por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 27 de novembro de 2011

por socorro moreira

Não consigo imaginar meu novo canto
Será samba ou uma valsa, valsinha, 
daquelas antigas?
O futuro é amanhã,
e continua incógnito!
Destemida e cautelosa espero
- a "sempre viva"!

Irritada, idosa do CE manda carta
a vereador após ofensa em plenário
Vereador insinuou que idosa reclamou de serviços por estar demente.
'Estou em lucidez, dirijo minha casa...e tenho um computador', diz a carta.

Diana Vasconcelos Do G1 CE
Almina Arraes diz ter sido ofendida por vereador do Crato (Foto: Almina Arraes / Agência Miséria)Almina escreveu livro com dicas sobre internet para
os amigos

(Foto: Almina Arraes/Arquivo pessoal)

Irritada por ter sido mencionada como alguém que estava “na iminência de ser interditada” por um vereador da cidade do Crato, a 506 km de Fortaleza, no plenário da casa legislativa, uma idosa de 87 anos decidiu enviar uma carta defendendo “seu direito à dignidade”. Almina Arraes de Alencar Pinheiro foi citada por dois vereadores na Câmara do Crato por ter reclamado do serviço de água e esgoto da cidade.

Segundo Almina, há aproximadamente um mês, o vereador Francisco Brasil fez pronunciamento contra aumento na conta de água na cidade. “Ele pediu que a administração [municipal] visse isso, para não acontecer o mesmo que aconteceu comigo”, disse Almina, referindo-se às reclamações que fez em dezembro de 2010 à companhia, ocasião em que afirma ter sido destratada pela empresa de água e esgoto da região, ganhando a simpatia da população.

Durante o pronunciamento, segundo Almina, o vereador e primo de 3º grau George Macário de Brito pediu um aparte. Almina diz que overeador girou um dedo indicador na altura do ouvido e disse que a aposentada usada como exemplo estava a ponto de ser interditada e que as queixas dela com relação ao serviço não eram verdadeiras. Sentindo-se ofendida, Almina decidiu escrever a carta, em que diz:
Almina diz que overeador girou um dedo indicador na altura do ouvido e disse que a aposentada usada como exemplo estava a ponto de ser interditada e que as queixas dela com relação ao serviço não eram verdadeiras (Foto: Reprodução)Almina diz que overeador girou um dedo indicador na altura do ouvido e disse que a aposentada usada como exemplo estava a ponto de ser interditada e que as queixas dela com relação ao serviço não eram verdadeiras (Foto: Reprodução)

A carta de Almina comoveu a população do Crato que tem enviado mensagens de apoio à idosa. A aposentada acredita que está servindo de exemplo para os amigos da terceira idade que têm receio de reivindicar os próprios direitos. “Lógico que sou exemplo, nem todo mundo tem a coragem que eu tive. Eu redigi e não ofendi ninguém, defendi meus direitos”, afirma.

Vereador e parente
O parlamentar Macário de Brito, em contato com o G1, disse que foi “mal entendido” durante o aparte. Ele explicou que foi fazer uma defesa do governo municipal, mas apenas “a parte que interessava a oposição” ganhou destaque. Sobre a suposta interdição de Almina, o vereador disse tê-la confundido com outra pessoa da família. “Isso é um assunto já superado. Eu inclusive já fiz um pronunciamento pedindo desculpas”, conta.

SAAEC
A aposentada conta que, em novembro de 2010, passou a receber uma cobrança de água quatro vezes maior do que a de costume. Buscando uma explicação para o aumento, Almina foi até o órgão municipal Sociedade Anonima de Agua e Esgoto de Crato (SAAEC). “Mas fui destratada e saí de lá sem a justificativa do aumento”, diz. Ao relatar o ocorrido aos filhos, um deles decidiu escrever uma carta e enviar a blogs e rádios que funcionam no Crato.

O G1 tentou contato com a direção da SAAEC na manhã e na tarde desta sexta-feira (25), sem obter resposta.

“As pessoas viram [a carta do filho] e virou uma polêmica, recebi muitas cartas e mensagens de apoio”, conta Almina, informando que em sua página do Facebook é possível encontrar algumas das mensagens. Alguns meses depois, a conta de água da idosa voltou ao normal. “Foi por isso que o vereador Francisco Brasil me usou como exemplo”, explica.

“Minhas Lições”
De família tradicional do interior do Ceará, Almina Arraes disse tentar se manter sempre atualizada. Em 2004, ganhou um computador de um dos filhos e decidiu procurar um curso de informática na cidade para aprender a usar a máquina e acessar a internet com segurança. Mas, segundo a aposentada, não havia curso para pessoas da sua idade na cidade, somente para crianças.

“Fiz [o curso] assim mesmo”, conta Almina acrescentando, “daí que surgiu a ideia de pôr 'Minhas Lições' em uma cartilha para meus amigos. Ela afirma que já distribuiu mais de dois mil exemplares da cartilha e prepara a segunda edição. “Muita coisa mudou, tenho de atualizar”, diz.


http://g1.globo.com/ceara/noticia/2011/11/

Colaboração de Geraldo Ananias


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Radiografia                                                           

Se você fizer uma radiografia da sua vida
Verá com certeza, quem sabe com um certo espanto
Que eu apareço do tornozelo ao pescoço
Eu apareço, estou gravado, cravado
Eu apareço na sua espinha dorsal
Não tente me entender e não me meça
Não me aceite de volta por mais que eu peça
O que interessa é que eu estou escrito no teu corpo
E mesmo quando eu já estiver morto
'Cê' vai me ver no espelho do seu olho
O que interessa é que eu estou escrito no seu corpo
E mesmo quando eu já estiver morto
'Cê' vai me ver no espelho do seu olho


RÍTMO

PERCUSSIONISTA
QUE SE ATRAZA

ÀS VEZES CORRE

(não adianta)

sábado, 26 de novembro de 2011

FOMOS ONTEM- por Rosa Guerrera



Fomos ontem!
Caminhos diversos,
Paisagens coloridas ,fotos em preto e branco.
Paramos num tempo
Onde o próprio tempo traçou atalhos
E nos levou para novos rumos.
Fizemos longas viagens,
Percorremos vales e montanhas,
Mergulhamos em mares diferentes.
Apenas um elo restou em forma de poesia.
Hoje quem sabe
Juntando os nossos restos
Não possamos no outono do tempo
Esquecermos que se fomos ontem,
Bem poderíamos hoje sermos nós .

Ros@

Por Socorro Moreira


Mais uma vez
A casa vai sendo esvaziada
Fragmentada,
Encaixotada.

Meu pé de saudade...
- A laranjeira do quintal vizinho!

Já foi uma algaroba na Rua da Vala
Um sapotizeiro num ano
Que não esqueço...

Jatobás do Lameiro
Abacateiro do meu pai...
Margaridas da minha mãe!

Sou arborizada de saudades
Folhas de cheiros
Coloridas!

Ligue o som, feche os olhos, e aperte em seus braços a pessoa amada...

Dance, na madrugada!


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

OS VERSOS QUE VOCÊ COMPLETOU - Ulisses Germano




Nenhuma outra pessoa no mundo
Poderia completar o meu verso
Tu que já provaste do adverso
Pegando a lama do poço profundo
Enfrentando o descaso e a picuinha
A dor e a alegria de estar sozinha
Vivendo o hoje do verbo encantado
No profundo sonho de um azul sonhado
Esbanjando o amor que jorra das fontes
Abrindo vias, construindo pontes
Pra trazer de volta o ser amado

Dedicado a Socorro Moreira 
Ulisses Germano
Crato-CE.

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Uma foto de Anduiá num time do Piauí - José do Vale Pinheiro Feitosa

Foto cedida por Napoleão o primeiro à esquerda em pé. Anduiá é o segundo à esquerda da coluna de cócoras. Se tocar na imagem ela poderá aparecer mais ampliada e se verá a legenda da mesma.

Ainda um menino rural, mas já estudante da cidade. Falo numa data entre 1961 e 1963 quando fui assistir a um jogo do Sport no campo da cidade onde hoje estão prédios da URCA. Aquele terreno vizinho ao parque de exposições. Era um jogo especial, a despedida de Anduiá, o maior craque da cidade e que iria para uma aventura de sucesso no futebol. Transferia-se para o futebol da capital do Piauí.

O menino nunca esqueceu aquele momento especial. Ali estava de alguma forma o destino de muita gente. Ir para um centro maior tentar um futuro melhor e mais próximo onde se poderia projetar. Por isso postar esta foto do time Caiçara de Campo Maior no Piauí é uma ligação com aquele momento. Daqui onde veio parar, o menino renasce abrindo as brecha de uma carga de anos passados.




Enquanto Houver Saudade
Mário Lago

Não posso acreditar
Que algumas vezes
Não lembres com vontade de chorar
Daqueles deliciosos quatro meses
Vividos sem sentir e sem pensar

Não posso acreditar
Que hoje não sintas
Saudade dessa história singular
Escrita com as mais suaves tintas
Que existem pra escrever o verbo ama

Enquanto houver saudade
Pensarás em mim
Pois a felicidade
Não se esquece assim
O amor passa mas deixa
Sempre a recordação
De um beijo ou de uma queixa
No coração

Composição: Custódio Mesquita e Mário Lago

Só pra lembrar Mário Lago


Brincando com "nosotros"...

de um tudo 
meu amor 
farei por ti

desatento
escolho o contentamento
sem desalento

ensina-me a ver
o que posso ser

rasga o véu 
do encanto real

Façamos o nosso toldo
- tenda pra sempre!

(Ulisses x Socorro)



Pra que serve a Poesia ?


Permitam-me começar esta cerimônia com um poema do “Four Quartets” de Thomas Stearnes Eliot . É que a literatura carrega consigo seus misteriosos ritos e se há muito de eucarístico na Poesia , os versos são uma Prece e nos conectam com o divino e o sagrado, fazendo pairar sobre todos nós os eflúvios das musas e deuses do Olimpo.


“Em meu Princípio está meu fim. Umas após outras
As casas se levantam e tombam, desmoronam, são ampliadas,
Removidas, destruídas, restauradas, ou em seu lugar
Surgem um campo aberto, uma usina ou um atalho.
Velhas pedras para novas construções, velhas lenhas para novas chamas,
Velhas chamas em cinza convertidas, e cinzas sobre a terra semeadas,
Terra agora feita carne, pedra, fezes,
Ossos de homens e bestas, trigais e folhas.
As casas vivem e morrem: há um tempo para construir
E um tempo para viver e conceber
E um tempo para o vento estilhaçar as trêmulas vidraças
E sacudir o lambril onde vagueia o rato silvestre
E sacudir as tapeçarias em farrapo tecidas com a silente legenda”
.................................................................................................................
“Aqui ou ali, não interessa
Devemos estar imóveis e contudo mover-nos
Rumo a outra intensidade
A uma união mais ampla, uma comunhão mais profunda
Através da escura frieza e da vazia desolação,
O grito da vaga, o grito do vento, as águas infinitas
Da procelária e do delfim. Em meu fim está meu princípio"

E a poesia, amigos, parece louco dizê-lo , está no princípio de tudo neste universo. O Gênesis e o Apocalipse que mais são além de um orgasmo poético das superiores e insondáveis forças que com seus cadarços invisíveis movem a amplidão ? A flor fosforescente que, em botão, desabrocha no campo; a pétala que adiante cai e alimenta o solo; a semente que se abre e reinicia o ciclo; o pólen aspergido pelo vento que amplia o universo da fertilização; o corpo desfalecido que sucumbe – são todos capítulos de uma mesma história, ramalhetes de um mesmo bouquet.
Pareceria , então, perfeitamente plausível que aqui estivéssemos em comunhão , para uma celebração sagrada: o lançamento de um livro de poesias. No entanto, diante de um mundo tão pouco poético, tão tecnicista, tão pouco glamoroso, esta solenidade pode parecer totalmente obsoleta e grita-nos a pergunta inevitável : Prá que diabos serve Poesia no mundo de hoje ? Um mundo onde não mais se conversa: se tecla; não mais há encontros em praças, mas em chats; onde o olho-a-olho, o toque, o sorriso foram substituídos pelos e-mails. Um mundo líquido, tão bem caracterizado por Baumman , onde a fluidez estonteante leva de roldão não só as modas, os costumes, mas os sentimentos mais profundos que serviram um dia de amálgama contra a inevitabilidade da morte e o cupim inexorável do tempo. Numa sociedade tão pragmática como a que nos tornamos, onde tudo no planeta se tenta representar numa planilha do Excel; onde o Código de Barras foi se tornando mais importante que o Código de Ética; onde o grande dilema de Hamlet hoje se resume a “Ter ou não ter: eis a questão”... Prá que diabos serve a Poesia ? Se já não nos interessa o mistério das coisas porque tudo pode ser encontrado facilmente no Google; se escancaramos todas as barreiras da intimidade ; se amigo é definido como aquele que faz parte da mesma comunidade no Facebook; se a Ciência tudo pode e tudo permite; se só existe um Deus : O consumo e uma só Igreja verdadeira: o Shopping Center... Prá que diabos se lança um livro de poesias ?
Antecipei, amigos, estas questões porque percebo, claramente, que muitos dos que vieram já se viram diante de iguais inquirições e boa parte daqueles que convidados não compareceram, com certeza, assim o fizeram, acicatados por dúvidas semelhantes. A Poesia ? Tem alguma serventia ?
Pois bem, amigos, tentarei decifrar o enigma da Esfinge. A poesia não possui qualquer utilidade prática, como dizia Leminsky : é um objeto perfeitamente inutilitário. Com ela você não desconta cheque em Banco, não compra bolacha em supermercado, não cura tísica de menino catarrento. Mas a nossa Sociedade, amigos, só compra objetos perfeitamente úteis? Observem a casa de vocês num dia de mudança: quanto traste adquirido desnecessariamente ! O taco de beisebol trazido como lembrança de Miami; as roupas incontáveis que caíram de moda de repente; o sapateiro repleto de sapatos que fariam inveja a um imbuá... Hoje, amigos, mais que nunca, as coisas todas são perfeita e intencionalmente descartáveis , até nós! Mas não proponho que vocês comprem poemas por simples compulsão, que juntem os livros às outras tantas coisas imprestáveis da casa de vocês. Não !
Observem mais um pouco e percebam que na nossa casa existem objetos valiosíssimos, inegociáveis e que, por outro lado, não teriam qualquer valor de mercado. A foto da primeira namorada que entocamos no fundo da gaveta; o primeiro caderno de caligrafia ; a primeira boneca de porcelana; uma pedrinha que trouxemos da Chapada Diamantina num Réveillon inesquecível... ninguém daria um vintém por qualquer um desses itens e por outro lado muitos não os venderiam por qualquer dinheiro desse mundo. Eles têm um valor intrínseco que é impossível de mensurar. Não existem balanças aferidas para pesar o sonho e os mais estranhos objetos do nosso desejo. Há assim valores que sobrepassam as simples tabelas contábeis do Deve-Haver. E eu ousaria afirmar que – imunes aos bolores do tempo e à ferrugem das horas – esta é a única bagagem que nos será permitida conduzir na derradeira viagem quando o Princípio de tudo tocará a sua outra extremidade : o Fim.
A Poesia, amigos, faz parte dessa aresta imaterial da nossa existência. Sem ela é-nos impossível atingir a essência íntima das coisas. Ela possibilita enxergar além da fronteira do aparentemente real. Olhos embotados pela dura realidade cotidiana , uma normalidade perigosa nos solapará pouco a pouco a alma: a violência, a desigualdade, a injustiça, o preconceito, a fome irão se tornando para nós perfeitamente normais e imutáveis. A Poesia nos mostrará outros caminhos a trilhar, antepondo-nos um filtro diante das retinas poderemos perceber nuances até então inexploradas do universo à nossa volta. A percepção dessa dimensão multi-sensorial nos faz compreender o planeta além do nosso pomar e do nosso quintal. Seria impossível a um poeta acender o estopim do Enola Gay ou incendiar Roma, mesmo sob o pretexto de compor uma Sinfonia perfeita. É que Ética e Estética são o verso e o anverso de uma mesma moeda, amigos. Se alguém pretende ensinar Ética para as gerações futuras, conduza as crianças pelas veredas da Arte. Qualquer pessoa que consiga se emocionar diante do Não-Figurativismo de Iberê Camargo , tem no seu âmago uma profunda comunhão com os mistérios da Vida. E a Poesia , amigos, é o amálgama básico de qualquer forma de Arte, uma poderosa forma de alumbramento.
E aqui estamos nós, em meio a tantas digressões, para o lançamento do sétimo livro do nosso Wellington Alves: “Inventário de Poesias”. Mais conhecido por todos pelo afetuoso apelido de TON-TON. Ele, em verdade, seguindo o epíteto quase que premonitório, sempre executou a sinfonia da Vida em muitos tons : Médico psiquiatra, cidadão do mundo, alma de boêmio, militante político ,compulsivo tecedor de amizades; a poesia de Ton-Ton é uma extensão da sua vida. Apesar do que possa parecer o título desse livro, não se trata de um poeta burocrático, Ton-Ton deixa fluir dos seus versos, o encantamento de um vate maduro frente ao mundo com seus mistérios, suas complexidades e sua finitude. Sabiamente, o poeta faz o inventário, em vida, para muitos amigos e muitos leitores, da riqueza que foi auferindo durante a existência. Não de bens materiais perfeitamente expostos ao caruncho e às traças e que fazem a canibalesca festa dos inventários tradicionais, onde se partilham quinquilharias , se destroem laços familiares e se criam inimigos figadais. Ton-Ton deixa como herança sentimentos impalpáveis mas perceptíveis fragmentos de toda uma existência: seu amor incondicional por Fátima e pelos filhos, sua proximidade ao sagrado e sua aversão ao ritual, a estrada que se alonga às costas e parece se estreitar à frente.
Sintam-se assim, todos, seus herdeiros universais. A cada um de vocês caberá : uma nesga da lua de agosto, um crepúsculo na duna de Jeriquaquara, um sopro do orvalho da Chapada, um alvorecer no Vale do Loire. Este é o tempo de viver e conceber, da ampla comunhão com a vida, antes que o Tempo venha estilhaçar as trêmulas vidraças que separam o Príncipio do Fim.
P.S. - Apresentação do livro "Inventário de Poesias" de Wellington Alves, em 24/11/11 no SESC /Crato, com inesquecível Performance de Luiz Carlos Salatiel.
J. Flávio Vieira

Sob suspeita - José Nilton Mariano Saraiva

Teoricamente, o Poder Judiciário deveria funcionar como referência em termos de moralidade e isenção nas suas decisões, um fórum permanente e apropriado ao qual pudessem recorrer os que vítimas de arbitrariedades e injustiças. É o mínimo que se poderia esperar. No entanto, em termos de Brasil a “coisa” não funciona propriamente assim, porquanto claramente privilegiadora dos poderosos e bem situados na vida, a ponto da velha máxima dos “três PS” sempre ser lembrada: no Brasil, cadeia só pra preto, pobre e puta.
É bem verdade que novos ares vem experimentando o nosso Ministério Público, com promotores jovens e independentes “ousando” um pouco mais (vide um Fausto de Sanctis, juiz paulista) mas que esbarram nas nossas caducas leis e códigos processuais (que necessitam passar por uma reciclagem urgente, disso não tenhamos dúvida), além do que “cultura” estabelecida ainda vá demorar um pouco a ser abolida, via aposentadoria de alguns dos nossos viciados e inoperantes “magistrados”, claramente adeptos de certas conveniências e jeitinhos, e sem maiores preocupações com a defesa da cidadania. E não é difícil identifica-los: é só atentarmos para a atuação dos pseudos “paladinos da Justiça” com assento em nossa corte maior: o Supremo Tribunal Federal (STF). Mas um dia chegaremos lá, embora cause calafrios tomar conhecimento do abaixo exposto:

Um poder de costas para o país – Marco Antonio Villa


A Justiça no Brasil vai mal, muito mal. Porém, de acordo com o relatório de atividades do Supremo Tribunal Federal de 2010, tudo vai muito bem. Nas 80 páginas - parte delas em branco - recheadas de fotografias (como uma revista de consultório médico), gráficos coloridos e frases vazias, o leitor fica com a impressão que o STF é um exemplo de eficiência, presteza e defesa da cidadania. Neste terreno de enganos, ficamos sabendo que um dos gabinetes (que tem milhares de processos parados, aguardando encaminhamento) recebeu "pela excelência dos serviços prestados" o certificado ISO 9001. E há até informações futebolísticas: o relatório informa que o ministro Marco Aurélio é flamenguista.
A leitura do documento é chocante. Descreve até uma diplomacia judiciária para justificar os passeios dos ministros à Europa e aos Estados Unidos. Ou, como prefere o relatório, as viagens possibilitaram "uma proveitosa troca de opiniões sobre o trabalho cotidiano." Custosas, muito custosas, estas trocas de opiniões. Pena que a diplomacia judiciária não é exercida internamente. Pena. Basta citar o assassinato da juíza Patrícia Acioli, de São Gonçalo. Nenhum ministro do STF, muito menos o seu presidente, foi ao velório ou ao enterro. Sequer foi feita uma declaração formal em nome da instituição. Nada. Silêncio absoluto. Por que? E a triste ironia: a juíza foi assassinada em 11 de agosto, data comemorativa do nascimento dos cursos jurídicos no Brasil.
Mas, se o STF se omitiu sobre o cruel assassinato da juíza, o mesmo não o fez quando o assunto foi o aumento salarial do Judiciário. Seu presidente, Cézar Peluso, ocupou seu tempo nas últimas semanas defendendo - como um líder sindical de toga - o abusivo aumento salarial para o Judiciário Federal. Considera ético e moral coagir o Executivo a aumentar as despesas em R$ 8,3 bilhões.
A proposta do aumento salarial é um escárnio. É um prêmio à paralisia do STF, onde processos chegam a permanecer décadas sem qualquer decisão. A lentidão decisória do Supremo não pode ser imputada à falta de funcionários. De acordo com os dados disponibilizados, o tribunal tem 1.096 cargos efetivos e mais 578 cargos comissionados. Portanto, são 1.674 funcionários, isto somente para um tribunal com 11 juízes. Mas, também de acordo com dados fornecidos pelo próprio STF, 1.148 postos de trabalho são terceirizados, perfazendo um total de 2.822 funcionários. Assim, o tribunal tem a incrível média de 256 funcionários por ministro. Ficam no ar várias perguntas: como abrigar os quase 3 mil funcionários no prédio-sede e nos anexos? Cabe todo mundo? Ou será preciso aumentar os salários com algum adicional de insalubridade?
Causa estupor o número de seguranças entre os funcionários terceirizados. São 435. O leitor não se enganou: são 435. Nem na Casa Branca tem tanto segurança. Será que o STF está sendo ameaçado e não sabemos? Parte destes vigilantes é de seguranças pessoais de ministros. Só Cézar Peluso tem 9 homens para protegê-lo em São Paulo (fora os de Brasília). Não é uma exceção: Ricardo Lewandovski tem 8 exercendo a mesma função em São Paulo.
Mas os números continuam impressionando. Somente entre as funcionárias terceirizadas, estão registradas 239 recepcionistas. Com toda a certeza, é o tribunal que melhor recebe as pessoas em todo mundo. Será que são necessárias mais de duas centenas de recepcionistas para o STF cumprir suas tarefas rotineiras? Não é mais um abuso? Ah, abuso é que não falta naquela Corte. Só de assistência médica e odontológica o tribunal gastou em 2010, R$16 milhões. O orçamento total do STF foi de R$518 milhões, dos quais R$315 milhões somente para o pagamento de salários.
Falando em relatório, chama a atenção o número de fotografias onde está presente Cézar Peluso. No momento da leitura recordei o comentário de Nélson Rodrigues sobre Pedro Bloch. O motivo foi uma entrevista para a revista "Manchete". O maior teatrólogo brasileiro ironizou o colega: "Ninguém ama tanto Pedro Bloch como o próprio Pedro Bloch." Peluso é o Bloch da vez. Deve gostar muito de si mesmo. São 12 fotos, parte delas de página inteira. Os outros ministros aparecem em uma ou duas fotos. Ele, não. Reservou para si uma dúzia de fotos, a última cercado por crianças. A egolatria chega ao ponto de, ao apresentar a página do STF na intranet, também ter reproduzida uma foto sua acompanhada de uma frase (irônica?) destacando que o "a experiência do Judiciário brasileiro tem importância mundial".
No relatório já citado, o ministro Peluso escreveu algumas linhas, logo na introdução, explicando a importância das atividades do tribunal. E concluiu, numa linguagem confusa, que "a sociedade confia na Corte Suprema de seu País. Fazer melhor, a cada dia, ainda que em pequenos mas significativos passos, é nossa responsabilidade, nosso dever e nosso empenho permanente". Se Bussunda estivesse vivo poderia retrucar com aquele bordão inesquecível: "Fala sério, ministro!"
As mazelas do STF têm raízes na crise das instituições da jovem democracia brasileira. Se os três Poderes da República têm sérios problemas de funcionamento, É INEGÁVEL QUE O JUDICIÁRIO É O PIOR DELES. E deveria ser o mais importante. Ninguém entende o seu funcionamento. É lento e caro. Seus membros buscam privilégios, e não a austeridade. Confundem independência entre os poderes com autonomia para fazer o que bem entendem. Estão de costas para o país. No fundo, desprezam as insistentes cobranças por justiça. Consideram uma intromissão.

Clara mente
A poesia fala

Silêncio " light"
Obscura mente

Solidão aceita
Vida "diet "

por socorro moreira




Estude o projeto de vida que Deus criou pra você... Execute-o , passo a passo , no rítmo de uma chuva fininha, que fará desabrochar suas flores - viva cores !






Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.


Pablo Neruda