por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O MENINO E A MENINA




                                                           
O MENINO E A MENINA

O menino e a menina
caminham pela estrada
com um sorriso cúmplice
nos olhos e nos lábios.

A estrada é torta e larga,
com árvores e pássaros,
terra, pedra e alegria
à direita ou à esquerda.

Ninguém conhece ao certo
a alegria do menino
e a alegria da menina
na estrada empoeirada.

O menino dá a mão
para a mão estendida
da menina feliz
e suas almas caminham.

Não há maior prazer
no mundo do que olhar
essas duas crianças
na estrada nessa tarde.






quarta-feira, 28 de dezembro de 2011


Rainer Maria Rilke



Rainer Maria Rilke, por vezes também Rainer Maria von Rilke (Praga, 4 de dezembro de 1875 — Valmont, Suíça, 29 de dezembro de 1926) foi um dos mais importantes poetas de língua alemã do século XX. Escreveu também poemas em francês.

O Anjo
Com um mover da fronte ele descarta
tudo o que obriga, tudo o que coarta,
pois em seu coração, quando ela o adentra,
a eterna Vinda os círculos concentra.
O céu com muitas formas Ihe aparece
e cada qual demanda: vem, conhece
-.
Não dês às suas mãos ligeiras nem
um só fardo; pois ele, à noite, vem
à tua casa conferir teu peso,
cheio de ira, e com a mão mais dura,
como se fosses sua criatura,
te arranca do teu molde com desprezo.
(Tradução: Augusto de Campos)



Incomensurável
Apá Silvino
Composição: Abidoral Jamacaru

Incandesce a cidade
o campo, o espaço
e o brilho incomensurável
de qualquer lugar
jorra mel do teu riso
brandura dos olhos
perfuma as águas
por onde andar
e faz coro com o canto
de quem não tem rancho
faz pouso no rancho
de quem quer amar
é amor
seu padrinho o tempo
já faz tanto tempo
que dá todo tempo
de andar pelo tempo
do campo florar
eu te dou de presente
o aroma da flor
o zumbido da abelha
a frescura da chuva
pra você levar
e antecipo as coisas
que ainda não tenho
mas que um dia eu lhe entrego
pra você velar
gira amor, girassol
a fragrância, o brilho
o zumbido, a abelha
a brandura em torno de você
tudo é deus, tudo é seu, tudo é meu
tudo chega no olho
e penetra no fundo
de quem quer amar

AMIGO(A) por Rosa Guerrera


Deixa que eu fique aqui
Sempre a teu lado
A escutar tua voz,
Ouvir sonhos partidos...
E na mudez aprender tua linguagem
E gargalhar ao som do teu sorriso.

Deixa que eu tire a dor
Que tens na alma,
E dê a tua angústia,a harmonia...
Que eu transforme em versos
Tuas dores
Cantando em compassos
De folia.

Deixa que hoje
Com a alma em festa
Eu agradeça aos céus a alegria,
De sermos tão amigos (as)
Companheiras(os)
Sempre na Fé , na dor, sem fantasias

E se amanhã a morte ou o acaso
Traçar em nossas vidas um “adeus”...
Na tua lembrança fique o meu abraço,
E que eu leve em meu peito o rosto teu!

Na Rádio Azul


Feliz 2012

"Quando 2011 começou, ele era todo seu. Foi colocado em suas mãos... Você podia fazer dele o que quisesse... Era como um Livro em Branco, e nele você podia colocar um poema, um pesadelo uma blasfêmia, uma oração. Podia... Hoje não pode mais; já não é seu. É um livro já escrito... Concluído. Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e você não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.
Portanto, antes que 2011 termine, reflita, tome seu velho livro e o folheie com cuidado. Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência; faça o exercício de ler a você mesmo. Leia tudo... Aprecie aquelas páginas de sua vida em que você usou seu melhor estilo. Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito. Não, não tente arrancá-las. Seria inútil. Já estão escritas. Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue. Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo. Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o. Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador. Não importa como esteja... Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras: Obrigado(a) e Perdão!!!
E, quando 2012 chegar, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco todo seu, no qual você irá escrever o que desejar..."

Feliz 2012 a todos!

Maurice Ravel



Joseph-Maurice Ravel (Ciboure, 7 de março de 1875 – Paris, 28 de dezembro de 1937) foi um compositor e pianista francês, conhecido sobretudo pela sutileza, das suas melodias instrumentais e orquestrais, entre elas, o Bolero, que considerava trivial e descreveu como "uma peça para orquestra sem música".
por socorro moreira
por socorro moreira


Parla !
Pois é , amigos ouvintes, após o capão minguado do Natal, a Cidra espumante nos copos descartáveis , o ribombar das bombas rasga-latas, os presentinhos (de coração) do “Mundão do Real” e os abraços e preces dos familiares , eis , por fim, que mergulhamos nas esperanças de 2010.O ritual de passagem adocica um pouco o amargor passado e entreabre no nosso espírito as venezianas para um novo tempo. É como se passássemos o apagador no quadro negro e o deixássemos virgem , ávido por novas aquarelas. As mãos cerradas durante todo o ano se abrem para o aperto fraternal, os cenhos graves desarmam-se. Todos, de alguma maneira, descobrem a mágica possibilidade do recomeçar. Termina-se por se fazer também um balanço de cada vida, computando-se perdas e receitas, não na área financeira, mas na nossa fina contabilidade interior. Aprende-se com as derrotas , é certo, mas antes de tudo, a passagem de ano administra-nos o bálsamo encantador do esquecimento. O passado cai em exercício findo e esvai-se perdido na sua implacável imutabilidade. O Ano que se inicia surge, sempre , brilhante à nossa frente, como um eldorado perfeitamente visível e alcançável.Esmaecem-se as agruras passadas, as decepções , os devaneios antigos, as ilusões plantadas no inverno anterior e que feneceram antes da colheita prevista. A vida apresenta-se adiante como uma massa de moldar esperando que nossas mãos sábias lhe dêem a forma e o sopro criador: “Parla !”
Este ar de início de jornada, propiciado pelo Ano Novo, torna o caminho cheio de surpresas e expectativas. Talvez, seja por isso mesmo, que medram, nesta época, as pitonisas, os videntes, os Nostradamus. Todos se arvoram de adivinhadores, como se fosse factível prever o destino de um sem número de estradas possíveis que serão abertas , pouco a pouco, por incontáveis operários , através da vária lâmina do sonho e do volúvel gume da vontade humana.Alguns ficarão inevitavelmente à beira do caminho, poucos atingirão a meta traçada e a grande maioria aguardará outros anos e outros recomeços: esta é a única previsão infalível para 2010.
O mais importante de tudo : não perder a dimensão do ritual. A essência da vida resume-se no sonho e não no despertar.O encanto da procura é bem mais completo que a visão efêmera e orgásmica do encontrar.No fundo , talvez, a existência seja apenas uma quimera, um simples devaneio, um sonho com suas fantasias , seus fantasmas, suas oníricas alegrias , vezes com seus pesadelos tremendos e que acaba quando nossa bêbada individualidade se mescla à força sonhadora de toda a natureza. Aí sonharemos junto com todo o universo.

J. Flávio Vieira

Canção das Mulheres - Lya Luft



Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

Lya Luft

Feliz Ano Novo!

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.

Para você, desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.

Para você, desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família esteja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas! Mas nada seria suficiente...
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!
(Carlos Drummond de Andrade)

Esperança - Mário Quintana- Colaboração de Zélia Moreira


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.
http://www.releituras.com/mquintana_esperanca.asp




terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Uma paisagem banal - por Rejane Gonçalves



Trata-se de um quadro de dimensão singular pendurado no topo do mundo. Nele há uma profusão de imagens, de coisas que se sobrepõem umas às outras, de cores em constante luta com seus tons contrários. É como se o tempo tivesse borrado a tinta; tudo acontece em meio a pesadas brumas. Percebe-se, mesmo assim, a tela cortada ao centro por uma cerca não muito alta, de troncos retorcidos, feito braços dispostos em tranças a ornamentar uma cabeça de fartos cabelos. Do lado onde, dizem alguns, a paisagem parece mais nítida, está um cavaleiro montado em seu cavalo bravio. Segura fortemente as rédeas e todo o seu corpo empenha-se no sentido de impedir o animal de pular a cerca. Do outro lado desta, onde, dizem alguns, a paisagem é confusa e pródiga em abismos, acaba de pisar o chão um cavalo, trazendo montado em seu dorso um cavaleiro bravio. Seu corpo quase deitado sobre o animal e suas mãos, por onde escorrem as rédeas, parecem indicar não ter ele conseguido ser do outro cavaleiro uma parelha, pois que ultrapassou a cerca.
Os viandantes com gestos disformes passam ao largo. Todos, com raríssimas exceções, evitam uma observação demorada desse quadro de dimensão singular. É sabido que uma maior apreensão da paisagem transporta o rosto do incauto observador às alturas, sobrepondo-o ao rosto de um dos cavaleiros. Essa esquisita peculiaridade do quadro é na maioria das vezes incômoda e talvez fatal. Por isto é que os viandantes passam ao largo. Tapam os olhos dos filhos e repetem em ladainha o que há muito tempo ouviram com a força de um massacre de mil martelos zunindo em suas cabeças:
− Desses dois homens montados... de um diz-se que é louco, do outro diz-se que é são.

setembro/ 1987

Rejane Gonçalves

Rejane Gonçalves é contista, nasceu em Caruaru-PE e tem laços familiares cratenses firmados desde os anos 70. Atualmente mora em Recife.

"Curare”- por socorro moreira


Doutor,

o antídoto da dor

é a dor?

Sentimento

despido de sonhos

teimoso, vive!

Sem fotografia na bolsa

Sem telefone no bolso

Te ligo, e me ligo...

Dia e noite...

Noite e dia!

E a rádio Azul

ainda chora...

Quando não é Noel

é Abel...

Um choro pra cada história!

Almas em bando

"A vida é a arte do encontro...”.

A morte, quisera...

Será também?

Medito sobre a natureza humana

E me enxergo, projeto "in extremis”.

Quem sabe,

todos,

em outros planos,

livres da matéria,

possamos dançar

um tango?

O cansaço chega...

De lagartas a borboletas

Almas em bando!...

A voar no infinito

que desconhecemos.

-Viver é testemunhar

a morte dos nossos dias... !



Suspiros

Depois de alguns uivos,

novos suspiros...

E traição existe?

Existe a crudelíssima vida

que interrompe,

o bom da harmonia...

A cura da dor

É um porre maior

que o próprio amor!

socorro moreira

por socorro moreira


Triângulo natural

O mar banhou-me com seu olhar

Nuances de azul e verde

Espumas num delírio contido

Areia batida, salgada de mar

Sereno tempo

Nublada vida

Ares desobstruídos

Vôos inalcançáveis

Compromissos cancelados,

antes de um veredicto.

Meus pés pousam em terras desconhecidas,

mas não se atrevem a trilhar novo caminho

Fixo-me na linha do horizonte,

e na terra eu finco a vida.

Pensamento foge da morte

Brinca no mar...

Busca o céu que habitas.

Guerra fria

alma em agonia

o amor acaba,

o conflito fita

Rugas

marcas,

sinais do tempo

fora das fotos

que foram nuas

Olhar fugitivo

amor esquivo

perdido e esquecido,

na primeira mágoa

no primeiro instante

-Vinho envelhecido ,

me aguarde!

E se eu te pegar , no sentido do além? - Socorro Moreira


E SE EU TE PEGAR, NO SENTIDO DO ALÉM?

E se eu te pegar com os olhos
Trazer-te pra dentro de mim?
Mostro o luminoso e o assombroso
Que a Pandora soltou, e ficou em mim

E se eu te tocar em todas as tuas letras
E com elas compor uma nova sinfonia?
E, na hora “h”, descobrir no “g” do teu “x”,
Que sou o “z” da tua vida?

“Vês”? Meu “cê” é teu...
Eu "te" aprendi, nos "erres" da minha língua!

Célio Silva - A voz cratense , nos anos 50 - Por Socorro Moreira



Uma figura alta, magra, cabelos lisos e pretos, bigodes... Talvez!
A impressão que tenho é que o vi muitas vezes, sempre cantando, nos programas de auditório da Rádio Educadora, nas quermesses de São Vicente, com o repertório de Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo,Augusto Calheiros, Nelson Gonçalves (notadamente as de Adelino Moreira).Tinha uma voz impressionante, mas bebia bastante, e isso ocasionou sua morte prematura. Era apaixonadíssimo pela esposa. Não lembro o seu nome, apenas que era uma mulher piedosa, filha de Maria.
O Crato dos anos 50 deve lembra-lo bem, muito mais do que as minhas nebulosas lembranças de criança.

Espero que alguém acrescente outras maiores informações...



Malandrinha
Carlos Galhardo
Composição: Freire Júnior

A lua vem surgindo cor de prata
No alto da montanha verdejante
A lira de um cantor em serenata
Reclama na janela a sua amante
Ao som da melodia apaixonada
Das cordas de um sonoro violão
Confessa um seresteiro à sua amada
O que dentro lhe dita o coração


Ó linda imagem de mulher que me seduz
Ah se eu pudesse tu estarias num altar
És a rainha dos meus sonhos, és a luz
És malandrinha não precisas trabalhar

Acorda minha bela namorada
A lua nos convida a passear
Seus raios iluminam toda a estrada
Por onde nós havemos de passar
A rua está deserta, ò vem querida
Ouvir bem junto a mim, o som do pinho
E quando a madrugada, já surgida
Os pombos voltarão para seus ninhos

Ó linda imagem de mulher . . . . . . . .

EDWIN MORGAN


Falar de Edwin Morgan (Glasgow, Escócia, 27 de Abril de 1920 - 19 de Agosto de 2010) remete-me para a ironia da liberdade de sonhar, a ânsia de transpor a fronteira entre realidade e ficção, ainda que a segunda aqui seja vista como densificação da primeira.
Os poemas deste escocês levam-me pois a esse universo onírico, mesmo que camuflado por alguma aparente casualidade – o sonho que se assemelha à realidade, como um meio a fim de a mudar.

A montagem dos cenários onde se desenrola a acção desta poesia é uma marca distintiva e eles mesmos mantêm como que uma postura austera, imóvel (no sentido de se desenrolar no mesmo lugar). Há, eu diria, uma personalidade ligada a eles, e que, curiosamente, nem sempre parece coincidir com o perfil de quem sente, de quem confessa. Este contraste acaba por intensificar o que se expressa, dentro dos temas intemporais (e eu diria, sem reservas, românticos) que o poeta aborda. A partir desses cenários é a memória que tem voz, que recita os exercícios da consciência ou que ilustra e preenche aquilo que se tem diante dos olhos.

Não é uma poética de versos, mas sim de poesia enquanto puzzle e em que todas as linhas, umas não sem as outras, erguem o corpo do poema. Este factor oferece a este uma certa leveza e dá ao leitor a hipótese de escolher o ritmo de leitura.

ONE CIGARETTE

No smoke without you, my fire.
After you left,
your cigarette glowed on in my ashtray
and sent up a long thread of such quiet grey
I smiled to wonder who would believe its signal
of so much love. One cigarette
in the non-smoker's tray.
As the last spire
trembles up, a sudden draught
blows it winding into my face.
Is it smell, is it taste
You are here again, and I am drunk on your tobacco lips.
Out with the light.
Let the smoke lie back in the dark.
Till I hear the very ash
sigh down among the flowers of brass
I'll breathe, and long past midnight, your last kiss.


UM CIGARRO

Não há fumo sem ti, meu fogo.
Depois de teres partido,
O teu cigarro cresceu no meu cinzeiro
E enviou uma linha de uma cinza muito calma.
E sorri a quem iria acreditar no seu sinal
de tanto amor. Um cigarro
no cinzeiro do não-fumador.
Enquanto a última espiral
estremece, uma pequena corrente de ar
sopra o seu caminho no meu rosto.
É cheiro, é gosto?
Tu estás aqui de novo, e eu estou bêbado no teus
lábios de tabaco.
Fora com a luz.
Deixa o fumo esconder-se no escuro.
Até eu ouvir a mesma cinza
Suspirar entre as flores de bronze.
Respirarei, após a meia-noite, o teu último beijo.

Edwin Morgan
(tradução inédita de Pedro Calouste)

Todo feio tem direito a mentir- Por Xico Sá


Todo feio tem direito a mentir
Xico Sá

Todo homem dito feio ou mal-diagramado, como costumo aliviar para o nosso lado, deve ter o direito sagrado à mentira amorosa.
É fácil ser um Marlon Brando (ah, O Último Tango em Paris!), um George Clooney, um Denzel Washington, um Brad Pitt, um Rodrigo Santoro, para ficarmos aqui no mundo macho do cinema que serve de colírio para as moças.
É moleza ser esteticamente arrumadinho. Estas criaturas sim, não carecem da mentira. Se tergiversam, se pisam na bola, se aprontam e saem com mirabolantes enredos – cada história monstra sem pé nem cabeça – é por pura cara de pau, safadeza braba mesmo.
Os feios, todavia, dependem da mentira como um burro precisa de capim. Não falo obrigatoriamente das grandes mentiras, das trapaças épicas, trato do varejão dos pequenos enganos, aquela forma sutil e necessária de editar a vida, arrumar as versões para não ser atropelado pela pessoa amada.
Todo macho feio, e a sentença deveria constar da Declaração Universal dos Direitos do Homem, tem direito à mentira, à lorota boa, como diz a música do rei Gonzagão, bravo cabra de Exu, Pernambuco, que se declarava um mentiroso nato.
É fácil ser um Apolo, uma beleza, tudo bem assentado, pele sem as marcas do tempo e, para completar a perfeição, com o bolso farto de grana. O bolso, aliás, segundo algumas moças mais espertas, é o melhor pedaço da nossa lição de anatomia.
Vai ser feio nessa encarnação, amigo, para sentir que sacrifício medonho. Uma provação a cada esquina, a cada baile, a cada tentativa de sociabilidade ou acasalamento.
Em sendo assim, mentir torna-se mesmo um direito sagrado. Repito: a mentira de varejo, não obrigatoriamente aquela grandiosa da qual falam os Dez Mandamentos e outras tábuas divinas
Coerência e retidão 100% é dever, obrigação mesmo, da cartilha do homem muito bonito. Aí sim, imperdoável possuir todos os predicados e facilidades de um boa vida e ainda assim infringir os códigos morais da boa conduta.
Como é melancólico, como é horrível e triste quando uma mulher flagra um bonitão, um galã salivante de pulhas, tetras, fraudes e mentiras.
E o sinal mais óbvio do mentiroso, você sabe, leitora querida, é o falso juramento. Quando o cara aparece cheio de “eu juro, eu juro”, já viu, né, cometeu algum deslize. Fez alguma merda, para usar termo mais chulo, porém mais apropriado a tais ocasiões.
Além da licença poética para arrumar um pouco as histórias e pisadas na bola, deixo aí, meu caro companheiro de infortúnio estético, mais uma vantagem que me foi soprada, de forma espírita, pelo Sérge Gainsbourg: “A beleza, amigo, é passageira; a feiúra é para todo o sempre, amém”.
Sim, o Gainsbourg é aquele cantor e compositor francês do maior hino de motel de todos os tempos, Je T’aime Moi Non Plus.
& MODINHAS DE FEMEA
Bobos dos homens quando se acham os reis da trapaça e da esperteza. Mentir bem mesmo é arte secular das fêmeas. Até porque elas não gastam à toa o poder da fábula.
Usam apenas em momentos pontuais e certeiros. Elas têm o dom de iludir, como diz a canção. Toda mulher já nasce potencialmente uma Greta Garbo, uma grande atriz.

Impressões de leitura -Busca no Google

As meninas do meu tempo!



Capiba



Lourenço da Fonseca Barbosa, mais conhecido como Capiba (Surubim, 28 de outubro de 1904 — Recife, 31 de dezembro de 1997) foi um músico e compositor brasileiro. Tornou-se o mais conhecido compositor de frevos do Brasil.

Voltei Recife
Capiba
Composição: Luis Bandeira

Voltei, Recife
Foi a saudade
Que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente "Vassoura"
Na rua abafando
Tomar umas e outras
E cair no passo

Cadê "Toureiros"?
Cadê "Bola de Ouro"?
As "pás", os "lenhadores"
O "Bloco Batutas de São José"?
Quero sentir
A embriaguez do frevo
Que entra na cabeça
Depois toma o corpo
E acaba no pé



Affaire - Dalva de Oliveira e Herivelto Martins




O amor é terrível. O amor é belo
Tragédias tremendas e
briguinhas chifrins
Desdêmona e o mouro Otelo,
Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.

( Aparício Torelly -Barão de Itararé)

Poema de Maiakovsky


"Na primeira noite
Eles aproximam-se
E colhem uma Flor
Do nosso jardim
E não dizemos nada.

Na segunda noite,
Já não se escondem:
Pisam as flores
Matam o nosso cão,
E não dizemos nada.

Até que um dia
O mais frágil deles
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a lua e,
Conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada."

Paulo Tapajós por Norma Hauer



ELE PARTIU EM 29 DE DEZEMBRO
Em 20 de outubro de 1913 ele chegou e nos trouxe muita alegria.
Em 29 de dezembro de 1990 ele partiu.

Seu nome PAULO TAPAJÓS.

Com seus irmãos Haroldo e Oswaldo iniciou sua carreira na pioneira Rádio Sociedade, em 1927. Seu irmão Oswaldo logo abandonou o conjunto e Paulo continuou fazendo dupla com Haroldo, quando gravaram a primeira composição de Vinicius de Moraes, então um nome pouco conhecido, embora sobrinho de Melo Moraes, também compositor.
Essa primeira gravação foi o samba "Loura e Morena".

Paulo Tapajós e Vinicius de Moraes nasceram apenas com um dia de diferença, ambos em 1913. Paulo gostava de dizer que eles "se encontravam" à meia-noite, para um abraço de parabéns recíproco.

Paulo Tapajós continuou sua carreira com o irmão Haroldo, ingressando na Rádio Mayrink Veiga.

Posteriormente, já sozinho, passou à Rádio Nacional (entre 1942 e 1946) , fez uma pequena temporada na Rádio Tupi, regressando à Nacional onde apresentava, no fim
da noite, o"Musica em Surdina".

Com Albertinho Fortuna e Nuno Roland, formou o "Trio Melodia", ainda na Rádio Nacional.

Nessa época gravou várias serestas, a maioria de Catulo, como "Os Olhos Dela";"Tu
Passaste por este Jardim":"Recorda-te de Mim"; "Ao Luar"; Clélia" e várias outras.

Como sua voz era "pequena", mas muito bem colocada, ele foi considerado "modinheiro" ao invés de seresteiro.

Quando a Rádio Nacional praticamente acabou, Paulo Tapajós conseguiu salvar seu acervo que iria ser sucateado.

Hoje, programas da Nacional, como "Rádio Memória", de Gerdal dos Santos ou "História de Osmar Frazão" costumam inserir partes de programas famosos salvos por Paulo Tapajós.
Paulo Tapajós dirigiu o Museu da Imagem e do Som, depois que Almirante o deixou e
ali ouviu e gravou depoimentos de compositores e cantores que passaram por
nossa música e foi a ele que Pixinguinha revelou o nome de Octavio de Souza como
o autor da letra da belíssima composição "ROSA.

No disco original de ROSA, gravado por Orlando Silva, só consta o nome de Pixinguinha, grande músico, mas que não fazia letras.

Em 1990 Paulo Tapajós, como grande pesquisador que ia "fundo" buscar material para seus programas, apresentou, durante cinco terças-feiras, no Teatro do BNDES
a "História do Carnaval no Brasil", desde os primórdios, quando havia muita influência estrangeira, principalmente lembrando o carnaval de Veneza, passando pela primeira música feita para o carnaval , o "Abre Alas" de Chiquinha Gonzaga, até o apogeu das Escolas de Samba.

Vários cantores ali se apresentaram, dando voz e vida aos programas.

Paulo Tapajós estava preparando outra programação para aquele teatro, quando apresentaria a obra de Ataúlfo Alves, mas faleceu em 29 de dezembro daquele mesmo ano (1990) e o projeto não aconteceu.

Paulo Tapajós teve três filhos, todos ligados à música:Maurício, Dorinha e Paulinho.

Norma Hauer
A vida é  uma criança
Sempre com vontade de brincar,
dormir, comer, sonhar...
Dormimos pra sonhar
Acordamos pra viver
ou morrer

Se  a  vida é finita
A vontade de viver é eterna

socorro moreira

Na Rádio Azul


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Suave aperitivo" - José Nilton Mariano Saraiva

Abaixo, um "suave aperitivo" do que você encontrará em "A Privataria Tucana", livro que todo brasileiro deveria ler a fim de tomar consciência da monstruosidade dos crimes de "lesa-pátria" perpetrados pela "tucanhalada" corrupta, sob a égide FHC.
É ladroagem que não acaba mais, com destaque para José Serra, FHC e o "operador-mor" Ricardo Sérgio de Oliveira. E, como dito acima, trata-se apenas de um "suave aperitivo"; no livro tem mais, muito mais, inclusive dezenas de cópias de documentos de há muito em poder da Justiça.
Justiça ??? Justiça ??? Justiça ???
Bom apetite e... cuidado pra não se engasgarem.
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“Pensando “vender tudo o que der pra vender”, o governo do PSDB projetou tocar adiante, por exemplo, o BANCO DO BRASIL e a CAIXA ECONOMICA FEDERAL. Ou apenas apequena-los, deixando-os do tamanho de “bancos de segunda linha”. Registrado nos anais do Ministério da Fazenda, o Memorando de Política Econômica, de 8 de março de 1999, no alvorecer do segundo mandato de FHC, descreve um plano de privatização parcial do BB e da CEF. Está no item 18 do documento e consiste na “venda de componentes estratégicos” ou na transformação das duas instituições em “bancos de segunda linha”. (página 37)

“Alguns cases clássicos do processo ajudam a esclarecer o que se passou. Na privatização da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) dos R$ 1,05 bilhão pagos pela maior siderúrgica da América Latina e marco da industrialização nacional no pós-guerra, R$ 1 bilhão era formado por moedas podres. Nos cofres públicos só ingressaram, de verdade, R$ 38 milhões... E como se o incrível habitasse o inacreditável, as moedas podres foram leiloadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social,o BNDES. Nesta matrioshka, nas quais as aberrações brotam uma do interior da outra, o BNDES ainda financiou a aquisição das moedas podres com prazo de 12 anos para pagá-las”. (página 38)

“O controle acionário da Vale foi vendido em maio de 1997, com direito a financiamento oficial subsidiado aos compradores e uso de moedas podres... Custou a bagatela de US$ 3,3 bilhões. Hoje o mercado lhe atribui preço 60 vezes maior, ou seja, rondando os US$ 200 bilhões. A companhia foi privatizada de forma perversa, ATRIBUINDO-SE VALOR ZERO às suas imensas reservas de minério de ferro, capazes de suprir a demanda mundial por 400 anos. Além disso a matéria prima registrou elevação substancial de preço na primeira década do século 21”. (página 70)

“Mostra que a offshore Infinity Trading depositou US$ 410 nil em favor da Franton Interprises do MTB Bank, de Nova York. Dito desta maneira ninguém se dá conta de que estes muitos milhares de dólares significam, de onde vieram e para onde foram. É que os nomes das empresas servem como biombo para seus controladores. O homem atrás da Franton é Ricardo Sérgio de Oliveira. E agora se sabe que quem se esconde atrás da Infinity Trading é o megaempresário Carlos Jereissati, irmão do cacique tucano e ex-senador Tasso Jereissati (PSDB/CE)”. (página 64)

“A comprovação de que Jereissati é o dono da Infinity Trading está estampada em documento oficial. Consta do Relatório 369, da Secretaria de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda, também encaminhado à Justiça. Oculto até agora nos porões do Tribunal de Justiça de São Paulo, o relatório e outros papéis inéditos da CPMI do Banestado confirmam a vinculação. A Infinity Trading, de Jereissati, favoreceu a Fronton, de Ricardo Sérgio, com dois depósitos. O primeiro, de 18 de janeiro de 2000, somou precisamente US$ 246.137,00. E o segundo, no total de US$ 164.085,00, aconteceu em 3 de fevereiro do mesmo ano”. (página 66)





(LUA)

esperei sonhos
e o sono voltou
delicadeza tal,
meu corpo até vibrou:
ela chegou!

Vestida de prata
No rastro do amor
Casa na penumbra,
aconchegante ficou!
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Sempre vivi lentamente
Morro, intempestivamente
Durmo, quando canso
E morro de ser feliz,
quando sonho!
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Garra dos felinos
(falta em mim)
Não entendo a linguagem dos que dizem
Encontro entendimento no silêncio
Perco-me na direção do Luar
Evito todos os nós
Me amarro no pão de cada dia

Um dia tudo será vazio ...
Até de poesia!
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Apaixonada e sem jardim
sinto de memória
Perfume de amor em mim
Ventos trazem e levam
Tocatas nas Nuvens
Balanço das folhas
Decoros no corpo ...

Sem tesão,
belisco tanto pão!
Um beijo sem amparo
tranco em minha mão.

 socorro moreira


Na passagem do ano...



Ingredientes tradicionais da ceia de Reveillon, com o significado de cada alimento.
Confira, faça sua escolha e tenha um FELIZ ANO NOVO!!!

Lentilha
Em várias regiões do mundo é esse o alimento que traz fortuna. Como as ervilhas, as lentilhas também evocam morte e renascimento, do grão enterrado na terra renascem múltiplos grãos.

Uva
Alimento nº 1 da ceia de ano-novo. Come-se 3 dando as costas para a lua, 12 dando pulinhos ou sobre um banquinho, 11 guardando as sementes, não importa! O importante é não faltar uva na ceia de reveillon, fruta que traz boa sorte para o ano inteiro!

Amor
lém de ser saudável e muito mais leve, o peixe na ceia de ano novo está vinculado à boa sorte e fecundidade. Quando se fala em peixe automaticamente se faz associação com a água, símbolo da vida, do nascimento. Em chinês, U, peixe, foneticamente tem o mesmo som da palavra "abundância", fazendo-se a analogia. Aqui no Brasil tropical, nada mais perfeito para a ceia de reveillon do que um bom peixe assado em folha de bananeira!

Saúde
A carne de porco é muito apreciada na ceia de reveillon, afinal o porco é um animal que fuça para a frente, sendo um bom estímulo para o novo ano. Já o frango, peru ou faisão acredita-se não ser uma boa pedida para a passagem do ano: todos os três ciscam para trás...

Esperança
A romã, com sua enorme quantidade de sementes é símbolo de fartura e fertilidade. Os judeus, no Rosh Hashaná pedem a multiplicação das bênçãos divinas ao comer a romã. As sementes vão para debaixo do travesseiro para atrair "dinheirinha". Já no cristianismo, as sementes simbolizam esperança.

Cantinho da Dona Con
De Palavra Em Palavra


Manhã tão bonita manhã
E muita calma pra pensar
Eu amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
Sim, fiz projetos , pensei
Mas esse mundo é cheio
De maldade e ilusão
Pra que trocar sim por não
Se o resultado é solidão
O amor, o sorriso e a flor
Meu sabiá meu violão
O que ficou pra machucar meu coração
Pois é, tantos versos eu fiz
Dizendo a todo mundo
O que ninguém diz
Alimentei a ilusão de ser feliz
O amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou demais
Eu vivo sonhando ah! que insensatez
Até você voltar outra vez
Eu tenho esse amor para dar
Agora o que é que eu vou fazer
Porque esse é o maior
Que você pode encontrar
Mas de conversa em conversa
Eu só quiz dizer
De palavra em palavra
João Gilberto um abraço em você


 Maurício Tapajós E Paulo César Pinheiro |

Maurício Tapajós









Maurício Tapajós Gomes (Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1943 — Rio de Janeiro, 21 de abril de 1995), ou simplesmente Maurício Tapajós, foi um compositor, instrumentista, cantor e produtor musical brasileiro.

Era filho de Paulo Tapajós e irmão de Paulinho Tapajós e Dorinha Tapajós.
wikipédia

 RODA DE HISTÓRIAS COM BISAFLOR
 

O SILENCIO NO LUGAR EM QUE A MÚSICA NASCE

Conta-se que existe uma tribo de artesãos, que vive na costa leste da África, e é conhecida em todo o continente por suas belas esculturas, bem como pelo modo incomum que as cria.

Quando o sol nasce sobre o Oceano Índico, as pessoas se juntam em pequenos grupos numa praia dourada que tem a forma de uma lua crescente. Cada pessoa pega um grande pedaço de madeira escura nativa. Enquanto as ondas deslizam sobre a areia brilhante, que reflete o céu em chamas, as pessoas ficam muito quietas e colocam suas mãos sobre a madeira. Elas balançam suas cabeças de um lado para o outro. Diz-se que estão ouvindo a canção que está presa na madeira.

Uma pessoa pega uma ferramenta de entalhe; depois uma outra pessoa faz o mesmo. Uma terceira senta-se de cócoras e começa a se balançar lentamente para frente e para trás. Diz-se que, nesse ponto, o murmúrio da canção foi ouvido. As pessoas, então, começam a esculpir, retirando tudo o que interfere na liberação da canção. Algumas pessoas se sentam e ouvem, apoiando o trabalho do todo. Alguns cinzelam, outros organizam e eliminam tudo o que parece causar estática. As lascas voam à medida que todos são guiados pela clareza cada vez maior da canção.

Conta-se também que essas pessoas não pensam em si mesmas como escultores, mas como libertadores da canção que espera na madeira.