por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Uma Mineiridade n´Alma - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma casa na Rua da Câmara em Tiradentes, Minas Gerais. Uma casa na subida para a Igreja de Santo Antonio. É pouco: não se trata de apenas uma casa. É a moradia e o ateliê de Oscar Araripe. Uma casa belíssima, desde a exposição de seus quadros, as escadas, muitos cômodos e uma coberta nos fundo, do segundo andar, com a vista completa da Serra de São José.

Oscar tem uma fundação. É jornalista, trabalhou no Rio e agita a cultura na região das Vertentes em Minas Gerais. Mas ele tem uma coisa rara nos conglomerados urbanos de hoje. Ele vai além da família nuclear e do apartamento suprido de babás eletrônicas.

O pintor tem um senso de ancestralidade. Um mito profundo no tempo e no espaço. Ele descende de outras vertentes. Das vertentes do Araripe que um dia no espírito nacionalista de sua época fundiu o nome da família Alencar com a chapada. Oscar Araripe tem uma coisa que muitos invejam: uma saudade difusa de uma era de glória.

Como estamos em Minas há um desejo permanente de fazer a travessia das serras. Da Serra de São José um dia prometi e durante cinco horas, em trilhas pouco amigáveis, eu, Tereza e um guia calado como um mineiro fizemos os treze quilômetros íngremes, por vezes pedras, noutras cascalho, lanhos profundos de erosão e no alto uma visão de quase toda a região das vertentes.

Tereza: que coisa especial estas formações sobre a serra, estas centenas de pequenos volumes de pedras. Lembram os túmulos de um cemitério. A natureza é mais criativa, o humano ao transpor seus sentimentos dos volumes os padroniza. Os reduz à repetição de formas. A natureza não pouca detalhes, o diferente mesmo que sob o cinzel de forças repetitivas, as forças da erosão.

Uma noite ainda fria, uma rua sem saída repleta de mesas, um violão e voz, comendo uma sopa quente: num dia canja no seguinte mandioca com carne seca. Alguns goles de água com gás e gelo, ouvindo o crepitar de um fogareiro ao ar livre. Na saída uma banana flambada com sorvete. Por que o frio se casa com sorvete? Perguntem aos russos de Moscou e aos italianos.

No sábado pela manhã já na estrada, Tiradentes não era o personagem e nem Belo Horizonte, para onde nos dirigíamos, era apenas um horizonte belo. Ninguém que imagina a palavra Tiradentes naquele espaço esquece o relevo, a Serra de São José, a Igreja de 1710, a segunda igreja com mais ouro do Brasil. Ninguém esquece as vertentes intrincadas de rios serpenteando entre morros e montanhas, rios tão profundos na nossa história como o Rio das Mortes, na vizinhança de acertar no olhar à vista nua, da cidade de São João del Rey.

Quando o mineiro diz Belzonte já diz outra coisa de diferente. Pronuncia seu sotaque como um país, ou melhor, um continente. Fala da rua Savassi como um desejo de noitada. Já nem está no cotidiano o Clube da Esquina, mas certamente aquele horizonte belo é uma narrativa histórica, poética e bela destes povos que constroem dimensões nunca antes experimentadas.

Selvageria contra Lula foi "ensinada" pela imprensa


Por luisnassif, dom, 30/10/2011 - 19:29

Autor: Weden

Não há porque o jornalista Gilberto Dimenstein se espantar com a falta de educação de leitores da Folha em relação à doença de Lula. Nem pode se supreender quando olhar as caixas de comentários dos portais do Estadão, do Globo e da Veja, por exemplo.

A selvageria, que se esconde muitas vezes sob o manto do anonimato, nada mais é do que a continuidade do primitivismo jornalístico praticado por muitos dos seus próprios colegas de trabalho, seja na Folha, seja nos outros veículos acima citados.

O modo como os blogueiros selvagens da Veja - com especial atenção aos dois leões de chácara Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes - se referem ao ex-presidente, e o ódio que eles encarnam, não é muito diferente do modo como alguns representantes de uma classe média deseducada - felizmente, minoritária - se refere àquele que saiu do poder com 80% de aprovação.

Exercícios de falta de educação e decoro jornalístico podem ser encontrados em editoriais - um espaço que, por definição, deveria representar a voz respeitosa dos veículos - do Globo, da Folha e do Estadão, com xingamentos e referências sem escrúpulos a Luis Ignácio da Silva.

Assim como a repulsa mostrada por comentaristas e parajornalistas contra os eleitores de Lula resultou num clima de xenofobia e preconceito jamais observado publicamente neste país, a voz carregada de nojo e ódio de uma Lucia Hipólito - que não conseguiu esconder o júbilo pela doença de Lula - ou de um Arnaldo Jabor, ou ainda de um Merval Pereira, produzem seus ecos no comportamento de leitores que não conheceram a civilidade e as regras de comportamento do espaço público.

Autores desqualificados produzem ou pelo menos atraem leitores desqualificados. Antes de se envergonhar dos leitores, Gilberto Dimenstein deveria se envergonhar de alguns nomes que compartilham com ele o mesmo ambiente midiático.

Cogito - por Torquato Neto




eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

"Verbos do amor"- por socorro moreira


É noite de lua cheia, mesmo em fase minguante.
Noite dos encontros por acaso, de uma velha amizade, surpreendida por beijos!

Noite de receber mensagens, olhar a cidade de uma roda gigante, acompanhada de carinho e medo.
Escrever cartinhas e versos de amor, mandar recadinhos por tabela, insinuar com o olhar ou o andar, que a tâmara está madura... Comer a maça do amor!

Um par de namorados caminha
ou dança de mãos dadas.

Suspiram, ouvindo a mesma canção
Inventam apelidos, no diminutivo
Sentem ciúmes, arengam,
e se despedem querendo ficar
Os passionais matam ou morrem
Os tímidos declaram paixão,
sem temer a rejeição!
Alguns têm até diário ...
Agenda para armazenar momentos.
Um filme, perfume, o primeiro beijo,
O segundo amasso, e a dor da saudade!

Tenho meio século de encantamentos
Existem prendas, que ainda me pertencem.
Existem amores extintos, noutro incêndio
Só lembro que o coração salta do peito
As pernas ficam bambas, o olhar se ilumina,
a boca fica seca , as orelhas pegam fogo,
e um friozinho na barriga, avisa que estamos vivos!
É como uma febre, sem a moleza do corpo.
É febre tesão de encontrar no outro
Algum tesouro, que não seja ouro
Apenas a adrenalina da paixão!
Qualquer ilusão à toa, nos apraz!
Só pra lembrar João Donato, e sair desse texto,
Conjugando com Abel Silva, Verbos do Amor,
e cantando com Piaff um Hino ao Amor!

socorro moreira

domingo, 6 de novembro de 2011

O APITO DO VIGIA

O vigia que muito apita
Sinaliza sua presença
Mas por dentro ele se agita
Com medo que o medo vença
O vigta da minha rua
Apita tanto que sua
A testa, o bigode e a crença

Ulisses Germano - Crato-CE.

POÉTICA DA INVEJA

VISÃO DE ULISSES GERMANO

Aquele que não tem mérito
Jamais será invejado
A inveja é um sentimento
Que já nasce introjetado
Em calúnia e artifício
É o ócio do ofício
De quem se sente humilhado

VISÃO DE JOSENIR LACERDA

A inveja é uma fera
Da adulação é irmã
Uma espreita, na espera
Outra se faz guaridã
Ambas falsas, traiçoeiras
Inimigas verdadeiras
Sob a máscara de fã

(Do Cordel POÉTICA DA INVEJA de Josenir Lacerda e Ulisses Germano)

Carta Aberta ao Vereador George Macário - José do Vale Pinheiro Feitosa

Os leitores dos blogs em que escrevo e escrevi leram o que falei sobre o seu incidente com Almina Arraes. Acho que ao completar uma semana desta história nem eu e nem você tenhamos muito a acrescentar ao episódio no seu aspecto público. Aliás, guarda-me uma sensação para a qual não tenho conclusão: seria tudo diferente se o estapafúrdio não houvesse se infiltrado neste assunto? Não podemos concluir frente a frente, apenas eu e você, pois a “intromissão” para ganhar posições junto ao grupo político de vocês já levou todo o capital que desejava.

O nosso papel, o meu e o seu, é tirarmos algumas lições diante do que escrevi e do que você escreveu ao meu respeito e sobre meu pai. E faço isso, pois temos duas mãos cada um e uma única cabeça para avaliarmos isso tudo. Penso exatamente que entre nós dois não estejam mais do que nossos leitores. Chega de ganchos de oportunidade para quem nem deveria ter se aproximado e fartamente lambuzado a realidade dos fatos.

Antes de conversar sem lhe provocar dores, deixe meu pai fora disso (se você não se deu conta, isso fez lembrar o descuido que teve com Almina), quando citei a sua situação de filho de papai político a crítica não caía sobre Humberto, este se fez por ele mesmo. Acabei de ler tudo que escrevi sobre o assunto e em momento algum analisei Humberto Macário político e claro, não esperaria que Luiz Gonzaga tivesse feito uma música especificamente para o professor José do Vale Arraes Feitosa. Mas fez música para o professor e aquele professor gostava muito de ser parte destes que mantêm a civilização com a educação. E se nos apegássemos aos argumentos da “intromissão” em defesa das grandes famílias do Crato, aquele que foi derrotado numa candidatura de vice por Humberto, gostava de citar Humberto como parente. Mas isso vai resolver alguma coisa hoje? Humberto foi o principal líder de uma “elite política” que mandou no Crato desde o fim do regime Vargas: a UDN de Filemon Telles, Horácio Pequeno entre outros. Você deve saber que isso se origina em disputas antes mesmo da era Vargas, ainda nas escaramuças do Padre Cícero.

Sobre dores que precisam ser amenizadas. Em primeiro lugar precisamos sarar as dores sofridas por Almina e só depois a sua e a minha e sem a “intromissão” em busca de oportunidades. Quando escrevi dois parágrafos no primeiro texto deste assunto para configurar que não o conhecia, estava dizendo que nada sabia de desabonador ou abonador a seu respeito, a não ser que o encontrara numa reunião da Fundação Araripe. O seu esquecimento deste encontro não modifica este fato. Siga meu texto e meu raciocínio: portanto não tenho nada contra George em caráter histórico, apenas o ato que provocou dor em Almina Arraes. E sabe George como tomei conhecimento do fato?

Soube do incidente pela própria carta de Almina, numa tela de computador como esta. Fiquei agastado com a situação, pois era a repetição do mesmo assunto da SAAEC e que desde o princípio se contextualiza na política do Crato. Almina Arraes é minha tia; casou-se com César Pinheiro, irmão de minha mãe, e na sua casa passei parte da minha adolescência em busca de esclarecimentos para certas infantilidades que teimam em nos afligir naquela fase da vida. Por exemplo, esta história pueril de que editei uma parte do vídeo e a apresentei. Eu nem sabia da existência do vídeo. Apenas tomei conhecimento de uma parte existente no Youtube e foi esta que baixei e a postei no mesmo dia em dois blogs. Somente a postei porque o tumulto da sua defesa divulgava que você não tinha falado nada daquilo no vídeo.

E para você que não sabe, mas a balbúrdia que tomou conta do ambiente em sua volta alardeia, conte a quantidade de vezes em que escrevo sobre a política do Crato e verá que é desprezível em relação ao volume de postagens que faço. Mas é claro que Samuel Araripe, de quem você é líder na Câmara dos Vereadores, não se exime da porção política que cabe ao seu governo. Esta era a minha avaliação e até hoje é; e a cada vez que tumultuam a discussão mais se acentuam evidências: o governo municipal tem a parcela principal na contabilidade política do fato e o incidente é político. Como deixei muito claro no meu texto: não existe motivo pessoal e nem familiar para que você dissesse o que disse na câmara. Volte ao meu texto e verá que o “tumulto” apenas cumpre com a própria natureza de tumultuar, isso não tem briga de família, tem briga política e, pelo que soube, tudo começou com o protesto de uma Associação de Moradores com os valores da conta de água.

Quanto às expressões “ferinas” que teria lhe aplicado. Em primeiro lugar você tem formação em Direito e sabe muito bem fazer a exegese de textos e lá está claro: não podemos confundir o que pode ser dito numa assembléia do povo do Crato com uma discussão qualquer numa calçada de bar. Não podemos porque na assembléia precisamos expor a moralidade pública e ter o respeito ético com o povo e o povo é cada um de nós, inclusive Almina.

Tomemos a “ferina” denominação de “filho de papai político”. Isso foi uma avaliação clara que fiz. Mas me desculpe! O Samuel terceirizando o assunto por uma alternativa agressiva e você por até lembrar um velho e respeitado professor da cidade como um derrotado que prega uma “dor de cotovelo crônica” até nos filhos tantos anos após, mostram algumas características da classificação. E olhe que não existe de sua parte e nem do tumulto em sua volta qualquer respeito pessoal nem por mim e nem pelo meu pai diante do texto que você publicou em seu blog e foi reproduzido no Cariricaturas. E gastar tanta munição, atingindo um professor da cidade, que foi também meu, mas é da cidade, passa a impressão para os desavisados que algo muito grave aconteceu. Aconteceu num debate que considero até banal, deixando-me em dificuldade de não enxergar a mais típica figura do filhinho que amassa o carro do pai por que dinheiro existe para pagar o remendo na oficina.

Mas vamos ao remédio para a dor pungente que inclusive acredito que seja sincero em você. A cidade inteira espera que visite Almina Arraes e desfaça, com toda a humildade, o que você considera pura politicagem. Ela merece o seu carinho, o seu cuidado, precisa da nossa proteção até mais do que as dores que você sentiu vindo da minha parte. Olhar para uma senhora serena e que é referência para muita gente e de olho no olho dela, mesmo que ainda reste a severidade da dor que ela sente, esclarecer toda esta confusão é o que todos esperam de você. Um gesto que nos conforte de paz e encerre de vez a catilinária que alimenta confusão. Com a origem do incidente esclarecida, a balbúrdia tenderá a morrer de inanição.

A arte criativa que transfigura o mau destino - por Stela Siebra

Esses versos formam a última estrofe do poema "À sombra das araucárias", do poeta pernambucano Manuel Bandeira.
O poema é um convite a que, através da criação artística, do desenvolvimento dos nossos dons, façamos mudanças em nossas vidas, criando uma nova maneira de fazer e ser.
Vejamos a estrofe anaterior:
Cria, e terás com que exaltar-te
No mais nobre e maior prazer.
A afeiçoar teu sonho de arte
Sentir-te-ás convalescer.

110 ANOS DE NASCIMENTO DA POETISA CECÍLIA MEIRELES - por Stela Siebra

Certa vez escrevendo sobre minhas memórias de
leitura registrei, entre outras, a seguinte:
“Lembro que nesta época li muitos livros de Malba
Tahan e, mais tarde, toda obra de Machado de Assis. Apaixonei-me por Manuel
Bandeira e por Cecília Meireles, com quem tinha, unilateralmente, lógico, uma
relação de muita proximidade. O aniversário de Cecília (7 de novembro) era dois
dias antes do meu e ela morreu exatamente no dia 9 de novembro quando eu estava
completando 15 anos. Para mim, era como se o mistério transcendente do signo de
Escorpião nos unisse. Ainda hoje carrego esse sentimento de intimidade com a
alma de Cecília Meireles.”
E é assim até hoje: minha alma sempre encontra
abrigo na poética de Cecília Meireles.
Poderia transcrever aqui muitos dos seus poemas,
mas escolhi um que indaga sobre os pequenos mistérios da vida.
EPIGRAMA
Nº 9
O
vento voa,
a
noite toda se atordoa,
a
folha cai.

Haverá
mesmo algum pensamento
sobre
essa noite? sobre esse vento?
sobre
essa folha que se vai?

Colaboração de Stela Siebra de Brito


Texto de Susan Andrews.


Você se lembra daquela linda história do livro “O Pequeno Príncipe”? Bom, existe uma história mais tocante ainda que aconteceu de fato com o criador do Pequeno Príncipe, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. Poucas pessoas sabem que ele lutou na Guerra Civil Espanhola e, certa vez, foi capturado pelo inimigo e levado ao cárcere para ser executado no dia seguinte.
Nervoso, ele procurou em sua bolsa um cigarro, e achou um, mas suas mãos estavam tremendo tanto que ele não podia nem mesmo levá-lo à boca. Procurou fósforos, mas não tinha porque os soldados haviam tirado todos os fósforos de sua bolsa. Ele olhou, então, para o carcereiro e disse: “Por favor, usted tiene fósforo?”. O carcereiro olhou para ele e chegou perto para acender seu cigarro. Naquela fração de segundo, seus olhos se encontraram e Saint-Exupéry sorriu.
Depois ele disse que não sabia por que sorriu, mas pode ser que quando se chega perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante, uma chama pulou no espaço entre o coração dos dois homens e gerou um sorriso no rosto do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro de Saint-Exupéry e ficou perto, olhando diretamente em seus olhos, e continuou sorrindo. Saint-Exupéry também continuou sorrindo para ele, vendo-o agora como pessoa, e não como carcereiro.
Parece que o carcereiro também começou a olhar Saint-Exupéry como pessoa, porque lhe perguntou: “Você tem filhos?”. “Sim”, Saint-Exupéry respondeu, e tirou da bolsa fotos de seus filhos. O carcereiro mostrou fotos de seus filhos também e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro deles. Os olhos de Saint-Exupéry se encheram de lágrimas quando disse que não tinha mais planos, porque ele jamais os veria de novo. Os olhos do carcereiro se encheram de lágrimas também. E, de repente, sem nenhuma palavra, ele abriu a cela e guiou Saint-Exupéry para fora do cárcere, através das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, o carcereiro deu meia volta e retornou por onde veio.
Mais tarde, Saint-Exupéry disse: “Minha vida foi salva por um sorriso do coração”.
O que foi aquela “chama” que pulou entre o coração desses dois homens? Isso tem sido tema de intensa pesquisa atualmente, na medida em que os cientistas estão se dando conta de que o coração não é meramente uma bomba mecânica, mas um sofisticado sistema para receber e processar informações. De fato, o coração envia mais mensagens ao cérebro que o cérebro envia ao coração! Como disse o filósofo francês Blaise Pascal: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Estados emocionais negativos, como raiva ou frustração, geram ondas eletromagnéticas totalmente caóticas do coração, como se estivéssemos pisando no acelerador e no breque simultaneamente. Esse estado de batimentos desordenados é chamado de “incoerência cardíaca” e está ligado à doenças cardíacas, envelhecimento precoce, câncer e morte prematura.
Em estados de amor ou gratidão, nosso batimento cardíaco torna-se “coerente”. Isso diminui a secreção dos hormônios do estresse, reduz a depressão, hipertensão e insônia, melhora o sistema imune e aumenta a clareza mental. Essa é uma das razões pelas quais tem sido provado que as emoções positivas estão associadas à boa saúde física e mental – e à longevidade. Essa irradiação coerente do coração – essa “chama” de genuína afeição – pode afetar pessoas a uma distância de até 5 metros!
Logo, na próxima vez em que você estiver numa situação difícil, respire profundamente, lembre-se de Saint-Exupéry e do Pequeno Príncipe, e irradie a energia de seu coração. Como o Pequeno Príncipe nos lembrou, “somente com o coração podemos ver com clareza”!
By Susan Andrews.

PARA O VEREADOR GEORGE HUGO MACARIO DE BRITO

Demorei um pouco a enviar estas considerações, pois antes queria ter mais informações, tanto a respeito dos temas “loucura” e “senilidade”, como também informações referentes ao senhor.
Depois de uma pequena pesquisa, fiquei surpreso com a confirmação da quantidade de pessoas extraordinárias e de gênios, que em algum lugar foram acusados de insanos, senis, loucos, dementes ou, no mínimo de extravagantes. Eu os admiro, pois foram e são os responsáveis pelas mudanças do comportamento humano e por que não do mundo. Sem suas insanidades ainda estaríamos por aí pulando de galho em galho. Realmente os insanos, os gênios, não foram muitos, mas existiram e existem em todas as épocas e lugares; apesar de poucos, foram e são capazes de fazer a diferença. A insana natureza nos fez herdeiros apenas de alguns aspectos físicos de nossos ascendentes, não nos fez herdeiros das loucuras dos dementes, senis, gênios, que, por acaso, certamente existem em todas as famílias. Como eles são raros ficam preservados do mar de mediocridade que os cercam. Cedo ou tarde serão lembrados e serão exemplos.
Não é necessário citar nomes de insanos, são todos conhecidos. Mas a inteligência ou a genialidade de seus descendentes é desconhecida. Essa espécie de sorteio para escolher quem se sobressai, parece que foi, dentre outras, mais uma das formas encontrada pela natureza para ajudar na continuidade da espécie humana. Se a inteligência ou a mediocridade fossem hereditárias a espécie humana já teria sido extinta há muitos anos, envolvida na maré de burrice que é, de longe, a grande estrela da maioria dos humanos. 
Portanto, dado os acontecimentos envolvendo minha mãe, literalmente gastei algum tempo na tentativa de descobrir quem é e o que o senhor representa.  Encontrei alguma coisa, no Cariricaturas, no Democrato, assisti a sua entrevista no Blog do Crato, na qual o senhor confunde as coisas, compara política com circo, faltando com respeito às duas categorias. Também conversei com amigos residentes na região. Não é muita coisa, mas o suficiente para que pudesse ter uma ideia do que passa em sua cabeça. Por falar em cabeça, Sr. Vereador, da sua, para a qual o senhor aponta várias vezes, quando agride minha mãe (como mostra o registro filmado do seu pronunciamento do dia 18 de outubro de 2011), me parece que não sai muita coisa além de um punhado de chavões.
Recife 05/11/2011
José Almino Pinheiro

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto - Nina Crintzs

Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença auto-imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos. Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer por que a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target. Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem. Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava. O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença de morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.
O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me definha, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares. A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. EU ACHO GENIAL UM MÉDICO QUE DIZ “EU NÃO SEI, VOU PESQUISAR”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum. O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria”, porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS ??? O Sistema Único de Saúde ??? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer ??? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente ??? Não vale a pena ??? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil. O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$ 2.000,00. Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem. Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”. Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tais depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

HOJE EU QUERO...- por Rosa Guerrera




Hoje eu quero deitar preguiçosamente numa folha em branco de um papel , e relembrar um por um todos os sonhos que construíram a minha vida.
Quero abraçar todos os abraços que já recebi , e beijar todas as bocas que me ofertaram beijos Quero reprisar vozes escutadas , promessas juradas, partidas inesperadas, encontros e despedidas que fizeram parte do contexto dos meus dias.
Hoje quero ser mais falante , me arrepender de palavras ocultadas, do medo que tantas vezes tive de amar ,dos poemas que deixei inacabados, das músicas que preferi não escutar para não chorar.
Hoje quero pisar mais firme o chão da realidade , e aceitar de bom grado as recriminações do meu coração.
Quero juntar todos os meus pedacinhos e colher todas as rosas que esqueci de regar,construindo um canteiro bem florido para que eu possa caminhar sem receio de tombos ou ferimento nos meus pés.
Hoje eu quero conversar com o mar e dizer dos meus desejos secretos nunca realizados.
Cantar aquela canção que por muito tempo alimentou a minha alma e os meus momentos de ternura e de amor.
Hoje a minha verdade se resume em aceitar as minhas limitações, e não me revoltar com o tempo ou com o vento.
E essa nudez me completa , me absorve , traz até mais brilho ao meu olhar.
Tudo que vivi , tudo que senti é hoje para mim como uma redoma a ornamentar uma paisagem pintada por minhas emoções num quadro que ficará para sempre pendurado nas paredes do meu coração.

Cecília Meireles


Cecília Benevides de Carvalho Meireles[1] (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. É considerada umas das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.



Meu Sonho (Cecília Meireles)

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

Sonhos - por Socorro Moreira


Os sonhos são passeios nas madrugadas
quando uma realidade paralela
parece mostrar o outro lado da vida
Nos sonhos a matéria não pesa
É como voar e enxergar de um mirante
É como chegar junto
de quem está sempre distante
No mundo onírico os vivos e os mortos se misturam
Falam a mesma linguagem,
e sorriem dos mesmos motivos.
Os desejos reprimidos
criam asas
ousam uma aproximação noturna
quando o travesseiro acaricia a nossa cabeça
da realidade nua e crua.
Dormir pra sonhar
Viver pra esperar
que os sonhos aconteçam !



Lauro Maia - compositor cearense



Lauro Maia 06/11/1912 05/01/1950



Nascido em Fortaleza, desde cedo se interessou pela música folclórica de sua terra, realizando diversas pesquisa sobre o tema. Foi o primeiro a tentar urbanizar ritmos locais com o lançamento do balanceio ("Marcha do Balanceio", gravada por Joel e Gaúcho, "Tão Fácil, Tão Bom", interpretada pelos Vocalistas Tropicais em meados da década de 40). No começo da década de 40, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde tocou em cassinos da cidade. Sua primeira composição, “Eu Vi um Leão”, de 1942, foi gravada pelo grupo Quatro Ases e Um Curinga, que só viria a fazer sucesso dois anos depois, com outra marcha do músico: “Trem de Ferro”. Com o cunhado Humberto Teixeira, compôs “Só uma Louca Não Vê”, sucesso na voz de Orlando Silva, em 1945. Após sua morte, em 1950, suas músicas continuaram sendo gravadas e fazendo sucesso – Carmélia Alves gravou “Trem ô Lá Lá”, outra parceria com Teixeira, e Raul de Barros, o choro “Faísca”. Até João Gilberto andou gravando suas canções, como em “Trem de Ferro”, interpretada pelo baiano em 1961.

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sábado, 5 de novembro de 2011

Diferenças

Terrorista louro de olhos azuis.
Frei Betto
Preconceitos, como mentiras, nascem da falta de informação (ignorância) e excesso de repetição. Se pais de uma criança branca se referem em termos pejorativos a negros e indígenas, judeus e homossexuais, dificilmente a criança, quando adulta, escapará do preconceito.
A mídia usamericana incutiu no Ocidente o sofisma de que todo muçulmano é um terrorista em potencial. O que induziu o papa Bento XVI a cometer a gafe de declarar, na Alemanha, que o Islã é originariamente violento e, em sua primeira visita aos EUA, comparecer a uma sinagoga sem o cuidado de repetir o gesto numa mesquita.
Em qualquer aeroporto de países desenvolvidos um passageiro em trajes islâmicos ou cujos traços fisionômicos lembrem um saudita com certeza será parado e meticulosamente revistado. Ali reside o perigo... alerta o preconceito infundido.
Ora, o terrorismo não foi inventado pelos fundamentalistas islâmicos. Dele foram vítimas os árabes atacados pelas Cruzadas e os 70 milhões de indígenas mortos na América Latina, no decorrer do século 16, em decorrência da colonização ibérica.
O maior atentado terrorista da história não foi a queda, em Nova York, das torres gêmeas, há 10 anos, e que causou a morte de 3 mil pessoas. Foi o praticado pelo governo dos EUA: as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Morreram 242.437 mil civis, sem contar as mortes posteriores por efeito da contaminação.
Súbito, a pacata Noruega ? tão pacata que, anualmente, concede o Prêmio Nobel da Paz ? vê-se palco de dois atentados terroristas que deixam dezenas de mortos e muitos feridos. A imagem bucólica do país escandinavo é apenas aparente. Tropas norueguesas também intervêm no Afeganistão e deram apoio aos EUA na guerra do Iraque.
Tão logo a notícia correu o mundo, a suspeita recaiu sobre os islâmicos. O duplo atentado, no gabinete do primeiro-ministro e na ilha de Utoeya, teria sido um revide ao assassinato de Bin Laden e às caricaturas de Maomé publicadas pela imprensa escandinava. O preconceito estava entranhado na lógica ocidental.
A verdade, ao vir à tona, constrangeu os preconceituosos. O autor do hediondo crime foi o jovem norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, branco, louro, de olhos azuis, adepto da fisicultura e dono de uma fazenda de produtos orgânicos. O tipo do sujeito que jamais levantaria suspeitas na alfândega dos EUA. ?Ele é dos nossos?, diriam os policiais condicionados a suspeitar de quem não tem a pele suficientemente clara nem olhos azuis ou verdes.
Democracia é diversidade de opiniões. Mas o que o Ocidente sabe do conceito de terrorismo na cabeça de um vietnamita, iraquiano ou afegão? O que pensa um líbio sujeito a ser atingido por um míssil atirado pela OTAN sobre a população civil de seu país, como denunciou o núncio apostólico em Trípoli?
Anders é um típico escandinavo. Tem a aparência de príncipe. E alma de viking. É o que a mídia e a educação deveriam se perguntar: o que estamos incutindo na cabeça das pessoas? Ambições ou valores? Preconceitos ou princípios? Egocentrismo ou ética?
O ser humano é a alma que carrega. Amy Winehouse tinha apenas 27 anos, sucesso mundial como compositora e intérprete, e uma fortuna incalculável. Nada disso a fez uma mulher feliz. O que não encontrou em si ela buscou nas drogas e no álcool. Morreu prematuramente, solitária, em casa.
O que esperar de uma sociedade em que, entre cada 10 filmes, 8 exaltam a violência; o pai abraça o filho em público e os dois são agredidos como homossexuais; o motorista de um Porsche se choca a 150km por hora com uma jovem advogada que perece no acidente e continua solto; o político fica indignado com o bandido que assaltou a filha dele e, no entanto, mete a mão no dinheiro público e ainda estranha ao ser demitido?
Enquanto a diferença gerar divergência permaneceremos na pré-história do projeto civilizatório verdadeiramente humano.

Recordações: O trem que eu conheci

Quando adolescente, a maior expectativa para a chegada das férias consistia na possibilidade de viajar de trem. Como quase toda a família de meu pai residia em Aurora, esse período tinha para mim um outro significado: visitar os avós, tios e primos.
Para uma adolescente tímida, extremamente caseira, a perspectiva de experimentar a liberdade numa cidade pacata, onde todos se conheciam, causava-me “frisson”. Para a tão sonhada viagem, precisava da permissão de meu pai e, mesmo tendo me saído bem nos estudos e no comportamento, temia receber um não como resposta.
Quando da posse do tão aguardado “sim”, arrumava a mochila num piscar de olhos, pois tudo já estava previamente planejado, e partia em direção à Estação acompanhada de alguém mais velho.
Lá, enquanto alguns se enfileiravam para a aquisição dos bilhetes, outros se misturavam num vai e vem constante. Tantas histórias se cruzavam naquele espaço. Aquela mocinha de olhos marejados, recusava-se a deixar partir o amado, mas não tinha como segurá-lo e torcia na esperança de que um dia ele voltasse vitorioso para levá-la embora. Mais adiante, um casal alertava o filho sobre os perigos da capital e recomendava muito cuidado: não vá se perder por lá! Tinha também aquela turma buliçosa de estudantes prestes a se deleitar com sua primeira excursão.
Havia um clima de descontração, as pessoas se aproximavam umas das outras, não existindo ali preconceito ou distinção. Com a chegada do trem, entretanto, acontecia uma seleção absolutamente natural: uns embarcavam nos vagões da primeira classe, enquanto os demais se arranjavam na segunda classe.
Apesar de pertencer a uma família relativamente pobre, sempre viajei na primeira classe. Por isso, nunca matei a minha curiosidade em relação ao que havia de diferente entre as classes. O que mais me chamava a atenção era a quantidade de bagagem que era colocada nos vagões destinados à segundona.
Eram dados três avisos sonoros: no terceiro, o trem partia, deixando para trás os retardatários a proferirem imprecações contra os funcionários. De nada adiantava, porém, pois o horário era obedecido rigorosamente.
Depois que todos se acomodavam, retomava-se a conversa interrompida por ocasião do embarque. Quem ainda não se conhecia já ia se apresentando e, de repente, todo mundo já virava amigo íntimo, antes mesmo da primeira parada. Chegávamos a Juazeiro. Uns desciam, despedidas... outros embarcavam, novas apresentações... começava tudo outra vez.
A paisagem, que se descortinava nas laterais, em certos momentos sumia. Eram túneis que só permitiam a passagem do trem. Alguns eram tão estreitos que, se colocássemos o braço através da janela, poderíamos tocar o paredão de pedras. Ninguém ousava fazê-lo. A escuridão era total. Mas no final do túnel voltávamos a admirar a natureza tão bela. Os tons de verde se mesclavam, ali aparecia uma vaca a pastar.
Outra parada, outra estação. Como num passe de mágica, vendedores apareciam nas janelas aos empurrões, cada um querendo superar o outro para vender o seu produto. Tinha de tudo. E as histórias se sucediam. Alguém cochichava: a macaxeira nesta cidade é cultivada no cemitério. Agh! Por via das dúvidas, ninguém se habilitava a comprar.
Finalmente, após presenciar inúmeros embarques e desembarques, chegávamos ao nosso destino. Era nossa vez de dizer adeus. Mas não havia lugar para melancolia, pois à nossa frente surgiam os braços abertos daqueles que nos aguardavam com ansiedade.

"Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando (...)
E assim chegar e partir...
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida...
A hora do encontro
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar" (Milton Nascimento)

Com licença... - José Nilton Mariano Saraiva

Aportamos no blog “Cariricaturas” através de indicação dos conterrâneos Zé Flávio Vieira e Socorro Moreira (que, frise-se, não nos conheciam pessoalmente). Procuramos, dentro das nossas limitações, honrar e se fazer merecedor de tal “apadrinhamento”, através da postagem de matérias qualificadas.
De uns tempos pra cá, no entanto, observamos que aquele espaço começou a mudar de rumo, que o enfoque foi sendo paulatinamente modificado, que, enfim, não mais atendia ao que buscávamos (certamente que em razão da mudança em sua "direção").
Como não somos de ficar em cima do muro, guardar conveniências ou sair por aí ensaboado (escorregadio), externamos, aqui e agora, nosso profundo desconforto com uma recente postagem – desrespeitosa, abjeta e desprezível – e da qual peremptoriamente discordamos em gênero, número e grau, procurando atingir essa autentica “instituição” cratense, o honrado, competente e íntegro José do Vale Pinheiro Feitosa.
Com licença... “tamos” indo (continuaremos no Cariricult e No Azul Sonhado).

José Nilton Mariano Saraiva

Por João Nicodemos


Olhei bem fundo
no olho
da cebola

e chorei

O ESPINHO QUE FUROU O OLHO DE LAMPIÃO - Ulisses Germano

Em 2009 publiquei um cordel intitulado A História do Espinho que Furou o Olho de Lampião. Na verdade é uma fábula. Adoro as fábulas pois elas colocam na boca dos bichos e nos objetos inanimados metáforas e dasabafos que de uma certa forma ajudaram a freiar a prepotência, o orgulho e a arrogância,  estabelecendo regras e ensinamentos sobre a arte da prudência. Quipá é o nome do espinho falante que teve o azar de encontrar no meio de uma cancela um deputado corrupto. 
O espinho assim falou:

Mas veja como o destino
Oculto quis me mostrar
Cometendo o desatino
De um corrupto encontrar
Na passagem da cancela
Vi nascer toda a procela
De tudo que eu vou contar

O corrupto veio manso
Todos eles são assim
Só de olhar eu já me canso
Vendo o seu jeito chinfrim
Todos eles tem resposta
Na boca a falsa proposta
Misturada com alfinim

 Quipá é um espinho tímido, de voz mansa que nasceu sabendo que o "o estouro é fugaz mas a razão é silenciosa e eterna".
É na arte da prudência
Que provém a paciência
Que nos livra da demência
De destruir a História
Se eu quiser fazer Ciência
Com toda proficiência
Vou olhar pra consciência
Estando atento a memória

Quipá tinha o conhecimento da natureza íntima dos homens:

De todo mal entendido
Da história do sertão
Tem o lado do bandido
Que seduziu Lampião
A favela é uma planta
Toda mãe é uma santa
Vendo o filho na prisão

E sabia que a lei da natureza é diametralmente oposta a lei dos homens. 

Nossa espada da justiça
já está enferrujada
A balança sempre enguiça
Pois já foi adulterada
A deusa Têmis daqui
Já fez muita gente ri
De sua venda rasgada

Quem quiser saber do fim dessa estória compre o cordel!
Que está a venda no Canto do Senadinho - morada do espinho que furou o olho de lampião:

Eu levo a vida sozinho
Sem ninguém pra me ajudar
Eu não possuo padrinho
Nem ninguém prá bajular
Sou espinhento e certeiro
Viajei o mundo inteiro
Sou do Crato-Ceará

Ulisses Germano
Crato-CE





sexta-feira, 4 de novembro de 2011

JOSÉ DO VALE PINHEIRO FEITOSA

José do Vale Pinheiro Feitosa, mais que primo e amigo, é um irmão. Nem vou falar sobre a amizade, pois disto ele mesmo se encarregou neste Azul Sonhado de 25.10.11 (http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/10/joaquim-pinheiro-bezerra-de-menezes.html).  Prefiro registrar alguns fatos da convivência guardados na memória. Zé do Vale aposentou-se recentemente após 40 anos de bons serviços prestados ao povo brasileiro.  
A última vez em que o encontrei, quando ainda na ativa, era chefe do Departamento da Saúde Complementar e esteve em Recife para acompanhar a intervenção em três planos de saúde que estavam agindo fora das normas. Por falar em normas, participou ativamente da formulação das regras que disciplinaram a atuação dos planos de saúde privados.
Em ocasião anterior, o visitei quando era o coordenador nacional da política para prevenção e tratamento de doenças tipo tuberculose e hanseníase, época em que os índices destas doenças caíram drasticamente, a ponto do Brasil merecer citação na OMS.
De outra feita, estive com ele quando era o encarregado do combate à cólera.  A doença que dizimava populações do Peru e Bolívia, contaminou o Brasil a partir da região Norte, atingiu o Nordeste, chegando a registrar casos no sul do país.  A pronta ação do Ministério da Saúde debelou a epidemia com velocidade superior a da chegada. As iniciativas do médico sanitarista cratense receberam elogios do próprio Ministro da Saúde.
Entre os cargos que exerceu, está o de secretário adjunto da Saúde do Rio de Janeiro.
Sou testemunha de um fato incomum, destes que só acontecem com pessoas reconhecidas. Em 1981, dia de sábado a tarde, fomos passear no bondinho de Sta. Tereza, no RJ.  Numa das paradas, um trombadão arrancou violentamente a bolsa de Tereza, esposa de Zé do Vale e correu entrando numa das ruas estreitas do bairro. Na ocasião, Tereza conversava tranquilamente com minha esposa, Raquel, cada uma com os respectivos filhos no colo.  Os gritos assustados das duas fizeram o condutor parar o bonde.  Aproximou-se um Senhor de cabelos grisalhos, se dirigiu a Zé do Vale e perguntou o que tinha acontecido. Informado, pediu ao responsável pelo bonde que aguardasse um pouco. Menos de meia hora depois, um grupo de seis pessoas retornou e uma delas devolveu a bolsa com todos os objetos.  Do grupo, fazia parte o Presidente da Associação dos Moradores da favela do Escondidinho.  Pediu  mil desculpas pelo incidente. Zé do Vale trabalhava Sábado e domingo pela manhã como voluntário no posto de saúde da comunidade.    O respeito a ele na localidade era tão grande que nas duas ocasiões em que o então candidato a Governador do Estado, Leonel Brizola, circulou por lá, fez questão de levá-lo junto na caminhada.  
Quem age assim jamais pode ser taxado de incompetente e muito menos de covarde. De fato, Zé do Vale é filho do Professor José do Vale Feitosa, mas não precisou do pai como escudo ou escada. Subiu na vida por mérito próprio, por sua competência.
Fossem a autoridades do Crato mais comprometidas, seguiria o exemplo da Fundação Araripe e convidava Zé do Vale para emprestar sua experiência e conhecimento em prol da população carente do Crato. Pelo amor que ele tem pela sua cidade natal, pagaria para vir.

Euclides do Crato : o Geômetra Político de Chico Mendes


“Não há nada como o sonho para criar o futuro.
Utopia hoje, carne e osso amanhã.”
Victor Hugo
Chico Mendes virou lenda. Nascido em 1944 em Xapuri, no Acre, seu nome sedimentou-se, historicamente, na luta pela preservação da Floresta Amazônica. Sindicalista, Seringueiro, Ativista Ambiental, Chico ficou eternamente lembrado, em todo mundo, por sua intransigente luta contra a vil e escravagista exploração do trabalho rural , na Região Norte do Brasil. Ainda criança viu-se imerso no expropriador Ciclo da Borracha, onde levas de pobres seringueiros viam-se lanhados pelo poder do capital ,da mesma forma com que as seringueiras eram talhadas para a extração do leite.
Iniciou a vida de líder sindical , tardiamente, aos 30 anos, como Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Já a partir de 1976, participou dos famosos “empates” que eram pacíficas manifestações dos trabalhadores impedindo os desmatamentos , quando colocavam os próprios corpos para proteger as árvores. Além de ações em defesa dos nativos na posse de glebas de terra numa região historicamente infestada de latifúndios. Participou , depois, da fundação do Sindicato dos Trabalhadores rurais de Xapuri e elegeu-se vereador pelo MDB , ali já começaram as ameaças de morte contra ele. Não bastasse isso, em plena ditadura militar, vê-se acusado de subversão e é preso e torturado. Foi um dos fundadores do PT e um dos dirigentes do partido no Acre. Por influência dos fazendeiros, é incluído na Lei de Segurança Nacional, sob falsa imputação de assassinato de um capataz de fazenda, sendo absolvido no decorrer do processo.
Em 1981 assume a Presidência do Sindicato de Xapuri, cargo que ocuparia até o fim dos seus dias. Em 1985, Chico liderou o I Encontro Nacional dos Seringueiros, quando foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) que ganhou fama internacional com a proposta da “União dos Povos da Floresta” que unificava propostas de seringueiros, castanheiros, pescadores, indígenas, quebradores de coco babaçu e ribeirinhos, com a criação de Reservas Extrativistas.
Em 1987 leva denúncias sobre a devastação da Floresta a fóruns internacionais, conseguindo bloquear o financiamento do BID a projetos de destruição ambientalista. Recebe inúmeros prêmios internacionais por sua luta em defesa do Meio Ambiente, entre eles o Global 500 da ONU. Após a desapropriação de terras e a criação das primeiras Reservas Extrativistas, aumentam as ameaças à sua vida. Era uma Morte Anunciada. Em 1988, aos 44 anos, tomba sob os tiros de escopeta dos fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva. Após o assassinato, mais de trinta entidades se reuniram para formar o Comitê Chico Mendes. Mataram o homem, não arrefeceram sua luta, até 2006 , mais de 43 Reservas Extrativistas já tinham sido criadas, abrangendo mais de 8,6 Milhões de Hectares e abrigando mais de 40.000 famílias. Com Chico Mendes, o Brasil inteiro despertou para um olhar ambientalista, como até então nunca tinha acontecido.
Quase todos têm uma clara dimensão do legado de Chico Mendes. Ficava sempre no ar, no entanto, uma incógnita. Como se formou politicamente o Líder Sindical? Nascido numa região, à época esquecida do mundo, sem escolas, a única escapatória do pobre era o extrativismo do látex. A indústria de extração era centralizada numa elite feudal que explorava os trabalhadores até a última gota. A ausência de educação formal para os seringueiros era por si só uma técnica que tinha o fito claro de impedir o crescimento político dos seringueiros. Aquilo não interessava ao patrão, primeiro porque afastava as crianças do trabalho, diminuindo a produção e , por outro lado, abria um perigoso campo para o conhecimento do mundo e futuras e inevitáveis reivindicações. Não sabendo ler nem contar, abria-se a perspectiva da expropriação, da dissimulação. O seringueiro estava sempre devendo, dizia o próprio Chico na sua biografia. O Acre, o Brasil, o Ambientalismo brasileiro mudaram devido a um desses acasos imprevisíveis, desses toques da sorte que, imediatamente, os mais crédulos debitam a forças superiores.
Segundo Chico, em 1962, aos 18 anos, ele enfurnado no seringal, era completamente analfabeto. Pois um dia , chegou no seu barraco um seringueiro diferente, com um outro linguajar e que terminou impressionando toda a família. Aos poucos ganhou a confiança dos companheiros e interessou-se por Chico, oferecendo-se para ensiná-lo a ler. O pai concordou e aí, todo sábado, nosso futuro líder sindical caminhava três horas , mato a dentro, até o barraco do mestre, onde , não tendo cartilhas, usava jornais velhos para alfabetizar o nosso Chico. Aos poucos, o aluno foi aprendendo as primeiras letras. Muitas vezes as aulas varavam noites e , aos poucos, o professor foi introduzindo e discutindo notícias políticas dos jornais.
Só depois de um ano, segundo o próprio Chico, o mestre se identificou. Chamava-se Euclides Fernandes Távora. Era Tenente do Exército e havia participado, junto com Luiz Carlos Prestes , da Intentona Comunista de 1935, ele e inúmeros outros colegas de farda. Depois da débâcle, fora preso com vários outros em Fernando de Noronha. Ele, no entanto, tinha vários parentes importantes do outro lado. Era sobrinho de Juarez Távora e sob a influência do tio, conseguiu fugir da Ilha, vindo para Belém. Ali participou de um outro Movimento que tinha a influência do Major Barata, terminando por ser novamente preso.
Fugira novamente , agora para a Bolívia. Ali, já na década de 50, Euclides participou de movimentos de Resistência de operários bolivianos e mineiros. Houve grande repressão por lá também e, no pega prá capar, ele novamente escapuliu , embrenhando-se na selva boliviana , terminando por atravessar os seringais e vir bater ali no Acre, estabelecendo-se na Fronteira do Brasil. Ali mesmo, imerso na floresta, travestido de seringueiro, foi que Euclides Távora conheceu Chico Mendes e fez com que mudassem os rumos do Sindicalismo e Ambientalismo brasileiros.
É ainda o próprio Chico Mendes quem disseca cuidadosamente como o professor , aos poucos, o foi conduzindo pelos ínvios caminhos da política brasileira. Lia as colunas políticas dos jornais e discutia com o aluno , cuidadosamente, o que estava por trás das letras frias. Após o Golpe Militar de 1964 , então, os ensinamentos políticos se intensificaram. Euclides conseguiu um Rádio e junto com Chico ouvia os programas em português da “Voz da América” , A “BBC de Londres” e a “Central de Moscou”. As discussões furavam as madrugadas : por que essas rádios tinham versões tão diferentes sobre o mesmíssimo Golpe Militar ?
As lições estenderam-se até 1965, quando Euclides reforçou a importância do Movimento Sindical na resistência à ditadura estabelecida e reafirmou o otimismo quanto ao aparecimento de novos sindicatos e novas lideranças. Segundo Euclides, era preciso entrar nas organizações sociais todas eivadas de pelegos, pois só havia condições de mudar o status quo através de um trabalho interno, que remexesse as entranhas do monstro. O final da história é do conhecimento de todos.
O mais interessante, amigos, é que Euclides Fernandes Távora, segundo o próprio Chico Mendes revela na sua biografia, era cratense. Seu pai , Joaquim Távora, aqui morou por muitos anos e, segundo informações de Chico, todos os filhos teriam nascido aqui. Joaquim Távora procedia de Jaguaribe, onde teria nascido na Fazenda Embargo. Era Joaquim filho de um outro Joaquim : Antonio do Nascimento e Clara Fernandes da Silva Távora. Este casal, além do pai de Euclides , foi pródigo em filhos importantes ao Brasil : Juarez Távora, um dos líderes do Tenentismo de 1922 e candidato à Presidência da República em oposição a Juscelino Kubistchek ; Manoel Fernandes Távora , médico e depois Senador, que estudou no Seminário São José, em Crato e aqui clinicou por todo ano de 1903. Manoel inclusive trabalhou no Amazonas e Acre, razão possível da escolha da Região Norte por Euclides, após a Intentona Comunista. Sem falar em outros Távoras igualmente ilustres: Dom Carloto Távora, Bispo de Caratinga em Minas Gerais; Monsenhor Antonio Távora; o Desembargador Elisário Távora e o advogado Belisário Távora, estes últimos tios, pelo lado materno, do pai do nosso Euclides.
Depois de 1965, não conseguimos qualquer informação sobre o paradeiro do nosso Euclides Távora, o cratense mestre do grande Chico Mendes. O certo é que como um Nostradamus ele , visionariamente, parecia antever o futuro. Previra que os anos de chumbo durariam de 10 a 20 anos, que o movimento sindical se organizaria e que se a Ditadura Militar pensava que humilhando, torturando e cortando o movimento libertário, o exterminaria, estava redondamente enganada. Podava apenas os galhos, as raízes germinariam como por encanto e o povo organizado aspergiria as novas sementes ao vento e, em breve, o Brasil seria um grande “empate” contra a opressão e a injustiça social. Euclides sabia que o sonho e a utopia são apenas um dos estágios da realidade : como a pupa e a borboleta.

J. Flávio Vieira

Foto by Nívia Uchôa



Assunto: Enc: II ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI

Assunto: II ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI

CONVITE
A União das Associações dos Filhos e Amigos do Cariri convida Vossa Senhoria e Excelentíssima família para o II ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI (BAILE DE CONFRATERNIZAÇÃO)
Data: 05.11.2011
Local: Náutico Atlético Cearense
Hora: 22:00h
Banda: Brasas Seis
Convite: R$ 15,00 (haverá venda de ingresso na portaria)



Associação dos Filhos e Amigos do Crato

A Diretoria

ABOBRINHAS AO LÉO - por Ulisses Germano

1
Sozinho não somos nada
Uma folha a vagar no vento
A vida compartilhada
Nos livra do sofrimento

2
Mas em tudo há medida
E o regente é o pensar
A hora mais descabida
Só resulta em maltratar

"MONSTROS SAGRADOS" - José Nilton Mariano Saraiva

Como não poderia deixar de ser, por esse mundo afora são muitas e diferentes
as "falas" e o "modo de expressar-se" dos povos (na realidade, a cultura de cada um). Você já imaginou, por exemplo, como seria estranho e esquisito se de repente os brasileiros tivéssemos que escrever "de trás pra frente" (ou da direita pra esquerda), como é feito lá pras bandas do explosivo Oriente Médio ??? Ou se usássemos aqueles “garranchos” (na verdade, símbolos e não letras) usados lá no Japão e na China ???
Por essa e outras é que a nossa língua portuguesa é realmente algo fantástica, inigualável, rica, fabulosa. Um exemplo ??? Tomado de forma isolada (ou ao “pé-da-letra”), o substantivo “monstro” remete-nos, de pronto, a uma figura desprezível, horripilante, ruim, cruel, desprezível e, enfim, a alguma coisa contrária à própria natureza, algo como que uma autentica criação do “capeta” e seus discípulos.
De outra parte, se atentarmos para a palavra “sagrado”, até sem muito esforço intelectual seremos imediatamente induzidos a crer em algo que inspira respeito, divindade, estima, sublimação, digna de veneração, como se fora originária dos deuses.
O que poderia resultar, então, do inusual “ajuntamento”, um até pouco tempo atrás improvável “acasalamento”, uma espécie de associação, junção, sociedade (ou seja lá como se possa denominar), entre o substantivo tido como demoníaco e o adjetivo considerado quase que celestial, entre o profano e o sagrado, entre as supostas “representações” do capeta e do Divino ???
O que significaria, em sua acepção plena, a expressão “monstro sagrado” ???
“Na lata” e sem medo de incorrermos em alguma heresia ou qualquer disparate: ao adjetivarmos a palavra “monstro” com a qualificação “sagrado” (não tão comum nos dias atuais), estamos, na realidade, subvertendo o real e tétrico significado da palavra “monstro”, passando então tal expressão a assumir mesmo que transitoriamente a acepção de venerável, inalcançável, intocável ou inatingível.
Isto posto, vamos ao que interessa: dentre a infinidade de blogs que compõem a comunidade virtual dos dias presentes, a cidade do Crato tem o privilégio de sediar os blogs “No Azul Sonhado”, “Cariricult” e “Cariricaturas”, sem favor nenhum repositórios de cabeças pensantes às mais ilustres, felizes detentores de uma miscelânea de cucas privilegiadíssimas, enfim, ambiente, abrigo e certeza de um manancial intelectual de qualidade comprovada, trincheira de dá inveja a gregos e troianos (torna-se necessário, no entanto, que os seus responsáveis tomem os devidos cuidados a fim de evitar qualquer espécie de "contaminaçao" indesejada, que acabe por desfalcar o time).
E, dentre tantas e tão destacadas figuras, no meio de tantas “cobras-criadas”, de tantas sumidades, permitimo-nos, sem receio de ferir suscetibilidades, nomear duas figuras que, em seus respectivos estilos, se destacam pela maneira séria, competente, leve, envolvente e gostosa de expor publicamente; de um lado, temos suas narrações de “causos”, “reminiscências”, “mungangas” e “presepadas”; e, quando necessário, a manifestação didática e de maneira incisiva e contundente das suas posições políticas, suas visões do mundo, suas ricas experiências de vida.
Referimo-nos aos honrados, íntegros e respeitáveis senhores José Flávio Vieira e José do Vale Pinheiro Feitosa, cratenses que ultrapassaram fronteiras e dignificam e orgulham todos nós, filhos da terra de Bárbara de Alencar.
São os nossos “MONSTROS SAGRADOS”.

GEORGE MACÁRIO - QUEM PRATICA POLITICALHA?


Senhor Presidente,
                                Eu vou pedir a gravação desta fita porque eu preciso apurar as palavras que foram ditas aqui em relação a D. Almina, que está,  está, demente e, ... na  época..., eu preciso apurar isto porque considero uma agressão, inclusive, inclusive, eu já fui agredida aqui com este tipo de fala, com estas  condições e eu gostaria que isto não acontecesse mais. Então eu quero a cópia da fita para analisar direitinho e farei toda uma apuração porque mesmo que ela esteja demente, aqui não é lugar de se estar denunciando a condição  de vida da pessoa idosa. Fica aqui o meu registro. Eu quero a cópia da fita.

           De forma extremamente desagradável, o líder do governo na Câmara Municipal mencionou o nome da minha mãe, Almina Arraes, em sessão no último dia 18.10.2011 no plenário daquela casa. O tratamento dispensado a minha mãe pode ser visto nos sites ) http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/11/george-macario-camara-municipal.html
e http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/11/o-video-de-george-macario-atacando.html), postados por mim e por José do Vale Filho. O vereador George Macário, além de deselegante, atribui a minha mãe característica que ela não possui mas que ele próprio praticou naquele momento: “criar fatos que não existem”, pois afirmou com fingida convicção que ela estava na “iminência de ser interditada pela família”, o que está muito distante da realidade.
          Com a repercussão negativa, o vereador, numa postura cínica, tentou jogar a culpa para terceiros, inclusive responsabilizando a Vereadora Mara como provocadora do incidente. O vídeo da sessão mostra claramente que a representante do PT limitou-se a pedir cópia da sessão para conferir o que foi dito momentos antes. Textualmente, justifica a solicitação com os termos “...vou pedir a gravação desta fita porque eu preciso apurar as palavra que foram ditas em relação a D. Almina, que está demente, eu preciso apurar isto porque considero uma agressão”.  O pronunciamento de Mara do PT pode ser visto no vídeo acima.
            Ante à solicitação, o Sr. Líder prefeito parece ter perdido o controle, como pode ser constatado na desesperada réplica, também postada neste azul sonhado (http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/11/george-macario-2-sobre-almina-arraes.html).
                Talvez tenha faltado bom senso ou experiência ao suplente em exercício do mandato George Macário. Em vez da reação estaparfúrdia, se tivesse reconhecido o “engano” quanto a senilidade de minha mãe e pedido desculpas, o lamentável episódio teria sido minimizado.  A agressão foi imensurável, nos magoou muito, mas o crédito do Dr. Humberto Macário e de Noemita junto a gente é muito maior.

José do Vale Pinheiro Feitosa !





Ele nos encontrou através do blog Cariricult, em 2007.
Foi um dos fundadores do Cariricaturas, constava como administrador( embora nunca tenha feito uso desse privilégio). Contribuiu, diferencialmente e especialmente, com tal blog por mais de dois anos. Sem ele, o blog não teria existido.
Domina assuntos; tem propriedade; sempre pacificador, encara conflitos e desafios com diplomacia e maturidade.
Amigo dos amigos, da família, e principalmente, amigo do Crato.
A cada texto seu eu aprendo, sobretudo!
No dia em que o Zé do Vale se afastar dos blogs do Cariri, perderemos uma das maiores das nossas forças, um dos maiores dos nossos valores- nossa grande expressão!
Mas,o “ Azul Sonhado” e o Cariricult lhe pertencem. Que reine entre nós enquanto existirmos!

Grande abraço,carinhoso e amigo, em nome de todos,  para Zé do Vale!
uma coisa é ser beatnik
bem outra
é comprar roupa
demodeé
numa
boutique

Por João Nicodemos






JURÁSSICO


Pessoas sinceras
honestas consigo mesmas
quando trocam idéias
são como dinossauros
que
a brigar
com imensos movimentos
destroem metade da floresta
a sua volta

Guel Arraes- no dia mundial do Cinema




Nasc: 12/12/1953
Nome de Nascimento: Miguel Arraes de Alencar Filho
Cidade: Recife, Pernambuco
País: Brasil

Guel Arraes é diretor de núcleo da Rede Globo e um de seus funcionários mais influentes.

O Olhar do Sol - por José do Vale Pinheiro Feitosa


Por voltas das 6:30 horas com a janela aberta para o Corcovado percebo que o meu olhar é o olhar do sol. Como dizem os cantadores cegos com suas rabecas acompanhando o canto: a luz dos meus olhos. A floresta, em sua encosta virada para a Lagoa Rodrigo de Freitas, se destaca em trama, predominantemente vertical, dos troncos de suas árvores. Iluminam com tal intensidade que se sobressaem sobre todo aquele mar de folhagem.

Quando no zênite deste horário de verão, por volta das 13:30 horas, o meu olhar mudou. As copas das árvores tomaram a encosta do morro numa variação de verdes com uma suavidade de relevo. Quase todas as árvores estão do mesmo tamanho e o machado lanhante não abriu clareiras que rebaixam a vegetação ao tamanho da relva.

Por volta das 17:OO já tenho outro olhar. Como uma terceira visão, que não é a última, pois afinal virão os olhares matizados de reflexos urbanos na fase de lua nova e os da lua cheia igualmente concorrente das luzes da cidade. Neste terceiro olhar todos os troncos estão à sombra da minha percepção. As copas para o meu lado escureceram o verde, cada uma delas teima em ser o limite da minha visão, mas não consegue, pois a encosta se prolonga a oeste esticando o olhar.

E tomando por base os nossos olhares, o meu e o do sol, ao extrair sentenças da verdade terei falado do momento que o sol me deu. Seja a encosta de troncos de árvores, copas iluminadas, verde limitante ou o plano azul escuro inclinado a sul.

Como assistindo ao noticiário das sete horas na televisão e um milionário que mudou a constituição da cidade conquistou o terceiro mandato para prefeito de Nova York. Como esta notícia é banal e se passa despercebida, afinal são as excentricidades milionárias.

Mas causam furor se certas hipóteses de terceiro mandato vierem à tona e outras já realizadas neste olhar que o sol das ideologias oferece aos seus quadros. Como se o tom da matéria jornalista já fosse a própria iluminação solar. Um abrandamento quando as intenções ocorrem em “campo amigo”.

Afinal existem poderes acumulados e controle de fundos de dinheiro para que a sociedade aceite o mesmo mandatário por seis ou nove anos. Como existe um espírito conservador de que o Estado se faz por si mesmo independente do quadro político sobre ele. Neste caso naquelas sociedades em que a oposição se lixou no próprio embate.