por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nega Maluca


* Ingredientes
* 3 ovos
* 1 e 1/2 xícara ( chá ) de açúcar
* 2 xícaras ( chá ) farinha de trigo
* 1 xícara ( chá ) de chocolate em pó ou achocolatado
* 1/2 xícara ( chá ) de óleo
* 1 colher ( sopa ) de fermento em pó
* 1 pitada de sal
* 1 xícara ( chá ) de água quente

* Cobertura:
* 4 colheres ( sopa ) de leite
* 1/2 xícara ( chá ) de chocolate em pó
* 1 colher ( sopa ) de manteiga
* 1 xícara ( chá ) de açúcar


* Modo de Preparo

1. Bata os ovos com o açúcar, óleo, achocolatado e farinha, depois adicione a água quente e por último o fermento em pó
2. Asse em forno com temperatura média por 40 minutos, desenforme quente

1. Cobertura:coloque todos os ingredientes em uma panela e leve ao fogo até que levante fervura, despeje ainda quente em cima do bolo

1. Informações Adicionais A receita pode ser preparada também no microondas em forma própria para esse forno. O tempo de espera é de 7 a 9 minutos na potência alta. Aguarde 20 minutos e desenforme
Uma cobertura de brigadeiro também fica divina.

 info@tudogostoso.com.br.





Minhas notícias...


Embora costume fazer registros de comportamentos, músicas e filmes de outros tempos, tenho absoluta consciência do meu presente, e sei desfrutá-lo.
Ontem foi um dia especial. Depois de muito tempo reenfrentei a estrada numa pequena viagem. Fui desenvolvendo a velocidade e consegui , com segurança, atingir a média de 80 km/h. Na chegada, o encontro com a única tia que me resta: Auri Moreira Montoril. Reconheceu-me  de imediato. Vacilou, quando achou que o Victor era meu marido. Mas falamos dos seus pais (meus avós), como se eles ainda existissem.
Estou num processo de fechamento ou mudança de ciclo, assumindo o time dos mais velhos da família.
A gente nunca imagina o quanto de felicidade, sentimento, emoção, e até solidão, existe numa linda senhora de 92 anos... Até visitá-la!
Estou com o coração leve, e muito feliz!
Até muito em breve, tia Auri!

EMILINHA BORBA- por Norma Hauer


´ASSIM SE PASSARAM 6 ANOS...
E ela partiu em 3 de outubro de 2005

Antes foram 10, mais 10, mais 10... Viver seu tempo, foi viver a mais bonita e alegre fase de nossa musica popular e de nosso rádio.

ESTA CANÇÃO
NASCEU PRÁ QUEM QUISER CANTAR
CANTA VOCÊ,CANTAMOS NÓS ATÉ CANSAR..
É SÓ BATER...
E DECORAR...
PARA RECORDAR
VOU REPETIR O SEU REFRÃO
PREPARE A MÃO...
BATA OUTRA VEZ ...
ESTE PROGRAMA PERTENCE A VOCÊS...

É a Rádio Nacional.
É o Programa César de Alencar que vai começar; as filas já têm início na Praça Mauá para que tenhamos lugar naquele auditório onde o frenesi toma conta de todos nós, sejamos o "povão", sejamos de todas as camadas sociais, sejamos os que querem se divertir ouvindo as bonitas interpretações da "Favorita da Marinha, a eterna Rainhja do Rádio, a querida EMILINHA BORBA. Ah, como era bom o rádio em sua fase de ouro!...

E o carnaval ?
"Chiquita bacana, lá da Martinica,
Se veste com uma casca de banana nanica..."

Tomara que chova, três dias sem parar..."

E lá se vai Emilinha Borba e seu séqüito de fãs sinceras, acompanhando-a em qualquer parte onde se apresenta.

"Uma vez lá em Cuba, dançando uma rumba,
Disseram que eu era...Escandalosa!"

É um carnaval que não volta mais: começava nos cassinos e foi em um cassino que
Emilinha desabrochou para o canto. Emilinha, entretanto era quase uma menina, mas já prometia ser um ícone de Virgem, seu signo de nascimento. Talvez isso a tenha tornado um ídolo popular. Em seu primeiro disco seu nome nem sequer consta da etiqueta. Cantou com Nilton Paz:

"Ioiô dá o braço p'ra Iaiá,
Iaiá dá o braço p'ra Ioiô.
O tempo de criança já passou, oi,
Pirulito que bate bate,
Pirulito que já bateu...
Quem gosta de mim é ela,
Quem gosta dela sou eu.

E aquela voz feminina, quase infantil, que "dialogava" com Ioiô. De quem era?

Era de Emilinha Borba!

Passou a ser a "Favorita da Marinha", tendo como seus fãs marinheiros e fuzileiros navais; mas também as "meninas", que os invejosos denominavam "macacas de auditório", não a abandonavam. Para elas, que todos os sábados se acotovelavam para ingressar na Rádio Nacional, Emilinha era a única. Do outro lado, Marlene era sua rival. Isso dentre suas fãs, porque as duas eram amigas. Quem não era fanático por uma, ou outra, apreciava ambas. Emilinha partiu antes, mas ambas são imortais, ambas marcaram nosso carnaval e também o então chamado "meio de ano", quando Emilinha cantava "Se queres Saber";"Dez Anos";"Cachito", alguns baiões...

"Paraíba masculina,
Mulher macho sim senhor..."

Nos últimos anos, sentindo que o povão deixava de ser personagem para ser espectador no Carnaval, passou a apresentar-se no tablado que a Prefeitura voltou a montar na Cinelândia (Cinelândia?) onde todos têm sua vez.

O de 2005 foi o derradeiro.

Da Cinelândia, da mesma Câmara dos Vereadores ela partiu a 3 de outubro de 2005, para a viagem sem volta, depois de venerada pela última vez antes de se tornar UMA
SAUDADE.

Norma

ORLANDO SILVA- Norma Hauer


O dia era 3 de outubro, o ano 1915 ; nessa data nasceu um dos maiores fenômenos da música popular de nossa terra: ORLANDO SILVA.
Desde suas primeiras gravações já deixou sua marca. Estreou na extinta Rádio Cajuti, levado por Francisco Alves que, em 1934, tinha um programa na emissora. Chico Alves apoiou-o logo de saída para que ele "derrubasse" o prestígio de Silvio Caldas, por ter a voz semelhante à de Sílvio. Só que ele surpreendeu: não só passou a ter mais prestígio que Sílvio, como até Chico Alves "balançou" com o fenômeno ORLANDO SILVA.
Suas primeiras gravações na RCA Victor foram duas composições de Cândido das Neves:"Lágrimas" e "Última Estrofe". Antes, gravara na Colúmbia um “gingle” para o lançamento do "Chope da Brahma", exatamente com esse título e da autoria de Ari Barroso. É... muito antes de Zeca Pagodinho, um cantor então iniciante fez apologia da Brahma . Embora os tempos fossem outros (não havia televisão) o lançamento foi
um sucesso. Estreando, em seguida, na Victor, Orlando gravou aquelas composições de Cândido das Neves e, em seguida, "No Quilômetro 2". A Victor, como se tratava de um cantor novo, fez mais fé neste samba, lançando-o primeiro no mercado discográfico. Só que sua interpretação nas músicas de Cândido das Neves mostraram sua grande sensibilidade como cantor e apareceram mais do que "No Quilômetro 2".
Foi, porém, com "Lábios que Beijei", de J.Cascata e Leonel Azevedo" que ele ficou conhecido em todo o Brasil como "O Cantor das Multidões", cognome que lhe foi dado por Oduvaldo Cosi depois de uma apresentação sua no Largo da Concórdia, em São Paulo.
Quase tudo que Orlando Silva gravou foi sucesso, tanto no terreno romântico, como no carnaval

O dia era 3 de outubro, o ano 1915 ; nessa data nasceu um dos maiores fenômenos da música popular de nossa terra: ORLANDO SILVA.
Desde suas primeiras gravações já deixou sua marca. Estreou na extinta Rádio Cajuti, levado por Francisco Alves que, em 1934, tinha um programa na emissora. Chico Alves apoiou-o logo de saída para que ele "derrubasse" o prestígio de Silvio Caldas, por ter a voz semelhante à de Sílvio. Só que ele surpreendeu: não só passou a ter mais prestígio que Sílvio, como até Chico Alves "balançou" com o fenômeno ORLANDO SILVA.
Suas primeiras gravações na RCA Victor foram duas composições de Cândido das Neves:"Lágrimas" e "Última Estrofe". Antes, gravara na Colúmbia um “gingle” para o lançamento do "Chope da Brahma", exatamente com esse título e da autoria de Ari Barroso. É... muito antes de Zeca Pagodinho, um cantor então iniciante fez apologia da Brahma . Embora os tempos fossem outros (não havia televisão) o lançamento foi
um sucesso. Estreando, em seguida, na Victor, Orlando gravou aquelas composições de Cândido das Neves e, em seguida, "No Quilômetro 2". A Victor, como se tratava de um cantor novo, fez mais fé neste samba, lançando-o primeiro no mercado discográfico. Só que sua interpretação nas músicas de Cândido das Neves mostraram sua grande sensibilidade como cantor e apareceram mais do que "No Quilômetro 2".
Foi, porém, com "Lábios que Beijei", de J.Cascata e Leonel Azevedo" que ele ficou conhecido em todo o Brasil como "O Cantor das Multidões", cognome que lhe foi dado por Oduvaldo Cosi depois de uma apresentação sua no Largo da Concórdia, em São Paulo.
Quase tudo que Orlando Silva gravou foi sucesso, tanto no terreno romântico, como no carnaval

Já com "Rosa" aconteceu algo que só anos mais tarde chegou ao conhecimento do público.Essa também era uma música dos anos 10, que não tinha letra. Orlando, achando-a lindíssima, pediu a Pixinguinha para gravá-la. E o fez, aparecendo no disco somente o nome de Pixinguinha. Mas...aí surge Paulo Tapajós, um dos maiores pesquisadores de música popular que este país já teve. Paulo, entrevistando Pixinguinha para um depoimento no Museu da Imagem e do Som, perguntou-lhe "Pixinga, você não é letrista, quem compôs a letra de "Rosa"? Pixinguinha confessou que foi um rapaz modesto (Octavio de Souza), que já falecera e que trabalhara nas oficinas da Central do Brasil, ali, onde hoje é o "Engenhão".
Só a partir daí ficou-se sabendo o nome do letrista de uma das mais bonitas letras
que fizeram parte de nossa música. E isso graças a Paulo Tapajós.
Não sei se esses casos constam de algum site sobre ORLANDO SILVA ou sobre Pixinguinha, mas o caso de "Rosa" ouvi-o do próprio Paulo Tapajós

Ainda sobre a música "Rosa", gostaria de informar que essa era a de que mais sua mãe gostava. Depois de seu falecimento, Orlando não podia cantar essa melodia sem chorar. Ele era muito sentimental e adorava sua mãe. Assim era difícil, para ele, cantar "Rosa".
Só para citar, algumas gravações de Orlando que marcaram muito sua carreira: "Nada Além" e "Enquanto Houver Saudades", ambas de Mário Lago e Custódio Mesquita (as primeiras da parceria);"Súplica"(aquela, cuja letra não tem rima); "Caprichos do Destino"; "Por quanto Tempo ainda";"Dá-me tuas Mãos"; "Por Ti"; "Uma Lágrima, uma Dor, uma Saudade"; "Lágrimas de Rosa"; "Página de Dor"; "Apoteose do Amor"; "A Jardineira"; "O Pranto Meu Ninguém Vê"; "Cidade Brinquedo" e "Cidade Mulher"(ambas exaltando o Corcovado): "O Meu Pranto Ninguém Vê"... estas últimas para os carnavais nos quais ele era sempre o mais ouvido.

A data de seu falecimento (7 de agosto) foi seguida à do Papa Paulo VI (dia 6). Assim, a cidade amanheceu de luto, como é comum acontecer quando morre um chefe de estado. Que aconteceu?
O féretro de Orlando deixou a sede do Flamengo, no Morro da Viúva, onde foi velado, seguido de um séquito de fãs, admiradores e jornalistas, para o Cemitério de São João Batista.
Do alto do Morro do Pasmado, a bandeira a tremular a meio pau, mais parecia uma homenagem a ORLANDO SILVA.
Hoje seu corpo encontra-se no Cemitério de São Francisco Xavier, para onde foi trasladado por ordem de sua esposa Lourdes, que por sinal faleceu pouco tempo depois.

Só para lembrar, a letra de seu primeiro grande sucesso:

LÁBIOS QUE BEIJEI

Lábios que eu beijei,
Mãos que eu afaguei
Numa noite de luar assim.
O mar na solidão bramia
E o vento a solicitar pedia,
Que fosses sincera para mim.

Nada tu ouviste
E logo partiste
Para os braços de outro amor.
Eu fiquei chorando,
Minha mágoa cantando
Com a estátua perenal da dor.

Passo o dia soluçando com meu pinho
Carpindo a minha dor sozinho
Sem esperança de vê-la jamais...
Deus, tem compaixão deste infeliz.
Porque sofrer assim ?
Compadecei-vos de meus ais.

Tua imagem permanece imaculada
Em minha retina cansada
Por chorar por teu amor.
Lábios que beijei,
Mãos que eu afaguei
Volta, dá lenitivo a minha dor

Norma

domingo, 2 de outubro de 2011

Essa é pra dançar ou lembrar?

Um achado, nas alegrias do passado


Orlando Silva


Orlando Garcia da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 03 de Outubro de 1915, desde pequeno gostava de cantar, mas nunca chegou a estudar música ou canto. Em 1934, o compositor Bororó  se apresentou a Francisco Alves, que o convidou a cantar em seu programa na Rádio Cajuti. Nesse mesmo ano gravou seu primeiro disco, na Columbia. em 1954 conquistou o titulo de Rei do Rádio. Nessa mesma época, fazia o programa Doze Badaladas. Em 1955 voltou a Odeon, permanecendo até 1959, e reconquistou a popularidade com o lançamento do LP Carinhoso.

A Poesia de Geraldo Urano


a fera ronda pobres e ricos
quer estrangular paramaribo
alcançar vênus e marte
abrir um precipício
oferece-me ouro e fama
uma jovem bonita
eu corro para santana
conto as coisas a um velho amigo

a fera não dorme
nem de dia nem de noite
engolindo estrelas ela vai marchando
um azul triste no céu
um verde triste no mar
uma flor soluça
no coração de gibraltar

não venha a mim
sou uma pequena alegria
uma escada curta
uma nuvem como as outras
no céu da tarde
não venha a mim
sou apenas um tocador de gaita
uma flor da água
um cisne procurando a palavra
você sabe
não é qualquer um
que traz os sinais
mas um especialmente
tem muita gente nervosa
com as cores do mar
eu sou apenas um gaiteiro

Leila Diniz, uma mulher inesquecível - Por : Rosa Guerrera



Bonita, sensual, provocante, rebelde, corajosa e talentosa atriz Leila Diniz revolucionou os anos 70 no mundo feminino brasileiro.Conhecida como a mulher defensora do amor livre e do prazer sexual , Leila rompeu conceitos e tabus então existentes , através de suas idéias e atitudes .Nascida em Niterói no ano de 1945 , muito jovem formou-se no magistério e foi ser professora primária num subúrbio carioca, casando logo após com o cineasta Domingos de Oliveira, surgindo assim a oportunidade de ingressar no teatro e em tele novelas. Separada depois de 3 anos do marido , Leila ingressou no cinema , tendo participado de 14 filmes .Sempre foi uma mulher que apesar de muito jovem , era considerada por muitos por sua ousadia e por detestar convenções , como um mito de liberdade feminina.Foi criticada, difamada , chamada de “vulgar” por homens e mulheres da época , principalmente quando se deixou fotografar grávida de oito meses, usando um biquíni numa praia carioca. Sempre se considerou uma mulher de atitude, e sem constrangimento dizia um palavrão ou falava de sua vida pessoal. Deu entrevistas marcantes á imprensa e jamais se importou em causar qualquer tipo de recriminação fosse de quem fosse.Casada pela segunda vez com Ruy Guerra , Leila apaixonou o mundo cinematográfico e teatral com o seu talento e o seu jeito sincero de ser. Numa entrevista concedida ao Pasquim , Leila disse uma frase que então lhe trouxe sérios problemas de censura.Ao ser questionada sobre o amor , Leila proferiu a seguinte frase , considerada então “vergonhosa” para a época : “Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo.”..... Sua trajetória pela vida infelizmente foi bastante curta.Morreu num desastre aéreo no dia 14 de junho de 1972, quando voltava de uma viagem a Austrália aos 27 anos de idade, deixando uma filhinha de nome Janaina, que foi criada pelo casal Chico Buarque de Holanda e Marieta Severo seus maiores amigos. Sua rebeldia, seu talento, a sua defesa em favor do amor livre e seus palavrões jamais serão esquecidos.Leila Diniz foi e será para sempre o símbolo da mulher livre . Minha homenagem a sua luta e as suas conquistas.


rosa gurrera

Rainer Maria Rilke


O torso arcaico de Apolo

Não conhecemos sua cabeça inaudita
Onde as pupilas amadureciam. Mas
Seu torso brilha ainda como um candelabro
No qual o seu olhar, sobre si mesmo voltado

Detém-se e brilha. Do contrário não poderia
Seu mamilo cegar-te e nem à leve curva
Dos rins poderia chegar um sorriso
Até aquele centro, donde o sexo pendia.

De outro modo erger-se-ia esta pedra breve e mutilada
Sob a queda translúcida dos ombros.
E não tremeria assim, como pele selvagem.

E nem explodiria para além de todas as fronteiras
Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar
Que não te mire: precisas mudar de vida.

(Tradução: Paulo Quintela)



Ah, Se Eu Pudesse
Composição: Roberto Menescal E Ronaldo Bôscoli
Ah!, se eu pudesse te buscar sorrindo
E lindo fosse o dia, como um dia foi
E indo nesse lindo, feito para nós dois
Pisando nisso tudo que se fez canção

Ah!, se eu pudesse te mostrar as flores
Que contam suas cores para a manhã que nasce
Que cheiram no caminho quem falasse
As coisas mais bonitas para a manhã de sol

Ah!, se eu pudesse, no fim do caminho
Achar nosso barquinho e levá-lo ao mar
Ah!, se eu pudesse tanta poesia
Ah!, se eu pudesse, sempre, aquele dia

Ah!, se eu pudesse te encontrar serena
Eu juro, pegaria sua mão pequena
E juntos vendo o mar
Dizendo aquilo tudo, quase sem falar

Pérola da MPB_ composição de Roberto Menescal e Aldir Blanc


Eu e a música
Roberto Menescal e Aldir Blanc

All the way be free, you should care for me
Dreaming day by day, eu acho essa papo todo okay
Por que tenho mil canções na alma

Canto em cabaret, muito tenderly, only you and me
Lições que eu aprendi com a Sapoti
Meu som viaja numa boa de Las Vegas até Piraí
Não esqueci que na platéia quando chove
Não pinta nem The man I Love
E então num tempo triste o coração
Ameaça desistir e eu digo: Cara, I know
É tudo uma questão de calma, Body and Soul
Fica firme aí e Never Let Me Go
Essas coisas são parte do show

All the way be free, you should care for me...

Não esqueci que se a platéia está demais
The Man I Love Round Midnight
Do bar tem olhos só pra mim
Eu sou a maior, eu sou Sara "Von"
Eu não tenho fim
E o refletor parece o sol
Iluminando a estrela Unforgetable

It is wonderful ser Lady Singing The Blues
Ah! Eu quero morrer no calor dessa luz
Eu me sinto feliz
De poder transmitir
O abraço do Menescal e do Aldir

Cris Delanno e Roberto Menescal: bom demais!


TODO PONTO DE VISTA É A VISTA DE UM PONTO

TODO PONTO DE VISTA É A VISTA DE UM PONTO

Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura.
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.
Sendo assim, fica evidente que cada leitor é coautor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita.

(trecho extraído de querência de Mckenie/Padula, Sossego. MG. Verão de 1997)

Curtas. Liduina Vilar

Janelas abertas à natureza
convidando a brisa, as aves e as flores,
a adentrarem com toda realeza,
e harmonizarem o espaço com seus valores.

sábado, 1 de outubro de 2011

Encontro Caririense da SOBRAMES


A Sociedade Brasileira de Médicos Escritores estará realizando, de 07/10/2011 a 09/10/2011 , o Encontro Caririense da SOBRAMES - Ceará. No Crato a vasta Programação ocorrerá no próximo dia 08/10 ( Sábado), no Salão de Atos da Urca , segundo Programação abaixo.

Sala C r a t o



08 de outubro , Sábado



09:00-10:00hConferências: “Dr. Leão Sampaio – o Homem que não aprendeu a dizer não”


“O Cariri no Contexto do Ceará”


Presidente: Dr. Vladimir Távora Fontoura Cruz


Palestrante: Dr. Napoleão Tavares Neves



10:00-10:15h - Cafezinho



10:15-11:15h - Temas Livres


Presidente: Dr. José Luciano Sidney Marques


Secretário: Dr. Paulo Ronalth Peres Melo



11:15-12:00h – Palestra: Ariano Suassuna: Vida e Obra


Presidente: Dr. Antonio Tomaz Ribeiro Ramos


Palestrante: Dra. Fátima Calife (PE)



12:00-14:00h – Almoço livre.



14:00-15:45hTemas livres


Presidente: Dr. Vanius Meton Gadelha Vieira


Secretária: Dra. Auxiliadora Vieira Mota



15:45-16:00h - Cafezinho



16:00-17:00hConferência: “Padre Cícero”.


Presidente: Dr. José Maria Chaves


Conferencista: Dr. Wellington Alves de Souza



17:00-18:00h Palestra: “Zé de Matos e o Universo da Poesia Popular Caririense no Século XIX”.


Presidente: Dra. Celina Côrte Pinheiro de Sousa


Palestrante: Dr. José Flávio Vieira



Noite Livre


Participe !

Fim de semana... "xô, estresse" - José Nilton Mariano Saraiva

BALINHAS DE MENTA: A freira estava andando pela rua quando de repente uma loira lhe ofereceu carona. Muito agradecida, ela aceitou e entrou no carro. Uma reluzente Ferrari vermelha com banco estofado de couro e reclinável, ar condicionado, televisão, o escambau... - Que belo carro a senhora tem! - comentou a Irmã. - Deve ter trabalhado ardentemente para tê-lo comprado, não é mesmo? - Não foi bem assim não, Irmã! - Respondeu a loira - Na verdade eu ganhei de um empresário que dormiu comigo por um tempo!!! A freira fica um pouco chocada, mas não diz nada. Então ela olha para o banco traseiro e vê um belo casaco de vison, só disponível nas melhores boutiques de Paris: - O seu casaco de peles é muito bonito! Deve ter custado uma fortuna, hein? - Na verdade não me custou nadica de nada, diz a jovem. Ganhei por causa de algumas noites que eu passei com um jogador de futebol!!!. Então a freira não falou mais nada, emudeceu, calou, silencio total durante toda a viagem. Chegando ao convento ela foi para os seus aposentos tomar um revigorante banho quente... quando, de repente, alguém bate na porta. - Quem é? - pergunta ela do banheiro. - Sou eu! Padre Afonso! Ela sai do banho, veste o seu roupão, vai até a porta e diz: - Quer saber de uma coisa? Vai te fuder, seu FDP !!! Você e suas balinhas de menta!!! Liso miserável !!!
IGREJA CHIQUE: Naquela igreja chique, daquele bairro chique, naquela chique e próspera cidade do interior, aquela dondoca chique vai se confessar: - Padre, eu pequei. O senhor me conhece, sabe que nunca traí o meu marido. Acontece que apareceu aqui na cidade um homão lá da capital, um pedaço de mau caminho. O senhor sabe, né? A carne é fraca... O padre passa-lhe um sermão e como penitência manda que ela deixe uma oferta de duzentos reais para as obras da igreja. Logo depois, uma outra madame vem com a mesma história a respeito do tal galã da capital. Novo sermão e a penitência sobe para quinhentos reais de contribuição para as obras da igreja. E nos dias seguintes foi uma verdadeira romaria no confessionário, sempre com socialites que haviam chifrado os maridos com o forasteiro bonitão. E o padre estipulando a penitência, em forma de grana, muita grana...mais, sempre mais. Depois de uma semana de tanta penitencia, o padre já ia dizendo à pessoa que acabara de ajoelhar-se no confessionário: - Pode falar, minha filha: cometeu adultério como o tal garanhão. Foi aí que uma voz masculina o interrompeu, bruscamente: –Não, padre, eu sou o próprio ! O tal garanhão ! – Ah, meu filho, é você. Já sei, arrependeu-se e resolveu confessar os seus pecados, não é? - Não, senhor, padre, tô fora! Vim só avisá-lo que se quiser continuar com essa vidinha mansa terá que me dar a Ferrari vermelha que o senhor acaba de comprar e mais 50% do valor das penitências...senão eu mudo de paróquia. Viraram sócios. Foi a partir daí que nasceu a tal da "rachadinha".
RESSARCIMENTO: O sujeito chega para o padre e pergunta:-Padre o senhor acha correto alguém lucrar com o erro dos outros?-É claro que não meu filho!-Então me ressarce a grana que eu te paguei pra fazer meu casamento, e o batizado dos meus dez filhos, seu espertinho.
SEXO ANTES DO CASAMENTO: Perguntaram pro padre: - Padre, o que você acha do sexo antes do casamento? - Se não atrasar a cerimônia, podem usar até a sacristia!!
UMA COCA E DOIS BISCOITOS: O padre estava dando confissão. Já cansado da mesma ladainha de sempre, tinha pregado dentro do confessionário uma lista com todos os pecados possíveis e imagináveis com as correspondentes penitências. Então, quando chegava o fiel e dizia: - Padre, traí minha mulher – ele nem titubeava; olhava a lista, procurava adultério e vendo ao lado a devida penitencia, respondia: - Quatro Pai-Nosso e dez Ave-Marias! Um dia, no meio dessa lenga-lenga, deu nele uma vontade imensa de ir ao banheiro, “arriar a massa”, descarregar o pirão. Não tinha solução. Tinha que sair dali de qualquer maneira, urgente, se possível voando. Como a fila de fiéis para confissão estava imensa, ele abriu a porta do confessionário, chamou o faxineiro da igreja que estava por ali e pediu que este ficasse no seu lugar. Era simples, disse o padre: -Basta você escutar o pecado, procurar a penitencia, e dizê-la ao fiel e pronto! O faxineiro ficou ali escutando. Vinha um e dizia: - Padre, roubei dinheiro na minha empresa! O faxineiro pensava:"Vamos ver quanto o padre dá pra “roubo". Procurava na lista e respondia: - Meu filho, reze seis Pai-nosso e Cinco ave-maria. Vá em paz !!! Outro entrava e dizia: - Padre, dei porrada na minha mulher. O faxineiro pensava: Vamos ver quanto o padre dá pra “porrada na mulher". Procurava na lista e respondia: - Meu filho, reze oito Pai-Nosso e dez Ave-maria. Vá em paz !!! Até que chegou um, mais apreensivo, que disse: - Padre, padre, fiz “sexo oral” com minha mulher!!! O faxineiro procurou na lista e não achou nada sobre sexo oral. Não sabendo o que fazer, abre a porta do confessionário e pergunta pro coroinha que esta por perto: - Ei, Edgarzinho, você sabe quanto o padre dá pra sexo oral??? Ao que o menino responde: - Essa é fácil, fácil. Tô acostumado de ganhar: uma Coca-Cola e dois biscoitos !!!!

"Óleo de peroba" - José Nilton Mariano Saraiva

Era previsível e por isso mesmo cantamos a pedra, com convicção, em postagem de ontem (Cacete: lá e cá): o Governo do Ceará (através dos aliados da Assembléia Legislativa Estadual) publica nesta data nos principais jornais de Fortaleza, matéria paga, de página inteira (alguém, aí do outro lado da telinha, tem idéia de quanto custa o espaço de toda uma página, num jornal de grande circulação ??? certamente que um preço escorchante e proibitivo, pois não ???) tentando justificar a criminosa agressão da Polícia Militar do Ceará aos professores que reivindicavam, passivamente, melhorias salariais. Como se sabe, a deprimente ocorrência teve como palco as próprias dependências internas daquela “casa do povo” e as imagens, além de veiculadas em horário nobre pelo principal telejornal do Brasil (dessa vez não puderam abafar), ganharam também o mundo, via Internet.
Através da matéria hoje veiculada (sem assinaturas), numa completa e estapafúrdia inversão de valores a “Mesa Diretora” daquela Casa tira o braço da seringa ao tentar transferir a “...pessoas alheias ao funcionamento da Casa e infiltradas no seio da categoria do magistério” a responsabilidade pela ocorrência lamentável e grotesca, quando as imagens mostram, sim, que os excessos foram cometidos pela Polícia Militar do Ceará, que os feridos são professores e que o sangue jorrou, e em profusão.
Esquece de informar, entretanto, a “Mesa Diretora”, que além das pauladas, socos e pontapés recebidos, os professores foram agraciados, em seguida, com um “mimo” extra: a aprovação, sem choro nem vela, imposto de cima pra baixo pelo Governo do Estado, do reajuste salarial (rebaixado) contra o qual se insurgiram e daí a luta e a greve dos barnabés.
E “Sua Excelência” (o Governador do Estado) ainda tem a desfaçatez de aparecer na telinha tecendo loas e jogando confetes à sua política educacional. Haja “óleo de peroba” pra tanta cara de pau.

Recebido por e-mail


www.ctarvoredavida.com.br / Resp.SocioAmbientalCultural
PAHL - Plano de Ação de Humanos Livres

"É uma coisa muito útil estar apto a combinar a ternura do Amor com a
austeridade do dever.
A nova vida não será acovardada por oposições.
Ela não será acovardada por um jugo, mas dará largura a receptividade.
É tempo de conhecer o planeta e apoiá-lo.
As pessoas não podem ser acalentadas calculando quantos anos ainda há
antes que o sol esteja extinto.
Um grande número de variadas condições pode transtornar todos os cálculos.
Um ser ávaro tem um selo em sua face.
Este ser não está ligado ao coração.
E para o ser ávaro, o mundo sutil é somente uma fonte de tormentos e dúvidas".
Do livro : Comunidade - Fundação Avatar - 1926

"O segredo da manifestação é desapegar-se da necessidade de manifestar algo.
Quando há intenção desapegada - podemos criar tudo."

Alfajor Argentino



Ingredientes

Massa:

- 250 g de manteiga
- 1 xícara (chá) de açúcar (160 g)
- 3 gemas
- 2 ½ xícaras (chá) de amido de milho (250 g)
- 1 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo (180 g)
- ½ xícara (chá) de Cacau em Pó (36 g)
- 1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
- 1 colher (chá) de fermento em pó
- 1 colher (café) de aroma de baunilha
- 1 colher (sopa) de conhaque
- raspas de 1 limão

Recheio:

- 400 g de doce de leite pastoso
- 1 colher (sopa) de conhaque

Cobertura:
- 750 g de Cobertura de Chocolate Branco picado

Modo de Preparo

1. Prepare a massa: bata a manteiga e o açúcar e, sem parar de bater, acrescente as gemas uma a uma, até obter um creme esbranquiçado e leve. Acrescente então o amido de milho, a farinha, o cacau, o bicarbonato, o fermento, o aroma de baunilha, o conhaque e as raspas de limão. Misture até formar uma massa homogênea, cubra com filme plástico e leve à geladeira por cerca de 10 minutos.

2. Polvilhe uma superfície limpa e seca com farinha de trigo e abra a massa com a ajuda de um rolo até ficar com uma espessura de 3 mm, como massa de biscoito. Corte a massa em quadradinhos de 2,5 cm. Acomode-os em uma assadeira untada e enfarinhada. Preaqueça o forno a 180ºC e asse por cerca de 15 minutos ou até começar a dourar. Retire do forno e com a ajuda de uma espátula, coloque os quadrados sobre uma grelha para esfriar.

3. Para o recheio, reduza o doce de leite: coloque-o em uma panela e leve em fogo médio mexendo sempre, para não grudar, por 5 minutos ou até que o doce esteja bem firme. Junte o conhaque e mexa bem. Espalhe o recheio sobre a massa fria e, em seguida, feche-a, formando uma espécie de "sanduíche".

4. Cobertura: derreta o chocolate em banho-maria ou no microondas, na potência média por cerca de 4 minutos, mexendo na metade do tempo. Transfira para um outro refratário limpo e seco, coloque este sobre uma travessa com água fria. Mexa continuamente, resfriando-o por igual. Você saberá o ponto certo para banhar quando colocar uma porção de chocolate sob os lábios e sentir que ele está "frio". Com o auxílio de um garfo, mergulhe cada alfajor no chocolate temperado, escorra os excessos e leve à geladeira por 5 a 10 minutos, o suficiente para secar. Sirva em seguida ou guarde envoltos em celofane ou filme plástico. Conserve os alfajores em lugar fresco e arejado.


Fonte: Garoto

Recbido por e-mail


A revolta do Ipê

Um Ipê Amarelo foi cortado e seu tronco foi transformado em um poste.
Após o poste ser fincado na rua, foram instalados os fios da rede elétrica.
Eis que a árvore se rebela contra a maldade humana e resolve não morrer.
Mas a reação foi pacífica, bela e cheia de amor.
Rebrotou e encheu-se de flores.

Assim é a natureza…vencedora !

Porto Velho – Rondônia – Brasil

Clausura - Por Rejane Gonçalves



Fiquei guardado dentro das paredes redondas sem ver o mundo e descobri que, por mais que me pusesse na ponta dos pés aguacentos, os tijolos estariam ainda a um palmo acima de mim.
Antes do confinamento, uma camada de lama fina, mingau ocre, por vezes vermelho, marrom, estagnava-se ao meu redor e não ligava a mínima para minhas intromissões em seus domínios. Eu podia brincar com as flores do cajueiro, que despregadas pelo vento, deslizavam naquela gelatina escura, andar sobre ela, ou até entrar nela, mexê-la para lá e para cá como se eu fosse uma colher de pau a desandar um angu.
Desenvolvi nesse tempo um apurado senso de observação, que me fazia saber de imediato a quem pertencia o pé que deixara suas marcas nas margens já meio endurecidas da lama, se era de homem ou de mulher, se andava apressado ou devagar. Houve dias em que nomeei, com todas as letras, o dono ou a dona do pé. Tornei-me com a anuência de todos um profundo conhecedor de pegadas.
Meu olho tem cílios que se expandem, muitas vezes ultrapassam a fina camada de lama e desenham um círculo azulado e lacrimoso em torno dela. Do alto, é como ver um ovo a fritar, quebrado numa frigideira, a gema no centro, a clara densa, derramada por sobre a gema e por todos os lados, um lençol que embora cumprisse a sina de cobrir, o fizesse com transparências.
Quando recolho os cílios, deixo nos lugares, por onde eles se estenderam, berços de umidade que podem servir de nascedouro e abrigo às plantinhas diáfanas, às penugens verdes que farão cócegas nos pés das mulheres que se debruçam sobre mim e abrem minhas pestanas, para ver se estou vivo ou morto. Elas seguram pequenas panelas arredondadas, mergulham essas panelas dentro de mim, uma, duas, três, várias vezes. Dias há em que são muitas as mulheres. Não me dão descanso. Nem me sobra um tempo para fechar e abrir o olho, umedecê-lo, descansá-lo. Depois da saída da última mulher eu fico parado, me privo de qualquer movimento, evito a formação de bolhas, fujo das ondulações. Sereno. Porque me assalta o pavor do olho seco. Um olho precisa estar molhado, disto eu bem sei, nem que seja à custa de colírios.
Desde que fiquei preso no meio desse muro redondo, não tenho mais contato com a lama, não afago as flores empapadas do cajueiro e quase mulher nenhuma, ou mesmo homem me procuram. Ao terminar a construção da pequena muralha, os operários tocaram-me com o respeito próprio dos devotos e no meio deles um, que parecia chinês, não parava de fazer reverências, de sorrir, em frente à ponta da muralha que se unira com unhas e dentes à outra ponta. Estava finalmente concluída. E eu protegido. Preservado.
No meio da mata silenciosa, viúva de tantos animais, semi-vestida, cada dia mais nua, eu era apenas um olho. Um olho d’água. Livre.


Rejane Gonçalves

Alcides Gonçalves - por Norma Hauer



Ele nasceu em Porto Alegre a 1º de outubro de 1908.
E quem é ALCIDES GONÇALVES ? Músico e compositor, nasceu e faleceu em Porto Alegre, mas durante alguns anos fez parte da Orquestra da Rádio Nacional, aqui no Rio de Janeiro, para onde veio em 1939 e também da de Radamés Gnatalli, no Copacabana Palace.

Suas composições não foram em grande número, mas marcaram sucessos aqui no Rio, principalmente na voz de Francisco Alves, que gravou "Cadeira Vazia"

"entra meu amor, fica à vontade
e diz com sinceridade,
o que deseja de mim..."

ou ainda
"Quem há de dizer,
que quem vocês estão vendo
naquela mesa bebendo
é meu querido amor...;

ou mesmo "
"vocês estão vendo aquela mulher de cabelos brancos,
vestindo farrapos, calçando tamancos..."

Mas isso não é de Lupicínio Rodrigues? É ! Alcides Gonçalves foi para Lupicínio o que Vadico foi para Noel Rosa, Alberto Ribeiro para Braguinha, ou Otávio de Souza para Pixinguinha: O PARCEIRO NUNCA CITADO.
Mas estão lá, também são parte da história de algumas músicas daqueles compositores.

Com "Triste História", ao lado de Lupicínio, Alcides Gonçalves venceu um concurso realizado pela Prefeitura de Porto Alegre. A primeira composição da dupla, entretanto, foi "Pergunta a Meus Tamancos".

Depois de alguns anos aqui no Rio de Janeiro, regressou a sua terra natal (Porto Alegre) onde faleceu em 9 de janeiro de 1987, aos 78 anos.

Norma

Maravilhoso!!!


Céu e João Donato no Rock in Rio

João Donato acena para a plateia durante apresentação conjunta com a cantora Céu, no Palco Sunset; a parte dele do repertório contou com "Bananeira" e "Mosquito"

Renatinho foi ao circo, poesia infantil de Vicente Guimarães






Renatinho foi ao circo

E voltou entusiasmado;

Estava alegre e feliz,

Mas um pouco impressionado.



Gostou muito dos atletas,

Também do malabarista,

Deu vivas ao domador,

Palmas ao equilibrista.



Mas quando a casa chegou,

Depois da grande função,

Foi contar ao papaizinho

Sua nova resolução:



– Quando eu crescer, quero ser

Um palhacinho brejeiro,

Para dar a cambalhota

No centro do picadeiro.




Em: João Bolinha virou gente, de Vicente Guimarães (vovô Felício), Rio de Janeiro, Editora Minerva, sem data.

———


Vicente de Paulo Guimarães, [Vovô Felício] ( Cordisburgo, MG, 1906 – 1981) — Poeta, contista, biógrafo, jornalista, autor de Literatura Infanto-Juvenil (1979), funcionário público, educador, membro da Academia Brasileira de Literatura (1980), prêmio Monteiro Lobato -ABL (1977). Em 1935, Vicente criou em Belo Horizonte a revista “Caretinha”, dedicada a jovens leitores; dois anos depois, foi o responsável pelo suplemento infantil do jornal “O Diário”. Um dos projetos de sucesso foi a revista “Era uma vez”, que começou a circular em 1947. Criou também no mesmo ano a Revista do Sesinho, para divertir e educar as crianças.

Para Stela Siebra, a nossa Bisaflor- encantadora contadora de histórias!



Brincando no passado- por socorro moreira




Parece que foi ontem... Eu tinha seis anos e fazia o primeiro ano do curso primário. Estudar poesia pra vencer a timidez empolgou toda uma geração. Lá estávamos nós, no auditório da Rádio Educadora para estudar  poesia com a professora Sarita Felício. Lembro de meninas como Magali, Regina, Miriam Calou, Socorrinha Calou...

Incrível é que, pela primeira vez não encontrei no Google o procurado: as poesias!
Conto com a ajuda de Magali, para lembrar algumas delas, como:
As ruguinhas do papai (J.de Diê Filho?); A Boneca (Madalena Correia ?) e Enfermeira de Jesus (Vicente Guimarães?), e outras...!
Como se pode confiar numa memória de textos perdidos há 54 anos?

“Papai tem duas ruguinhas
Lá no alto do nariz
Pequeninas franzidinhas
Que se cortam como um x
Quando apronto uma das minhas
Travessura de petiz
E vejo aquelas ruguinhas
Desisto de fazer bis
Desisto de puro medo
Porque elas em segredo-
As ruguinhas sabem tudo
E vem aí pelo espaço
Um formidável cascudo! “


Outra que nem sei se recordo por inteiro é “A BONECA

“Eu conheço uma boneca
Bem levadinha da breca
Que comigo se parece
O pai vive para agradá-la
A mãe então nem se fala
Só em vê-la se enternece
E com um semblante tristonho
Vive como num sonho
A tal boneca faceira
(...)
Fez-se amiguinha das fadas e da gata borralheira
(...)
Nem sabe ler
Pois é cedo pra aprender
Estas coisas do primário
Ainda está no jardim
Onde o proveito é sem fim
Para chegar ao abecedário
(...)
E agora ouça-me bem
Este segredo é só meu
Não diga pra mais ninguém
Que a bonequinha
Sou eu!”

Enfermeira de Jesus

Encontrando a porta aberta
Ligeirinha e muito esperta
Sem ninguém para atender
Entrou a linda Rutinha
No quarto da mamãezinha
“Para em tudo remexer...”

Justo nesta época ganhei uma boneca grande , que andava, fechava e abria os olhos, chorava. Veio numa caixa enorme. Estava vestida de enfermeira e acompanhava-lhe uma malotinha branca com o instrumental para curativos. Perfeita! Com certeza já não existem bonecas como aquelas de antigamente.
Minha mãe juntou por um ano, réis, numa lata de querosene.
Foi comprada no armarinho do Sr.José Vilar, e custou um conto de réis.
Que sacrifício os nossos pais não fizeram para nos proporcionar um sorriso de alegria? Brinquei com a boneca até que ela deixou de existir: Perdi suas meias de nylon, a touca do cabelo, os sapatinhos, perdeu o choro, quebrou um braço, a perna... Mas, na minha memória, ela permanece enrolada em papel de presente e laço de fita... É inteira e linda!

Música O Professor - Tania Maya


O Professor
                   Tania Maya
                                          
Quem com pó de giz
Um lápis e apagador
Deu o verbo a Vinícius
Machado de Assis, Drummond?

Quem ensinou piano ao Tom?
Quem pôs um lápis de cor
Nos dedos de Portinari,
Picasso e Van Gogh?
Quem foi que deu asas a
Santos Dumont?

Crianças têm tantos dons
Só que, às vezes, não sabem
Quantos só se descobrem
Porque o mestre enxergou
e incentivou...

É, só se faz um país com professor
Um romance, um croquis, com professor
Um poema de amor, dim dim
Um país pra ensinar seus jovens eh
É, só se faz...
Um romance, um croquis, com professor
Um poema de amor, dim dim...

Quem com pó de giz...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

JARARACA- por Norma Hauer


Recebendo o nome de José Luiz Rodrigues Calazans, ele nasceu em 29 de setembro de 1896, em Maceió (Al). Ficou conhecido no meio artístico pelo nome de JARARACA.

Em sua cidade, conheceu, em 1919, aquele que se tornou seu parceiro em músicas e apresentações musicais: Severino Rangel de Carvalho (o Ratinho). Iniciando suas apresentações em sua terra natal veio para o Rio de Janeiro no conjunto "Tribunas de Pernambuco", que aqui se dissolveu mas a dupla continuou sua carreira até o falecimento de Ratinho, em 1972.

Era uma dupla caipira, com todas as características do interior, bem diferentes das
atuais, que são "country", ou seja, nada têm de brasileiras, principalmente do interior.

Após a morte de Ratinho, Jararaca tentou outras duplas, mas não conseguiu sobressair-se no meio das mudanças que, a partir dos anos 60, passou a dominar novos ritmos e ídolos até então conhecidos, foram dando lugares a outros que começaram a surgir.

Dos sucessos da dupla, lembro-me bem de "Espingarda, pá, pá, pá, pá...Faca de ponta, tá, tá, tá,..." Mas seu maior êxito, até hoje cantado no carnaval, foi uma parceria que fez com Vicente Paiva:"Mamãe eu Quero", o maior sucesso do carnaval de 1937. Na abertura, a voz de Almirante fazendo um "diálogo" diz:
"Mamãe eu quero,
Quer o que meu filho?
Mamãe eu quero mamar."

A partir daí tem início a parte cantada por Jararaca.

Por ocasião das primeiras eleições para a Câmara dos Vereadores, após a queda de
Getúlio Vargas, Jararaca, com seu nome verdadeiro, candidatou-se a vereador pelo
Partido Comunista do Brasil, então na legalidade.
Não me recordo se chegou a ser eleito; sei que depois abandonou a política e voltou a ser o Jararaca, com seu parceiro Ratinho, até 1972.

Jararaca faleceu em 11 de outubro de 1977, aos 81 anos.

Muito Prazer Terceira Idade - Por: João Marni


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01-10-2011 Dia do Idoso


Precisamos refazer a idéia de que estamos tão somente a caminho do fim, num processo inexorável de deterioração. Por que necessariamente agora, com cabelos brancos e experiência, está o idoso em declínio e não em transformação, - como tudo na vida? Onde é próprio da senilidade, mora o encanto. É imperativo para a felicidade dos que alcançam este degrau, que viajem com a vida, tal e qual fruto maduro que cai, apenas transferindo sua energia para outra estrutura; como a água do jarro jogada no riacho: não tem mais a forma do jarro, fazendo parte agora do riacho, pois somos águas correntes, inquietas. Não é o começo do fim, mas a busca por novos oceanos...

A vida se encerra quando finda a juventude? Por falar nisso, quando é mesmo que ela, a juventude, acaba? Um amigo confessou-me que não foi a percepção da perda da elasticidade da pele, nem os cabelos brancos e escassos, mas a dor que sentiu quando, em um certo dia, sentou em cima de suas próprias bolas! Disse-me também que há vantagens de ordem prática chegar-se à velhice: podemos competentemente, com as mãos trêmulas, espalhar canela em canjica, andar nos coletivos sem ter que pagar e, vez por outra, engolir um “azulzinho” e torcer pelo resultado. Não precisamos mais temer a vastidão do futuro.

O idoso encontra-se naquela fase em que os homens, naturalmente, afastam-se do culto ao corpo, e aproximam-se da filosofia, condição muito mais exuberante! Seria sábio e interessante não interferirmos na obra escultural, dinâmica e natural que é o corpo humano, de onde somos inquilinos. Para que cirurgia plástica “embelezadora”? Quer ser sua própria ficção, desconhecendo-se? O corpo paulatinamente perde a agilidade e a força, a expressão corporal muda do pulo do gato para o compasso lento e sereno. A visão diminui a acuidade, avisando que não se precisa mais ir à caça, mas ficar mais próximo da família. A audição também não é mais acurada, um prêmio para que não se ouçam mais tantas coisas vãs. Ter ótima memória apenas para fatos do passado distante, provavelmente serve para que se tenha melhor capacidade de reflexão da vida, sendo motivo de grande alegria poder rememorá-la quando não machucamos deliberadamente as pessoas com as quais nos relacionamos. Se a elas provocamos sofrimento, as lembranças são o preparo para o pedido de perdão. Recomenda-se que em conversa com ele (o idoso), puxemos por assuntos históricos, fatos de há muito tempo, onde sua memória encontra-se intacta e pode fazê-lo fluente.

A libido diminui, afinal para que reproduzir agora, se não dá para acompanhar o desenvolvimento do rebento? E quão patético é querer a performance dos vinte anos! Fica-se mais seletivo, a energia é usada com parcimônia e melhor distribuída em atividades também prazerosas e sociáveis, como ler, curtir os amigos, a natureza, a companheira, voltar a brincar fazendo a alegria dos netos, para os quais pode-se confeccionar antigos brinquedos!

Embora aparente fragilidade lá adiante, o ser humano se aborrece mais facilmente e é capaz de fazer valer suas vontades, bastando que lhe faltem com o respeito ou não compreendam sua rotina com seus objetos em seu cantinho predileto. Nesta fase gosta de segurar a mão da amada e dizer-lhe tudo, quase sem falar nada.
Se por coisas do destino tiver que ir para longe do convívio familiar, num abrigo, é bom que se diga que o experiente não é frágil como um cristal, nem se acaba aos cacos, mas não dispensa o polimento e que não se deve jogá-lo ao chão! Está apenas mais próximo de devolver sua "vestimenta", pois permitiu-lhe Deus que a usasse até o rompimento das malhas, abrigando um espírito, este sim, do interesse divino. É lamentável que um ser tão doce seja tratado de forma ingrata e desrespeitosa, num Brasil para poucos, com uma aposentadoria irrisória ter que enfrentar filas enormes na madrugada em busca de uma assistência médica caótica, ter que suplementar a renda trabalhando, quando os pés já não lhe obedecem mais e, pior, sem emprego para os seus descendentes, vê-los beliscar seus parcos ganhos, num estímulo à preguiça e à exploração. Este ser deveria chegar ao pódium da vida vivendo-a plenamente e não apenas suportando-a, mas elaborando-a sempre, com alegria.

ORAÇÃO DO IDOSO - (João Marni de Figueirêdo)

Ó mãos, sagradas mãos, de pregos transpassadas,
Ergam-me pela manhã no despertar,
Conduzam-me por todo o dia,
Afaguem-me nas minhas dores,
Devolvam-me ao leito à hora do recolhimento,
E, por ocasião do meu final, abracem-me para todo o sempre

Por: João Marni de Figueiredo



"Qualquer idéia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua..." (Mário Quintana)



Ele vem aí, não demora não, ele vem aí com uma vassoura na mão! - José do Vale Pinheiro Feitosa

O vocábulo udenismo notado no dicionário Houaiss fala apenas da filiação partidária a um partido que existia antes de 1964, chamado UDN. É um cuidado de dicionário de uma pobreza histórica, pois a palavra passou para a história como aquele programa de se fazer política sempre através da denúncia da corrupção. O udenismo foi uma das armas da perseguição política exercida pelo regime militar com as chamadas cassações por corrupção, hoje se sabe mais feitas para tirar adversários do jogo político do que propriamente para solucionar a questão de origem. A verdade é que os cassados nunca tiveram acesso aos processos que o cassaram e por consequência a nenhuma defesa.

Instigada pela mídia nacional e pautada por uma realidade mercantilista em que tudo é dinheiro, a população cai como patinho nesta questão de ordem moral no particular, sem tomar consciência do mal maior (do geral) que é a dinâmica de apropriação e acumulação de riquezas que acompanhou a retomada liberal dos anos 90. Vivendo uma dinâmica de corrida para bater as entradas de renda com as saídas de consumo, a população sabe que algo muito podre acontece no reino e a mídia lhes oferece o veneno diário do mal feito por seu vizinho.

Olha os nossos problemas não estão no forró eletrônico do vizinho, no carro zero daquele orgulhoso da rua de cima, não estão apenas nas verdureiras que pretendem ganhar mais no molho de coentro. Mas a mídia nos instiga contra eles, naqueles programas policiais, de dedo em riste como a palmatória do mundo. É um estilo julgador daqueles pastores de olhos esbugalhados com os dedos sobre os pecados alheios, enquanto se julga o senhor do próprio pecado.

Este espírito linchador renascido na mídia nacional, a fazer renascer a vassoura de Jânio Quadros, a fazer pregações moralistas como se interesses não movessem esta prática. Nos idos da ditadura militar foi perseguir e extinguir quem pensasse diferente e agora não é diferente, embora tenha uma questão maior a esconder. O que escondem?

Os juros altos, por exemplo, que consomem as reservas fiscais mais do que qualquer outro programa social. Mas a mídia, diga-se de passagem, é “científica” em seus argumentos, ela não virá como um clérigo pecador a apontar os pecados alheios. Ela vem invertendo equações, desequilibrando a verdade e mudando de lugar causas e efeitos.

A quem beneficia os juros altos? Às famílias ricas do Brasil que recebem do Estado pelo dinheiro que acumularam na economia brasileira que inegavelmente e monetariamente é uma contribuição coletiva de trabalhadores e técnicos especializados. O trabalhador e o técnico, nunca receberão destes juros, eles são o que pagam, além do que já perderam para estas famílias ricas na origem da acumulação do capitalista. Então por que a grande mídia fica cheia de “argumentos” econômicos quando os juros caem?

Por que não vai mais dinheiro para a saúde pública? Vamos devagar para chegarmos a uma percepção maior. Primeiro por que a fonte do imposto para a saúde foi nas transações financeiras e estas que retiram alguma coisa das famílias pobres, abrem o “escândalo” das transações entre ricos. Segundo por que existe uma oposição beneficiária do “udenismo” renascido que precisa sangrar de meios o governo federal mesmo que à custa dos seus prefeitos e governadores. Terceiro por que alguns setores privados se beneficiam da fragilidade pública pelo subfinanciamento para ganhar um pouco mais na mercantilização da medicina. Quarto por que o Congresso Nacional foi eleito por financiamento privado e está lá para representar os interesses apontados pelos atores dos itens anteriores.

A verdade é que gastamos menos que países assemelhados ao nosso com saúde (proporção do PIB), estimulamos uma iniqüidade pervertida com os planos de saúde (já explico melhor) e estamos comprometendo uma escala enorme de programas sociais hoje exercidos em nível municipal: saúde, educação, segurança patrimonial, assistência social, etc. Estamos comprometendo por que os orçamentos municipais estão inchados de novas atribuições deste a constituinte de 1988.

Os planos de saúde são geridos por entidades privadas que lucram e lucram muito com eles, mas planos não são financiados por estas entidades. Os planos de saúde são fundos mutuais, formados por pessoas que aderem a ele e a maioria é de trabalhadores que os cria através de negociações salariais (portanto abdicando de ganho direto no bolso, por descontos em planos de saúde). Além do mais os planos de saúde se tornaram um grande negócio de vender produtos através de procedimentos o que gera um consumismo exagerado de meios e uma mercantilização perversa que só aumenta custos e diminui efeitos positivos sobre a saúde das pessoas. Os planos de saúde no Brasil por este lado do consumismo são um fator brutal de iniqüidade, quando o gasto per capita neste meio é muitas vezes superior àquele do setor público e acrescente-se o fato de que concentrado no sudeste e sul do país. A iniqüidade é de tal ordem que o consumidor padrão destes planos mora na capital de São Paulo, tem menos de cinqüenta anos e é homem.

Os agentes particulares da saúde não venderiam seus produtos, sem o esforço coletivo do povo brasileiro, através de impostos ou por formação de fundos mutuais, nem a um terço da população brasileira. Apesar dos pesares e das denúncias “udenistas” ou não, a saúde pública financiada pelo imposto dos brasileiros é a presença mais firme nas grandes questões de saúde pública e a única força que efetivamente descentraliza recursos para o interior do país.

O udenismo visa linchar alguns para subtraí-los do jogo político nacional, mas não conseguirá modificar a realidade desta civilização que tem enormes contradições, entre as quais ter que viver com o que existe de proteção social e da renda pessoal.

Torta de figos



Ingredientes
1 embalagem de pudim sabor brigadeiro (550 g)
½ pacote de manteiga derretida (100 g)
3 colheres (sopa) de farinha de trigo (30 g)
1 colher (chá) de especiarias moídas (canela, cravo e cardamomo)
½ xícara (chá) de geléia de damascos
2 colheres (sopa) de conhaque
8 a 10 figos maduros cortados em 8 gomos

Preparo
Forre com papel-manteiga o fundo de uma forma redonda de 30 cm de diâmetro. Unte e enfarinhe o papel-manteiga e as laterais da forma. Bata o pudim na batedeira (velocidade alta) até ficar levemente esbranquiçado. Reduza a velocidade da batedeira ao mínimo, acrescente a manteiga derretida e bata por mais 1 minuto. Desligue a batedeira e misture a farinha e as especiarias até obter uma massa homogênea. Despeje a massa na forma, leve ao forno pré-aquecido (160o C) e asse por cerca de 35 minutos. Misture a geléia de damascos com o conhaque, para deixá-la mais fluida. Espalhe sobre a torta já fria e distribua as fatias de figo sobre a superfície da torta. Sirva em seguida.

Rendimento: 8 porções Tempo de preparo: 15 minutos

Receita cedida por www.fleischmann.com.br

El Derecho al Delirio - Eduardo Galeano




Quis partilhar este video com uma mensagem do escritor e jornalista uruguaio, Eduardo Galeano. Ele mesmo faz a leitura do texto escrito por ele. Muito bacana!

A questão carcerária - Emerson Monteiro


Um dia, pelas ruas de Mangaratiba, cidade litorânea do Rio de Janeiro, visualizei o passeio dos detentos da Ilha Bela, antigo presídio hoje desativado. Quadro marcante, cortejo de homens válidos, corpulentos, em marcha batida, controlados por guardas e cães, a percorrer trechos daquela cidade. Alguns traziam consigo peças de artesanato de própria fabricação, oferecidas aos circunstantes por preços ocasionais. A cena ficou gravada para voltar ao pensamento quando, como agora, enfeixo a intrincada crise penitenciária brasileira. Aqueles zumbis, de olhos vazios, trajes encardidos, quais reses de tosquia, trastes da culpa, apenas arrastavam o tropel do destino à luz da vontade dos homens.

E revivo também a sensação cotidiana dos noticiosos quando exploram o mundo cão. São raros os meses em que deixam de ocupar o cardápio as rebeliões nas celas, com registros de fugas, incêndios, perdas de vidas e homicídios.

Tais aspectos percebidos significam o estrangulamento do sistema penal; refletem a estrutura da sociedade como um todo, onde deficiências indicam muito chão ainda para percorrer até a perfeição final do processo vida.

Cheira mesmo a repetição dizer que as cadeias, quais viveiros de pássaros indomáveis, converteram-se no campus da monstruosa universidade do crime, imagem conhecida, onde os apenados ali encaram desafios primitivos junto de outros em condições físicas e morais deploráveis. Daí, qual onda avassaladora, estranho relacionamento impõe e multiplica a morbidez de seres vencidos, depois lançados às sarjetas, num ciclo de miséria que aumenta os custos do subdesenvolvimento mórbido.

Intenções honestas de resolver o problema, contudo, não eliminam o atraso dessa área, vistas experiências nos países ricos, mesmo sabidas quantas falhas lá também persistem.

Planos que se cogitem devam sempre vincular a participação efetiva da força de trabalho reclusa às celas, estagnando a capacidade produtiva. Em resposta, as sentenças assim deixariam de inutilizar a mão de obra prisioneira, sobrando ao Estado o mérito de soluções criativas e geração de riqueza, alimentando e estabilizando as contas da instituição punitiva, além de profissionalizar quem chegar, de comum, sem ofício. As prisões agrícolas demonstram a viabilidade desta idéia.

Restam imaginar perspectivas novas para problema tão arcaico. O gesto de segregar aos calabouços, sem outras preocupações racionais, apenas mascara uma chaga que transborda de dor e clama decência. Compromisso pesa, pois, sobre todos os ombros, sabendo que o zelo da liberdade vem assegurado como atributo essencial, dom divino que cabe manter, sobretudo a quem necessita desde criança das poucas e limitadas oportunidades vitais.

A consagração de Lula pela intelectualidade francesa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma recepção de pop star hoje, em Paris, durante a cerimônia de entrega do título de doutor honoris causa pelo Instituto de Estudos Políticos (Sciences-Po), o maior da França. Em seu discurso, o ex-chefe de Estado enalteceu o próprio mandato e multiplicou os conselhos aos líderes políticos da Europa, que atravessa uma forte crise econômica.
Antes, durante e depois, Lula foi ovacionado por estudantes brasileiros, na mais calorosa recepção da escola desde Mikhail Gorbachev. A cerimônia foi realizada do auditório do instituto, com a presença de acadêmicos franceses e de quatro ex-ministros de seu governo: José Dirceu, Luiz Dulci, Márcio Thomaz Bastos e Carlos Lupi. Vestido de toga, o ex-presidente chegou à sala por volta de 17h30min, acompanhado de uma batucada promovida por estudantes. Ao entrar no auditório, foi aplaudido em pé pela plateia, aos gritos de "Olé, Lula". Em seguida, tornou-se o primeiro latino-americano a receber o título da Sciences-Po, já concedido a líderes políticos como o tcheco Vaclav Havel.
Em seu discurso, o diretor do instituto, Richard Descoings, se disse "entusiasta" das conquistas obtidas pelo Brasil no mandato do petista. "O SENHOR LUTOU PARA QUE O BRASIL ALCANÇASSE UM NOVO PATAMAR INTERNACIONAL", disse, completando: "NÃO É MAIS POSSÍVEL TRATAR DE UM ASSUNTO GLOBAL SEM QUE AS AUTORIDADES BRASILEIRAS SEJAM CONSULTADAS".
Autor do "elogio" a Lula - o discurso em homenagem ao novo doutor -, o economista Jean-Cluade Casanova, presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas, LAMENTOU QUE A EUROPA NÃO TENHA UM LÍDER "DE TRAJETÓRIA POLÍTICA TÃO ILUMINADA". Cssanova pediu ainda que Lula aproveitasse sua viagem para "DAR CONSELHOS AOS EUROPEUS" SOBRE GESTÃO DE DÍVIDA, DÉFICIT E CRESCIMENTO ECONÔMICO.
Lula aceitou o desafio e encarnou o conselheiro. Em um discurso de 40 minutos, citou avanços de seu governo, citando a criação de empregos, a redução da miséria, o aumento do salário mínimo e a criação do bolsa família e elogiou sua sucessora, Dilma Rousseff. "Não conheço um governo que tenha exercido a democracia como nós exercemos", afirmou, no tom ufanista que lhe é característico. Então, lançou-se aos conselhos. Primeiro criticou "uma geração de líderes" mundiais que "passou muito tempo acreditando no mercado, em Reagan e Tatcher", e recomendou aos líderes da União Europeia que assumam as rédeas da crise com intervenções políticas, e não mais decisões econômicas. "Não é a hora de negar a política. A União Europeia é um patrimônio da humanidade", reiterou.

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE - Agência Estado

lucidez

Que ninguém e nada
conspirem a meu favor.

Que o mundo permaneça alheio
e as coisas inalteradas.

Que a montanha não se mova
em minha direção e o mar
não se corte ao meio
por minha causa.

Que as estrelas nasçam e morram
sem mandarem notícias
do corredor escuro
de outras galáxias.

Que o meu bermudão não mostre seus bolsos
nem procurem nas minhas mãos moedas.

Que as minhas botas durmam
sem sonhar com as calçadas.

Que anjos não pensem em mim
nem façam da minha alma
uma aurora.

Que demônios esqueçam
o vazio da minha mente.

Que ninguém e nada
conspirem a meu favor.

Sei muito bem das emboscadas.
Da luz que finda e do grito.
Do olhar cúmplice
e da revolta.

Apartem-se do meu coração os arautos da felicidade.
Esses cães dos próprios ossos e da própria carne.

Sei do descuido, da farsa,
da longa vida que é a morte.

Que ninguém e nada prometam-me
a vida e o seu deleite em outra terra.

Que a paz dos meus chinelos
seja toda a verdade
que vejo -

sem truque,
sem medo.