por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"O capitalismo, dizem alguns de seus defensores, foi uma grande invenção humana. De acordo com essa teoria, o sistema nasceu da ambição dos homens e do esforço em busca da riqueza, do poder pessoal e do reconhecimento público, para que os indivíduos se destacassem na comunidade, e pudessem viver mais e melhor à custa dos outros. Todos esses objetivos exigiam o empenho do tempo, da força e da mente. Foi um caminho para o que se chama civilização, embora houvesse outros, mais generosos, e em busca da justiça. Como todos os processos da vida, o capitalismo tem seus limites. Quando os ultrapassa no saqueio e na espoliação, e isso tem ocorrido várias vezes na História, surgem grandes crises que quase sempre levam aos confrontos sangrentos, internos e externos."


Mauro Santayana

PENSAR PENSO - por U1i5535

NÃO É MEU 
O MEU SOFRIMENTO
MEU SOFRIMENTO 
É O SOFRIMENTO
C O M  PARTILHADO 
POR TODA 
A HUMANIDADE
Ulisses Germano

SOBRE O RESPEITO

Eu respeito o respeito
Coisa muito boa é
Eu respeito quem respeita
Home, menino e muié
Quem respeita a natureza
Me agrada com certeza
Sendo incréu ou tendo fé

João Nicodemos

Se você me respeitar
Eu faço do mesmo tanto
Porém se desrespeitar
Ai eu não me garanto

Luciano Carneiro


Para ti - por Socorro Moreira


Para ti

meu olhar antigo

meu peito cansado

minha calma sem juízo

Para ti

minha voz mais próxima

minha saudosa memória

e o coração indeciso

Para ti

minhas esperanças tímidas

Livre de outras esperas ...

Um doce de flor

aflorando o imprevisto.

Saudade - por Socorro Moreira




Botei o pé na estrada e

entreguei-me ao destino.

Pensamentos em linhas cruzadas

movimento contínuo.

No conforto do silêncio,

letras sem compromissos.

Compro créditos,

e aguardo um som amigo.



Uma viagem não tem tamanho

É sempre feto

A volta é parto

Dói no coração

sonhos compridos

Dói na lembrança

encontros cumpridos.

Versos incautos - por Socorro Moreira




Existe um móvel no quarto
que guarda a ausência das tuas roupas
Existe um móvel no quarto
que guarda a ausência do teu corpo.


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Por favor,
toque fogo
no vício do amor
Nas cinzas da exaustão,
a gente se encontra !

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Meu coração tem liberdade absoluta
Tem asas, tem véus, e sabe nadar
por sonhos mirabolantes .
Paladino incansável ,
lembra o susto de prazer
do primeiro e do último beijo.
Hálito hals
Tosse , respiração cansada
de quem fumou pra beijar.

------------------------------------
Será mal de quem versa
não saber nadar?
Será mal de quem versa
odiar dirigir , estacionar?
Será mal de quem versa
não correr riscos,
pedalando a bicicleta,
guardada na infância?
Será mal de quem versa
juntar rimas, rabiscar páginas,
e teclar o amanhecer ,
em tons de rosa-ternura ?


socorro moreira

OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLAS! (Padre Fábio de Melo)

As pérolas são feridas curadas, são produtos da dor. Resultado de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia penetra as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola é formada. Uma ostra que não foi ferida de algum modo, não produz pérola, pois a pérola é uma ferida cicatrizada. Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém? Você já sentiu que seu mundo está para desmoronar, que nada dá certo, que os problemas rondam você? Você já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas? Então produza uma pérola! Cubra sua dor, suas mágoas, suas rejeições sofridas com camadas de amor. Lembre-se apenas de que uma ostra que não foi ferida jamais poderá produzir pérolas. E que as pérolas são feridas cicatrizadas. O processo de produzir a pérola é a resposta que um pequeno ser pode dar ao insulto que recebe, ao estranho que entra no seu mundo e que o machuca. Podemos dizer então que a pérola é a resposta da ostra quando machucada. Eu não sei o que você faz das suas dores. Eu não sei o que você faz dos insultos que recebe. Eu não sei o que você faz das dificuldades na sua vida. Eu não sei como é que você lida com aquilo que nós consideramos sofrimento. Eu só sei que a sabedoria nos ensina que quando uma dor nos toca, de alguma forma, uma redenção já se aproxima, porque a redenção só é possível no momento em que a gente descobre o significado do sofrimento. Há pessoas que sofrem por sofrer. Há pessoas que descobrem o significado do sofrimento. E você já parou para pensar que, quanto mais uma pessoa sofre, mais histórias ela tem para contar depois? E que quanto maior é o sofrimento maior é o ensinamento que fica dele? Eu sei que é difícil, eu sei que não é fácil utilizar-se dessa linguagem. Eu sei que na prática, quando o sofrimento nos envolve, é difícil a gente descobrir um significado para ele. Mas nós não podemos negar que a gente vai ficando sábio à medida que a gente vai descobrindo o jeito de lidar com a vida. Que todas as suas feridas possam, em breve, se transformar em pérolas!

Zé pretinho - Por Norma Hauer



UMA LÁGRIMA, UMA DOR, UMA SAUDADE...


Manuel do Espírito Santo era seu nome. Ele nasceu em 15 de novembro de 1909, em Capela-Se. Estudou na Escola de Aprendizes de Marinheiros, em seu estado natal e veio para o Rio com 16 anos.
Já em 1934, em parceira com Noel Rosa e Kid Pepe, compôs seu primeiro samba, gravado por Mario Reis, de nome "Tenho Raiva de Quem Sabe". . Com Ataúlfo Alves compôs "Eu não sei porque é"; com Murilo Caldas (irmão de Sílvio) compôs "Eu não sou Deus".
Em 1937 compôs com César Brasil o samba "Quem é que não chora" gravado por Carmen Barbosa na Odeon, e, com Oscar Lavado, a marcha "Pra galinha descansar", lançado pela Dupla Preto e Branco na Victor.

Carmen Barbosa foi uma cantora de voz bonita, que gravou pouco porque morreu na véspera do dia em que completaria 30 anos. (em 3 de setembro de 1942) vítima de tuberculose (doença que levou muitos artistas, brasileiros ou não.)
Mas deixou alguns sucessos, como é exemplo “Loteria do Destino”.

A Dupla Preto e Branco foi aquela que, com Dalva de Oliveira, formou o “Trio de Ouro”.

Em 1938, compôs com Gilberto dos Santos a marcha "Glórias do Brasil" gravada por Nuno Roland.
Continuou sua vida de compositor e em 1970, seu samba "Cinzas do passado" foi relançado pelo cantor Noite Ilustrada em LP Continental
. Teve mais de vinte composições gravadas por nomes como Mário Reis, Linda Batista, Patrício Teixeira, Gilberto Alves, Gilberto Milfont, Alcides Gerardi e Nelson Gonçalves.

A música que mais marcou sua carreira foi uma valsa feita em parceria com Reis Saint'Clair, de nome "Uma Dor e Uma Saudade", gravada por Orlando Silva, incluída em um LP de mesmo nome.
Zé Pretinho, embora tivesse convivido com cantores e compositores de sua época, havendo mesmo estreado com Noel Rosa e Kid Pepe, não chegou a ser um nome muito "badalado"em nosso meio musical.

Mas aqui fica o registro de sua passagem por esse meio.
norma

Candeia





Antônio Candeia Filho. mais conhecido como Candeia (Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1935 — Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1978), foi um importante sambista, cantor e compositor brasileiro.

Tirem o síndico da jogada, chamem a Assembléia - José do Vale Pinheiro Feitosa

Daqui a um ano já saberemos quem serão os novos prefeitos das cidades brasileiras. Por isso mesmo as reuniões políticas e as ações práticas para formar alianças estão a todo vento. E aí começamos a ter alguns problemas típicos das representações.

Numa democracia mais direta, por exemplo, no Crato, esta fase ao invés das reuniões de cúpula poderia estar acontecendo em conferências (assembléias) populares em todos os bairros e distritos para montar um programa mínimo para os próximos quatro anos, além de analisar as alianças partidárias mais competentes para executar tais programas. Por exemplo, a situação do Rio Batateira.

Ao longo da sua calha se desenvolveu o uso intensivo de suas águas além de bairros imensos terem se criado sem condições alguma de saneamento. Uma política de saneamento para os bairros à suas margens, além do reflorestamento da sua calha e nascentes e o uso ordenado de suas águas é uma política complexa que depende de alianças populares e de partidos políticos.

Falamos de partidos políticos verdadeiros, mas não desta prática em que os pretensiosos apenas migram de uma sigla para outra numa falta completa de um programa partidário mínimo. As conferências populares seriam além do mais uma forma de fortalecer os partidos em suas contribuições específicas como o caso do partido verde, tomando-o como exemplo emblemático.

Se o partido verde se resumir a reunir-se com os pré-candidatos para formar suas alianças eleitorais, seguramente a gestão vindoura será a repetição do mesmo. Acontece que a cada dia e a cada ano a situação muda e os problemas na cidade se acumulam. A cada minuto mais o sentimento popular se dissocia dos partidos e da administração pública. Isso favorece a elite arcaica de sempre, mas também cria um passivo de atraso institucional, um déficit de meios e recursos municipais que revolta o povo e fica esta sensação de que nada melhora.

É nítido que o Crato sofre uma esvaziamento político que faz parte deste conservadorismo familiar que mais interesse tem nos próprios interesses do que no chamado interesse público. Ao invés de resolver as contradições, as enormes deficiências e atrair investimentos para a cidade: vivem num apressado correr entre as capitais e a cidade num estado de espírito em que a reunião de gabinete com pires na mão e o bom apetite de um restaurante da moda é mais importante do que a escola do bairro ou a calha do Rio Batateira.

Agora resta a questão principal. Quem organizará e formatará as conferências populares para tratar das questões dos bairros e dos distritos? Quem terá esta força desvinculada das famílias tradicionais e dos grupos políticos em luta? Quem poderá enxergar um palmo além do que Maurício Tavares disse ontem no Cariricult que “todas as províncias são iguais”?

Os grupos religiosos locais poderiam teoricamente, mas os neo-pentecostais se preocupam apenas com o sucesso do indivíduo e os católicos parecem acamados num “romanismo” meramente ritualístico e obediente. As universidades parecem fechadas em salas de aula. Os artistas vivem as angústias dos projetos para apresentarem e os minguados recursos para conquistarem. Os partidos se tornaram cartórios eleitorais através dos quais se aliam à elite e aos governos vigentes.

Ao lado disso o país vive um “estratégico” de desenvolver-se perigosamente federalizado e muito pouco municipalizado como esperávamos que acontecesse. Vejam que nossos comentaristas nunca discutem a miséria da política municipal, divagam nas questões federais. Aliás, o Maurício Tavares deixa isso muito claro: o medo que as pessoas têm da vingança do poder local. O poder emanado do povo através do ato simbólico do voto é corrupto até o ponto de nem permitir qualquer tipo de oposição a ele.

Mas levantar uma bola e não arremetê-la é um problema. Aí tento o que me vem no momento, já sabedor que as pessoas que vivem na cidade devem ter muito mais idéias para tal problema. A universidade pode refletir isso através de análises locais, os sindicatos podem ir além de sua agenda salarial, algumas organizações religiosas têm quadros, eu mesmo conheço uma grande feira que lidera uma das mais importantes organizações do Cariri, que podem fazer a diferença. Temos eleições à frente que tal uma iniciativa de conversas fora das velhas alianças eleitorais? Que tal levar os cidadãos a discutir o próprio futuro antes de apertar a tecla do voto?

Quilômetros de engarrafamento - Emerson Monteiro


Início do feriadão da República e noticiários indicavam até 245 km de engarrafamentos na saída de São Paulo ao litoral, com televisões mostrando filas imensas de veículos de faróis acesos às margens do Rio Tietê. Lembrei quando vivi em Salvador, ainda na década de 70 do século anterior, e do tempo que gastava, nos finais de semana, à espera de embarcar no ferry-boat a caminho da Ilha de Itaparica, onde curtíamos horas de lazer à beira mar.

Todos, neste mundo, buscamos a salvação da alma, conceito religioso que admite existência além do tempo deste chão... Chegaremos, um dia, à santidade, na chance da perfeição absoluta de superar o limite das experiências materiais.

E ao observar o sofrimento comum a todo vivente, calculamos a perspectiva das oportunidades para crescer interiormente em face dos testes agora recebidos.
Essa prova mesma dos engarrafamentos das grandes cidades, hoje em dia, quer representar das experiências severas a que o espírito se submete, porquanto horas e horas dentro de automóveis feitos gaiolas de luxo, aguardado deslocamento milimétrico, e depois retornar sob iguais condições, não deixa de comprimir a paciência da alma ao extremo, lição importante de constrangimento e realidade, no apuro das naturezas dos indivíduos.

Habitantes de metrópoles, eles sofrem miséria no sentido de sobreviver às oportunidades restritas, nessa escola aberta dos aglomerados e moradias reduzidas; nas arbitrariedades artificiais do sistema rígido das calçadas de ferro e cimento; em fábricas desumanas, mecânicas, automáticas; no atrito entre as pessoas; nos transportes abarrotados; na solidão das multidões indiferentes; nos descansos esfumaçados e tristes das janelas escuras; universo melancólico de jornadas industriais que parecem nunca revelar finais possíveis.

Santos em potencial são todos, contudo há os que adiantam o carro mediante respostas sábias à gravidade dos bloqueios e traumas das histórias grupais, sem um jeito melhor quase hora nenhuma. E lembrar, ainda, o quanto padecem das ingratidões de semelhantes que explodem desencantados, no decorrer do processo coletivo de evoluir, nas manadas reunidas e saraus barulhentos das noites aflitas.

Tudo isso lembra, pois, o tanto necessário aos dias felizes, no itinerário do drama que guarda em si as sempiternas esperanças dos dias quando, suaves, as ruas do destino ofereçam instantes de deslocamentos harmoniosos e justos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

As marcas famosas começaram a ser atacadas? José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando a crítica ao capitalismo se apresenta logo baixa uma névoa espiritual, contaminada por preconceitos e usuras de todos os tipos, inclusive os talheres em que as pessoas comem que seriam “desprivatizados” em nome do coletivo. Esta névoa tem por objeto não deixar que os problemas sejam visualizados em toda a sua extensão.

Uma das “estratégias” de acumulação, além da mais valia sobre o trabalho, aconteceu quando algumas oportunidades de acumulação se esgotaram e era necessário acentuar o fetiche da mercadoria. Foram as marcas que deram a solução. Você compra a mesma bolsa num camelô e numa loja de grife e o valor são disparatados.

A marca é a nova forma de acumulação assim como a propriedade intelectual (copyright) já vinha se consolidando até se tornar um “protetorado” da Organização Mundial do Comércio. As marcas são puro fetiche, é algo inexplicável, irracional mesmo: expressam uma “qualidade” imponderável.

Pois não é que este símbolo será pela primeira vez atingido. O capitalismo é mesmo uma cultura de acumular contradições. O caso é o cigarro e suas marcas que vendem pelo apelo do marketing que criou o feitiço que lhe faz preferir esta ou aquela marca diante de imagens, símbolos e sugestões em filmetes, cartazes e merchandising na expressão cultural.

Acontece que o hábito de fumar cigarro não é uma questão individual, é uma questão coletiva que implica nas despesas públicas. Que encurta vidas e deixam crônicos que necessitam tratamentos caríssimos. As marcas de cigarros lucram bilhões com as imagens de consumo que criaram e a sociedade paga as conseqüências para a saúde pública.

Não tinha graça mesmo. É qualificar definitivamente uma suposta burrice da humanidade. O que aconteceu? A Austrália está aprovando uma lei que proibirá a exposição de marcas de cigarros nos maços que agora teriam imagens ampliadas dos problemas de saúde pública, letras graúdas de advertência e as marcas no mesmo padrão para todas elas e apenas em corpo pequeno.

Esta é a primeira experiência de um ataque ao fim das marcas. Eis uma inesperada notícia no já combalido mundo da acumulação que agora vive às turras com populações inteiras por enormes problemas nos sistemas financeiros, especialmente dos EUA e Europa.

A Palavra de Ordem é:

Correr atrás da alegria,
superar as agruras da tristeza,
intensificar instantes com euforia,
abraçar e sorrir na incerteza.

Sustentar a vida na adversidade,
erguer pontes de sabedoria,
oferecer ao agora, qualidade,
vencer batalhas com cantoria.

15 de Novembro- Feriado Nacional



A Proclamação da República Brasileira foi um levante político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889 que instaurou a forma republicana federativa presidencialista de governo no Brasil, derrubando a monarquia constitucional parlamentarista do Império do Brasil e, por conseguinte, pondo fim à soberania do imperador Pedro II. Foi, então, proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil.

A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país.

Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um governo provisório republicano. Faziam parte, desse governo, organizado na noite de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca como presidente da república e chefe do Governo Provisório; o marechal Floriano Peixoto como vice-presidente; como ministros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.

A Situação Política do Brasil em 1889

O governo imperial, através do 37º e último gabinete ministerial, empossado em 7 de junho de 1889, sob o comando do presidente do Conselho de Ministros do Império, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, percebendo a difícil situação política em que se encontrava, apresentou, em uma última e desesperada tentativa de salvar o império, à Câmara-Geral, atual câmara dos deputados, um programa de reformas políticas do qual constavam, entre outras, as medidas seguintes: maior autonomia administrativa para as províncias, liberdade de voto, liberdade de ensino, redução das prerrogativas do Conselho de Estado e mandatos não vitalícios para o Senado Federal. As propostas do Visconde de Ouro Preto visavam a preservar o regime monárquico no país, mas foram vetadas pela maioria dos deputados de tendência conservadora que controlava a Câmara Geral. No dia 15 de novembro de 1889, a república era proclamada.

wikipédia

Alegoria da República, quadro de Manuel Lopes Rodrigues pertencente ao acervo do Museu de Arte da Bahia

"É de manhã"




São 5 h da manhã do dia 15 de novembro de 2011. Os passarinhos acordam a cidade , como se fossem a banda municipal, tocando a alvorada. Amo o amanhecer. É na madrugada que espero por ele. É na madrugada que cochilo ao esperá-lo. Gosto de despedir-me da lua e estrelas. A vida, com alegres e surpreendentes cheganças. De vez em quando um momento de ansiedade ou preocupação...; de vez em quando, uma pontinha de indignação, e uma consequente compreensão; de vez em quando uma saudade, lembrança, e um reflorir do amor. Acho que até a morte terei meus encantos, porque a vida e as pessoas me encantam!
Já dizia Nicodemos que as cidades são todas iguais. Uma dica de adaptação, uma nova proposta de construção. Olho a estrada, olho o céu, e sinto-me viva!
Acerto os ponteiros, entrego pra Deus o meu dia, e participo com alma e coração dos acontecimentos.
A Internet faz o meu dia, quando leio vocês. É através de vocês que interajo com o mundo, e todos os seus lugares.
Sou feliz, só de imaginar cada sorriso amigo.
A qualquer momento, pego a estrada e vou bater na minha própria porta: o Crato!

Nos meus "retiros" somo novas paisagens, rostos humanos, e sedimento todos os meus afetos perto ou distantes.

Abraços, queridos!


É só um retiro ativo!


A roda da fortuna faz um novo giro. É destino recomeçar numa nova cidade seja grande ou pequenina. Os informes sobre o funcionamento das mínimas coisas: igreja, bancos, farmácia, supermercado, faxineira, aluguel de casa.
As pessoas, na maioria, receptivas...
Tenho experiência de enfrentar o desconhecido.
Quem disse que usamos o livre arbítrio, ao longo da vida? Vivemos as nossas escolhas a partir daquilo que o destino dita.
De longe, sinto falta do Crato, dos amigos.
Saudades do pãozinho da P & C, de fazer umas comprinhas no São Luiz, de visitar João Marni e Fátima, Dona Almina, Caio, Abidoral, Zé Flávio e Fabiana, ...: tomar água de coco na esquina, e comprar ( ou não comprar) cigarros no seu Antonio.
Mas, cedo logo, a vida se estrutura, e a rotina se faz, em perfeita paz e organização.
Estou outra vez arrumando e desarrumando malas, mas continuo próxima das pessoas e lugares que amo. Continuo no Cariri!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Estudantes têm aulas de artes nas ruas do Crato




Uma proposta bem diferente e divertida vem sendo desenvolvida na cidade do Crato com intuito de fazer com os alunos estudem, vivenciem e criem trabalhos a partir da arte contemporânea. O trabalho é desenvolvido com alunos do ensino médio do Colégio Estadual Wilson Gonçalves e do EEFM Teodorico Teles de Quental e é chamado de Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte Contemporânea – LEVE Arte Contemporânea.


Com câmeras fotográficas, celulares e idéias, os estudantes vêm ocupando as ruas da cidade do Crato com intervenções e performances artísticas. Os alunos já produziram dois vídeos que estão disponibilizados na internet. Um dos trabalhos foi realizado no Calçadão da cidade, no qual foi feita uma performance em que o cabelo e a barba de um integrantes foram raspada e teve o seu corpo preenchido com palavras e jornais. Já no segundo trabalho, quatro estudantes foram embrulhados com jornais na rua Dr. João Pessoa. Os estudantes pretendem realizar uma performance e a intervenção ainda essa, o que resultará em mais dois vídeos.


De acordo com o idealizador do Laboratório, o artista/educador Alexandre Lucas, a proposta é baseada numa compreensão pedagógica do estudo relacionada a vivencia e pratica, a partir de elementos do cotidiano dos alunos. Ele destaca que o mais significativo são as produções dos vídeos que servirão como instrumento para pensar as praticas pedagógicas sobre o ensino de Artes.
Para aluna do Ensino do Médio da Escola Teodorico Teles de Quental, Clarissa Mota da Silva, o Laboratório dá a oportunidade de perceber visões diferentes. “Foi uma superação mim. Eu não me via capaz de também fazer arte”, diz a aluna.


Tainá Araújo, estudante do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, destaca que adora fazer coisas diferentes e cita que através da arte contemporânea está conseguindo fazer isso. Ela frisa que antes das atividades serem realizadas na ruas são feitos estudos e planejamentos.


Maria Reijane Ferreira da Silva, também do Colégio Wilson Gonçalves cita que o Laboratório ajuda na desinibição e em é possível maneiras de se expressar, através da arte.
Os trabalhos que são realizados nas ruas são abertos a participação do público e artistas.
O Laboratório conta com a parceria do Coletivo Camaradas e do 18ª Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação -CREDE.


Serviço:
Caso queira participar das atividades de intervenções e performances realizadas pelo Coletivo Camaradas e o LEVE Arte Contemporânea entrar em contato: (88)92604870/88260008.

Algodão doce - por Socorro Moreira



O coração comporta muitos amores. A felicidade faz a opção de fidelidade. Num encontro amoroso de qualidade, ela é inerente. Não deixa entrar outros requerentes.
Pra que o desassossego, se o amor só deseja um tempo pro amor?
O malabarismo afetivo é tarefa circense. Por que deixar o circo pegar fogo?
Às vezes acontece...
Não por mal, nem por bem.Por acaso, talvez... Aí, se o sentimento de posse não existir, se a liberdade de amar foi conquistada, os sentimentos são lícitos e administráveis.
Melhor não deixar que a paixão cegue a razão.Deixar que ela siga por aí, sem destino, até se perder de sentir, ou transcender na poesia.

Ocultar emoções pode ser como dissolver um doce de algodão.
Gosto do branco, sem anilinas.Lembram nuvens, onde o rosa é possível.
Prazer  do cinturão queimado, brincadeira que esconde aquilo que procuramos.
Alegria da ciranda de roda com passos cadenciados que exorciza o que nos traz comoção.

Enfim...Nem tudo tem explicação.
Chamo de ilusão o que deveras sinto.
Chamo de realidade  tudo sem solução.

Noite de pensar, sem pesar; de sorrir à toa.
De dormir pra sonhar
E acordar, preocupada com o almoço
Sem o apetite apertar.

Romances morrem no ar.
Soltos, eles voam...
Aterrissam num lugar comum
Chamado lar.
Lá a paz é singular
E a felicidade se cria, e se fomenta
Na cumplicidade do abraço.

Abraços... .Cumprimentos humanos!
Alguns apertados
Outros mais chegados
Uns itinerantes...
Abraço é a expressão sagrada
Do corpo animal, se humanizando!

Nick Bar





por Jorge Mello em 16 de agosto de 2007
Publicado em Cancioneiro de Garoto






Piano Bar - Alberto Sughi
Detalhe de “Piano Bar”, gravura do artista plástico italiano Alberto Sughi.

Num bar da notívaga São Paulo da década de 50, um conjunto formado por bandolim, piano, contrabaixo e bateria toca um animado choro instrumental. Chega então um freguês, que é prontamente atendido pelo garçom:

– Boa noite!
– Boa noite.
– Ué, sozinho hoje?
– Estou… Queria aquela mesa, perto do piano.
– Pois não!

Repentinamente o bandolim pára o choro e o freguês pede firme:

– Maestro!

Surge então a voz aveludada de Dick Farney, entoando a letra de um samba-canção de sofisticada – porém envolvente – harmonia:

Foi neste bar pequenino
Onde encontrei meu amor
Noites e noites sozinho
vivo curtindo uma dor

Todas as juras sentidas
Que um coração já guardou
Hoje são coisas perdidas
Que o eco ouviu e calou

Você partiu e me deixou
Não sei viver sem teu olhar
O que sonhei só me lembrou
Nossos encontros no Nick Bar

Assim é o primeiro registro sonoro de Nick Bar, composição de Garoto e José Vasconcelos – este último, aliás, responsável pelo “diálogo” garçom-freguês acima (para ouvi-lo, vá até o player localizado no rodapé deste artigo).

Nesta gravação, Dick Farney possui a companhia musical de Radamés Gnattali (piano), Garoto (violão e bandolim, tocado no início), Pedro Vidal (contrabaixo) e Trinca (bateria). O disco, um RPM 78 rotações da Continental de número 16479, foi gravado em 23 de agosto de 1951 e lançado dois meses depois – existem duas outras gravações dela feitas pelo próprio Dick em dois outros discos de sua autoria.

O paulistano e noturno “Nick Bar”

Bairro do Bixiga à noite, em São Paulo - fonte da imagem: http://flickr.com/photos/slgiusti/217836390/A boemia paulistana no início da década de 50 tinha como emblemático ponto de encontro um bar localizado no tradicional bairro do Bixiga, no número 315 da rua Major Diogo, ao lado do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), servindo como um refúgio informal e charmoso para músicos, atores, escritores, artistas, socialites e boêmios da época.

Seu dono, o americano Joe Kantor, conhecido boêmio na cidade daqueles tempos, batizou-o de Nick Bar em referência à montagem “Nick Bar… Álcool, Brinquedos e Ambições”, título em português dado à peça de três atos “The Time of Your Life” (1939), do escritor e dramaturgo norte-americano William Saroyan , dirigida pelo italiano Adolfo Celi. Esta, por sinal, fora a primeira encenação profissional do TBC, inaugurado havia pouco tempo, em 1949.

O escritor e cineasta paulistano Marcos Rey em sua crônica intitulada “Bares da saudade” sintetiza de forma sucinta a magia e o glamour que envolvia e atraía seus freqüentadores:

“(…) Era o reduto da sofisticada geração que se dizia existencialista, discutia Sartre e se recusava a apertar a mão dos adeptos da música caipira. Os artistas de sucesso e jovens intelectuais diziam presente todas as noites. Os cronistas sociais passavam por lá. Estar no Nick podia ser notícia. Com um pouco de sorte sentava-se na mesa ao lado de Tônia Carrero, Maria Della Costa e Cacilda Becker. Vizinhos da fama. O tom da geração, o estar na moda, ser up to date, era ali, no Nick, onde muita gente tomou uísque pela primeira vez, curtiu a dor-de-cotovelo inaugural e aprendeu que era feio dormir cedo. Devia ser tombado e seus fregueses transformados em figuras de um alegre museu de cera. (…)”

A lembrança desse clima de boemia e musicalidade que rondava o bar se tornou lenda, perdurando na memória dos que intensamente vivenciaram aqueles momentos.



Letra e música nascendo juntas



Exterior - Por Wally Salomão



Por que a poesia tem que se confinar?
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
da greta
da gruta
e se espraiar além da grade
do sol nascido quadrado?

Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
– carpe diem! –
fora da zona da página?

Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?

Anti-erótico - Por Socorro Moreira



O olor de lavanda
nos lençóis e travesseiros
Uma brisa casual nos cabelos
Um cheirinho de baunilha saindo do forno

Já não sinto tuas mãos no meu corpo
Tua energia escapuliu no esquecimento.

Meu ponto G agora é ponto final
Espalhado e preenchido
Num espaço total.

Nada erótico...
Teu perfume de capim
Roupão de banho
Absorvendo a água que saiu de mim

Nada erótico
O apelo do pensamento
por um beijo que o vento
roubou e levou de mim.

Pedaço azul - Por Socorro Moreira



O silêncio é fria
No calor de Novembro
Me lambuzo no mel das frutas
E vivo o inverno que não chega
Agasalhada em mim mesma.
O sol diz que é verão
Que aclara os sentidos e a compreensão ...
Mas eu quero a prima das cores
Pintar de novo a parede
Que o meu coração desbotou

ti voglio tanto bene - Ernesto de Curtis- Colaboração de José do Vale Feitosa


Ernesto De Curtis, um dos maiores compositores italianos do final do século XIX e início do século XX. Era irmão de Giambatisti De Curtis, poeta, com quem fez a canção Torna a Surriento. O compositor nasceu em Nápoles em 1875 e lá morreu no último dia do ano de 1937. Compôs mais de uma centena de música entre as quais “Non ti scordar di me” e “Ti voglio tanto bene”.

Dimmi/ Diga-me
Che tuo amore non muore/ que teu amor não morre,
È come il sole d'oro/ é como o sol d´ouro,
Non muore mai piú/ não morre nunca mais.

Dimmi/ Diga-me
Che non mi stai a enganare/ que não estás a me enganar,
Che il sogno mio d'amore/ que meu sonho de amor
Per sempre sei tu/ para sempre é você.

Oh! Cara/ Oh! Cara,
Ti voglio tanto bene/ te quero tanto bem,
Non ho nessuno al mondo/ não tenho ninguém no mundo
Piú cara di te/ mais cara que tu.

T'amo/ Te amo,
Sei tu il mio grande amoré/ és tu o meu grande amor,
La vita del mio cuore/ a vida do meu coração
Sei solo tu/ é apenas tu.

Una Stella/uma estrela
Brilla in mezzo al cielo/ Brilha em meio ao céu
La mia stella sei tu/ A minha estrela és tu
Tu sei il mio camino/ Tu és meu caminho

Liberdade - Por Rosa Guerrera



Hoje eu vou rotular de liberdade o meu dia...
Rasgar todos os compromissos
E sem identidade na bolsa
Vou voar deitada numa folha imaginária!

Hoje eu quero ficar de bem com a vida!
Parar de questionar coisas que nunca entendi.
Deixar a velha mania de sofrer com as falhas humanas
E esquecer de chorar maldades e calúnias recebidas.

Hoje, vestida nessa liberdade
Eu vou “zoar” das trapaças do mundo
Cantando uma seleção de músicas “bregas”
Completamente absorta às opiniões alheias.

Hoje eu estou de bem com a vida
E todos os semáforos estão me sinalizando
a estrada verde esperança !
E que ninguém tente interromper
essa liberdade de ser eu mesma!

Hoje eu entendi que perdi muito tempo
E que toda primavera veleja rápido
pelos mares do destino...

Hoje, eu tirei férias de mim mesma...
E decidi de uma vez por todas
Que nunca mais brigarei

De novo com a Vida!

rosa guerrera

Silente- - Por Socorro Moreira




Lua metade
Selene obscura
Poema luz em completude
Luar em respingos
Réstias interiores
Piscares, picadas,
Quase involuntárias.

Vejo a calçada sem ciranda de roda
Combinações saíram de moda
Viola nos ombros errantes
Catam boêmios
De ouvidos etílicos
Que entregam a alma
Numa canção antiga

Tempos reais
Tempos carentes e vazios.
Falta o frescor dos meus sonhos
Não compro o imaginário
Faço contas na ponta do lápis
Analiso as margens...
Com elas vivo a loucura do que posso.

Almas distantes
Desalinham as paralelas
Momento eterno é terra !

Um texto de Adélia Prado - Colaboração de Altina Siebra


“Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor"


Adélia Prado

Uma personagem põe-se a lembrar da mãe, que era danada de braba, mas esmerava-se na hora de fazer dois molhos de cachinhos no cabelo da filha, para que ela fosse bonita pra escola.
Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor.
É comovente porque é algo que a gente esquece: milhões de pequenos gestos são maneiras de amar. Beijos e abraços são provas mais eloqüentes, exigem retribuição física, são facilidades do corpo. Porém, há outras demonstrações mais sutis: Mexer no cabelo, pentear os cabelos, tal como aquela mãe e aquela filha, tal como namorados fazem, tal como tanta gente faz: cafunés. Amigas colorindo o cabelo da outra, cortando franjas, puxando rabos de cavalo, rindo soltas.
Quanto jeito que há de amar.
Flores colhidas na calçada, flores compradas, flores feitas de papel, desenhadas, entregues em datas nada especiais: "lembrei de você".

É este o único e melhor motivo para azaléias, margaridas, violetinhas.
Quanto jeito que há de amar.
Um telefonema pra saber da saúde, uma oferta de carona, um elogio, um livro emprestado, uma carta respondida, uma mensagem pelo celular, repartir o que se tem, cuidados para não magoar, dizer a verdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com carinho, se for para evitar feridas e dores desnecessárias.
Quanto jeito que há de amar.
Uma foto mantida ao alcance dos olhos, uma lembrança bem guardada, fazer o prato predileto de alguém e botar uma mesa bonita, levar o cachorro pra passear, chamar pra ver a lua, dar banho em quem não consegue fazê-lo só, ouvir os velhos, ouvir as crianças, ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir...
Quanto jeito que há de amar.
Rezar por alguém, vestir roupa nova pra homenagear, trocar curativos, tirar pra dançar, não espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir, visitar doentes, velar, sugerir cidades, filmes, cds, brinquedos, brincar...
Quanto jeito que há.

Na Rádio Azul


Por Edmar Lima Cordeiro



RECADO



Quero sentir tuas emoções

Vibrar teu ser apaixonadamente

Amar-te inteira

Conhecer tua cabeça

Teus sentimentos

Preparar um instante

Que a paixão encante

Nascer daí um ser translúcido

Sem trauma

Amante do amor lascivo e quente

Envolver na calma deste instante

A paz suave dos amantes

Nada é impossível

Se as paralelas no horizonte encontram-se

Um dia espero tuas emoções sentir.

Edcor



Quinto dia de apresentações da Mostra SESC traz grandes surpresas para o público



Cariri, 14 de novembro de 2011



O quinto dia da Mostra Cariri de Culturas, dia 15, é marcado pela diversidade na programação.

No núcleo de artes cênicas, em Juazeiro do Norte, se apresentam os grupos Bricoleiros (CE), Eduardo Okamoto (SP), Carroça de Mamulengos (CE) e Companhia Dakar(HOL). O grupo cearense Bricoleiros apresenta, no Centro Cultural Banco do Nordeste, às 10h, “Criaturas de Papel”, espetáculos onde papéis brancos ganham formas geométricas e são transmutados em figuras cênicas que, meticulosamente animados, ganham vida. O artista paulista Eduardo Okamoto leva ao público, no Teatro Patativa do Assaré, às 12h, “Agora e na hora da nossa hora”, espetáculo que coloca em discussão uma cidade invisível, onde meninos de rua, que mal são notados, sobrevivem à chacina da Candelária. A companhia Carroça de Mamulengos apresenta, às 18h, no bairro Timbaúbas, “Seja noite ou seja dia, viva o Palhaço Alegria”, peça que põe em cena um palhaço de três metros de altura todo desmontado e que, após ser montado, apresenta cenas com bonecos de mamulengo. O toque internacional da programação fica por conta da Companhia holandesa Dakar, que apresenta no Sítio São José, às 16h, “Braakland”. O espetáculo é um conto sóbrio, inspirado nos romances do escritor sul-africano John Coetzee, que narra a história de nove personagens que vagam em uma terra esquecida sem se proteger e sem se defender. Sem o uso de palavras e com um olhar cinematográfico, o espetáculo propõe ao público acompanhar a desolação e a poesia desta narrativa a cinqüenta metros de distância.

No Crato, ainda no núcleo de artes visuais, o público confere as apresentações do projeto Palco Giratório. No teatro SESC Crato, às 9h, se apresenta a Companhia Plichinelo (SP), com “A lenda das lágrimas”. O espetáculo questiona o poder do amor, narrando a história de um casal indígena da tribo Tupi. No Crato Tênis Clube, às 18h, na sala Patativa do Assaré, se apresenta a Companhia do Tijolo (SP), com o espetáculo “Concerto de Ispinho e Fulô”. A peça narra uma entrevista com o poeta Patativa do Assaré, que se transforma num diálogo entre o popular e o erudito, o urbano e o rural, e culmina com a denúncia de um dos primeiros ataques aéreos contra civis no território brasileiro.

Em Nova Olinda, as apresentações se concentram no Teatro Violeta Arraes. Às 9h, a Companhia Desajuste (SP) apresenta “Mareados”, trama que narra a aventura de três palhaços que dividem uma embarcação até serem surpreendidos pela chegada de uma divertida náufraga. Às 19h, o grupo Teatro Novo (CE) encena “Anônimos”, peça que mostra um dia de visitas em um abrigo de idosos, no qual as personagens relembram um passado povoado de tristezas, alegrias, amores e sonhos que se renovam a cada amanhecer.

No núcleo de audiovisual, a programação de Juazeiro do Norte se concentra no Centro Cultural Banco do Nordeste. No Panorama de Cinema de Animação, que inicia às 16h, os espectadores podem acompanhar a exibição de curtas animados nacionais e internacionais. Às 18h, na Mostra de Longas-Metragens Rosemberg Cariry, será exibido o filme “Cine Tapuia”. A produção narra a história de um cego e de uma índia que viajam o sertão nordestino projetando velhos filmes. No Crato, o público assiste ao Panorama de Curtas Contemporâneas. As exibições são realizadas na Casa Ninho, às 15h. A programação tem início com o curta “Matryoska”, do diretor cearense Salomão Santana. Em seguida, são apresentados os curtas “Carta ao Pai” e “O homem com o celular de filmar”, ambos do diretor juazeirense Ythalo Rodrigues. Encerra a programação do dia o curta “Material Bruto”, do diretor Ricardo Alves.

Nas atividades do núcleo de artes visuais de Juazeiro do Norte, na Praça Padre Cícero, o público confere a exposição “A procura – Heterotipias dos percursos”. A exposição inicia às 14h. Na Galeria SESC, no mesmo horário, tem início a exposição fotográfica “Retratos de Coimbra”, do fotógrafo Michael Sasso. No Crato, são realizadas as exposições Veias Urbanas”, de Rafael Vilarouca, “Memórias e história do caminho de ferro no Ceará”, de Aderbal Nogueira, e “A Procura – Heterotipias dos percursos”. As atividades são realizadas na RFFSA, e iniciam às 14h.

No núcleo musical, em Juazeiro do Norte, se apresentam na Praça Padre Cícero, a partir das 23h, Aquiles e Outros Blues, com o show “Bluiz Gonzaga”, e Jefferson Gonçalves, com “Encruzilhada”. No Crato, no projeto “Armazém do Som”, se apresenta João do Crato e Banda, com o show “Alvíçaras ao Rei Luíz”.

No núcleo de tradição da Mostra, espaço dedicado ao incentivo da cultural popular local, acontece no Crato, às 14h, no terreiro da Mestra Zulene Galdino, uma prosa de quintal com o mestre de cultura Bule Bule. Às 19h, a terreirada recebe os grupos Reisado São Miguel e a banda cabaçal Santo Expedito. A apresentação fica por conta de Tranquilino Ripuxado.

No núcleo de literatura, os destaques da programação são os lançamentos literários. No Crato Tênis, às 19h, os autores Cleison Ribeiro e Francisca Pereira(Fanka) fazem o lançamento das suas obras. Cleison Ribeiro lança “Silêncio laminado do casulo”, e Fanka lança “Água da mesma onda”.

As apresentações acontecem nas cidades de Juazeiro do Norte, Crato, Nova Olinda e em mais 20 cidades da região do Cariri. São divididas em núcleos de audiovisual, música, artes cênicas, artes visuais, tradição e música, iniciando a partir das 9h. Os espetáculos e atividades da 13ª Mostra SESC Cariri de Culturas seguem até o dia 16 de novembro, nos municípios de Juazeiro do Norte, Crato e Nova Olinda.






O RETIRO DE SOCORRO MOREIRA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Eu habito numa ladeira do Bairro Jardim Botânica. Assim como um retirado de todos os acontecimentos das ruas em enchente das megalópoles. Igual era o sítio Batateira, onde vive até sair para Fortaleza: um retirado do Crato.

O retirado é uma coisa interessante, pois não é ele apenas. Quando falamos em retiro praticamente estamos representando um movimento. Não é um lugar em si, é uma ausência de algo, mas é, ao mesmo tempo, a reflexão deste algo.

Quando a Socorro Moreira nos informa que se encontra em algum lugar que não tem internet, logo conclui: eis um retiro. Mesmo quando, cautelosa com o carinho dos amigos, informa do retiro aí é que este mais se acentua. Que lugar é este e não tem internet?

E tem paralelo na nossa cultura. Zé Dantas, aqui no Hospital dos Servidores do Estado, onde exercia a função de obstetra, olhando para o mar de casas e prédios da região da Gamboa e Santo Cristo. Quem sabe Zé Dantas numa noite de espera de um parto a termo, aquele evento que lhe permitiria finalmente dormir na alta madrugada a lembrar-se do seu retiro no Riacho do Navio.

Ora! Imaginei! A Socorro Moreira está num retiro. Teria ainda os pedaços da lua cheia tão pouco acontecida? As estrelas estariam fazendo um enxame luminoso a abraçar a realidade da nossa condição humana? E os silêncios musicais das noites nos tons de coruja, grilos e de algum animal do terreiro e do curral?

A Socorro estaria num retiro do nosso passado recente? Daquele de raros automóveis, dos ruídos da marcha dos cavalos, de algum tetéu nos açudes ou um vim-vim anunciando a chegada de alguém?

A qual retiro a Socorro pede socorro? Imagino! Aquele que resguarda a face deste Crato em mutação permanente onde os lembrados apenas o são por esquecidos que foram. Onde os esquecidos não são matéria do éter, ao contrário, são a materialidade dos resgates de nossos retiros.

Somos todos portugueses? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

De tantas e tantas vezes escutar anedotas sobre a "pressuposta" pouca inteligência dos nossos descobridores, deu-me uma falsa impressão de verdade, a um ciúme ou quem sabe, uma revolta, provavelmente ambos iniciados nos tempos coloniais. Mas ao residir numa cidade, e aqui abro um parêntese e peço licença para usar uma palavra da moda, numa cidade com índice de "mobilidade" cada vez menor, onde construíram um viaduto para desafogar o trânsito e colocaram um semáforo por baixo; onde já encontrei uma rua cujo já mencionado sinal luminoso foi colocado cerca de dez metros após o cruzamento, impedindo os carros circularem pela rua transversal; onde uma de suas universidades oferece "curso de verão" em pleno mês de julho, quando oficialmente é inverno no hemisfério sul, é que cheguei à conclusão que não poderemos jamais zombar da inteligência dos fundadores do Vasco da Gama. Se precisasse de uma prova da sabedoria portuguesa, bastaria a fundação do meu "Vascão" para colocar por terra qualquer argumento contrário.

Entretanto, convém lembrar que os portugueses detêm a maior e melhor tecnologia em Engenharia Civil do mundo, sendo inigualáveis no domínio das Mecânicas dos Solos e das Rochas. É da responsabilidade dos engenheiros portugueses do Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa o projeto e construção das grandes barragens norte americanas.

Será que falamos a mesma língua? De nada adianta os governantes dos países de língua portuguesa desejarem unificar o idioma. Nós brasileiros, jamais passaremos a chamar o concreto armado de betão e time de futebol de "equipa".

É bom lembrar que nós temos nossos vícios de linguagens que atropelam qualquer estrutura do idioma de Camões. Além, é claro, de desafiar a lógica. Um amigo, foi conhecer Portugal. Lá chegando alugou um carro e saiu pelo interior do país, pouco maior que o nosso Ceará. Com o mapa rodoviário à bordo, e admirado com a perfeição de suas estradas, esse amigo desejava conhecer um cidadezinha lá existente de nome Almeida, de onde vieram seus bisavós. Ao chegar a uma pequena vila, onde a estrada se bifurcava, resolveu perguntar a um velhinho que se aquecia ao sol da manhã:
- "Onde é que fica Almeida?" - Quis saber. E o velhinho, com muita simplicidade, respondeu:
- "Primeiramente deseje-me um bom-dia!"
- "Ah, desculpe-me, bom-dia!"
- "Muito bem, agora podes perguntar!" - Ordenou o português:
- "Onde é que fica Almeida?"
- "Ora que pergunta mais tola: Almeida fica em Almeida, pois!"

De outra feita, outro brasileiro, viajando pela Europa, alugou um carro em Lisboa para ir até Madri. Na saída da cidade, perguntou a um frentista de um posto de gasolina:
- "Esta estrada aqui vai para Madri?" - Quis saber, se expressando no nosso dialeto.
- "Pelo visto, quem estar a viajar para Madri és tu, pois essa estrada é nossa e se ela for para lá irá nos fazer muita falta, pois só temos ela!" - Zombou o bombeiro lusitano.

Afinal, os portugueses também sabem nos dar um merecido troco! No meu primeiro ano na Escola Politécnica da Bahia, apareceu por lá um colega português, o Braguinha, cuja família acabara de se mudar para o Brasil. De tanto a turma lhe encher as medidas, ele nos contou essa, com carregado sotaque:

Um português, recém chegado ao Brasil quis entrar num clube onde se realizava animado baile de carnaval. Na entrada, foi barrado pelo porteiro que alegava a festa ser exclusivamente para brasileiros. Insistiu uma segunda vez, uma terceira, até que viu um jumentinho a pastar junto ao meio fio da calçada. Arrastou-o até a portaria do clube, onde já se encontrava o presidente para impedir a entrada do português:
- Você já foi informado várias vezes que somente entra aqui os brasileiros! - E o português, empurrando o jumento para o interior do clube, gritou:
- Então vás tu, que és brasileiro!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 13 de novembro de 2011

Napoleão um colega de Anduiá no Piaui - José do Vale Pinheiro Feitosa

O sucesso se tornou algo totalizador. É irmão do mérito e sua estrutura de privilégios. Funciona como gerador de dinheiro e, portanto, como um negócio bem vendido. Então ele é: totalitário, meritocrata e financeiro.

A tendência das três coisas é a exclusão e a concentração. Não importa o que e nem quem, tudo sempre tenderá para uma seleção redutora da realidade existente no mundo. Isso quer dizer que o sucesso é apenas a exclusão e a escolha, nunca o espelho da realidade. O sucesso não é uma medida da humanidade, é apenas o formato da junção: total, mérito e grana.

Quando dizemos que Pelé é o melhor jogador do mundo, apenas estamos repetindo a fórmula do sucesso. Não estamos representando a humanidade, quantos “Pelés” foram contemporâneos do sucesso e nunca apareceram e nem apareceriam mesmo que se esforçassem.

Mas esta introdução não é uma crítica ao sucesso apenas, é a idéia de que todos somos importantes na dimensão das nossas relações. Mesmo que não existam mídias para fazer a mediação entre nós e um número imenso de pessoas. O artista, o jogador, o cientista, a pessoa de bem e assim por diante não é importante pelo sucesso, mas pela onda que provoca no seu entorno.

Esta entrevista trata disto mesmo. De um marceneiro piauiense, de Campo Maior, que vive aqui no Rio há mais de 40 anos. Na sua juventude participou no campeonato piauiense e jogou com a nata do futebol estadual dos anos 60 entre eles uma grande aquisição do futebol piauiense o nosso querido do futebol cratense Anduiá.

Até hoje quando chega a Campo Maior, é capaz de fazer uma roda de conversa, mesmo que com a participação dos mais velhos, em volta dele. Existe algo mais gratificante do que isso? Esta é a verdadeira e intransferível e imortal qualidade da onda provocada a partir da expressão de uma pessoa. Enquanto esta onda é nossa, o sucesso não nos pertence, pertence à máquina que o vende.

Eu estou aqui com Napoleão Lopes de Araujo, nascido em 1943 na cidade de Campo Maior no Piauí. Aos 24 anos veio embora para o Rio de Janeiro, onde virou marceneiro e nunca mais se afastou do Rio, mas não perde a oportunidade de falar do seu Campo Maior, especialmente do grande sonho da vida dele que era ser jogador de futebol. Napoleão quais eram os principais times do Piauí em sua época?

- O River, Auto Esporte, Flamengo, Fluminense, Piauí e o Artístico que era um time de subúrbio, mas era muito agressivo e a gente às vezes tinha que entrar forte para vencer. Isso era na capital.

Nas cidades do interior quais eram os grandes times?

- Tinha o Parnaíba. Tinha o de Floriano. Picos e de Piripiri o 4 de junho. Campo Maior já era o Caiçara e o Comercial. O Caiçara era o time que eu jogava, era o time do coração. E onde a gente fazia as nossas partidas muito dura lá.

Estes times participavam do campeonato estadual?

- Participavam do campeonato piauiense e nós fomos vice-campeão em 1963 contra o River e a gente perdeu o jogo por falta de competência do juiz. Que foi um juiz que veio do Belém do Pará, que era o Sena Muniz e nos prejudicou muito.

Naquela época quais eram os Estados da vizinhança que eram as principais referências para um jogador de futebol que desejasse crescer no futebol.

- Ora Fortaleza! Fortaleza né? Em Fortaleza inclusive tinha um cara da minha terra que era o Honorato, um cara antigo e que depois por problemas de saúde voltou para Campo Maior e foi treinador do Caiçara. Tinha em São Luiz o Moto Clube e no Pará tinha o Paissandu que eram times fortes e às vezes a gente almejava jogar num time deste. Eu uma vez tive oportunidade de sair de Campo Maior e ir para São Paulo, mas meus pais não deixaram.

E você começou a jogar bola desde menino?

- Desde menino. Eu jogava no aspirante esquentando o sol de Teresina.

Você jogava em qual posição?

- Jogava de volante. Naquela época existia o volante que era o lateral direito. E depois por dificuldade na defesa eu voltei a jogar de central, onde fazia Cabo Dulce, Napoleão, Bia e Costa. Que era a zaga do Caiçara.

Você começou a jogar mais profissional com quantos anos?

- Com dezoito anos.

Como era formado o time da tua época?

- Era Coló, Walter, Bia, Cabo Dulce, Costa, aí eu entrava que era o lateral direito, a linha, jogava no meio de campo, Geraldo Pocuta, e Gerado Pocuta.... e quem mais meu deus? Eu não me lembro agora. A linha era Cabeção, Índio, Fumaça e Ditoso que era meu cunhado.

Você jogou no Caiçara quantos anos?

Desde garoto. Comecei minha trajetória jogando futebol foi no Caiçara. Até vir para o Rio. Aqui no Rio eu tinha vontade de jogar no Vasco. Meu cunhado, por sinal tinha um conhecimento com o treinador do Vasco, ele morava em Benfica, fica perto de São Januário. Ele inclusive andou me chamando para ir até lá, para me apresentar a ele, mas eu me dediquei mais à profissão eu tinha que sustentar minha família. Eu já estava com a idade de 24 anos e o futebol já não estava tão esperançoso. Mas eu estava em forma ainda. Estava bom.

Você jogou com alguns craques do Crato. Que vieram do Crato para jogar no Piauí.

- Do Crato era o Anduiá que era um cara muito bom. Teve o Mormaço, Cabo Dulce, o Índio, Cabeção e o Antonio Quim.

Esse pessoal todo veio do Crato?

- Veio tudo do Ceará. Sobral, Crato, ali, aquela região toda. Eram cobra naquela área ali.

Você me contou uma história que o Anduiá era o terror no jogo e você atrapalhou o Anduiá.

- A gente estava disputando o campeonato piauiense e o Anduiá era o tal, naquela época jogava bem, era novo também, jogava no Auto Esporte. E uma quarta feira jogou com o Comercial, que era da minha terra também, o Comercial perdeu por 2 a 1. E na outra quarta feira quem ia jogar era o Caiçara. E estava o terror. O Anduiá fez o terror na defesa do Comercial e aí o pessoal ficou comentando aquela partida e que a gente ia pegar uma goleada. Que eu não ia agüentar... Eu jogava de central mas não sabiam eles que estava em forma, eu era militar naquela época, estava bem de perna. Nosso time partiu para cima do Auto Esporte e jogamos firme. Eu não me recordo muito bem se nós ganhamos a partida por 1 a zero ou se foi zero a zero. Mas a partida foi dura. Eu não dei espaço para Anduiá foi beiço a beiço. Mas foi muito bom o jogo naquele dia e nosso time ganhou moral e fomos vice-campeão naquele ano.

E você conhecia Anduiá pessoalmente?

- Conhecia! Era meu amigo. Inclusive ele deu uma entrevista numa cadeia de rádio que era a Pioneira e falou que do Caiçara um dos jogadores que ele mais temia lá era exatamente eu, que era o Napoleão que era um cara novo e estava sempre colado e batia mesmo legal...E assim fomos amigos, ele foi para o Caiçara, jogamos juntos.

Qual foi a última vez que você viu o Anduiá?

- A última vez que eu vi Anduiá foi em 68, foi quando eu vim para o Rio. Aí de lá nunca mais eu vi o Anduiá. Eu passei dez anos sem ir para a minha terra e depois passei a ir todos os anos. Agora recente eu estive em Campo Maior, por sinal o futebol está muito fraco, a gente quase não ver mais falar em futebol. Não tive oportunidade de ver os colegas, porque muitos deles já faleceram. E meu cunhado que era um cara muito legal, que era o Ditoso, também faleceu. Eu me ausentei por dez anos e agora voltei. Fiz uma roda de amigos na recente viagem. Embora pouco tempo, eu passei apenas dois dias. Foi muito bom. Muito agradável. Aí nós trocamos idéias. Eu perguntei por todos os amigos. O Luiz Gudu que era um dos dirigentes do Caiçara, sabia da vida de todo mundo e foi me falando da vida de todos eles, os que morreram, os que estavam doente, os que foram embora. Por sinal o cabo Dulce já morreu. E aí as conversas foram em torno dos grande jogos de antigamente. Quando jogava Comercial e Caiçara a rivalidade era terrível e nós ganhamos uma taça da cidade que foi o bicentenária de Campo Maior e nós ganhamos em cima do Comercial, parece que foi 2 a 0 e foi um jogaço. E daí o Caiçara cresceu e ficou conhecido no nordeste como o Leão do Norte.

Normalmente a gente pensa que só gosta da vida se você for o melhor. Mas como para ser o melhor você tinha que estar no Vasco, no Flamengo, no Santos, você nunca poderia ser um personagem nacional, mas você foi um personagem da sua cidade.

- Da minha terra. Todo mundo me conhece.

Como personagem da sua cidade você se dar por satisfeito, por vitorioso?

- Tranquilo. Eu servi a minha terra. Minha pátria.

E isso é tudo?

- Isso é tudo. É a terra dos carnaubais. É minha cidade. Eu amo ela. (e chora .....)

E fica até emocionado quando lembra deste amor e deste carinho que a cidade lhe deu não é?

- É. Realmente é!

Bisaflor conta histórias...

A MOÇA E A SERPENTE


Era uma vez uma moça que queria escolher seu próprio noivo apesar de ser costume na aldeia, que o pai escolhesse o futuro marido para as filhas.

Certa ocasião estava ela conversando com as amigas na sombra de uma árvore, onde, bem quietinha e curiosa, enroscada nos galhos mais altos, uma serpente escutava a tagarelice das moças. Pois não é que a serpente gostou de ouvir a moça dizer que iria escolher seu próprio noivo? Tratou logo de ir para casa trocar de roupa, escondeu o rabo bem escondidinho e se transformou num belo rapaz, por quem a moça ficou caída de amores.

A paixão da moça foi tanta que logo aceitou o pedido de casamento. Depois chamou o pai e apresentou o rapaz:

- Este moço bonito e forte é meu noivo, vou me casar com ele -, falou assim para o pai, que, embora tenha estranhado a atitude desrespeitosa da filha para com os costumes da aldeia, concordou com o casamento.

Depois de casada, a moça foi morar na casa da serpente, em um lugar muito distante da aldeia. A casa era muito suja e desorganizada; todo dia a moça limpava, arrumava e vinha a serpente e bagunçava tudo.

Ela sentia saudades da família e da vida na aldeia, mas a serpente não permitia que saísse de casa, mantendo-a sob a vigilância constante de três animais: um cão, um gato e um galo. Também se alguma pessoa se aproximasse da casa, os animais tratavam de avisar a serpente: o cão ladrava, o gato miava e o galo cacarejava, tudo ao mesmo tempo. 

Na aldeia, a família estava preocupada com o isolamento da moça. Ela tinha quatro irmãos, que exerciam atividades diferentes: um era adivinho, outro caçador, já o terceiro era marceneiro e o quarto irmão era um ladrão. Pois bem, o irmão adivinho teve um sonho que lhe revelou a situação real da moça. Chamou o pai e os irmãos e falou do sonho que lhe permitiu constatar que a irmã tinha sido enganada pela serpente, estava sofrendo muito e que eles precisavam libertá-la.

O pai ordenou aos filhos que pegassem uma canoa e remassem rio acima procurando a moça. Foi o irmão adivinho quem indicou o caminho até o covil da serpente; o irmão ladrão, que havia roubado carne, peixe e milho, jogou a comida para distrair a vigilância dos bichos, o que facilitou a saída da moça, que foi conduzida pelos irmãos até o local onde haviam escondido a canoa.  

Acontece que a serpente já tinha percebido a presença dos invasores e destruiu o transporte deles. Porém, o irmão marceneiro, rapidamente, construiu nova canoa com os pedaços que sobraram. Todos embarcaram e remaram, rio abaixo, perseguidos pela serpente que nadava provocando grandes ondas nas águas, prejudicando a fuga dos irmãos. 

A serpente enfurecida continuava a persegui-los, e, devido à sua fúria, apareceram-lhe mais sete cabeças, dificultando a mira do irmão caçador, que não sabia em qual cabeça atirar a lança. Pediu ajuda ao irmão adivinho que lhe indicou o ponto exato que deveria apontar para matar a serpente. E apesar dos solavancos da canoa, ele conseguiu atingir a verdadeira cabeça e a serpente tombou, afundando nas águas escuras e profundas do rio, agora serenadas.

Os irmãos respiraram aliviados, conduziram a irmã para a casa do pai na aldeia, que os recebeu com grande alegria.

Stela Siebra de Brito

O lado simples da vida - Por José de Arimatéa dos Santos

Hoje as informações vêm como uma avalanche. É tanta notícia e a todo momento que não dá tempo de digeri-las como se deve. Não dá tempo. Só é possível escolher algumas e fazer a análise superficial. É incrível como o dia passa rápido com tanto compromisso e tanto acontecimento.
Isso se reflete até nas relações pessoais. Esses dias um aluno me fez uma pergunta e queria por que queria uma resposta de bate pronto. E eu tentando esmiuçar o tema e ele a querer o principal. Hoje parece que a maioria não se interessa pela introdução, meio e conclusão. É uma ansiedade sem tamanho ou sangria desatada. Tudo rápido e na hora.

Foto: José de Arimatéa dos Santos


Com esse exemplo podemos ver e analisar o quanta anda a nossa pressa. Isso não é bom por que deixamos de viver o simples e o lado bom da vida.
É importante parar um pouco e escutar o canto dos pássaros livres e alegres a cantar em cima de uma árvore. Acredito até que nós seres humanos estamos a perder a sensibilidade para esses acontecimentos tão simples, mas tão preponderantes na vida de qualquer um de nós. Isso é perigoso e é necessário nunca perdermos o gesto tão nobre de não aceitar em hipótese nenhuma a violência e a corrupção que tira o pão da boca de muita gente ou deixa muito brasileiro sem atendimento devido nos hospitais públicos.
Mais importante do que tudo é viver bem com os nossos amigos e parentes e de uma forma que tudo seja alegria e momentos de engrandecimento, congraçamento e de amizade. Tendo sempre em mente a solidariedade e a luta por justiça para todos. Assim é que deve ser a vida.

Nota!

Estou numa cidade do interior, e sem internet.
Volto amanhã!

Feliz em constatatar a qualidade efetiva do coletivo!
Sou fá desse time de colaboradores.

Abraços!

"Cerejeiras em Flor" - José Nilton Mariano Saraiva

Prenhe de emoções, fotografia belíssima, mas com uma narrativa que exige permanente atenção (já que um tanto quanto arrastada e sonolenta), “Cerejeiras em Flor” não é, definitivamente, um filme que empolgue ou se direcione aos mais jovens; longe disso, adapta-se e parece ter sido produzido, sim, visando à velha-guarda, à turma passada na “casca-do-alho”, aos românticos de plantão, aos sessentões da vida.
No princípio, a primeira e impactante bordoada: a modorrenta rotina de um casal de americanos (classe média), já maduros, filhos dispersos no mundo, é quebrada com o recebimento por parte da mulher (Trudi), do duro e apavorante diagnóstico médico sobre um recente “mal-estar” do marido (Rudi): doença incurável, poucos meses de vida.
Sua opção, então, é poupá-lo daquela trapaça do destino, blindá-lo até o limite do possível e aproveitar ao máximo o tempo restante junto ao velho companheiro de guerra, sem que, evidentemente, ele desconfie de nada.
Como conhecer as “cerejeiras em flor” e visitar o “monte Fuji” (no Japão) sempre fora o sonho da sofrida Trudi, a sugestão ao marido de empreender aquela tão esperada (e adiada) viagem para visitar os filhos em Berlim/Alemanha e, principalmente, Tókio/Japão é feita; e, embora recebida sem muita empolgação pelo sistemático e monossilábico Rudi, é levada adiante; e aí, já na primeira parada, na Alemanha, começam a se descortinar desagradáveis e amazônicas diferenças entre pais-filhos: para surpresa de ambos, a filha Karolin revela-se uma lésbica assumida (a ponto de beijar na boca a namorada, na frente dos pais, visivelmente constrangidos), enquanto o filho Klaus, a mulher e os dois netos não se mostram nem um pouco dispostos a acompanhá-los pela cidade. O clima pesado é latente.
Num passeio a dois, nos arredores de Berlim, um fatal, desagradável e imprevisto golpe: durante a estadia e pernoite numa simplória pousada, a sempre disposta e saudável Trudi não acorda pela manhã e jaz inerte sobre a cama: morte súbita, na madrugada.
Após a cremação do corpo, o caçula Karl (solteiro), que viera às pressas de Tókio para a cerimônia, a contragosto leva o pai para o Japão; executivo por demais ocupado, também não tem tempo pra dedicar ao “velho”; e aí, sozinho, vagando sem eira e nem beira, lenço ou documento, pelas ruas da cidade, Rudi se depara com uma jovem dançarina de butô (de nome Yu), ainda adolescente e (descobre mais tarde) órfã e moradora de rua. Aprende muito com ela.
E é através de Yu que Rudi resolve “MOSTRAR” à sua querida Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji; para tanto, no momento propício, por baixo das próprias roupas passa a usar as roupas da mulher e, quando do “desabrochar das cerejeiras em flor”, ele simplesmente se despe das suas vestes e carinhosamente se porta como se fora a própria, dedicando-lhe aquele momento mágico.
Já o segundo ato da homenagem à Trudi revela-se um tanto quanto mais difícil: hospedado (por vários dias) ao sopé do “tímido” (sempre escondido) monte Fuji, todas as manhãs ao abrir a janela do quarto se depara com o mau tempo a encobrir a montanha; já desapontado e prestes a partir, faz uma última tentativa e, então, depara-se com aquela visão estonteante, soberba, magnífica: à sua frente (ou literalmente aos seus pés) o monte Fuji revela-se por completo, coberto de neve, com toda a sua indescritível beleza e pujança; sai às carreiras, aproxima-se o mais que pode e, livrando-se das vestes masculinas “transmuta-se em Trudi”, dedicando-lhe aquele momento sublime. Sozinho, ensaia passos de uma dança que dançara com a mulher lá na pousada, na noite anterior à sua morte e, como já cumprira com o seu dever – “MOSTRAR” a Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji (que ela tanto queira conhecer) - não resiste a tamanha emoção e tomba morto.
Grande filme.