por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um show de beleza : Nayara !







É com muita alegria que enviamos o convite virtual da formatura de Nayara. Mais uma etapa que se cumpre.

* Parabéns, menina bonita !
Desejamos-lhe êxito , na vida que se inicia.
Que os teus talentos sejam direcionados para uma vida feliz !
Abraços dos amigos da Corujinha Baiana ( sua avó)- nossa amiga querida !

O verbo Amar , na roda do improviso




descobri o amor
em tenra infância
quando o colo de avó me acolheu
e o cuidado de avô me envolveu
brincadeiras na casa com meu pai
que me entregava de pijama
o seu domingo
chuvoso ou ensolarado
enquanto a mãe fazia mimos

conheci o amor
quando sentia na madrugada
a mão zelosa de mãe
trocando os lençóis mijados
as colheradas de mel
a flanela na garganta
pra acalmar minha tosse
das poeiras e das artes
que eu trazia comigo
do quintal e da calçada.

conheci o amor
quando aprendi com os mestres
as lições pra toda vida,
inclusive o catecismo...

aprendi a amar
sem rumo e sem prumo
experimentando o amor
em todas as suas formas
de expressão e valor

agora tenho um caminho
já marcado com meus meus passos
aprendo o amor com o Victor
que é puro e devotado
às vezes nos desligamos
tomamos sustos danados
ao confirmar que o amor
é presa do nosso lado.

Porisso Amar é inerente
ao ser humano e divino
quem não adota esse verbo
e pratica desatinos
tem que voltar pro abc
e aprender de novo a ler
a grande lei que é divina :
amar a todas as coisas
amar ao próximo mais próximo
e também ao mais distante
amar o desconhecido
e aquele que é no sangue
o nosso elo mais forte

o pecado no amar
inexiste, está provado ...
mas é bom que se defina
que o amor que se procura
é solução do destino.
dissolve o medo,
a tensão ,
cura até desilusão
sana o corpo e alma
cura tudo feito erva
que Deus jogou lá na serra,
pra espantar nossos males.

Amar é palavra-verbo
a mais doce
a mais completa
mas pra amar de verdade
é preciso que se tenha
por nós o desejo interno
de amar com liberdade !

Agora deixo o meu mote
no amar de toda gente
escolha o (a) merecedor(a)
do seu amor
num repente
E diga àquela "PESSOA"
que a ama para sempre !


socorro moreira

Brincando de versejar ...

Foto by Nívia Uchôa


Vivi a estrada
em todos os percursos
Matei sonhos
Nasci esperanças
Achei o elixir milagroso
que me fez recomeçar

E deixando mais um claro
pra poesia preencher
eu digo que a vida é clara
mas escurece como a noite
quando eu fico sem você !

Pegue o beco da poesia
Lá mora " vida" !


Chega, me diga
Onde está a saída?

A cidade era bonita , numa vida bem pacata. Eu vivia com a família de gênio muito abrandado., e quse sempre feliz !
Papai pintava os carros, a minha mãe ensinava, e costurava uns vestidos, além de cuidar da casa.. Na sua moderna "Singer", escutava a zoadinha, que a tal máquina fazia, pra costurar meus vestidos.
Ainda quase menina, cumpria alguns recados:
"Menina , me compre já, linha corrente-laranja, na cor branca e rosa chá"!
Mas a corrente da rede, que a vó me balançava, namorava o armador, ora pra lá e pra cá. Enquanto cantarolava, ela bem devagarzinho, com seus pés bem pequeninos , saía silenciosa , e me deixava a sonhar.
A correntinha de ouro, que perdi no mês de Agosto, foi presente do meu tio, quando completei 10 anos. Ela tinha uma medalhinha, só não sei qual era o santo.
Depois entrei na corrente do rio no Maranhão, cantava com o barqueiro, aquela velha canção:

" eu vi
as águas do rio correr
e a canoa do negro passar..."

Lembro a expressão feliz,
do sol, naquela manhã
achava que todo canto
era na sua intenção.

Correntes nunca me atam,
não me escravizam , nem matam
não as tenho em sentimentos
nem tão pouco em pensamentos

" acorrentados ninguém pode
amar..."
diz o refrão de uma música
que eu já não sei mais cantar.

mas deixo um tolo conselho
não siga, se não gostar
não acorrente alguém
pensando que vai ganhar,
um amor pra vida inteira,
sem deixar ele voar

Finalizando a palavra
vejo que falei demais
pois então complete agora
o jeito de versejar
use a palavra " primeiro"
senão a loa não para
nem com a luz do luar.

(socorro moreira)


PARA O POETA ASSIS LIMA


Uma homenagem de Stela, amiga que não é secreta, pois desde crianças amamos os milharais, os arrozais, as cheias do rio Carás.

MILHARAIS
Zila Mamede

Nos milharais plantados (minha infância),
recém-nascidas chuvas pelos rios
que rebentavam adubando várzeas
onde meus pés-meninos se afundavam
no cheiro fofo do paul novinho.
Terra multipartida, covas conchas,
das mãos de meu avô descendo o grão.
Pela manhã íamos ver as roças
à superfície fruto devolvendo
-folhinhas enroladas,verde calmo
se desfiando ao sol, em sol, de sol.
Quando escorriam outros aguaceiros
os dedinhos do milho iam subindo
em vertical, depois abrindo os braços
e já mais tarde o milharal surgia
os pendões leques leves abanando
o triunfal aceno da chegada.
E vinha logo a quebra das espigas,
eu chorava de pena, elas dobravam-se
por sobre o caule, tesas deslizando
no chão, nos aventais apanhadores,
sua palha entreaberta - riso triste
de quem, nascido, vê-se morto infante,
pois sendo espigas tenras, de repente
logo viravam massa, logo, pão.
Eu as tomava com temor doçura,
trançava seus cabelos, embalava-as:
eram espigas não, eram bonecas
que me aqueciam, eu as maternava
lavando-as, penteando-as, libertando-as
de gumes de moinhos e de fomes
dos animais domésticos, ancinhos
fogueiras de São João. Pelos terreiros
procuro em vão os milharais vermelhos
de vermelhas papoulas adornando
as vaidosas tranças das espigas -
bonecas brancas, minha meninice,
meu avô, habitando agora um campo
onde ele, em vez do milho, é uma semente,
meu avô minha avó, os milharais,
não tendo mais infância, tenho-a mais.

Figurante - Por Rejane Gonçalves




Comecei a rejeitar Emanuel ao perceber que ele se dava bem com a solidão. Dividi a casa ao meio e cada um tomou um pedaço. A mim coube o menor, quis ser justa, erguer a parede fora uma idéia minha. Ele não reclamou, ficava parado, vendo a casa pouco a pouco transformar-se em duas.
Aos oito anos, para que eu me curasse do hábito de comer terra, obrigaram-me a mascar folhas de fumo. Desde sempre, fumo cachimbo e como barro; minha língua acostumou-se ao roçar dos grãos arenosos e, quando o barro é colhido depois de uma breve chuva, um sumo marrom me escorre pelos cantos da boca, igual me escapa dos lábios o sumo transparente da pêra aguacenta. Sou dessas pessoas de quem dificilmente se consegue tirar alguma coisa, antes acrescentam outras. Engordei muito, talvez devesse mesmo ter dividido a casa. Desse lado eu só, do outro, ela e Emanuel.
Sobre mim o vidro embaçado, o avesso da roupa, a camada de tinta, apenas a lembrança turva dessas coisas que acabo de contar, se bem que falei mais para dentro do que para fora, como se fosse um treinamento, um jogo de desesquecer. Desabituei-me das pessoas, só lhe atendi pela curiosidade de saber se, num corpo, continua tudo igual. Agora você pode ir, a casa de Emanuel é a outra, colada em mim. Não, é impossível que você tenha vindo à minha procura, queira me entrevistar, sim, você tem razão quando afirma que a escritora sou eu, era, faz tempo que houve uma inversão. O que posso lhe adiantar é que depois das muitas histórias, do fazer e refazer criaturas, das incontáveis camadas de tinta a encobrir o mundo real, a atenção tem que ser redobrada, um pequeno descuido e os papéis se invertem. Eu achei que estava no comando, até o dia em que me percebi capturada no início de uma história, presa num espaço exíguo, poucas linhas, todas retas, nenhuma possibilidade de curvas, de tropeções em uma pedra qualquer, parágrafos previamente estabelecidos, hora certa de acabar, justificativa frágil para o corte do argumento, a mesquinhez do ponto, ponto final; até que senti o pincel cobrir-me com uma tinta amarela, bem pálida; até que mal enxerguei Emanuel que se preparava para outra demão e desistiu, como se temesse me avivar as cores. Não teve o amor, a consideração que eu sempre dispensei a ele, nem passou dias e noites a escolher os tons certos, a morrer engasgado com a bolha de ar que, dependendo da posição do pincel, tende a formar-se na textura da tinta. Fez-me um personagem esmaecido, aqueles que nas histórias não têm importância alguma. Bata à porta de Emanuel, ele é quem me inventa, quem sabe tudo sobre mim, quem coloca as palavras na minha boca, quem tem medo de trocar a cor da tinta. Que eu me lembre, ele nunca chegou aos pés do que eu fui. Ele é cauteloso, ciente dos perigos, protetor feito um cão de guarda, não é que não nos deixe sair à rua, deixa, mas se debruça na janela e mantém a porta escancarada, para que possa sair rápido e alcançar num tempo bem curto a criatura que, em busca de um distanciamento, tome um gole maior de fôlego.
Se eu me arrependo? Não, não. Por quê? Ora, por quê? Escreva aí, Emanuel, embora seja capaz, não enxerga claridade na sombra, não teria, pois, a coragem de se permitir criar um Emanuel.


(obs. Enviei este conto para o 5º Prêmio Maximiano Campos de Literatura- em 28 de julho de 2009 – Postei no site às 2l.57. (pseudônimo: pão-ázimo)

Um tempo que ainda existe - por Rosa Guerrera



Hoje fiquei por muito tempo olhando a foto dessa menina gorducha numa velha moldura pendurada na parede do meu quarto. E fiquei imaginando quantos janeiros e quantas alamedas nos distanciam hoje ... Será que essa menina ainda me reconhece nos dias atuais, ou serei eu que não consigo mais lembra-la nitidamente? Com a idade que eu tinha nessa foto, é óbvio que não recordo de nenhum detalhe da minha vida, mas imagino que o colorido do meu mundo era aquele igual de todas as crianças com 2 anos. E me pergunto: "Porque será que a gente cresce"? Por que com o passar dos anos as nuances da nossa vida vão adquirindo cores tão diversas?
Curioso é que essa foto mesmo com o caminhar do tempo sempre foi pendurada numa parede em todas as casas que morei ... Terá sido por ironia, por acaso, ou poesia que ela me acompanha até hoje? Ou quem sabe para que eu encontre vez por outra um espaço tranquilo para superar as dores, apagar mágoas ou aperfeiçoar experiências vividas ...
Sinceramente, não sei! Só sei que hoje olhando essa foto, uma menina de rosto redondo pareceu sorrir para mim. E não nego: fiquei por demais feliz por ter entendido que ainda estamos bem pertinho uma da outra.

por rosa guerrera

A vida é bela e breve – Por Carlos Eduardo Esmeraldo



A vida da gente parece um breve piscar de um relâmpago. Dura apenas algumas frações de segundos. Quando menos esperamos, estamos percorrendo o ramo descendente da parábola. Se pararmos para assim pensar, o eterno que existe em cada um de nós começa a desvanecer e nos precipita à conclusão simplória de que somos seres simplesmente descartáveis. Mas não é bem assim, acreditem. A eternidade existe. À medida que vamos envelhecendo, a nossa percepção de tempo muda, e este nos parece passar mais aceleradamente. Penso que, na eternidade, o tempo se faz correr mais velozmente que os raios que descem dos relâmpagos em noites de tempestade.

Ainda outro dia era criança e, de repente, fui surpreendido com um aviso da proximidade da minha inclusão nos benefícios oferecidos pelo novo estatuto do idoso. Necessitando fazer uma polissonografia, um exame de nome feio e execução mais horrorosa ainda, tive de ir à sede da Unimed para conseguir uma autorização. Na recepção, a atendente me deu uma senha de número 41 e, ao chegar ao guichê de atendimento, a senha que estava sendo chamada era a de número 185. Então, voltei e indaguei à moça se ela não havia se enganado, pois já estava sendo chamada a senha 185. Ela calmamente respondeu, indicando-me um outro guichê:
– A sua senha é para aquele guichê à esquerda!

Olhei para o local indicado e estava escrito: Atendimento a gestantes, deficientes físicos e idosos. Mirei a minha barriga e conclui que, após o rigoroso regime alimentar, ao qual tenho me submetido ultimamente, não poderia de modo algum ser confundido com gestante. Pisei firme com as duas pernas e estava inteirinho. Então, perguntei à moça:
– Você me deu a senha da fila dos idosos?
– Foi – respondeu ela com muita naturalidade.
– Muito obrigado! – disse agradecido, antevendo as virtuais delícias e regalias da terceira idade.

A propósito desse assunto, lembrei-me de que a Coelce tinha um funcionário conhecido por seu Chiado. Era meio pernóstico e falava chiando, querendo imitar os cariocas, pois gostava de dizer que morara no Rio de Janeiro por mais de vinte anos. Dizia que era natural do Crato e parente da famosa musicista Branca; da professora Ida, homenageada com uma placa contendo o seu nome numa pequena travessa da nossa cidade, e também de Ana, nome de rua em Fortaleza, todas elas, suas primas. Apesar de aparentar mais de sessenta e cinco anos de idade, atribuía a si próprio a fama de grande conquistador. Cabelos tingidos de preto e impecavelmente penteados, assentados à custa de muita brilhantina, andar elegante, cigarro permanentemente entre os dedos, tal qual um astro de Hollywood. Era dessa forma que ele se apresentava. Esta história me foi contada por ele mesmo. Precisando ir descontar um cheque numa agência bancária do centro da cidade, entrou numa interminável fila, quando notou duas jovens acenando para ele. Entusiasmou-se todo, pois julgou que elas estavam a fim de paquerá-lo. Aproximou-se delas e assim as abordou:
– Boa tarde! Nós já nos conhecemos, tenho certeza. Vocês acenaram pra mim e aqui estou inteiramente à disposição dessas tão belas jovens.
– Não, senhor. A gente queria apenas avisar ao senhor que a fila dos velhos é aquela outra – responderam as duas mocinhas, para tristeza do nosso Dom Juan.

A vida é bela, mas é breve. A gente nunca pensa que um dia morrerá. Para nós, a morte somente acontece aos outros. Sem pensar no futuro, mas somente para me livrar de um vendedor insistente, comprei, há uns oito anos, um jazigo num novo cemitério em Fortaleza, em construção. Depois do pagamento do título, comecei a receber pequenas cobranças da taxa anual de manutenção, que poderia ser paga em doze módicas prestações mensais. Mas Magali pagava tudo de uma vez, pois dizia não se sentir bem olhando para aquele papel todos os meses. E eu, então, acrescentei:
– Não sei pra que eu comprei esse túmulo. Acho que se eu morrer aqui em Fortaleza, vão levar o meu corpo para o Crato.
– E eu? – disse ela. – Que nem de morrer gosto!

A vida é bela, é curta, e ninguém quer morrer, por maior que seja a fé. Ah, se a nossa fé fosse ao menos do tamanho de um grãozinho de mostarda! Pensando nisso, lembrei-me de uma pequena história que me contaram.
Um cardeal voava com destino a Roma, num desses superjatos, ao encontro do Papa. Com todo direito que a sua autoridade lhe permitia, sentou-se na fila da frente da primeira classe. Em dado momento do vôo, que até então havia sido tranqüilo, ouviu-se um estranho barulho, um grande sacolejo no jato. A comissária foi até à cabine, para saber o que tinha ocorrido. Então o comandante lhe disse:
– Avise aos passageiros que iremos cair no mar, pois pifaram de uma vez as quatro turbinas e não estamos conseguindo fazê-las funcionar novamente. Mas dê a notícia com muito jeito, para não causar pânico – ordenou-lhe, com aparente tranqüilidade, o comandante.

Ao sair da cabine, o primeiro passageiro avistado pela comissária foi o cardeal. Então trêmula, porém esforçando-se para aparentar calma, tentou disfarçar:
– Monsenhor, que é que o senhor diria se este avião caísse daqui a cinco minutos, e nós todos morrêssemos?
– Oh! Seria a glória suprema! O momento mais aguardado da minha vida! Iria estar face a face com Jesus. – respondeu-lhe o cardeal.
– Pois, monsenhor, daqui a cinco minutos o senhor estará face a face com Jesus, porque este avião vai cair. Todas as turbinas falharam e não resta nenhuma possibilidade de serem recuperadas a tempo.
– Pelo amor de Deus, não diga uma desgraça dessa não, moça!
A vida é bela, porém breve.

Extraído de “Histórias que vi, ouvi e contei” de Carlos Eduardo Esmeraldo, Premius Editora, 2005, p.17

"Pedra Azul" - Domingos Martins ES

Localizado no município de Domingos Martins, no estado do Espírito Santo, o Parque Estadual da Pedra Azul foi criado na década de 1990 com o intuito de proteger o seu rico conjunto de belezas naturais. O destaque vai para a Pedra Azul, que pode ser vista da BR-262, e da Pedra do Lagarto, formação de granito e gnaisse que fica a 1882 metros de altura.
Pedra Azul é um lugar para ser apreciado sem pressas. A natureza foi generosa com a região, de clima ameno e paisagens exuberantes. A montanha, que é o principal cartão postal de Domingos Martins, muda de cor de acordo com a posição do sol. Como se não bastassem as formações rochosas exóticas, a localidade ainda conta com uma variada quantidade de espécies vegetais e animais que enchem os olhos dos visitantes mais observadores.

Na fauna local, destacam-se espécies como o macaco-prego, o tatu, o tamanduá-de-colete, a jaguatirica, o tucano, a araponga, o veado-catingueiro, o mão-pelada, o trinca-ferro e o sabiá; além de animais ameaçados de extinção como o sagui-da-serra, a onça-pintada e o barbado. A flora predominante na área do parque inclui a vegetação rupestre – que se desenvolve sobre as pedras –, e a Floresta Ombrófila Antimontana – matas influenciadas pelo alto regime das chuvas, localizadas acima dos 1500 metros de altitude.

Destacam-se as orquídeas, as bromélias, os ingás, os cedros, as cássias, os ipês, as canjeranas, e vários tipos de canela. O parque possui três trilhos abertos ao público: Trilho do Lagarto, Trilho das Piscinas e Trilho da Pedra Azul.

O acesso é controlado pelo IDAF - Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do estado do Espírito Santo. As visitas são feitas em grupos de pessoas, acompanhadas por guias e guardas florestais do próprio Parque. Conhecida como a cidade do verde, Domingos Martins é o município mais badalado da serra capixaba. A combinação das belezas do parque, da hospitalidade do povo e da arquitectura colonial confere um encanto especial à região, colonizada por imigrantes alemães e italianos.

Informação básica Clima
O clima da região é o tropical de altitude. A temperatura média anual gira em torno dos 18º C, com máximas de 28º C e mínimas de 8º C.

Imagens
Google Imagem


http://www.ferias.tur.br/informacoes/10277/pedra-azul-es.html

Por Lupeu Lacerda




Nada a ver com essa dor no peito. Nada a ver com a constatação absoluta e intrínseca dos meus defeitos com cheiro de cocaína e vinho tinto. Procuro o vidro com as anfetaminas coloridas. Vontade de ir assim sem sim. Vontade de ir sem dormir. De verdade, não conheço mais o cara que aparece na minha identidade. Te falo isso por telefone e você foge com seus delírios mal vestidos. Com seus vestidos cor de nada. Com suas flores de plástico recicladas de garrafas pet. Nada a ver com essa ânsia. Nada a ver com a discordância das notas desse piano. De onde veio a merda desse piano? eu mastigo os seios dos meus medos. Depois os regurgito. Pro meu deleite de fim de noite. No silencio entre uma apitada e outra de um guarda que nada aguarda da vida. Que nem eu.

A Música - Por Everardo Norões


A MÚSICA

Para Isaac Duarte

Sem pedir licença,
insinua-se pelos cômodos,
invade os espelhos,
derrama suas jarras de luz.
Vejo-a
pelos canteiros da casa,
na nitidez dos bordados
de minha mãe,
no brilhar de tua íris
quando os deuses descem
para beber a insensatez
das águas.
Depois,
ela se transforma em seios,
goiabas,
espigas.
E nua, adormece,
enquanto a lua brinca
entre meus dedos
e lagartixas
passeiam pelas pedras do pátio...

Sobre "anônimos X personagens" - José Nilton Mariano Saraiva

Unanimemente reconhecido como uma figura desprezível e digna de se guardar distância, o “anônimo” vive no mundo da escuridão absoluta, à espreita da chance propícia pra semear a desordem, a anarquia, o caos. Sem nunca identificar-se, quer pessoalmente ou através de seus textos (apócrifos), tem, no entanto, consciência plena das desagradáveis conseqüências advindas da mesquinhez das suas intervenções e atitudes, na perspectiva de deixar algum rastro. Não se trata, pois, de nenhum inocente ou incauto, sendo merecedor de uma penalidade severa e exemplar. Lamentavelmente, entretanto (por incrível que pareça), ainda encontra quem o aplauda, o estimule e o acolha fraternalmente, lhe disponibilizando espaço para arrotar seus devaneios e irresponsabilidades.
Mas, aqui pra nós, dada à incrível similitude do “modus operandi”, existirá alguma diferença entre essa excrescência monstruosa (o “anônimo”) e os que se prestam à patética tarefa de criar e apresentar ao distinto público - com o fito lastimável e exclusivo de lhes servir de escudo-protetor - um tal “personagem”, de forma que possam, em se escondendo por detrás dele, atentar contra as mais elementares e básicas regras de civilidade ao investir, atacar e denegrir pessoas de reputação ilibada e idoneidade moral comprovada, com o agravante de jamais com elas terem convivido no dia-a-dia ??? O deplorável “personagem”, tal qual seu irmão siamês, o “anônimo”, não é também um sem rosto, um sem identidade, um ser caricato ???
Afinal, o que leva mesmo os que criam tal anomalia a posarem de paradigma da moralidade, de defensores dos bons costumes, de últimos guardiões da decência e de ícones da retidão, se lhes falta a dignidade de assumir oficialmente aquilo que oficiosamente as pessoas sérias e de bem têm conhecimento e reprovam com extremada veemência: que o uso (até abusivo) do famigerado “personagem”, não passa de uma tentativa canhestra de personificar e enxovalhar com cidadãos dignos e pertencentes a famílias honradas, a uma outra geração, a uma outra época e que, ainda atuantes, idiossincráticos não se furtam de subscrever sem qualquer receio o que expõem didaticamente, para conhecimento público (sem a necessidade ou conveniência de esconder-se por detrás de nenhum “personagem”).
Elementar, meu caro, Watson: falta-lhes coragem de mostrar a face e se expor, responsabilizando-se civilmente por atos e escritos, porquanto sabedores que, em reconhecendo publicamente que da sua lavra são as acusações direcionadas pelo seu “personagem” a pessoas íntegras e cônscias dos seus direitos e deveres, poderão ser imediata e tempestivamente acionados na Justiça, objetivando a confirmação, ratificação e comprovação, em juízo, das graves e infundadas denúncias, veiculadas com o claro intuito de ridicularizar e de desmoralizar.
No jargão judiciário, tal ação ou causa é conhecida por “danos morais” (que abalam a honra, a boa-fé subjetiva ou a dignidade das pessoas físicas ou jurídicas), que além de detenção iminente contempla também a competente indenização (cujo objetivo é reparar a dor, o sofrimento ou exposição indevida sofrida pela vítima em razão da situação constrangedora à qual foi exposta).
Além do mais, convém que os holofotes sejam direcionados para a pedagogia embutida na decretação de uma penalidade dura e exemplar (em casos da espécie e similares), já que certamente servirá pra desestimular os ofensores (e aliados) a insistirem na conduta reprovável e mesquinha que deu origem ao dano.

Johann Ambrosius Bach



Johann Ambrosius Bach (Erfurt, 24 de Fevereiro de 1645 – 24 de Fevereiro de 1695) foi pai do mestre da música barroca erudita Johann Sebastian Bach.

Alma Canina - socorro moreira




Doçura e esperteza

garra dos felinos

Falta em mim


Não entendo a liguagem

dos que nada dizem ...

Encontro entendimento no olhar

mas me perco na direção do luar


Cansada de mim

evito todos os nós ...

desenrolada na vida

ainda me amarro

no pão de cada dia ...

Um dia ,

tudo será vazio ...

Até de poesia !


Não sei trovar sozinha - Socorro Moreira

Socorro Moreira disse...

Parceria na poesia
complementa a intenção
amplia a sabedoria
firma um elo interessante

A viola nos espera
num canto triste da casa
reclama no seu silêncio
Sozinha não sei tocar
E você, meu cantador
Sabe sozinho trovar?

um pensamento – Walter Franco





por ser que nada
por ser que voa
por ser que fala
que pensa
se aperfeiçoa...


Walter Franco – LP Revolver [1975]

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Conversando com a noite - Por Socorro Moreira



Fiz parte da tua dor

Encolhi o corpo

Busquei o sono

e tranquei o sonho.


Compartilhei das tuas lembranbças

Convivi com as tuas sombras

Lamentei tuas perdas

Comovi-me com as tuas saudades

Entendi o sufoco de um carinho

E se ele escapuliu

foi de mansinho


Armei tenda no minado

vi teus olhos ,

afundados no passado ,

e de lá não sei tirá-los.


"Amigo é coisa pra se guardar..."















“Amigo é coisa para se guardar, debaixo de setenta e sete chaves, dentro do coração...”

O Sol se punha lá praquelas bandas...
O Calor sempre tão forte até o final do dia abrasa qualquer coração e qualquer multidão.
O Povo daquela cidade se aninha em oração. E mais um dia o sol nasce e se levanta com toda força, viço, e com todo o vigor! É mais um dia...
Um dia qualquer, num instante qualquer, numa cidade chamada Juazeiro, onde tudo teve o seu começo.
Involuntariamente, as imagens vão tomando forma; e aí, aos poucos, começo a tecer todas minhas recordações, trançar todas minhas lembranças com toques leves, muitos leves... Como brisa com cheiro de mar, como o lento bater das horas num dia de domingo, ou como balanço de rede no alpendre. A brisa leve bate no rosto e as recordações chegam de mansinho feito música, bem de leve...
Aos poucos, cada movimento, cada momento vivido, cada momento contido se põe cada vez mais à mostra. As lembranças me são postas de uma forma tal que chego a me transportar e vivenciar, novamente, toda uma época, onde éramos simplesmente jovens com toda pureza, com toda grandeza, com todo frescor da juventude, e com todos os sonhos próprios da idade. Uma etapa de vida, onde surgem todas as nossas mudanças, todas nossas inquietações, ansiedades, e a busca da nossa própria identidade.
DERAM-SE ENTÃO, OS ENCONTROS E OS ENCANTOS!
Vejo então, cada rosto... Cada desejo nutrido, cada sonho imbuído, ora outros reprimidos... Sinto toda energia, os desembaraços, os abraços, todos os risos, e todos os apelidos...
Cada um com suas peculiaridades, afinidades, com as suas manias, e temperamentos.
Vejo cada tarde nas calçadas, cada som que saia da vitrola (companheira diária), e o som da voz meiga e desafinada da minha amiga Fátima. Início e término de namoros. Quantos risos e quantas lágrimas! As serenatas... Quantas noites de deleite!...
Sinto o sabor e o cheiro de todas as manhãs. O toque do sino do leiteiro, o levantar das portas das lojas, o som da buzina dos carros que fazia acordar os mais desajeitados e os mais preguiçosos. As bodegas sempre sortidas (não existiam grades nesse tempo). O Beco de Catarina, a bola de imburana também de Catarina, o pão sempre quentinho da padaria do seu Ângelo, o Portuga. Os Colégios, Clubes, Lojas Maza, Casa de Noca, Quadra João Cornélio, os Festivais... Quem não se lembra?
O Nosso Bloco, Os Zerrados! Os macacões num “pano” fino de listas, que derretia com o suor do corpo num frenesi ritmado ao som das nossas músicas carnavalescas.
O Nosso Lema! Existia um lema, existia um tema... Quem lembra? Arrisque!?... Dê um palpite!
A praça... A nossa praça.
Com a coluna da hora sempre imponente, altiva, e sempre tão presente em nossas vidas, ali sempre posta... Muitas vezes até com certo ar de impaciência no aguardo daquela turma que aos poucos, ali chegavam e que juntos ali se aninhavam sob o relógio da coluna da hora.
Bons tempos aqueles!
O Caldas... Paraíso de esmeraldas. O Caldas do nosso recreio, dos nossos passeios, das nossas lindas noites de estrelas e de lua cheia.
Saudades desse tempo...
Continuem acreditando no poder da amizade, nessa força mágica e poderosa que dela emana. Algo que só nos acresce e nos renova a cada dia, a cada hora, a cada momento.

“...Amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não, mesmo esquecendo a canção...”


Mara
Dezembro/2006

Pablo Milanes




Pablo Milanés (Bayamo, 24 de fevereiro de 1943) é um cantor e guitarrista cubano.

Pablo Milanes nasceu na cidade de Bayamo, a capital da Província de Granma, e estudou música no conservatório da cidade de Havana.

A sensação é um estilo de música que começou em Cuba, na década de 40 e representou uma nova forma de abordar a canção, em que o sentido definido na interpretação foi influenciada pelo fluxo de jazz e música romântica americana. O sentimento foi acompanhada por uma guitarra no estilo dos antigos troubadours, para estabelecer a comunicação ou "sentimento" com o público.

wikopédia

Serenata, antes da madrugada...




Cadê ?


A rua da Vala ...

Rua da minha meninice
Dos primeiros amassos
Dos namoros na calçada
Do sol , na farda pregueada
De baixo dos braços
Um livro sem capa
Uma carta de amor
Um beijo roubado
Um vizinho que canta
Um menino que toca
Uma moça feia
Umas pernas tortas
Um cabelo comprido
outro
usando bobies.
Serenatas , tertúlias
Calças de veludo
Cotelê, laquê,
Perfume da Mirurgya...
Magnólias brancas,
organdi azul.
Acabou , chorou...
Se formou , casou ?
E a vida segue
e a rua muda
casas se desmancham
pessoas se encurvam...
O luar sozinho ,
vive nesse luto
Cadê a festa de tantos anos ?
Cadê nossos pais
e suas censuras ?
Cadê nossos sonhos
tão desajeitados ...
Cadê aquele tempo ,
que eu não vi sumir...
Ainda espero um rosto
que eu nunca mais vi...
- O meu ...
No espelho da sala...
Cantava " a primeira lágrima "
sem saber sofrer.

Por Socorro Moreira



Lua metade
Selene obscura
Poema luz em completude

Luar em respingos
Réstias interiores

Catam boêmios
entregam a alma
Numa canção antiga

Almas distantes
Desalinham as paralelas
Momento etéreo

Por João Nicodemos


o Tempo
é o barômetro
do poema.

" Bleu,Blanc,Blond" - Uma Música Inesquecível

Grande sucesso da música francesa nos anos 60.
Letra de Jean Dréjac.
Musica de : Haal Greene, Dick Wolf 1959
Gravação de Marcel Amont

{Refrão:}
Blanc blanc,blanc...

Bleu, bleu, le ciel de Provence
Azul,azul, o céu de Provence
Blanc, blanc, blanc, le Goeland

Branca,branca ,branca a gaivota
Le bateau blanc qui danse
O barco branco que dança

Blond, blond, blond , le soleil de plomb

Dourado,dourado,dourado ,o sol ardente
Et dans tes yeux
E nos teus olhos
Mon Rêve en bleu - bleu - bleu
Meu sonho no azul-azul-azul

Quand j'ai besoin de vacances
Quando eu necessito de férias
Je m'embarque dans tes yeux
Eu embarco nos teus olhos
Bleus, bleus, comme un ciel immense

Azuis,azuis,azuis como um céu imenso
Et nous partons tous les deux.
E nós partimos os dois.

{Refrão}

Quand le vent claque la toile
Quando vento balança o tecido
de ton joli jupon blanc
de tua bonita anágua branca

Blanc, blanc comme une voile
Branca,branca como uma vela
Je navigue éperdument.
Eu navego perdidamente.

{Refrão}

Tes cheveux d'un blond de rêve
Teus cabelos de um sonho dourado
Déferlent en flots legers

Arrebentam em ligeiras ondas
Blond blond sur une Grève

Douradas,douradas numa praia
Où je voudrais naufrager
Onde eu queria naufragar.

{Refrão}




NUNCA MAIS DIZER NUNCA MAIS - Ulisses Germano



O desespero é ferramenta
Movida por uma multidão de idéias confusas.

O que fazer quando não há mais nada para fazer?
"O que não tem jeito, jeito tá dado!"
Foi a melhor conselho que eu ouvi
Depois de ter perdido uma porção de poemas
E canções na mesa de um restaurante...
Parece uma reação conformista
Mas em algumas ocasiões da vida
Nada pode ser feito para mudar
Ou solucionar a sinuca de bico
Que é perder uma coisa valiosa.
Por mais pieguice que pareça,
Nada é mais valioso do que a vida!
É lamentável que muitas cabeças pensante
Falhem na explicação. Sim.
A realidade não falha...
As explicações, sim.
Ainda é tempo de aprender
A nunca julgar o semelhante.
Ainda é tempo de nunca
Querer mudar o semelhante.
Ainda é tempo de nunca
Mais dizer "nunca mais".


Ulisses Germano

As emissoras internacionais - Emerson Monteiro

Houve um tempo quando apreciei com intensidade as transmissões da radiofonia mundial em ondas curtas, reservando horas e horas noturnas para ouvir as programações em português e espanhol, elaboradas nos mais diversos países. Esse gosto veio despertado por amigos e colegas de colégio que nutriam interesses ocasionais em colecionar selos, quadros de fitas de cinema, estudar inglês e acompanhar lançamentos cinematográficos, assuntos que preencheram a minha adolescência.
Além de seguir de perto as grades de programação, também escrevia às emissoras, dando notícias das recepções e apresentando ideias e motivos talvez a serem aproveitados pelas estações de rádio.
Era uma época de extrema efervescência e movimentação das forças políticas, na primeira metade da década de 60, auge da Guerra Fria, quando, inclusive, o rádio se prestou à divulgação e propaganda ideológica dos blocos nela envolvidos. De um lado, o capitalismo internacional do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos. Do outro, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ponta de lança do que propunha o comunismo, já instalado também na China, desde 1949, com Mao-tsé-tung no poder; em Cuba, após a revolução de Fidel Castro, em 1959; no bloco dos países da Europa Oriental, na Coréia do Norte, como alternativa ao modelo da democracia americana para as outras nações, após a Segunda Guerra.
Recordo que, nessa fase, ouvia com assiduidade transmissões da Rádio Difusão e Televisão Francesa, Rádio Canadá, BBC de Londres, Rádio Havana, Voz da América, Rádio Holanda, Rádio Suíça Internacional, Rádio Suécia, Rádio Praga, Rádio Sofia, Rádio Cairo, Rádio Espanha Internacional, Rádio Pequim, Rádio Central de Moscou, Rádio Tirana, Rádio Vaticano, Voz da Alemanha, dentre outras, que mantinham horários para o Brasil e os demais países de língua portuguesa.
Informações fervilhavam a cruzar os céus logo que chegava a noite, das 19 às 23h, horário de melhor propagação das ondas. O meu receptor, rádio a válvulas, permanecia ligado todo tempo, enquanto promovia anotações e apurava os ouvidos, nas faixas de 16 a 49m, vezes sob chiados e ruídos intensos que dificultavam as audições.
No país, eram as notícias peneiradas pelos órgãos de segurança e que, entretanto, vazavam pelos correspondentes estrangeiros, chegando ao nosso conhecimento pelos departamentos internacionais, época de clandestinidade e repressão, anos de chumbo, quais se dizem.
Remetia cartas aos endereços dessas emissoras, que as respondiam com regularidade e juntavam às respostas publicações dos países; livros, revistas, jornais, postais, selos, broches, flâmulas e outros brindes. Cada recebimento dessas respostas era um dia de festa. Abria o envelope e examinava com cuidado seu conteúdo, estimando o valor em face da distância que percorrera. Nisso, espécie de fetichismo logo invadia a alma de mistério.
Depois, novos apegos surgiriam com a descoberta do prazer da literatura e seus variados autores brasileiros e estrangeiros. Mais adiante, os filmes de Hitchock, do Cinema Novo, os clássicos da Cristandade, os faroestes inolvidáveis, o cinema de arte europeu, além dos festivais da canção, e a MPB, reunidos às emoções dos primeiros namoros, para, assim, excluir em definitivo o pouco espaço que restara entre os estudos e aqueles solitários serões radiofônicos.

Pescador do verso

Tiago Araripe disse...

"Tenho uma banda de música virtual
que desperta personagens adormecidos.
Quase mortos... Neles vivo!"

Olhaí um poemínimo de Socorro Moreira!

De repente um Haikai !- Por Tiago Araripe


A poesia
Me chega feito chuva:
Aos pingos...

Mais Repentes - Ulisses Germano & Aloísio

Ulisses Germano disse...

Aloísio, caro amigo
O seu ser é valioso
Pois quem fala com o umbigo
Não tem fama de teimoso
Já ouvi os cromossomos
Aprendiz todos nós somos
Deste mundo fabuloso!


”O meu ser fica parado”



Aloísio disse...

Outro mote você deixa
Pr’eu poder improvisar
Mas gosto de movimento
Porque parado num aguento
Mas pra não deixar de lado
Este mote bem deixado
Ficando em estado de choque
”O meu ser fica parado”

“Não sei trovar sozinho”

PORTEIRA DA SAUDADE - Marcos Barreto de Melo

Guardo bem a sua imagem
Na entrada da fazenda
Com sua fragilidade
Mostrando a simplicidade
Quando em tempo de moagem
Uma estrada de rodagem
Por onde tudo passava
Acabava o teu sossego

Ainda tenho na lembrança
Teu retrato, tua imagem
Sua madeira lavrada
Pelo sol tão ressequida
Sem trato, já encardida
E o mourão de aroeira
Que se cobria de poeira
A cada carro que passava

O sol forte, inclemente
Tratou de lhe envelhecer
Mas, quem passou ao teu lado
Nunca vai te esquecer
Ainda guarda certamente
Num canto do coração
A exata dimensão
Do que fostes no passado

Hoje vives desprezada
Num tronco velho encostada
Mas, ainda és capaz
De revirar a saudade
Sacudir minha lembrança
Remoendo a minha dor
Ao lembrar dos que passaram
E por ti nunca voltaram

Marcos Barreto de Melo

Um pouco Clarisse...

" Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
Clarisse Lispector



Imagem/Internet

Somos um pouco Clarisse... Sou. Mas só um pouquinho...
Pois solidão e melancolia não fazem parte da minha biografia; e nem tampouco, moradia nessa terra da minh'alma... Tenho uma veia vibrante e felicidade quase constante. Posso chorar rios... Basta um toque sutil de indelicadeza. Posso também rir uma noite inteira. Mas uma noite inteira só, não me basta!
Mara Thiers

Na madrugada, correio musical ...




Em busca da luz de ouro

O mar é o cemitério
de todos os medos
Já despedi-me de todos os astros 
de todos os céus,
de todos os amores ...
Tranquei todas as portas
Perdi meu endereço
estou a esmo ...
Insisto na música
Insisto na lágrima
Insisto em algumas pessoas
Mas já me despedi
de todas as cores.

Sessão de Cinema - Por Socorro Moreira



O filme das nossas vidas
viaja no tempo
mas gosto
quando ele chega no presente
de malas cheias, sorridente.

vejo filmes sem direção
atávicos na imaginação
eu , você , e um mundo de gente
no enlevo da música
beijos no escuro
ou pegada de mãos.

deixo uma cadeira vazia
quem sabe, você chega
com balas de pepper nos bolsos?

acabou a sessão de cinema
vamos ao lanche
aos comentários hilários
observações picantes
me leva pra casa?
-"A "noite" é criança"!

socorro moreira

Carta marcada - Por Socorro Moreira




Estamos enrolados
Por sentimentos
Indefinidos...
Amarras invisíveis
Que o sonho desata

O descompromisso liga
O compromisso afasta


Prefiro a infinitude
Do sem início
E que tudo seja sempre
E pra sempre
Um ponto de luz
Brilhando no azul
Que nunca será verde.

O amor não precisa da rima
Ele é poesia que não se explica
Preenche as entrelinhas
E faísca como estrelas
No ser interior
Anterior a tudo !

Ninguém chega tarde
Nem antes da hora
Amor é carta marcada
Que a gente acha
Quando o destino descarta.

O grande desafio não é jogar
O grande lance é conquistá-lo
E merecer a felicidade de vivê-lo

Amar sozinho
Pode ser perfeito,
Mas é desperdício!

Amar com razão ou sem razão ? - Por Socorro Moreira



Assim pensávamos, quando nos apaixonávamos :
Não valia a declaração de amor, sem a promessa de que ele seria pra toda vida.
E para dar maior ênfase, dizíamos, olhos nos olhos, voz emocionada e cheia de medo:
-Não posso viver sem você!
Mas podíamos...
Porque a paixão terminava
As diferenças ficavam acentuadas
E tudo que os dois queriam
Era uma despedida sem traumas.
Impossível!
Um dos dois tinha que sofrer e chorar, até que o encontro de um novo amor lhe trazia o sorriso de volta.
Hoje eu sei o quanto era ilusório a paixão desenfreada, o amor imenso, e as promessas, sob impulso das emoções.
Hoje eu suavizaria o absurdo, e diria:
Não posso te esquecer! Vou gostar de você eternamente.
E esse gostar, esse querer o bem, estar presente quando é lícito e é possível, é uma forma de amor, talvez a mais verdadeira!
O amor que encontra o caminho da harmonia, crescimento na compreensão, é deveras sábio, e abençoado!
Acho difícil a felicidade amorosa. Se existe amor, ela é fato!
Quem sabe alimentar um relacionamento, (pode até sofrer pequenas dores), sem perder a fé, experimenta a felicidade que todos procuramos, pelo menos por algum tempo: um amor para sempre!
Os anos passam , os círculos se renovam , e agora estou vivendo mais no futuro do que no presente. Fechei algumas janelas do passado, mas ficaram brechas no coração, por onde espiono alguns amores e algumas lembranças.
Depois que passa um tempo, a gente percebe quem fez a diferença. Quem foi amor, quem foi amizade, e o sentimento de paixão que não vingou.
Chega um tempo em que o coração se escancara, mas já não faz escolhas. Fica no limbo sentimental, sem ousar viver um inferno amoroso descondensado. E o paraíso? Ele é um oásis, num deserto imaginário. Amor construção é:
Pequenos abalos, alternados de orgasmos, que faz chorar, e sorrir. Que faz serenar e inquietar... Que faz pensar que é como se fosse o primeiro, e será para sempre o único.
Meu coração silencia pequenas impressões, que não calam, nem falam.
O que foi, o que é, você, na minha história?
Um carinho, um cravo-rosa, um som diferente, que acalenta um coração minado?
Que bom, quando uma relação não é finita. Começa no anestésico, e continua, num prazer infindo!


Socorro Moreira

Repentes de Ulisses Germano

Socorrendo Socorro

Ninguém pega no pé
Não nasci pra papagaio
Mas confesso que a muié
Muitas vezes dá trabaio
E se o home é a besta fera
É porque mora na esfera
De se achar um quebra gaio

É por isso que eu me calo
Desisti, agora tento
Nunca mais cantar de galo
Nem comer pastel de vento
Na parede do reboco
Sem querer me fiz de moco
Pra fugir do desalento

Socorro, fique sabendo
Que esse povo fuxiqueiro
Morre do próprio veneno
Pendurado no poleiro
Toda lingua que se preze
Pode ser que um dia reze
a canção do amor primeiro

Repentes de Aloísio




Meu caro Ulisses Germano
O seu mote me agradou
Por isso escrevo e lhe digo
Não por dever ou castigo
Mas poder lhe acompanhar
Nestes versos de improviso
Que não me deixa confuso
Pois “o abuso não impede o uso”

Seguindo neste roteiro
Eu lhe digo companheiro
Eu ainda sou aprendiz
Nestes versos que eu fiz
É como aprender a fiar
Apertar o nó e desatar
Pois a roca tem seu fuso
E “o abuso não impede o uso”

Grande abraço
Aloísio