por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
domingo, 4 de dezembro de 2011
4 de Dezembro- Dia de Sta Bárbara
Por Socorro Moreira
Nos sonhos
o relógio não marca
Não se faz perguntas
indefinidas
As respostas são disparatosas
Esse lugar
Tem caminho ?
É no mesmo plano?
Jogo de sinuca?
Física quântica ?
O canto dele
não é musical
É geometria analítica
ou espacial?
Ah...
De repente ,
Se o lugar existe
muitos passarinhos
Já pousaram lá.
Complexidade nas perguntas
Respostas evasivas...
E o coração faz a conta !
E a alma faz de conta
Que encontrou alguém por lá
"Nesse mesmo lugar."
Por Socorro Moreira
Batom
Adoro batom
Com ele
Mancho meus espelhos
Abraso fantasias
Vejo-te noutro lago
Imagem fugidia
Quando esse caso
(só meu)
Impacienta-me
Passo o meu batom
Imprenso a boca
No papel que leio
E seguro a calma
Pra te ver no novo
Ano se anuncia.
Ele nunca esteve
Mas a porta
Na molhada espera
Continua Beta.
Estio de esperanças
Chega novo Junho
E a fogueira cresce
Se nas entrelinhas
Descubro-me tanto
Fecho esse parêntese...
Abro meus colchetes
E me entrego em pontos.
Inspiro tua ausência
Suspiros na distância
Não dá pra expirar-te
Posso fazer arte...
Paulo Barbosa - Por Norma Hauer
Candura - espelho poético Por Socorro Moreira
Não dura o deboche
Nem faz parte da face
O olhar que exprime a calma
É fruto da alma
Pégaso
-Transporte coletivo da poesia
Pasta de sonhos
Versos bastam-lhe
Antepasto nas estrelas
-Lombra sideral
Sorriso doce
Margarida(n) no coração?
De volta às calçadas?
Pare em certa casa
Tem água do pote
Café coado no pano ...
Aquiete as botas voadoras
A paz é o prato principal
Momento amoroso
É sobremesa na boca.
As formigas não se escondem em seus buracos,
quando existem folham que carregam vida.
Ética e moral - Leonardo Boff
Com meta - por socorro moreira
Tudo às pressas
Correndo para não perder
Um possível gran finale
Adiamos o desencontro
O beijo incompleto
Viajou em busca de flor
Rosa amarela tem na casa dela
Meu amor
Por que não voltou?
Fecho a porta devagar
Que os astros não descubram
O que deixei passar
Quem vem para a beira do mar - José do Vale Pinheiro Feitosa
Rainer Maria Rilke
- Hora Grave
Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.
Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.
Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.
Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim.
(Tradução: Paulo Plínio Abreu)
Confissão - por Rosa Guerrera
À toa ... - por Socorro Moreira
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| foto de Emerson Monteiro |
Não tire seu sorriso
Não saia do caminho
Não fuja pra valer
Brincar é coisa séria
Difícil é esquecer!
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Quem provoca,
Tem coringa na manga ?
Tem manga no pé,
do pomar de novembro.
E tem pano pras mangas?
Com vestido decotado,
O sol castiga ...
E ninguém é santo!
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Pelos vales secos,
a Terra em cio,
aguarda um rio
que nunca veio!
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A solidão
nos leva a qualquer pão:
de queijo, de gente ...
Solidão no olhar
Perdido no mar.
Solidão Humana,
Deus preenche !
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Construímos tantos corpos de papel
Pichamos muros
Pintamos telas no céu ,
descobrimos mapas de labirintos
Nossa floresta era imensa
Nos perdemos no caminho ...
Catando flores,
destruindo ninhos.
Olhei demais pro céu ...
Pensando que você
fosse um passarinho!
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Alminha branca,
que tudo enxerga
numa tela de paz
Se todos te entendessem,
O mundo seria branco
cercado de azul
por todos os lados!
Meias & Cuecas- por José Flávio Vieira
Por Rosa Guerrera
Amar é aquele " ouvir estrelas " deBilac,
é enxergar o sol numa noite escura,
é conhecer os segredos do ruído dos mares ,
e deitar sonhos em imaginárias espumas !
AMAR é a revelação do avesso ...
É mistura de suor , de saliva , de tremor ,de ânsias e cansaços !
É a entrega de devaneios transformados em realidades,
é se sentir enlaçada pelo mundo no calor de dois braços,
e acariciada pelo infinito num pequeno suspiro de ternura!
AMAR é essa coisa sublime e louca,calma e tempestuosa...
É a eternidade transformada em horas,
é coração ofegante ,mãos entrelaçadas e fusão de corpos desnudos !
AMAR é acordar com a luz do sol
E pensar que a noite não findou...
É num sorriso maroto ver lençóis em desalinho,
travesseiros no chão ,
e ainda acesa a luz do abajur...
E se sentir a cada instante oceano virgem
para novos e mais novos mergulhos no Amor !
Girassol , gira noite ...Flor do dia ! - por Socorro Moreira
A hora do desejo
Precisa do clima da noite.
Os tons se enrouquecem,
Ficam loucos...
As flores desabrocham
Exalam cheiros de todas as notas
O silêncio é intercalado por ruídos do vento,
que chega vestido de serenata
A capa da noite
É salpicada de lua e estrelas
Sua composição poética,
Extrapola momentos
Continua no teclado, no telhado...
Vive o dia, e outras horas
Amanheceu, anoiteceu,
e eu ainda estou por aqui
ligada num tempo cor-de-rosa.
Violeta Arraes - por Caetano Veloso
Brasileirão 2011 - Por José de Arimatéa dos Santos
A GALINHA MANCA
EU RIO - Ulisses Germano
Que amanhã estarei no Rio
Desfrutando de um lugar
Que nasceu de um elogio
Villa Lobos, Tom Jobim
Todos eles moram em mim
Quando eu toco ou assobio!
-
sábado, 3 de dezembro de 2011
Vivências do coração - Emerson Monteiro

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Um desejo de Paz - José do Vale Pinheiro Feitosa
RIMA TRONCHA
é perfeita e sutil
mas precisa que o falar
por isso é assim tão util
Ulicis
REALIDADE DOLOROSA (Frei Ambrósio Bezerra Lôbo)
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Não é possível ignorar o ovo da serpente. José do Vale Pinheiro Feitosa
Anda-Já

É difícil nossos olhos avistarem além da fronteira do nosso quintal. O mais comum é que terminemos por ter uma visão bem compartimentada do mundo. Para os paulistas o universo se resume à Avenida Paulista; para os habitantes de Salitre o planeta se encerra antes de Campos Sales. Costumes, hábitos, preceitos morais terminam por ser balizados por essas estreitas fronteiras e é com olhos que mal avistam o nosso pomar que pretendemos depreender toda a complexidade do universo à nossa volta. Essa visão limitada atinge todos os segmentos sociais e termina por se transformar quase numa religião que tem a burocracia como bíblia e o burocrata no papel de sacerdote. Com esse filtro , essa viseira, perdemos a possibilidade de entender holisticamente as nuances infinitas da aquarela universal. Como um menino dentro do quadrado, julgamos tudo dentro dos limites opressivos que nós próprios nos impusemos. Através das grades, o mundo se resume a uma sala, alguns móveis, os brinquedos, a chupeta : só ! Do outro lado da parede, no entanto, sem que ao menos percebamos, fulge um sol brilhante, resplandece uma lua ao anoitecer e a vida tem possibilidades infinitas e inimaginadas.
Há alguns anos, perdemos um juiz exemplar : Dr. Nirson Monteiro. Cratense, trabalhador abnegado, simples, ele não carregava consigo aquele ar de superioridade quase divina que contagia tantos membros do Poder Judiciário. Dr. Nirson tinha ainda uma especial atenção para com os crimes perpetrados contra crianças e adolescentes. Pois bem, contava-me ele que um dia soube de uma prostituta da cidade que criava a filha pré-púbere, no próprio lugar de trabalho: uma Boate ali nas cercanias do Gesso. O juiz achou aquilo um absurdo , um visível risco à integridade física e moral da criança e intimou a mãe a comparecer ao Fórum. Pretendia subtrair-lhe a guarda, protegendo assim a menina. Contou-me ele, no entanto, que, na audiência, terminou por receber uma aula de humanismo e dignidade da prostituta. Quando o magistrado contou-lhe das suas preocupações e seu intuito de afastar a adolescente daquele ambiente pérfido, ela ouviu com atenção e respeito. Depois, calmamente, emitiu uma opinião contrária . Disse ao juiz que tivera outras duas filhas e que as afastara ainda meninotas e as pusera a trabalhar como domésticas em casas de família ricas da cidade. Imaginava que assim, convivendo em melhores ciclos, terminariam adquirindo uma educação mais refinada e teriam maior possibilidade de se tornar gente. Sabia terrível, mais que ninguém, a vida que ela própria levava, mas não tivera outra opção. Miserável , negociava com a única mercadoria que tinha em mãos: seu corpo . Pois bem, as duas meninas tinham se perdido com patrões e filhos de papai aqui do Crato . Assim, seu juiz, ela fica comigo, tem muito mais condições de ser alguém na vida, o ambiente no Gesso é muito mais sadio do que o do resto da cidade! Dr. Nirson, cumprimentou-a e desculpou-se, e agradeceu pela ajuda : acabara de olhar por cima do muro do quintal do seu universo particular.
Há uns dois anos, em uma Escola em Juazeiro do Norte, procedia-se a uma reunião do Grupo Gestor. De repente, entra a merendeira, interrompendo o evento e informa à Diretora: Aquele aluno da oitava série que a mais de dois meses gazeava a aula, na hora da merenda escolar, saltava o muro e vinha lanchar e ainda queria levar um pouco para casa. A diretora proibiu e, mais, mandou chamar o segurança do estabelecimento para pegar o menino. Queria conversar com ele pessoalmente e proibir a irregularidade. Até já tentara antes, mas sempre que avisado o danadinho saltava o muro de volta e fugia em desabalada carreira. Naquele dia, mediante a ajuda do segurança, não teve jeito. A diretora, então, repreendeu o menino e disse , claramente que não era possível. Se ele quisesse merendar que voltasse para as aulas. E, por fim, fez-se categórica : diga a sua mãe e a seu pai que venham aqui que quero falar com eles ! O menino cabisbaixo enxugou algumas lágrimas que escorriam lentamente no rosto e entre soluços informou que o pai não ia poder comparecer. Por quê ? --Argüiu a mestra ç Ele está preso, fessora, já faz uns três meses! A diretora, tomada de supetão , tentou ainda arrematar: peça então a sua mãe prá vir, menino! O rapazinho respirou fundo e, novamente, informou que não seria possível. Por quê? O aluno, envergonhado, concluiu: Ela fugiu com outro homem já faz uns dois meses! Em casa ficamos apenas eu e um outro irmãozinho de cinco anos, não temos ninguém mais nesse mundo, era por isso que eu pulava o muro: para matar a fome e levar um pouquinho para meu mano, fessora ! Impressionante a aula de vida que um pirralho de oito anos terminou por ministrar à diretora que não conseguia enxergar o mundo adiante dos muros da escola.
Se quisermos crescer temos que compreender a velocidade estonteante da vida que acontece como um filme e não se consegue revelar numa fotografia instantânea e estática. E mais: existe um universo fervilhante além das grades opressivas do nosso quadrado e muitos e muitos caminhos a trilhar além do limitado espaço que percorremos com nosso Anda-já.
J. Flávio Vieira
Fortaleza Anos 70 - A primeira viagem comercial à lua - José do Vale Pinheiro Feitosa
Hoje já não me lembro de todos os jornais de Fortaleza nos anos 70 por isso busquei uma lista que imagino histórica: Tribuna do Ceará, Correio do Ceará, Gazeta de Notícias, O Povo, O Unitário, O Democrata, O Estado, O Nordeste, O Jornal. O jornalista Giacomo Mastroianni, que é veterano na imprensa de Fortaleza, talvez precise mais quem estava ativo naqueles idos entre 1969 e 1971.
Aconteceu assim. O almoço fazíamos no restaurante da Faculdade de Medicina, como já citei, ficava distante do campus da Gentilândia, onde ficava o CEU que era o restaurante de toda a estudantada da universidade. Mas de vez em quando saíamos para um almoço no CEU para encontrar quadros de outras faculdades e tramarmos as ações para o futuro.
Convenhamos eram muito mais se mexer no estreito espaço do AI5 e do Decreto 477, do que uma ação de causar dano ao ditador da ocasião. Então a literatura de vanguarda era uma opção revolucionária. Como os textos que precisavam ser lidos no reservado de quatro paredes. Ou as grandes discussões sobre um filme de Claude Lelouch ou a estética estranha de Blow up de Micheangelo Antonioni.
Costumava jantar no CEU. Terminava as aulas na medicina, jantava rápido, não tinha tempo de costurar mais algumas tramas, tinha que ir para as aulas na Faculdade de Economia. Pois é, para compreender melhor a sociedade que desejava transformar entendi por bem estudar economia. Mas convenhamos graduação é dedicação e eu não tinha gás e tempo para as duas faculdades simultaneamente. Além do mais era um estudante de restaurante universitário, morando na casa de uma tia e andando de ônibus.
Mas estou detalhando muito, volto ao fato. Num daqueles almoços coletivos entre estudantes de várias faculdades, o Leite, estudante de jornalismo, uma grande figura que morreu precocemente, propôs uma reportagem. Ele estava estagiando num daqueles jornais da lista lá de cima e tinha por pauta fazer uma reportagem do anúncio da primeira viagem comercial à lua.
Qual era a do Leite? Levar alguns de nós para nos inscrevermos como pioneiros das viagens espaciais, de natureza comercial, à lua, naquele clima festivo da sociedade americana com o pouso no satélite. E fomos: eu, o Tarcísio Baturité, José Jackson Sampaio e Júlio César Penaforte. Iríamos nos inscrever para viajar à lua.
E chegamos ao local da inscrição. Era a representação da PANAM (grande companhia aérea americana que faliu nos anos 90) e o homem de Marketing da empresa já nos recebeu de cenho franzido. Ele teve que fazer cena, pois o Leite fazia anotações e resolveu fotografar a cena da inscrição.
Mas não havia inscrição alguma. Era apenas uma jogada de Marketing da PANAM naquela altura atolada até o umbigo com a BOEING na aquisição e lançamento do JUMBO. A matéria era sobre o Jumbo. Vimos folhetos, maquetes, assentos, a primeira classe e tome Jumbo por propaganda e o Leite anotando.
Naquela altura eu soltava gargalhadas “in pectori”. Nunca tinha viajado nem num teco teco e meu máximo de imaginação de Ícaro era ser como os urubus a planar nos céu azul do sítio onde vivia no Crato. Ria ainda mais pelo marqueteiro ter que nos explicar aquilo tudo como se tivesses diante de um grupo de investidores e companhias de turismo carreando levas de passageiros para o interior do seu Jumbo.
O Leite nos fotografou: o americano em pé apontando os folhetos e os quatro viajantes da lua em volta dele. Todos com risos irônicos. No dia seguinte quando chegamos à Faculdade foi uma festa. Pegaram uma tábua e colaram a primeira página do jornal com a foto extraída da cena acima e a manchete em letras garrafais: Estudantes Cearenses se Inscrevem para a Primeira Viagem Comercial à Lua.
No dia seguinte às gargalhadas enquanto almoçávamos o Leite quase chorando de rir nos contou que o homem de marketing, em estado de pura agonia, avisara que a inscrição não valera. Mas é claro, e nem as viagens comerciais à lua. Tudo era blefe.
Mas nunca ri tanto mesmo com a exoneração da promissora vida de astronauta. Mas foi uma bela gozação com uma grande corporação do império.





