por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 19 de junho de 2011

Zeka Araujo



Rodrigo Caixeta
09/02/2007


A paixão pela fotografia surgiu aos poucos na vida de Zeka Araújo. Completando 40 anos de profissão em 2007, ele conta que seus primeiros cliques aconteceram na adolescência, época em que fotografava o time de futebol de sua rua. Foi ali que percebeu a importância da atividade como documento histórico, “uma forma de se integrar a um tempo de acontecimentos”:
— A partir daquelas fotos, me chamaram para ser estagiário no Diário de Notícias. Na época, o Seu Pereira, chefe do Departamento Fotográfico, perguntou-me se eu conhecia tudo da matéria. Menti para ele, mas fui aprendendo durante todo aquele ano de 1967.

Quando começou no fotojornalismo, Zeka diz que as pautas eram ainda muito subordinadas ao texto, o que o incomodava:
— Nossas fotos eram uma espécie de apêndice da verdade do texto. Em 1968, fui chamado para O Cruzeiro, onde o status do fotógrafo era outro. Lá havia a tradição de respeito ao profissional e estava mais claro que quem embalava o produto era a fotografia. José Medeiros e Jean Manzon, entre outros, já tinham passado por lá e formado uma escola de grandes fotógrafos como seres pensantes. Era um período em que havia tempo para andar pelo Brasil, mergulhar nos assuntos, fazer grandes reportagens.

Zeka lembra que o sonho de sua família era que ele fosse jóquei, tanto que, aos 6 anos, ganhou seu primeiro cavalo de corrida de brinquedo. Mas foi como fotógrafo que ele se consagrou e sempre trabalhou. Chegou a mudar a grafia de seu nome, devido à chegada ao Brasil de alguns fotógrafos estrangeiros “com nomes chiques”, como Claus Meyer e David Drew Zingg:
— Eu assinava José Araújo, nada mais comum e brasileiro. Resolvi botar um “k” para dar uma “estrangeirada” nesse Zeka brasileiro. Quando escrevem meu nome com “c”, fico sem identidade.

Zeka trabalhou também no jornal O Globo e na Placar, cuja equipe carioca para fazer as coberturas era então composta apenas por ele e um repórter. Na época, o fotógrafo achava que a revista precisava ter uma visão mais autoral do futebol:
— Comecei a me desprender da idéia de registrar o gol para mostrar o balé, o drama. Na Placar, cruzava com o Maurício Azêdo, hoje Presidente da ABI. Nunca fizemos dupla de reportagem, mas sempre tivemos uma relação cordial. Lembro-me dele como um jornalista ligado à ética da profissão, às causas jornalísticas.



Correspondência internacional


Pela Editora Abril, Zeka foi o único correspondente fotográfico na Europa durante alguns anos e viajou por 18 países, fazendo imagens exclusivas para Placar, Veja e Cláudia. De volta ao Brasil, criou com Rogério Reis a Agência F4 e, posteriormente, fez “Meu querido Jardim Botânico”, livro produzido em parceria com Tom Jobim e reeditado recentemente em homenagem aos dez anos da morte do maestro. Atualmente, o fotógrafo está produzindo dois livros — um sobre as bandas centenárias do Rio de Janeiro, outro intitulado “Jardim Botânico 200 anos” —, ao mesmo tempo em que se dedica a dar cursos variados, sem abandonar as aulas para crianças carentes dos bairros de Irajá e Acari ou a visão crítica em relação ao que é ensinado em sala:
— Não acredito que dois meses, com duas aulas por semana, sejam suficientes para formar um fotógrafo. O aluno avança nos conhecimentos, mas é preciso ler, ir ao cinema, ouvir música, ter um conjunto de sensações, senão ele vira um mero apertador de botão. A fotografia, como boa parte da produção intelectual hoje, é conceitual.

Segundo Zeka, quando cria as diretrizes do ensino superior de Jornalismo, o Ministério da Educação desqualifica a profissão de fotógrafo, pois nega a possibilidade de autoria e atribui à fotografia apenas conceitos como diafragma e velocidade, “técnicas que em dez minutos se aprende”:
— As empresas usam este conceito perverso porque, não tendo autor, qualquer um pode fotografar, qualquer um ganha qualquer salário e obedece às orientações da empresa. Isso é uma mentira, porque nenhuma máquina de escrever redige um romance em si: é preciso um Graciliano Ramos para dar sentido àquele papel em branco. Todo fotógrafo é autor, ainda que siga orientações. Ele escolhe o tempo, o enquadramento, há uma decisão própria. A imagem autoral valoriza a publicação.

Entre os trabalhos inesquecíveis dos tempos dos jornais e revistas — a maioria perdida com o fim das publicações —, Zeka destaca uma foto do caixão do estudante Edson Luiz, feita sob a luz do farol dos carros na Avenida Rio Branco, no Rio, e publicada no Diário de Notícias:
— Naquela época, os fotógrafos tinham 12 fotogramas para cobrir três ou quatro pautas, o que era um exercício perverso, absurdo, mas que cumpríamos profissionalmente. Estava na rua quando ouvi uns dez jovens gritando “assassinos” na Cinelândia e fui ver o que se passava. Parei o trânsito, aproveitei a luz dos faróis, pois estava sem flash, e o grupo veio devagar, carregando o caixão. Tive calma para fazer a foto, porque só tinha um fotograma sobrando, mas todo o clima conspirou para aquele momento. A foto foi capa e aquela edição vendeu como água.

Hoje, o fotógrafo diz que é preciso viver com arte:
— O ser humano que não consegue ver a vida artisticamente, que se restringe a uma visão utilitária do mundo, está muito mal. É preciso ter poesia, ver o mundo de forma transcendente. Depois de 40 anos de carreira, imagina se eu estivesse fazendo fotos para satisfazer o desejo de um repórter ou editor? Ou qualquer trabalho que fugisse do meu desejo? Eu seria bastante infeliz. Um pouco da minha disposição em continuar vivendo como fotógrafo está na mudança de pauta, do paradigma do que é a fotografia, e de discutir para o que ela serve.

quase...- por socorro moreira


Mais um domingo
É manhã,e é  quase findo

O tempo é assim
Dois suspiros
Um verso contínuo
E o vazio da poesia

Um cuidar constante
Angustiante...
Sorver, degustar
Expirar...

A paz de um mosteiro
Pede licença,
E eu deixo...

São bem-vindos os silêncios
Descartável é o nada que desejo.

foto de pachelly jamacaru

Feridas abertas - Emerson Monteiro


Algo que revira entranhas feito brasa acesa nesses tempos convulsos caracteriza o despreparo da Humanidade para solucionar graves desafios em séculos seguidos. Apenas uma banda de mundo aparenta tranquilidade do ponto de vista social. A outra, amargura marcas profundas em termos de desencanto e desesperança. Espécie de sistema injusto transfere, de geração a geração, fortes heranças deixadas pelas guerras, em desatenção ao mínimo padrão da boa convivência, quando tudo serviu de pretexto à ganância dos menos escrupulosos. O cinismo diplomático ainda representa a regra básica dos povos e países, na conquista dos mercados e escravos.

Trilhões financeiros da riqueza da Terra alimentam a máquina infernal de quantias imensas que movimentam a indústria das armas, o comércio das drogas, os jogos, a prostituição. Praticar respeito entre as criaturas humanas deixou de significar progresso e demonstra fraqueza. Há que se andar tantos caminhos até contar história diferente, de alegria e positividade.

O canteiro de obras desses sonhos bons, no entanto, espera trabalhadores melhor qualificados, pois agora os exemplos torpes de autoridades infiéis aos compromissos coletivos querem fixar modelos perdidos. E o que se vê são caravanas de complicações no resultado parcial da farra política.

A cena dos palcos mostra limitações de não ter tamanho. Atores fantasiados encenam quais marionetes abobalhadas em meio aos gritos desesperados da miséria moral que predomina.

Nisso existem aqueles vendilhões da miséria alheia que usam a bilheteria em favor particular, os ditos ratos de monturo. Sugam as energias das populações de armas em punho, descaradamente qual sendo só seu o que a todos pertence.

Querer narrar a condição humana noutros cadernos mais organizados, ou pintar o barco nas cores amenas, eis o desejo de qualquer sobrevivente do mundo atual. Porém as telas que a realidade oferece quase que em nada mudaram, nos panoramas tristes elaborados desde a antiguidade dos pintores medievais.

Fanatismos, corrupção, distorções legais, administrativas, pornografia, epidemias, poluição, palavras do poema histérico escrito nos ares cinzentos e transcrito nas páginas rudes da civilização.

Esperar por mudanças favoráveis, mesmo que isto represente conscientização e trabalho, nunca é tarde, e recomeçar sempre a jornada. Cada personagem da crise desse chão detém o poder de transformar sonhos em acontecimentos, desde que reconheça disso a enorme necessidade presente.

SERTÃO POP REALIZA NOITE DE SÃO JOÃO COM FORRÓ AUTÊNTICO




A Sertão Pop está trazendo de volta as comemorações do tradicional São João. Para este evento, convidou a banda BELOXOTE da cidade de Crato, que tem se destacado em manter as raízes nordestinas do verdadeiro forró. A banda BELOXOTE volta-se para um repertório rico em músicas de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Marinês, Nando Cordel e muitos outros artistas que marcaram o cancioneiro do verdadeiro forró. O evento acontecerá na "Noite de São João”, na residência do produtor Kaíka Luiz, que fica há mais ou menos 100 metros do Hotel Encosta da Serra no Crato, local amplo e com muita estrutura para eventos.

Além do clima do verdadeiro São João que teremos através da música, a festa terá comidas típicas, quadrilha improvisada, fogueira, concurso de traje típico e muito forró autêntico.

Feliz aniversário, Walda !




Dos tempos da Pedra Lavrada, até hoje, meu carinho é o mesmo!
Colega, amiga de todos os tempos!
Sempre, sempre, em todos os 19 de junho, minha oração é sua.
Que Deus lhe conceda todas as graças, tudo que você precisa pra ser e viver feliz.

Nosso grande abraço! 

Admirava seus desenhos.
Enquanto riscávamos casinhas com cercas, caminhos e flores, você desenhava a folha com o verde matizado. Perfeito!
Avivava as bordas dos seus desenhos, realçando-os.
Seus coqueiros tinham movimento; neles a gente sentia a força e o carinho do vento. 
Caligrafia requebrada, denunciava uma alma requintada, possuída de todas as elegâncias. Walda continua sendo exemplo de feminilidade, sensatez, sinceridade. 
Eu poderia ainda falar, na saia de pregas sempre impecável; na blusa de colegial, sem sequer um amasso;nos dentes bonitos como o seu sorriso...
Trocávamos confidências juvenis. Nos aconselhávamos...
Voz baixinha e clara.
Uma palavra de compreensão para cada nota da situação.

Agora vejo o pessoal chegando... 
Gente do nosso tempo.
Hora de cortar o bolo.
Escuto um coro: Joaquim, Rosineide, Stela, Gracinha,Magali, Márcia... Parabéns pra você, amiga!

* Ela é filha de Seu Modesto e Dona Adalgisa. Irmã de Violeta, Vanda, Hélia, Walter, Waldemar,Waldenor, Chico,Valmir...Sei que é esposa, mãe e avó.Ela é a nossa querida Walda Arraes de Farias.




Cinema do Brasil


Origem: Wikipédia

A primeira exibição de cinema no Brasil aconteceu em 8 de julho de 1896 na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro. Um ano depois já existia no Rio uma sala fixa de cinema, o "Salão de Novidades Paris", de Paschoal Segreto. Os primeiros filmes brasileiros foram rodados entre 1897-1898. Uma "Vista da baia da Guanabara" teria sido filmado pelo cinegrafista italiano Afonso Segreto em 19 de junho de 1898, ao chegar da Europa a bordo do navio Brèsil - mas este filme, se realmente existiu, nunca chegou a ser exibido. Ainda assim, 19 de junho é considerado o Dia do Cinema Brasileiro.

sábado, 18 de junho de 2011


Foi num outono, quase inverno
que ela chegou, sem avisar...
Amigos não precisam de aviso...
chegam e pronto, está feita a festa...
Sempre um novo encanto.
O cavaquinho pelo telefone foi a senha...
e a amizade se fez...
para sempre...

Padre Antonio Viera terá Museu


Diário do Nordeste

Publicado em 18 de junho de 2011

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Equipe DA SECULT e de Várzea Alegre faz levantamento do acervo para o projeto de concepção memorial que deverá viabilizar a instalação do centro sobre a vida de Pe. Vieira
FOTOS: HONÓRIO BARBOSA
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CASARÃO HISTÓRICO foi alugado pela Prefeitura de Várzea Alegre para ser sede do novo espaço cultural da cidade
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Defensor ferrenho dos jumentos, Padre Antônio Vieira terá suas memórias preservadas em centro cultural
Várzea Alegre O acervo pessoal do padre e escritor, Antônio Vieira, vai ganhar um espaço apropriado, nesta cidade, localizada na região Centro-Sul. Parceria firmada entre a Prefeitura e a Secretaria de Cultura do Estado (Secult) viabilizará em breve a instalação de um centro cultural, com museu, biblioteca, salas de pesquisa, leitura e vídeo. Nesta semana, começaram os trabalhos para catalogação de peças e livros e para a elaboração do projeto de concepção do memorial.

Desde terça-feira passada, três técnicas da Secult trabalham na seleção de objetos, fotos, livros e documentos do acervo pessoal do Padre Vieira. "Era preciso o trabalho de uma equipe especializada em instalação de museu", observou o secretário de Cultura do Município, Hélio Batista. "Inicialmente, está sendo feito um diagnóstico do material histórico".

O padre Antônio Batista Vieira nasceu em Várzea Alegre em 1919 e morreu em abril de 2003, aos 84 anos. Morava em Messejana, bairro de Fortaleza, onde havia instalado um sítio e um espaço próprio para conservação de seu acervo pessoal e pesquisa. Em 1986, criou o Instituto de Arte e Cultura que tem a sua denominação. "Após a sua morte, o acervo ficou abandonado e era preciso revitalizar a diretoria do instituto", explicou o secretário, Hélio Batista.

A Prefeitura alugou um imóvel no Centro de Várzea Alegre para instalação do espaço cultural. "É uma casa apropriada, antiga e que tem tudo a ver com a proposta do Instituto", frisou Batista. O passo seguinte foi solicitar, por meio de ofício à Coordenadoria de Patrimônio Histórico e Cultural (Cophc) da Secult, o apoio necessário para a implantação do espaço cultural. O coordenador da Cophc, Otávio Menezes, atendeu a solicitação do Município e enviou uma equipe técnica, que tem a participação da museóloga e arquiteta, Lídia Sarmiento, e as historiadoras, Jana Rafaella e Janaina Cavalcante. O clima entre os envolvidos no trabalho de catalogação do acervo é de expectativa e empolgação.

A denominação oficial do espaço ainda não está definida, mas a tendência é que seja Centro Cultural Padre Vieira, e terá espaços diversos. "Será um equipamento fundamental para elevar o nível cultural da cidade", observa Lídia Sarmiento.

Jana Rafaella observa que a cidade precisava reconhecer a importância histórica do filho ilustre. "Os moradores devem valorizar e ter consciência da produção cultural do Padre Vieira", disse. Para Janaina Muniz, o espaço cultural deverá ser um centro de "construção da memória da cidade" e do homenageado. "Queremos ajudar a construir essa identidade".

O secretário de Cultura avalia que a instalação do centro vai preservar um importante acervo histórico. "Queremos revitalizar esse passado, fazer com que a produção cultural e a memória do Padre Vieira fiquem eternizadas, seja uma referência e um lugar de pesquisa", destaca.

O sonho do secretário Hélio Batista, com o apoio do prefeito José Hélder, começa a se tornar realidade. "É o Município que vai ganhar com esse espaço", frisou. "Não queremos que seja um depósito de coisa velha, mas um ambiente de pesquisa e de atração da juventude".

Além de sacerdote e de escritor, Padre Vieira foi político, eleito deputado federal na década de 1960, foi cassado, após o golpe militar de 1964.

A partir da década de 1970, começou a luta em defesa do jumento, que eram mortos em massa por frigoríficos. Mostrou intensa preocupação com o meio ambiente, preservação e consciência ecológica.

Acervo
No acervo há centenas de cartas trocadas entre amigos, parentes, governos e instituições internacionais. Objetos pessoais, peças artesanais, quadros, e dezenas de livros de sua autoria e centenas de publicações que compunham a biblioteca pessoal. O Centro Cultural deverá contar com uma biblioteca, sala de leitura, pesquisa, de exibição de vídeo, espaço para produção de peça artesanal de réplicas de jumentinhos, cordéis, xilogravura e até um ambiente cênico.

Fique por dentro
História
Padre Vieira nasceu na Serra dos Cavalos, em Várzea Alegre, no dia 14 de junho de 1919. Filho de pais pobres que viviam no campo, conheceu na infância limitações e privações peculiares à situação de pobreza. Trabalhou na roça. Estudou no Seminário do Crato e de Fortaleza, onde concluiu Filosofia e Teologia. Ordenou-se em 1942. Em 1964, cursou Administração de Empresas na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Depois, cursou Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escrevia em jornais e publicou dezenas de livros: "100 Cortes Sem Recortes" (1963); "O Jumento, Nosso Irmão" (1964); "O Verbo Amar e Suas Complicações" (1965); "Mensagem de Fé, Para Quem Tem Fé" (1981); "Pai Nosso" (1983) e "Bom Dia, Meu Irmão Leitor" (1984).

Honório Barbosa
Repórter
O bonde passou
Perdi a linha
Tentei seguir
Mas meus passos 
Eram estreitos
Tarde  vi
Os meus defeitos...
Entenda
No vai e vem
De todos os dias
Antes da morte
Ninguém está derrotado


DANTE SANTORO - por Norma Hauer


VIDAS MAL TRAÇADAS

A dele foi até bem traçada, desde que nasceu em Porto Alegre-RS no dia 18 de junho de 1904.
Com apenas 15 anos veio para o Rio, com sua família, onde viveu toda sua vida artística.
Seu nome DANTE SANTORO, compositor, maestro, formou o Regional Dante Santoro, composto de flauta, cavaquinho, pandeiro e dois violões. Os componentes, com o tempo,iam sendo substituídos, mas a regência era sempre sua.
Assim, em 1934 estreou em discos, gravando , com Luperce Miranda, as valsas “Beatriz” e “Saudades de Jango” (Seria o mesmo, aquele que conhecemos anos depois, já saudoso ?).
Nesse mesmo ano, mais duas valsas, estas de sua autoria:”Hilda” e “Gilka”, que, 4 anos depois, recebeu letra de Milton Amaral e foi gravada por Vicente Celestino.

Em 1937, uma linda valsa, em parceria com Kid Pepe, foi gravada por Orlando Silva: “Lágrimas de Rosa”. O mesmo Orlando, em 1943 , gravou “”Olhos Magos”.

LÁGRIMAS DE ROSA

Sim eu sofro e ninguém sabe
Esta dor que já não cabe
Dentro em meu coração
Na sua inquietação
Por saber que alguém
Já sofreu também
Com resignação.

E as lágrimas que eu choro
Na dor em que me deploro
São lágrimas sem fim
Que brotaram dentro de mim
Ao ver despetalar-se num lacrimário divino
Aquela flor que era o meu destino.

Não... Jamais a minha vida
Se sentirá florida
Sob o perfume de outras falsas flores
Que possam vir
Pois a ilusão das flores
Jamais me fará sorrir
Cada pétala caída
É um pedaço de vida
Que sinto me fugir do coração
E assim
Verei meu triste fim
Sob o perfume da recordação
Daquela flor
Que foi meu grande amor

VIDAS MAL TRAÇADAS

Sim, eu sei porque fugi dos braços teus
E não pude escravizar a minha sorte
Ninguém sabe além de Deus
Que meu destino ingrato
Me negou o direito de te adorar
Tens tudo que eu não pude te ofertar

Tens riqueza e mocidade eu bem sei
Mas não tens no coração
Qualquer recordação,
Dos beijos que te dei
Odeias sem saber
Que por te querer
Os sonhos meus crucifiquei
E nunca te direi
Se o arrependimento, feriu meu coração

Dois anos se passaram
De tristeza e dor
E sem queixumes eu sofri
Sinto saudades de um amor,
Que tive em minhas mãos e perdi.

Tens tudo que eu não pude te ofertar,
Tens riqueza e mocidade eu bem sei,
Mas não tens no coração,
Qualquer recordação,
Dos beijos que te dei....



Em rádio, DANTE SANTORO, estreou na Educadora, depois passou para a Vera-Cruz e em seguida para a Nacional, onde se manteve por 33 anos, sendo o responsável pelas trilhas de várias novelas, principalmente com Ghiaroni, em “Lamento Árabe”, gravada por Albertinho Fortuna . Este emprestou sua bonita voz para muitas novelas daquela rádio, mas não foi um cantor que se destacou muito, apesar de gravar, em versões, inúmeros tangos de sucesso.
-
Em 1953 , para o carnaval, em co-autoria com Lupicínio Rodrigues gravou talvez seu único sucesso carnavalesco:”Quando eu For Bem Velhinho”.

Quando eu for bem velhinho,
Bem velhinho que usar um bastão.
Eu hei de ter um netinho, ah !
P’ra me levar pela mão.

Que ilusão!!! Os netinhos hoje levam seus vovozinhos para o asilo mais perto. Isso se seus “vovozinhos” não estiverem “sassaricando” aproveitando a chance de viajar de ônibus, barca ou metrô, sem pagar. Eu sou uma “vovózinha” assim.

1954 Dante Santoro mudou de gravadora, passando para a Sinter, onde gravou seu último disco, em 1956, ainda em 78 rotações, com “Mate Amargo” e “Posso Sofrer”.

Daí afastou-se, gradativamente, do meio musical vindo a falecer, aqui no Rio, em 12 de agosto de 1969, aos 65 anos.

Norma

Conheço Zé Flávio desde menino - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando alguém diz: esse aí conheço desde menino, a depender do assunto que corre e do tom da palavra, coisas muito diferentes podem ser tidas. Uma que conheço os podres do sujeito e outra que sei do berço e dos bons modos dele.

Taí, pois bem, eu conheço o Zé Flávio desde menino. E é hoje o que foi em menino, juntando muito mais ossatura do conhecimento, é claro. O que foi em menino é uma história que vem tirando fornadas de muito neste chão do nordeste brasileiro. Somos pobres, mas, não sei bem qual a vantagem disso, mas orgulho é orgulho, a caatinga é o único bioma genuinamente brasileiro. Pois Zé Flávio é brasileiro desde as folhas secas do verão até a nevasca verde do inverno.

Matosinho é como a terra mágica do velho Vicente Vieira. Eu esqueci o nome viu Zé, mas quando lembrava é porque ela era repetida o tempo todo. E Matosinho tem a narrativa que estava em Antonio, Manoel e no casamento a contragosto familiar da Laís. Matosinho não é um besteirol de dente escancarado do fácil riso: ele tem uma tensão desgraçada. Uma tensão que é essencialmente política.

O Zé Flávio tem lado político e é profundamente político. Talvez tenha tomado excesso de leitura e dedicação à medicina, pois sempre foi uma promessa de bom tom para a prefeitura do Crato. Não sei se ganharia as eleições, mas isso não é o mais importante, o caro para a cidade é ter alguém como o Zé propondo políticas públicas. O certo é que a situação do governo é sempre uma pauta ideal da oposição. Claro até que oligarquias se fundam e passam a manipular e atrasar o conjunto da sociedade.

Peguemos esta Mudança de Generéia. Encontramos a superação de uma sociedade que lentamente foi sendo invadida pelos artefatos e hábitos da segunda metade do século XX. Iremos, com humor, encontrando a corrida de todos em busca do chamado “progresso”. Agora ter as coisas do mundo exterior é o quente para o íntimo de Matosinho. E não ter é não ter conquistado o “progresso”. Por isso o faz-de-conta de Generéia. É mais importante a versão do que a realidade dos fatos.

Nada mais político do que isso. Mas, afinal, se tem uma coisa que a pós-modernidade ainda não “desconstruiu” é o fato que a cultura é o conteúdo da política. Todo “agente” da cultura deve refletir sobre tal aspecto. Quando pensa em ser apenas um isento artista, ou isento pensador, ele tem a posição política do status quo.

Matosinho está de mudança como Generéia.

SAUDADE BICHINHA DANADA - por Rosa Guerrera


Eita bichinha teimosa essa tal de Saudade!
Chega sorrateiramente , escancara as portas do coração da gente e faz aquela arruaça .E não adianta querermos expulsa-la .Ela fica ali , passeando nos quatro cantos das nossas recordações.trazendo lembranças gostosas de fatos e pessoas que representaram sorrisos, paz , ternura e amor ...

Exatamente como a definiu um poeta nordestino nessa pequena trovinha ; “ Saudade /palavra doce / que traduz tanto amargor/ Saudade é como se fosse / espinho cheirando a flor “.

E é inútil tentarmos discordar dessa poética realidade!

Vejo a saudade ,mesmo dentro dessa teimosia de chegar sempre sem hora marcada , esse cheiro de flor revestido muitas vezes em espinhos . Espinhos que nos marcaram , e deixaram cicatrizes profundas nas nossas verdades , mas que ainda trazem o aroma de uma felicidade desfrutada.
Impossível alguém afirmar que sente saudade de momentos solitários, de palavras ásperas, de amores não verdadeiros .

E mesmo doendo , castigando o coração da gente , a saudade sempre fala de instantes marcados por dias alegres , ainda que tenham sido seguidos por despedidas ou desencontros .
E quando ela me surpreende com essa entrada brusca, juro que eu amo essa bichinha teimosa. Amo porque ela chega até o meu coração em mil formas . Numa foto desbotada , num sorriso que alegrou a minha vida , numa palavra sussurrada ao meu ouvido ,num beijo doce e prolongado , num olhar terno , num universo momentâneo,enfim : “ quem nunca sentiu saudades , por certo nunca amou”.

 por rosa guerrera

José Saramago




Pensador.info


José de Sousa Saramago (1922 - 2010) é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português galardoado com o Nobel da Literatura em 1988. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.

Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas frases (i.e. orações) ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores. Apesar disso o seu estilo não torna a leitura mais difícil, os seus leitores habituam-se facilmente ao seu ritmo próprio.

Nasceu na aldeia de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18.

Publicou o seu primeiro livro, o romance \"Terra do Pecado\", em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966.

Entre os livros de maior destaque estão o Memorial do Convento e o Evangelho Segundo Jesus Cristo.

Procópio Ferreira



João Álvaro de Jesus Quental Ferreira(Rio de Janeiro, 8 de julho de 1898 — Rio de Janeiro, 18 de junho de 1979), mais conhecido como Procópio Ferreira, foi um ator, diretor de teatro e dramaturgo brasileiro. É considerado um dos grandes nomes do teatro brasileiro.

Procópio descobriu cedo o talento de envolver a plateia, arrastando aos seus espetáculos contingentes de público de fazer inveja aos maiores sucessos de hoje. Em 62 anos de carreira, Procópio interpretou mais de 500 personagens em 427 peças.

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Maria Bethânia



Maria Bethânia Viana Teles Veloso, mais conhecida como Maria Bethânia, (Santo Amaro da Purificação, Bahia, 18 de Junho de 1946) é uma cantora brasileira que tem a marca de ser a segunda artista feminina em vendagem de discos do Brasil, sendo a maior da MPB, com 26 milhões de cópias. Atende pela alcunha de Abelha-rainha por causa do primeiro verso da música que dá nome ao LP Mel de 1979.

Considerada por muitos brasileiros uma das maiores cantoras da história do Brasil. É irmã caçula do compositor Caetano Veloso e da poetisa e escritora Mabel Velloso.

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nosso livro !

Está em mãos o último prelo da coletânea em prosa e verso -  "No azul sonhado".
Entre os dias 10 e 17.07 estaremos fazendo a divulgação, seguida da distribuição entre os autores, culminada com um evento comemorativo, no dia 20.07.2011
Atenção pessoal, que nos copia de outras localidades...Cheguem juntos! Cheguem todos!


Paul McCartney



Sir James Paul McCartney MBE (Liverpool, 18 de junho de 1942) é um cantor, compositor, baixista, guitarrista, pianista, multi-instrumentista, empresário, produtor musical, cinematográfico e ativista dos direitos dos animais britânico. McCartney alcançou fama mundial como membro da banda de rock britânica The Beatles, com John Lennon, Ringo Starr e George Harrison. Lennon e McCartney foram uma das mais influentes e bem sucedidas parcerias musicais de todos os tempos, "escrevendo as canções mais populares da história do rock".[1] Após a dissolução dos Beatles em 1970, McCartney lançou-se em uma carreira solo de sucessos, formou uma banda com sua primeira mulher Linda McCartney, os Wings. Ele também trabalhou com música clássica, eletrônica e trilhas sonoras.

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Pensamento


“Todo mundo está 'pensando'
em deixar um planeta melhor para nossos filhos...

Quando é que se 'pensará'
 em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"





Mostra de cinema e vídeo- 13 a 18 de junho de 2011



Acabo de chegar da “Mostra de cinema e vídeo” (100anos cinema paraíso), que está sendo realizada no Teatro Municipal do Crato.
A programação desta noite provocou meu aplauso entusiástico !
Assistimos um documentário “Dez anos do chá de flor”( Juriti Produções) e o “Herege”( jefferson  de albuquerque).
Bom rever os amigos numa versão antiga, justo quando todos apresentavam em postura e imagem a performance dos seus verdes anos. E nem faz tanto tempo...!
“O Herege” , extraído do livro “Matosinho vai à guerra” do escritor Zé Flávio, materializou com arte e realismo o imaginário.Delícia ! 
Amo a sétima arte por todas as emoções que ela nos traz.
Parabéns a todos que trabalharam na realização deste evento !
Sinto que a região está ganhando ou firmando um perfil de produção cinematográfica, e isso nos deixa felizes.

música

pássaros cantam
cantam ou é barulho de água
nas pedras de um riacho
que passaria entre as mãos
não fosse tão grande
o lugar que fabrica solidão

pássaro ou gente
um canto onde
em cada canto se esconde
semente de solidão

a solidão se abre
maior do que a vista alcança
deserto que não sabe
quando começa e acaba

a música vai para perto
de quem acredita
na real possibilidade
de romper as arestas
desse deserto
cada vez mais perto
apertando por todos os lados
acabando com nossas conversas

qualquer um pode caminhar
nessas areias sem vê-las
tão duras, pode ouvir esse canto
sem saber de onde vem
para onde vai nem quando
voltará ondulando ondulando
num dizer om shanti shanti om

As mudanças de Generéia


As transformações apareceram de forma insidiosa, assim como o cupim destroçando pouco a pouco uma biblioteca. Quando Matozinho, muitos anos depois, olhou para trás é que percebeu a inexorável ação do tempo. Não só a vila havia pouco a pouco mudado seu leiaute – bastava ver as antigas fotos do lambe-lambe Zèzinho do Papouco – os costumes tinham ido junto. Certamente a chegada da televisão foi um dos propulsores daquela reviravolta. Depois da TV , Matozinho nunca mais foi a mesma. Travestiu-se de ares modernosos embora, no fundo, ainda permanecesse profundamente provinciana. As mocinhas já não mais aceitavam roupas de costureira, queriam as pré-fabricadas com os últimos modelitos das novelas. E os adereços seguiram a mesma tendência: nada mais de gigoletti, de travessa no cabelo e de cara sem maquiagem. Até as velhas já ousavam abandonar os véus, os califons, as combinações e as anáguas. Os rapazes já se espelhavam nas bandas de rock e comentava-se que até mesmo alguns baseados já muitos tinham experimentado. E de nada adiantava o sermão do padre, o esporro dos mais experientes: o mundo velho estava perdido no mato e sem cachorro. Os matozenses recobriram-se de um ar de fidalguia, como se a vida de todos houvesse saltado de uma novela: cada um passou a se achar mais importante que o outro e estabeleceu-se uma epidemia de pabulagem desenfreada.

E foi exatamente nesta época que D. Generéia , que morava no centro, resolveu mudar-se para uma outra casa, numa rua mais afastada. O marido havia perdido uma sinecurazinha que mantinha na prefeitura e a coisa apertara. Viu-se Generéia numa sinuca de bico. Primeiro não podia passar por baixo ( e isso lá era papel de atriz de novela!) e aceder que saía por pura liseira e , mais, que estava se mudando para uma casa mais pobre sita num cuvioco , próxima à famigerada Rua do Caneco Amassado. Uma notícia dessas não carregava nenhum glamour, nem era digna de um script de mini-série. Espalhou, de peito aberto, que havia sido recomendação de Janjão da Botica, uma tentativa, de mudando de clima, melhorar a asma feroz e o chiado de peito de que Generéia assumiu ser acometida. “É uma questão de tempo, vou mais prá veranear e quando voltar não venho morar perto dessa rafaméia aqui, não, já estamos pensando em fazer um palacete na nossa chácara no pé da serra da Jurumenha” , disse uma Generéia orgulhosa e cheia de si , com cara de Odete Roitman.

Após a enfática declaração de Generéia, pulou no meio do terreiro um outro problema: a mudança. É que não existe neste mundo de meu Deus uma coisa mais desmantelada que mudança de pobre. Imaginem uma carroça repleta de cacarecos velhos, soltando , como uma medusa, perna prá tudo quanto é lado. E mais: tendo que ser providenciada em várias viagens, durante o dia, já que no escuro não há nenhuma condição de se fazer o translado. É como se , de repente, a família expusesse suas entranhas à execração pública. A necessidade de uma mudança com essas características, certamente contradizia os atuais padrões globais da cidade de Matozinho. Se ao menos houvesse um caminhão baú, levando os teréns tudo entocado no breu da madrugada! Mas carroça!

Manhãzinha chega o carroceiro “Paçoca” com sua carrocinha, acompanhado de uns três moleques para assessorar no penoso mister. Os vizinhos observavam de longe, mantendo distância regulamentar, esperando de dentes e língua afiados, o momento de pinicar o oratório da pábula companheira de rua. Generéia postou-se na janela e começou a irradiar a mudança, em voz alta. Era uma desesperada tentativa de minorar um pouco a caótica visão dos cacarecos dependurados, utilizando alguns recursos da publicidade. Quando “Paçoca” pegou a Tevezinha preto-e-branco de umas quatorze polegadas, Generéia gritou para que todos ouvissem:

--- Meu povo ! Cuidado com a TV de Plasma !

Logo depois, os assessores recolheram os brinquedos dos filhos e colocaram numa caixa de sapato : uma peteca, duas bolas de gude, um triângulo, uma carrapeta e um pião. Quando traziam para a carroça, Generéia alarmou:

--- Epa ! Cuidado prá não quebrar o Videogame dos meninos, viu?

Quando “Paçoca” pegou a chaminé do fogão de lenha, repleta de pucumã e arrumou aquele cone preto retinto no meio da carga, Generéia saltou de lá e alarmou:

--- Preste atenção, seu Paçoca ! Vê se não arrebenta minha coifa, joviu?

Logo depois, os três moleques, com uma dificuldade imensa, pegaram a jarra de barro cheinha de água e, cambaleando pelo peso, começaram a levar até à carroça para colocar em cima da cantareira que lá já estava acomodada, com uns quatro canecos pendendo pelas beiras. De repente, o pote liso escorregou e lascou-se no chão. Foi água para tudo quanto é lado. Do outro lado da rua, Zé Fubuia que observava tudo: o fato e a versão bradou a todos pulmões:

--- Acode minha gente ! O Gelágua de Generéia partiu-se no meio !


J. Flávio Vieira

Sonhos de liberdade - Emerson Monteiro


Sob o signo de uma dessas reflexões que afloram o espaço misterioso entre a memória e o cotidiano, quando a gente pára o tempo e fica só visando o nada a nossa frente, qual quem quer fugir para lá do mais adiante, senti de perto esse intervalo gigantesco que nos espera, pois sentir a dor representa o que de diferente existe do eu atual ao Eu que, certo dia, perto ou distante, a ele chegará, ao Ser definitivo.

Com isso, viajei nas asas frondosas dos sonhos de liberdade. Esse desejo transcendental do ser feliz nos braços macios da leveza eterna, de que tanto falam sábios e místicos. Pisei suave a lã do coração pelos bastidores, buscando melhor o lugar de sonhar confortável. Viver comigo em paz, paz com o mundo. Persistir na imaginação das coisas boas habitando tetos longe da contradição que, por vezes, quer modificar o sabor de framboesa das saudades inesquecíveis.

Andei que andei, e olho as variantes do comboio de humanidade que transportamos em nós próprios, o tanto que somos cada um de nós. Nos compassos de música das inspirações momentâneas, essa vontade avassaladora de crescer para os céus fincou raízes impacientes, que fustigam as correntes escondidas do solo de carne onde ainda habitamos.

As histórias dos filmes falam disso, os filmes bons que tocam as cifras do lado interno, os livros deliciosos, as músicas... Flutuar nas doces avenidas das obras da ficção bem conduzida aos endereços agradáveis, para o destino de finais positivos. Jamais entregar o esforço dessas realizações a qualquer diretor, porquanto o custo das produções da vida reclama tremendas responsabilidades.

Andei que andei, que andei, e revejo lugares das grandes emoções, que testemunham as possibilidades infinitas para concretizar os tais sonhos. Alimentar acordes na harmonia dos fortes traços de autores geniais, sobreviver ao vasto continente da felicidade, sem abrir mão do direito natural de gerar seres andarilhos do amor pelos percursos das noites ricas de revelações, agentes da transformação construtiva e decente.

Deixo, pois, deslizar plumas de pensamentos na forma de imagens coerentes, lindos painéis de calma nas florestas do Paraíso. Acreditar no Si das notas musicais. Há luzes que clareiam conquanto marcas de relacionamentos ajustados, paridos nos pastos da mãe tranquilidade. Construções coordenadas em blocos justos, ao vigor das leis permanentes, no permanentemente.

Os velhos sonhos são aqueles que seguem transportando os humanos, mantendo-os nessa incansável jornada de retorno às estrelas, fulgor do carinho na força dos amores para sempre. E sonhar por isso com alegria de continuar.

De leve...

A VIDA A DOIS
Marido, preocupado: -Tenho um problema no serviço.
Esposa, despachada: -Temos um problema, porque, voce sabe, pra o quer der e vier, os seus problemas são meus também. Marido : - Tá bem: nossa secretária vai ter um filho... nosso.

COISA RUIM
Dois amigos conversando:
- Zé, fala uma coisa ruim!
- Minha sogra!
- Não, cara! Coisa ruim, de comer!
- A filha dela

O TRAIDOR
Pedro flagra o amigo Ricardo no banheiro fazendo xixi, sentado no vaso.
- Mas o que é isto? Homens fazem xixi em pé! O que houve contigo?
- É que segunda passada sai com uma loira, 1.80m, seios fartos e uma bunda inacreditável! Na hora H eu brochei! - Na terça sai com uma morena, 19 aninhos, uma delícia!!! Na hora H, brochei! - Na quarta foi com uma ruiva gostosona! Brochei! - Na quinta com uma coroa maravilhosa! Brochei também ! Na sexta, com um ninfetinha de 14 anos e... de novo brochei !
O amigo, intrigado, lhe pergunta:
- Tudo bem, brochar faz parte, mas por que mijar sentado?
- Depois de tudo isto, você acha que eu ainda vou estender a mão para este filho da puta, safado, traidor ???

FAZ SENTIDO
O bêbado passa em frente a um templo evangélico e escuta o maior barulho, gente chorando, gritando, desmaiando, berrando, estremecendo tudo.
Ele pergunta a alguém que está na porta: - O que é que está acontecendo ai dentro?
E o crente: - Jesus está operando, irmão!
O bêbado: - Pôrra, mas sem anestesia?

CRUELDADE
Rita e seu namorado estavam no quarto enquanto a sua mãe terminava o almoço. Logo a mãe começa a chamar: - Rita, o almoço tá pronto! - Já vou mãinha, não demoro.
- Eu sei o que eles estão fazendo! - diz Joãozinho, o irmão mais novo.
- Deixa de ser intrometido e cala a boca, diz a mãe.
- Rita, anda! Vem prá mesa! - Já vou, mãe, só mais um minutinho!
- Há, há, ha, eu sei o que eles estão fazendo! - continua o pestinha (que leva um tabefe da mãe e cala a boca).
Passada quase meia hora, a mãe, novamente: - Ô, Rita, se apressa que a comida vai esfriar, filha! - Oh mãe, já vou... diz a filha, quase a chorar.
O Joãozinho então começa a rir e diz: - Eu sei o que eles estão fazendo, há, há, ha.
A mãe, perdendo a paciência: - Fala então, seu pestinha...
- A Rita me pediu o tubo da vaselina... eu dei o de SuperBonder!!!

Ajustes na Programação da I Mostra Crato de Cinema & Video


17/06/11 ( Hoje- Sexta -Feira)

19:00 H

- Curta "O Cinematógrafo Hereje" de Jefferson Albuquerque Jr.

- Curta “Dez anos do Chá de Flor" de Cristina Diogo e Maria Dias.


18/06/11 ( Sábado)

14 h- Exibição dos filmes

- Curta “Caldeirão do Beato Zé Lourenço”, de Catulo Teles e Franciolli Luciano.

- Curta “Cabaré-Memória de Uma Vida”, do Coletivo Camaradas.

- Curta “Catadores de Pequi” de Zuiglio Brito e LaislaYanael.


17:00 H - Exibição de Longas

- Longa - "Sargento Getúlio" de Hermano Penna

-Longa- "Padre Cícero" de Hélder Martins

ENTRADA FRANCA

Realização: Governo Municipal do Crato – Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude.

Apoio: Universidade Regional do Cariri (URCA), Instituto Cultural do Cariri (ICC), Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA), Bantim Produções, Coletivo Camaradas, Blog do Crato e Revista Chapada do Araripe.

FOTÓGRAFO ZEKA ARAUJO - UM TRANSGRESSOR DA MODERNIDADE? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Autor da foto: Miguel Hijjar - www.miguelhijjar.com

Estou aqui com o Zeka Araújo um dos grandes fotógrafos brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro, mas como diz o Zeka “é um ser do mundo”. De um mundo em mutação, deslocando a fotografia do eixo da técnica para o ser humano. Para o Zeka, a fotografia migrou do “tecnê” para o fotógrafo. Com isso querendo dizer que aquele tecnicismo das origens do profissionalismo se transformou com a fotografia digital e agora as pessoas tiram fotos como querem, a qualquer momento, com qualquer equipamento, desde o celular a grandes máquinas ditas profissionais para não dizer de quem pode comprar.

Zeka Araújo trabalhou nas principais editoras do Brasil, em jornais e revistas. Aquela famosa fotografia do Edson Luiz morto, nos idos de 1968 e que abriu as grandes passeatas estudantis é do Zeka. Ele trabalhou no Diário de Notícias, na Revista O Cruzeiro, no Globo, Placar, Veja. Além de ter sido sócio-editor de fotografia da Manchete ele trabalhou na Quatro Rodas, Claudia e assim muito mais veículos de comunicação. Por muitos anos chefiou a parte de fotografia da Agência F4-cooperativa que prestava serviços para News Week, Observer, Veja etc.

Andou em 18 países seja para realizar um trabalho ou para permanecer períodos em alguns deles. Na Inglaterra morou vários anos. Além da prática profissional o Zeka é um fazedor de escola ou de centros de formação de quadros e de acervos de imagens. Criou e manteve o Núcleo de Fotografia da Funarte, curador do Centro de Imagens do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, criou cursos de fotografia na Escola de Artes Visuais do Parque Lages, do ateliê de imagens da ESDI e da Escola de Cinema Darcy Ribeiro.

Em 1998, recebe do Ministro Francisco Weffort, titular do Ministério da Cultura o Prêmio Nacional da Fotografia pelo conjunto de sua obra e valiosa contribuição ao desenvolvimento da fotografia no Brasil.

O Zeka Araujo, aos 64 anos, tem um carinho de vida e uma doce lembrança de um trabalho especial. Junto com Tom Jobim editaram o livro muito belo chamado Meu Querido Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Mas esta doçura na fotografia documental, com imagens de objetos universais de reconhecimento é transgredida por este homem ousado. Este experimentador de subjetividades. O fotógrafo do inacabado, o parceiro do expectador.

No Rio de Janeiro, neste semestre está acontecendo a quinta edição do FotoRio – Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro. São centenas de exposições por toda a cidade, em comunidades, prédios públicos, museus, centros culturais, simultaneamente espalhados nos bairros mais distantes. O Foto Rio dar visibilidade a grandes acervos e coleções públicas e privadas e à produção fotográfica contemporânea brasileira e estrangeira. Acontece de tudo em algum lugar, desde cursos, seminários, oficinas, mesas-redondas, palestras e conferências.

A Revista Veja da semana passada destacou o Encontro e a exposição que acontece no Centro Cultura Hélio Oiticica e nesta a exposição do Zeka BALANGANDÃS, ornamentos e amuletos usados em dias de festas. Aí vem o Zeka transgressor.

O Zeka pretende “desconstruir” além do autor, também a referência a objetos prontos e acabados do fotógrafo em imposição ao expectador. O Zeka não fotografa flores, animais, paisagens, ele “destrói” este objetos e desloca o referente da imagem. Ao deslocar este referente na direção de uma foto expressiva, ele torna o expectador também autor da interpretação do expressivo da imagem. Como ele diz: deixar livre a imaginação, criar um espaço poético que permite compor a realidade projetada numa parceria com o leitor.

O interessante do Zeka, como ele bem diz, não é o “tecnês” da imagem, mas a imagem como uma construção do expectador. O Zeka pode até usar meios de edição como o fotoshop, mas não é aí que reside o seu trabalho. O seu trabalho continua sendo a captura do referente, mas de um modo a deslocá-lo do fotógrafo para o expectador.

Você pode ver na internet algumas destas imagens presentes no Google.


Dia mundial de combate à desertificação e à seca - Por José de Arimatéa dos Santos

A natureza sempre deve ser protegida e o cuidado com a exploração de seus recursos naturais é dever de todo ser humano. Isso inclui desde o cuidado com o nosso lixo até com as florestas. Nesse meio podemos incluir a agricultura e como o homem cuida do solo. É importante essa preocupação, pois a vida na terra depende de como exploramos o solo. Nisso podemos colocar a água por que o desmatamento causa o fim de muita nascente e como consequência muitos rios. Por isso é muito importante o fim do desmatamento para aumentar a área de plantio ou para a pecuária. Mais do que nunca é importante que o próprio proprietário de terra, seja pequeno ou grande, tenha a preocupação em cuidar de sua terra e da mata presente em seu sítio, chácara ou fazenda. Assim, o próprio agricultor se torna um agente ecológico na defesa do seu meio ambiente e de todos no planeta. Ao se derrubar toda a mata o prejuízo é dele e de todos nós. É mais inteligente ter a floresta de pé. É fato o que vemos de diferente no clima no mundo inteiro devido as derrubadas de mata.
O combate a desertificação passa por tudo que disse acima e que proteja mais o solo que sai o feijão e o arroz de todo brasileiro. Vários métodos de proteção do solo e como consequência de combate a desertificação estão presentes. É necessário que o agricultor busque apoio nos órgãos governamentais e utilize a melhor técnica para o plantio e produção. Sempre com aquele olhar ecológico de respeitar a natureza, pois o homem tem todas as condições de influir no meio e que esse protagonismo seja para o bem de todos seres vivos. Usar moderadamente os produtos químicos na sua lavoura ou então buscar produtos advindos da própria natureza para o combate das pragas. Outro ponto importante é cuidar das margens de rios e das nascentes. Dessa maneira é possível um meio ambiente equilibrado que combata a desertificação e saiba, o homem, conviver com a seca. Fenômeno que já ocorre no sul do país e na amazônia, além do nordeste. É importante estudar mais a modificações climáticas e encontrar formas de conviver com esses fenômenos.
17 de junho - Dia mundial de combate à desertificação e à seca.
Foto: José de Arimatéa dos Santos