por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Euclides do Crato : o Geômetra Político de Chico Mendes


“Não há nada como o sonho para criar o futuro.
Utopia hoje, carne e osso amanhã.”
Victor Hugo
Chico Mendes virou lenda. Nascido em 1944 em Xapuri, no Acre, seu nome sedimentou-se, historicamente, na luta pela preservação da Floresta Amazônica. Sindicalista, Seringueiro, Ativista Ambiental, Chico ficou eternamente lembrado, em todo mundo, por sua intransigente luta contra a vil e escravagista exploração do trabalho rural , na Região Norte do Brasil. Ainda criança viu-se imerso no expropriador Ciclo da Borracha, onde levas de pobres seringueiros viam-se lanhados pelo poder do capital ,da mesma forma com que as seringueiras eram talhadas para a extração do leite.
Iniciou a vida de líder sindical , tardiamente, aos 30 anos, como Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Já a partir de 1976, participou dos famosos “empates” que eram pacíficas manifestações dos trabalhadores impedindo os desmatamentos , quando colocavam os próprios corpos para proteger as árvores. Além de ações em defesa dos nativos na posse de glebas de terra numa região historicamente infestada de latifúndios. Participou , depois, da fundação do Sindicato dos Trabalhadores rurais de Xapuri e elegeu-se vereador pelo MDB , ali já começaram as ameaças de morte contra ele. Não bastasse isso, em plena ditadura militar, vê-se acusado de subversão e é preso e torturado. Foi um dos fundadores do PT e um dos dirigentes do partido no Acre. Por influência dos fazendeiros, é incluído na Lei de Segurança Nacional, sob falsa imputação de assassinato de um capataz de fazenda, sendo absolvido no decorrer do processo.
Em 1981 assume a Presidência do Sindicato de Xapuri, cargo que ocuparia até o fim dos seus dias. Em 1985, Chico liderou o I Encontro Nacional dos Seringueiros, quando foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) que ganhou fama internacional com a proposta da “União dos Povos da Floresta” que unificava propostas de seringueiros, castanheiros, pescadores, indígenas, quebradores de coco babaçu e ribeirinhos, com a criação de Reservas Extrativistas.
Em 1987 leva denúncias sobre a devastação da Floresta a fóruns internacionais, conseguindo bloquear o financiamento do BID a projetos de destruição ambientalista. Recebe inúmeros prêmios internacionais por sua luta em defesa do Meio Ambiente, entre eles o Global 500 da ONU. Após a desapropriação de terras e a criação das primeiras Reservas Extrativistas, aumentam as ameaças à sua vida. Era uma Morte Anunciada. Em 1988, aos 44 anos, tomba sob os tiros de escopeta dos fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva. Após o assassinato, mais de trinta entidades se reuniram para formar o Comitê Chico Mendes. Mataram o homem, não arrefeceram sua luta, até 2006 , mais de 43 Reservas Extrativistas já tinham sido criadas, abrangendo mais de 8,6 Milhões de Hectares e abrigando mais de 40.000 famílias. Com Chico Mendes, o Brasil inteiro despertou para um olhar ambientalista, como até então nunca tinha acontecido.
Quase todos têm uma clara dimensão do legado de Chico Mendes. Ficava sempre no ar, no entanto, uma incógnita. Como se formou politicamente o Líder Sindical? Nascido numa região, à época esquecida do mundo, sem escolas, a única escapatória do pobre era o extrativismo do látex. A indústria de extração era centralizada numa elite feudal que explorava os trabalhadores até a última gota. A ausência de educação formal para os seringueiros era por si só uma técnica que tinha o fito claro de impedir o crescimento político dos seringueiros. Aquilo não interessava ao patrão, primeiro porque afastava as crianças do trabalho, diminuindo a produção e , por outro lado, abria um perigoso campo para o conhecimento do mundo e futuras e inevitáveis reivindicações. Não sabendo ler nem contar, abria-se a perspectiva da expropriação, da dissimulação. O seringueiro estava sempre devendo, dizia o próprio Chico na sua biografia. O Acre, o Brasil, o Ambientalismo brasileiro mudaram devido a um desses acasos imprevisíveis, desses toques da sorte que, imediatamente, os mais crédulos debitam a forças superiores.
Segundo Chico, em 1962, aos 18 anos, ele enfurnado no seringal, era completamente analfabeto. Pois um dia , chegou no seu barraco um seringueiro diferente, com um outro linguajar e que terminou impressionando toda a família. Aos poucos ganhou a confiança dos companheiros e interessou-se por Chico, oferecendo-se para ensiná-lo a ler. O pai concordou e aí, todo sábado, nosso futuro líder sindical caminhava três horas , mato a dentro, até o barraco do mestre, onde , não tendo cartilhas, usava jornais velhos para alfabetizar o nosso Chico. Aos poucos, o aluno foi aprendendo as primeiras letras. Muitas vezes as aulas varavam noites e , aos poucos, o professor foi introduzindo e discutindo notícias políticas dos jornais.
Só depois de um ano, segundo o próprio Chico, o mestre se identificou. Chamava-se Euclides Fernandes Távora. Era Tenente do Exército e havia participado, junto com Luiz Carlos Prestes , da Intentona Comunista de 1935, ele e inúmeros outros colegas de farda. Depois da débâcle, fora preso com vários outros em Fernando de Noronha. Ele, no entanto, tinha vários parentes importantes do outro lado. Era sobrinho de Juarez Távora e sob a influência do tio, conseguiu fugir da Ilha, vindo para Belém. Ali participou de um outro Movimento que tinha a influência do Major Barata, terminando por ser novamente preso.
Fugira novamente , agora para a Bolívia. Ali, já na década de 50, Euclides participou de movimentos de Resistência de operários bolivianos e mineiros. Houve grande repressão por lá também e, no pega prá capar, ele novamente escapuliu , embrenhando-se na selva boliviana , terminando por atravessar os seringais e vir bater ali no Acre, estabelecendo-se na Fronteira do Brasil. Ali mesmo, imerso na floresta, travestido de seringueiro, foi que Euclides Távora conheceu Chico Mendes e fez com que mudassem os rumos do Sindicalismo e Ambientalismo brasileiros.
É ainda o próprio Chico Mendes quem disseca cuidadosamente como o professor , aos poucos, o foi conduzindo pelos ínvios caminhos da política brasileira. Lia as colunas políticas dos jornais e discutia com o aluno , cuidadosamente, o que estava por trás das letras frias. Após o Golpe Militar de 1964 , então, os ensinamentos políticos se intensificaram. Euclides conseguiu um Rádio e junto com Chico ouvia os programas em português da “Voz da América” , A “BBC de Londres” e a “Central de Moscou”. As discussões furavam as madrugadas : por que essas rádios tinham versões tão diferentes sobre o mesmíssimo Golpe Militar ?
As lições estenderam-se até 1965, quando Euclides reforçou a importância do Movimento Sindical na resistência à ditadura estabelecida e reafirmou o otimismo quanto ao aparecimento de novos sindicatos e novas lideranças. Segundo Euclides, era preciso entrar nas organizações sociais todas eivadas de pelegos, pois só havia condições de mudar o status quo através de um trabalho interno, que remexesse as entranhas do monstro. O final da história é do conhecimento de todos.
O mais interessante, amigos, é que Euclides Fernandes Távora, segundo o próprio Chico Mendes revela na sua biografia, era cratense. Seu pai , Joaquim Távora, aqui morou por muitos anos e, segundo informações de Chico, todos os filhos teriam nascido aqui. Joaquim Távora procedia de Jaguaribe, onde teria nascido na Fazenda Embargo. Era Joaquim filho de um outro Joaquim : Antonio do Nascimento e Clara Fernandes da Silva Távora. Este casal, além do pai de Euclides , foi pródigo em filhos importantes ao Brasil : Juarez Távora, um dos líderes do Tenentismo de 1922 e candidato à Presidência da República em oposição a Juscelino Kubistchek ; Manoel Fernandes Távora , médico e depois Senador, que estudou no Seminário São José, em Crato e aqui clinicou por todo ano de 1903. Manoel inclusive trabalhou no Amazonas e Acre, razão possível da escolha da Região Norte por Euclides, após a Intentona Comunista. Sem falar em outros Távoras igualmente ilustres: Dom Carloto Távora, Bispo de Caratinga em Minas Gerais; Monsenhor Antonio Távora; o Desembargador Elisário Távora e o advogado Belisário Távora, estes últimos tios, pelo lado materno, do pai do nosso Euclides.
Depois de 1965, não conseguimos qualquer informação sobre o paradeiro do nosso Euclides Távora, o cratense mestre do grande Chico Mendes. O certo é que como um Nostradamus ele , visionariamente, parecia antever o futuro. Previra que os anos de chumbo durariam de 10 a 20 anos, que o movimento sindical se organizaria e que se a Ditadura Militar pensava que humilhando, torturando e cortando o movimento libertário, o exterminaria, estava redondamente enganada. Podava apenas os galhos, as raízes germinariam como por encanto e o povo organizado aspergiria as novas sementes ao vento e, em breve, o Brasil seria um grande “empate” contra a opressão e a injustiça social. Euclides sabia que o sonho e a utopia são apenas um dos estágios da realidade : como a pupa e a borboleta.

J. Flávio Vieira

Foto by Nívia Uchôa



Assunto: Enc: II ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI

Assunto: II ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI

CONVITE
A União das Associações dos Filhos e Amigos do Cariri convida Vossa Senhoria e Excelentíssima família para o II ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI (BAILE DE CONFRATERNIZAÇÃO)
Data: 05.11.2011
Local: Náutico Atlético Cearense
Hora: 22:00h
Banda: Brasas Seis
Convite: R$ 15,00 (haverá venda de ingresso na portaria)



Associação dos Filhos e Amigos do Crato

A Diretoria

ABOBRINHAS AO LÉO - por Ulisses Germano

1
Sozinho não somos nada
Uma folha a vagar no vento
A vida compartilhada
Nos livra do sofrimento

2
Mas em tudo há medida
E o regente é o pensar
A hora mais descabida
Só resulta em maltratar

"MONSTROS SAGRADOS" - José Nilton Mariano Saraiva

Como não poderia deixar de ser, por esse mundo afora são muitas e diferentes
as "falas" e o "modo de expressar-se" dos povos (na realidade, a cultura de cada um). Você já imaginou, por exemplo, como seria estranho e esquisito se de repente os brasileiros tivéssemos que escrever "de trás pra frente" (ou da direita pra esquerda), como é feito lá pras bandas do explosivo Oriente Médio ??? Ou se usássemos aqueles “garranchos” (na verdade, símbolos e não letras) usados lá no Japão e na China ???
Por essa e outras é que a nossa língua portuguesa é realmente algo fantástica, inigualável, rica, fabulosa. Um exemplo ??? Tomado de forma isolada (ou ao “pé-da-letra”), o substantivo “monstro” remete-nos, de pronto, a uma figura desprezível, horripilante, ruim, cruel, desprezível e, enfim, a alguma coisa contrária à própria natureza, algo como que uma autentica criação do “capeta” e seus discípulos.
De outra parte, se atentarmos para a palavra “sagrado”, até sem muito esforço intelectual seremos imediatamente induzidos a crer em algo que inspira respeito, divindade, estima, sublimação, digna de veneração, como se fora originária dos deuses.
O que poderia resultar, então, do inusual “ajuntamento”, um até pouco tempo atrás improvável “acasalamento”, uma espécie de associação, junção, sociedade (ou seja lá como se possa denominar), entre o substantivo tido como demoníaco e o adjetivo considerado quase que celestial, entre o profano e o sagrado, entre as supostas “representações” do capeta e do Divino ???
O que significaria, em sua acepção plena, a expressão “monstro sagrado” ???
“Na lata” e sem medo de incorrermos em alguma heresia ou qualquer disparate: ao adjetivarmos a palavra “monstro” com a qualificação “sagrado” (não tão comum nos dias atuais), estamos, na realidade, subvertendo o real e tétrico significado da palavra “monstro”, passando então tal expressão a assumir mesmo que transitoriamente a acepção de venerável, inalcançável, intocável ou inatingível.
Isto posto, vamos ao que interessa: dentre a infinidade de blogs que compõem a comunidade virtual dos dias presentes, a cidade do Crato tem o privilégio de sediar os blogs “No Azul Sonhado”, “Cariricult” e “Cariricaturas”, sem favor nenhum repositórios de cabeças pensantes às mais ilustres, felizes detentores de uma miscelânea de cucas privilegiadíssimas, enfim, ambiente, abrigo e certeza de um manancial intelectual de qualidade comprovada, trincheira de dá inveja a gregos e troianos (torna-se necessário, no entanto, que os seus responsáveis tomem os devidos cuidados a fim de evitar qualquer espécie de "contaminaçao" indesejada, que acabe por desfalcar o time).
E, dentre tantas e tão destacadas figuras, no meio de tantas “cobras-criadas”, de tantas sumidades, permitimo-nos, sem receio de ferir suscetibilidades, nomear duas figuras que, em seus respectivos estilos, se destacam pela maneira séria, competente, leve, envolvente e gostosa de expor publicamente; de um lado, temos suas narrações de “causos”, “reminiscências”, “mungangas” e “presepadas”; e, quando necessário, a manifestação didática e de maneira incisiva e contundente das suas posições políticas, suas visões do mundo, suas ricas experiências de vida.
Referimo-nos aos honrados, íntegros e respeitáveis senhores José Flávio Vieira e José do Vale Pinheiro Feitosa, cratenses que ultrapassaram fronteiras e dignificam e orgulham todos nós, filhos da terra de Bárbara de Alencar.
São os nossos “MONSTROS SAGRADOS”.

GEORGE MACÁRIO - QUEM PRATICA POLITICALHA?


Senhor Presidente,
                                Eu vou pedir a gravação desta fita porque eu preciso apurar as palavras que foram ditas aqui em relação a D. Almina, que está,  está, demente e, ... na  época..., eu preciso apurar isto porque considero uma agressão, inclusive, inclusive, eu já fui agredida aqui com este tipo de fala, com estas  condições e eu gostaria que isto não acontecesse mais. Então eu quero a cópia da fita para analisar direitinho e farei toda uma apuração porque mesmo que ela esteja demente, aqui não é lugar de se estar denunciando a condição  de vida da pessoa idosa. Fica aqui o meu registro. Eu quero a cópia da fita.

           De forma extremamente desagradável, o líder do governo na Câmara Municipal mencionou o nome da minha mãe, Almina Arraes, em sessão no último dia 18.10.2011 no plenário daquela casa. O tratamento dispensado a minha mãe pode ser visto nos sites ) http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/11/george-macario-camara-municipal.html
e http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/11/o-video-de-george-macario-atacando.html), postados por mim e por José do Vale Filho. O vereador George Macário, além de deselegante, atribui a minha mãe característica que ela não possui mas que ele próprio praticou naquele momento: “criar fatos que não existem”, pois afirmou com fingida convicção que ela estava na “iminência de ser interditada pela família”, o que está muito distante da realidade.
          Com a repercussão negativa, o vereador, numa postura cínica, tentou jogar a culpa para terceiros, inclusive responsabilizando a Vereadora Mara como provocadora do incidente. O vídeo da sessão mostra claramente que a representante do PT limitou-se a pedir cópia da sessão para conferir o que foi dito momentos antes. Textualmente, justifica a solicitação com os termos “...vou pedir a gravação desta fita porque eu preciso apurar as palavra que foram ditas em relação a D. Almina, que está demente, eu preciso apurar isto porque considero uma agressão”.  O pronunciamento de Mara do PT pode ser visto no vídeo acima.
            Ante à solicitação, o Sr. Líder prefeito parece ter perdido o controle, como pode ser constatado na desesperada réplica, também postada neste azul sonhado (http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/11/george-macario-2-sobre-almina-arraes.html).
                Talvez tenha faltado bom senso ou experiência ao suplente em exercício do mandato George Macário. Em vez da reação estaparfúrdia, se tivesse reconhecido o “engano” quanto a senilidade de minha mãe e pedido desculpas, o lamentável episódio teria sido minimizado.  A agressão foi imensurável, nos magoou muito, mas o crédito do Dr. Humberto Macário e de Noemita junto a gente é muito maior.

José do Vale Pinheiro Feitosa !





Ele nos encontrou através do blog Cariricult, em 2007.
Foi um dos fundadores do Cariricaturas, constava como administrador( embora nunca tenha feito uso desse privilégio). Contribuiu, diferencialmente e especialmente, com tal blog por mais de dois anos. Sem ele, o blog não teria existido.
Domina assuntos; tem propriedade; sempre pacificador, encara conflitos e desafios com diplomacia e maturidade.
Amigo dos amigos, da família, e principalmente, amigo do Crato.
A cada texto seu eu aprendo, sobretudo!
No dia em que o Zé do Vale se afastar dos blogs do Cariri, perderemos uma das maiores das nossas forças, um dos maiores dos nossos valores- nossa grande expressão!
Mas,o “ Azul Sonhado” e o Cariricult lhe pertencem. Que reine entre nós enquanto existirmos!

Grande abraço,carinhoso e amigo, em nome de todos,  para Zé do Vale!
uma coisa é ser beatnik
bem outra
é comprar roupa
demodeé
numa
boutique

Por João Nicodemos






JURÁSSICO


Pessoas sinceras
honestas consigo mesmas
quando trocam idéias
são como dinossauros
que
a brigar
com imensos movimentos
destroem metade da floresta
a sua volta

Guel Arraes- no dia mundial do Cinema




Nasc: 12/12/1953
Nome de Nascimento: Miguel Arraes de Alencar Filho
Cidade: Recife, Pernambuco
País: Brasil

Guel Arraes é diretor de núcleo da Rede Globo e um de seus funcionários mais influentes.

O Olhar do Sol - por José do Vale Pinheiro Feitosa


Por voltas das 6:30 horas com a janela aberta para o Corcovado percebo que o meu olhar é o olhar do sol. Como dizem os cantadores cegos com suas rabecas acompanhando o canto: a luz dos meus olhos. A floresta, em sua encosta virada para a Lagoa Rodrigo de Freitas, se destaca em trama, predominantemente vertical, dos troncos de suas árvores. Iluminam com tal intensidade que se sobressaem sobre todo aquele mar de folhagem.

Quando no zênite deste horário de verão, por volta das 13:30 horas, o meu olhar mudou. As copas das árvores tomaram a encosta do morro numa variação de verdes com uma suavidade de relevo. Quase todas as árvores estão do mesmo tamanho e o machado lanhante não abriu clareiras que rebaixam a vegetação ao tamanho da relva.

Por volta das 17:OO já tenho outro olhar. Como uma terceira visão, que não é a última, pois afinal virão os olhares matizados de reflexos urbanos na fase de lua nova e os da lua cheia igualmente concorrente das luzes da cidade. Neste terceiro olhar todos os troncos estão à sombra da minha percepção. As copas para o meu lado escureceram o verde, cada uma delas teima em ser o limite da minha visão, mas não consegue, pois a encosta se prolonga a oeste esticando o olhar.

E tomando por base os nossos olhares, o meu e o do sol, ao extrair sentenças da verdade terei falado do momento que o sol me deu. Seja a encosta de troncos de árvores, copas iluminadas, verde limitante ou o plano azul escuro inclinado a sul.

Como assistindo ao noticiário das sete horas na televisão e um milionário que mudou a constituição da cidade conquistou o terceiro mandato para prefeito de Nova York. Como esta notícia é banal e se passa despercebida, afinal são as excentricidades milionárias.

Mas causam furor se certas hipóteses de terceiro mandato vierem à tona e outras já realizadas neste olhar que o sol das ideologias oferece aos seus quadros. Como se o tom da matéria jornalista já fosse a própria iluminação solar. Um abrandamento quando as intenções ocorrem em “campo amigo”.

Afinal existem poderes acumulados e controle de fundos de dinheiro para que a sociedade aceite o mesmo mandatário por seis ou nove anos. Como existe um espírito conservador de que o Estado se faz por si mesmo independente do quadro político sobre ele. Neste caso naquelas sociedades em que a oposição se lixou no próprio embate.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Monsueto


Monsueto Campos de Menezes (Rio de Janeiro, 4 de novembro de 1924 — Rio de Janeiro, 17 de março de 1973) foi um sambista, cantor, compositor, instrumentista, pintor e ator brasileiro



Ancine vai distribuir R$ 7,2 milhões em editais

Ancine vai distribuir R$ 7,2 milhões em editais

Xico Sá, o Greco-Cratense

Mais estranho que a ficção III: O analfa político

Deveria volver aos 17 e ser um comuna à moda Brecht (bem aí na foto) por excelência. É o que a bola da realidade pede.

Como hoje é quinta, porém, a clássica quinta dos infernos, é dia de mais um episódio da série “Mais estranho que a ficção”, justíssima homenagem semanal ao mr. Chuck Palahniuk e o seu livraço homônimo de crônicas.

Palahniuk, para quem não lembra, é o cara que escreveu “Clube da Luta”, livro porreta filme idem. Sem mais lengalenga, direto no miocárdio, vamos nessa, sempre tentando falar aos corações aflitos:

I- O Brasil, SOS, o Brasil, SUS, o Brasil... é o único país do mundo onde a pequena burguesia, também conhecida como burguesia-gabiru, carece politizar o câncer de um ex-presidente para discutir saúde pública.

II- O pior analfabeto político, título de poema do velho Brecht, é aquele capaz de politizar a multiplicação desordenada das células.

III- Não é preciso ler Norberto Bobbio (* Turim, 18 de outubro de 1909 + Turim, 9 de janeiro de 2004) para saber que não há doença grave de direita nem de esquerda.

Doença leve, óbvio, é de centro, como resfriado e ressaca moral de colunista político ou comentarista de redes sociais.

IV- Meu particularíssimo respeito às doenças graves devo tão-somente à educação e solenidade adquirida na infância greco-cratense. Até a palavra câncer era proibida. Falava-se “aquela doença” e outros paliativos lacanianos.

V- Mas já que resolveram botar a mãe e a ideologia no meio, politizemos de vez a dengue, a varíola, a febre amarela, a caxumba (na minha terra é papeira), a febre do rato, a peste bubônica, o istampô-calango e outras febres da selva.

VI- Real-politik! Donde o mosquito da dengue, por exemplo, é municipal; a gritaria é estadual e o remédio da Sucam é federal.

VII- Vamos politizar, com todo panfleto & fúria, as mortes no trânsito, a poluição atmosférica, o colesterol.

VIII- Sou repórter do tempo em que câncer e suicídio não eram notícia, seus mal-educados. Eram respeito e silêncio.

IX- Mas sobretudo sou do tempo de hoje, entonce, bora ao bom-combate. Viva o contraditório, o esperneio geral da nação, esculhambem, mas, pô, vocês não tiveram pais ou simplesmente ainda não fizeram o primeiro exame de próstata?

X- Que vossos diagnósticos nunca sejam positivos, amém.

Escrito por Xico Sá às 23h23

GEORGE MACÁRIO 2 - SOBRE ALMINA ARRAES


Segundo aparte do Vereador George Macário:
 Sr. Presidente,
Veja só Vossa Excelência, como a coisa aqui é deturpada. Quem faz questão agora da fita sou eu, porque em momento algum eu usei a palavra “demente”. Demente é uma coisa e estar passível de ser interditada  por conta da senilidade da idade pessoa é outra. Qualquer idoso, uma pessoa com 80 anos é capaz de ser interditada inclusive pela própria família  porque não tem mais capacidade de exercer (inaudível), não tem. A pessoa chega numa determinada idade que a cabeça não corresponde mais com a razão. Qualquer um é passível de interdição, jamais eu falei aqui na palavra demência, loucura. – voz de Mara: “É a mesma coisa, vereador”.
É não, é não. Vá estudar (aos gritos) pra saber se demência é a mesma coisa que senilidade.

GEORGE MACÁRIO- CAMARA MUNICIPAL -18.10.2011


Trecho do discurso pronunciado pelo Vereador George Macário, em aparte ao Vereador Fernando Brasil, na sessão de 18.10.2011.
... e tenho certeza, foi exagero por parte da minha parenta (Almina Arraes) que hoje é considerada na própria família como pessoa que está na iminência de ser interditada por conta da sua senilidade por questões já da idade (gesticula pondo o dedo indicador apontando para a própria têmpora), já criando fatos que não existiram ...(inaudível) inclusive, inclusive isto foi o motivo de defesa do próprio Presidente da SAAEC...  

 


A alma de muita gente
É como um rio profundo
A face tão transparente
Mas quanto lodo no fundo.

Belmiro Braga

ELES NASCERAM EM NOVEMBRO- Norma Hauer



São muitos os artistas importantes que nasceram no mês de novembro, além de Rosita Gonzales.

Estarei ausente (no esterior) durante todo o mês, a partir de hoje, dia 3. Dessa forma, não os posso referendar, mas posso deixar seus nomes aqui registrados para que eles não sejam esquecidos neste mês, como não o devem ser nunca.
Assim temos:

No dia 4, de 1924, nasceu MONSUETO, sambista de várias escolas sem se dedicar especificadamente a uma. Foi compositor e vários artistas gravaram seus sambas.

No dia 5, de 1913 nasceu, no Estado do Ceará, LAURO MAIA, que, ao lado de Humberto Teixeira compôs, baiões, sambas e uma bonita valsa de nome "Poema Imortal", gravada por Orlando Silva.

No dia 7, do ano de 1903 nasceu aquele que seria um dos primeiros a ser conhecido em todo o mundo ARY BARROSO.

No dia 8, de 1923, veio ao mundo um cantor e seresteiro paulista. qie não precisou mudar-se para o Rio de Janeiro para ser conhecido em todo o Brasil : FRANCISCO PETRÔNIO, que se imortalizou com seu "Baile da Saudade".

No dia 11, de 1910 foi o nascimento de ANTONIO NÁSSARA, compositor e caricaturista, que nesta qualidade atuiou em vários jornais e revistas.

Como compositor foi gravado por vários cantores, sendo co-autor do maior sucesso carnavalesco de Carlos Galhardo: "Alá-lá-ô".

No dia 17, de 1922 nasceu LOURIVAL FAISSAL, que marcou sua presença como compositor, sendo co-autor da primeira música composta especialmente para o Dia das Mães: "Mãezinha Querida", gravação original de Carlos Galhardo.

O dia 26 marca o Centenário de um artista completo, visto que foi compoitor, rádio-ator, cine-ator, escritor dfe vários livros, além de algumas rádio-novelas e terminou seus dias como tele-ator , trabalhando quase até o final de sua longa vida na Rede Globo: MÁRIO LAGO .
Gostaria de falar mais de MÁRIO LAGO, principalmente por ser ano de seu Centenário,
mas tenho certeza de que ele não será esquecido .

Assim, com o Centenário de Mário Lago, coloco um ponto final neste resumo, devendo regressar em Dezembro.

Norma

ROSITA GONZALES ELA VENCEU NA VIDA E NO RÁDIO- por Norma Hauer



Ela nasceu em 3 de novembro de 1929. Foi uma cantora importante no tempo áureo da Rádio Nacional, onde ingressou vencedora de um concurso estipulado por Renato Murce, com o título "À procura de uma cantora de boleros", realizado em 1946.
Seu nome verdadeiro era Jussara de Melo Viana, mas ficou conhecida como ROSITA GONZALES.
Adotou esse nome artístico, fazendo com que muitos a julgassem mexicana, tal seu jeito especial de cantar boleros. Era brasileira e também enriqueceu seu repertório com músicas de sua terra.
Foi uma lutadora que, antes de vencer no rádio, venceu uma poliomielite que a deixou com dificuldade de andar, mas não com dificuldade de VENCER.
Iniciou a carreira artística profissional em 1946 quando foi contratada pela Rádio Nacional. No início dos anos 50 ingressou na Rádio Mayrink Veiga.
. Assinou seu primeiro contrato com o selo Elite Special e lançou o primeiro disco em 1952 (ainda em 78 rotações) com os boleros brasileiros "Noite após noite",de Vitor Berbara e Haroldo Eiras e "O 'm' da minha mão", de Mário Gennari Filho.
Apesar de der vencedora de um concurso em que se procurava uma cantora de boleros, só veio a gravá-los anos depois, já em LPs.

O primeiro foi em 1960 ( Lo que te gusta a ti” ) na Philips . No ano seguinte lançou “Boleros Inolvidáveis”, com aqueles famosos de Maria Teresa e Agostini Lara. (“Solamentew Uma Vez”; “Noche de Ronda”...)
Depois de a televisão ocupar o espaço do rádio, ficou algum tempo afastada e, nos anos 80, passou a fazer parte do "show" "As cantoras do Rádio", com Ademilde Fonseca, Carmélia Alves, Nora Nei, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima. Apresentavam-se em teatros aqui no Rio, em São Paulo e outras cidades.

A primeira a afastar-se do grupo foi Nora Nei que o fez por motivo de saúde; as outras continuaram até que em 28 de fevereiro de 1997 Rosita Gonzales veio a falecer, aos 67 anos.

Mais tarde (em 2003) juntou-se a ele o jovem cantor Márcio Gomes e, no centenário de nascimento de Lamartine Babo, eles se apresentaram no Teatro João Caetano, homenageando o compositor.
A não ser algumas referências às Cantoras do Rádio, nada há na Internet a respeito de Rosita Gonzales, uma lutadora, que em criança foi vítima da poliomielite e soube vencer uma batalha contra os preconceitos.

Era uma pessoa extremamente simpática a que tive o prazer de conhecer pessoalmente, longe dos auditórios e dos teatros.

A Rosita Gonzales, meu preito de saudades.

Norma
Frases do silencio
Nana Caymmi

Frases que não dizem
O silencio q diz tudo
Cada dia mais difícil de entender
Só ficaram restos
De um amor que era lindo
Uma luz que é impossível de esquecer
Porque existem tantos desencontros
Se eu te amo e é tão fácil de dizer
Soletrando as letras do silencio
Nas frases tão extensas do prazer
Não me lembre de esquecer
Não e esqueça de lembrar
Que ate mesmo acordado é bom sonhar
A vida é coisa seria
Cuidado com a razão
Senão quem vai sofrer é o coração
Como alguém transforma em brincadeira
Sentimentos necessários como o ar
Entre a burrice e a besteira
Não da pra comparar

Quem sabe um dia gente volta
E acende a nova velha chama
Pegando fogo na cidade com poucos bairros pra quem se ama
O nosso amor conta uma historia
Que teve inicio e não tem fim
Agonizando nessa hora
Ele só quer ser, sobreviver.

O vídeo de George Macário atacando Almina Arraes na Câmara de Vereadores para defender a Administração Samuel: José do Vale Pinheiro Feitosa

O meu primeiro texto em solidariedade a Almina Arraes, com base na carta protesto dela, recebeu apoios e uma catilinária de protestos vindo de um ex-funcionário do prefeito. Ao dizer que ele não tem mais qualquer vínculo com a prefeitura e que tudo é apenas por amizade estou usando as palavras do próprio protestante e suas eivadas certezas incomprovadas.

Nos comentários o professor Armando Rafael disse:

“Foi, certamente, um momento infeliz do vereador George Macário, o qual, como líder da situação, não precisava usar palavras desrespeitosas para com uma das pessoas mais respeitáveis da cidade de Crato–– a Sra. Almina Arraes de Alencar Pinheiro.”

Aí o ex-funcionário de Samuel abriu uma verborragia, um paiol de adjetivações e começou a atirar para todos os lados. Quais os principais argumentos do malabarismo de palavras?
Dihelson Mendonça disse em vários trechos:

“Armando, isso aí é mais uma campanha difamatória contra o Prefeito Samuel Araripe.

Um bate-boca ocorrido na câmara de vereadores na última semana no Crato, está servindo de lenha para que os raivosos possam espalhar a mentira, a desagregação e as desavenças na cidade do Crato, de forma irresponsável. Só que dessa vez tudo foi gravado e filmado.”

Seja por que foi mal informado e não leu o protesto de Almina, ou seja, para confundir o leitor e eleitor numa tentativa de diminuir os efeitos ruins do discurso do Samuel, o Dihelson continuou:

(a vereadora Mara Guedes) “tentou fazer ilações no seu discurso, puxando o foco do tema em discussão para a Sra. Almina Arraes, uma respeitável senhora, na tentativa de ressussitar um assunto que já havia sido esgotado, quando criou-se na câmara uma polêmica sobre os temas Loucura e Senilidade.” E mais na frente conclui: “Loucura é uma coisa, Senilidade é outra. O problema todo é que a vereadora Mara Guedes ainda está marcada por uma briga sobre esse tema com o vereador Dárcio Luiz.”

Ora Almina não postou o seu protesto falando em loucura. Leiamos nas palavras dela mesmo: (George Macário) “havia dito em sessão na Câmara dos Vereadores do Crato, não ser verdade o caso da SAAEC e que eu estava sem memória, com as idéias perturbadas, demente. No caso, quem mentiu?” O Dihelson ou não leu Almina ou estava inventando fumaça para esconder os fatos. Aí vem um coisa típica do argumento tendencioso, o que Almina escrevera não tinha importância ela estava equivocada, o povo do Crato equivocado e os filhos da cidade que moram longe, o meu caso, mais ainda e mesmo assim pretendiam orar contra os santos da devoção do ex-funcionário de Samuel. O que ele diz:

“Agora, muitas pessoas não estão sabendo da missa o terço e ficam falando besteira e propagando mentiras de "Ouvi Dizer", só que dessa vez, tudo foi gravado, filmado e o George virá a público ainda hoje ( Domingo ) esclarecer, e discutir o tema na Segunda-Feira na câmara, e segundo ele, mostrar o MAL que a Vereadora Mara Guedes está fazendo à sua família nos últimos dias na cidade do Crato,..”

A vereadora que levantara a questão é que seria a culpada por levar o bom moço, o filhinho de papai, num arroubo de defesa da administração, investir contra o que ele chama de minha parenta. Convenhamos que parentes destas natureza é melhor distância, por vezes os estranhos têm mais ética. E o Dihelson blefava, tudo fora mesmo gravado só que não desdizia o que Almina protesta. Ou então o Dihelson é um pecador da desinformação e ainda acusa a todos e a Deus por serem desinformados. Vejam como ele tenta criar um manto de credibilidade para que naveguemos nas águas de suas crenças:

“Ainda bem que estou sempre por lá na câmara, temos todas as gravações, e o que eu falo não é coisa de ouvi dizer nem mentiras dos raivosos de plantão. Por outro lado, ressalto que é uma tremenda sacanagem esse circo arquitetado para tentar atingir o prefeito Samuel Araripe em coisas que "Só no Crato Mesmo"... propagado por daqueles que só passam o tempo em criar mentiras e espalahar inverdades sobre fatos que não presenciaram, não viram as gravações e não viram como a coisa toda aconteceu.”

Então? Não fica a impressão que Dihelson ouviu tudo e os outros é que não ouviram. Pois bem todos ouvirão agora e tirarão as conclusões que bem acharem. Mas concluirão com a evidência mais completa dos fatos: o próprio vídeo. E antes que digam que o vídeo foi editado, é preciso informar: foi retirado apenas o pedaço do trecho em que ele afirmava o que levou Almina a protestar. E para finalizar leiam a promessa que o Dihelson fez aos leitores do Crato. Deve ter cumprido para servir ao George naquele ato em que a montanha pariu um rato, agora o vídeo mesmo dos fatos em questão nunca publicaram:

“Agora, é de interesse do Blog do Crato, como o site da cidade, em transmitir as sessões ao vivo, e temos transmitido sempre que possível. Amanhã faremos. Transmitindo e gravando na íntegra, para que a população tenha acesso à informação verídica, sem maquinações de qualquer espécie.”

Bom, agora assistam ao vídeo por que a partir de certo momento a catilinária de Dihelson Mendonça começou a ficar repetitiva por falta de novas evidências e o próprio George Macário igualmente trouxe uma carroça cheia de não-argumentos, como uma criança que foi encontrada com maquinações e fica botando a culpa em todo mundo em volta.

Não sei não. Na verdade não conheço o Samuel, mas conheci o Ossian e o Ossianzinho que foi meu contemporâneo na cidade e na faculdade de Medicina e duvido que o Samuel tenha gostado deste besteirol todo da dupla provocando desgaste político gratuito no próprio grupo deles. Samuel certamente está preparando um candidato a sua situação e este também não deve ter gostado nada de algo assim.

Geraldo Júnior – Um caboclo de asas

Articulado, inquieto, poeta, músico, brincante, ator, produtor e missionário do Estado Espiritual do Cariri Geraldo Júnior espalha pelo Brasil e mundo a musicalidade que ele denomina de Música Cariri, Música regional plugada no universo. Um dos fundadores da banda Dr. Raiz.

Alexandre Lucas - Quem é Geraldo Júnior?

Geraldo Junior - Sou um Cariri, filho de Geraldo Freire e Zilmar Batista! Sou um privilegiado por ter nascido nessa região tão rica e bela e sou muito feliz pelos amigos que tenho! Hoje vivo em transito, acho isso normal, é uma necessidade da minha labuta, queria pode estar entre aqui e lá mais vezes, mas o teletransporte ainda não foi popularizado, por enquanto tenho que me contentar com visitas semestrais! A internet ajuda muito a manter esse contato e de certa forma nunca sair do cariri, pois ele está dentro de mim! Me expresso artisticamente através dessa lente! Tento estar conectado com o mundo real e virtual além-sertão, além-mar, além-céus!

Alexandre Lucas - Você dar poesia?

Geraldo Junior - Não tenho a ousadia de me considerar poeta! Humildemente descrevo alguns sentimentos e sensações que vivi e vou vivendo por aí, o que se torna música ainda é um tatinho mais elaborado rsrsrs, mas a musicalidade de minhas palavras é empírica. Gosto de ler e viver tudo que absorvo! Mantenho dois blogs! o Caboclo de Asas, com temas diversos e o Poesia Cariri, com temas diretamente ligados ao que escrevo em relação a região. Este segundo precisa ser atualizado. Farei isso esses dias...

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Geraldo Junior - Ainda criança! Meus pais me deram boas pisas e referencias de caráter! Boa música! Estórias de meus pais, tios e outros familiares, as viagens pra Caririaçu no sitio de nossa família! Os reisados nas ruas, as bandas de pifano! As romarias… Ai uma vez invetei de entrar na fanfarra do Colégio Municipal de Juazeiro! Aí pronto! Toquei, piston, cornetão, lira, tarol, surdo, bumbo… Depois comprei uma guitarra! E foi aquela revolução na minha vida! rsrsrs
Com os amigos da escola colocamos uma banda de rock, e logo em seguida tivemos o grupo Dr. Raiz, nesse meio tempo estive envolvido e fiz várias oficinas de teatro e musica de cena! Hoje prestes a completar 32 anos, acho, considero que tenho 15 anos de carreira! E ainda continuo correndo muito! rsrsrs

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, dentre tantos nomes que eu poderia citar da música brasileira e universal, que são óbvios, e claramente perceptíveis, prefiro falar de artistas e grupo do meu lugar, e que me dão identidade! Todos os mestres e grupos de cultura popular da região! Esse conhecimento junto com toda a cultura popular do cariri! São a essência do meu trabalho! As influencias… É tudo que se possa imaginar, até o que "não presta" e o que "não gosto"! rsrsrs mas sempre sem perder la ternura! Jamais!

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Geraldo Junior - Como falei antes! Comecei, desde quando passei a ter uma idéia e percepção do mundo onde estava inserido! Sempre escrevi, logo cedo comecei a cantar e tocar brincando, até que ficou mais sério! Muita coisa devo aos meus companheiros de trabalho como a banda Dr. Raiz, e todos que por nela passaram! As viagens que fizemos juntos, a minha não tão breve passagem pelo meio acadêmico no curso de letras da URCA (ainda pretendo voltar), minha ex-companheira, Dane, me ensinou muita coisa sobre produção! Sobre arte, sobre a vida. Muito do que sou hoje devo especialmente a ela, a qual tenho muito carinho! Os trabalhos que fiz com os grupos de cultura popular da região, sempre como vivência ou troca, amizade mesmo… nunca quis estar com um gravador ou um caderninho anotando… Acho isso importante, mas, preferi estar apenas do lado mesmo. Tenho muito carinho por todos e sou feliz porque sei que isso é reciproco! Nomes como Zabumbeiros, Abdoral, Salatiel, Luiz Fidelis, Luciano Brayner! Entre tantos outros me são referencia! Considero o Dr. Raiz meu 1º disco! Com muito orgulho. Depois fiz o calendário com uma rotatividade maravilhosa de músicos gravando e tocando! Darlan, Cicero Tertuliano, Antonio Queiroz, Flauberto Gomes, Maria e Francisco Gomide, Ranier Oliveira, Genival do Cedro, Lifanco e Rebeca e Joana Queiroz! E claro, o excepcional Beto Lemos, meu grande parceiro, arranjando e tocando varias coisas! Ibbertson Nobre também foi muito importante nesse processo! Aprendemos muito com ele! Salve!
Atualmente estou finalizando o meu novo disco que tem como nome provisorio "Warakidzã - Senhor do Sonho"o disco se aprofunda ainda mais nas raizes ancestrais do povo cariri com suas historias, personagens e lendas! O novo album além dos sons mais tradicionais, também traz uma sonoridade um tanto psicodélica, onde timbres de guitarra e efeitos eletrônicos serão percebidos mais de cara! Pretendo lançar até novembro. A formação da banda, ja é uma galera de vários lugares que conheci aqui no Rio, grandes parceiros! Se não fosse essa galera não teria como estar com esse novo trabalho: Beto Lemos e Ranier Oliveira - Cariri, Filipe e Marcelo Müller - Rio Grande do Sul, Gabriel Pontes - Rio de janeiro, Eduardo Karranka e Cláudio Lima - Bahia e ainda mesmo não gravando, pessoas que tem me acompanhado nos shows: Joana Araujo - Maranhão, Ricardo Miranda - Cariri, Abu - Bahia e por aí vai!

Alexandre Lucas - Você participou da Sociedade dos Cordelistas Malditos?

Geraldo Junior - Participei sim! Foi um momento de muito aprendizado! Infelizmente como cordelista de fato, sou um fiasco! rsrsrs mas minhas letras inevitavelmente passam pelas métricas dos folhetos e cantorias! Algumas delas são escritas mesmo na métrica dessa escola!
Salve meus amigos da SCM desde os seus primórdios ainda no circulo de leitura do SESC Juazeiro! Abraços em todos!

Alexandre Lucas - Como você caracteriza seu trabalho?

Geraldo Junior - Música Cariri. Música regional plugada no universo!

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Geraldo Junior - Olhe, a política pode ser uma arte, como qualquer outra coisa que um ser desenvolva. A arte também pode ser política ou não. A minha naturalmente, geralmente é, às vezes não. Não me prendo a isso. O que crio, só desconfio ou descubro o que é quando já é por si só, em todos os aspectos.
Contudo, vejo com fundamental importância, ser politizado. Infelizmente hoje o termo esta bastante desgastado, né?!… E pra não confundir prefiro chamar de politicagem, o que acontece de negativo em relação a este assunto. Que pra não fugir do tema, por hora, prefiro falar com brevidade.

Alexandre Lucas - O seu trabalho vem se expandindo pelo Brasil?

Geraldo Junior - Bastante! E agora felizmente, também pelo exterior! Já toquei em várias regiões do país e mesmo onde ainda não fui fisicamente, meu trabalho já foi até lá por conta dos meio virtuais! A internet é uma ferramenta fundamental e maravilhosa pra difusão da música, se comunicar com os amigos, os fãs, (hoje é quase a mesma relação) gosto de manter contato com todos e tenho muito carinho por isso. Toma tempo, claro, mas sou bastante recompensado pelo tempo que dôo a isso! Esse ano fui a Coimbra num evento maravilhoso da universidade em parceria com o SESC. Lá fizemos vários contatos e já existem propostas pra voltar em breve!

Alexandre Lucas - Recentemente você esteve em Portugal. Fale desta experiência.

Geraldo Junior - O evento foi a "Mostra SESC Luso-brasileira de Culturas"! E contou com artistas brasileiros, especialmente do ceará, e também de grupos portugueses! Foi um importante intercambio, lá estive com meus colegas do Dr. Raiz, mais outros queridos como Franklin Lacerda, Ermano Morais, Os Anicetos! Imagina essa cambada no velho mundo?! Rapaz, junto com o pessoal de lá do além-mar! Foi um carnaval! Momento muito belo de força e poesia!

Alexandre Lucas – O que representa a música na sua vida?

Geraldo Junior - Música é minha vida. É o que sei fazer, sem arte minha vida não tem sentido.


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, eu não canto qualquer coisa por cantar, sempre busco ter poesia em meu trabalho e fazer as pessoas se sensibilizarem. Direta ou indiretamente minha música questiona a realidade. É minha forma de contribuir com a sociedade. Cada apresentação pra mim é um ritual. Não é simplesmente uma situação de subir ao palco, é mais de cantar e dançar louvando a vida. Estar em conexão com todos. Como um folguedo, dar as mãos e brincar, se conectar com o encantado. Se deixar de estar ligado no presente, na realidade...

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Geraldo Junior - Hahaha tenho que me organizar, tenho embrionado um trabalho cênico solo, e ainda pretendo gravar um DVD, Um Disco de poesias, um outro só com musicas da cultura popular tradicional pra todas as idades, mas principalmente, pensando no público infantil, e outro disco só cantando compositores da região com nomes que já citei acima!

Fora isso to sempre compondo! Eu sonho muito! Viajo sempre! hihihi

Não sei se terei tempo pra tudo isso! Mas vamos em frente!

Por fim, posso dizer que estou vivendo um momento feliz, e sou orgulhoso em poder levar o nome e a cultura da minha terra, do meu povo, pra o mundo conhecer!


Site:
http://www.geraldojunior.com.br/

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Show de Calazans Callou - Rua da Moeda - Recife Antigo.






Callou e os Achadores de Cacimbas, tem pouco mais de um ano, e já vem emplacando seu som, pelas apresentações feita em Gravatá-PE, agora desse a cidade serrana para aportar literalmente na Rua da Moeda, situada no Recife antigo, antigo cais do porto. O projeto Esse é o Som do Recife, chegou em boa hora para prestigiar quem ainda não tem espaço para mostrar sua música em terreno tão cobiçado. Pois ali está o palco da efervecência e multiplicidade cultural do estado de Pernambuco. Estamos prontos, para realizarmos nosso sonho. Esse projeto já é sucesso, começou em outubro e se estenderá até meados de dezembro, levando um público conceitual e de crítica apurada. Será um grande teste para nós. Estaremos lá com toda energia que vem dessas duas cidades muito parecidas em sua essência, Crato e Gravatá: muito verde, cachoeiras e conciência de preservação ambiental. Nós não nos preocupamos com rótulos ou penduricalhos lançados por olhares atravessados, a maior virtude de Callou e os Achadores de Cacimbas é ter seu som sem colagens, árido mas de fácil fertilidade. Nessa apresentação estaremos divulgando parcerias com: Geraldo Urano, Carlos Rafael, Socorro Moreira, Tiago Araripe, Marcos Leonel (Elcapone tá é bêbo), Lupeu Lacerda, Wilson Bernardo e a pernambucana Geovânia Freitas. Dia 12 de novembro as 22 horas. Quem estiver pelo Recife, aparece por lá, serão todos bem vindos. Shows gratuitos.

Vladimir Maiakóvcski




"A poesia é uma forma de produção. Dificílima, complexíssima, porém produção."


"Sem forma revolucionária não há arte revolucionária."


"Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas."


"Traduzir poemas é tarefa difícil, especialmente os meus.


Eu


à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.
Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.
Porém
se eu falo
"A"
este "a"
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.
Se eu falo
"B"
é uma nova bomba na batalha do homem.


(tradução: Augusto de Campos)



O efeito Kirlian em certa República estudantil da Fortaleza dos anos 70 - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vou citar nomes de pessoas que provavelmente conheçam ou não: Jackson Sampaio professor da Universidade Estadual do Ceará; Gianni Mastroianni, médico endoscopista gástrico morando em Fortaleza, Barreto o qual só lembro o sobrenome, é publicitário e jornalista e pelo que sei mora em Teresina e o rebelde, filósofo e viajante da alma que acabo de esquecer o nome. Viviam numa república num bairro próximo da Faculdade de Medicina de Fortaleza. Freqüentei muito aquela república para tertúlias políticas clandestinas e culturais rebeldes.

O Tarcísio Tavares, o nosso querido Tarcisinho, médico cratense andava por ali, o Geraldo Acioly, Geraldinho que andou pela França e o reencontrei num governo petista em Fortaleza; o Marcos Penaforte, ex-deputado e secretário de Saúde do Ceará, o César Penaforte, irmão e hoje fazendo doutorado na Holanda; um quadro do Pecezão, o Cândido, com seu tronco dobrado para frente e os olhares laterais e para trás em busca dos agentes da ditadura em perseguição dele. O Tarcísio Baturité, morou muito tempo no Crato na casa de um tio que era funcionário da SUCAM, é médico, além do cronista e escritor Airto Monte. E muitos mais além da Lêda Araripe, médica psiquiatra, o José Wellington de Oliveira Lima, grande bioestatístico da UFC e José Wellington que o distinguíamos pelo sobrenome de Piauí, professor de Epidemiologia da Escola Nacional de Saúde Pública.

O ambiente nem se fala. Uma casa de subúrbio, com varanda, três quatros, uma sala e uma cozinha para esquentar água para o nescafé e leite em pó. Açúcar? Sem refino, em grumos e quase um formigueiro a passear no açucareiro. As baratas? Já sabemos, são covardes e não se dão à vista, a não ser para as mulheres. Uma casa despojada, algumas camas patentes de mola e muitas redes. Na porta o indefectível fusquinha cor de goiaba do Gianni Mastroianni. Com este descobrimos o universo de pores de sol na praia da COFECO, desembocadura do rio Cocó, das nuances de cores na borda do escurecer e o supremo da descoberta: a lua não era bidimensional. Era um perfeito 3 D (está na moda não?) aos nossos olhares filosóficos nas brumas que tanto mexeram com o “desbunde”.

Isso mesmo o “desbunde”. A reação do sistema na alma daquela juventude rebelde, estudiosa do marxismo, com profundo senso de urgência na mudança do status quo social e econômico do país. Não houve um só vetor para atingir amplamente aquela inegável adesão ao sistema ao mesmo tempo em que a “consciência ecológica” e “espiritual” avançava sobre mentes racionais e disciplinadas no materialismo histórico.

Este ambiente foi mais intenso no meu último semestre na capital cearense, a banda derradeira de 1972. E os debates eram imensos, intensos e freqüentes. Lembro da “seriedade” e do “horror intelectual” do nosso querido Jackson Sampaio. Junto com a infiltração de temas que tomaram vulto nas preocupações humanas ao correr do tempo como o desequilíbrio ecológico e outros espirituais que viraram moda, com apegos sinceros e outros escapista diante da época mais cruel da ditadura. Além do mais corria um bom debate sobre estética e, claro, diante de certa rebeldia underground muito que havia na cultura desde as roupas e os cabelos.

Um livro que marcou o “desbunde” daquela geração universitária em Fortaleza foi “O Despertar dos Mágicos” do jornalista francês Louis Pawles em parceria com Jacques Bergier. Um contraponto estimulante para certa “rigidez” da lógica e racionalidade de nossa militância política. Mas sem dúvida uma grande aventura escapista para a leitura histórica dos conflitos políticos, sociais e econômicos que vivíamos. Aí o debate corria madrugadas e os mais ortodoxos chegavam ir aos limites do medo com o fascismo.

Não foi sem razão que as religiões orientais entraram na vida daquela juventude que não encontrava mais novidades nas velhas crenças do ocidente. Junto com as porta das percepções da “Ilha” de Aldous Haxley subiram de valor os “experimentos” do “nirvana” e da “consciência cósmica”. E foi numa desta que os primeiros passos daqueles neófitos da grande viagem se viram expropriados por um hippie paulista e uma companheira uruguaia que prometiam a mais pura de que os Guajajaras do maranhão eram capazes de colher. Muita gente deixou de chegar perto do êxtase sob a mangueira de bruma rosa. O danado do hippie quase que rouba o enlevo da Cléo e Daniel do escritor Roberto Freire.

Aí a acumulação capitalista ocupou o espaço. Ou melhor, o negócio viu a oportunidade e inventou uma revista chamada Planeta. Que se diga de passagem não era menos honesta do uma Super Interessante da vida. Queria desvendar os mistérios do universo e convenhamos os mistérios são muito mais estimulantes dos que a aridez de complexos problemas humanos na crosta deste planeta incerto e de uma sociedade desigual. Uma técnica para dar credibilidade às “teses” da revista Planeta já não pode ser utilizada nos tempos atuais.

Toda teoria de poucas evidências, recheada com fatores de confusão e associando coisas apenas por que estão presentes no tempo e no espaço, do tipo os “deuses eram astronautas”, tinha um mote certo para se mostrar inquestionável. Eles diziam que a União Soviética atéia havia testado aquilo e concluíra pela verdade. Pronto, estava feita a prova, ler em russo não era para ninguém e menos ainda quem lesse não conseguiria ter acesso a textos da ciência russa naquela época mais intensa da guerra fria.

Uma das referências era o Efeito Kirlian que fotografava a aura das pessoas. Aqui estamos entre o budismo e o espiritismo kardecista. Aliás, o efeito Kirlian não foi descoberto por ele: foi descoberto pelo padre porto alegrense Landell de Moura em 1904. Muita gente adere ao pensamento e se encanta com as imagens luminescentes extraídas com a técnica Moura/Kirlian. De fato esteticamente têm um efeito arrebatador e permite extrair momentos de êxtase nas pessoas mais sensíveis.

A questão é que a técnica tem a mesma capacidade de enriquecer o olhar como existe com os raios x que até permitem aos médicos que conhecem a anatomia humana estudar problemas de saúde em órgãos internos que os olhos não enxergam. Agora mesmo existe uma nova técnica de ultrassonografia, desenvolvida para estudar a composição do queijo em queijarias francesa e que tem mostrado capacidade superior à própria biópsia hepática para estudar evolução de doenças hepáticas.

O efeito Kirlian, que é fotografar objetos submetidos a campos elétricos de altas voltagens e frequência e de baixa intensidade de corrente, encontra luminescências belas tanto nas pessoas, quanto nos animais, plantas e também em materiais inorgânicos. Embora os russos tenham em conta que podem estudar alguns efeitos emocionais e de saúde, nada é definitivo, mas o valor estético é notável. Basta procurar na internet que veremos belas imagens.

Quanto àquela república, acabei de telefonar para um dos moradores dela e nem ele foi capaz de lembrar o nome esquecido do nosso querido rebelde e viajante da alma. Contou-me o Geraldinho, muitos anos após, que um dia, numa das aulas terríveis de estruturalismo na faculdade de filosofia, o nosso esquecido levantou-se de repente e com as mãos sobre a cabeça, que parecia ferver, disse: ai meu Deus que saudades da minha jumentinha lá em Jaguaribe.

Mil palavras - Fábio Brüggemann



Cafés, os sem cafeína. Carnes, as mal passadas. Pães, os que eu mesmo amasso. Doces, os com pouco açúcar.

Governos, os que apenas governam. Políticos, nenhum, porque, segundo o poeta negro norte-americano, e. e. cummings (assim mesmo, em caixa baixa, como ele assinava), por outras palavras, não são humanos. Juízes, os que não se vendem por R$ 2 milhões.

Cidades, as que ainda não têm meninos cheirando cola nas ruas. Bares, os quais eu posso fumar, beber, conversar em paz e encontrar meus amigos.

Amigos, os que podemos ficar em silêncio sem que o silêncio nos incomode. Escolas, as que a elite babaca abandonou.

Livros, os que usam letra com serifa e não se pretendem cheios de firulas, que têm margens grandes e que cheiram bem.

Regras, as que devem ser quebradas sempre. Leis, uma única, a de que ninguém tem o direito de amedrontar alguém. Trabalho, só os que dão prazer, que não têm horário fixo para cumprir e que remunerem com justiça.

Cheiros, o que abrem as gavetas da memória. Mate, os mais amargos. Frios, os secos. Calor, só quando estou próximo ao mar. Mar, todos eles.

Poemas, os que não têm tradução. Prosas, as mais poéticas. Filhos, os mais amigos. Fumos, os de baunilha. Paisagem, as planas e altas. Cabelos, os mais curtos. Casas, as mais amplas, ensolaradas, de janelas grandes e com varanda.

Conversas, as que dão vontade de apenas ouvir. Artista, o que não faz concessão.Esperas, as que nunca têm fim, porque alimentam como o pão que não mata a fome.

Amores, os impossíveis. Cachimbos, os feitos de brezo. Remédios, os que não preciso tomar. Bebidas, uísque para sair e vinho para ficar em casa. Sucos, os do limão. Chás, os de hortelã com cidreira.

Lua, a mais redonda. Rios, os limpos, em que a água corrente faz lembrar o rio de Heráclito. Árvores, a araucária. Futebol, o que jogo às segundas-feiras.Estradas, as mais vazias. Roupas, as de algodão.

Papéis, os mais rugosos. Comidas, as que eu mesmo invento. Flores, as que não temem sua memória genética e que mostram ao homem o que ele não consegue admitir: que têm de morrer pra germinar. Mulheres, as que gostam de medir minha mão na sua.

Fábio Brüggemann


O "editar" textos - José Nilton Mariano Saraiva

Reza o velho (e sábio) adágio popular que “em panela em que muitos mexem a comida sai crua ou sai queimada”. Pois não é que na (vã) tentativa de sair da incômoda situação em que se colocou (teria usado inapropriadamente o termo “senilidade” na tentativa de descredenciar a respeitável octogenária D. Almina Arraes), a posteriori, no “discurso-defesa” proferido em sessão da Câmara Municipal do Crato, o líder do prefeito acabou metendo os pés pelas mãos ao (atabalhoadamente ou não) “transferir” ou “repassar” in totum para um aliado político (o atual presidente da SAAEC) o pesado ônus pelas graves acusações sofridas por aquela senhora (numa autentica versão crepitante do “fogo-amigo”), conforme se depreende do parágrafo que estranhamente não foi dado a conhecer ao distinto público, mas que diligentemente “transcrito” e veiculado pelo filho de D. Almina Arraes, Joaquim Pinheiro, na forma de comentário, a saber:

"Joaquim Pinheiro disse...
Vereador George,
Vc "esqueceu" de incluir no cariricaturas o parágrafo do seu aparte que transcrevo abaixo:
... foi exagero por parte da minha parenta que hoje é considerada na própria família como pessoa que está na iminência de ser interditada por conta da sua senilidade por questões já da idade, já criando fatos que não existiram ...(inaudível) inclusive, inclusive isto foi o motivo de defesa do próprio Presidente da SAAEC...
No dvd isto foi dito por S Excia, e não pela Vereadora Mara.
1 de novembro de 2011 18:57"

Como se vê, o “editar” textos - publicar só o que interessa e jogar pra debaixo do tapete aquilo que não é “conveniente” – não é e nunca foi uma política muito recomendável, porquanto alguém mais expedito e antenado poderá não concordar, divulgando-o ipsis litteris (como é feito, no momento).
E agora, vão também tentar descredenciar o Joaquim Pinheiro, já que ele deixa patente (também) não concordar com a estranha, risível e inacreditável “interdição” da mãe, conforme sugerido na peça do ilustre vereador-suplente ???

O Pássaro que Deseja a Paz. Por Liduina Belchior.

Numa família de voadores, onde compreende-se: pai, mãe e filhotes, uma das prioridades, além do amor, compreensão e união... É a paz. A mamãe ave cuida do ninho, dos rebentos, dos vôos rasantes e planados. O papai pássaro interage com esse processo, contribuindo com a provisão de sua casa-ninho, mas em comum acordo com sua companheira. Cuida também, da jornada do seu clã, participando ativo, corajosamente e democráticamente do amanhã de seus bichinhos. Este pássaro atuante e gestor, o que mais almeja neste momento, para o futuro eminente, é a harmonia e evolução de seus filhotes. O humano não é diferente dos pássaros, guardadas as devidas proporções. O equilíbrio familiar, emocional e sócio-econômico, são projetos essenciais de toda a família. Os filhotes-filhos, baseados nos valores morais e filosofia familiar, devem alçar seus primeiros vôos em em seu próprio lar-ninho. A família possui o compromisso de formar a personalidade e o caráter de seus filhos para que possam enfrentar os desafios da vida, baseados nos pricípios éticos e morais. Aqui está, no meu ponto de vista, a instituição família e seu árduo caminho. Para se conviver bem, é necessário o exercício e a prática dos valores básicos e convidar para o seu interior, o amor e a paz.

Pier Paolo Pasolini



Pier Paolo Pasolini (Bolonha, 5 de março de 1922 — Óstia, 2 de novembro de 1975) foi um cineasta italiano.




Amigos:

O SINAL é um sindicato nacional que reune várias regionais e tem como Presidente nacional o senhor Belsito.
SINAL - Sindicato Nacional dos Servidores do Banco Central.

A cartilha de dona Almina, espalhada por esse Brasil afora, está, com suas lições de informática colocadas de forma elucidativa, orientando, tirando dúvidas, tornando simples um caminho novo para muitas pessoas. 

(Stela Siebra de Brito)

Colaboração de Monalissa Esmeraldo


“A mulher moderna de hoje é a mulher simples, que carrega a felicidade dentro de si, e a revela em sorrisos enquanto resolve os seus problemas comuns do dia a dia. É a mulher que concilia as pessoas da sua vida, com os direitos e deveres que todos temos e faz desta soma uma solução colorida de esperança e alegria"

As luzes na visão - Emerson Monteiro


Quando o Sol nasce traz de dentro de si todas as cores para gregos e troianos contemplar numa admirável percepção. Independente do gosto das criaturas, clareia sem discriminação; brilha sobre maus e bons, luz intensa sobre as mais diversas e surpreendentes histórias. Mostra o filme das existências, isto livre de impor, a quem quer que seja, sua vontade poderosa, possibilitando a experiência viva do valor do olhar de todos.

Com isso, a chance de utilizar essa capacidade ofertada pelas tantas oportunidades indica o quanto resta aprender diante das películas exibidas no cinema esplendoroso da natureza humana. São as lições dos sonhos múltiplos, a generosidade que desenvolve o transcorrer dos filmes exibidos sem parar, sessão interminável. Hoje, uma superprodução a cores no jeito de Cecil B. DeMille e seus épicos imorredores tirados das páginas bíblicas. Amanhã, episódios em preto e branco dos contos de Edgar Allan Poe, recheados de surpresas e mistério. Na sala imensa os motivos mil para olhos abismados ganhar contornos variados, nos detalhes e no todo.

Caminhar, pois, ao sabor dos muitos instrumentos, a fim de melhorar qualidade, na mesa dos apetites vindos ao nosso gosto na função dos elementos. Buscar carinhosamente aprimorar esse saber pessoal diante dos meios, os valores individuais, eis o que praticar, invés de exigir dos outros. Descobrir no próprio ser as escolhas e realizar os instantes com sabedoria e bom gosto.

Conquanto o filme insista continuar todo tempo na tela do presente individual, cabe utilizar o enredo em proveito do aprimoramento, através das boas práticas adotadas. Ver o bem que queremos ao mundo inteiro, dentro de nós, através das lentes do enxergar, até que possa permitir crescimento amplo do amor, estilo inigualável onde nada muda se nós não mudarmos, qual ensinam os professores.

Além de tudo, há que continuar a projeção nas consciências, independente de questões particulares. As luzes das manhãs sempre chegam fortes à razão e ao sentimento e selecionar o que assistir só depende desse gesto das predileções do espectador, na visão mágica que se movimenta aqui em nossa frente.

No silêncio o pensamento é livre!


As estrelas conspiraram nesta madrugada. 
Mesma freqüência,milagre do encontro, éter do entendimento.
Versos musicais orquestram o momento- saudades de um tempo!

Carpete molhado
Vinho derramado
Lençol amassado
E o cheiro do amor.

Ele, o seu eterno
Ele, sem palavras...
Ele, e o seu obstáculo

Adormecidos, encantados
Nas décadas da espera

Promessa de um chá
Quem sabe um olhar
Festa de risos
No amanhecer
De novembro

Desejo na memória
O pejo, no desejo!

Ele cantando baixinho
uma leve cançao
que fala de amor...

Noah





Moça-flor


Moça flor é você a mais flor
Moça flor, tem a cor do amor
Seu olhar a brilhar e
essa lágrima leve querendo chegar
traz tristeza no ar
Moça flor, esta lágrima pura
é o orvalho da flor que chorou, que sentiu
Deixa o tempo passar, moça flor vai chorar,
É o amor...
Moça flor, tem a cor do amor...
Composição: Durval Ferreira e Lula Freire - 1974

Dia de Finados - por NORMA HAUER



As pessoas que partiram e deixaram saudade, podem ser lembradas em qualquer dia do ano. Assim parece não haver necessidade de um data especial
Mas por que foi criada uma data? E ela é exatamente 2 de novembro? Criada pela Igreja Católica,o objetivo foi que todos os mortos, principalmente os que não eram referendados, tivessem um dia em que se fizessem orações para eles, independente de serem amigos ou parentes.
Foi escolhido o dia 2, porque no anterior (1° de novembro) eram ( e ainda são) comemorados todos os santos, uma vez que há muitos considerados santos, que não têm um dia especial.
Não é essa data que dizemos ser o “Dia de São Nunca”?

No século XIII, foi escolhida a data seguinte (2 de novembro) para que todos os mortos sejam referendados.

E nós, atravessando séculos, estamos aqui seguindo a tradição de relembrar nossos entes queridos, como se eles precisassem de uma data para serem relembrados.

Tradição é tradição e, queiramos ou não, essa data nos traz grandes recordações quando vêm-nos à memória amigos e parentes que já partiram.
Pais, irmãos, primos, tios... amigos... nossa memória traz-nos suas presenças e assim, embora não precisemos de uma data especial para referendá-los, a verdade é que essa data faz o passado retornar.E com o passado retornando, lembranças felizes também retornam.
Só as felizes porque, “plagiando” Álvaro Moreyra, dizemos “As amargas não”.

NORMA

Se eu pudesse voltar ... - por Socorro Moreira


Se eu pudesse voltar,
Recife seria a minha !


Fui passageira constante
Transportes intinerantes
Acidentes contornei
Ilhada , sempre fiquei
Mesmo livre , me enterrei
Se eu pudesse voltar
não iria mais adiante !


Tuas pontes
carreguei entre os meus rios
mesmo secos, mesmo cheios
não perdi de ti o vício.
Se eu pudesse voltar,
eu juro...
Nunca teria vindo !


Mas já que nada é possível
Se voltar é precipício,
fico no Crato querido
com todo aquele juízo,
que perdi ao te deixar
Se eu pudesse voltar ...
Não sei bem o que eu faria !

Carlos Pena Filho - por Joaquim Pinheiro


Carlos Pena Filho, enfocado por você hoje, certo dia entregou uma letra para Capiba musicar. A intenção era gravar em ritmo de frevo para o carnaval do ano seguinte. O maior compositor de frevo, no entanto, vendo a beleza dos versos, afirmou que a poesia, era bonita demais para tocar apenas os 4 dias de carnaval. Dessa forma, saiu a música gravada por Maysa Matarazzo, Nélson Gonçalves, Ciro Monteiro, Claudianor Germano e muitos outros. Era uma das músicas preferidas de Tio Miguel. Veja a letra:

A mesma Rosa Amarela

Você tem,
Quase tudo dela,
O mesmo perfume,
A mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Só não tem o meu amor.

Mas nesses dias de carnaval,
Para mim você vai ser ela,
O mesmo perfume a mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Mas não sei o que será,
Quando chegar a lembrança dela,
E de você apenas restar,

A mesma Rosa Amarela.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O futuro - Por José de Arimatéa dos Santos

"O tempo não existe. Só existe o passar do tempo" - Milôr Fernandes
Difícil o ser humano que não teria a curiosidade de manipular o tempo e poder voltar ao passado ou correr até o futuro se tivesses essa capacidade. Eu de bate pronto não saberia dizer se ia querer voltar em meu passado para modificar alguma coisa. É uma situação complicada, pois muita água já rolou no rio de minha vida e a nossa existência é cheia de altos e baixos. Natural.
Vi esses dias no cinema o filme brasileiro "O homem do futuro" e fiquei impressionado pela qualidade do cinema tupiniquim. A película tem em seu enredo a história de um homem que através de uma máquina do tempo volta ao passado para modificar fatos ocorridos na vida dele. Interessante que o filme nos leva a questionar essa vontade de muita gente voltar no tempo para fazer os retoques necessários na vida pessoal.
Se fosse possível tal fato, acredito, a vida em geral seria mais bagunçada ainda. Por que na hipótese de mudar fatos de nossa vida lá no passado implicaria também em mudar a vida de muita gente ao nosso redor da época e de hoje. O homem do futuro, essa comédia romântica, nos leva por esse caminho tão tortuoso e complexo que é a vida de cada ser humano. E outra coisa que se revela é que nunca estamos só. Reforça o que aprendemos lá no início de nossas vidas escolares que o homem é um animal social.
Claro que alguns ou muitos diriam que ao voltar ao passado modificariam tudo que não deu certo em suas existências. Simples. Mas para mim acabaria com a mágica da vida que é o imprevisível e o que vai acontecer com cada um de nós daqui a um segundo ou amanhã. Para mim que venha o futuro. Só que cada um de nós possamos refletir e fazer o melhor para si e para os semelhantes.