 12 Anos”.

Em 1980, viajou pelo Brasil com o “Projeto Pixinguinha”; em 1989 lançou um LP denominado “ 50 Anos de Samba de Breque” e, em 1992, foi homenageado pela Escola de Samba “Unidos de Manguinhos” com o samba-enredo “Moreira da Silva-90 Anos de Samba”.

Com Dicró, e Bezerra da Silva gravou um LP de nome “Três Malandros in concert”, numa sátira aos “Três Cantores in concert”, com Pavarotti e Cia.

Ainda, em 1995 teve fôlego para se apresentar no Projeto Seis e Meia do Teatro João Caetano.

E em 1998 num LP de nome “Brasil são Outros 500”. encerrou sua carreira com “Amigo Urso”.

Ele dizia que viveria 100 anos, mas a morte o levou em 6 de junho de 2000, aos 98.

Norma Hauer

CLAUDIONOR CRUZ- Norma Hauer



Claudionor José da Cruz, ou simplesmente CLAUDIONOR CRUZ, compositor e instrumentista, nasceu em Paraibuna (SP) no dia 1° de abril de 1914.

Começou a aprender música desde pequeno, ao lado de seus irmãos, também músicos.

Iniciou carreira profissional tocando cavaquinho, em vários conjuntos, até formar o Claudionor Cruz e seu Regional

. De 1932 a 1969, atuou nas rádios Tupi, Nacional, Globo e Mundial, e na TV-Rio e TV Educativa, no Rio de Janeiro RJ.

Em 1935, sua primeira composição, Tocador de violão (com Pedro Caetano), foi gravada na Odeon por Augusto Calheiros. Nessa época, passou a tocar violão tenor. Durante as décadas de 1940 e 1950, seu regional foi o grande rival do conjunto de Benedito Lacerda, com o qual revezava nas gravações e nas rádios.

Um músico de renome, Abel Ferreira pertenceu a seu conjunto.

Foi parceiro de Pedro Caetano e Ataulfo Alves em dezenas de músicas, entre as quais podemos citar Caprichos do destino (com Pedro Caetano), gravada por Orlando Silva em 1938; “Engomadinho”( com Pedro Caetano) gravação de Araci de Almeida; Eu brinco (ainda com Pedro Caetano), gravada por Francisco Alves para o Carnaval de 1944;”Sei que é covardia” (com Ataulfo Alves) ou “Disse Me Disse” (com Pedro Caetano) ambas gravadas por Carlos Galhardo.

Compôs também ao lado de André Filho, Wilson Batista, Dunga ... além de fazer gravações e shows com Orlando Silva, Francisco Alves, Dircinha Batista, Linda Batista, Ângela Maria, Araci de Almeida, Carlos Galhardo, Gilberto Alves, Deo e João Petra de Barros.

Desde a fundação de seu Regional,esteve à frente do mesmo; só o abandonando quando a música estrangeira invadiu nossas rádios.

Com mais de 400 gravações, foi homenageado em agosto de 1995 no espetáculo “Um poema na terra”, no Espaço BNDES, Rio de Janeiro.

Esteve em atividade até quase o fim de sua vida, vindo a falecer em 21 de junho de 1995, aos 81 anos.

[Norma Hauer]

domingo, 1 de abril de 2012


Por Socorro Moreira




Se a gente fechar os olhos
O ouvido está no pé do rádio


Cinema/cartazes/esquina do Grande Hotel
Lápis de giz/cartolina,nanquim
Filme mudo/jornal francês,seriado
-"O maior espetáculo da Terra"!


Tiro do arquivo memória
Um caderninho engraçado
Anotações de todas as histórias

-Debaixo do colchão, meu diário!


A luz apagou
Calor, muito calor
Lágrimas rolando
Tudo no cinema encanta


Luz acesa
Procuro e vejo...
Não vejo!
- The End!


Não existe hiato entre o nosso tempo e espaço - José do Vale Pinheiro Feitosa

Velha amiga eu volto à nossa casa – A nossa casa. A casa onde fui gerado e entre suas paredes interiores experimentei a vida por mim: respirei, vi e ouvi pela primeira vez. E nela posso voltar. Ainda está lá, mais do que secular, muito mais do que minha história no lado de cá.

Já não te encontro alegre, quase humana, Corpo pintado de branco e marrom E uma tristeza no olhar Como se conhecesse dor milenar – Para olhar o canavial da janela da frente, correndo na bagaceira indo brincar no engenho, faminto enquanto as vacas na cocheira abocanham aquela mistura de água, resíduo de algodão e palha de cana cortada. Abocanhadas tão molhadas e ávidas que sinto vontade de também dividir a cachoeira com elas.

Já não te encontro à espera ao pé da porta, Correndo viva e bela ou descansando, Tanto vazio por todo lugar, Tanto silêncio sinto ao chegar, Ao nosso território de brincar – As noitadas de esconde-esconde na suficiência misteriosa da lua cheia. Os corpos suados de tanto correr e o cheiro de terra no cabelo longo das meninas. Apartar-se, apertar-se, esconder-se como se ambos fôssemos ao mesmo tempo corpos resguardados, mas prestes a serem descobertos.

Almoço aos domingos, a velha farra, Todos vão inventando novos segredos, Fica a ausência branca e marrom, E uma tristeza milenar – O rádio participava dos almoços de domingo, mas se juntava, não tomava a cabeceira controlando todos e a todos dividindo como os computadores e as televisões. O rádio naquela melodia entre melancólica e exaltante, da trilha sonora de Moulin Rouge (o antigo filme dos anos 50). A voz ainda mais melancólica de Padre Gonçalo a falar dos filmes que se destacavam. Um contraponto à severidade medieval e a modernidade do cinema.

Mas os meninos voltaram a brincar, Como se ainda sentissem o teu olhar – E aquela casa secular, dos sentimentos milenares, ainda hoje respira vida humana. Uma prima respira, vê e ouve seus ruídos. As filhas da prima já geram outras vidas e a casa se perpetua. E a casa é secular e sujeita ao tempo e ao uso que dela se extraia, do mesmo modo que o nosso planeta. Milenar, gerador de fatos, mas sofrendo as feridas dos pregos em suas paredes, das lascas do seu piso solto e das telhas quebradas de sua cobertura.

Os Presságios de Bruno Pedrosa - José do Vale Pinheiro Feitosa

Entre janeiro e agora tive a oportunidade de acompanhar a obra recente de Bruno Pedrosa em cinco momentos distintos. Duas exposições, uma em Fortaleza (CE) e outra em Niterói (RJ), dois vídeos sobre exposições dele, um na Galeria Stevens em Maastricht na Holanda e outro no Museu de Lucca na Itália, além do catálogo dessa obra denominada presságio.

Nestes dias ao imaginar-me no campo dos interesses intelectuais percebi que venho muito atento à narrativa de vida das pessoas. Tentando decifrar o mundo por elas, até mesmo quando minha curiosidade em entender a dinâmica física e material do universo, ali está o modo com as pessoas o vêm.

E Bruno Pedrosa e sua obra artística têm uma semelhança, nesta fase, tão intensa que descobri, ao ouvir um e olhar o outro, que são o mesmo. Conversar com Bruno é como dialogar com um Conselheiro marchando rápido nas veredas da caatinga.

É impressionante, ao vivo ou em vídeo, observar este “profeta sertanejo” nas finuras da modernidade (ou pós-modernidade) de salão, adotando posturas do ambiente, enquanto vai desconstruindo cada elemento do conjunto ambiental em que se encontra. A maioria das pessoas não percebe a prática, enquanto ele é rápido no raciocínio imediatamente verbalizado, contornando na argumentação sem chocar-se com o dogma explicitado naquele momento, mas com uma agudeza e severidade quase em tom de homilia a revelar presságios sobre este tempo.

Quando nós aqui no Brasil, neste território amplo e socioculturamente desigual, chegamos à frente das pinturas e esculturas de Bruno Pedrosa, numa escala abstrata, e procuramos entende-las com nossos velhos termos dos elementos das obras figurativas, e apenas sentimos, mesmo assim não compreendemos. Pois é, a tendência é achar que a atual obra de Bruno não é objeto de compreensão sendo apenas carimbos de sentimentos e sensações.

Quando um talhador em madeira extrai aquelas imagens de santos feitas em série a nossa tendência é desconsiderar sua história, não perceber a narrativa daquele artesão e até mesmo seus momentos refletidos enquanto entalha a madeira. Os objetos seriados como que apagam este importante papel da arte plástica. Mas com Bruno Pedrosa acontece diferente, pois ao trabalhar ele entra numa espécie de transe narrativo e desta narração vai anunciando seus presságios numa longa homilia que dá até para vê-lo sobre um morro, com os braços compondo os sinais do futuro.

O presságio desta obra é tão intenso, mas não se faz com sinais comuns, eles efetivamente precisam ser decifrados e, no entanto, está ali, tão evidente que ao percebermos até rimos sozinhos. E não adianta conversar com o Bruno, ele não quer saber destes elementos narrativos do cotidiano atual. Neste sentido a sua exuberância ao falar não substitui a obra: Bruno por que você nomeou este quadro com este nome? “Não tem nenhuma relação, apenas usei um nome”.

Não é bem assim. As escolhas para os nomes de sua obra têm o mesmo elemento narrativo de sua obra e todas trazem o prognóstico do que acontecerá com o presente. Por isso estão nomes de seus sertões, de movimentos de peças musicais, estão as praias do seu litoral. Por isso não adianta conversar com Bruno a respeito dos presságios: o único modo de anuncia-los é aquele de sua obra.

Outro insight de seus presságios se encontra no transpor a pintura para a escultura ou vice-versa. E qual o grande problema sobre as narrativas comuns de nossa época? É o pensamento único que interpreta a vida como apenas a sujeição da vida à ganância e ao consumismo conspícuo. Então o dogma atual do totalitarismo liberal é enxergar os signos da vida em plano bidimensional.

Trace a vertical e a horizontal e tudo se reduz. E aí entram os presságios de Bruno Pedrosa com no mínimo três elementos, até onde percebi: a quebra da bidimensionalidade, a cor numa intensidade de provocar ruptura e o movimento intensamente variado, mas, no entanto, simbolicamente narrativo e harmônico.

Por isso afirmei que se tratava de uma homilia do presságio: esqueça tudo que você pensa que é, perceba a intensidade do que há e se mova (mover-se é agir como Cristo alertou seus discípulos no sermão da Missão). Bruno Pedrosa, não esqueçamos, não engana ninguém: suas barbas, seus cabelos, a fugacidade em alimentar-se e a exuberância ao falar é o alfa e o ômega de sua obra.

Por último o mais radical no artista. Bruno Pedrosa no vice-versa entre a pintura e a escultura busca exprimir a intensidade dos seus presságios. Especialmente com a cor e a tridimensionalidade. As esculturas são como espécies das parábolas usadas por Jesus para chegar junto àqueles que ouvem e não entendem, enxergam e não compreendem. Basta um olhar entre uma manifestação e outra para saber que está lá e cá a integralidade da mensagem múltipla, intensa e transformadora pelo movimento. A integralidade sem os artifícios enganosos da perspectiva do desenho, mas com absoluta fidelidade à narrativa do desenho.

Eu diria que para mim, o vídeo da galeria Stevens em Maastricht expressa melhor estas coisas.

Hugo Linard


O tempo de brincar nunca passa. 
O tempo de chorar , às vezes seca...
O coração nunca deixa de ser terno
E desejar o amor 
Com toda pressa.

Mesmo em todos  artifícios
- sonhos e atropelos da vida-
Fica  a vontade de amar
O amor eterno!

socorro moreira


Por Everardo Norões




Receita de escritor
(para outros festivais)


Hoje sonhei com uma árvore no meio do deserto.
Concluí que nela havia um passarinho,
passarinho voa,
quem voa tem asas.
E resolvi escrever um conto usando essa metáfora.
Deitei na rede, saquei do lápis (nada de esfereográfica)
e enquanto ouvia um velho disco de Raul Seixas,
chegou Sherezade, de blusa e calça jeans.
Pensei no título.
Algo que pudesse comover mãe e filha ao mesmo tempo.
Rabisquei: “Triste como ela”.
Puxei o laptop para verificar se no Google
alguém havia escrito algo com o mesmo título.
Esbarrei com um tal de Onetti.
Pedi uma sugestão a Sherezade, classe média periférica em ascensão,
metade da população brasileira,
meu mercado editorial.
- A essa hora, bicho?
Deu o estalo e depressa escrevi:
“A rede”.
O resto é sempre mais fácil:
meu léxico é o lexotan.
__
A colagem é feita com pinturas de Maigritte por Everardo Norões

Mentira de amor

Faz que acredite
Finge até pra si
Trama uma desculpa
Farta em se iludir

Faz papel de boba
Sabe reagir...
Arruma sua trouxa
Quer se despedir

Chora por uns dias
Morre de saudades
Volta por um  dia
Volta pra sorrir

Perde a confiança
Volta a se enganar
Nunca mais mentiras
Sofre em magoar

-Custa uma mentira,
O amor durar...!

(socorro moreira)





sábado, 31 de março de 2012

Jimmy Cliff



Jimmy Cliff, nome artístico de James Chambers, (Portmore, 1 de abril de 1948) é um músico jamaicano de reggae. É o menos compreendido de todos os grandes mestres do reggae, tendo sido acusado de abandonar as origens rastas, porém é respeitado por ter sido o primeiro a abrir as portas do sucesso ao reggae na Europa e no resto do mundo.