por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 5 de fevereiro de 2011

Foto: Nívia Uchôa



Meu pai adorava pescar.Costumávamos passar fins de semana e feriados,nas fazendas dos parentes, ora em Missão Velha, ora no Exu. Considerava um momento para contemplação e meditação. Dizem que a sensação do peixe beliscando a isca é adorável.
A pescaria pode ser como o cachimbo...Um prazer solitário. Sempre preferi esperar o resultado , e fazer a caldeirada.
Intimamente tenho um carinho poético, quase religioso, pela figura dos pescadores.
Pescar é um ato terapêutico de sobrevivência e aventura.
Tudo que se refere à pesca tem o seu encanto. Seja um poema de Adélia, uma canção de Dorival, uma foto da Uchôa, como esta.


Casamento
(Adélia Prado)


Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.


O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.


Nenhum comentário: