por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
PENSAR PENSO - por U1i5535
NÃO É MEU
O MEU SOFRIMENTO
MEU SOFRIMENTO
É O SOFRIMENTO
C O M PARTILHADO
POR TODA
A HUMANIDADE
Ulisses Germano
SOBRE O RESPEITO
Coisa muito boa é
Eu respeito quem respeita
Home, menino e muié
Quem respeita a natureza
Me agrada com certeza
Sendo incréu ou tendo fé
João Nicodemos
Para ti - por Socorro Moreira
Saudade - por Socorro Moreira
Botei o pé na estrada e
entreguei-me ao destino.
Pensamentos em linhas cruzadas
movimento contínuo.
No conforto do silêncio,
letras sem compromissos.
Compro créditos,
e aguardo um som amigo.
Uma viagem não tem tamanho
É sempre feto
A volta é parto
Dói no coração
sonhos compridos
Dói na lembrança
encontros cumpridos.
Versos incautos - por Socorro Moreira
OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLAS! (Padre Fábio de Melo)
Zé pretinho - Por Norma Hauer
Candeia
Antônio Candeia Filho. mais conhecido como Candeia (Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1935 — Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1978), foi um importante sambista, cantor e compositor brasileiro.
Tirem o síndico da jogada, chamem a Assembléia - José do Vale Pinheiro Feitosa
Daqui a um ano já saberemos quem serão os novos prefeitos das cidades brasileiras. Por isso mesmo as reuniões políticas e as ações práticas para formar alianças estão a todo vento. E aí começamos a ter alguns problemas típicos das representações.
Numa democracia mais direta, por exemplo, no Crato, esta fase ao invés das reuniões de cúpula poderia estar acontecendo em conferências (assembléias) populares em todos os bairros e distritos para montar um programa mínimo para os próximos quatro anos, além de analisar as alianças partidárias mais competentes para executar tais programas. Por exemplo, a situação do Rio Batateira.
Ao longo da sua calha se desenvolveu o uso intensivo de suas águas além de bairros imensos terem se criado sem condições alguma de saneamento. Uma política de saneamento para os bairros à suas margens, além do reflorestamento da sua calha e nascentes e o uso ordenado de suas águas é uma política complexa que depende de alianças populares e de partidos políticos.
Falamos de partidos políticos verdadeiros, mas não desta prática em que os pretensiosos apenas migram de uma sigla para outra numa falta completa de um programa partidário mínimo. As conferências populares seriam além do mais uma forma de fortalecer os partidos em suas contribuições específicas como o caso do partido verde, tomando-o como exemplo emblemático.
Se o partido verde se resumir a reunir-se com os pré-candidatos para formar suas alianças eleitorais, seguramente a gestão vindoura será a repetição do mesmo. Acontece que a cada dia e a cada ano a situação muda e os problemas na cidade se acumulam. A cada minuto mais o sentimento popular se dissocia dos partidos e da administração pública. Isso favorece a elite arcaica de sempre, mas também cria um passivo de atraso institucional, um déficit de meios e recursos municipais que revolta o povo e fica esta sensação de que nada melhora.
É nítido que o Crato sofre uma esvaziamento político que faz parte deste conservadorismo familiar que mais interesse tem nos próprios interesses do que no chamado interesse público. Ao invés de resolver as contradições, as enormes deficiências e atrair investimentos para a cidade: vivem num apressado correr entre as capitais e a cidade num estado de espírito em que a reunião de gabinete com pires na mão e o bom apetite de um restaurante da moda é mais importante do que a escola do bairro ou a calha do Rio Batateira.
Agora resta a questão principal. Quem organizará e formatará as conferências populares para tratar das questões dos bairros e dos distritos? Quem terá esta força desvinculada das famílias tradicionais e dos grupos políticos em luta? Quem poderá enxergar um palmo além do que Maurício Tavares disse ontem no Cariricult que “todas as províncias são iguais”?
Os grupos religiosos locais poderiam teoricamente, mas os neo-pentecostais se preocupam apenas com o sucesso do indivíduo e os católicos parecem acamados num “romanismo” meramente ritualístico e obediente. As universidades parecem fechadas em salas de aula. Os artistas vivem as angústias dos projetos para apresentarem e os minguados recursos para conquistarem. Os partidos se tornaram cartórios eleitorais através dos quais se aliam à elite e aos governos vigentes.
Ao lado disso o país vive um “estratégico” de desenvolver-se perigosamente federalizado e muito pouco municipalizado como esperávamos que acontecesse. Vejam que nossos comentaristas nunca discutem a miséria da política municipal, divagam nas questões federais. Aliás, o Maurício Tavares deixa isso muito claro: o medo que as pessoas têm da vingança do poder local. O poder emanado do povo através do ato simbólico do voto é corrupto até o ponto de nem permitir qualquer tipo de oposição a ele.
Mas levantar uma bola e não arremetê-la é um problema. Aí tento o que me vem no momento, já sabedor que as pessoas que vivem na cidade devem ter muito mais idéias para tal problema. A universidade pode refletir isso através de análises locais, os sindicatos podem ir além de sua agenda salarial, algumas organizações religiosas têm quadros, eu mesmo conheço uma grande feira que lidera uma das mais importantes organizações do Cariri, que podem fazer a diferença. Temos eleições à frente que tal uma iniciativa de conversas fora das velhas alianças eleitorais? Que tal levar os cidadãos a discutir o próprio futuro antes de apertar a tecla do voto?
Quilômetros de engarrafamento - Emerson Monteiro

Início do feriadão da República e noticiários indicavam até 245 km de engarrafamentos na saída de São Paulo ao litoral, com televisões mostrando filas imensas de veículos de faróis acesos às margens do Rio Tietê. Lembrei quando vivi em Salvador, ainda na década de 70 do século anterior, e do tempo que gastava, nos finais de semana, à espera de embarcar no ferry-boat a caminho da Ilha de Itaparica, onde curtíamos horas de lazer à beira mar.
Todos, neste mundo, buscamos a salvação da alma, conceito religioso que admite existência além do tempo deste chão... Chegaremos, um dia, à santidade, na chance da perfeição absoluta de superar o limite das experiências materiais.
E ao observar o sofrimento comum a todo vivente, calculamos a perspectiva das oportunidades para crescer interiormente em face dos testes agora recebidos.
Essa prova mesma dos engarrafamentos das grandes cidades, hoje em dia, quer representar das experiências severas a que o espírito se submete, porquanto horas e horas dentro de automóveis feitos gaiolas de luxo, aguardado deslocamento milimétrico, e depois retornar sob iguais condições, não deixa de comprimir a paciência da alma ao extremo, lição importante de constrangimento e realidade, no apuro das naturezas dos indivíduos.
Habitantes de metrópoles, eles sofrem miséria no sentido de sobreviver às oportunidades restritas, nessa escola aberta dos aglomerados e moradias reduzidas; nas arbitrariedades artificiais do sistema rígido das calçadas de ferro e cimento; em fábricas desumanas, mecânicas, automáticas; no atrito entre as pessoas; nos transportes abarrotados; na solidão das multidões indiferentes; nos descansos esfumaçados e tristes das janelas escuras; universo melancólico de jornadas industriais que parecem nunca revelar finais possíveis.
Santos em potencial são todos, contudo há os que adiantam o carro mediante respostas sábias à gravidade dos bloqueios e traumas das histórias grupais, sem um jeito melhor quase hora nenhuma. E lembrar, ainda, o quanto padecem das ingratidões de semelhantes que explodem desencantados, no decorrer do processo coletivo de evoluir, nas manadas reunidas e saraus barulhentos das noites aflitas.
Tudo isso lembra, pois, o tanto necessário aos dias felizes, no itinerário do drama que guarda em si as sempiternas esperanças dos dias quando, suaves, as ruas do destino ofereçam instantes de deslocamentos harmoniosos e justos.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
As marcas famosas começaram a ser atacadas? José do Vale Pinheiro Feitosa
Quando a crítica ao capitalismo se apresenta logo baixa uma névoa espiritual, contaminada por preconceitos e usuras de todos os tipos, inclusive os talheres em que as pessoas comem que seriam “desprivatizados” em nome do coletivo. Esta névoa tem por objeto não deixar que os problemas sejam visualizados em toda a sua extensão.
Uma das “estratégias” de acumulação, além da mais valia sobre o trabalho, aconteceu quando algumas oportunidades de acumulação se esgotaram e era necessário acentuar o fetiche da mercadoria. Foram as marcas que deram a solução. Você compra a mesma bolsa num camelô e numa loja de grife e o valor são disparatados.
A marca é a nova forma de acumulação assim como a propriedade intelectual (copyright) já vinha se consolidando até se tornar um “protetorado” da Organização Mundial do Comércio. As marcas são puro fetiche, é algo inexplicável, irracional mesmo: expressam uma “qualidade” imponderável.
Pois não é que este símbolo será pela primeira vez atingido. O capitalismo é mesmo uma cultura de acumular contradições. O caso é o cigarro e suas marcas que vendem pelo apelo do marketing que criou o feitiço que lhe faz preferir esta ou aquela marca diante de imagens, símbolos e sugestões em filmetes, cartazes e merchandising na expressão cultural.
Acontece que o hábito de fumar cigarro não é uma questão individual, é uma questão coletiva que implica nas despesas públicas. Que encurta vidas e deixam crônicos que necessitam tratamentos caríssimos. As marcas de cigarros lucram bilhões com as imagens de consumo que criaram e a sociedade paga as conseqüências para a saúde pública.
Não tinha graça mesmo. É qualificar definitivamente uma suposta burrice da humanidade. O que aconteceu? A Austrália está aprovando uma lei que proibirá a exposição de marcas de cigarros nos maços que agora teriam imagens ampliadas dos problemas de saúde pública, letras graúdas de advertência e as marcas no mesmo padrão para todas elas e apenas em corpo pequeno.
Esta é a primeira experiência de um ataque ao fim das marcas. Eis uma inesperada notícia no já combalido mundo da acumulação que agora vive às turras com populações inteiras por enormes problemas nos sistemas financeiros, especialmente dos EUA e Europa.
A Palavra de Ordem é:
superar as agruras da tristeza,
intensificar instantes com euforia,
abraçar e sorrir na incerteza.
Sustentar a vida na adversidade,
erguer pontes de sabedoria,
oferecer ao agora, qualidade,
vencer batalhas com cantoria.
15 de Novembro- Feriado Nacional
"É de manhã"
É só um retiro ativo!
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Estudantes têm aulas de artes nas ruas do Crato
Uma proposta bem diferente e divertida vem sendo desenvolvida na cidade do Crato com intuito de fazer com os alunos estudem, vivenciem e criem trabalhos a partir da arte contemporânea. O trabalho é desenvolvido com alunos do ensino médio do Colégio Estadual Wilson Gonçalves e do EEFM Teodorico Teles de Quental e é chamado de Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte Contemporânea – LEVE Arte Contemporânea.
Com câmeras fotográficas, celulares e idéias, os estudantes vêm ocupando as ruas da cidade do Crato com intervenções e performances artísticas. Os alunos já produziram dois vídeos que estão disponibilizados na internet. Um dos trabalhos foi realizado no Calçadão da cidade, no qual foi feita uma performance em que o cabelo e a barba de um integrantes foram raspada e teve o seu corpo preenchido com palavras e jornais. Já no segundo trabalho, quatro estudantes foram embrulhados com jornais na rua Dr. João Pessoa. Os estudantes pretendem realizar uma performance e a intervenção ainda essa, o que resultará em mais dois vídeos.
De acordo com o idealizador do Laboratório, o artista/educador Alexandre Lucas, a proposta é baseada numa compreensão pedagógica do estudo relacionada a vivencia e pratica, a partir de elementos do cotidiano dos alunos. Ele destaca que o mais significativo são as produções dos vídeos que servirão como instrumento para pensar as praticas pedagógicas sobre o ensino de Artes.
Para aluna do Ensino do Médio da Escola Teodorico Teles de Quental, Clarissa Mota da Silva, o Laboratório dá a oportunidade de perceber visões diferentes. “Foi uma superação mim. Eu não me via capaz de também fazer arte”, diz a aluna.
Tainá Araújo, estudante do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, destaca que adora fazer coisas diferentes e cita que através da arte contemporânea está conseguindo fazer isso. Ela frisa que antes das atividades serem realizadas na ruas são feitos estudos e planejamentos.
Maria Reijane Ferreira da Silva, também do Colégio Wilson Gonçalves cita que o Laboratório ajuda na desinibição e em é possível maneiras de se expressar, através da arte.
Os trabalhos que são realizados nas ruas são abertos a participação do público e artistas.
O Laboratório conta com a parceria do Coletivo Camaradas e do 18ª Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação -CREDE.
Serviço:
Caso queira participar das atividades de intervenções e performances realizadas pelo Coletivo Camaradas e o LEVE Arte Contemporânea entrar em contato: (88)92604870/88260008.
Algodão doce - por Socorro Moreira
Nick Bar
por Jorge Mello em 16 de agosto de 2007
Publicado em Cancioneiro de Garoto
Piano Bar - Alberto Sughi
Detalhe de “Piano Bar”, gravura do artista plástico italiano Alberto Sughi.
Num bar da notívaga São Paulo da década de 50, um conjunto formado por bandolim, piano, contrabaixo e bateria toca um animado choro instrumental. Chega então um freguês, que é prontamente atendido pelo garçom:
– Boa noite!
– Boa noite.
– Ué, sozinho hoje?
– Estou… Queria aquela mesa, perto do piano.
– Pois não!
Repentinamente o bandolim pára o choro e o freguês pede firme:
– Maestro!
Surge então a voz aveludada de Dick Farney, entoando a letra de um samba-canção de sofisticada – porém envolvente – harmonia:
Foi neste bar pequenino
Onde encontrei meu amor
Noites e noites sozinho
vivo curtindo uma dor
Todas as juras sentidas
Que um coração já guardou
Hoje são coisas perdidas
Que o eco ouviu e calou
Você partiu e me deixou
Não sei viver sem teu olhar
O que sonhei só me lembrou
Nossos encontros no Nick Bar
Assim é o primeiro registro sonoro de Nick Bar, composição de Garoto e José Vasconcelos – este último, aliás, responsável pelo “diálogo” garçom-freguês acima (para ouvi-lo, vá até o player localizado no rodapé deste artigo).
Nesta gravação, Dick Farney possui a companhia musical de Radamés Gnattali (piano), Garoto (violão e bandolim, tocado no início), Pedro Vidal (contrabaixo) e Trinca (bateria). O disco, um RPM 78 rotações da Continental de número 16479, foi gravado em 23 de agosto de 1951 e lançado dois meses depois – existem duas outras gravações dela feitas pelo próprio Dick em dois outros discos de sua autoria.
O paulistano e noturno “Nick Bar”
Bairro do Bixiga à noite, em São Paulo - fonte da imagem: http://flickr.com/photos/slgiusti/217836390/A boemia paulistana no início da década de 50 tinha como emblemático ponto de encontro um bar localizado no tradicional bairro do Bixiga, no número 315 da rua Major Diogo, ao lado do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), servindo como um refúgio informal e charmoso para músicos, atores, escritores, artistas, socialites e boêmios da época.
Seu dono, o americano Joe Kantor, conhecido boêmio na cidade daqueles tempos, batizou-o de Nick Bar em referência à montagem “Nick Bar… Álcool, Brinquedos e Ambições”, título em português dado à peça de três atos “The Time of Your Life” (1939), do escritor e dramaturgo norte-americano William Saroyan , dirigida pelo italiano Adolfo Celi. Esta, por sinal, fora a primeira encenação profissional do TBC, inaugurado havia pouco tempo, em 1949.
O escritor e cineasta paulistano Marcos Rey em sua crônica intitulada “Bares da saudade” sintetiza de forma sucinta a magia e o glamour que envolvia e atraía seus freqüentadores:
“(…) Era o reduto da sofisticada geração que se dizia existencialista, discutia Sartre e se recusava a apertar a mão dos adeptos da música caipira. Os artistas de sucesso e jovens intelectuais diziam presente todas as noites. Os cronistas sociais passavam por lá. Estar no Nick podia ser notícia. Com um pouco de sorte sentava-se na mesa ao lado de Tônia Carrero, Maria Della Costa e Cacilda Becker. Vizinhos da fama. O tom da geração, o estar na moda, ser up to date, era ali, no Nick, onde muita gente tomou uísque pela primeira vez, curtiu a dor-de-cotovelo inaugural e aprendeu que era feio dormir cedo. Devia ser tombado e seus fregueses transformados em figuras de um alegre museu de cera. (…)”
A lembrança desse clima de boemia e musicalidade que rondava o bar se tornou lenda, perdurando na memória dos que intensamente vivenciaram aqueles momentos.
Letra e música nascendo juntas
Exterior - Por Wally Salomão
Por que a poesia tem que se confinar?
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
da greta
da gruta
e se espraiar além da grade
do sol nascido quadrado?
Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
– carpe diem! –
fora da zona da página?
Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?
Anti-erótico - Por Socorro Moreira
O olor de lavanda
nos lençóis e travesseiros
Uma brisa casual nos cabelos
Um cheirinho de baunilha saindo do forno
Já não sinto tuas mãos no meu corpo
Tua energia escapuliu no esquecimento.
Meu ponto G agora é ponto final
Espalhado e preenchido
Num espaço total.
Nada erótico...
Teu perfume de capim
Roupão de banho
Absorvendo a água que saiu de mim
Nada erótico
O apelo do pensamento
por um beijo que o vento
roubou e levou de mim.
ti voglio tanto bene - Ernesto de Curtis- Colaboração de José do Vale Feitosa
Liberdade - Por Rosa Guerrera
Hoje eu vou rotular de liberdade o meu dia...
Rasgar todos os compromissos
E sem identidade na bolsa
Vou voar deitada numa folha imaginária!
Hoje eu quero ficar de bem com a vida!
Parar de questionar coisas que nunca entendi.
Deixar a velha mania de sofrer com as falhas humanas
E esquecer de chorar maldades e calúnias recebidas.
Hoje, vestida nessa liberdade
Eu vou “zoar” das trapaças do mundo
Cantando uma seleção de músicas “bregas”
Completamente absorta às opiniões alheias.
Hoje eu estou de bem com a vida
E todos os semáforos estão me sinalizando
a estrada verde esperança !
E que ninguém tente interromper
essa liberdade de ser eu mesma!
Hoje eu entendi que perdi muito tempo
E que toda primavera veleja rápido
pelos mares do destino...
Hoje, eu tirei férias de mim mesma...
E decidi de uma vez por todas
Que nunca mais brigarei
De novo com a Vida!
rosa guerrera
Silente- - Por Socorro Moreira
Lua metade
Selene obscura
Poema luz em completude
Luar em respingos
Réstias interiores
Piscares, picadas,
Quase involuntárias.
Vejo a calçada sem ciranda de roda
Combinações saíram de moda
Viola nos ombros errantes
Catam boêmios
De ouvidos etílicos
Que entregam a alma
Numa canção antiga
Tempos reais
Tempos carentes e vazios.
Falta o frescor dos meus sonhos
Não compro o imaginário
Faço contas na ponta do lápis
Analiso as margens...
Com elas vivo a loucura do que posso.
Almas distantes
Desalinham as paralelas
Momento eterno é terra !
Um texto de Adélia Prado - Colaboração de Altina Siebra
Por Edmar Lima Cordeiro
RECADO
Quero sentir tuas emoções
Vibrar teu ser apaixonadamente
Amar-te inteira
Conhecer tua cabeça
Teus sentimentos
Preparar um instante
Que a paixão encante
Nascer daí um ser translúcido
Sem trauma
Amante do amor lascivo e quente
Envolver na calma deste instante
A paz suave dos amantes
Nada é impossível
Se as paralelas no horizonte encontram-se
Um dia espero tuas emoções sentir.
Edcor
Quinto dia de apresentações da Mostra SESC traz grandes surpresas para o público
O RETIRO DE SOCORRO MOREIRA - José do Vale Pinheiro Feitosa
Somos todos portugueses? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Entretanto, convém lembrar que os portugueses detêm a maior e melhor tecnologia em Engenharia Civil do mundo, sendo inigualáveis no domínio das Mecânicas dos Solos e das Rochas. É da responsabilidade dos engenheiros portugueses do Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa o projeto e construção das grandes barragens norte americanas.
Será que falamos a mesma língua? De nada adianta os governantes dos países de língua portuguesa desejarem unificar o idioma. Nós brasileiros, jamais passaremos a chamar o concreto armado de betão e time de futebol de "equipa".
É bom lembrar que nós temos nossos vícios de linguagens que atropelam qualquer estrutura do idioma de Camões. Além, é claro, de desafiar a lógica. Um amigo, foi conhecer Portugal. Lá chegando alugou um carro e saiu pelo interior do país, pouco maior que o nosso Ceará. Com o mapa rodoviário à bordo, e admirado com a perfeição de suas estradas, esse amigo desejava conhecer um cidadezinha lá existente de nome Almeida, de onde vieram seus bisavós. Ao chegar a uma pequena vila, onde a estrada se bifurcava, resolveu perguntar a um velhinho que se aquecia ao sol da manhã:
- "Onde é que fica Almeida?" - Quis saber. E o velhinho, com muita simplicidade, respondeu:
- "Primeiramente deseje-me um bom-dia!"
- "Ah, desculpe-me, bom-dia!"
- "Muito bem, agora podes perguntar!" - Ordenou o português:
- "Onde é que fica Almeida?"
- "Ora que pergunta mais tola: Almeida fica em Almeida, pois!"
De outra feita, outro brasileiro, viajando pela Europa, alugou um carro em Lisboa para ir até Madri. Na saída da cidade, perguntou a um frentista de um posto de gasolina:
- "Esta estrada aqui vai para Madri?" - Quis saber, se expressando no nosso dialeto.
- "Pelo visto, quem estar a viajar para Madri és tu, pois essa estrada é nossa e se ela for para lá irá nos fazer muita falta, pois só temos ela!" - Zombou o bombeiro lusitano.
Afinal, os portugueses também sabem nos dar um merecido troco! No meu primeiro ano na Escola Politécnica da Bahia, apareceu por lá um colega português, o Braguinha, cuja família acabara de se mudar para o Brasil. De tanto a turma lhe encher as medidas, ele nos contou essa, com carregado sotaque:
Um português, recém chegado ao Brasil quis entrar num clube onde se realizava animado baile de carnaval. Na entrada, foi barrado pelo porteiro que alegava a festa ser exclusivamente para brasileiros. Insistiu uma segunda vez, uma terceira, até que viu um jumentinho a pastar junto ao meio fio da calçada. Arrastou-o até a portaria do clube, onde já se encontrava o presidente para impedir a entrada do português:
- Você já foi informado várias vezes que somente entra aqui os brasileiros! - E o português, empurrando o jumento para o interior do clube, gritou:
- Então vás tu, que és brasileiro!
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
domingo, 13 de novembro de 2011
Napoleão um colega de Anduiá no Piaui - José do Vale Pinheiro Feitosa
O sucesso se tornou algo totalizador. É irmão do mérito e sua estrutura de privilégios. Funciona como gerador de dinheiro e, portanto, como um negócio bem vendido. Então ele é: totalitário, meritocrata e financeiro.
A tendência das três coisas é a exclusão e a concentração. Não importa o que e nem quem, tudo sempre tenderá para uma seleção redutora da realidade existente no mundo. Isso quer dizer que o sucesso é apenas a exclusão e a escolha, nunca o espelho da realidade. O sucesso não é uma medida da humanidade, é apenas o formato da junção: total, mérito e grana.
Quando dizemos que Pelé é o melhor jogador do mundo, apenas estamos repetindo a fórmula do sucesso. Não estamos representando a humanidade, quantos “Pelés” foram contemporâneos do sucesso e nunca apareceram e nem apareceriam mesmo que se esforçassem.
Mas esta introdução não é uma crítica ao sucesso apenas, é a idéia de que todos somos importantes na dimensão das nossas relações. Mesmo que não existam mídias para fazer a mediação entre nós e um número imenso de pessoas. O artista, o jogador, o cientista, a pessoa de bem e assim por diante não é importante pelo sucesso, mas pela onda que provoca no seu entorno.
Esta entrevista trata disto mesmo. De um marceneiro piauiense, de Campo Maior, que vive aqui no Rio há mais de 40 anos. Na sua juventude participou no campeonato piauiense e jogou com a nata do futebol estadual dos anos 60 entre eles uma grande aquisição do futebol piauiense o nosso querido do futebol cratense Anduiá.
Até hoje quando chega a Campo Maior, é capaz de fazer uma roda de conversa, mesmo que com a participação dos mais velhos, em volta dele. Existe algo mais gratificante do que isso? Esta é a verdadeira e intransferível e imortal qualidade da onda provocada a partir da expressão de uma pessoa. Enquanto esta onda é nossa, o sucesso não nos pertence, pertence à máquina que o vende.
Eu estou aqui com Napoleão Lopes de Araujo, nascido em 1943 na cidade de Campo Maior no Piauí. Aos 24 anos veio embora para o Rio de Janeiro, onde virou marceneiro e nunca mais se afastou do Rio, mas não perde a oportunidade de falar do seu Campo Maior, especialmente do grande sonho da vida dele que era ser jogador de futebol. Napoleão quais eram os principais times do Piauí em sua época?
- O River, Auto Esporte, Flamengo, Fluminense, Piauí e o Artístico que era um time de subúrbio, mas era muito agressivo e a gente às vezes tinha que entrar forte para vencer. Isso era na capital.
Nas cidades do interior quais eram os grandes times?
- Tinha o Parnaíba. Tinha o de Floriano. Picos e de Piripiri o 4 de junho. Campo Maior já era o Caiçara e o Comercial. O Caiçara era o time que eu jogava, era o time do coração. E onde a gente fazia as nossas partidas muito dura lá.
Estes times participavam do campeonato estadual?
- Participavam do campeonato piauiense e nós fomos vice-campeão em 1963 contra o River e a gente perdeu o jogo por falta de competência do juiz. Que foi um juiz que veio do Belém do Pará, que era o Sena Muniz e nos prejudicou muito.
Naquela época quais eram os Estados da vizinhança que eram as principais referências para um jogador de futebol que desejasse crescer no futebol.
- Ora Fortaleza! Fortaleza né? Em Fortaleza inclusive tinha um cara da minha terra que era o Honorato, um cara antigo e que depois por problemas de saúde voltou para Campo Maior e foi treinador do Caiçara. Tinha em São Luiz o Moto Clube e no Pará tinha o Paissandu que eram times fortes e às vezes a gente almejava jogar num time deste. Eu uma vez tive oportunidade de sair de Campo Maior e ir para São Paulo, mas meus pais não deixaram.
E você começou a jogar bola desde menino?
- Desde menino. Eu jogava no aspirante esquentando o sol de Teresina.
Você jogava em qual posição?
- Jogava de volante. Naquela época existia o volante que era o lateral direito. E depois por dificuldade na defesa eu voltei a jogar de central, onde fazia Cabo Dulce, Napoleão, Bia e Costa. Que era a zaga do Caiçara.
Você começou a jogar mais profissional com quantos anos?
- Com dezoito anos.
Como era formado o time da tua época?
- Era Coló, Walter, Bia, Cabo Dulce, Costa, aí eu entrava que era o lateral direito, a linha, jogava no meio de campo, Geraldo Pocuta, e Gerado Pocuta.... e quem mais meu deus? Eu não me lembro agora. A linha era Cabeção, Índio, Fumaça e Ditoso que era meu cunhado.
Você jogou no Caiçara quantos anos?
Desde garoto. Comecei minha trajetória jogando futebol foi no Caiçara. Até vir para o Rio. Aqui no Rio eu tinha vontade de jogar no Vasco. Meu cunhado, por sinal tinha um conhecimento com o treinador do Vasco, ele morava em Benfica, fica perto de São Januário. Ele inclusive andou me chamando para ir até lá, para me apresentar a ele, mas eu me dediquei mais à profissão eu tinha que sustentar minha família. Eu já estava com a idade de 24 anos e o futebol já não estava tão esperançoso. Mas eu estava em forma ainda. Estava bom.
Você jogou com alguns craques do Crato. Que vieram do Crato para jogar no Piauí.
- Do Crato era o Anduiá que era um cara muito bom. Teve o Mormaço, Cabo Dulce, o Índio, Cabeção e o Antonio Quim.
Esse pessoal todo veio do Crato?
- Veio tudo do Ceará. Sobral, Crato, ali, aquela região toda. Eram cobra naquela área ali.
Você me contou uma história que o Anduiá era o terror no jogo e você atrapalhou o Anduiá.
- A gente estava disputando o campeonato piauiense e o Anduiá era o tal, naquela época jogava bem, era novo também, jogava no Auto Esporte. E uma quarta feira jogou com o Comercial, que era da minha terra também, o Comercial perdeu por 2 a 1. E na outra quarta feira quem ia jogar era o Caiçara. E estava o terror. O Anduiá fez o terror na defesa do Comercial e aí o pessoal ficou comentando aquela partida e que a gente ia pegar uma goleada. Que eu não ia agüentar... Eu jogava de central mas não sabiam eles que estava em forma, eu era militar naquela época, estava bem de perna. Nosso time partiu para cima do Auto Esporte e jogamos firme. Eu não me recordo muito bem se nós ganhamos a partida por 1 a zero ou se foi zero a zero. Mas a partida foi dura. Eu não dei espaço para Anduiá foi beiço a beiço. Mas foi muito bom o jogo naquele dia e nosso time ganhou moral e fomos vice-campeão naquele ano.
E você conhecia Anduiá pessoalmente?
- Conhecia! Era meu amigo. Inclusive ele deu uma entrevista numa cadeia de rádio que era a Pioneira e falou que do Caiçara um dos jogadores que ele mais temia lá era exatamente eu, que era o Napoleão que era um cara novo e estava sempre colado e batia mesmo legal...E assim fomos amigos, ele foi para o Caiçara, jogamos juntos.
Qual foi a última vez que você viu o Anduiá?
- A última vez que eu vi Anduiá foi em 68, foi quando eu vim para o Rio. Aí de lá nunca mais eu vi o Anduiá. Eu passei dez anos sem ir para a minha terra e depois passei a ir todos os anos. Agora recente eu estive em Campo Maior, por sinal o futebol está muito fraco, a gente quase não ver mais falar em futebol. Não tive oportunidade de ver os colegas, porque muitos deles já faleceram. E meu cunhado que era um cara muito legal, que era o Ditoso, também faleceu. Eu me ausentei por dez anos e agora voltei. Fiz uma roda de amigos na recente viagem. Embora pouco tempo, eu passei apenas dois dias. Foi muito bom. Muito agradável. Aí nós trocamos idéias. Eu perguntei por todos os amigos. O Luiz Gudu que era um dos dirigentes do Caiçara, sabia da vida de todo mundo e foi me falando da vida de todos eles, os que morreram, os que estavam doente, os que foram embora. Por sinal o cabo Dulce já morreu. E aí as conversas foram em torno dos grande jogos de antigamente. Quando jogava Comercial e Caiçara a rivalidade era terrível e nós ganhamos uma taça da cidade que foi o bicentenária de Campo Maior e nós ganhamos em cima do Comercial, parece que foi 2 a 0 e foi um jogaço. E daí o Caiçara cresceu e ficou conhecido no nordeste como o Leão do Norte.
Normalmente a gente pensa que só gosta da vida se você for o melhor. Mas como para ser o melhor você tinha que estar no Vasco, no Flamengo, no Santos, você nunca poderia ser um personagem nacional, mas você foi um personagem da sua cidade.
- Da minha terra. Todo mundo me conhece.
Como personagem da sua cidade você se dar por satisfeito, por vitorioso?
- Tranquilo. Eu servi a minha terra. Minha pátria.
E isso é tudo?
- Isso é tudo. É a terra dos carnaubais. É minha cidade. Eu amo ela. (e chora .....)
E fica até emocionado quando lembra deste amor e deste carinho que a cidade lhe deu não é?
- É. Realmente é!
Bisaflor conta histórias...
Stela Siebra de Brito
O lado simples da vida - Por José de Arimatéa dos Santos
| Foto: José de Arimatéa dos Santos |
Nota!
Volto amanhã!
Feliz em constatatar a qualidade efetiva do coletivo!
Sou fá desse time de colaboradores.
Abraços!
"Cerejeiras em Flor" - José Nilton Mariano Saraiva
No princípio, a primeira e impactante bordoada: a modorrenta rotina de um casal de americanos (classe média), já maduros, filhos dispersos no mundo, é quebrada com o recebimento por parte da mulher (Trudi), do duro e apavorante diagnóstico médico sobre um recente “mal-estar” do marido (Rudi): doença incurável, poucos meses de vida.
Sua opção, então, é poupá-lo daquela trapaça do destino, blindá-lo até o limite do possível e aproveitar ao máximo o tempo restante junto ao velho companheiro de guerra, sem que, evidentemente, ele desconfie de nada.
Como conhecer as “cerejeiras em flor” e visitar o “monte Fuji” (no Japão) sempre fora o sonho da sofrida Trudi, a sugestão ao marido de empreender aquela tão esperada (e adiada) viagem para visitar os filhos em Berlim/Alemanha e, principalmente, Tókio/Japão é feita; e, embora recebida sem muita empolgação pelo sistemático e monossilábico Rudi, é levada adiante; e aí, já na primeira parada, na Alemanha, começam a se descortinar desagradáveis e amazônicas diferenças entre pais-filhos: para surpresa de ambos, a filha Karolin revela-se uma lésbica assumida (a ponto de beijar na boca a namorada, na frente dos pais, visivelmente constrangidos), enquanto o filho Klaus, a mulher e os dois netos não se mostram nem um pouco dispostos a acompanhá-los pela cidade. O clima pesado é latente.
Num passeio a dois, nos arredores de Berlim, um fatal, desagradável e imprevisto golpe: durante a estadia e pernoite numa simplória pousada, a sempre disposta e saudável Trudi não acorda pela manhã e jaz inerte sobre a cama: morte súbita, na madrugada.
Após a cremação do corpo, o caçula Karl (solteiro), que viera às pressas de Tókio para a cerimônia, a contragosto leva o pai para o Japão; executivo por demais ocupado, também não tem tempo pra dedicar ao “velho”; e aí, sozinho, vagando sem eira e nem beira, lenço ou documento, pelas ruas da cidade, Rudi se depara com uma jovem dançarina de butô (de nome Yu), ainda adolescente e (descobre mais tarde) órfã e moradora de rua. Aprende muito com ela.
E é através de Yu que Rudi resolve “MOSTRAR” à sua querida Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji; para tanto, no momento propício, por baixo das próprias roupas passa a usar as roupas da mulher e, quando do “desabrochar das cerejeiras em flor”, ele simplesmente se despe das suas vestes e carinhosamente se porta como se fora a própria, dedicando-lhe aquele momento mágico.
Já o segundo ato da homenagem à Trudi revela-se um tanto quanto mais difícil: hospedado (por vários dias) ao sopé do “tímido” (sempre escondido) monte Fuji, todas as manhãs ao abrir a janela do quarto se depara com o mau tempo a encobrir a montanha; já desapontado e prestes a partir, faz uma última tentativa e, então, depara-se com aquela visão estonteante, soberba, magnífica: à sua frente (ou literalmente aos seus pés) o monte Fuji revela-se por completo, coberto de neve, com toda a sua indescritível beleza e pujança; sai às carreiras, aproxima-se o mais que pode e, livrando-se das vestes masculinas “transmuta-se em Trudi”, dedicando-lhe aquele momento sublime. Sozinho, ensaia passos de uma dança que dançara com a mulher lá na pousada, na noite anterior à sua morte e, como já cumprira com o seu dever – “MOSTRAR” a Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji (que ela tanto queira conhecer) - não resiste a tamanha emoção e tomba morto.
Grande filme.




