por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 15 de novembro de 2011

"É de manhã"




São 5 h da manhã do dia 15 de novembro de 2011. Os passarinhos acordam a cidade , como se fossem a banda municipal, tocando a alvorada. Amo o amanhecer. É na madrugada que espero por ele. É na madrugada que cochilo ao esperá-lo. Gosto de despedir-me da lua e estrelas. A vida, com alegres e surpreendentes cheganças. De vez em quando um momento de ansiedade ou preocupação...; de vez em quando, uma pontinha de indignação, e uma consequente compreensão; de vez em quando uma saudade, lembrança, e um reflorir do amor. Acho que até a morte terei meus encantos, porque a vida e as pessoas me encantam!
Já dizia Nicodemos que as cidades são todas iguais. Uma dica de adaptação, uma nova proposta de construção. Olho a estrada, olho o céu, e sinto-me viva!
Acerto os ponteiros, entrego pra Deus o meu dia, e participo com alma e coração dos acontecimentos.
A Internet faz o meu dia, quando leio vocês. É através de vocês que interajo com o mundo, e todos os seus lugares.
Sou feliz, só de imaginar cada sorriso amigo.
A qualquer momento, pego a estrada e vou bater na minha própria porta: o Crato!

Nos meus "retiros" somo novas paisagens, rostos humanos, e sedimento todos os meus afetos perto ou distantes.

Abraços, queridos!


É só um retiro ativo!


A roda da fortuna faz um novo giro. É destino recomeçar numa nova cidade seja grande ou pequenina. Os informes sobre o funcionamento das mínimas coisas: igreja, bancos, farmácia, supermercado, faxineira, aluguel de casa.
As pessoas, na maioria, receptivas...
Tenho experiência de enfrentar o desconhecido.
Quem disse que usamos o livre arbítrio, ao longo da vida? Vivemos as nossas escolhas a partir daquilo que o destino dita.
De longe, sinto falta do Crato, dos amigos.
Saudades do pãozinho da P & C, de fazer umas comprinhas no São Luiz, de visitar João Marni e Fátima, Dona Almina, Caio, Abidoral, Zé Flávio e Fabiana, ...: tomar água de coco na esquina, e comprar ( ou não comprar) cigarros no seu Antonio.
Mas, cedo logo, a vida se estrutura, e a rotina se faz, em perfeita paz e organização.
Estou outra vez arrumando e desarrumando malas, mas continuo próxima das pessoas e lugares que amo. Continuo no Cariri!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Estudantes têm aulas de artes nas ruas do Crato




Uma proposta bem diferente e divertida vem sendo desenvolvida na cidade do Crato com intuito de fazer com os alunos estudem, vivenciem e criem trabalhos a partir da arte contemporânea. O trabalho é desenvolvido com alunos do ensino médio do Colégio Estadual Wilson Gonçalves e do EEFM Teodorico Teles de Quental e é chamado de Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte Contemporânea – LEVE Arte Contemporânea.


Com câmeras fotográficas, celulares e idéias, os estudantes vêm ocupando as ruas da cidade do Crato com intervenções e performances artísticas. Os alunos já produziram dois vídeos que estão disponibilizados na internet. Um dos trabalhos foi realizado no Calçadão da cidade, no qual foi feita uma performance em que o cabelo e a barba de um integrantes foram raspada e teve o seu corpo preenchido com palavras e jornais. Já no segundo trabalho, quatro estudantes foram embrulhados com jornais na rua Dr. João Pessoa. Os estudantes pretendem realizar uma performance e a intervenção ainda essa, o que resultará em mais dois vídeos.


De acordo com o idealizador do Laboratório, o artista/educador Alexandre Lucas, a proposta é baseada numa compreensão pedagógica do estudo relacionada a vivencia e pratica, a partir de elementos do cotidiano dos alunos. Ele destaca que o mais significativo são as produções dos vídeos que servirão como instrumento para pensar as praticas pedagógicas sobre o ensino de Artes.
Para aluna do Ensino do Médio da Escola Teodorico Teles de Quental, Clarissa Mota da Silva, o Laboratório dá a oportunidade de perceber visões diferentes. “Foi uma superação mim. Eu não me via capaz de também fazer arte”, diz a aluna.


Tainá Araújo, estudante do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, destaca que adora fazer coisas diferentes e cita que através da arte contemporânea está conseguindo fazer isso. Ela frisa que antes das atividades serem realizadas na ruas são feitos estudos e planejamentos.


Maria Reijane Ferreira da Silva, também do Colégio Wilson Gonçalves cita que o Laboratório ajuda na desinibição e em é possível maneiras de se expressar, através da arte.
Os trabalhos que são realizados nas ruas são abertos a participação do público e artistas.
O Laboratório conta com a parceria do Coletivo Camaradas e do 18ª Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação -CREDE.


Serviço:
Caso queira participar das atividades de intervenções e performances realizadas pelo Coletivo Camaradas e o LEVE Arte Contemporânea entrar em contato: (88)92604870/88260008.

Algodão doce - por Socorro Moreira



O coração comporta muitos amores. A felicidade faz a opção de fidelidade. Num encontro amoroso de qualidade, ela é inerente. Não deixa entrar outros requerentes.
Pra que o desassossego, se o amor só deseja um tempo pro amor?
O malabarismo afetivo é tarefa circense. Por que deixar o circo pegar fogo?
Às vezes acontece...
Não por mal, nem por bem.Por acaso, talvez... Aí, se o sentimento de posse não existir, se a liberdade de amar foi conquistada, os sentimentos são lícitos e administráveis.
Melhor não deixar que a paixão cegue a razão.Deixar que ela siga por aí, sem destino, até se perder de sentir, ou transcender na poesia.

Ocultar emoções pode ser como dissolver um doce de algodão.
Gosto do branco, sem anilinas.Lembram nuvens, onde o rosa é possível.
Prazer  do cinturão queimado, brincadeira que esconde aquilo que procuramos.
Alegria da ciranda de roda com passos cadenciados que exorciza o que nos traz comoção.

Enfim...Nem tudo tem explicação.
Chamo de ilusão o que deveras sinto.
Chamo de realidade  tudo sem solução.

Noite de pensar, sem pesar; de sorrir à toa.
De dormir pra sonhar
E acordar, preocupada com o almoço
Sem o apetite apertar.

Romances morrem no ar.
Soltos, eles voam...
Aterrissam num lugar comum
Chamado lar.
Lá a paz é singular
E a felicidade se cria, e se fomenta
Na cumplicidade do abraço.

Abraços... .Cumprimentos humanos!
Alguns apertados
Outros mais chegados
Uns itinerantes...
Abraço é a expressão sagrada
Do corpo animal, se humanizando!

Nick Bar





por Jorge Mello em 16 de agosto de 2007
Publicado em Cancioneiro de Garoto






Piano Bar - Alberto Sughi
Detalhe de “Piano Bar”, gravura do artista plástico italiano Alberto Sughi.

Num bar da notívaga São Paulo da década de 50, um conjunto formado por bandolim, piano, contrabaixo e bateria toca um animado choro instrumental. Chega então um freguês, que é prontamente atendido pelo garçom:

– Boa noite!
– Boa noite.
– Ué, sozinho hoje?
– Estou… Queria aquela mesa, perto do piano.
– Pois não!

Repentinamente o bandolim pára o choro e o freguês pede firme:

– Maestro!

Surge então a voz aveludada de Dick Farney, entoando a letra de um samba-canção de sofisticada – porém envolvente – harmonia:

Foi neste bar pequenino
Onde encontrei meu amor
Noites e noites sozinho
vivo curtindo uma dor

Todas as juras sentidas
Que um coração já guardou
Hoje são coisas perdidas
Que o eco ouviu e calou

Você partiu e me deixou
Não sei viver sem teu olhar
O que sonhei só me lembrou
Nossos encontros no Nick Bar

Assim é o primeiro registro sonoro de Nick Bar, composição de Garoto e José Vasconcelos – este último, aliás, responsável pelo “diálogo” garçom-freguês acima (para ouvi-lo, vá até o player localizado no rodapé deste artigo).

Nesta gravação, Dick Farney possui a companhia musical de Radamés Gnattali (piano), Garoto (violão e bandolim, tocado no início), Pedro Vidal (contrabaixo) e Trinca (bateria). O disco, um RPM 78 rotações da Continental de número 16479, foi gravado em 23 de agosto de 1951 e lançado dois meses depois – existem duas outras gravações dela feitas pelo próprio Dick em dois outros discos de sua autoria.

O paulistano e noturno “Nick Bar”

Bairro do Bixiga à noite, em São Paulo - fonte da imagem: http://flickr.com/photos/slgiusti/217836390/A boemia paulistana no início da década de 50 tinha como emblemático ponto de encontro um bar localizado no tradicional bairro do Bixiga, no número 315 da rua Major Diogo, ao lado do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), servindo como um refúgio informal e charmoso para músicos, atores, escritores, artistas, socialites e boêmios da época.

Seu dono, o americano Joe Kantor, conhecido boêmio na cidade daqueles tempos, batizou-o de Nick Bar em referência à montagem “Nick Bar… Álcool, Brinquedos e Ambições”, título em português dado à peça de três atos “The Time of Your Life” (1939), do escritor e dramaturgo norte-americano William Saroyan , dirigida pelo italiano Adolfo Celi. Esta, por sinal, fora a primeira encenação profissional do TBC, inaugurado havia pouco tempo, em 1949.

O escritor e cineasta paulistano Marcos Rey em sua crônica intitulada “Bares da saudade” sintetiza de forma sucinta a magia e o glamour que envolvia e atraía seus freqüentadores:

“(…) Era o reduto da sofisticada geração que se dizia existencialista, discutia Sartre e se recusava a apertar a mão dos adeptos da música caipira. Os artistas de sucesso e jovens intelectuais diziam presente todas as noites. Os cronistas sociais passavam por lá. Estar no Nick podia ser notícia. Com um pouco de sorte sentava-se na mesa ao lado de Tônia Carrero, Maria Della Costa e Cacilda Becker. Vizinhos da fama. O tom da geração, o estar na moda, ser up to date, era ali, no Nick, onde muita gente tomou uísque pela primeira vez, curtiu a dor-de-cotovelo inaugural e aprendeu que era feio dormir cedo. Devia ser tombado e seus fregueses transformados em figuras de um alegre museu de cera. (…)”

A lembrança desse clima de boemia e musicalidade que rondava o bar se tornou lenda, perdurando na memória dos que intensamente vivenciaram aqueles momentos.



Letra e música nascendo juntas



Exterior - Por Wally Salomão



Por que a poesia tem que se confinar?
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
da greta
da gruta
e se espraiar além da grade
do sol nascido quadrado?

Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
– carpe diem! –
fora da zona da página?

Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?

Anti-erótico - Por Socorro Moreira



O olor de lavanda
nos lençóis e travesseiros
Uma brisa casual nos cabelos
Um cheirinho de baunilha saindo do forno

Já não sinto tuas mãos no meu corpo
Tua energia escapuliu no esquecimento.

Meu ponto G agora é ponto final
Espalhado e preenchido
Num espaço total.

Nada erótico...
Teu perfume de capim
Roupão de banho
Absorvendo a água que saiu de mim

Nada erótico
O apelo do pensamento
por um beijo que o vento
roubou e levou de mim.

Pedaço azul - Por Socorro Moreira



O silêncio é fria
No calor de Novembro
Me lambuzo no mel das frutas
E vivo o inverno que não chega
Agasalhada em mim mesma.
O sol diz que é verão
Que aclara os sentidos e a compreensão ...
Mas eu quero a prima das cores
Pintar de novo a parede
Que o meu coração desbotou

ti voglio tanto bene - Ernesto de Curtis- Colaboração de José do Vale Feitosa


Ernesto De Curtis, um dos maiores compositores italianos do final do século XIX e início do século XX. Era irmão de Giambatisti De Curtis, poeta, com quem fez a canção Torna a Surriento. O compositor nasceu em Nápoles em 1875 e lá morreu no último dia do ano de 1937. Compôs mais de uma centena de música entre as quais “Non ti scordar di me” e “Ti voglio tanto bene”.

Dimmi/ Diga-me
Che tuo amore non muore/ que teu amor não morre,
È come il sole d'oro/ é como o sol d´ouro,
Non muore mai piú/ não morre nunca mais.

Dimmi/ Diga-me
Che non mi stai a enganare/ que não estás a me enganar,
Che il sogno mio d'amore/ que meu sonho de amor
Per sempre sei tu/ para sempre é você.

Oh! Cara/ Oh! Cara,
Ti voglio tanto bene/ te quero tanto bem,
Non ho nessuno al mondo/ não tenho ninguém no mundo
Piú cara di te/ mais cara que tu.

T'amo/ Te amo,
Sei tu il mio grande amoré/ és tu o meu grande amor,
La vita del mio cuore/ a vida do meu coração
Sei solo tu/ é apenas tu.

Una Stella/uma estrela
Brilla in mezzo al cielo/ Brilha em meio ao céu
La mia stella sei tu/ A minha estrela és tu
Tu sei il mio camino/ Tu és meu caminho

Liberdade - Por Rosa Guerrera



Hoje eu vou rotular de liberdade o meu dia...
Rasgar todos os compromissos
E sem identidade na bolsa
Vou voar deitada numa folha imaginária!

Hoje eu quero ficar de bem com a vida!
Parar de questionar coisas que nunca entendi.
Deixar a velha mania de sofrer com as falhas humanas
E esquecer de chorar maldades e calúnias recebidas.

Hoje, vestida nessa liberdade
Eu vou “zoar” das trapaças do mundo
Cantando uma seleção de músicas “bregas”
Completamente absorta às opiniões alheias.

Hoje eu estou de bem com a vida
E todos os semáforos estão me sinalizando
a estrada verde esperança !
E que ninguém tente interromper
essa liberdade de ser eu mesma!

Hoje eu entendi que perdi muito tempo
E que toda primavera veleja rápido
pelos mares do destino...

Hoje, eu tirei férias de mim mesma...
E decidi de uma vez por todas
Que nunca mais brigarei

De novo com a Vida!

rosa guerrera

Silente- - Por Socorro Moreira




Lua metade
Selene obscura
Poema luz em completude
Luar em respingos
Réstias interiores
Piscares, picadas,
Quase involuntárias.

Vejo a calçada sem ciranda de roda
Combinações saíram de moda
Viola nos ombros errantes
Catam boêmios
De ouvidos etílicos
Que entregam a alma
Numa canção antiga

Tempos reais
Tempos carentes e vazios.
Falta o frescor dos meus sonhos
Não compro o imaginário
Faço contas na ponta do lápis
Analiso as margens...
Com elas vivo a loucura do que posso.

Almas distantes
Desalinham as paralelas
Momento eterno é terra !

Um texto de Adélia Prado - Colaboração de Altina Siebra


“Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor"


Adélia Prado

Uma personagem põe-se a lembrar da mãe, que era danada de braba, mas esmerava-se na hora de fazer dois molhos de cachinhos no cabelo da filha, para que ela fosse bonita pra escola.
Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor.
É comovente porque é algo que a gente esquece: milhões de pequenos gestos são maneiras de amar. Beijos e abraços são provas mais eloqüentes, exigem retribuição física, são facilidades do corpo. Porém, há outras demonstrações mais sutis: Mexer no cabelo, pentear os cabelos, tal como aquela mãe e aquela filha, tal como namorados fazem, tal como tanta gente faz: cafunés. Amigas colorindo o cabelo da outra, cortando franjas, puxando rabos de cavalo, rindo soltas.
Quanto jeito que há de amar.
Flores colhidas na calçada, flores compradas, flores feitas de papel, desenhadas, entregues em datas nada especiais: "lembrei de você".

É este o único e melhor motivo para azaléias, margaridas, violetinhas.
Quanto jeito que há de amar.
Um telefonema pra saber da saúde, uma oferta de carona, um elogio, um livro emprestado, uma carta respondida, uma mensagem pelo celular, repartir o que se tem, cuidados para não magoar, dizer a verdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com carinho, se for para evitar feridas e dores desnecessárias.
Quanto jeito que há de amar.
Uma foto mantida ao alcance dos olhos, uma lembrança bem guardada, fazer o prato predileto de alguém e botar uma mesa bonita, levar o cachorro pra passear, chamar pra ver a lua, dar banho em quem não consegue fazê-lo só, ouvir os velhos, ouvir as crianças, ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir...
Quanto jeito que há de amar.
Rezar por alguém, vestir roupa nova pra homenagear, trocar curativos, tirar pra dançar, não espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir, visitar doentes, velar, sugerir cidades, filmes, cds, brinquedos, brincar...
Quanto jeito que há.

Na Rádio Azul


Por Edmar Lima Cordeiro



RECADO



Quero sentir tuas emoções

Vibrar teu ser apaixonadamente

Amar-te inteira

Conhecer tua cabeça

Teus sentimentos

Preparar um instante

Que a paixão encante

Nascer daí um ser translúcido

Sem trauma

Amante do amor lascivo e quente

Envolver na calma deste instante

A paz suave dos amantes

Nada é impossível

Se as paralelas no horizonte encontram-se

Um dia espero tuas emoções sentir.

Edcor



Quinto dia de apresentações da Mostra SESC traz grandes surpresas para o público



Cariri, 14 de novembro de 2011



O quinto dia da Mostra Cariri de Culturas, dia 15, é marcado pela diversidade na programação.

No núcleo de artes cênicas, em Juazeiro do Norte, se apresentam os grupos Bricoleiros (CE), Eduardo Okamoto (SP), Carroça de Mamulengos (CE) e Companhia Dakar(HOL). O grupo cearense Bricoleiros apresenta, no Centro Cultural Banco do Nordeste, às 10h, “Criaturas de Papel”, espetáculos onde papéis brancos ganham formas geométricas e são transmutados em figuras cênicas que, meticulosamente animados, ganham vida. O artista paulista Eduardo Okamoto leva ao público, no Teatro Patativa do Assaré, às 12h, “Agora e na hora da nossa hora”, espetáculo que coloca em discussão uma cidade invisível, onde meninos de rua, que mal são notados, sobrevivem à chacina da Candelária. A companhia Carroça de Mamulengos apresenta, às 18h, no bairro Timbaúbas, “Seja noite ou seja dia, viva o Palhaço Alegria”, peça que põe em cena um palhaço de três metros de altura todo desmontado e que, após ser montado, apresenta cenas com bonecos de mamulengo. O toque internacional da programação fica por conta da Companhia holandesa Dakar, que apresenta no Sítio São José, às 16h, “Braakland”. O espetáculo é um conto sóbrio, inspirado nos romances do escritor sul-africano John Coetzee, que narra a história de nove personagens que vagam em uma terra esquecida sem se proteger e sem se defender. Sem o uso de palavras e com um olhar cinematográfico, o espetáculo propõe ao público acompanhar a desolação e a poesia desta narrativa a cinqüenta metros de distância.

No Crato, ainda no núcleo de artes visuais, o público confere as apresentações do projeto Palco Giratório. No teatro SESC Crato, às 9h, se apresenta a Companhia Plichinelo (SP), com “A lenda das lágrimas”. O espetáculo questiona o poder do amor, narrando a história de um casal indígena da tribo Tupi. No Crato Tênis Clube, às 18h, na sala Patativa do Assaré, se apresenta a Companhia do Tijolo (SP), com o espetáculo “Concerto de Ispinho e Fulô”. A peça narra uma entrevista com o poeta Patativa do Assaré, que se transforma num diálogo entre o popular e o erudito, o urbano e o rural, e culmina com a denúncia de um dos primeiros ataques aéreos contra civis no território brasileiro.

Em Nova Olinda, as apresentações se concentram no Teatro Violeta Arraes. Às 9h, a Companhia Desajuste (SP) apresenta “Mareados”, trama que narra a aventura de três palhaços que dividem uma embarcação até serem surpreendidos pela chegada de uma divertida náufraga. Às 19h, o grupo Teatro Novo (CE) encena “Anônimos”, peça que mostra um dia de visitas em um abrigo de idosos, no qual as personagens relembram um passado povoado de tristezas, alegrias, amores e sonhos que se renovam a cada amanhecer.

No núcleo de audiovisual, a programação de Juazeiro do Norte se concentra no Centro Cultural Banco do Nordeste. No Panorama de Cinema de Animação, que inicia às 16h, os espectadores podem acompanhar a exibição de curtas animados nacionais e internacionais. Às 18h, na Mostra de Longas-Metragens Rosemberg Cariry, será exibido o filme “Cine Tapuia”. A produção narra a história de um cego e de uma índia que viajam o sertão nordestino projetando velhos filmes. No Crato, o público assiste ao Panorama de Curtas Contemporâneas. As exibições são realizadas na Casa Ninho, às 15h. A programação tem início com o curta “Matryoska”, do diretor cearense Salomão Santana. Em seguida, são apresentados os curtas “Carta ao Pai” e “O homem com o celular de filmar”, ambos do diretor juazeirense Ythalo Rodrigues. Encerra a programação do dia o curta “Material Bruto”, do diretor Ricardo Alves.

Nas atividades do núcleo de artes visuais de Juazeiro do Norte, na Praça Padre Cícero, o público confere a exposição “A procura – Heterotipias dos percursos”. A exposição inicia às 14h. Na Galeria SESC, no mesmo horário, tem início a exposição fotográfica “Retratos de Coimbra”, do fotógrafo Michael Sasso. No Crato, são realizadas as exposições Veias Urbanas”, de Rafael Vilarouca, “Memórias e história do caminho de ferro no Ceará”, de Aderbal Nogueira, e “A Procura – Heterotipias dos percursos”. As atividades são realizadas na RFFSA, e iniciam às 14h.

No núcleo musical, em Juazeiro do Norte, se apresentam na Praça Padre Cícero, a partir das 23h, Aquiles e Outros Blues, com o show “Bluiz Gonzaga”, e Jefferson Gonçalves, com “Encruzilhada”. No Crato, no projeto “Armazém do Som”, se apresenta João do Crato e Banda, com o show “Alvíçaras ao Rei Luíz”.

No núcleo de tradição da Mostra, espaço dedicado ao incentivo da cultural popular local, acontece no Crato, às 14h, no terreiro da Mestra Zulene Galdino, uma prosa de quintal com o mestre de cultura Bule Bule. Às 19h, a terreirada recebe os grupos Reisado São Miguel e a banda cabaçal Santo Expedito. A apresentação fica por conta de Tranquilino Ripuxado.

No núcleo de literatura, os destaques da programação são os lançamentos literários. No Crato Tênis, às 19h, os autores Cleison Ribeiro e Francisca Pereira(Fanka) fazem o lançamento das suas obras. Cleison Ribeiro lança “Silêncio laminado do casulo”, e Fanka lança “Água da mesma onda”.

As apresentações acontecem nas cidades de Juazeiro do Norte, Crato, Nova Olinda e em mais 20 cidades da região do Cariri. São divididas em núcleos de audiovisual, música, artes cênicas, artes visuais, tradição e música, iniciando a partir das 9h. Os espetáculos e atividades da 13ª Mostra SESC Cariri de Culturas seguem até o dia 16 de novembro, nos municípios de Juazeiro do Norte, Crato e Nova Olinda.






O RETIRO DE SOCORRO MOREIRA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Eu habito numa ladeira do Bairro Jardim Botânica. Assim como um retirado de todos os acontecimentos das ruas em enchente das megalópoles. Igual era o sítio Batateira, onde vive até sair para Fortaleza: um retirado do Crato.

O retirado é uma coisa interessante, pois não é ele apenas. Quando falamos em retiro praticamente estamos representando um movimento. Não é um lugar em si, é uma ausência de algo, mas é, ao mesmo tempo, a reflexão deste algo.

Quando a Socorro Moreira nos informa que se encontra em algum lugar que não tem internet, logo conclui: eis um retiro. Mesmo quando, cautelosa com o carinho dos amigos, informa do retiro aí é que este mais se acentua. Que lugar é este e não tem internet?

E tem paralelo na nossa cultura. Zé Dantas, aqui no Hospital dos Servidores do Estado, onde exercia a função de obstetra, olhando para o mar de casas e prédios da região da Gamboa e Santo Cristo. Quem sabe Zé Dantas numa noite de espera de um parto a termo, aquele evento que lhe permitiria finalmente dormir na alta madrugada a lembrar-se do seu retiro no Riacho do Navio.

Ora! Imaginei! A Socorro Moreira está num retiro. Teria ainda os pedaços da lua cheia tão pouco acontecida? As estrelas estariam fazendo um enxame luminoso a abraçar a realidade da nossa condição humana? E os silêncios musicais das noites nos tons de coruja, grilos e de algum animal do terreiro e do curral?

A Socorro estaria num retiro do nosso passado recente? Daquele de raros automóveis, dos ruídos da marcha dos cavalos, de algum tetéu nos açudes ou um vim-vim anunciando a chegada de alguém?

A qual retiro a Socorro pede socorro? Imagino! Aquele que resguarda a face deste Crato em mutação permanente onde os lembrados apenas o são por esquecidos que foram. Onde os esquecidos não são matéria do éter, ao contrário, são a materialidade dos resgates de nossos retiros.

Somos todos portugueses? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

De tantas e tantas vezes escutar anedotas sobre a "pressuposta" pouca inteligência dos nossos descobridores, deu-me uma falsa impressão de verdade, a um ciúme ou quem sabe, uma revolta, provavelmente ambos iniciados nos tempos coloniais. Mas ao residir numa cidade, e aqui abro um parêntese e peço licença para usar uma palavra da moda, numa cidade com índice de "mobilidade" cada vez menor, onde construíram um viaduto para desafogar o trânsito e colocaram um semáforo por baixo; onde já encontrei uma rua cujo já mencionado sinal luminoso foi colocado cerca de dez metros após o cruzamento, impedindo os carros circularem pela rua transversal; onde uma de suas universidades oferece "curso de verão" em pleno mês de julho, quando oficialmente é inverno no hemisfério sul, é que cheguei à conclusão que não poderemos jamais zombar da inteligência dos fundadores do Vasco da Gama. Se precisasse de uma prova da sabedoria portuguesa, bastaria a fundação do meu "Vascão" para colocar por terra qualquer argumento contrário.

Entretanto, convém lembrar que os portugueses detêm a maior e melhor tecnologia em Engenharia Civil do mundo, sendo inigualáveis no domínio das Mecânicas dos Solos e das Rochas. É da responsabilidade dos engenheiros portugueses do Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa o projeto e construção das grandes barragens norte americanas.

Será que falamos a mesma língua? De nada adianta os governantes dos países de língua portuguesa desejarem unificar o idioma. Nós brasileiros, jamais passaremos a chamar o concreto armado de betão e time de futebol de "equipa".

É bom lembrar que nós temos nossos vícios de linguagens que atropelam qualquer estrutura do idioma de Camões. Além, é claro, de desafiar a lógica. Um amigo, foi conhecer Portugal. Lá chegando alugou um carro e saiu pelo interior do país, pouco maior que o nosso Ceará. Com o mapa rodoviário à bordo, e admirado com a perfeição de suas estradas, esse amigo desejava conhecer um cidadezinha lá existente de nome Almeida, de onde vieram seus bisavós. Ao chegar a uma pequena vila, onde a estrada se bifurcava, resolveu perguntar a um velhinho que se aquecia ao sol da manhã:
- "Onde é que fica Almeida?" - Quis saber. E o velhinho, com muita simplicidade, respondeu:
- "Primeiramente deseje-me um bom-dia!"
- "Ah, desculpe-me, bom-dia!"
- "Muito bem, agora podes perguntar!" - Ordenou o português:
- "Onde é que fica Almeida?"
- "Ora que pergunta mais tola: Almeida fica em Almeida, pois!"

De outra feita, outro brasileiro, viajando pela Europa, alugou um carro em Lisboa para ir até Madri. Na saída da cidade, perguntou a um frentista de um posto de gasolina:
- "Esta estrada aqui vai para Madri?" - Quis saber, se expressando no nosso dialeto.
- "Pelo visto, quem estar a viajar para Madri és tu, pois essa estrada é nossa e se ela for para lá irá nos fazer muita falta, pois só temos ela!" - Zombou o bombeiro lusitano.

Afinal, os portugueses também sabem nos dar um merecido troco! No meu primeiro ano na Escola Politécnica da Bahia, apareceu por lá um colega português, o Braguinha, cuja família acabara de se mudar para o Brasil. De tanto a turma lhe encher as medidas, ele nos contou essa, com carregado sotaque:

Um português, recém chegado ao Brasil quis entrar num clube onde se realizava animado baile de carnaval. Na entrada, foi barrado pelo porteiro que alegava a festa ser exclusivamente para brasileiros. Insistiu uma segunda vez, uma terceira, até que viu um jumentinho a pastar junto ao meio fio da calçada. Arrastou-o até a portaria do clube, onde já se encontrava o presidente para impedir a entrada do português:
- Você já foi informado várias vezes que somente entra aqui os brasileiros! - E o português, empurrando o jumento para o interior do clube, gritou:
- Então vás tu, que és brasileiro!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 13 de novembro de 2011

Napoleão um colega de Anduiá no Piaui - José do Vale Pinheiro Feitosa

O sucesso se tornou algo totalizador. É irmão do mérito e sua estrutura de privilégios. Funciona como gerador de dinheiro e, portanto, como um negócio bem vendido. Então ele é: totalitário, meritocrata e financeiro.

A tendência das três coisas é a exclusão e a concentração. Não importa o que e nem quem, tudo sempre tenderá para uma seleção redutora da realidade existente no mundo. Isso quer dizer que o sucesso é apenas a exclusão e a escolha, nunca o espelho da realidade. O sucesso não é uma medida da humanidade, é apenas o formato da junção: total, mérito e grana.

Quando dizemos que Pelé é o melhor jogador do mundo, apenas estamos repetindo a fórmula do sucesso. Não estamos representando a humanidade, quantos “Pelés” foram contemporâneos do sucesso e nunca apareceram e nem apareceriam mesmo que se esforçassem.

Mas esta introdução não é uma crítica ao sucesso apenas, é a idéia de que todos somos importantes na dimensão das nossas relações. Mesmo que não existam mídias para fazer a mediação entre nós e um número imenso de pessoas. O artista, o jogador, o cientista, a pessoa de bem e assim por diante não é importante pelo sucesso, mas pela onda que provoca no seu entorno.

Esta entrevista trata disto mesmo. De um marceneiro piauiense, de Campo Maior, que vive aqui no Rio há mais de 40 anos. Na sua juventude participou no campeonato piauiense e jogou com a nata do futebol estadual dos anos 60 entre eles uma grande aquisição do futebol piauiense o nosso querido do futebol cratense Anduiá.

Até hoje quando chega a Campo Maior, é capaz de fazer uma roda de conversa, mesmo que com a participação dos mais velhos, em volta dele. Existe algo mais gratificante do que isso? Esta é a verdadeira e intransferível e imortal qualidade da onda provocada a partir da expressão de uma pessoa. Enquanto esta onda é nossa, o sucesso não nos pertence, pertence à máquina que o vende.

Eu estou aqui com Napoleão Lopes de Araujo, nascido em 1943 na cidade de Campo Maior no Piauí. Aos 24 anos veio embora para o Rio de Janeiro, onde virou marceneiro e nunca mais se afastou do Rio, mas não perde a oportunidade de falar do seu Campo Maior, especialmente do grande sonho da vida dele que era ser jogador de futebol. Napoleão quais eram os principais times do Piauí em sua época?

- O River, Auto Esporte, Flamengo, Fluminense, Piauí e o Artístico que era um time de subúrbio, mas era muito agressivo e a gente às vezes tinha que entrar forte para vencer. Isso era na capital.

Nas cidades do interior quais eram os grandes times?

- Tinha o Parnaíba. Tinha o de Floriano. Picos e de Piripiri o 4 de junho. Campo Maior já era o Caiçara e o Comercial. O Caiçara era o time que eu jogava, era o time do coração. E onde a gente fazia as nossas partidas muito dura lá.

Estes times participavam do campeonato estadual?

- Participavam do campeonato piauiense e nós fomos vice-campeão em 1963 contra o River e a gente perdeu o jogo por falta de competência do juiz. Que foi um juiz que veio do Belém do Pará, que era o Sena Muniz e nos prejudicou muito.

Naquela época quais eram os Estados da vizinhança que eram as principais referências para um jogador de futebol que desejasse crescer no futebol.

- Ora Fortaleza! Fortaleza né? Em Fortaleza inclusive tinha um cara da minha terra que era o Honorato, um cara antigo e que depois por problemas de saúde voltou para Campo Maior e foi treinador do Caiçara. Tinha em São Luiz o Moto Clube e no Pará tinha o Paissandu que eram times fortes e às vezes a gente almejava jogar num time deste. Eu uma vez tive oportunidade de sair de Campo Maior e ir para São Paulo, mas meus pais não deixaram.

E você começou a jogar bola desde menino?

- Desde menino. Eu jogava no aspirante esquentando o sol de Teresina.

Você jogava em qual posição?

- Jogava de volante. Naquela época existia o volante que era o lateral direito. E depois por dificuldade na defesa eu voltei a jogar de central, onde fazia Cabo Dulce, Napoleão, Bia e Costa. Que era a zaga do Caiçara.

Você começou a jogar mais profissional com quantos anos?

- Com dezoito anos.

Como era formado o time da tua época?

- Era Coló, Walter, Bia, Cabo Dulce, Costa, aí eu entrava que era o lateral direito, a linha, jogava no meio de campo, Geraldo Pocuta, e Gerado Pocuta.... e quem mais meu deus? Eu não me lembro agora. A linha era Cabeção, Índio, Fumaça e Ditoso que era meu cunhado.

Você jogou no Caiçara quantos anos?

Desde garoto. Comecei minha trajetória jogando futebol foi no Caiçara. Até vir para o Rio. Aqui no Rio eu tinha vontade de jogar no Vasco. Meu cunhado, por sinal tinha um conhecimento com o treinador do Vasco, ele morava em Benfica, fica perto de São Januário. Ele inclusive andou me chamando para ir até lá, para me apresentar a ele, mas eu me dediquei mais à profissão eu tinha que sustentar minha família. Eu já estava com a idade de 24 anos e o futebol já não estava tão esperançoso. Mas eu estava em forma ainda. Estava bom.

Você jogou com alguns craques do Crato. Que vieram do Crato para jogar no Piauí.

- Do Crato era o Anduiá que era um cara muito bom. Teve o Mormaço, Cabo Dulce, o Índio, Cabeção e o Antonio Quim.

Esse pessoal todo veio do Crato?

- Veio tudo do Ceará. Sobral, Crato, ali, aquela região toda. Eram cobra naquela área ali.

Você me contou uma história que o Anduiá era o terror no jogo e você atrapalhou o Anduiá.

- A gente estava disputando o campeonato piauiense e o Anduiá era o tal, naquela época jogava bem, era novo também, jogava no Auto Esporte. E uma quarta feira jogou com o Comercial, que era da minha terra também, o Comercial perdeu por 2 a 1. E na outra quarta feira quem ia jogar era o Caiçara. E estava o terror. O Anduiá fez o terror na defesa do Comercial e aí o pessoal ficou comentando aquela partida e que a gente ia pegar uma goleada. Que eu não ia agüentar... Eu jogava de central mas não sabiam eles que estava em forma, eu era militar naquela época, estava bem de perna. Nosso time partiu para cima do Auto Esporte e jogamos firme. Eu não me recordo muito bem se nós ganhamos a partida por 1 a zero ou se foi zero a zero. Mas a partida foi dura. Eu não dei espaço para Anduiá foi beiço a beiço. Mas foi muito bom o jogo naquele dia e nosso time ganhou moral e fomos vice-campeão naquele ano.

E você conhecia Anduiá pessoalmente?

- Conhecia! Era meu amigo. Inclusive ele deu uma entrevista numa cadeia de rádio que era a Pioneira e falou que do Caiçara um dos jogadores que ele mais temia lá era exatamente eu, que era o Napoleão que era um cara novo e estava sempre colado e batia mesmo legal...E assim fomos amigos, ele foi para o Caiçara, jogamos juntos.

Qual foi a última vez que você viu o Anduiá?

- A última vez que eu vi Anduiá foi em 68, foi quando eu vim para o Rio. Aí de lá nunca mais eu vi o Anduiá. Eu passei dez anos sem ir para a minha terra e depois passei a ir todos os anos. Agora recente eu estive em Campo Maior, por sinal o futebol está muito fraco, a gente quase não ver mais falar em futebol. Não tive oportunidade de ver os colegas, porque muitos deles já faleceram. E meu cunhado que era um cara muito legal, que era o Ditoso, também faleceu. Eu me ausentei por dez anos e agora voltei. Fiz uma roda de amigos na recente viagem. Embora pouco tempo, eu passei apenas dois dias. Foi muito bom. Muito agradável. Aí nós trocamos idéias. Eu perguntei por todos os amigos. O Luiz Gudu que era um dos dirigentes do Caiçara, sabia da vida de todo mundo e foi me falando da vida de todos eles, os que morreram, os que estavam doente, os que foram embora. Por sinal o cabo Dulce já morreu. E aí as conversas foram em torno dos grande jogos de antigamente. Quando jogava Comercial e Caiçara a rivalidade era terrível e nós ganhamos uma taça da cidade que foi o bicentenária de Campo Maior e nós ganhamos em cima do Comercial, parece que foi 2 a 0 e foi um jogaço. E daí o Caiçara cresceu e ficou conhecido no nordeste como o Leão do Norte.

Normalmente a gente pensa que só gosta da vida se você for o melhor. Mas como para ser o melhor você tinha que estar no Vasco, no Flamengo, no Santos, você nunca poderia ser um personagem nacional, mas você foi um personagem da sua cidade.

- Da minha terra. Todo mundo me conhece.

Como personagem da sua cidade você se dar por satisfeito, por vitorioso?

- Tranquilo. Eu servi a minha terra. Minha pátria.

E isso é tudo?

- Isso é tudo. É a terra dos carnaubais. É minha cidade. Eu amo ela. (e chora .....)

E fica até emocionado quando lembra deste amor e deste carinho que a cidade lhe deu não é?

- É. Realmente é!

Bisaflor conta histórias...

A MOÇA E A SERPENTE


Era uma vez uma moça que queria escolher seu próprio noivo apesar de ser costume na aldeia, que o pai escolhesse o futuro marido para as filhas.

Certa ocasião estava ela conversando com as amigas na sombra de uma árvore, onde, bem quietinha e curiosa, enroscada nos galhos mais altos, uma serpente escutava a tagarelice das moças. Pois não é que a serpente gostou de ouvir a moça dizer que iria escolher seu próprio noivo? Tratou logo de ir para casa trocar de roupa, escondeu o rabo bem escondidinho e se transformou num belo rapaz, por quem a moça ficou caída de amores.

A paixão da moça foi tanta que logo aceitou o pedido de casamento. Depois chamou o pai e apresentou o rapaz:

- Este moço bonito e forte é meu noivo, vou me casar com ele -, falou assim para o pai, que, embora tenha estranhado a atitude desrespeitosa da filha para com os costumes da aldeia, concordou com o casamento.

Depois de casada, a moça foi morar na casa da serpente, em um lugar muito distante da aldeia. A casa era muito suja e desorganizada; todo dia a moça limpava, arrumava e vinha a serpente e bagunçava tudo.

Ela sentia saudades da família e da vida na aldeia, mas a serpente não permitia que saísse de casa, mantendo-a sob a vigilância constante de três animais: um cão, um gato e um galo. Também se alguma pessoa se aproximasse da casa, os animais tratavam de avisar a serpente: o cão ladrava, o gato miava e o galo cacarejava, tudo ao mesmo tempo. 

Na aldeia, a família estava preocupada com o isolamento da moça. Ela tinha quatro irmãos, que exerciam atividades diferentes: um era adivinho, outro caçador, já o terceiro era marceneiro e o quarto irmão era um ladrão. Pois bem, o irmão adivinho teve um sonho que lhe revelou a situação real da moça. Chamou o pai e os irmãos e falou do sonho que lhe permitiu constatar que a irmã tinha sido enganada pela serpente, estava sofrendo muito e que eles precisavam libertá-la.

O pai ordenou aos filhos que pegassem uma canoa e remassem rio acima procurando a moça. Foi o irmão adivinho quem indicou o caminho até o covil da serpente; o irmão ladrão, que havia roubado carne, peixe e milho, jogou a comida para distrair a vigilância dos bichos, o que facilitou a saída da moça, que foi conduzida pelos irmãos até o local onde haviam escondido a canoa.  

Acontece que a serpente já tinha percebido a presença dos invasores e destruiu o transporte deles. Porém, o irmão marceneiro, rapidamente, construiu nova canoa com os pedaços que sobraram. Todos embarcaram e remaram, rio abaixo, perseguidos pela serpente que nadava provocando grandes ondas nas águas, prejudicando a fuga dos irmãos. 

A serpente enfurecida continuava a persegui-los, e, devido à sua fúria, apareceram-lhe mais sete cabeças, dificultando a mira do irmão caçador, que não sabia em qual cabeça atirar a lança. Pediu ajuda ao irmão adivinho que lhe indicou o ponto exato que deveria apontar para matar a serpente. E apesar dos solavancos da canoa, ele conseguiu atingir a verdadeira cabeça e a serpente tombou, afundando nas águas escuras e profundas do rio, agora serenadas.

Os irmãos respiraram aliviados, conduziram a irmã para a casa do pai na aldeia, que os recebeu com grande alegria.

Stela Siebra de Brito

O lado simples da vida - Por José de Arimatéa dos Santos

Hoje as informações vêm como uma avalanche. É tanta notícia e a todo momento que não dá tempo de digeri-las como se deve. Não dá tempo. Só é possível escolher algumas e fazer a análise superficial. É incrível como o dia passa rápido com tanto compromisso e tanto acontecimento.
Isso se reflete até nas relações pessoais. Esses dias um aluno me fez uma pergunta e queria por que queria uma resposta de bate pronto. E eu tentando esmiuçar o tema e ele a querer o principal. Hoje parece que a maioria não se interessa pela introdução, meio e conclusão. É uma ansiedade sem tamanho ou sangria desatada. Tudo rápido e na hora.

Foto: José de Arimatéa dos Santos


Com esse exemplo podemos ver e analisar o quanta anda a nossa pressa. Isso não é bom por que deixamos de viver o simples e o lado bom da vida.
É importante parar um pouco e escutar o canto dos pássaros livres e alegres a cantar em cima de uma árvore. Acredito até que nós seres humanos estamos a perder a sensibilidade para esses acontecimentos tão simples, mas tão preponderantes na vida de qualquer um de nós. Isso é perigoso e é necessário nunca perdermos o gesto tão nobre de não aceitar em hipótese nenhuma a violência e a corrupção que tira o pão da boca de muita gente ou deixa muito brasileiro sem atendimento devido nos hospitais públicos.
Mais importante do que tudo é viver bem com os nossos amigos e parentes e de uma forma que tudo seja alegria e momentos de engrandecimento, congraçamento e de amizade. Tendo sempre em mente a solidariedade e a luta por justiça para todos. Assim é que deve ser a vida.

Nota!

Estou numa cidade do interior, e sem internet.
Volto amanhã!

Feliz em constatatar a qualidade efetiva do coletivo!
Sou fá desse time de colaboradores.

Abraços!

"Cerejeiras em Flor" - José Nilton Mariano Saraiva

Prenhe de emoções, fotografia belíssima, mas com uma narrativa que exige permanente atenção (já que um tanto quanto arrastada e sonolenta), “Cerejeiras em Flor” não é, definitivamente, um filme que empolgue ou se direcione aos mais jovens; longe disso, adapta-se e parece ter sido produzido, sim, visando à velha-guarda, à turma passada na “casca-do-alho”, aos românticos de plantão, aos sessentões da vida.
No princípio, a primeira e impactante bordoada: a modorrenta rotina de um casal de americanos (classe média), já maduros, filhos dispersos no mundo, é quebrada com o recebimento por parte da mulher (Trudi), do duro e apavorante diagnóstico médico sobre um recente “mal-estar” do marido (Rudi): doença incurável, poucos meses de vida.
Sua opção, então, é poupá-lo daquela trapaça do destino, blindá-lo até o limite do possível e aproveitar ao máximo o tempo restante junto ao velho companheiro de guerra, sem que, evidentemente, ele desconfie de nada.
Como conhecer as “cerejeiras em flor” e visitar o “monte Fuji” (no Japão) sempre fora o sonho da sofrida Trudi, a sugestão ao marido de empreender aquela tão esperada (e adiada) viagem para visitar os filhos em Berlim/Alemanha e, principalmente, Tókio/Japão é feita; e, embora recebida sem muita empolgação pelo sistemático e monossilábico Rudi, é levada adiante; e aí, já na primeira parada, na Alemanha, começam a se descortinar desagradáveis e amazônicas diferenças entre pais-filhos: para surpresa de ambos, a filha Karolin revela-se uma lésbica assumida (a ponto de beijar na boca a namorada, na frente dos pais, visivelmente constrangidos), enquanto o filho Klaus, a mulher e os dois netos não se mostram nem um pouco dispostos a acompanhá-los pela cidade. O clima pesado é latente.
Num passeio a dois, nos arredores de Berlim, um fatal, desagradável e imprevisto golpe: durante a estadia e pernoite numa simplória pousada, a sempre disposta e saudável Trudi não acorda pela manhã e jaz inerte sobre a cama: morte súbita, na madrugada.
Após a cremação do corpo, o caçula Karl (solteiro), que viera às pressas de Tókio para a cerimônia, a contragosto leva o pai para o Japão; executivo por demais ocupado, também não tem tempo pra dedicar ao “velho”; e aí, sozinho, vagando sem eira e nem beira, lenço ou documento, pelas ruas da cidade, Rudi se depara com uma jovem dançarina de butô (de nome Yu), ainda adolescente e (descobre mais tarde) órfã e moradora de rua. Aprende muito com ela.
E é através de Yu que Rudi resolve “MOSTRAR” à sua querida Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji; para tanto, no momento propício, por baixo das próprias roupas passa a usar as roupas da mulher e, quando do “desabrochar das cerejeiras em flor”, ele simplesmente se despe das suas vestes e carinhosamente se porta como se fora a própria, dedicando-lhe aquele momento mágico.
Já o segundo ato da homenagem à Trudi revela-se um tanto quanto mais difícil: hospedado (por vários dias) ao sopé do “tímido” (sempre escondido) monte Fuji, todas as manhãs ao abrir a janela do quarto se depara com o mau tempo a encobrir a montanha; já desapontado e prestes a partir, faz uma última tentativa e, então, depara-se com aquela visão estonteante, soberba, magnífica: à sua frente (ou literalmente aos seus pés) o monte Fuji revela-se por completo, coberto de neve, com toda a sua indescritível beleza e pujança; sai às carreiras, aproxima-se o mais que pode e, livrando-se das vestes masculinas “transmuta-se em Trudi”, dedicando-lhe aquele momento sublime. Sozinho, ensaia passos de uma dança que dançara com a mulher lá na pousada, na noite anterior à sua morte e, como já cumprira com o seu dever – “MOSTRAR” a Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji (que ela tanto queira conhecer) - não resiste a tamanha emoção e tomba morto.
Grande filme.

sábado, 12 de novembro de 2011

O Tempo de Cada Um. Por Liduina Vilar.


As pessoas que amamos, que nos apaixonamos, que nos relacionamos, possuem individualmente, o seu período hábil em nossas vidas. Cada processo de enamoramento é único, insubstituível e diferente. Nenhuma história se repete. Há pessoas que possuíram regalias ao ocupar em nossas vidas: vinte e pouco anos, alguns anos e tal... Outras passaram meses e meses... Mas quando passam, passam de verdade. Deixam tributos de brilho, de uma energia que cintila, de um sorriso contemplativo, do sabor do aconchego. Resta apenas o recordar saudável de tudo que foi vivido. O sentimento apaixonado quando acaba se dilui de forma tal, que se porventura a vida nos põe "tête-à tête"com os seres que fomos perdidamente apaixonadas, sentimos apenas a calmaria e a abundância do carinho, da simpatia e da amizade. É a verdadeira contradição existencial: o que antes nos fazia estremecer de paixão, de loucura de amor, no momento atual, resta o nada, que nada significa, o que não diz nada, e que nada sofre.
Ai, começa novo ciclo de amor por uma nova pessoa. É a lei natural da vida.

O coração bate aceleradamente de novo,
a espera volta a vibrar com a chegada,
a vida se apresenta com novos tons,
o brilho e o sorriso ocupam lugar especial,
nos olhos de um rosto apaixonado, outra vez.

Aceitação - Emerson Monteiro

... Uma reação igual e em sentido contrário, princípio da Lei de Ação e Reação. Depois que acontecer de pisar na bola, cabe aceitar as consequências. Conciliar as respostas naturais em relação aos atos de seguir em frente, atitude por demais justa consigo mesmo, ser falível no estado atual. Caso diferente, agiria como que treme diante das circunstâncias, o que nada representaria em termos de racionalidade; o errar só para não dar a mão à palmatória.

Baixar a cabeça depois que falhar nas escolhas das ações, ainda que pela ignorância de conhecer o jeito exato de cumprir o papel perante a vida, eis o modo espontâneo de se render às evidências. Levantar a cabeça pode reduzir os prejuízos e abrir um espaço de perdão dentro da gente, isto no sentido de evitar danos à saúde física e abrir mão das vaidades; deixar de lado a suposição antiga de se ser senhor absoluto da razão.

Quantas e tantas vezes o errar humano pisar no território da solidão... Contar apenas com os elementos de quem ousa sonhar demasiado com a perfeição e cai da cama... Se achar acima do bem e do mal, quando Deus impera acima dos seres menores, Sua criação apenas... Nós, os viventes...

Viver a vida sem se punir a todo instante... Quando o sucesso domina a cena, as pessoas vibram de euforia. No entanto, perante as cobranças dos erros, afundam na lama quais juízes impiedosos de si, cruéis parceiros da autovingança. E dói e mata e pune contra as ordens mínimas da compaixão.

Aceitar a condição de relativos nas malhas humanas; admitir a retratação, invés das normas rígidas do combate interno às inferioridades, doutores de leis impiedosas e totalitárias. Persistir vivos para preservar a espécie dos aprendizes, senhores da fé nos dias melhores. Render homenagem ao impossível, em noites e dias sempre adoráveis. Ninguém é o senhor do destino além do Poder superior aos poderes limitados deste mundo. Existe o conceito da religiosidade natural que demonstra ordens eternas que a tudo comanda.

Haverá meios de reagir às trevas, aos tombos, às turras, atabalhoadamente... Haverá, sim; nenhuma dúvida resta. Creio, entretanto, significar apenas desespero e frustração assumir o erro e querer eliminar à força as consequências, modos de desencontrados exércitos perdidos em retiradas infames, que as histórias contam. Que glória há nas perdidas as ilusões? Também as personagens individuais, que andam pelas ruas, equivalem aos exércitos de si próprios, por vezes batendo cabeça em jornadas dolorosas. O fazer nesses instantes pede alternativas de sabedoria. De deixar de lado os valores equivocados e marchar firmes para os verdes campos da satisfação interior, no amar e se amar quais motivos da experiência, esquecendo vícios e abandonos, mágoas e rancores. Sorrir aos instantes menos felizes, que somem e deixam o perfume da solidariedade, resposta indiscutível de viver bem.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Poema torto - Aloísio

Poema torto
De luto nasceu
Quando veio à luz
O poeta morreu

Aloísio

Curiosidade !

A dica foi do Victor, que aprendeu nem sei com quem...
Se a gente somar nossa idade ao ano em que nascemos, o resultado da soma é sempre 111!
Ex:

 60 anos + 51 = 111
(Besteira, né?)
Dizem os místicos que o dia de hoje foi especial! Quero crer...

Gente, tenham um excelente final de semana!
"No azul sonhado" é  um portal amoroso, que congrega  gente amiga e do bem!


Uma lua que se mostra


A lua está a pairar
Quem quiser espiar
É só esticar o olhar
E o firmamento fitar
Embora nem todos saibam admirar
E em sua beleza encontrar
o que vai em seu ser encantar


Rosemary Borges Xavier-Recife-PE

Show "Traduções Cariris" abre a XIII Mostra Cariri das Artes


A mais importante semana do ano no Cariri começa hoje !

A festa começa com a apresentação do Tradições Cariris, marcado pela interseção entre as tradicionais batidas dos Zabumbeiros Cariris e a união de músicos emblemáticos da região como Abidoral Jamacaru, Luiz Carlos Salatiel e João do Crato.

O som do grupo conta ainda com os teclados e a sanfona de Ibbertson Nobre, a bateria de Saul Brito e o baixo de João Neto.


Simbora !

Local : Praça Padre Cícero - Juazeiro do Norte

Hora - 20 H

Data - 11/11/11

Por que e como ensinar ética aos filhos (Por Ceres Araújo)

Vivemos em uma época tão rica em tecnologia e tão pobre em ética. Estamos criando "super bebês" e "super crianças", nascidas na era digital, precoces no seu desenvolvimento, ávidas de novidades, ligadas a muitos estímulos ao mesmo tempo e também capazes de muitas ações simultaneamente. Nossos filhos têm seus cérebros formatados pelas ricas experiências que estão vivendo, pois o cérebro é uso dependente. Ou seja, é uso dependente no sentido de que as redes neuronais se formam em função das experiências de vida. Assim é vivendo a vida, é processando estímulos repetidamente que as cadeias neuronais vão se fixando. Isso em todas as idades.
Nesse sentido, eles são muito diferentes de seus pais e de seus avós e bisavós. Cumpre incluir esses últimos, pois a idade média de vida tende a aumentar e o convívio, entre quatro gerações, passa a ser algo freqüente. As diferenças na forma de viver a vida são progressivamente cada vez mais marcantes. Entretanto, princípios, normas e regras de conduta sempre foram e continuarão a ser o que distingue a humanidade no ser humano e continuarão imprescindíveis para sempre. Ética e moral são adquiridas e não inatas, são próprias do homem que cria uma natureza moral sobre a sua natureza instintiva. Uma pessoa só é ética quando se orienta por princípios e convicções.É função inalienável dos pais transmitirem uma conduta ética a seus filhos. Ética é uma matéria que faz parte do aprendizado de vida, no qual os pais devem ser os melhores professores. Então, como se ensina ética? Ensina-se aquilo que se tem e aquilo que se é. O que vai ser transmitido para os filhos não é o que se origina de um discurso verbal, mas sim o que se é e como se age. Sabe-se que a criança é um perfeito sensor para captar o que se passa na mente dos pais. A colocação dos limites adequados às atuações da criança é uma das formas importantes para se ensinar conduta ética. O "não" é um organizador fundamental da vida psíquica e necessário para que a criança se desenvolva. Receber "não" significa ter que lidar com frustração, adiar satisfação de necessidade e entreter tensão interna. Além disso, esse mesmo "não", serve também para que a criança aprenda, por insistir no seu intento, alternativas inteligentes e aceitáveis para obter o que ela deseja. Aprende, assim, a controlar impulso, a regular as emoções, a desenvolver inteligência e o respeito pelo outro.Como a psicologia vem demonstrando, em inúmeros artigos publicados, limites fazem bem e são fundamentais para que o ser humano cresça forte e feliz. Uma criança, que vive sem os limites adequados, não se transforma em um homem íntegro e livre como se acreditou, ingenuamente, décadas atrás. Ao contrário, se transforma em alguém inconsistente, desorientado e dependente. Por quê?
Por que a criança que apenas recebe sim, não precisa fazer confrontos, não precisa exercitar sua inteligência para buscar alternativas para conseguir o que quer, não precisa lutar para convencer os pais de que ela está certa. Tudo é possível a priori e isso a faz fraca, muitas vezes uma tirana em casa e uma covarde fora de casa, pois não teve chance de verdadeiramente lutar pelo que queria e que foi impedido. O confronto com os pais prepara a criança para os confrontos da vida. A criança enfrenta os pais para conquistar autonomia. Essa batalha precisa ser gloriosa, logo os pais têm que ser fortes, senão não tem valor a luta. Primeiro com birras (onde tem que perder para os pais) depois com argumentações (onde pode ganhar muitas vezes). A criança e o adolescente vão lutando para se afirmarem, para ganharem autonomia. Quem não passa por isso, não sabe o que quer e fica dependente da posição, da colocação do outro ou para se submeter ou para fazer o contrário, por não ter desenvolvido referênciais próprios.
Nascida ligada ao mundo dos instintos e impulsos, a criança precisa aprender a transformar impulsos em afetos discriminados e essa é uma tarefa que perdura durante toda a infância e mesmo durante a adolescência. Gostar, amar, querer, ser gentil, generoso e tolerante co-existem ao lado de odiar, detestar, ter inveja, ciúmes, etc.. Porque não se trata de pregar a velha ética, na qual se exigia que o homem devesse ser bom, nobre e sempre ativo e disponível a servir, seguindo os valores éticos de piedade, fidelidade, coragem e racionalidade. O ideal da velha ética era a perfeição e todos os componentes negativos do ser humano deveriam ser reprimidos e suprimidos. A ética segue o processo histórico e a nova ética é a do homem contemporâneo, que se confronta com a pluralidade de sua natureza e reconhece seus atributos positivos e negativos, suas qualidades e suas limitações e que muitas vezes se vê inseguro quanto a seus valores. É justamente pela integração do lado primitivo da sua natureza que o ser humano ganha tolerância e o sentimentos de pertencer à sua espécie, solidariedade e responsabilidade coletiva. Respeito pelo outro e respeito a si mesmo são condições determinantes para um comportamento ético. Assim, não se trata de ensinar ao filho ser sempre o "bonzinho", pois se corre o risco de ser o bobo, mas se trata de ensiná-lo a assumir a responsabilidade por suas ações, desde os primeiros tempos de vida. Trata-se de ensiná-lo que os limites de seu próprio espaço terminam ao começar o espaço do outro. Também, como mãe ou pai, dar um exemplo de autonomia e liberdade interna para fazer escolhas. Escolhas, não para ganhar amanhã, mas que dêem sentido ao hoje. O mundo e o nosso país precisam de famílias, onde os pais ensinem às suas "super crianças" que os bens de consumo, a liberdade individual e a própria felicidade se conquistam com condutas éticas e não tentando levar vantagem em tudo, para que no futuro não aceitem, por exemplo, a corrupção como um meio justificado por um fim.

Transcendência-Imanência-Transparência - Leonardo Boff

Não há tradição cultural que não se refira a um Princípio criador ou a uma Energia originária ou simplesmente a Deus. A grande questão é como expressar essa Realidade. Aqui mais que os teólogos que falam sobre Deus contam os que falam com Deus como os místicos e os profetas, cujo testemunho não pode ser negado. Na história do pensamento se delineiam três maneiras de falar com referência a Deus.
A primeira fala de transcendência. Deus é tão outro que tudo o que dizemos dele é mais mentira que verdade. O melhor é calar ou apenas sorrir amavelmente como Buda. A segunda fala de imanência. Deus é experimentado de forma tão intensa que ele se anuncia em cada coisa. Assim vem enraizado dentro do mundo. E é chamado por mil nomes. A terceira fala de transparência. Busca um caminho intermédio. Deus não pode ser tão transcendente, pois se assim fosse, como saberíamos dele? Ele deve ter alguma relação com o mundo. Anunciar um Deus sem o mundo, faz fatalmente nascer um mundo sem Deus. Também não pode ser tão misturado com as coisas que acaba sendo uma parte deste mundo. Se Deus existe como as coisas existem, então Deus não existe. Ele é o suporte do mundo não porção dele.
É aqui que tem sentido a transparência. Ela afirma que a transcendência se dá dentro da imanência sem perder-se nela, caso contrário não seria realmente transcendência. E a imanência carrega dentro de si a transcendência porque comparece sempre como uma realidade aberta a intermináveis referências. Quando isso ocorre a realidade deixa de ser transcendente ou imanente. Ela se faz transparente. Encerra dentro de si a imanência e a transcendência. Tomemos o exemplo da água. A água é água, jorrando da fonte (imanente). Mas é mais que água. Simboliza também a vida e o frescor (transcendente). Ao transformar-se em símbolo de vida e frescor, a água se torna transparente para estas realidades. E o faz por ela mesma e nela mesma.
Essa talvez seja a forma mais sensata de falar sobre Deus e a partir de Deus. Na forma do paradoxo. Por um lado devemos afirmar que todas as nossas palavras são inócuas. De Deus não podemos fazer nenhuma imagem. Por outro lado, não podemos dizer que Deus é o totalmente indeterminado, qualquer coisa vaga, um fundo sem fundo. A realidade de Deus (não sua imagem) é um concreto concretíssimo, o ser em plenitude, portanto uma realidade concreta, mas sempre para além de qualquer concreção. É representado pela água, mas ele não é água. Identificar água e Deus é cair na idolatria.
Nesse paradoxo a transparência ganha relevância. Ela faz que o inatingível (transcendência) se torne atingível através e dentro de algo concreto (imanência), mas transfigurado-o em símbolo (transparência). É o que o cristianismo afirma de Jesus. Ele é um camponês/artesão mediterrâneo (imanente), mas que viveu de tal modo (transparente) que nos permitiu entrever Deus (transcendente). "Quem vê a mim, vê o Pai". Como? Na forma como se dirigia a Deus, chamando-o de Paizinho querido (Abba), o que supõe que se sentia seu filho. Depois, agindo de um jeito que sua existência era uma pró-existência, vida para os outros, especialmente, os últimos e desprezados. O que disse e fez, foi para nos induzir a ter a mesma atitude que ele teve. Assim descobriremos que somos também filhos e filhas, em comunhão com ele.
Ele se fez transparente para Deus, não rebaixando os que vieram antes dele, mas radicalizando seu dinamismo, tornando-se um ponto referencial. Deus, então, está no mundo, mas para além dele.

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Texto(de uma profundidade ímpar): Leonardo Boff
Postado em atendimento à sugestão/pedido da Socorro Moreira.

"Divisão da Igreja" - Leonardo Boff

A Igreja hoje é uma Igreja partida, dividida, e há dois modelos em conflito, que é o da Igreja-instituição, da Igreja-hierarquia, da Igreja-poder, que se estrutura em papa, cardeais, bispos, dioceses, paróquias e SE REPRODUZ COM MUITA DIFICULDADE, PORQUE HÁ CADA VEZ MENOS PADRES PARA MANTER A REPRODUÇÃO DESSA IGREJA.
Junto dela está surgindo um novo tipo de Igreja, que eu chamaria “Igreja-rede-de-comunidades”, que está assentada não no poder, mas na vida. Isto é, o diálogo “fé-vida”. Nas comunidades, nas associações de moradores, grupos que vivem a fé nos seus encontros e que têm sua força no arquétipo cristão, não na instituição, nas suas tradições, mas o cristianismo como uma instância de esperança, tendo como referência comum a Bíblia, e aberta para a sociedade.
MAS NÃO A SOCIEDADE PORTADORA DE PODER DE DECISÃO, O PACTO VELHO, QUER DIZER, A IGREJA PODER RELIGIOSO SE ASSOCIA COM O PODER CIVIL. Não, é a Igreja com as classes emergentes, com os destituídos, pobres, marginalizados, excluídos, que são a grande maioria. Então, pra mim, está se dando aí um novo pacto do cristianismo, no sentido dos primórdios, que era feito de escravos, de portuários, de destituídos, de soldados, e estamos vivendo esse tipo de cristianismo, que tem hoje uma dimensão mundial. Muito forte na África, na Ásia, muito forte no Primeiro Mundo: você vai à Alemanha, Itália, Estados Unidos, está cheio de grupos e comunidades do Terceiro Mundo que têm como referência a perspectiva libertária do cristianismo. A outra é o cristianismo da reprodução e é ocidental. É produto da cultura ocidental, de tal forma que não dá pra fazer a história do poder do Ocidente, reis e príncipes, sem fazer simultaneamente a história da Igreja.

Texto: Leonardo Boff
Grifos: JNMS

A oposição tucana desfila no carro alegórico da presidenta Dilma - José do Vale Pinheiro Feitosa

Se tem uma coisa no tratamento técnico da gestão do Estado em termos de crítica esta se refere à eficiência da própria técnica. Que benefícios as medidas técnicas conseguem para o maior número de pessoas possíveis? A Presidente Dilma Roussef, desde que é ministra tem se caracterizado pelo aspecto técnico de fazer mais com o mesmo.

Por exemplo, agora mesmo, quem não sabe que todo investimento depende de uma estrutura para fazer acontecer algo. Estruturas pequenas ou corrompidas (viciadas) desperdiçam meios e recursos. O Governo Federal tem estrutura suficiente para fazer frente a um desenvolvimento que diminua desigualdades entre pessoas e regiões? Não até pela Constituição isso cabe muito aos municípios e aos Estados.

Fora a sacanagem que desviam recursos das finalidades, as ONGs são extremamente necessárias, pois multiplicam quadros técnicos e meios pelo interior do país. Uma coisa é o uso pervertido das mesmas e outra é ampliar a rede de agentes que possam dar eficiência aos recursos coletivos (do Estado) em termos da capilaridade de municípios e localidades.

O título acima é uma ironia com a oposição, iniciaria brincando com as frases dos governadores do PSDB num recente encontro com a presidenta. O governador Geraldo Alckmin: "Grande presidente que trabalha muito pelos paulistas, por todos os Estados e pelo Brasil". Beto Richa: "relação parceira, republicana e extremamente respeitosa para com o nosso povo tão sofrido." Teotônio Vilela Filho: "Alagoas está com saudades da senhora". Anastasia: "Não chegaríamos a este momento, se não houvesse a boa vontade, trabalho coletivo e parceiro".

A ironia seria: foi autorizado aos governadores contratarem novos empréstimos. O de São Paulo em mais R$ 7 bilhões, o de Minas em mais R$ 3 bilhões, o do Paraná em mais R$ 1,192 bilhões e o de Alagoas em R$ 666,00 milhões. O que não é ironia é a política que o país emprega desde o início da crise: ao invés de retrair os gastos, estimular a produção. Só nestes estados serão injetados quase doze bilhões de reais em sua economia.

Como somos um país, dinheiro aplicado aqui repercute lá e o de lá aqui. O programa do governo federal é ampliar em todos os estados algo em torno de R$ 21 bilhões. Agora junte a lógica completa: recursos distribuídos e não concentrados, capilaridade da injeção de novos recursos e boa gestão financeira para as finalidades que se propõem é a fórmula da eficiência buscada.

A Presidenta pode errar nesta política, mas que tem uma lógica isso lá tem. E por falar nisso o governador Eduardo Campos de Pernambuco está tomando a imagem de um grande CEO da gestão estatal brasileira. Assim como um grande executivo: estratégico, precisão no diagnóstico, nas decisões e nas mensurações dos resultados.

Mostra SESC CARIRI 2011- Participe!


Elza Soares é destaque na abertura da 13ª Mostra SESC Cariri de Culturas


BRINCANDO COM AS LETRAS- Colaboração de Stela Siebra


ALFABETO
José Paulo Paes


O A é uma escada
bem aberta, pela qual
se sobe ou se desce.

As duas barrigas
do B nos ajudam
a escrever “Balofo”.

O C é uma foice
sem cabo, mas corta. Aliás
não “corte” sem c.

Embora princípio
da palavra “Dedo”, o D
parece uma unha.

Tem jeito de garfo
a letra E, assim no fim
da palavra “Fome”.

O F deve ir
a um dentista, corrigir
os dentes de cima.

O G engoliu
a própria língua. Por isso,
é a letra de “Gago”.

O H, uma cama
de lado, mas sem nenhum
dorminHoco em cima.

Na orquestra das letras,
o I de tão fino, é flauta
ou então flautim.

Nessa mesma orquestra,
o J, um trombone, jorra
música também.

O L é a única
perna do saci peraLta:
eLe puLa que puLa.

No M, o caMelo
tem suas duas corcovas
já no próprio nome.

N, uma porteira
de fazeNda, separando
a casa do pasto.

O O, uma bOca
que, num espanto redondo,
diz apenas: Ó!

O P é a perna
de pau que o pirata tira
na hora de dormir.

O Q era um O
que virou gato: aí está,
de costas, com rabo.

O R: um peru,
Peito estufado, a passear
Pelo galinheiro.

O S, a serpente
Sinuosa, ou a minhoca
no chão, eStorcendo-Se.

No alto do Telhado,
o T é uma antena de
TV que se vê.

O U, um buraco
na calçada, que atravesso
num único puLo.

Asa de gaivota,
o V. Lá estão elas, vejam
VVVVV.

X, duas espadas
que se cruzam, na semi-
final do alfabeto.

O Z, um relâmpago
corta, zás! O céu aZul
antes do trovão.

Deserto azul - Socorro Moreira




Dia pintado de azul.

Vivo os meus estios
Sem cios
Sem chorar porisso

Pele rasgada
Olhar cansado de esperar a noite
Dia brincando de paciência


Começou a nublar
Sinto um cheiro de manga no ar
Zoadas diurnas nos quintais
Chaleira fervendo...

Aroma de nostalgia.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

"Por trás da fé" - José Nilton Mariano Saraiva




Aos fatos (reais): 1) uma sofrida mãe, beata católica de carteirinha, que de repente descobre que os seus sete filhos, todos do sexo masculino, haviam sofrido abuso sexual por parte do magnânimo e caridoso padre de uma comunidade de Boston (EUA); 2) homens, já formados, hoje casados e pais de família, que convivem com as teimosas e dolorosas recordações da meninice, quando foram vítimas indefesas da mesma figura (bem como com a lembrança de colegas que optaram pelo suicídio, por não suportarem o “peso da cruz”); 3) um diligente advogado - iniciante, esperto e à procura de projeção, evidentemente - disposto a ir fundo na tentativa de resgatar a dignidade dos clientes; 4) acomodados membros do poder judiciário, corruptos, blindados e indispostos em abrir o sigilo de documentos comprometedores (até que uma nova juíza, destemida e disposta a encarar a fera, surge); 5) repórteres de um influente jornal, que optam por “chutar o pau da barraca” e divulgam o contido nos documentos que lhes chegam as mãos; e, 6) no centro disso tudo, a Igreja Católica, vilã e responsável por tanta dor e sofrimento, a manobrar e praticar o “jogo pesado”, a fim que a verdade não venha à tona.
Esses, os elementos da trama que fazem com que o filme “POR TRÁS DA FÉ” (baseado em “fatos reais”) nos dê a oportunidade de tomar conhecimento da criminosa (e secular) atuação dos “padres-pedófilos”, que infernizaram a vida de muitos (e deixaram cicatrizes profundas e incuráveis), por esse mundo afora.
Aqui, especificamente, a história é centrada no “cardeal” americano Bernard Law (evidentemente que um dos eleitores do Papa) que, mesmo tomando conhecimento dos hediondos crimes praticados em sua Diocese (Boston/EUA), prefere apenas (e irresponsavelmente), transferir os acusados para outras paróquias distantes (onde continuaram a fazer e praticar a mesma sujeira, sem serem importunados).
Com a estrondosa repercussão do caso pela Imprensa, o advogado finda por conseguir permissão da nova Juíza para acessar os sigilosos documentos, mas descobre, também, que não pode processar a “instituição Igreja”; toma, então, uma decisão inédita: direciona seu foco para o próprio “cardeal” Bernard Law, exigindo sua presença no tribunal.
Isso marca intensamente a intimidade da própria Igreja, a ponto de, numa ação sem precedentes, 58 padres de Boston se reunir e enviarem uma carta ao “cardeal” Law, pedindo sua renúncia.
De pronto (e entre quatro paredes), o advogado das vítimas é convidado pelo representante da Igreja a firmar um “acordo”, que lhe permitirá “indenizar” os clientes que haviam sido prejudicados pela leniência de Bernard Law; uns, mais necessitados, aceitam de pronto, enquanto outros terminantemente recusam, já que o objetivo era o de levar o “cardeal” a júri popular, com reflexos na própria atuação da Igreja.
Fato é que, em razão da insuportável pressão popular, o “cardeal” Law finda por publicamente pedir demissão ao Papa João Paulo II, esperando que sua renúncia "...ajude a curar a ferida e trazer, para a arquidiocese de Boston, a reconciliação e a unidade que são extremamente necessárias" (uma “meia-vitória” das vítimas, já que evitou o julgamento).
Mas, como na Igreja impera a corrupção e o desmando, o (agora) “ex-cardeal” Bernard Law foi transferido pra Roma e (apesar das mostruosidades admitidas) nomeado pelo amigo João Paulo II para uma função de confiança, no Vaticano.
Vale a pena conferir. Um grande – realista e esclarecedor – filme.

Veredas - Por José de Arimatéa dos Santos


Foto: José de Arimatéa dos Santos
 Quantos lugares passei
E não encontrei nada
Saiba que minha procura não foi em vão
E continuo nessa caminhada
Solitário e certo
Que meu caminho é livre
Pronto para chegar no ponto final
Vou a pé e até de carro
Mesmo que as veredas tenham espinhos
Mas como sou teimoso, não cansarei
Até achar esse porto seguro
Certeza de todo sonhador
Certo do amor presente
Em todos os momentos
Na certeza da chegada
E do amor infinito

Ultimas!



-Noite linda de lua cheia. Até fotografei o céu, e aguardo a visita do Nicodemos para fazer a edição.
-Amanhã, mais uma pequena viagem... Minha energia cigana voltou!
-Hoje recebi a visita do Emerson e do Ulisses Germano. Visitei Dona Almina; li com prazer todas as postagens do dia.
-Fomos convidados (No Azul Sonhado) a participar da Mostra SESC Cariri de Cultura.
Agendada a nossa participação para o próximo dia 13, às 19 h. A programação ficará a cargo do Prof. Ulisses Germano com música e performances poéticas.
O convite muito nos honra!
-O Cariri terá o prazer de receber a fabulosa cantora Elsa Soares. Atração imperdível!

Fiquem ligados!
Por hoje, tudo de bom!