por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 16 de março de 2012

Rabugem


Recentemente o “Jornal do Cariri” publicou artigo assinado pelo Técnico Judiciário Jailson Matos Nobre sob o tema : “ Até quando temos que suportar o descaso com a Saúde ?” . Nele Jailson desabafa problema vivido por ele mesmo, naqueles dias, quando necessitou atendimento médico por conta de uma suposta virose. As queixas do articulista não são novidade no noticiário cotidiano: somam-se a inúmeras outras , Brasil afora, no que tange ao caos onipresente da Atenção Hospitalar no país. E vejam que Matos Nobre é usuário de Plano de Saúde e mesmo assim sentiu-se desprezado quando buscou assistência médico-hospitalar. Imaginem aí a leva de mais de 160.000.000 de brasileiros que dependem única e exclusivamente do nosso Sistema Único de Saúde ! Mesmo assim, pagando um dispendioso Plano, o nosso técnico judiciário peregrinou por vários hospitais da região, sempre abarrotados de pacientes nos ambulatórios, com filas imensas e consulta médica, a seu ver, superficial e morosa.

Solidarizamo-nos com a aflição do Jailson. Não é preciso ser sequer técnico para entender a fragilidade do atendimento emergencial no Brasil. Isso é simplesmente revoltante e injustificável. Há, no entanto, um outro ponto no artigo que se repete reiteradamente nas outras denúncias vistas no dia a dia . A culpa recaí facilmente sobre o médico que , a seu ver, fez um juramento na formatura e que o está descumprindo seguidamente . Além de tudo,no final, Jailson enfaticamente volta suas baterias novamente para a classe médica, ipsis literis : “os sem vergonhas se apoderam do dinheiro público e fazem o que bem querem, sem que nada aconteça”.

Como médico, sei perfeitamente que para se tratar uma moléstia qualquer é imprescindível um diagnóstico etiológico correto e preciso. Pois bem, acredito que Matos Nobre foi perfeito na descrição dos sintomas e sinais da patologia, mas falho no fechamento do diagnóstico causal. Estando na ponta do Sistema , somos o alvo mais próximo e visível aos petardos da população revoltada. “O médico não atendeu, o médico demorou demais, o médico só pensa em dinheiro e por aí vai... Somos apenas um elo da imensa corrente, caro Jailson, e o seu link mais frágil. Não representamos o carrasco que superficialmente aparentamos ; bem ao contrário: estamos indo para o cadafalso junto com aqueles que se pensa iremos executar. Seria como condenar um Técnico Judiciário pela sentença imposta ao réu, ou a um juiz pela morosidade da justiça, esquecendo que por trás existe toda a máquina emperrada da justiça brasileira.

Para que se entenda: o SUS, criado há mais de vinte anos, se propôs desde o início a dar saúde integral e de qualidade para todos os brasileiros, indistintamente. Esquecemos, porém, que este é um país capitalista e não se pode socializar apenas a saúde, sem socializar, igualmente, o Supermercado. O resultado é que desde então o SUS é sub-financiado, inclusive, recentemente, o Congresso se negou a aprovar a Emenda 29 original que daria um melhor aporte de subsídios ao Sistema. Investimos apenas R$ 2,00 ( menos que o preço de um picolé) por dia para cada habitante e os Planos de Saúde , no Brasil, gastam mais de 60% das verbas destinadas ao setor, para dar cobertura a apenas a 40 milhões de usuários. Essa equação não fecha. O resultado é fácil de se observar : consultas pagas a pouco mais de dois reais, cirurgia de ponte de safena pagando ao cirurgião oitenta reais; o último concurso público para médico no Ceará apresentava proposta salarial de pouco mais de um salário para vinte horas semanais. A escassez de recursos prejudicou principalmente a rede hospitalar procurada pelo denunciante que teve mais de dois mil serviços fechados no país, nos últimos anos. Os Planos e Seguros de Saúde , por sua vez, têm pago valores por consulta e procedimentos bem abaixo do mínimo preconizado pelas entidades médicas.

Os médicos que o atenderam , nos diversos serviços, estavam , segundo suas próprias informações, com um número imenso de pacientes em igual situação, para serem atendidos. Estafados, sobrecarregados, fazendo uma Medicina de guerra, talvez, por isso mesmo, esses profissionais não tenham podido se deter melhor nas suas queixas. São sacerdotes sim, trabalhando após uma formação de mais de doze anos, por salários irrisórios, em péssimas condições de trabalho, a maior parte das vezes sem qualquer vínculo empregatício; sem terem tempo , nem disposição para se dedicar à família e à atualização de conhecimentos. E mais, caro Jailson, exigem deles não mais sacerdócio, mas santidade. É tanto que o grosso da população brasileira já percebeu isso e pesquisa de 2010 ( feita pelo Grupo alemão GFK) apresentava índice de confiabilidade dos médicos de 87%; bem acima, inclusive, dos profissionais da sua área : juízes 67% e advogados 57 % .

Concordamos, plenamente, com a famigerada frase com que você perorou seu artigo: “Os sem vergonhas se apoderam do dinheiro público e fazem o que bem querem, sem que nada aconteça”. Só que, caro Jailson, estes desavergonhados não estão dentro dos hospitais , nem se vestem de branco. Eles estão em outros gabinetes, ganham muito bem e têm a cumplicidade da maior parte do povo deste país. Não se cura a rabugem do cachorro , envenenando o veterinário. Se você pretende ajudar a pôr fim ao descaso da saúde, amigo, é preciso antes identificar o germe para poder usar o antibiótico específico.

J. Flávio Vieira

quinta-feira, 15 de março de 2012

RENOVANDO O CONVITE!




14 de abril/2012
22 h
Local: Crato Tênis Clube 
100 mesas.
Faça a sua reserva  pelos telefones:

35232867
35234305


Traje: "Esporte fino"

COISAS DA VIDA - por Rosa Guerrera


As vezes , pessoas surgem nas nossas vidas envoltas no inexplicável.
No início parecem sombras que flutuam na nossa frente , sem que lhe dediquemos a mínima atenção..
Não possuem aquele perfil que esperamos, o sorriso que sonhamos,o tom de voz que sempre fez parte dos nossos sonhos, enfim: acontecem como esbarros , sem o marco de um encontro.
E o impressionante é que lentamente vão envolvendo de ternura os nossos dias ..
E assim também inexplicavelmente vamos sentindo que de repente o nosso coração abre um novo espaço para o amor .

É ISSO AÍ ........


Tive que viver muitos anos
para aprender que :

O Tempo é sempre um clandestino
dentro de cada um de nós.
Que a maioria dos sonhos são apagados
com o passar das estações.
Que amores vem e vão num piscar de olhos
Que saudades permanecem onde não deviam permanecer
Que a infância está num tempo sem volta.
Que o coração se arrebenta dentro de vários sentimentos,
Que morrem nossos pais ,
Nossos colegas nos esquecem
Que o nosso sorriso é emoldurado por rugas
E que finalmente envelhecemos .

Seria bom que ao iniciarmos essa aventura chamada vida
Tivéssemos conhecimento das muitas alegrias
E dos inúmeros sofrimentos que marcariam a nossa estrada
Talvez fossemos mais humildes,mais sinceros,
Menos egoístas,mais crentes , e mais justos.
Mas o lamentável é que a maioria de nós
mesmo consciente dessa verdade
Ainda insiste não viver o amor em toda a sua plenitude .

Nosso irmão o jumento II - Emerson Monteiro


—O asno hoje só serve para causar acidentes na estrada — diz o secretário-adjunto de Agricultura do Rio Grande do Norte, José Simplício Holanda.

Em matéria publicada no site O Globo – Economia, princípios de março de 2012, agora são os chineses, os quais já abatem 1,5 milhões de burros ao ano, e quererem importar 300 mil jegues brasileiros para alimentar a população daquele país descomunal. Voltou à tona assunto de tempos recentes, quando eram os japoneses que dizimavam o jumento e seu abandono nos círculos ambientais dos automóveis predadores. Os animais vadios não ofereceriam mais razão segurança às estradas e crise fatal os submetia a sofrimentos e desesperança.

De novo a imagem de Padre Antônio Vieira, o escritor cearense que advogou a espécie que ajudara sobremaneira o desenvolvimento do Sertão nordestino, carregando barro, tijolos, telhas, propiciou a construção de açudes, barreiros, estradas, indiferentes ao açoite e aos achincalhes com que lhe retribuíam a paciência e o trabalho profícuo.

As justificativas infelizes argumentam que ele, manso dos pecados ocidentais, nada possui no sangue que o engrandeça e credencie como filhote da biologia latino-americana, porquanto viera nas caravelas das conquistas, exterminadoras de índios e extrativas das riquezas originais.

Tudo indicava que chegaria o sonhado aposento dos muares, que saiam vagando pelas mangas e estradas, jogados ao léu da sorte, desocupados, comendo o que achassem e alheios aos vôos da tecnologia dos asfaltos.

Quem alimentou os avanços dos outros virou só entulho. E de quebra pôs em risco a segurança dos usuários de transportes, em razão da velocidade das máquinas e do abandono a que foi relegado após o ostracismo em que caiu...

De história modesta e sem graça, ainda que detidos para averiguações, os jegues terminam sua longa jornada, que começou no Oriente suntuoso, de jeito melancólico.

De certeza, dos campos em que passeia na eternidade, Padre Vieira se indigna perante este crime da sobrevivência chinesa contra o jumento, o qual incluiu com amor na família dos humanos. Antes, se levantou com tamanho furor na sua defesa que conseguiu suspender o morticínio da sanha perversa dos matadouros. Agora, há pouca chance de outros defensores tão dedicados produzirem resultados equivalentes.

Essa espécie dócil, servidora, inofensiva, torna-se, desse modo, símbolo da mesma ingratidão que sofreu o operário fiel da gleba, pau para toda obra e pretexto das soluções apetitosas na boca feudal dos fartos coronéis de barriga cheia.

A Águia Americana ainda põe ovos com casca dura - José do Vale Pinheiro Feitosa

Transformaram a luta pelo controle de emissão de carbono numa troca a troca comercial de créditos de carbono. O capitalismo depende que a “corrente da felicidade” ande. Se algum elo quebrar, a corrente cessa. Esta corrente é o eterno crescimento financeiro, o retorno em lucro. Mas está difícil continuar crescendo por isso aconteceu esse cassino financeiro com os derivativos que mostraram o que eram: nada.

A outra bandeira é a tecnologia. Alguns enxergam a biotecnologia como a bola da vez. Coitados de nós: medicamentos deficitários (independentes ou não se salvar vidas) irão desaparecer e inovações tecnológicas abrirão a ciranda de ganhos do futuro. A indústria de entretenimento continua, mas aí a internet está mexendo com os copyrights e ninguém sabe se controlarão.

Uma alternativa é antiga no capitalismo: são as campanhas. Como aquele bando de picaretas que pediam dinheiro para os flagelados da seca do nordeste nos idos dos anos cinqüenta e o genial Zé Dantas, junto com Luiz Gonzaga, denunciaram numa música memorável: Vozes da Seca. Um tipo de campanha clássica e recente foi aquela do Bush Jr. com as armas de destruição do Iraque: eles queriam o petróleo.

A recente campanha acontece na internet, nas redes sociais. Um vídeo denunciando um chefe de milícia ugandense por atrocidades contra crianças. O nome do cara Joseph Kony. No meio jornalístico o fenômeno viral da internet foi notícia a ponto de uma comentarista da Globo News, radicada em Nova York, dizer que alguém não existiria de fato neste mundo se não soubesse que era Joseph Kony. O cientista político Marcos Coimbra chega a comentar o fenômeno.

Acontece que a famosa campanha “humanitária” esconde arapucas que estão sendo denunciadas em todo o mundo. A principal pedir a intervenção americana em Uganda. Ora durma-se com mais essa. Uganda é um país independente, e o que se vê nisso tudo é o velho e surrado neo-colonialismo. O que há no território ugandense a interessar as grandes corporações americanas?

O vídeo tenta criar um novo Bin Laden a justificar ações externas dos países fortes contra outros indefesos. O vídeo produzido pela Invisible Children mostra crianças louras e bonitas com pena dos miseráveis africanos. A linguagem do vídeo se volta para crianças e jovens até os 18 anos de idade. A organização Invisible Children são parecidas com “Os Médicos Sem Fronteira” e muitas ONGs espalhadas no meio de conflitos e pobrezas. Arrecadam essencialmente para os bolsos de espertalhões.

Marina Barros aponta que a própria rede já começou a desmontar a farsa. Uma grande campanha de arrecadar fundos e pedir a intervenção de países pobres pelo império americano. E por falar em espírito do tempo: o soldado assassino de crianças e mulheres no Afeganistão até hoje não se sabe o nome e os EUA já o retirou do Afeganistão. Um dia será a aurora da democracia e estas arrogâncias não serão mais toleradas.

SYNVAL SILVA- por Norma Hauer



Na data de 14 de março de 1911, nasceu, em Ju iz de Fora, SYNVAL SILVA

, que marcou muito a carreira de Carmen Miranda. Terei de recorrer á minha memória para lembrar um pouco de SYNVAL SILVA.

Seu nome completo era SYNVAL MACHADO DA SILVA, mas se identificava apenas como SYNVAL SILVA.

Muito cedo começou a tocar em festas na cidade natal. Como todo menino pobre tornou se mecânico de automóvel, trabalhando depois como motorista

. Em 1927, compôs sua primeira música, a valsa “Lua de Prata”, que não chegou a ser gravada. Três anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar no morro da Formiga. Já em 1931 passou a fazer parte do regional Good-Bye, da Rádio Mayrink Veiga, e, pouco depois, conheceu Assis Valente, que o apresentou a Carmen Miranda.

A pedido da cantora, que lhe prometeu um conto de réis (dinheiro da época) por uma música falando em mulato de samba,, ele, compôs “Alvorada” e “Ao voltar do samba”, gravados por Carmen, pela Victor, em 1934.

Com o grande sucesso alcançado pela segunda composição, a cantora lhe fez novo desafio: dois contos de réis se lhe entregasse outro samba que atingisse pelo menos a metade do sucesso do anterior.

Foi quando compôs o samba “Coração”, gravado em 1935, também por Carmen que, no ano seguinte, “estourou” com “Adeus Batucada”.

Esses sucessos deixaram Assis Valente ,(que apresentara Synval para Carmen) triste porque Carmen deu preferência aos sambas de Synval.

Nesse mesmo ano, Aurora Miranda gravou, de Synval, a marcha “Amor, Amor” e o samba “Moreno”.

A marcha fez bastante sucesso.

A partir daí, cantores, como Orlando Silva, Odete Amaral e outros daquela época,. gravaram Synval Silva.

Aqui deixo parte de duas composições de Synval Silva que fizeram sucesso:

CORAÇÃO

"Coração, governador da embarcação do amor,

Coração, meu companheiro na alegria e na dor.

A felicidade procurada corre

E a esperança é sempre a última que morre..."

AMOR, AMOR...

"Amor, amor, amor,

Quem é que neste mundo

Não conhece a sua dor?..."

Mas o que chamou atenção dos ianques para "descobrirem" Carmen Miranda foram os sambas "Adeus Batucada" e "Ao Voltar do Samba".

"Meu Deus, eu me acho tão cansada,

Ao voltar da batucada

Que tomei parte na Praça Onze.

Ganhei no samba um arlequim de bronze,

Minha sandália quebrou o salto

E eu perdi o meu mulato

Lá no asfalto".


Esta é a letra de outro sucesso de Synval Silva gravado por Carmen Miranda

Meu pandeiro de samba

Tamborim de bamba

Já é de madrugada

Vou-me embora chorando

com meu coração sorrindo

E vou deixar todo mundo

Valorizando a batucada

Em criança com o samba eu vivia sonhando

Acordava, estava tristonha chorando

Jóia que se perde no mar só se encontra no fundo

Samba mocidade

Sambando se goza nesse mundo.

E do meu grande amor sempre me despedi sambando

Mas da batucada agora eu despeço chorando

E trago no peito esta lágrima sentida

Adeus batucada, adeus batucada

Querida."

Sinval Silva faleceu em 14 de abril de 1994, aos 83 anos .

Norma Hauer

BENEDITO LACERDA- por Norma Hauer



Foi a 14 de março que nasceu, no ano de 1903, BENEDITO LACERDA.

Flautista, compositor, arranjador, responsável pelos conjuntos "Boêmios da Cidade" e "Benedito Lacerda e seu Regional". Com esses conjuntos acompanhou quase todos os cantores de sua época, como Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Odete Amaral...Foi o arranjador e acompanhante de Ciro Monteiro na gravação do famoso samba de Geraldo Pereira "Falsa Baiana".

Um dos maiores sucessos do carnaval de 1939, ainda hoje sempre executado, foi "Jardineira", feita em parceria com Humberto Porto, inspirado em uma musica do folclore baiano.

Dois sucessos, baseados em temas idênticos, marcaram os carnavais de 1935 e 1936: "Eva Querida", gravada por Mário Reis e "Querido Adão", gravação de Carmen Miranda.

Benedito Lacerda compôs centenas de músicas, muitas não marcaram muito, mas outras estão sempre por aí, nas vozes dos seresteiros atuais, como "Boneca" (parceria com Aldo Cabral), "Número Um", composta com Mário Lago "Carnaval de Minha Vida", também tendo Aldo Cabral como co-autor.

Dentre as centenas de composições de Benedito Lacerda, gostaria de destacar: "A Lapa"(sucesso absoluto no carnaval de 1948); "Espelho do Destino";"Um caboclo Apaixonado;"Lela";"Alô Cabrocha"...são tantas que ficaria exaustivo citar e acompanhar essa citação.

Mas uma eu gostaria de destacar:"Isis", feita em parceria com Aldo Cabral, também co-autor de "Boneca".

Isis era o nome de uma de minhas irmãs, a quem sempre eu dizia que havia uma música com o nome dela gravada por Silvio Caldas em 78 rotações. Nunca saiu em LP; entretanto, em 2003, um ano após o falecimento de minha irmã, a gravação foi relançada em CD (cópía do original de 78 rotações). E minha irmã não a conheceu.

Depois de fazer várias gravações de chorinhos famosos com Pixinguinha, a flauta de Benedito Lacerda emudeceu e ele veio a falecer em 16 de fevereiro de 1958, em pleno domingo de carnaval.


Norma Hauer

CUSTÓDIO MESQUISTA- por Norma Hauer




Foi num dia como o de hoje (13 de março) no anio de 1945 que um nome conhecido em nosso meio artístico partiu para a viagem sem volta. Seu nome CUSTÓDIO MESQUITA.
Custódio Mesquita foi um seresteiro diferente: ele levava o piano para fazer serestas em plenas ruas de Laranjeiras, bairro onde nasceu em 25 de abril de 1910. Faleceu sem completar 35 anos.

Custódio foi compositor, escreveu peças para teatros, atuou no cinema; era um galã diferente. Na época em que os homens cortavam o cabelo a la Príncipe Danilo, Custódio ostentava uma cabeleira bem tratada, bonita, que lhe dava os ares de galã hollywoodiano.
Criando trabalhos para teatro, conheceu o também autor e compositor Mário Lago, fazendo logo dupla com ele. Foi quando ambos compuserem um dos grandes sucessos de Orlando Silva :"Nada Além". Na outra face do disco de 78 rotações foi gravada outra composição da dupla: "Enquanto Houver Saudades".

Vou deixar para falar mais de Custódio na data de seu nascimento (25 de abril) mas hoje quero recordar o que foi o dia de sua morte. Já se sabia que ele tinha cirrose hepática, mas não se esperava que morresse tão cedo. Assim, sua morte apanhou seus amigos de surpresa.


Lembro-me dessa data e, na ocasião, mandei um comentário para a revista "A Cena Muda", lembrando quem foi Custódio Mesquita e terminando com os versos:

"A caixinha já não existe mais,
Só ficou a saudade de seu tra-lá-lá..."

de sua composição "Caixinha de Música", uma das poucas que ele compôs sem parceiro.


Norma Hauer

RENOVANDO O CONVITE!




A festa de Hugo Linard e Orquestra já foi anunciada.
!4 de abril, no Crato Tênis Clube a partir das 22:00 h.

Faça sua reserva e/ou informações  pelos telefones :
(88) 35232867
        99444161
        88089685


Agradecemos divulgação e/ou  participação.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A "tendenciosidade" da Globo - José Nilton Mariano Saraiva

Apesar de bastante desgastado em razão da aversão pela verdade (principalmente em anos de eleições), bem como da manifesta tendenciosidade (ou má vontade) para com a isenção (e em assuntos nem tão polêmicos assim), o Jornal Nacional, da Rede Globo, ainda é o “minuto mais caro” da televisão brasileira, em termos de patrocínios/faturamento (evidentemente que em razão do horário privilegiado, já que todos àquela hora se encontram em casa) embora a audiência já não seja a mesma de gloriosos tempos outros (presumivelmente, somente as transmissões futebolísticas alavanquem tanto o faturamento da empresa; no entanto, grandes eventos esportivos mundiais já não são privilégio da “Vênus Platinada”, já que as próximas Olimpíadas serão transmitidas com exclusividade pela Rede Record, embora a Copa do Mundo ainda permaneça com a Globo). Mas, não há de ser nada; devagar chegaremos lá...
Pois o Jornal Nacional, da segunda, 12.03.12, conseguiu a proeza de dedicar quase que todo um bloco do seu noticioso para anunciar, com pompa e circunstância, a “renúncia” do senhor Ricardo Teixeira, do comando da CBF. Só que com uma particularidade: de forma claramente tendenciosa, já que tomou por parâmetro o texto da carta-renúncia escrita pelo próprio, elevou-o aos píncaros da glória (mais de 100 títulos conquistados, sacrifício da própria saúde em prol da felicidade do povo e por aí vai) ao tempo em que o “pintou” como um sagaz e autêntico revolucionário das finanças (face o estratosférico crescimento das rendas da instituição, embora as federações a ela vinculadas vivam eternamente de pires na mão, à busca de alguma esmola da madrasta CBF).
Lamentavelmente, entretanto, a Globo omitiu ao distinto público a razão primeira do tal pedido de renúncia: as “cabeludérrimas” acusações de corrupção, de recebimento indevido de money, de tráfico de influência, de improbidade administrativa e por aí vai. Abaixo, um pequeno resumo:

“Voo da muamba” (1994): Na volta da seleção, após conquistar o tetra, Ricardo Teixeira pressionou a Receita Federal para que todos fossem autorizados a desembarcar do chamado “voo da muamba”, sem pagar imposto. É que, em meio às 17 toneladas de “muamba”, estariam “chopeiras”, que o presidente da CBF tentaria fazer entrar ilegalmente no país, a fim de instalar em um bar do qual era sócio, instalado no Jockey Clube, do Rio de Janeiro.

CPI do Futebol (2001): A CBF foi um dos alvos de CPI criada no Congresso Nacional para apurar desvios de recursos, evasão de divisas, sonegação e lavagem de dinheiro. Ricardo Teixeira foi um dos principais denunciados, sendo acusado de empréstimo irregular contraído de banco durante o Mundial de Clubes da Fifa de 2000, realizado no Brasil, além de operações supostamente fraudulentas envolvendo uma agência de turismo. A “bancada da bola” (vulgarmente conhecida por “deputados comprados”) barrou-a.

Ingressos para a Copa da Alemanha (2006): O Ministério Público denunciou Teixeira naquele ano, junto com o dono de uma empresa de turismo. A acusação era de crimes contra a ordem econômica. A empresa “Planeta Brasil” foi a única autorizada pela CBF a vender ingressos da Copa na Alemanha. A denúncia vinculava Teixeira e o dono da empresa à venda “casada” de ingressos e pacotes turísticos.

Amistoso Brasil x Portugal (2008): O jogo passou à história pelas denúncias de superfaturamento pelo governo do Distrito Federal para a organização do amistoso. A Polícia Civil do Distrito Federal apontou que Ricardo Teixeira recebia pagamentos mensais de R$ 10 mil (propina) de uma empresa até então desconhecida, criada e contratada unicamente para organizar o jogo.

Propina de empresa esportiva (2010): Em novembro daquele ano, Ricardo Teixeira foi acusado por um jornalista da rede britânica BBC de receber propina da empresa esportiva ISL. A denúncia sustenta que Teixeira e o ex-presidente da Fifa João Havelange (seu sogro) foram condenados na Suíca. A Fifa, por puro corporativismo (ou com receio da “coisa” feder muito e espraiar-se), optou por engavetar a denúncia.

Voto em eleição da Fifa (2011): Em maio do ano passado, Teixeira foi acusado de pedir propina para apoiar a candidatura da Inglaterra como sede da Copa do Mundo de 2018, eleição vencida pela Fifa. A acusação foi feita por David Triesman, ex-presidente da Federação Inglesa de Futebol.

Sabem como essa historia terminou ??? Como o distinto é reconhecidamente arrogante e prepotente, antes de divulgar sua carta-renúncia esnobou e gozou com a cara de todo mundo, ao convocar uma Assembléia Geral da CBF, onde os 27 “cordeirinhos” presidentes das federações estaduais o sufragaram por unanimidade como o dirigente apto a mais um mandato de quatro anos à frente da entidade. Só que, depois dali, temendo ter o passaporte retido e ser detido, Ricardão se “mandou” para o exterior, deixando para os áulicos a incumbência de comunicar sua saída.
Observa-se, pois, que no último ato de sua melancólica despedida, Teixeira não passou do que sempre foi no poder: um paspalhão covarde.

O tráfico dos créditos de carbono - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vocês devem ter tomado conta desta aberração: uma empresa irlandesa fez um contrato com uma tribo de índios da Amazônia, que possui uma reserva florestal de milhões de hectares quadrados e o usará como crédito de carbono. Qual o negócio? A tribo não pode fazer nada com as terras, a não ser aquilo que a empresa permitir, enquanto a empresa usará esta floresta para vender como crédito de carbono no mercado mundial dentro de espírito do Protocolo de Kyoto.

Segundo a FUNAI o contrato não tem validade jurídica nas leis brasileiras, pois esta intermediação deveria ter a presença da entidade. A interpretação é que a empresa tem noção exata disso e não é com o mercado interno que ela irá negociar. Será uma negociação internacional, podendo levar o Brasil às barras de tribunais localizados em território estrangeiro e deste modo entes privados estrangeiros administrando o território brasileiro numa jogada simpática de proteção ambiental.

Os créditos de carbono, independente dos EUA não terem assinado o protocolo de Kyoto, está bem no espírito mercadista do neo-liberalismo hegemônico. Tudo se torna capital e tudo é negociável. No caso os países e empresas que soltam muito CO2 para a atmosfera, não precisariam nenhuma medida saneadora, pois poderiam comprar créditos de carbono de quem não emite. No caso os índios, como um exemplo bastante cínico.

Como se viu a “inteligência” estratégica que tentou jogar com o espírito animal do capitalista para fazer uma política ambiental que nos levou exatamente para o caminho dos privilégios e da trégua dos capitais em ser obrigado a buscar tecnologias limpas. Agora os poluidores compram dos não poluidores os seus créditos de carbono, continuam ganhando dinheiro com produtos manufaturados e os não poluidores vivendo a miséria e o atraso relativo sobre o avanço das riquezas, da ciência e da tecnologia.


three coins in the fountain



Three Coins In The Fountain


Three coins in the fountain ( Três moedas na fonte)
Each one seeking happiness( Cada um busca a felicidade)
Thrown by three hopeful lovers( Jogado por três amantes esperançosos)
Which one will the fountain bless( Qual deles será a fonte abençoe)

Three hearts in the fountain (Três corações na fonte)
Each heart longing for its home( Cada anseio do coração para a sua casa)
There they lie in the fountain (Lá eles encontram-se na fonte)
Somewhere in the heart of Rome (Em algum lugar no coração de Roma)

Which one will the fountain bless( Qual deles será a fonte abençoe)
Which one will the fountain bless (Qual deles será a fonte abençoe)

Three coins in the fountain (Três moedas na fonte)
Through the ripples how they shine(Através do ondulações como brilham)
Just one wish will be granted (Apenas um desejo será concedido)
One heart will wear a Valentine( Um coração vai usar um dos Namorados)

Make it mine, make it mine, make it mine( Torná-lo meu, torná-lo meu, torná-lo meu)

Hugo Linard - Emerson Monteiro

No dia em que iniciava estudos junto ao Colégio Pio X, localizado na Praça da Sé, em Crato, ali por volta dos meus 10 anos, logo antes do início das aulas observava um dos garotos para mim desconhecidos nas animações e intensas atividades. Um deles era Hugo, que depois seria meu amigo e companhia de bons instantes, naquela época. Logo soube que tocava acordeom, gostava de jogar bola e marcava o grupo pela facilidade em liderar os demais garotos. Sempre criativo, guardava boas surpresas e demonstrava alegria contagiante.

Noutras horas, saíamos em caminhadas pela cidade, quando, inclusive, me traria a conhecer o Bazar de Dona Zulmira, loja de brinquedos e variedades que havia na Rua Miguel Limaverde, na época apenas um beco típico do centro antigo do Crato, de belas casas revestidas de azulejo português, herança mais adiante desfeita na urbanização da cidade. A visita ao bazar marcaria bem os olhos de menino qual aparição mágica com mimos quase de tudo ignorados, dada a beleza dos brinquedos raros que oferecia. Isto conduzido pelas mãos do colega e amigo.

Hugo significava em Crato menino prodígio que iniciara a história de musicista logo aos seis anos de idade. Em cada sessão de arte do colégio detinha presença fiel, a executar com maestria as páginas do cancioneiro popular de maior sucesso, número apreciado nos programas de auditório das emissoras cratenses, Araripe e Educadora, atração respeitada por legião de fãs.

Seguiu carreira promissora, merecendo o apoio dos pais, que com ele montariam, nos anos 60, o grupo Ases do Ritmo, conjunto que marcou os bailes do Cariri durante fase inesquecível das tertúlias semanais, junto de Hildegardes Benício , Os Tops e Os Águias.

Além de músico virtuoso nos teclados, Hugo possui dotes para o desenho, havendo mostrado trabalhos nos Salões de Outubro de 1977 e 1978, e no Salão de Maio de 1978, em Crato, ocasiões quando auxiliei na organização dos tais eventos, e expus colagens e pinturas, o que exercitava naquele momento.

Dias atuais, e acompanho as atividades intensas de Socorro Moreira, junto de outros animadores culturais cratenses, para realizar, dia 14 de abril, no Crato Tênis Clube, a festa dos 60 anos de carreira de Hugo Linard, laurel merecido e justo, sobremodo vindo deste reconhecimento público a quem tantas emoções ocasionou durante a boa geração de contemporâneos.

A Hugo Linard o meu abraço de júbilo, satisfação e melhores sentimentos, visto o exemplo de pai de família e profissional exímio que nos lega e que lhe credencia ao destaque que usufrui nas artes da nossa Região.

Fotos que marcaram época- História musical do Cariri

Azes do Rítmo- acervo de Hugo Linard
Casa da Vila Jubilar citada por José do Vale...

Azes do Rítmo, nos tempos de Cleivan Paiva...

Sr. Irineu ( pai de Hugo)
Azes do Rítmo( festa de 15 anos de Fátima Maia)
Colaboração de Evandro Peixoto Rocha

Estes momentos serão revividos!



_agua pra que te quero!- Convite lançamento- por Nívia Uchôa


O livro Água pra que te quero! Caderno de Viagem apresenta uma documentação
fotográfica, pesquisa e video-doc em formato multimídia, seu enfoque pricipal é a relação do
ser humano com a água. As imagens alertam para questões da água e suas práticas positivas,
negativas a partir do cotidiano das comunidades localizadas nas Bacias Hidrográficas de
Banabuiú, Alto Jaguaribe e Salgado no Estado do Ceará, e conforme a autora, tem o intuito de
“estimular e difundir a arte fotográfica como exercício de sensibilização, reflexão e estética do
olhar”.
A versão multímidia traz além do livro um CD com fotos e um video documentário onde
apresenta como narrativa, depoimentos de moradores os quais relatam em uma linguagem
local sobre diferentes aspectos como preservação, distribuição, consumo, escassez, poluição e
abundância vivenciados no dia-a-dia das comunidades. Na ocasião do lançamento, haverá a
exibição do documentário Água pra que te quero! (16' 33"), o curta metragem já participou de
mostras competitivas de cinema e vídeo no Ceará e Pernambuco e agora será lançado em Fortaleza.

feliz dia da poesia,,, Guto Bitu



A cada prato de comida
Menos um faminto no mundo
A cada faminto no mundo
Menos um prato de comida

A cada prato no mundo
Menos um tanto de comida
A cada tanto de comida
Menos um prato pelo mundo

Luiz Augusto Bitu 2001

VIVA A POESIA E SEUS POETAS!- Colaboração de Valéria Peixoto


“quem quiser mais verde engole a serra. / quando vai falar, / cospe duzentas e trinta gramas, de bobagens coloridas. / o luar salta do bolso descorado / do mendigo em chamas / e solicita uma água tônica gelada. / o presidente cerra os dentes / e se auto-prolifera. / as feras comem a pinacoteca / do palácio da alvorada” lupeu lacerda.
.O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.
Cora Coralina.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
Clarice Lispector.

É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado.
Guimarães Rosa.

Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas - é de poesia que estão falando.
Manoel de Barros.

Ainda Cecília...

Ninguém venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar,

já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.

Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.

Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis.

Epigrama Nº 2 (Cecília Meireles)

És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.

Felicidade, és coisa estranha e dolorosa:
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
Porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo despovoado e profundo, persiste.

Acende uma lua no céu Vinicius de Moraes , Toquinho


Acende uma lua no céu
E muitas estrelas no olhar
E deixa-te linda e sem véu
Envolta num brando dossel de luar

Semeia de flores teu chão
E abre a janela aos perfumes do ar
E esquece tua porta entreaberta
Porque na hora certa
Verás teu poeta surgir
E entrar e abraçar-te chorando
E amar-te até quando
Tiver que partir



lEMBRETE!

Ângela Lôbo acabou de nos lembrar que hoje é o dia da Poesia.
Aquele sentimento atávico, filogenético, que nos faz desatar os nós da alma.
Nem sempre a palavra  é suficiente...
Porisso a música, a arte,  a obra dos poetas, nos socorrem, na declaração, apreciação, e olhar dos sentimentos.
Vamos poetar?
-Nem que seja em silêncio...

Feliz dia da poesia!

Intuição
(Oswaldo Montenegro)

Canto uma canção bonita,
Falando da vida, em 'Ré maior'.
Canto uma canção daquela
De filosofia,
Do mundo bem melhor.

Canto uma canção que agüente
Essa paulada, e a gente
Bate o pé no chão.
Canto uma canção daquela
Pula da janela
Bate o pé no chão.

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito,
Coerente ou não.
Sem o verso estilizado,
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canto uma canção bonita
Falando da vida, em 'Ré maior'.
Canto uma canção daquelas
De filosofia,
E mundo bem melhor

Canta uma canção que agüente
Essa paulada, e a gente
Bate o pé no chão.
Canto uma canção daquela
Pula da janela
Bate o pé no chão.

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito,
Coerente ou não.
Sem o verso estilizado,
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canto o que não silencia
É onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada
Da voz arrancada
Ao nosso coração

Como, sem licença, o sol
Rompe a barra da noite
Sem pedir perdão!
Hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão!

E hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão!

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito,
Bate o pé no chão
Sem o verso estilizado,
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canto uma canção bonita
Falando da vida, em 'Ré maior'.
Canto uma canção daquela
De filosofia,
Do mundo bem melhor.

Canto uma canção que agüente
Essa paulada, e a gente
Bate o pé no chão.
E hoje quem não cantaria
Grita a poesia.
Bate o pé no chão...

terça-feira, 13 de março de 2012

Amo-te Muito - José do Vale Pinheiro Feitosa e João Chaves




Liberta-te dos desfechos, eles são interpretações e cansaços simulados pela enxurra das novidades. Atenta-te ao princípio e se ânimo tiveres, larga-te das juntas travadas, dos ais de queixas e subas ao princípio de tudo.Ao amor.

Todo este enredo de vitoriosos e perdedores, de juras e traições, de intensidade e borralho, apenas são os acidentes da paisagem. Podem ou não se encontrar na jornada. Porém a única coisa que encontrarás, não por acidental ou incidental é o amor. Aquele que se sintetiza no corpo amado, nos sonhos que ele inventa, nos sorrisos que brotam as flores. As cores, assim como esta canção de João Chaves, cantada por Nara Leão e Luiz Claudio. Acima e abaixo desta postagem.

Podem estrebuchar nas feitiçarias desta ganância burguesa, deste lixo dos teus sentimentos, sob ou sobre tudo paira a solução do amor, em gênero separado, em gênero fundido, um amor é um amor como tudo que se encontra na necessidade e não na eventualidade.

Amo-te muito, como as flores amam
O frio orvalho que o infinito chora.
Amo-te como o sabiá da praia
Ama a sangüínea e deslumbrante aurora.

Oh! Não te esqueças que te amo assim.
Oh! Não te esqueças nunca mais de mim.

Amo-te muito como a onda à praia
e a praia à onda, que a vem beijar...
Amo-te tanto como a branca pérola
Ama as entranhas do infinito mar.

Amo-te muito, como a brisa aos campos
e o bardo à lua derramando luz.
Amo-te tanto quanto amo o gozo
e Cristo amou ardentemente a cruz.



"Bons Alunos" - José Nilton Mariano Saraiva

O livro “Os Cabeças de Planilha” (Luis Nassif), põe a nu e desmascara um dos nossos heróis de infância, tal a gravidade das revelações desconcertantes e estarrecedoras sobre Rui Barbosa, o nosso "Águia de Haia", quando este “esteve” Ministro da Fazenda de Deodoro da Fonseca.
Há que se atentar, por dever de justiça, que em nenhum momento se colocou em xeque ou se tentou “desqualificar-desconstruir” a figura do “INTELECTUAL” Rui Barbosa, subtrair os méritos do mundialmente conhecido “Águia de Haia” ou negar o valor do nosso herói da infância; até porque seria pouco inteligente e se estaria a navegar na contramão da história.
Isto posto, preservando o mito, deixando-o imune à polêmica que decerto geraria e, até, blindando-o hermeticamente, a minuciosa pesquisa foi feita em cima do “HOMEM”, do “MORTAL” e, especificamente, do “POLÍTICO”, Rui Barbosa.
E o resultado que emerge é de deixar qualquer um grogue, de queixo caído e aparvalhado ante o surgimento de uma figura tão desonesta, mesquinha, aética e desprovida de caráter.
Resta-nos uma triste constatação: como “na prática a teoria é outra", os belos ensinamentos e magníficas lições do “INTELECTUAL” Rui Barbosa, tratando sobre a honra, a ética, a moral e os bons costumes, sucumbem inexoravelmente quando confrontados com o "modus operandi" desonesto e mafioso do “POLÍTICO” Rui Barbosa. Como se ele estivesse a nos sussurrar a velha máxima: “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.
Na verdade, Rui Barbosa, o “POLÍTICO”, foi tão ou mais pernicioso e nefasto que a “cambada de picaretas” (Sarney, Renan, Agripino, Romero & Cia) com assento no Congresso Nacional, nos dias atuais. Tráfico de influência, malandragem, privilégios a amigos, jeitinho, recebimento de propinas, favores em troca de vantagens, desonestidade, corrupção, falsidade e improbidade administrativa estiveram sempre e sempre presentes no seu dia-a-dia. Diuturnamente. Enquanto no poder esteve e dele se serviu. E isso, lá atrás, há mais de 500 anos. Seriam os políticos de hoje tão “bons alunos”, e aprendido com ele ???
Abaixo, algumas “peripécias” do nosso grande “moralista”, Rui Barbosa:

01) “Quando saiu do ministério, Rui JÁ ERA UM HOMEM RICO, PARTICIPANDO DE TRÊS EMPRESAS CRIADAS NO “ENCILHAMENTO”. Ainda se tornou presidente da estrada de ferro Goiás-Mato Grosso e do Banco Impulsor. Entre fevereiro e maio de 1891, em plena agonia do Encilhamento, o Banco patrocinou cinco novos lançamentos no mercado".
02) “Rui Barbosa viu na reforma monetária a possibilidade de beneficiar grupos específicos – e de ser beneficiado por eles. BENEFICIOU ESPECIALMENTE O CONSELHEIRO FRANCISCO DE PAULA MAYRINK E SAIU DO GOVERNO SÓCIO DE TRÊS EMPRESAS DELE”.
03) “A concessão do poder de emissão a alguns bancos – ainda no final do Império – conferiu a seus proprietários, além de riqueza, enorme poder político. Mostrava claramente como Rui Barbosa tornou-se crítico exacerbado da política monetária anterior e, DEPOIS QUE ASSUMIU O MINISTÉRIO, DESMONTOU A ANTERIOR E MONTOU UMA NOVA, BENEFICIANDO GRUPOS ALIADOS E SE ASSOCIANDO A ELES”
04) “As pressões vinham acompanhadas de uma imensa 'atoarda' na imprensa, ATINGINDO UM MINISTRO DA FAZENDA MORALMENTE FRAGILIZADO PELAS CONCESSÕES ESCANDALOSAS CONFERIDAS AO CONSELHEIRO MAYRINK”.
05) “No Ministério da Fazenda de Deodoro, além do Encilhamento, RUI ESCANCAROU AS PORTAS PARA O ENDIVIDAMENTO DE ESTADO E MUNICÍPIOS. Em 14 de agosto de 1890, pouco antes de se reunir o Conselho Constituinte, Rui se antecipou e fez Deodoro aprovar um decreto pelo qual o governo federal garantiria qualquer empréstimo aos estados até o limite de 50 mil contos. A INTENÇÃO SERIA FAVORECER DOIS INTERMEDIÁRIOS LIGADOS A UM GRUPO DE BANQUEIROS INGLESES: João Pereira da Silva Monteiro e Alberto José Pimentel Hargreaves, que articularam essa medida com Rui”.
06) “No início de 1891 - JÁ RICO - TENDO SAÍDO DO GOVERNO PARA DIRIGIR COMPANHIAS FILHAS DO “ENCILHAMENTO” E DO CONSELHEIRO MAYRINK, Rui lamentava as decisões tomadas. Se não tivesse sido pressionado, diria ele, metade da dívida pública teria sido resgatada”.
07) “Com o cunhado Carlos Viana Bandeira, o Carlito, e o Conselheiro Mayrink, Rui participou da fundação do Banco Vitalício do Brasil, que, como quase todos os empreendimentos de Mayrink, era sub-capitalizado, com a subscrição constituída por notas promissórias. SEGUNDO AFONSO ARINOS, NENHUM BANCO AUTORIZADO A EMITIR POR RUI REALIZAVA SEQUER O CAPITAL ESTATUTÁRIO. O Banco acabou fechado antes que explodisse o escândalo”.
08) “Quando deixou o governo, no bojo de uma renúncia coletiva do Ministério, RUI FOI PRESENTEADO POR MAYRINK E OUTROS BANQUEIROS COM UM PALACETE EM LARANJEIRAS; segundo relatou seu cunhado Carlos Viana Bandeira, foi sua mãe (sogra de Rui) quem o convenceu a não aceitar o presente, porque "tal coisa não cheirava bem".
09) “Rui Barbosa defendia que, em países com elevada propensão ao entesouramento, havia a necessidade de uma maior quantidade de base monetária para fazer circular o mesmo volume de transações. Com isso, justificava a autorização para a criação de BANCOS EMISSORES DE “MOEDAS INCONVERSÍVEIS”. Assim, como em tantos episódios cinzentos da história do Brasil, O PROJETO DE RUI BARBOSA APRESENTAVA UMA PROPOSTA LEGITIMADORA PARA UM CONJUNTO DE PRIVILÉGIOS ESPANTOSAMENTE AMPLOS".
10) “A ficha de Deodoro só caiu mais tarde, QUANDO RUI VENDEU A “QUINTA DO CAJU”, DE PROPRIEDADE DA UNIÃO, SEM CONSULTAR O PRESIDENTE E POR UM PREÇO CONSIDERADO IRRISÓRIO. A venda foi anulada e Rui pediu demissão pela nona vez, mas, nessa ocasião, Deodoro aceitou”.
11) “Em 1893, dois anos depois de deixar o governo, Rui ESTAVA SUFICIENTEMENTE RICO PARA COMPRAR O PALACETE NEOCLÁSSICO NA RUA SÃO CLEMENTE, EM BOTAFOGO (*), que pertencera ao Barão da Lagoa”.

(*) De tão triste lembrança, ainda hoje no referido endereço funciona a “Fundação Casa Rui Barbosa”, como que, ironicamente, a querer perpetuar os desmandos cometidos pelo patrono.

Homenagens de amigos para Hugo Linard- Colaboração de Renata Linard




Há 19 anos divido profissionalmente os palcos com meu pai, porém desde a minha concepção, infância e adolescencia vejo nele um professor, um exemplo ímpar que me surpreende todos os dias pois o meu pai é alma, é invenção é tudo sempre novo, surpreendentemente novo. Costumo dizer " canto o encanto vindo da alma..." Painho Você faz parte dessa alma.
Leninha Linard Linard

Parabéns Hugo Linard! Cara tu tens é história, viu?
Com ouvidos excepcionais e um talento iluminado pela sanfona e o teclado que já conheces desde os treze anos de idade, vejo em ti uma qualidade que vai além da música: apesar dos vários convites recebido por vários expoentes da música brasileira para fazer parte do seu elenco, nunca te envaidecestes ao ponto de deixar teus familiares e seguir feito retirante em busca de aventura em outras terras. Fizestes da música tua verdadeira vida junto aos teus enfrentando os altos e baixos, graves e agudos do dia a dia e hoje tenha a convicção de que tens um legado escrito nas páginas da história do nosso Crato.
Celso Siebra

QUERO EXPRESSAR OS MEUS PARABÉNS E DE TODOS OS MEUS IRMÃOS MESTRE HUGO LINARD...QUE INICIOU ESSA BELEZA DE ARTE AOS CINCO ANOS DE IDADE...E ABRILHANTOU A JOVEM GUARDA ..A VELHA GUARDA... A GUARDA ATUAL .. E ATÉ A GUARDA MUNICIPAL...NÓS TE ACOMPANHAMOS DESDE OS 10 ANOS DE IDADE QUANDO MEU PAI LUIZ BARRETO ...MUITO AMIGO DO TEU PAI FAZIAM AQUELES CONTRATOS NO CRATO TÊNIS CLUBE...É UMA HONRA PARA MIM NENEN BARRETO, ANA XENOFONTE, VIRGÍNIA E LUIZ BARRETO ...CITO ESSES NOMES POR CAUSA DO MADRIGAL INTERCOLEGIAL DO DIOCESANO O QUAL VOCÊ SEMPRE ESTEVE PRESENTE SEMPRE QUE DONA BERNADETE TE CHAMAVA E DIVANI TAMBÉM....UM ABRAÇÃO DA FAMÍLIA BARRETO XENOFONTE....NENEN BARRETO...

Como se exigia qualidade de um músico antigamente!!
Você e o meu pai precisaram assistir duas vezes ao filme Aeroporto para poderem absorver a rica melodia da tilha sonora do filme.
Hoje, algumas melodias já vêm até embutidas nos "pacotes" que acompanham alguns instrumentos musicais.
Daí esse alastramento de músicas e músicos medíocres que presenciamos atualmente - via de regra.
Excelente e dignificante a matéria da entrevista com Hugo.
Hugo Linard representa o que o Crato tem de melhor em qualidade humana e musical.
Em nome do meu querido pai, seu antigo parceiro musical, mando-lhe um abraço em forma de carinho e amizade.
 Nélio Falcão ‎Hugo Linard

Amigo Hugo Linard, eu que agradeço o que você e o Azes do Ritmo fez e faz para alegrar os nossos corações e vida. Nunca esqueço quando aquele clube lotava tendo vocês, artistas locais, como atração. Era muito bom mesmo!! Conte comigo nessa nova "empeleita" aí, tranquilo? Aquele abraço camarada! Kaika Luiz

Declaro aqui sem alarde/Pra quem quiser me ouvir/Meu amigo Hugo Linard/Sabe como divertir! Ulisses Germano Leite Rolim

Airton Brandao 
Pode ser q talvez me conheça...é possível...mas não deve se lembrar de mim...2 momentos, quando tocou e eu escutei, "sobre o céu de Paris..", sozinho, no acordeon, me senti na própria, e isso marcou meus 16 anos ai no Crato, e qdo eu e Tota pinto,1980, na casa de Afonso Pinto, na beira do canal, atraímos vc q passava, com a musica I Will, dos Beatles, qdo a executávamos em 2 violões e 2 vozes..e fomos magistrais, senão o mestre não viria....conheço sua sanfona desde 1962, seu trabalho musical ao longo dos anos...grande musico...parabéns Hugo Linard...

Rita Atir Guedes 
Hugo, sou Rita Valente(rs).Lembra? Adorei os relatos sobre tia Rosa e Chiquinha Piancó.Ela certa vez puxou minha orelha porque eu entrei na sala de aula comendo.
Quanto a você, adorava vê-lo e ouvi-lo tocar sanfona.Você morava na Duque de Caxias em frente a minha casa. Seu talento musical é motivo de orgulho para todos nós cratenses.Um forte abraço

Quem é Hugo Linard? José do Vale Pinheiro Feitosa

Quem é Hugo Linard? O estudante, o músico, o pai de família, o aniversariante em sua cidade? Em 16 de abril, na estação da colheita, se houvesse uma praça central de toda a humanidade, neste dia haveria uma retreta. Irineu Sisnando de Alencar e Helena Gomes Alencar Linard, admirando o recém nascido e seus mistérios de futuro desde aquele remoto ano de 1947.
E tenho que me esforçar muito para responder quem é Hugo Linard. A primeira coisa é fugir de minhas próprias lembranças, dos momentos quando crianças aprendíamos a cartilha de ABC com Dona Elvirinha ou Dona Bernadete Cabral.
E aquele acordeom imenso nos braços pequenos da criança. Grande como foram os cem anos de fundação da cidade, imenso e inexplicável como aquela linguagem particular da música qual um Mozart tão precoce já decifrava.
A segunda coisa a me esforçar para entender quem é Hugo Linard, pertence à superação dos próprios impulsos, ações e lembranças dele mesmo. Não saberemos quem é Hugo Linard apenas perguntando a ele mesmo.
E para mim está claro: ele não se explica pelas minhas lembranças e nem pelas próprias lembranças dele. É que há muito aquele modo silente de hoje, econômico nas palavras, deixou de ser explicado apenas por sujeitos individuais. Nem eu e nem ele somos suficientes.
Não adianta acompanhar os graves e agudos de suas travessuras no colégio e a transcendência de seu semblante enquanto os dedos dançam com os baixos e a melodia. E seu Irineu, com o rosto branco e avermelhado de sol e trabalho, um homem forte a comprar gado nos currais e retalhar suas carnes na retidão honesta do seu ganha pão no box do mercado.
O pai empresário, o filho profissional, o músico por nascença, o profissional por expressão, a música por cotidiano. Hugo Linard está narrado, mas ainda não compreendido. Como disse: as lembranças não são suficientes para as dimensões dele.
Então superemos estas limitações e avancemos até a fonte que traduz Hugo Linard. Nem o pequeno Mozart, nem o talento, nem todas as ligações que seus conjuntos enfeitiçaram entre casais. Mesmo que busquemos as estrelas e a lua que brilham contemporâneas às performances dos músicos não serão suficientes a nos explicar. Mesmo por que as longas e ensolaradas tardes de ensaio numa casa da Vila Jubilar também eram Hugo e seu Azes do Ritmo.
A questão central é que a resposta em responder quem é Hugo Linard não está aqui nestas palavras e nesta crônica. A resposta está em mais ou menos 7 gerações de seres que nasceram ou viveram no Cariri e nas redondezas da bacia sedimentar da Chapada do Araripe.
A resposta é... Um patrimônio intangível deste povo. O mesmo que com riso de compreensão comemora o aniversário de Hugo Linard neste 16 de abril de 2012. E que o baile comece.


LANÇAMENTO DO CORDEL - UMA RUMA DE RIMA NO RUMO ALOSTRÓFICO




ALOSTRÓFICO

Poema cujas estrofes são todas desiguais entre si, quanto ao número de versos ou quanto ao número de sílabas métricas de cada verso (estrofes heterométricas). Em inglês, deve-se a Milton a introdução do termo alloeostropha, no prefácio de Samson Agonistes, aplicando-se quer às estrofes irregulares quer ao poema que as contém. 



Cacaso (Antônio Carlos Ferreira de Brito)



Antônio Carlos de Brito, conhecido como Cacaso, (Uberaba, 13 de março de 1944 — Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1987) foi um professor universitário, letrista e poeta brasileiro.
3 Poemas

Cacaso
(Antônio Carlos Ferreira de Brito)


Descartes

Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho


Fatalidade

A mulher madura viceja
nos seios de treze anos de certa menina morena.
Amantes fidelíssimos se matarão em duelo
crepúsculos desfilarão em posição de sentido
o sol será destronado e durante séculos violas plangentes
farão assembléias de emergência.

Tudo isso já vejo nuns seios arrebitados
de primeira comunhão.


Lar doce lar
(para Maurício Maestro)

Minha pátria é minha infância:
por isso vivo no exílio


Cacaso (Antônio Carlos Ferreira de Brito) nasceu em Uberaba (MG), no dia 13 de março de 1944. Com grande talento para o desenho, já aos 12 anos ganhou página inteira de jornal por causa de suas caricaturas de políticos. Antes dos 20 anos veio a poesia, através de letras de sambas que colocava em músicas de amigos como Elton Medeiros e Maurício Tapajós. Seu primeiro livro, "A palavra cerzida", foi lançado em 1967. Seguiram-se "Grupo escolar" (1974), "Beijo na boca" (1975), "Segunda classe" (1975), "Na corda bamba" (1978) e "Mar de mineiro (1982). Seus livros não só o revelaram uma das mais combativas e criativas vozes daqueles anos de ditadura e desbunde, como ajudaram a dar visibilidade e respeitabilidade ao fenômeno da "poesia marginal", em que militavam, direta ou indiretamente, amigos como Francisco Alvim, Helena Buarque de Hollanda, Ana Cristina Cezar, Charles, Chacal, Geraldinho Carneiro, Zuca Sardhan e outros. No campo da música, os amigos/parceiros se multiplicavam na mesma proporção: Edu Lobo, Tom Jobim, Sueli Costa, Cláudio Nucci, Novelli, Nelson Angelo, Joyce, Toninho Horta, Francis Hime, Sivuca, João Donato e muitos mais. Em 1985 veio a antologia publicada pela Editora Brasiliense, "Beijo na boca e outros poemas". Em 1987, no dia 27 de dezembro, o Cacaso é que foi embora. Um jornal escreveu: "Poesia rápida como a vida".

Em 2002 é lançado o livro "Lero-Lero", com suas obras completas.


Os poemas acima foram extraídos da publicação "Inimigo Rumor 8", Viveiro de Castro Editora, Rio de Janeiro – 2000, págs. 06 a 19.