por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Renovando em mim



Queria escrever, e depois colocar no fundo de uma gaveta dentro do meu pensamento, onde mora meus sentimentos, sentimentos adormecidos.
Minhas mãos estão presas, em uma cela imaginária, preciso descrever e envolver as ideias que piscam, e me levam para um lugar onde o silêncio é perene.
Então, agora respiro, busco fundo no fechar dos olhos as palavras, elas vão deixar impressas as aflições encontradas no caminho, me sacudo para fora do meu eu, é angustiante não perceber como vou achar um fim.
Vai meus pés tocar o chão espinhoso, salgado, e me pergunto todo este sacrifício vai levar-me onde?
As articulações não articulam mais nada, perdi meu rumo. Mas vou viver como sempre me mostrou a vida, simples, porque as reais pretensões se esvaíram assim como as minhas forças.
Rosemary Borges Xavier

compulsivo

O vinho abre a porta do inferno
e eu um diabo manco e caolho
desço as escadas espumando
no canto da boca febril loucura.

Mas como pode um infortúnio
em uma alma de santo?

Vinde então cruel carrasco
apartai minha cabeça
e lançai aos porcos.

Doravante andarei apenas com o tronco.
Lúcido e delicado com o coração vivo
na concha das mãos.

E quem beber do meu sangue
beberá da vitória do mendigo
que acordou um rei -

um rei manso
que colhe flores.

O CALDEIRÃO DO HUCK NO CRATO: ANTONIO HIGINO DE OLIVEIRA

    

     O apresentador do Caldeirão do Huck, programa exibido aos sábados pela Rede Globo, esteve na manhã desta terça-feira na cidade do Crato. De uma forma sigilosa, Luciano Huck desembarcou no Aeroporto de Juazeiro do Norte de onde seguiu direto para a Rua Padre Sucupira, 338, imediações do Cemitério de Crato. Ele surpreendeu a família do vendedor ambulante Antonio Higino de Oliveira, de 55 anos, escolhido para o quadro Lata Velha do seu programa.
     A surpresa e a correria com a chegada do apresentador e sua equipe foram grandes e vizinhos pareciam não acreditar no que estavam vendo. A permanência de Luciano Huck no local foi rápida se restringindo a tomada de algumas imagens. A notícia se espalhou rapidamente e o público crescia a cada instante. Só que quando muitas outras pessoas chegaram ao local, o apresentador global já havia retornado a Juazeiro, a fim de retomar o jato no qual veio e encontrava-se estacionado no aeroporto.
Nem o próprio contemplado para participar do programa ainda não sabe quem enviou carta à produção indicando seu nome. Antonio Higino possui uma velha Kombi de cor branca, ano 1985, com a qual trabalha vendendo balas, refrigerantes, doces e outros produtos junto a bodegas da periferia do Crato.
As filmagens foram feitas no cruzamento das ruas Fábio Lemos e José Marrocos e o carro será transportado para São Paulo. De acordo com os critérios do quadro Lata Velha, Higino poderá ter o seu veículo totalmente recuperado caso se de bem nos desafios propostos ao mesmo.

Barbalha On-line Notícias

POEMA DE ISOPOR XI - por Ulisses Germano

UM POEMA É COMO UMA ORAÇÃO
DEVE SEMPRE SER LIDO EM VOZ ALTA
PARA SER SENTIDO NO CORAÇÃO
LUGAR ONDE O SUBLIME AMOR SE EXALTA 
EXERCITANDO A SENSIBILIDADE
AO VER NO BELO A POSSIBILIDADE
DE ACHAR A BONDADE QUE TANTO FALTA

Ulisses Germano
"O objetivo da vida  é brincar. O objetivo do amor é brincar. O homem e uma mulher brincando estão se amando! Essa faculdade de sonhar, sonhar, sonhar..."

Rubem Alves

LEVITA-ME SUBLIME POESIA!






O Haver
Vinicius de Moraes

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas,
essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

15/04/1962

A poesia acima foi extraída do livro "Jardim Noturno - Poemas Inéditos", Companhia das Letras - São Paulo, 1993, pág. 17.



"Será que nas escolas a gente ensina as crianças a chorar diante da beleza?" Rubem Alves
"Será que na escola a gente aprende a brincar de novo?" Rubem Alvez

PALESTRA: AMOROSIDADE DE RUBEM ALVES NO SESC DO CRATO

"Estou com 78 anos... eu tenho estado pensando que chegou a hora de partir. Então eu tenho pensado muito em parar com as minhas viagens, mas ai eu começo a pensar: "O QUE VAI SER DE MIM SEM AS PESSOAS QUE GOSTAM DE MIM! Porque eu acho que vocês gostam de mim... pelo menos na imaginação (aplausos)... pelo menos na imaginação!... eu não posso viver sem vocês e acho que vou continuar dando as minhas palestras até que o Deus todo poderoso decida o que vai acontecer comigo. Enquanto isso não acontece, a minha relação será com vocês. Vocês é que vão decidir o que eu vou fazer da minha vida."


"O QUE VAI SER DE MIM SEM AS PESSOAS QUE GOSTAM DE MIM!


Igreja: o "Celibato" - Leonardo Boff

O celibato, para esse tipo de Igreja que temos, é estrutural e necessário. Temos uma Igreja altamente concentrada em termos de poder, que está só na mão de uma mínima parte, que é o clero. E QUE TEM DE GERENCIAR A PRIMEIRA GRANDE MULTINACIONAL DO OCIDENTE QUE É O CRISTIANISMO – DESDE O SÉCULO IV É UMA MULTINACIONAL, QUE ENVOLVE CERCA DE 1 BILHÃO DE PESSOAS.
Então, para a Igreja, o celibato é estratégico. Porque você tem uma mão-de-obra diretamente ligada a você e que não tem nenhum vínculo de família, de mulher, de filhos, de herança, e é o intelectual orgânico estrito da instituição. Ele encarna a instituição e, não sem razão, é tirado da família com a idade de 12, 13 anos, levado para o seminário e criado na sua mentalidade, na sua subjetividade, para servir a instituição. Ele é estruturado nessa perspectiva, que vai contra duas tendências básicas da modernidade, que são resgatar a liberdade e a subjetividade. Quer dizer, o ser humano se descobre como sujeito livre, que organiza sua privacidade, sua sexualidade, seu projeto pessoal. Se é casando, se é mantendo-se solteiro, se é sendo gay, não importa, você respeita as preferências do projeto que você tem.
E A IGREJA NEGA ISSO. ELA IMPÕE QUE QUEM QUER SERVI-LA TEM DE SER CELIBATÁRIO. ENTÃO, FRUSTRA TODO UM CAMINHO, QUE É UM CAMINHO TAMBÉM DE REALIZAÇÃO HUMANA, PORQUE A SEXUALIDADE NÃO É SÓ UMA QUESTÃO DE TROCA GENITAL, É O DIÁLOGO COM A DIMENSÃO DA “ANIMA” E DO “ANIMUS”, COMO UM INTEGRA A ALTERIDADE DO OUTRO, MULHER OU HOMEM, RESPECTIVAMENTE, COMO TRABALHO DA DIMENSÃO DA TERNURA, DA FRAGILIDADE, DO AMOR, QUE É UMA EXPOSIÇÃO AO OUTRO.
O celibatário trabalha com grande dificuldade isso, porque ele - por força da educação e sua função - é autocentrado. E toda a dimensão do feminino, não só da mulher, mas do feminino no homem e na mulher, é encurtada.
No campo, o celibato nunca funcionou, porque o padre era simultaneamente camponês e tinha de arranjar mão-de-obra, e não havia seminários onde se formassem padres. Ele gerava um filho, explicava como era a missa, os sacramentos e tinha o seu sucessor. No primeiro milênio, o celibato era reservado aos bispos, que tinham de ser monges celibatários. Com os padres era mais ou menos livre. O seminário só veio na polêmica com os protestantes no século XVI, quando a Igreja cria a instituição de formação de seus quadros e aí impõe o celibato rigoroso. É assim até hoje.
AGORA, ISSO NUNCA FOI ALGO QUE FOSSE ENTENDIDO COMO DO ÂMBITO DA TRADIÇÃO CRISTÃ, OU DA REVELAÇÃO. É UMA DISCIPLINA ECLESIÁSTICA, PORTANTO DEPENDE DA VONTADE DO PRÍNCIPE.

Texto: Leonardo Boff
Grifos: responsável pela postagem

QUEM FOI O ALMIRANTE ALEXANDRINO..

A família Alencar, deu ao Brasil grandes nomes. Homens que, por seu heroísmo e sentimento patriótico ainda hoje são exemplos de brasilidade. Entre os grandes nomes da historia politica brasileira, destacamos a figura impar do Almirante Alexandrino. Nome de Rua na cidade de Crato, seu nome figura entre os nomes históricos da região sul do Brasil, notadamente São Paulo e Paraná.

Nome completo Alexandrino Faria de Alencar, foi um grande Almirante da Marinha Brasileira, e é um legítimo representante da família Alencar, cuja nascedouro se deu a partir da cidade de Exu, no Pernambuco.

O Almirante Alexandrino era filho do Capitão do Exercito Alexandrino de Melo Alencar e de Ana Ubaldina de Faria, e neto do General Pedro Rodrigues de Melo Labatut e Archangela de Carvalho Alencar, e bisneto de João Pereira de Carvalho e Inácia Pereira de Alencar que era filha de Joaquim Pereira de Alencar e portanto tetraneto de Leonel Pereira de Alencar, pioneiro da família Alencar no Brasil.

Alexandrino de Faria Alencar, nasceu no dia 12 de outubro de 1848, na cidade de Rio Pardo – RS, e faleceu em 18 de abril de 1926. Foi militar, Formado em Engenharia Naval pela Escola Naval do Brasil, e o grande herói da batalha Aquidabán: histórico do combate de 16 de abril de 1894 em aguas de Santa Catarina durante a Gerra do Paraguai. Exerceu os seguintes cargos Públicos: Ministro da Marinha e Ministro do Supremo Tribunal Militar.

Exerceu mandato de Senador da república nos anos de 1906 e 1921 a 1922, tendo recebido as homenagens de Cavaleiro da Ordem de Aviz, a Medalha de Mérito Militar, Medalha da Campanha do Paraguai concedida pelo Brasil, Medalha da Campanha do Paraguai concedida pela Argentina.
Seu filho, Armando de Alencar foi Ministro do Supremo Tribunal Federal, e o neto Fernando Ramos de Alencar foi embaixador do Brasil

Aniversário

Sou de Escorpião: descobrindo a cada dia o profundo e simples mistério da vida. Este ano me repito na Revolução Solar com Ascendente Escorpião: o Sagrado, na grandeza do seu Amor, me diz sempre para ir além do mistério aparente. Transformar, transformar, transformar.

Sou de Escorpião
não revelo tudo
é preciso ler as entrelinhas

mistério:
linguagem a decifrar
como se percorresse uma noite
profunda
sem lua
e sem estrelas.
só silêncio

Stela Siebra Brito

Olinda - Por Rosa Guerrera


Com o título de Patrimônio Mundial da Humanidade e berço da cultura brasileira, Olinda é pura beleza e arte nas ruas de seu sítio histórico, inspiração para vários artistas plásticos que escolheram a cidade para montarem ateliês, galerias e museus. Foi a primeira capital de Pernambuco e deve ser também um dos primeiros lugares a serem visitados quando se chega a Recife.
Com suas igrejas, seminários e casarios, a cidade atrai visitantes de todas as partes do mundo.
Quem chega a Olinda se encanta.!
Os guias mirins são ótimas companhias para conhecer a cidade . Explicam de forma rimada e muito engraçada toda a sua história. Com eles, se pode conhecer os Mercados da Ribeira, do Varadouro, o Mirante do Alto da Sé, o Seminário, o Museu de Arte Sacra, entre outras construções que levam o visitante ao passado.
O circuito das igrejas também merece um destaque especial. Existem inúmeras delas, dedicadas aos mais diferentes santos, além dos nichos espalhados pela cidade, que contam a trajetória de Jesus até o calvário.
Juntamente com os carnavais do Rio de Janeiro , Recife e Salvador , o carnaval de Olinda é dos mais famosos do Brasil.Para quem não sabe ,uma característica desse Carnaval pernambucano é que os festejos são protagonizados pelo POVO . Não há sambódromos,nem trios elétricos: a animação e o ritmo são mantidos pelos populares, que formam grupos de todos os matizes, com variados instrumentos e tocando as músicas que desejarem. E é essa alegria contagiante , que leva centenas de turistas que vêm a Recife , dar uma esticadinha de apenas 6 quilometros , e conhecer além de tudo de belo que possui Olinda , as lindas praias de águas mornas existentes também na nossa primeira capital.

por rosa guerrera

Amanhecendo o dia...


Para Stela: flores, música e poesia!






HERANÇA

Tal qual Luzilá* procurou por Thargélia em Arquivos e Museus,
Eu procuro uma Thargélia revelar-se dentro de mim.
Que Thargélia habita em mim?
Que indizível poema se escondeu na minha alma,
Se enredou no emaranhado dos meus pensamentos
E não se revelou ao meu coração?
Que dor carrega minha alma, que medo se instalou em meu corpo?
Por que Thargélia em mim está tão quieta?
Onde estão os sonetos de louvor à vida?
As ousadias e as ternuras?

Tal qual uma dor que machuca minha alma
Tal qual um medo incrustado em minha pele
Ou uma lembrança que não se faz lembrada,
Os poemas passeiam em meu sangue. Vermelhos, ardentes, vivos!
Uma herança merecida e não recebida
Células poéticas caladas, sussurrando emoções de um vulcão em aparente extinção,
Desejoso de expelir sentimentos seculares.

Por que a poesia não se materializa, se faz concreta?
Ela é uma angústia trancada em meu peito
É uma palavra que não se deixa escrever nem falar
É uma onda do mar que nunca quebra na praia
É uma lembrança escondida e antiga,
De um mundo antigo,
De uma alma antiga.
Pois são tantas as estrelas que vivem em mim
Querendo se fazer clarão...

Quantos baús de poesia carrega minha alma
Sem lembrar onde e porque escondeu suas chaves?

Thargélia, irmã, em qual constelação guardei as chaves?


* Luzilá Gonçalves Ferreira, escritora pernambucana, autora de “Em busca de Thargélia”, pesquisa sobre as mulheres escritoras pernambucanas do final do século XIX.




"Amor bastante" - Paulo Leminski



quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você
caminhando junto

(LEMINSKI, Paulo. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991. )



O coletivo não admite escolhas

Fatos admitem argumentos ?

Conjugar no plural é um ideal
Vivê-lo é crescimento geral !

(socorro moreira)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Frase antológica

"EU SÓ QUEIRA NASCER DE NOVO, PRA ME ENSINAR A VIVER”.
(Herzer, menina de rua e poetisa)

Quem é esta mulher que recebe o abraço? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Alguns anos atrás terminei um texto e fiquei imaginando o motivo pelo qual o escrevera. Nada naquele momento dava-lhe qualquer significado, nem lembranças também e pensei, será que no futuro terá algum sentido? Algum tempo depois numa destas passeadas no Youtube encontrei algo assemelhado de estrutura numa antiga canção das época da Diretas Já que era o "Menestrel das Alagoas". Perdoem-me os músicos, mas não era a intenção e não sou letrista.

Quem é esta mulher

Quem é este abraço
Que apóia tanta vilania
E transforma mel e fel

Quem é esse assaltante
Falando em podridão
Como quem fala de flores
Para a senhora jogada no chão

Quem é esse abraço
Para dar crédito à fera
Como quem sai à noitinha
Buscar faces a esgarçar.

Quem é esse que desconhece
A honra e a ética
E fala a língua do umbigo
Como canalhas dizem mais

Quem é este tresloucado do dia inteiro
De quem é esse punhal que planta,
Esse ruído de covil
E tocando na ferida
Redescobre Dorian Gray

Quem esta mulher
Que apóia o abraço
Com seu sorriso parado
Quem é esse meu detrator
Que a todos pensa calar.

Show de Calazans Callou - Rua da Moeda - Recife-PE 12 de NOV.




Callou e os Achadores de Cacimbas, tem pouco mais de um ano, e já vem emplacando seu som, pelas apresentações feita em Gravatá-PE, agora desse a cidade serrana para aportar literalmente na Rua da Moeda, situada no Recife antigo, antigo cais do porto. O projeto Esse é o Som do Recife, chegou em boa hora para prestigiar quem ainda não tem espaço para mostrar sua música em terreno tão cobiçado. Pois ali está o palco da efervecência e multiplicidade cultural do estado de Pernambuco. Estamos prontos, para realizarmos nosso sonho. Esse projeto já é sucesso, começou em outubro e se estenderá até meados de dezembro, levando um público conceitual e de crítica apurada. Será um grande teste para nós. Estaremos lá com toda energia que vem dessas duas cidades muito parecidas em sua essência, Crato e Gravatá: muito verde, cachoeiras e conciência de preservação ambiental. Nós não nos preocupamos com rótulos ou penduricalhos lançados por olhares atravessados, a maior virtude de Callou e os Achadores de Cacimbas é ter seu som sem colagens, árido mas de fácil fertilidade. Nessa apresentação estaremos divulgando parcerias com: Geraldo Urano, Carlos Rafael, Socorro Moreira, Tiago Araripe, Marcos Leonel (Elcapone tá é bêbo), Lupeu Lacerda, Wilson Bernardo e a pernambucana Geovânia Freitas. Dia 12 de novembro as 22 horas. Quem estiver pelo Recife, aparece por lá, serão todos bem vindos. Shows gratuitos

* Queria muito estar presente. Tenho muito orgulho de ter sido escolhida por Calazans, como parceira de uma música.
Sucesso, Calazans! Grande abraço.

Amanhã é dia dela(Stela)!


O dente-de-leão






Filho de um pintor,

seu maior desejo era tornar-se músico, maestro.

Mas teve que estudar filosofia para ser professor e ganhar a vida.

Um dia, deitou-se no campo, perto da linha Maginot,

linha de fortificações edificada nos anos 30,

na fronteira da França com a Alemanha.

Queria apenas contemplar a natureza.

Mas, de repente, viu-se fascinado

ao observar uma flor estranha, uma flor-estrela,

o dente-de-leão,

que os franceses chamam pissenlit.

A forma complexa da taraxacum officinale

levou-o a refletir sobre a reprodução sistemática de certas estruturas.

Logo depois, viria ao Brasil,

onde manteve contato com algumas tribos indígenas:

Bororós, Caduveos, Nambikwaras.

Registou tudo:

desenhos corporais, falas, mitos, músicas, culinária,

estruturas de parentescos...

Tornou-se um dos homens mais conhecidos do século XX.

Suas idéias invadiram quase todas as áreas do saber.

Deixou-nos há poucos dias,

com 100 anos de idade.O rapaz do dente-de-leão era

Claude Levy-Strauss.

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Postado por Everardo Norões

Antonio Nássara - Por Norma Hauer



ALÁ-LÁ-Ô - ANTÔNIO NÁSSARA- UM VITORIOSO

Foi no dia 11 de novembro de 1910 que ele nasceu aqui no Rio de Janeiro.
Já em 1927, aos 17 anos começou a fazer as primeiras caricaturas no jornal "O Globo". Pouco depois ingressou na Escola dae Belas Artes, ao mesmo tempo que começou a dedicar-se à composição.
Em 1930 compôs os sambas "Saldo a Meu Favor" e "Para o Samba Entrar no Céu",que não obtiveram êxitos, mas abrilharam-as portas para ingressar no meio musical.

Ja em 1932 gravou,com Francisco Alves seu primeiro sucesso:"Tipo 7" e, no ano seguinte outro grande sucesso,até hoje relembrado no carnaval:"Formosa",gravação original da dupla Mário Reis e Francisco Alves.

Daí vieram "A Barba Cresceu";"A Lenda do Pastor";"A Menina Presidência";"A Mulher deve Casar"; Adeus Aracy"; Barba Azul"... o primeiro grande sucesso de Dircinha Batista:"Meu Periquitinho Verde". Muito Nássara cooperou para o carnaval,até que,em 1941,lançou uma valsa ("Nós Queremos Uma Valsa") e o sucesso eterno "Alá-lá-ô". Ambos gravados por Carlos Galhardo.
Quando,com Frazão,ele compôs "Nós Queremos Uma Valsa",perguntou a Carlos Galhardo se ele gravaria uma valsa para o carnaval.Ele aceitou e a valsa "estourou".Sabe-se que o Rei Momo adorou a valsa porque nesse ano, varizes o atrapalhavam e era melhor dançar valsa do que samba.

Sem o obetivo de compor para o carnaval, Nássara, que era locutor do Programa Casé, na Rádio Philips, foi convidado por Adhemar Casé para fazer um anúncio para uma padaria na Rua Voluntários da Pátria.Isso porque, a partir de 1932, um decreto do então Presidente Vargas autorizou as emissoras então existentes a transmitir propaganda comercial. Não era mais possível manter uma rádio só com colaboração de seus associados.
Surgiu, dessa forma, o primeiro “jingle” no rádio, que, para agradar ao português, dono da padaria, foi composto em ritmo de fado.

Ele adorou!
Os versos eram assim:

“Oh, padeiro desta rua
Tenha sempre na lembrança.
Não me traga outro pão
Que não seja o pão Bragança".


Quem o apresentava o "jingle" era o cantor Jorge Fernandes.
A partir daí, anúncios variados foram se propagando no rádio, principalmente no então vitorioso Programa Casé.
Os anúncios eram permitiudos, mas nem tudo podia ser anunciado. Certa vez,sem perceber do que se tratava, Casé aceitou uma propaganda de um laxante de um laboratório paulista. Anúncio de laxante era proibido.E mais uma vez, Casé recorreu a Nássara.Este, então, “bolou” o seguinte texto:
“Um casal de noivos brigou. Ele, arrependido, resolveu fazer as pazes, mas a moça estava irredutível. Conversou com a futura sogra, que o aconselhou que presenteasse a filha com algo de valor. Comprou-lhe, então, uma jóia caríssima. E não fez efeito. Deu-lhe um casaco de peles. Mas não fez efeito. Então, lembrou de dar a ela um vidro de Manon Purgativo...Ahhh! Fez efeito!!! Manon Purgativo, à venda em todas as farmácias e drogarias.”
O anúncio foi ao ar sem qualquer problema, mostrando a habilidade de Nássara e Casé e a mentalidade sempre retrógrada dos responsáveis pela censura.

Nássara, deixando de compor devido aos novos rumos tomados por nossa música, nunca deixou de fazer caricaturas, sempre bem humorísticas.

Já em 1985, na Sala Sidney Müller da Funarte, Nássara foi homenageado com um "show"dirigido por Ricardo Cravo Albin, que recebeu o nome de "Alá-lá-ô", no qual foram relembrados seus sucessos carnavalescos. Carlos Galhardo, Marília Barbosa e o grupo "Nó Em Pingo Dágua" foram os artistas que deram vida ao "show". Foram duas semanas com a sala sempre cheia.

Antonio Gabriel Nássara faleceu em 11 de dezembro de 1996, um mês depois de completar 86 anos. primeira


norma hauer

Josenir, mais uma vez
foi certeira na empreita
nem franziu a sua tez
foi serena, sem desfeita
ao mostrar que a inveja
é doença que aleja
o infeliz de mente estreita.

Colecionador e musicólogo


Christiano Câmara e Dorvina!

a
Adoro chegar em Fortaleza e encontrar as pessoas nos mesmos lugares.É o caso de Cristiano Câmara e Dorvina. Existe prosperidade no acervo cultural.
Inestimável a fortuna de informações.
Benditos sejam!
E ele ainda brinca:
"Não tenho medo de assaltos. Aqui a gente só oferece cultura... Essa coisa que a maioria, dispensa!"
Ele usa o computador, mas chama a comunicação virtual de "Infernet"!
Diz que peleja pra ser saudosista, mas, como se emocionar com uma música de 1931, quando ele nasceu em 1935?
Christinao é patrimônio da humanidade.

Haja informações e maravilhas!

Abraços e agradecimentos pela recepção! Voltaremos!


ELEGÂNCIA


As atividades cotidianas nos nossos dias estão levando o ser humano a um inexplicável isolamento. Quase a totalidade dos nossos atos estão ligados ao mundo virtual. Nos tornamos pessoas solitárias e talvez, por isso, nos tornamos pessoas frias. O respeito ao ser humano foi relegado à seara das coisas secundarias nas nossas vidas. O homem precisa voltar a ser mais humano, menos solitário, mais social e mais sociável. O texto abaixo trata de uma característica que raramente encontramos nos dias de hoje. A elegância.

"Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detecta-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detecta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detecta-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...
Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.
Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,
Mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura."

Toulouse Lautrec

do site www.pensador.uol.com.br//pensador.INFO

Igreja, a grande madrasta - Leonardo Boff

O padre, o seminarista, É EDUCADO PARA TER UM VERDADEIRO CASAMENTO COM A INSTITUIÇÃO IGREJA; aquilo que a pessoa dá em termos de libido, de amor à sua companheira, à sua mulher, ele é educado a dar à sua Igreja. Agora, há uma fase em que o padre desperta. GERALMENTE QUANDO CAI NA REAL, COMO PÁROCO, COMO AGENTE PASTORAL, AÍ ELE SE DÁ CONTA DE QUE ESSA IGREJA É UMA GRANDE MADRASTA. Que usa a força dele, sua libido, sua inteligência em favor dos interesses institucionais dela e não das pessoas humanas. Que ela, Igreja, não se interessa muito pelos problemas do homem da rua, que tem problema com limitação de natalidade, com eventual aborto, com fracasso no matrimônio e a vontade de começar um outro. Ela, a Igreja, não se interessa, ela é fria e sem piedade e aplica a doutrina. E aí o padre entra em crise, fica entre o pastor que sente o próximo e a subjetividade que foi criada nele de ser o representante da instituição, da doutrina, e entra num conflito e muitos sucumbem nesse conflito. Ou ele abre e entra num novo estado de consciência e é um pastor que viola as doutrinas, ou ele se enrijece, recalca aquele mundo e fica o homem da instituição, do poder, da palavra rígida e até se transfigura. Ou então a terceira alternativa: muitos abandonam. E vão atrás das causas profundas que podem ser, digamos, O ENCONTRO COM UMA MULHER. Não é apenas o encontro com uma mulher, quer dizer, ao encontrar a mulher e descobrir o mundo da intimidade, da ternura, da compreensão, do companheirismo, da vida como todos os mortais vivem, que é carregada de valores, e que isso foi tolhido a ele, que conclui: "PUXA, MAS DEUS NÃO PODE SER INIMIGO DISSO, DEUS TEM DE SER PENSADO COMO UM PROLONGAMENTO DISSO AO INFINITO E NÃO COMO UM CORTE DISSO". E muitos então saem, profundamente frustrados com a instituição Igreja. Então, a educação é levada nesse sentido, por força do celibato você não pode ter o intercurso sexual. ENTÃO A MULHER SE TORNA A TENTAÇÃO PRÓXIMA. E VOCE É EDUCADO A NÃO OLHAR NOS OLHOS DA MULHER, PORQUE ELA É TENTADORA. De nunca conversar com ela sozinho, mas sempre acompanhado de outros.

Texto: Leonardo Boff
Grifos: do postador

Do livro: Índia, um olhar amoroso. De Jean Claude Carrière.

Dois pedaços de madeira que flutuam no oceano
encontram-se e se separam um instante depois.
Assim também tu e tua mãe, tu e teu irmão, tu e
tua mulher, teu filho e tu.
Chamas teu pai, tua mulher, teu amigo,
mas não é mais do que um encontro no caminho.
Esse mundo é uma roda que gira,
uma passagem no grande oceano do tempo, onde nadam
dois tubarões: a velhice e a morte.
Nada é permanente, nem teu corpo.
Nada retorna e nada permanece.
Prazer, dor, o destino tudo estabelece.
O que desejas, tens.
O que não desejas, tens.
Ninguém entende por quê.
Nada garante a felicidade do homem.
Onde estou? Para onde irei? Quem sou? Por que?
E por que deveria chorar?

Extraído do Mahabarata em adaptação do original

por Jean Claude Carrièrre.




Em boas companhias, bons momentos!






 




Feliz Aniversário, Caio Marcelo!




Minha benção amorosa ,votos de prosperidade, saúde e paz!

Colaboração de Ismênia Maia


A Idade e a Mudança


“Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo.

Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.

Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.

Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'
Onde, não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.

Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas, mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se ‘mudança’.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.

A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.

Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.

Mudança, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.

Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos.

Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.

Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional.

Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.

Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.

Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.

Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...” 

Lya Luft 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

FOTO RARA... QUEM SÃO ESSAS CRIATURAS - IGUATU-CE.


Flechas




Disparo uma flecha ligeira
Espero que esta seja certeira
Desejo que te pegue de bobeira
Vou plantar uma roseira
Para que dos espinhos eu use como ponteira
E construa várias flechas perfumadas
Que perfure tua alma
Mas que esta me acalme
Pois hoje o que sangra é apenas minha carne
Rosemary Borges Xavier 

Uma Mineiridade n´Alma - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma casa na Rua da Câmara em Tiradentes, Minas Gerais. Uma casa na subida para a Igreja de Santo Antonio. É pouco: não se trata de apenas uma casa. É a moradia e o ateliê de Oscar Araripe. Uma casa belíssima, desde a exposição de seus quadros, as escadas, muitos cômodos e uma coberta nos fundo, do segundo andar, com a vista completa da Serra de São José.

Oscar tem uma fundação. É jornalista, trabalhou no Rio e agita a cultura na região das Vertentes em Minas Gerais. Mas ele tem uma coisa rara nos conglomerados urbanos de hoje. Ele vai além da família nuclear e do apartamento suprido de babás eletrônicas.

O pintor tem um senso de ancestralidade. Um mito profundo no tempo e no espaço. Ele descende de outras vertentes. Das vertentes do Araripe que um dia no espírito nacionalista de sua época fundiu o nome da família Alencar com a chapada. Oscar Araripe tem uma coisa que muitos invejam: uma saudade difusa de uma era de glória.

Como estamos em Minas há um desejo permanente de fazer a travessia das serras. Da Serra de São José um dia prometi e durante cinco horas, em trilhas pouco amigáveis, eu, Tereza e um guia calado como um mineiro fizemos os treze quilômetros íngremes, por vezes pedras, noutras cascalho, lanhos profundos de erosão e no alto uma visão de quase toda a região das vertentes.

Tereza: que coisa especial estas formações sobre a serra, estas centenas de pequenos volumes de pedras. Lembram os túmulos de um cemitério. A natureza é mais criativa, o humano ao transpor seus sentimentos dos volumes os padroniza. Os reduz à repetição de formas. A natureza não pouca detalhes, o diferente mesmo que sob o cinzel de forças repetitivas, as forças da erosão.

Uma noite ainda fria, uma rua sem saída repleta de mesas, um violão e voz, comendo uma sopa quente: num dia canja no seguinte mandioca com carne seca. Alguns goles de água com gás e gelo, ouvindo o crepitar de um fogareiro ao ar livre. Na saída uma banana flambada com sorvete. Por que o frio se casa com sorvete? Perguntem aos russos de Moscou e aos italianos.

No sábado pela manhã já na estrada, Tiradentes não era o personagem e nem Belo Horizonte, para onde nos dirigíamos, era apenas um horizonte belo. Ninguém que imagina a palavra Tiradentes naquele espaço esquece o relevo, a Serra de São José, a Igreja de 1710, a segunda igreja com mais ouro do Brasil. Ninguém esquece as vertentes intrincadas de rios serpenteando entre morros e montanhas, rios tão profundos na nossa história como o Rio das Mortes, na vizinhança de acertar no olhar à vista nua, da cidade de São João del Rey.

Quando o mineiro diz Belzonte já diz outra coisa de diferente. Pronuncia seu sotaque como um país, ou melhor, um continente. Fala da rua Savassi como um desejo de noitada. Já nem está no cotidiano o Clube da Esquina, mas certamente aquele horizonte belo é uma narrativa histórica, poética e bela destes povos que constroem dimensões nunca antes experimentadas.

Selvageria contra Lula foi "ensinada" pela imprensa


Por luisnassif, dom, 30/10/2011 - 19:29

Autor: Weden

Não há porque o jornalista Gilberto Dimenstein se espantar com a falta de educação de leitores da Folha em relação à doença de Lula. Nem pode se supreender quando olhar as caixas de comentários dos portais do Estadão, do Globo e da Veja, por exemplo.

A selvageria, que se esconde muitas vezes sob o manto do anonimato, nada mais é do que a continuidade do primitivismo jornalístico praticado por muitos dos seus próprios colegas de trabalho, seja na Folha, seja nos outros veículos acima citados.

O modo como os blogueiros selvagens da Veja - com especial atenção aos dois leões de chácara Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes - se referem ao ex-presidente, e o ódio que eles encarnam, não é muito diferente do modo como alguns representantes de uma classe média deseducada - felizmente, minoritária - se refere àquele que saiu do poder com 80% de aprovação.

Exercícios de falta de educação e decoro jornalístico podem ser encontrados em editoriais - um espaço que, por definição, deveria representar a voz respeitosa dos veículos - do Globo, da Folha e do Estadão, com xingamentos e referências sem escrúpulos a Luis Ignácio da Silva.

Assim como a repulsa mostrada por comentaristas e parajornalistas contra os eleitores de Lula resultou num clima de xenofobia e preconceito jamais observado publicamente neste país, a voz carregada de nojo e ódio de uma Lucia Hipólito - que não conseguiu esconder o júbilo pela doença de Lula - ou de um Arnaldo Jabor, ou ainda de um Merval Pereira, produzem seus ecos no comportamento de leitores que não conheceram a civilidade e as regras de comportamento do espaço público.

Autores desqualificados produzem ou pelo menos atraem leitores desqualificados. Antes de se envergonhar dos leitores, Gilberto Dimenstein deveria se envergonhar de alguns nomes que compartilham com ele o mesmo ambiente midiático.

Cogito - por Torquato Neto




eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

"Verbos do amor"- por socorro moreira


É noite de lua cheia, mesmo em fase minguante.
Noite dos encontros por acaso, de uma velha amizade, surpreendida por beijos!

Noite de receber mensagens, olhar a cidade de uma roda gigante, acompanhada de carinho e medo.
Escrever cartinhas e versos de amor, mandar recadinhos por tabela, insinuar com o olhar ou o andar, que a tâmara está madura... Comer a maça do amor!

Um par de namorados caminha
ou dança de mãos dadas.

Suspiram, ouvindo a mesma canção
Inventam apelidos, no diminutivo
Sentem ciúmes, arengam,
e se despedem querendo ficar
Os passionais matam ou morrem
Os tímidos declaram paixão,
sem temer a rejeição!
Alguns têm até diário ...
Agenda para armazenar momentos.
Um filme, perfume, o primeiro beijo,
O segundo amasso, e a dor da saudade!

Tenho meio século de encantamentos
Existem prendas, que ainda me pertencem.
Existem amores extintos, noutro incêndio
Só lembro que o coração salta do peito
As pernas ficam bambas, o olhar se ilumina,
a boca fica seca , as orelhas pegam fogo,
e um friozinho na barriga, avisa que estamos vivos!
É como uma febre, sem a moleza do corpo.
É febre tesão de encontrar no outro
Algum tesouro, que não seja ouro
Apenas a adrenalina da paixão!
Qualquer ilusão à toa, nos apraz!
Só pra lembrar João Donato, e sair desse texto,
Conjugando com Abel Silva, Verbos do Amor,
e cantando com Piaff um Hino ao Amor!

socorro moreira